O post Quando o Adolescente Silencia: O Que Estamos Deixando de Escutar? apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>Há um momento da vida em que deixar de ser criança não significa ainda saber ser adulto. É a adolescência. Um território de transição, de descobertas, conflitos e profundas transformações. O corpo muda, a identidade começa a ganhar novos contornos, os vínculos familiares são questionados, os amigos passam a ocupar um lugar central e surge, muitas vezes de maneira intensa, a necessidade de pertencer.
É também uma fase em que o jovem começa a se perguntar, ainda que nem sempre consiga formular claramente: quem sou eu, onde pertenço e que lugar tenho no mundo? Talvez por isso seja tão difícil distinguir, algumas vezes, aquilo que faz parte das turbulências próprias da adolescência daquilo que revela um sofrimento psíquico que precisa ser acolhido e cuidado.
O adolescente pode se fechar no quarto, dormir mais, responder com irritação, abandonar atividades de que gostava, afastar-se dos amigos, apresentar queda no desempenho escolar ou demonstrar uma aparente indiferença diante de tudo. E nós, adultos, frequentemente interpretamos esses sinais a partir de explicações que nos parecem mais simples.
Os pais ou cuidadores contextualizam para si mesmos:
Essas frases, muitas vezes ditas por preocupação ou até por amor, podem revelar algo importante: nossa dificuldade de reconhecer uma linguagem que não dominamos.
É justamente nesse lugar que a peça O Filho, do dramaturgo francês Florian Zeller, encontra uma enorme potência. Repetidamente, o personagem diz: “Não sei”, “Não vou conseguir”, “Não estou bem”. Todas essas falas são pedidos de socorro que não serão atenuados com “broncas” ou com “eu te amo”. A dor da angústia é mais profunda que isso. O sofrimento que não cabe em uma explicação.
Na história de Zeller, Nicolas é um adolescente de 16 anos que apresenta um profundo sofrimento emocional. Depois da separação dos pais, ele passa a viver com o pai e demonstra dificuldades que os adultos ao seu redor tentam compreender. O pai procura respostas. A mãe também tenta encontrar uma explicação para aquilo que está acontecendo. Existe uma preocupação genuína, mas existe igualmente uma dificuldade de alcançar a dimensão da dor daquele jovem.
E talvez seja isso que torne a história tão incômoda. Não estamos diante de pais indiferentes. Estamos diante de adultos que amam, que querem ajudar e que, mesmo assim, não conseguem compreender completamente o que está acontecendo. Essa é uma das dimensões mais dolorosas quando falamos de depressão na adolescência: amar alguém não significa necessariamente conseguir enxergar sua dor.
Podemos perguntar ao nosso filho como ele está e ouvir um “estou bem”. Podemos também perceber que alguma coisa mudou e receber como resposta que não aconteceu nada. Além disso, podemos insistir, oferecer conselhos, lembrar tudo aquilo que ele tem, dizer que outras pessoas enfrentam problemas maiores e acreditar que, dessa maneira, estamos ajudando. Mas, algumas vezes, o adolescente não precisa naquele momento de uma solução. Ele precisa primeiro sentir que existe alguém disposto a permanecer ao seu lado diante de algo que ele próprio ainda não consegue compreender.
Quando “não aconteceu nada” significa que aconteceu muita coisa. Tenho pensado muito sobre como os adultos interpretam o silêncio dos adolescentes. Um jovem chega da escola e entra diretamente no quarto. A mãe pergunta se aconteceu alguma coisa. Ele responde que não. Ela insiste, pergunta se houve algum problema com os amigos, com os professores, com as notas. Ele continua dizendo que está tudo normal. Diante disso, podemos encerrar a conversa. Mas também podemos perceber que aquele “não aconteceu nada” talvez não seja exatamente uma informação, mas uma defesa. Talvez ele não saiba como começar, talvez tenha medo de decepcionar, talvez não queira preocupar os pais. Talvez não encontre palavras para aquilo que sente. Ou talvez já tenha aprendido que algumas emoções provocam nos adultos uma reação que ele não deseja enfrentar.
E reconhecer essa diferença é uma das tarefas mais delicadas de quem convive com adolescentes. Por isso, escutar não significa transformar cada conversa em um interrogatório. Significa criar condições para que a conversa possa acontecer.
É possível dizer a um filho que percebemos que ele parece diferente, que não precisamos conversar naquele exato momento, mas que estaremos disponíveis quando ele quiser. É possível demonstrar interesse sem invadir, oferecer presença sem exigir confissão e, principalmente, transmitir a mensagem de que ele não será julgado por aquilo que sente. Essa disponibilidade pode parecer pequena. Mas, para alguém que está sofrendo, pode ser enorme.
A cultura contemporânea tem produzido obras que ajudam a colocar a adolescência e seus conflitos no centro da conversa. A série 13 Reasons Why, por exemplo, provocou uma discussão mundial ao abordar suicídio, bullying, violência, culpa, relações entre adolescentes e o impacto que determinados acontecimentos podem ter sobre a vida de um jovem.
A produção também gerou importantes debates sobre a maneira como o suicídio é representado na ficção e sobre os cuidados necessários ao abordar esse tema. Mais recentemente, a série Adolescência voltou a colocar o universo juvenil no centro das discussões, explorando questões relacionadas à identidade, pertencimento, masculinidade, violência, relações familiares e influência do ambiente digital.
Embora sejam obras ficcionais e não possam ser tomadas como retratos universais da adolescência, elas cumprem uma função social relevante: nos obrigam a olhar para perguntas que muitas vezes preferimos evitar. O que nossos filhos estão vivendo quando estão longe de nós? O que acontece nos grupos de mensagens dos quais não participamos? Que referências estão construindo sua identidade? Que tipo de pressão estão enfrentando? O que significa ser aceito por um grupo?
A tecnologia ampliou essas perguntas. O adolescente pode estar sentado à mesa com a família e, ao mesmo tempo, estar emocionalmente imerso em um universo completamente diferente através do celular. Nós vemos o que acontece dentro de casa. Mas nem sempre vemos o que acontece dentro da tela. A adolescência é uma questão de pertencimento e existe algo particularmente delicado nessa fase: a necessidade de pertencer. Ser reconhecido pelo grupo, ter amigos, sentir-se aceito, descobrir quem se é e construir uma identidade própria fazem parte do desenvolvimento. Quando esse pertencimento é ameaçado, a dor pode ser muito intensa.
Criar uma família onde o pertencimento é o centro da conversa ajuda muito. Pertencer à família, à comunidade, ao grupo: isso pode ser ensinado na forma como se relacionam com os outros, com empatia, acolhimento, amizade, afeto.
Uma rejeição de qualquer natureza pode parecer, para um adulto, algo passageiro. Para um adolescente, pode representar uma ruptura profunda da imagem que ele construiu de si. Uma exclusão de um grupo pode parecer banal para quem observa de fora. Para quem está vivendo aquilo, pode significar “ninguém gosta de mim”.
Uma crítica nas redes sociais pode desaparecer rapidamente no fluxo de informações. Mas pode permanecer durante muito tempo na mente de quem a recebeu. O problema não é apenas aquilo que aconteceu. É o significado que aquilo adquiriu para aquele jovem. São as primeiras experiências de testar o mundo exterior. E essa talvez seja uma das maiores contribuições que a psicanálise pode oferecer à compreensão do sofrimento: olhar não apenas para o acontecimento, mas para o sentido que ele assume na experiência subjetiva de cada pessoa.
A Organização Mundial da Saúde aponta que aproximadamente uma em cada sete pessoas entre 10 e 19 anos apresenta algum transtorno mental, e que depressão e ansiedade estão entre as condições que mais afetam adolescentes. O suicídio também está entre as principais causas de morte entre jovens. Esses dados nos lembram que saúde mental na adolescência não pode ser tratada como uma questão periférica. Mas existe outro cuidado necessário: não transformar toda tristeza em depressão.
A adolescência é marcada por oscilações emocionais, conflitos, frustrações e mudanças de comportamento. O jovem pode estar triste, irritado, inseguro ou confuso sem necessariamente apresentar um transtorno depressivo. O que merece nossa atenção são mudanças persistentes ou significativas, especialmente quando há perda de interesse pelas atividades habituais, isolamento, alterações importantes de sono ou apetite, queda acentuada no funcionamento cotidiano, desesperança, sentimentos de inutilidade ou qualquer manifestação relacionada à morte ou à vontade de desaparecer.
