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]]>A educação dos filhos é, muitas vezes, confundida com a arte de dar limites. Na tentativa de sermos “bons pais”, caímos na armadilha de intervir em cada passo, palavra ou emoção das crianças. No entanto, o verdadeiro papel de quem educa não é moldar o outro à sua imagem, mas sim criar o terreno fértil para que ele floresça com autonomia.
Muitas vezes, o controle se manifesta de formas sutis. O elogio excessivo e constante, por exemplo, pode limitar a criatividade, pois a criança passa a agir para satisfazer a expectativa externa. Da mesma forma, o alerta de “atenção!” a cada nova aventura interrompe a experimentação necessária para o aprendizado.
Um exercício revelador é observar nossas próprias interações: quanto do que dizemos é realmente necessário? Frequentemente, fazemos perguntas em sequência sem sequer esperar pela resposta, atropelando o tempo da criança. O convite aqui é o silêncio.
Estar presente sem falar demais, admirar o desenvolvimento sem interromper e, quando houver tarefas, convidar a criança para o mundo real. Por que um aspirador de brinquedo se o aspirador de casa de verdade (que meu filho chama “bichão”) é muito mais interessante?
Para pertencer, a criança precisa contribuir e participar da vida como ela é.
Para evitar rótulos que aprisionam, devemos trocar a linguagem estática pela dinâmica. Em vez de dizer “você é criativo”, experimente focar no processo: “Achei criativo como você usou o Lego para fazer esse elevador. Como pensou nisso?”.
Ensinar que a vida é movimento — que nada “é”, tudo “está” — estimula uma mentalidade de crescimento. Seu filho não é uma definição fixa; ele está em constante evolução. Além disso, não precisamos ter respostas prontas para perguntas complexas sobre a guerra ou a morte, por exemplo.
A segurança é mais importante que a informação.
Muitas vezes, devolver a pergunta e validar o que a criança sabe já sobre o assunto e sente em relação a ele é o maior gesto de conexão que podemos oferecer.
Estabelecer limites não precisa ser um ato de força. Crianças não são “adultos menores”; são seres humanos dignos de respeito igualitário. A relação ganha-ganha acontece quando os pais ocupam o lugar de uma autoridade que inspira e orienta, não que oprime.
Isso exige autoescuta. Muitas vezes não ouvimos nossos filhos porque não estamos nos ouvindo. Quando estamos exaustos, é mais honesto verbalizar nossa indisponibilidade (“estou cansada e preciso descansar agora, em vez de ler a história, o que acha de apenas deitar juntos escutando uma música?”) do que reagir com gritos ou punições mascaradas. A energia da verdade, falando na primeira pessoa, é mais eficiente, principalmente a longo prazo, que a energia da acusação, apontando o dedo.
O mesmo vale para os momentos de desorganização emocional na criança— a chamada “birra”. E aqui vale lembrar que o córtex pré frontal começa a se desenvolver com 5 anos de idade ou seja antes dessa idade, o sistema da criança não está pronto para a autorregulação.
O papel do adulto não é resolver o problema rápido, mas mostrar disponibilidade: “Estou aqui para você quando precisar de um abraço”. A autorregulação é ensinada pelo exemplo. Ao mostrarmos como lidamos com nossa própria raiva ou tristeza, oferecemos às crianças ferramentas para que elas encontrem alternativas saudáveis às reações violentas.
Educar é como a jardinagem: um trabalho constante de adubar a qualidade da relação.
A Comunicação Não Violenta (CNV) vai além do lar; é uma questão de saúde pública e sustentabilidade social. Embora meu entusiasmo inicial ao descobrir a CNV há 10 anos me faça desejar a paz mundial em dez anos, os mestres da não violência nos lembram que estamos trabalhando para o próximo milênio.
Sejamos, portanto, jardineiros pacientes. Cada pequena mudança na forma como nos comunicamos hoje é uma semente plantada para um mundo mais compassivo amanhã.
Quer saber mais sobre como educar com presença, limites e respeito, sem cair no controle disfarçado de cuidado? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Pauline Charoki
https://escutatoria.com
Confira também: Nada é Óbvio: O Risco de Não Dizer o Que Precisa Ser Dito
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]]>No ambiente de trabalho (e fora dele), frases como “mas isso era óbvio” ou “achei que não precisava explicar” são mais comuns do que deveriam. O problema é que o que parece óbvio para você, pode não ser para o outro. Entre o que foi dito e o que foi entendido — que os ruídos de comunicação surgem.
Esses ruídos não só minam a produtividade, mas também corroem vínculos e confiança entre as pessoas.
Na Escutatória, entendemos que nada é óbvio porque cada pessoa interpreta o mundo a partir da sua história, crenças, emoções e experiências. O que é claro para mim pode ser ambíguo para você.