Nessas situações, buscar avaliação profissional é fundamental. E quando existe risco imediato, a prioridade é procurar ajuda de emergência e não deixar o jovem sozinho. Não precisamos ser pais perfeitos. Precisamos estar presentes. Talvez uma das maiores ilusões da parentalidade seja acreditar que precisamos saber exatamente o que fazer. Não sabemos. E tudo bem.
O importante é poder rever a própria posição. Talvez seja necessário trocar a pergunta “onde foi que eu errei?” por “o que eu ainda não consegui perceber?”. Trocar “por que ele está fazendo isso?” por “o que esse comportamento pode estar comunicando?”. Trocar “ele precisa reagir” por “como posso ajudá-lo a encontrar recursos para reagir?”
E trocar a necessidade de encontrar imediatamente uma resposta pela disponibilidade para permanecer diante da pergunta. É nesse ponto que a peça O Filho se torna tão poderosa. A peça não nos oferece uma fórmula para lidar com a depressão na adolescência. Mas nos coloca diante da complexidade do sofrimento humano. E talvez seja justamente essa a sua maior contribuição. Antes do diagnóstico, existe uma pessoa.
Quando falamos sobre depressão, transtornos mentais ou prevenção do suicídio, existe o risco de reduzirmos o adolescente ao diagnóstico: “Ele é deprimido”, “Ela tem ansiedade”, “Ele está com problemas”. Mas antes de qualquer diagnóstico existe uma pessoa. Existe uma história. Existe uma família. Existem desejos, medos, sonhos, contradições e possibilidades.
Existe alguém tentando construir uma identidade em um mundo que, muitas vezes, exige respostas antes mesmo de permitir que as perguntas amadureçam. Por isso, cuidar da saúde mental dos adolescentes significa também criar espaços para que eles possam existir sem precisar estar permanentemente performando. Não precisam ser sempre felizes, não precisam ter as melhores notas, não precisam saber o que querem da vida aos 16 ou 17 anos e não precisam corresponder às expectativas dos adultos. Mas, sim, precisam saber que podem pedir ajuda. Precisam saber que podem falhar, que podem falar e, sobretudo, saber que sua dor não os torna menos importantes.
E talvez possamos aprender uma coisa fundamental: escutar não é concordar, não é resolver e não é ter todas as respostas. Escutar é reconhecer a existência do outro.
É dizer, mesmo sem palavras, que percebemos que alguma coisa está acontecendo, que talvez não compreendamos completamente, mas que queremos compreender, e que aquele jovem não precisa atravessar tudo sozinho.
No fundo, é disso que falam O Filho, 13 Reasons Why e Adolescência, cada uma a seu modo e com suas limitações: daquilo que acontece quando o mundo interior de um jovem se torna invisível para aqueles que estão ao seu redor.
E talvez a pergunta mais importante para este Setembro Amarelo não seja apenas “como identificar a depressão?”, mas “estamos realmente disponíveis para escutar aquilo que nossos adolescentes ainda não conseguem dizer?”
Porque algumas dores começam muito antes de serem nomeadas. E, muitas vezes, antes de alguém pedir socorro, existe apenas um pequeno sinal. Uma mudança. Um afastamento. Um silêncio. Cabe a nós decidir se vamos passar por ele sem perceber ou se vamos parar, olhar e perguntar: “Quer me contar o que está acontecendo?” Às vezes, uma conversa não resolve tudo. Mas pode ser o começo de uma ponte. E algumas pontes salvam vidas.
Nem toda tristeza é depressão. A adolescência é marcada por oscilações emocionais, conflitos e mudanças de comportamento. O que merece atenção é quando essas mudanças se tornam intensas, persistentes ou começam a interferir significativamente na vida cotidiana do jovem.
Alguns sinais que podem indicar que é importante buscar ajuda profissional são o isolamento frequente ou a perda de interesse por amigos, atividades e situações que antes proporcionavam prazer; mudanças importantes no sono, no apetite ou na rotina; queda repentina e persistente no desempenho escolar; irritabilidade, agressividade ou alterações de humor que fogem do padrão habitual; sentimentos recorrentes de culpa, inutilidade, fracasso ou desesperança; e dificuldade crescente de concentração e realização de tarefas.
Também merecem atenção especial falas ou comportamentos que expressem vontade de desaparecer, morrer ou deixar de existir, assim como despedidas incomuns, doação de objetos importantes ou mudanças repentinas de comportamento após um período de intenso sofrimento.
Um sinal isolado não permite concluir que um adolescente esteja deprimido. O mais importante é observar mudanças em relação ao comportamento habitual e considerar o contexto em que elas aparecem.
Quando existe sofrimento significativo, conversar com o adolescente com calma, sem julgamento e sem minimizar aquilo que ele sente pode ser um primeiro passo. A avaliação de um profissional de saúde mental pode ajudar a compreender o que está acontecendo e indicar os cuidados necessários.
Quando houver risco imediato de suicídio ou de autolesão, a situação deve ser tratada como uma emergência: o adolescente não deve ser deixado sozinho e é necessário buscar imediatamente um serviço de emergência ou de saúde.
Para lembrar, não precisamos esperar uma crise para começar uma conversa. Prevenção também é perguntar, escutar, observar mudanças e, sem dúvida, construir relações nas quais o adolescente saiba que pedir ajuda é possível. Escutar pode ser o primeiro cuidado.
Quer saber mais sobre como reconhecer os sinais da depressão na adolescência e criar espaço para que o silêncio possa se transformar em escuta e pedido de ajuda? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Mônica Barg
https://www.monicabarg.com.br
Confira também: A Revolução da Longevidade: Estamos Preparados para Viver Mais — e Melhor?
O post Quando o Adolescente Silencia: O Que Estamos Deixando de Escutar? apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O post A Revolução da Longevidade: Estamos Preparados para Viver Mais — e Melhor? apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>“Não estamos apenas vivendo mais. Estamos vivendo uma vida inteira a mais.”
Essa talvez seja uma das maiores transformações da humanidade e, curiosamente, ainda pouco compreendida.
Durante séculos, o ser humano buscou aumentar sua expectativa de vida. A medicina evoluiu, a ciência ampliou o conhecimento sobre prevenção e tratamento das doenças, e hoje conquistamos algo que parecia impossível para gerações anteriores: viver oito, nove e, em muitos casos, até dez décadas. Mas essa conquista nos coloca diante de uma pergunta inevitável: Estamos emocionalmente preparados para viver tanto tempo?
De acordo com projeções demográficas, até 2050 cerca de 30% da população brasileira terá mais de 60 anos, e a expectativa média de vida deverá superar os 80 anos. Não estamos apenas diante de uma mudança estatística, mas de uma profunda transformação social, econômica, familiar e organizacional.
Durante décadas, imaginamos a vida como uma sequência relativamente previsível: estudar, trabalhar, aposentar-se e descansar. Esse modelo fazia sentido quando a expectativa de vida era significativamente menor.
Hoje, entretanto, ganhamos aproximadamente três décadas adicionais de existência. A pergunta deixou de ser “quanto tempo viveremos?” e passou a ser “o que faremos com esse tempo?”
Nossa cultura ainda associa juventude à produtividade, beleza e inovação. Em contrapartida, frequentemente relaciona a velhice à perda, limitação e dependência. Entretanto, essa narrativa já não corresponde à realidade.
Observamos uma geração que permanece ativa, aprende continuamente, empreende, inicia novos projetos, viaja, trabalha, estuda e continua produzindo conhecimento. O conceito ageless representa justamente essa ruptura: pessoas cuja identidade não pode mais ser definida pela idade cronológica.
Ao mesmo tempo, cresce a conscientização sobre o ageísmo — também chamado de etarismo ou idadismo —, um preconceito que ainda limita oportunidades profissionais, interfere nas relações sociais e influencia a forma como muitas pessoas percebem o próprio envelhecimento. Precisamos substituir a lógica do declínio pela lógica do desenvolvimento humano contínuo.
Durante muito tempo, os estudos sobre saúde concentraram-se quase exclusivamente na doença. A Psicologia Positiva, inaugurada por Martin Seligman, propõe uma mudança de paradigma. Em vez de perguntar apenas como reduzir sofrimento, ela busca compreender o que faz as pessoas florescerem.
Como afirma Seligman, tratar não significa apenas reparar aquilo que está com defeito, mas também desenvolver aquilo que existe de melhor em cada indivíduo. Essa mudança de perspectiva torna-se especialmente importante quando pensamos na longevidade. Não basta prevenir doenças; precisamos potencializar capacidades. Isso significa fortalecer recursos emocionais, cognitivos, relacionais e espirituais capazes de sustentar uma vida longa com autonomia, significado e qualidade.
A Psicologia Positiva diferencia duas formas de bem-estar. A primeira está relacionada ao prazer imediato e às emoções positivas. A segunda, denominada Eudaimonia, está ligada ao crescimento pessoal, ao propósito de vida e ao desenvolvimento contínuo.
Enquanto o prazer é importante, é o sentido atribuído à existência que sustenta uma vida plena ao longo das décadas. O florescimento humano acontece quando autonomia, relações saudáveis, crescimento pessoal, propósito e autoaceitação caminham juntos.
Durante décadas, fomos educados para acreditar que a carreira seguia uma linha reta: estudar, ingressar no mercado, crescer profissionalmente e, ao final, aposentar-se. Hoje essa lógica já não se sustenta. Se vivermos mais, também trabalharemos por mais tempo. Isso significa que muitas pessoas viverão diferentes ciclos profissionais ao longo da mesma vida.
Teremos mais reinvenções, mais transições de carreira, mais oportunidades de empreender, ensinar, aprender e compartilhar conhecimento. Nesse cenário, o lifelong learning deixa de ser uma tendência para tornar-se uma competência essencial.
Aprender continuamente significa manter a curiosidade intelectual, desenvolver novas habilidades, atualizar competências técnicas e fortalecer competências socioemocionais. Ao mesmo tempo, a maturidade oferece um patrimônio que nenhuma tecnologia consegue substituir: experiência, discernimento, inteligência emocional, visão sistêmica, capacidade de mediação e construção de sentido.
Talvez este seja um dos maiores desafios das organizações contemporâneas. Diante disso, surgem algumas questões:
A carreira deixa de ser uma sucessão de cargos para transformar-se em uma narrativa permanente de desenvolvimento humano. Mais importante do que perguntar “qual será meu próximo emprego?”, talvez devêssemos perguntar: Quem desejo me tornar nos próximos vinte ou trinta anos da minha vida? Essa mudança amplia nossa capacidade de adaptação e fortalece o propósito diante das inevitáveis transições profissionais.
Existe uma tendência de imaginar que envelhecer bem depende apenas da genética ou dos cuidados médicos. As pesquisas mostram outro caminho. Relacionamentos significativos, amizades, vínculos familiares, curiosidade intelectual, aprendizagem contínua, participação social e propósito de vida exercem enorme influência sobre o bem-estar durante o envelhecimento. Em muitos casos, esses fatores têm impacto superior ao de indicadores exclusivamente biológicos. Em outras palavras, envelhecer é também uma experiência relacional.
Com o passar dos anos, acumulamos experiências, conquistas, perdas e mudanças. Dar sentido a essa trajetória talvez seja uma das tarefas mais importantes da maturidade.
Quando somos capazes de integrar nossa história em uma narrativa coerente, deixamos de enxergar apenas sucessos ou fracassos isolados e passamos, então, a reconhecer aprendizados, vínculos construídos, superações e contribuições. É nesse momento que nasce o legado. Legado não representa apenas aquilo que deixaremos para as próximas gerações. Representa a maneira como escolhemos viver o presente e o significado que atribuímos à nossa própria história.
A atriz Jane Fonda descreve a maturidade como o “terceiro ato da vida”. Gosto dessa metáfora porque ela rompe com a ideia de encerramento. O terceiro ato não é um epílogo, mas uma nova oportunidade de aprender, ensinar, servir, empreender, fortalecer vínculos, desenvolver talentos e contribuir para o mundo. Talvez a maior liberdade da maturidade seja justamente essa: viver de maneira mais coerente com os próprios valores.
Enfim, costumamos dizer que a expectativa de vida aumentou. Talvez a frase mais correta seja outra: a expectativa de futuro aumentou.
Cada década adicional representa novas oportunidades para aprender, amar, trabalhar, ensinar, recomeçar e construir novos significados. A Psicologia Positiva nos mostra que viver bem não depende apenas da ausência de doença, mas da presença de propósito, esperança, resiliência, vínculos saudáveis e aprendizagem contínua. Talvez o maior desafio do século XXI não seja chegar aos 90 ou 100 anos, mas, sim, chegar a essa etapa com curiosidade para continuar aprendendo, coragem para se reinventar e generosidade para compartilhar a sabedoria construída ao longo da caminhada.
Porque, no final das contas, longevidade não é apenas acrescentar anos à vida, mas acrescentar vida aos anos e transformar cada nova etapa da existência em uma oportunidade de crescimento, contribuição e legado.
Quer saber mais sobre como transformar a longevidade em uma oportunidade para viver com mais propósito, aprendizagem, contribuição e legado? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Mônica Barg
https://www.monicabarg.com.br
Confira também: Orientação de Carreira: O Caminho para Escolhas Conscientes
O post A Revolução da Longevidade: Estamos Preparados para Viver Mais — e Melhor? apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O post Orientação de Carreira: O Caminho para Escolhas Conscientes apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>A orientação de carreira está cada vez mais presente na vida de estudantes e profissionais. Em um cenário marcado por mudanças constantes, múltiplas possibilidades e decisões importantes, é natural que muitas pessoas se sintam inseguras, perdidas ou angustiadas em relação ao futuro profissional.
A busca por ajuda profissional favorece um processo de orientação voltado ao alinhamento entre talentos, interesses pessoais e demandas do mercado de trabalho. Esse acompanhamento pode ocorrer em diferentes momentos da trajetória profissional, como:
A condução da orientação de carreira costuma envolver etapas que ajudam a pessoa a compreender melhor sua trajetória, suas possibilidades e seus objetivos. Entre elas, destacam-se:
Cada profissional pode adotar uma abordagem própria, que pode ser mais baseada em testes, na escuta qualificada, em etapas previamente definidas ou em um acompanhamento mais personalizado, de acordo com o perfil e as necessidades da pessoa atendida.
Uma das possibilidades é a abordagem psicanalítica, que também pode ser aplicada à orientação profissional. Nessa perspectiva, a escolha de carreira é compreendida menos como resultado de um teste de aptidão e mais como expressão de um desejo. A escuta clínica permite investigar angústias, manifestações do inconsciente e repetições familiares que influenciam as decisões do sujeito.
Por meio dessa abordagem, é possível ajudar o indivíduo a ampliar o autoconhecimento e a compreender o que de fato deseja construir. Isso favorece escolhas mais autênticas e maduras. Além disso, permite a análise de como a carreira se conecta à história de vida do paciente e aos seus padrões de comportamento.
Na abordagem psicanalítica, a escuta pode ajudar a identificar bloqueios, medos e crenças limitantes que impedem o sujeito de seguir uma vocação verdadeira ou que geram insatisfação no trabalho atual. Um ponto importante é a análise da história familiar e do genograma, considerando a transmissão geracional de profissões e as expectativas depositadas pela família.
A escuta psicanalítica permite ir além dos motivos aparentes que levam alguém a escolher uma carreira. Ela amplia a compreensão do sujeito como um todo, considerando desejos, crenças, medos, bem como angústias relacionados à escolha profissional. Dessa forma, contribui para entender a singularidade de cada decisão e de cada conflito, favorecendo escolhas mais conscientes e maduras.
Embora a metodologia psicanalítica permita uma investigação mais profunda do indivíduo, outras abordagens também surgem para tratar do tema da carreira. Uma delas é a atuação do arquiteto de carreiras, profissional especializado em planejar, estruturar e desenvolver o futuro profissional de pessoas.
Nesse caso, trata-se de uma abordagem mais racional e estratégica, voltada à construção de respostas e planos personalizados para transições de carreira, ascensão corporativa, desenvolvimento de marca pessoal e recolocação no mercado de trabalho.
Nessa metodologia, o trabalho pode abranger desde a análise de pontos fortes e o mapeamento de competências até a aplicação prática de estratégias para alcançar objetivos de curto, médio e longo prazo.
Essa prática tornou-se uma habilidade essencial, pois envolve assumir a direção do próprio desenvolvimento contínuo e da empregabilidade. A autogestão ativa passou a ser tão importante quanto a capacitação técnica.