O óbvio precisa ser dito de forma explícita, concreta, objetiva, dando exemplos se precisar. Então quando uma pessoa fala por exemplo para você: ‘’Preciso de um relatório mais transparente’’. Em vez de dizer apenas: ‘’Beleza, deixa comigo!’’, pergunte: ‘’de quais dados você precisa para que o relatório fique mais transparente?‘’
A verdade é simples: quando acreditamos que algo é óbvio, deixamos de comunicar. E quando deixamos de comunicar, abrimos espaço para ruídos, mal-entendidos e conflitos desnecessários.
Na Escutatória, aprendemos que comunicar de forma consciente é transformar intenções em clareza, vínculos em confiança e palavras em ação.
E você? Qual situação você viveu em que o “óbvio” não foi tão óbvio assim?
Quer saber mais sobre como evitar ruídos de comunicação quando nada é realmente óbvio e transformar expectativas implícitas em alinhamento, confiança bem como ação efetiva? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Pauline Charoki
https://escutatoria.com
Confira também: A Arte de Isolar o Fato do Seu Julgamento
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]]>Olá,
Sou Pauline Charoki, advogada educadora e empreendedora no Brasil há 17 anos. Em 2014, me formei ao método Do It – Escutatória do Thomas Brieu.
Hoje atuo como professora e palestrante, realizo cursos, estudos e vivências em inteligência emocional, psicologia positiva e neurociência, CNV, gestão de conflitos, liderança, venda e comunicação produtiva.
Thomas Brieu e eu somos sócios da DO IT – Escutatória que oferece ferramentas práticas para uma comunicação que seja ao mesmo tempo assertiva e humanizada, exigente e empática, firme e aberta.
Esta coluna, em parceria com Thomas Brieu, revisita a comunicação pelo prisma de quem escuta para promover uma comunicação autêntica que desarma e conecta.
Seja bem-vindo(a)!
Pauline Charoki
‘’ A forma mais elevada da consciência humana é a habilidade de observar sem julgar’’ (J. Krishnamurti)
Para inaugurar esta coluna sobre Escutatória e padrões de linguagem, propomos um desafio simples e poderoso: trocar, de forma consciente, nossos julgamentos por observações. Essa escolha, aparentemente sutil, é a chave para transformar embates em encontros genuínos e autênticos.
De um lado, tem o julgamento: uma análise, uma avaliação. É a nossa visão particular do mundo, nossa interpretação independente se está certo ou coerente com a realidade.
Do outro lado, tem a observação: uma descrição, usando palavras que o outro não vai contestar. Descrever o ato, a cena de tal forma que quem escuta poderia desenhá-la.
O exercício diário é aprender a não expor julgamentos mas apenas descrever a situação, o que incomoda ou agrada. Observar sem avaliar.
A observação é fundamental na resolução de conflitos porque ela faz a diferença entre o que é E o que eu penso.
A descrição de fatos contribui para a aproximação de perspectivas entre pessoas que pensam diferente e diminui assim a resistência em ouvir o outro.
O olhar de cada um é relacionado com as vivências dele. São essas interpretações diferentes do mundo que também geram conflitos. Ter consciência e aceitar isso é o primeiro passo.
Uma vez tendo consciência e aceitando isso, como explorar o mundo particular da outra pessoa?
Com curiosidade genuína, fazendo perguntas para entender a motivação/intenção da pessoa por trás de um comportamento que, a princípio, você não entende.
Isolar o fato permite falar do mesmo evento vivenciado juntos, começando portanto com um acordo.
É mais fácil ouvir “essa semana observei que você chegou terça e quinta com 1h de atraso.” em vez de “você se atrasou muito essa semana.”
Ou “quando cheguei em casa às 20h, vi roupas espalhadas no chão e pratos sujos na pia” em vez de “estava uma bagunça quando cheguei.”
O julgamento na sua cabeça é natural, ele fala a respeito do que sente e sente falta naquela. Não é para ignorá-lo, é para olhar para ele e então decidir ”colocar na prateleira” para escolher expor outras palavras.
Palavras que serão melhor escutadas pelo seu interlocutor. Porque comunicação se trata do impacto de como eu falo.
Porque a escuta se fecha diante do julgamento.
Quando julgamos, colocamos o outro na defensiva.
Quando observamos, criamos um ponto de partida comum — um solo compartilhado para a conversa continuar.
Na Escutatória, aprender a diferenciar observação de julgamento é uma das primeiras práticas para transformar reações impulsivas em respostas conscientes.
Vou dar alguns exemplos de uma avaliação que se torna uma observação:
O que você percebe nessas frases de observação?
A observação é um convite à colaboração enquanto o julgamento gera cobrança e reação.
Se essa reflexão fez sentido pra você, então compartilhe nos comentários:
Qual situação recente teria mudado se você usasse uma observação em vez de um julgamento?
Quer saber mais sobre como diferenciar observação e julgamento pode transformar sua comunicação? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Pauline Charoki
https://escutatoria.com
Não deixe de acompanhar a nova coluna Escutatória & Padrões de Linguagem Colaborativos.
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