Diante das mudanças trazidas pelo avanço da tecnologia, pela globalização e pela mobilidade profissional, a gestão de carreira exige reinvenção constante. Para se manter relevante, é essencial investir em ações práticas, como:
Fica claro que cuidar da carreira hoje é um diferencial para a evolução e o desenvolvimento pessoal. Vamos lá?
Quer saber mais sobre como a orientação de carreira pode transformar dúvidas em escolhas profissionais mais conscientes, autênticas e estratégicas? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Mônica Barg
https://www.monicabarg.com.br
Confira também: O Diabo Ainda Veste Prada? Liderança, Inovação e os Desafios da Reinvenção no Mundo do Trabalho
O post Orientação de Carreira: O Caminho para Escolhas Conscientes apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O post O Diabo Ainda Veste Prada? Liderança, Inovação e os Desafios da Reinvenção no Mundo do Trabalho apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>Olá, leitor,
No entanto, essa expectativa é frustrada, pois o foco recai no colapso do impresso e na ascensão do digital, deixando os comportamentos mais como clichês do que como mudanças significativas. A icônica Miranda Priestly enfrenta o declínio do impresso e a necessidade de se adaptar, lidando com a pressão de anunciantes e a concorrência dos influenciadores.
O “Diabo” não é mais aceito. No entanto, ele está lá, agarrado à liderança e repetindo comportamentos que não cabem mais. A grande lição para o líder é: se não mudar, vai morrer. Essa mensagem, porém, acaba se esvaziando em um filme que ainda aceita o jogo corporativo sem inovação como possível.
A dinâmica retratada no filme reflete uma falha real de governança. O conflito entre a sede de poder e a inovação divide grandes corporações em duas forças destrutivas. Infelizmente, a liderança que quer manter o status quo se recusa a correr riscos e opera com o medo de perder o controle, bloqueando a mudança. A visão pessoal se sobrepõe aos dados reais e repete o modelo do “eu sempre fiz assim”. Surge um “efeito Kodak”, que cega a empresa para a inovação e para novas lideranças.
Para lidar com este momento, a ambidestria organizacional surge com frentes distintas de atuação, ou seja, quem cuida do que já é e quem traz modelos de negócios disruptivos para que a transição seja feita. Adicionalmente, são necessários conselhos de administração capazes de trazer governança e planejar uma sucessão sem esbarrar apenas no ego do poder. Naturalmente, tudo só é possível se houver segurança psicológica, algo que no filme nem entra na pauta, mostrando executivos carentes de likes e aprovação mesmo quando trazem algo novo.
Alguém que performa e é premiado acaba demitido por mensagem de texto. A cena reflete a volatilidade do mercado de trabalho e a falta de respeito na forma de desligar, gerando medo e insegurança. Ao mesmo tempo, o discurso é de “humanização” e força líderes a cumprir uma narrativa e normas do RH. No entanto, as demissões ainda ocorrem dessa forma. Este é o mercado atual, ainda marcado por estes antagonismos.
Ainda que o filme mostre as personagens Andy e Emily em uma nova fase da carreira, uma como jornalista de sucesso e outra como executiva, ambas aparecem infantilizadas diante da liderança autocrática de Miranda. Uma quer ser exatamente ela; a outra ainda se desespera para agradar. E é muitas vezes o que vemos no mercado: profissionais tecnicamente maduros repetem os modelos de liderança que receberam. Têm medo de serem disruptivos e de não serem aceitos pela cultura organizacional. Por isso, acabam cuidando mais da própria reputação do que do negócio em si.
O filme se vale da licença poética da nostalgia do sucesso da franquia sem refletir totalmente o quão diferente é o ambiente de trabalho atual, que é mais híbrido e focado em qualidade de vida. Permanece na mesma estrutura hierárquica tóxica de 20 anos atrás, o que parece deslocado em uma era de busca por equilíbrio pessoal. A grande lição, deixando de lado o ficcional, é a necessidade de atualização constante, gestão de reputação digital, adaptabilidade, construção de alianças estratégicas e liderança humanizada.
Naturalmente, a gestão da reputação e da imagem na era digital requer muito mais cuidado. Mesmo assim, o filme não se aprofunda no assunto. Mostra um evento de moda ao vivo, que poderia ter repercussão online em tempo real. No entanto, isso não aparece como um posicionamento estratégico.
O foco na manutenção do poder e a insistência na permanência da liderança podem ser, a médio prazo, um erro. Em vez de apostar na inovação como resposta ao declínio da mídia impressa tradicional, o filme reforça a luta para manter a relevância de uma marca icônica. Isso enfatiza a sobrevivência do modelo antigo, e não a reinvenção do negócio. No mundo pós-pandemia, essa já se mostrou uma péssima estratégia, o que torna a resposta do filme obsoleta por si só.
Ainda que o filme retrate a dificuldade de figuras experientes se adaptarem, ele também destaca como o poder evoluiu para o soft power. Além disso, reforça a necessidade de gerenciar a reputação na era digital. Sabemos, porém, que muitas empresas estão fazendo transições de liderança muito interessantes. Muitas vezes, isso acontece pela reinvenção profissional de quem está à frente do negócio. São lideranças que desenvolvem competências de adaptabilidade, flexibilidade e abertura para a inovação. Com isso, enxergam a mudança como oportunidade, e não como perda de poder.
Pontos que ainda têm valor no ambiente corporativo, como networking, bons relacionamentos, resiliência, autoconfiança e dedicação, mesmo sob pressão, continuam sendo o segredo para o sucesso, como demonstram as personagens.
Hoje, temos cinco gerações simultâneas sendo lideradas e geridas nas empresas. Assim, chamar a relação da antiga guarda, representada pela personagem Miranda, com a geração de Andy e Emily de conflito de gerações empobrece a discussão. O filme traz uma geração Z representada por um assistente que pede para ir ao banheiro e uma estagiária que compra roupa de grife no brechó para ser aceita. Isso fica totalmente fora da realidade da convivência intergeracional e das demandas que esse tema complexo traz.
Surgem as novas regras do jogo, em que não cabe mais o controle vertical, e as novas dinâmicas de algoritmos e IA fazem parte da conversa. No entanto, o filme usa os jovens não para trazer inovação para a revista, mas para punir a soberba corporativa da velha guarda. O primeiro filme teve muito mais a ensinar sobre o mundo do trabalho; este segundo já nasce ultrapassado.
Trazida pelo novo CEO, um herdeiro mimado e focado apenas em métricas financeiras, a McKinsey aparece para otimizar processos, cortar orçamentos e sugerir que a revista troque sua curadoria cara por influenciadores digitais baratos. Vestidos em ternos cinzas e azuis opacos, os consultores simbolizam a frieza dos números contra o glamour e a intuição da moda. Historicamente, no ambiente corporativo, a estratégia do novo chefe de Miranda é usar a McKinsey para fazer o trabalho sujo. Os consultores assumem o papel de “vilões” ou “coveiros” da demissão em massa de editores.
A maior evidência do esvaziamento de poder ocorre quando a consultoria analisa suas despesas e decreta que a lendária editora-chefe deve cortar custos voando em classe econômica e pegando o assento do meio. Isso faz com que a redução de verbas pareça uma decisão puramente técnica, e não uma perseguição pessoal à velha guarda.
Fica a visão do capitalismo tardio retratado: “mudar” quase sempre significa “reduzir”, e a eficiência máxima frequentemente resulta na pasteurização do produto. O filme expõe ainda o ressentimento comum do mercado em relação a jovens recém-formados em MBAs conceituados, que tentam reestruturar indústrias complexas sem nunca terem operado nelas.
Ela percebe que o esforço hercúleo exigido no passado para manter o topo perdeu o sentido para as novas gerações, gerando um sentimento de amargura. É aí que a velha liderança morre, fechando as portas para a inovação e vendo-a como uma ameaça, e não como uma oportunidade.
Dizer que “tudo tem um custo” é a maneira que ela encontra para validar o próprio sofrimento e o sofrimento que ela impõe aos outros, como se a dor fosse o único caminho legítimo para a excelência. O cansaço vem de perceber que o mundo mudou, mas ela está presa ao preço que escolheu pagar no passado. Fica a pergunta: você vai mudar ou resistir?
Quer saber mais sobre como a reinvenção no mundo do trabalho desafia líderes e organizações a inovar sem perder relevância? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em falar a respeito.
Mônica Barg
https://www.monicabarg.com.br
Confira também: Síndrome do Primeiro Emprego: Quando a Insegurança Pesa Mais do que a Falta de Experiência
O post O Diabo Ainda Veste Prada? Liderança, Inovação e os Desafios da Reinvenção no Mundo do Trabalho apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O post Síndrome do Primeiro Emprego: Quando a Insegurança Pesa Mais do que a Falta de Experiência apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O primeiro emprego costuma ser um marco importante — é a porta de entrada no mundo profissional e o início de uma trajetória de remuneração e de aprendizado em temas que não são ensinados nas escolas e universidades. Conquistar o primeiro emprego é um dos momentos mais desafiadores da vida de qualquer jovem e pode ser marcado pela ansiedade, pela falta de experiência e pela pressão para corresponder às expectativas do mercado. Tudo isso pode se tornar uma barreira.
Neste momento, inicia-se a responsabilidade de verdade: cumprir horários, lidar com tarefas, responder a um chefe e trabalhar em equipe. Além disso, você passa a construir habilidades essenciais para qualquer área, como comunicação, organização e resolução de problemas.
Outro ponto importante é que o primeiro emprego raramente é o “emprego dos sonhos”. Trata-se de um período de descoberta que se inicia com estágios em que é possível entender melhor do que gosta, do que não gosta e em que tipo de ambiente se sente mais confortável. Muitas pessoas, inclusive, mudam de caminho depois dessa primeira experiência.
Quando pensamos em buscar o primeiro emprego, muitas vezes o foco está apenas no currículo. “Não tenho experiência” é uma frase que trava muitos jovens. Porém, o mercado sabe disso. O problema real é outro: candidatos que não demonstram iniciativa, comunicação ou interesse genuíno pela oportunidade.
Recrutadores estão cada vez mais focados nas chamadas soft skills. E é aqui que muitos jovens tropeçam: chegam inseguros, não conseguem se posicionar, estão preocupados em responder certo, mas não sabem se comportar e desconhecem a cultura da empresa ou, pior, não conhecem a história da empresa. Quem vai contratar alguém que não tem interesse pelo lugar em que vai estar?
Dentro desse contexto, existe algo conhecido como “síndrome do primeiro emprego”. Não é um diagnóstico formal, mas um termo usado para descrever sentimentos comuns nessa fase, como insegurança, medo de errar, sensação de não ser bom o suficiente ou de estar “perdido”. Isso acontece porque tudo é novo, e há uma pressão interna para dar conta de tudo perfeitamente logo no início. Saber que esses sentimentos são comuns já ajuda a lidar melhor com eles.
Atualmente, a forma como a Geração Z lida com o primeiro emprego também traz características interessantes. Em geral, são jovens que valorizam propósito, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, além de flexibilidade.
Ao mesmo tempo, tendem a ser mais conectados, a aprender rápido com tecnologia e a buscar crescimento acelerado. Por outro lado, essa geração também pode sentir mais ansiedade no início da carreira, justamente pela alta expectativa de evolução rápida e pela comparação constante nas redes sociais. A família pode ser de grande ajuda para a construção da confiança, da autoestima e da segurança. Colocar o jovem em situações de responsabilidade e decisão durante seu desenvolvimento e aprendizado pode ser essencial para este momento.
Entre as principais, destaca-se a comunicação clara: saber se expressar bem, ouvir e interagir com colegas, incluindo habilidades comportamentais como empatia, responsabilidade, colaboração e resiliência, que são, hoje, mais valorizadas do que muitos certificados. Isso não significa que você possa ignorar a formação técnica, mas sim que quem você é e como se comporta podem superar a teoria, principalmente no início da carreira.
Um estagiário ou aprendiz que se comunica bem, escuta com atenção, busca soluções, pede feedback e demonstra vontade de aprender tem muito mais chances de ser, efetivamente, contratado. Outros pontos desejados por quem contrata iniciantes são:
Por isso, preparar-se é muito importante. A preparação não é somente técnica; inclui autoconhecimento e preparo emocional. Vale investir em buscar conhecimentos básicos da área em que você quer entrar, treinar habilidades como comunicação e organização, entender como funciona o ambiente de trabalho, trabalhar a autoconfiança e aceitar que erros fazem parte do aprendizado.
Para isso, busque conversar com quem já está lá, com quem passou pelo processo recentemente e com profissionais mais experientes. Aqui, a informação faz o papel da experiência, que não existe. Quanto mais preparado você estiver, mais segurança vai sentir — e isso faz toda a diferença.
Com o tempo, a experiência vem, a confiança cresce e tudo começa a fazer mais sentido. Empresas sabem que você está aprendendo, no entanto, esperam que você tenha atitude proativa, curiosidade, pontualidade, interesse, assuma responsabilidades simples com seriedade e mostre que está disposto a crescer. Essas atitudes tornam-se um diferencial entre quem “só está ali por estar” e quem quer de verdade construir uma carreira.
Sendo assim, invista em autoconhecimento, busque capacitação, participe do máximo de seleções, programas de trainee e eventos das áreas de interesse. Você pode participar de cursos online, voluntariados, projetos escolares ou até criar seus próprios desafios, como montar uma apresentação ou liderar um pequeno grupo. O importante é praticar e se autoavaliar. Enfim, seja curioso e seja visto.
Em uma primeira experiência, não é necessário saber tudo, mas é preciso estar disposto a aprender com humildade e dedicação. É importante ter comprometimento, ter curiosidade, bom relacionamento, saber respeitar as regras e a hierarquia.
Evitar o erro de negligenciar as soft skills e o preparo comportamental é o primeiro passo para transformar sua vida profissional. O primeiro emprego pode ser o início de uma carreira de sucesso — se você levar a sério sua atitude desde o primeiro contato com o mercado.
O diploma ainda tem valor, mas, cada vez mais, as corporações estão buscando candidatos que saibam trabalhar em equipe, lidar com pressão e resolver problemas. Soft skills fazem a diferença desde a entrevista até o dia a dia no trabalho.
Capacitação, atitude e comunicação não dependem de experiência: dependem de você. E o melhor momento para começar a trabalhar nisso é agora.
Quer saber mais sobre como vencer a insegurança no primeiro emprego e transformar falta de experiência em preparo, atitude e confiança? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em falar a respeito.
Mônica Barg
https://www.monicabarg.com.br
Confira também: O Offline como o Novo Luxo
O post Síndrome do Primeiro Emprego: Quando a Insegurança Pesa Mais do que a Falta de Experiência apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O post O Offline como o Novo Luxo apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>Esta semana estava eu no Aeroporto de Congonhas, cada vez mais cheio e caótico, e, depois de tantos anos de ponte aérea, continuo me surpreendendo com o movimento. No entanto, uma das coisas que mudou é: cada um está com seu fone ou mergulhado na sua tela.
Fiquei observando o que faziam à minha volta: um jogava paciência, outro respondia mensagens freneticamente, outro balançava ao som de uma música inaudível. Ao meu lado, um casal via a série que estou acompanhando e que falta um capítulo, e eu, ingenuamente, comentei: “É ótima, né?” Claramente, eles se sentiram atrapalhados e interrompidos, e eu me senti o E.T. que buscava conexão.
Assim estamos: hiperconectados, com acesso ao máximo de informações e diversões. Porém, não conseguimos mais olhar nos olhos de quem está à volta. Estamos egocentricamente conectados.
No século passado, o luxo era medido pela posse: carros velozes, joias raras e tecnologia de ponta. Hoje, em um mundo onde a conexão 24/7 deixou de ser um privilégio para se tornar uma “coleira digital”, o ponteiro do status mudou de direção. O novo artigo de luxo não pode ser comprado em uma vitrine, mas sim conquistado através de uma escolha consciente: o poder de estar offline.
No entanto, essa ausência pode também significar egoísmo e não envolvimento. Na nova série Madison, a atriz Elle Chapman é assaltada na Quinta Avenida e ninguém para ajudar, e lá ela fica caída. É assim que estamos: desconectados do outro e conectados no virtual, uma verdadeira apologia à solidão.
O individualismo de um lado e a hiperconexão de outro. Ao mesmo tempo, para o indivíduo moderno, o silêncio e o tempo sem interrupções tornaram-se os ativos mais escassos do mercado.
Como bem pontua o médico e especialista em traumas Gabor Maté:
“A capacidade de prestar atenção em uma única coisa por um longo período é a maior marca da inteligência e da sanidade moderna”.
No ambiente de alta performance, o “estar sempre disponível virtualmente” deixou de ser virtude para se tornar sintoma de falta de priorização e fragilidade cognitiva.
Dados recentes indicam que quase metade da Geração Z já percebe o impacto negativo das telas na saúde mental. Se todos estão logados, quem é que está realmente pensando? A desconexão não é mais uma fuga; é uma estratégia de preservação. Como afirma o psicanalista Christian Dunker:
“A tecnologia é um servo útil, mas um mestre perigoso. O luxo de amanhã será a privacidade e o silêncio”.
O conceito de Digital Detox evoluiu. Não se trata apenas de desligar o aparelho, mas de recuperar a autonomia da atenção. O luxo contemporâneo é ter o controle sobre o próprio tempo — a liberdade de ler um livro, caminhar sem notificações ou manter uma conversa profunda sem o brilho de uma tela entre as pessoas.
Nesse cenário, o ócio deixa de ser preguiça para se tornar combustível. De acordo com Cal Newport, autor de Deep Work:
“No mundo da hiperconectividade, o tédio é o espaço onde a criatividade nasce. Sem ele, apenas reagimos ao algoritmo”.
Para o coachee que busca excelência, resgatar momentos de tédio criativo é essencial para tomar decisões complexas que a multitarefa impede.
Estar offline é um ato de rebeldia e sofisticação. É a prova máxima de que você é dono da sua atenção e, consequentemente, da sua vida. No novo cenário global, a verdadeira ostentação é a paz de espírito.
Quer saber mais sobre como assumir o controle da sua atenção, reduzir a dependência digital e transformar o viver offline em uma fonte real de clareza, presença e alta performance? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em falar a respeito.
Mônica Barg
https://www.monicabarg.com.br
Confira também: Como Usar a Gratidão Como Alavanca para Bem-Estar, Abundância e Saúde Emocional
O post O Offline como o Novo Luxo apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O post Como Usar a Gratidão Como Alavanca para Bem-Estar, Abundância e Saúde Emocional apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O ano começa depois do Carnaval? A verdade é que o fim das férias e das festas traz à tona a realidade das contas, dos compromissos e preocupações do dia a dia. Porém, será que este é o caminho? Ou devemos trabalhar a aceitação com a gratidão daquilo que é?
Vamos falar um pouco sobre isso e entender a prática tão poderosa da gratidão, recomendada pela psicologia, pelas religiões, pelos médicos e pelos gurus! Sobre o que todos estão falando e o que sabemos hoje sobre os benefícios da gratidão?
A Psicologia Positiva, desenvolvida por Martin Seligman, que se dedica ao estudo dos aspectos positivos das emoções, do propósito e do bem-estar, traz a gratidão como uma das práticas de maior impacto para a saúde emocional, pois amplia as emoções positivas, reduz sintomas de depressão e incrementa a satisfação com a vida.
A ideia é justamente manter a conexão com aquilo que dá certo, e o simples hábito de escrever todas as noites três coisas boas e por que elas aconteceram já modifica a nossa frequência cerebral e, em três semanas, mudará a percepção de felicidade.
Veremos que não se trata de uma fórmula mágica. Isso acontece porque a gratidão reduz o viés negativo natural do cérebro, pois temos uma tendência evolutiva a focar no que está errado, um viés de negatividade. Agradecer é como uma academia cerebral, onde treinamos o músculo emocional, aprendemos a criar um ciclo positivo no cérebro e, com o reforço do comportamento, isso se torna mais natural.
A gratidão é eficaz quando é específica e consciente, ou seja, deve ter intenção e se manifestar de forma concreta, refletindo realmente o sentimento. Por isso, parar para agradecer, não fazer mecanicamente e escrever sobre o que se é grato são formas de registrar essa emoção. É importante que o registro seja específico: “Obrigada por ter ouvido”, “Obrigada por ter vindo”, ao invés de simplesmente “Obrigada” ou “Obrigada por tudo”.
Trata-se ainda de uma forma de fortalecer relacionamentos: cria vínculos afetivos, melhora a qualidade dos relacionamentos e cria proximidade. A gratidão ativa redes neurais ligadas à sociabilidade e à empatia, permite a generosidade e comportamentos mais altruístas, fortalecendo a experiência de conexão. Entre muitos benefícios está ainda o desenvolvimento da resiliência e a possibilidade de lidar melhor com adversidades e se recuperar das frustrações, mantendo a esperança.
Atualmente, a neurociência comprova como, por meio da gratidão, é ativado o sistema de recompensa. Ou seja, o cérebro ativa áreas como o córtex pré-frontal medial e o estriado ventral, regiões associadas ao prazer e à recompensa, provocando a liberação de dopamina, neurotransmissor ligado à motivação, à sensação de bem-estar e à regulação emocional.
A atividade cerebral não para aí, pois promove também a liberação de serotonina, neurotransmissor relacionado ao humor estável e à sensação de contentamento, o que reduz a ansiedade, os pensamentos repetitivos e pode regular sintomas de depressão. A atuação se dá ainda na amígdala cerebral, que é responsável por detectar ameaças e, através disso, podemos reduzir sintomas de medo, estresse e preocupação, além da redução do cortisol, hormônio responsável pelo estresse.
O cérebro começa a sair do modo sobrevivência, fator animal, e entrar no modo conexão, fator social. Com repetição, o cérebro literalmente se reorganiza e enfraquece padrões automáticos de negatividade, fortalecendo vias neurais associadas a emoções positivas. O cérebro interpreta a gratidão como uma experiência de conexão e uma prática neural repetida que molda a arquitetura neural e promove neuroplasticidade.
Enquanto a gratidão está ligada ao passado, a reconhecer algo que deu certo, o otimismo está ligado à expectativa de algo positivo que ainda irá acontecer. Essa diferença temporal muda os circuitos ativados no cérebro, ou seja, gratidão é o cérebro dizendo: “Isso foi bom e teve valor”, o que consolida significado, enquanto o otimismo se refere a “Vai dar certo”, projetando a possibilidade.
Incrivelmente, a ciência moderna e tudo o que sabemos hoje sobre o nosso sistema nervoso e cerebral dialogam com ensinamentos que algumas práticas religiosas difundem há muito tempo. Sendo assim, práticas espirituais são comprovadamente eficazes na prática da gratidão. De certa forma, gratidão passou a ser uma palavra comum e banalizada, inclusive como forma de agradecimento social no lugar de “obrigada”.
Muitos livros, coaches e terapeutas ensinam rituais, listas e diários, mas a gratidão funciona como uma frequência que tem que ser instalada no seu sistema nervoso para substituir a reclamação e gerar uma prática constante. Não é hábito e não é piloto automático, mas a mais alta frequência que seu sistema nervoso pode incorporar. Gratidão não é uma lista e estamos exaustos de ouvir que não somos gratos o suficiente e que isso é mais uma tarefa que falta fazer.
A ideia é que seu sistema nervoso encontre um lugar de conforto para que você possa agradecer o que já é. Se eu faço isso e reconheço todos os recursos que tenho, eu abro espaço para que meu sistema receba e não fique concentrado no que falta. Sempre algo faltará, isso é da natureza humana. Somos seres desejantes, seja de coisas materiais, mundanas ou não mensuráveis, sempre desejamos ser amados, aceitos, incluídos.
A gratidão está na presença do hoje e é passiva, é um espaço interno, um estado de criação onde seu sistema para de dizer que você precisa de algo. É o oposto: é você sendo suficiente. O que tem, o que é, tudo é suficiente e perfeito. Sendo assim, você não agradece o que recebe, você está em estado de gratidão, você é grato. Isto é uma grande diferença: você orienta o seu sistema de que já está sendo nutrido o suficiente no momento presente, o que nos coloca num estado de receber. O seu recipiente está preparado para receber.
Como vimos, todos os benefícios já comprovados pela psicologia positiva e pela neurociência mostram que a gratidão muda o seu cérebro do sistema de defesa para um sistema de segurança. Isto não quer dizer que não haja dificuldades, mas poder agradecer até mesmo as dificuldades é o nível mais alto de gratidão.
No entanto, a ideia é dizer: Eu sou suficiente, tenho suficiente, e não focar em que tenho que ser uma pessoa diferente ou serei melhor quando tiver, encontrar ou comprar. Essa ideia faz seu sistema nervoso se contrair e ficar alerta porque há algo a fazer. Vemos pessoas que passaram por situações disruptivas e conseguiram ir a este lugar de gratidão porque repetidamente acreditaram e sabiam que, em algum lugar daquela situação, havia algo bom.
É neste contexto que a gratidão é a manifestação da abundância. Você não pode manifestar a partir de uma mentalidade de falta — a verdadeira manifestação começa quando você não se sente mais incompleto ou desesperado por algo. A gratidão diz ao seu sistema nervoso que é seguro receber.
O conceito de gratidão não é por ter o que você quer — é valorizar o que você tem para que seu campo interior possa se expandir e estar aberto a mais. É o contraste da necessidade de algo com ser grato pelo que já existe. Então a gratidão não é responsiva, como quando recebemos um presente e agradecemos; a gratidão é magnética. Eu agradeço e reconheço o que tenho, recebo mais e atraio abundância.
Ser grato tem a ver com a sua referência espiritual, mas principalmente com o seu sistema nervoso estar pronto para agradecer. Trata-se de um ato de confiança e entrega — perceber que você não é o controlador. Não é sobre ego ou aquilo que você quer. Pelo contrário, é sobre a entrega e a crença de que você é um participante de um fluxo maior. Não inclui desejos futuros. Essa prática é sobre acabar com a sensação de falta, não fingir que você já tem tudo. Reconheça o desejo honestamente: “Eu quero X, e ainda não o tenho.” Sinta qualquer decepção ou saudade sem consertar. Depois, passe para a gratidão pelo que já te apoia, independentemente desse desejo. Isso mantém a gratidão limpa, não manipuladora.
Ela muda a forma como seu sistema nervoso vive a vida e te abre para mais abundância. Pense nas formas pelas quais você já está sendo apoiado: pessoas que te ajudam, dinheiro que você já recebe, seu corpo te mantém vivo. Em vez de dizer “obrigado”, pergunte internamente: Posso deixar isso entrar mais? A abundância cresce quando você pratica receber, não apenas apreciar. Isso treina seu sistema para esperar suporte, não esforço.
Em resumo, a psicologia positiva diz que a gratidão funciona melhor quando é sentida, não apenas listada. Gratidão expande sua capacidade interna de receber e responder. O objetivo é se mover do estado de ameaça ou escassez para o de segurança e escolha, para que o sistema nervoso consiga responder à vida com mais eficácia.
Não estamos usando gratidão para fingir que está tudo bem. Estamos usando para ajudar seu sistema nervoso a se estabilizar, para que você possa acessar clareza, resiliência e escolha. Por um momento, não estamos resolvendo nada. Estamos apenas percebendo o que já está funcionando. Então seu sistema para de escanear em busca de perigo.
Agora que entendemos tudo, vamos praticar?
Quer saber mais sobre como a prática da gratidão pode fortalecer sua saúde emocional e ampliar sua sensação de abundância? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em falar a respeito.
Mônica Barg
https://www.monicabarg.com.br
Confira também: Você Quer Ser NOLT? Longevidade, Identidade e os Dilemas do Novo Idoso 60+
O post Como Usar a Gratidão Como Alavanca para Bem-Estar, Abundância e Saúde Emocional apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O post Você Quer Ser NOLT? Longevidade, Identidade e os Dilemas do Novo Idoso 60+ apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>E o novo ano de 2026 trouxe mais uma terminologia para aprendermos: trata-se do termo NOLT (New Older Living Trend). Para quem não está familiarizado, é o novo idoso de sessenta mais que não se sente tão idoso assim. A terminologia surge em meio ao cenário da longevidade conquistada com os avanços da medicina e à tendência humana de não querer envelhecer.
No entanto, muito mais que uma nova classificação, precisamos entender o que significa socialmente e emocionalmente a ideia de não envelhecer ou pelo menos não tão rápido assim e de permanecer ativo.
Um rótulo, um diagnóstico, uma categoria não são suficientes para enquadrar este novo viver. Não sabíamos que íamos chegar tão longe, que a pirâmide etária iria se inverter com mais velhos do que novos. Não tínhamos ideia de ter cinco gerações no mercado de trabalho, então simplesmente não sabemos o que é este novo envelhecer.
Segundo a explicação do novo termo, trata-se de gente madura que vive com autonomia, curiosidade e vontade de continuar em movimento. Será que todos os sessenta mais têm essa curiosidade e vontade de aprender? O que tenho ouvido é muito mais um cansaço de tanta informação, uma exaustão de tendências e uma cansativa rotina de cuidados médicos, com o corpo e com a mente que nem dá espaço para escolhas.
E a resposta foi: Vou a médicos! Uma sucessão de consultas e exames preventivos que nada tem a ver com o prazer de envelhecer e usufruir ou conquistar coisas pelas quais ansiou tanto tempo. Veja bem, é uma conquista poder ir a médicos preventivamente. No entanto, essa não pode ser a sua proposta de usar este tempo de vida extra.
Lidar com a ideia de que é preciso se manter ativo, atualizado e curioso é extenuante. Isso pode se traduzir em expectativa e cobrança. Trata-se dos “inimigos do fim”: uma finitude com a qual é preciso lidar. A perda dos pais, dos amigos, o fim da carreira, os filhos que vão embora e as possíveis doenças. Tudo isso faz parte das questões dessa maturidade longeva, na qual se exige uma nova performance.
Academias e ambulatórios estão lotados de NOLTs que não sabem muito bem o que fazer com este tempo extra da longevidade. Já não têm uma função profissional e se perdem achando “cool” saber usar aplicativos. Esse é o NOLT bem-sucedido que se apresenta por aí. Os demais são desencaixados, como se todos pudessem pertencer à mesma categoria, sem a devida complexidade e diversidade do ser humano.
Pode parecer interessante observar esse fenômeno e até dar nome a ele. No entanto, temos que permitir a reflexão sobre a condição humana e as emoções que nela estão incluídas. Quem é essa pessoa que agora tem sessenta anos? O que ela fez da sua trajetória? Para o que se preparou? NOLT significa romper com a ideia de velho, como se isso fosse possível!
Precisamos ter cuidado para não entrarmos em negação, mas sim escrever uma história que faça sentido hoje. Uma história que inove com as possibilidades que o mundo apresenta para essa longevidade conquistada. Sem que isso se traduza apenas em parecer jovem, mas que tenha identidade e propósito, em vez de tédio e frustração.
Já que ninguém imaginava estar por aqui tanto tempo, há a questão financeira: custos, moradia, saúde. Será que estão preparados para tal? E o que fizeram e quem sustentaram durante tanto tempo, provendo sobrevivência, trabalho, família e cuidado? Foram responsabilidades que tomaram conta da vida toda. Será que terão a liberdade de escolher o que fazer agora ou simplesmente terão que continuar em tarefas intermináveis para serem atuantes e curiosos?
Assim como adolescentes, essa nova faixa etária reúne milhões de individualidades sociais, culturais e de gênero. Não se aplica de forma linear ou idêntica. Não é um conceito único, nem essencialmente bom. Pode, inclusive, tratar-se de uma fuga diante da dura realidade de envelhecer, adoecer e passar por lutos e frustrações. Enfrentar tudo isso de forma digna, com possibilidades reais de escolha, essa sim é uma luta social que faz sentido para o envelhecimento.
Mais do que uma nova terminologia, trata-se de reconhecer a mudança do envelhecimento e as suas possibilidades de construção. É aproveitar essa etapa com a bagagem do passado e as oportunidades do futuro. Mas sem pressa, sem tarefa, sem performance.
Quero envelhecer sendo curioso e com capacidade de aprender, mas principalmente quero ter a dignidade de poder escolher como e o que fazer.
Quer saber mais sobre o que é NOLT e como construir uma longevidade com identidade, propósito e liberdade de escolha — sem cair na armadilha da performance eterna? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em falar a respeito.
Mônica Barg
https://www.monicabarg.com.br
Confira também: 2026: O Ano da Recalibração Corporativa
O post Você Quer Ser NOLT? Longevidade, Identidade e os Dilemas do Novo Idoso 60+ apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O post 2026: O Ano da Recalibração Corporativa apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>Chegamos em 2026, primeiro ano do segundo quarto do século XXI. Parece inacreditável a velocidade do tempo e das mudanças. Chegamos, de fato, ao futuro! No entanto, entramos em 2026 diante de um cenário em que as empresas e os profissionais já compreendem algo essencial: não há inovação, produtividade ou competitividade possível sem saúde emocional, clareza interna e gerenciamento inteligente de energia.
A conta do desgaste emocional e da saúde mental geradas pelos modelos de trabalho de alta demanda contínua, que dominaram a última década, já chegou. Esses modelos estão se esgotando por exaustão e adoecendo as pessoas. Há talento e vontade, no entanto, falta uma calibração. Por isso, 2026 se anuncia como o Ano da Recalibração Corporativa.
Recalibrar é ajustar o timing com inteligência, trocar a urgência pela eficácia e dedicar esforços ao que, de fato, gera valor. Essa recalibração é uma demanda urgente do mercado que já dá sinais bem preocupantes.
Inicialmente há uma exaustão estrutural, na qual profissionais experientes estão atingindo níveis elevados de desgaste emocional, acumulados por ciclos longos de instabilidade econômica, excesso de telas e fronteiras difusas entre vida pessoal e trabalho.
Aliado a esse cenário está a complexidade crescente, na qual problemas corporativos tornaram-se menos previsíveis. A habilidade de pensar com profundidade — e não apenas reagir — tornou-se diferencial estratégico.
Instala-se assim uma nova lógica de performance, na qual empresas perceberam que produtividade não cresce à força. Cresce com autonomia, clareza de propósito, cultura de confiança e ambientes emocionalmente seguros.
Esses três fatores — exaustão estrutural, complexidade e nova lógica de performance — nos empurram para a necessidade de revisar modelos, processos, expectativas e comportamentos.
Assim a recalibração se instala não como uma tendência, mas como uma competência. Em 2026, recalibrar será uma competência profissional chave, tão importante quanto fluência digital ou pensamento estratégico.
Autogestão emocional madura, isto é, a capacidade de identificar quando seu próprio sistema está operando em excesso — e ajustar antes de entrar no ciclo de exaustão.
Adicionalmente, o realinhamento de metas. Metas continuam essenciais, mas agora devem ser concebidas com mais inteligência: menos volume, mais impacto; menos dispersão, mais foco.
Os valores guiam a tomada de decisão. Profissionais com clareza ética tomam decisões mais assertivas, comunicam melhor e reduzem ruídos organizacionais.
A gestão passa a ser da energia e não somente do tempo — 2026 exige profissionais que saibam proteger atenção, definir fronteiras e evitar sobrecarga cognitiva.
Como fechamento das ações, há uma nova leitura de habilidades: competências emocionais deixam de ser “soft” e passam a ser determinantes em liderança, negociação, colaboração e inovação. Parece muito distante da realidade aquilo que teremos na prática?
Já aparece na busca por ambientes de trabalho mais sustentáveis, com redistribuição de responsabilidades. A busca pela eficácia em reuniões mais curtas e objetivas reduz burocracias, substitui a microgestão por autonomia orientada, oferece feedbacks contínuos e claros.
Para isso, precisamos de lideranças conscientes e preparadas. Líder é aquele que sabe priorizar, comunicar e proteger o time do excesso. É aquele que busca a confiança para sustentar o engajamento e a transparência para reduzir a ansiedade. Neste contexto, a comunicação é mais humana e mais estratégica com foco em conversas que aproximam, esclarecem e alinham. Mais diálogo de qualidade.
O foco é a cultura orientada a propósito, que deixa de ser frase na parede e passa a ser critério de decisão, filtro de projetos e base de retenção de talentos.
Coragem para atuar e rever crenças antigas, resiliência para enfrentar aquilo que não funciona mais e entender que o mundo mudou — e que nós também precisamos mudar a forma como operamos, entregamos, colaboramos e nos relacionamos profissionalmente.
Assim, 2026 nos pede mais lucidez e consciência, pede também ajustes para que a performance seja de engajamento e não do limite. Um ano em que possamos ter sustentabilidade emocional, além de indicadores técnicos. Afinal, resultados extraordinários não vêm da pressão. Vêm da coerência.
Que 2026 seja o ano da lucidez corporativa — e que cada ajuste nos aproxime de performar com potência, foco e saúde.
Quer saber mais sobre como a recalibração corporativa pode transformar a forma como sua empresa performa, engaja e cuida das pessoas em 2026? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em falar a respeito.
Mônica Barg
https://www.monicabarg.com.br
Confira também: Vale Tudo! Odete Roitman Não Morreu!
O post 2026: O Ano da Recalibração Corporativa apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>O post Vale Tudo! Odete Roitman Não Morreu! apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>Olá!
Mais uma vez por aqui para falar de um tema que tem aparecido cada vez mais: o descaso com a fidelização.
Sabe aquele cartão de “compre dez e leve um grátis”? Pois é, isso não é fidelizar de verdade.
Recentemente vivi isso na pele. Era cliente antiga, fiel, e mesmo assim fui cancelada — sem aviso e sem conversa. A empresa prestava serviços para mim há mais de cinco anos. Claro que mudanças acontecem e ciclos se encerram, mas, quando isso é inevitável, o mínimo é comunicar com cuidado, antecedência e empatia. Quando nada disso acontece, o impacto emocional é grande.
Fidelidade não é só sobre contrato; é sobre vínculo. E quando esse vínculo é rompido de forma fria, mexe com o sentimento de lealdade, reconhecimento e pertencimento.
Dizer “sinto muito” é bem diferente de pedir desculpas. Assim como dizer “as mudanças foram necessárias” é bem diferente de explicar o porquê delas. Ignorar o lado humano mostra falta de inteligência emocional — e até empresarial.
Quando uma empresa decide encerrar um serviço ou mudar regras, precisa apresentar motivos sinceros e oferecer alternativas reais, com tempo para adaptação. Quando isso não acontece, a perda do cliente é quase certa. E o que mais dói não é perder o serviço, mas o respeito.
O vínculo não é só comercial — é simbólico, afetivo. A empresa não pode tratar a confiança construída ao longo do tempo como apenas um número no sistema. Quando o rompimento vem sem diálogo, o sentimento é de traição.
A sensação é algo como: “Eu sempre escolhi vocês, mesmo com tantas opções. E agora é assim que acaba?” É o corte de um laço de pertencimento, de uma história compartilhada.
Depois do choque, vem o luto e, aos poucos, a reflexão. Às vezes, esse rompimento forçado nos leva a buscar relações mais coerentes, parcerias mais humanas e serviços que realmente respeitem quem somos. Ser cancelado depois de anos de lealdade não é só uma questão comercial; é uma ferida emocional.
A gente percebe que a lealdade fala mais sobre quem somos do que sobre quem a recebe. Que o compromisso verdadeiro vem de dentro e não depende do reconhecimento alheio.
Ser fiel e, ainda assim, ser descartado é, de certo modo, um convite para despertar. Para redescobrir o próprio valor e buscar vínculos que reconheçam nossa confiança.
O cancelamento não apaga a fidelidade — apenas redireciona sua força para quem realmente merece estar do outro lado. Nos primeiros dias, vem a rejeição; depois, a frustração; e, com o tempo, a reconstrução emocional. O processo é lento, mas essencial. A dor vai cedendo espaço para a lucidez, e a fidelidade machucada dá lugar à maturidade.
Validar o que se sente é fundamental para seguir em frente. Separar o pessoal do institucional também ajuda: na maioria das vezes, o cancelamento não é contra você, mas é uma decisão impessoal. Mesmo assim, a forma como é comunicada faz toda diferença e deve ser respeitosa no âmbito individual.
Recontar a própria história ajuda a ressignificar o que aconteceu. Colocar no papel sua versão, reconhecer o quanto foi fiel e o que aprendeu com isso. É um jeito de desapegar, de transformar a dor em aprendizado. Cuidar da autoestima é parte dessa cura. Não é esquecer — é lembrar sem doer.
Quando alguém fiel e dedicado é descartado, o autorrespeito balança. A gente então se pergunta: “Fiz algo errado? Será que não sou mais importante?” Essa dúvida nasce da incongruência entre o cuidado que oferecemos e o tratamento que recebemos.
Essas falas, dentro de um contexto de rompimento, são ofensivas. Soam condescendentes, deslegitimam o sentimento do cliente e geram o que chamamos de gaslighting corporativo — quando a empresa faz você duvidar da própria percepção. São uma forma de abuso emocional.
Frases assim minam a confiança e o respeito. São microagressões simbólicas que, quando repetidas, corroem a relação. Seria tão mais humano dizer: “Entendo que isso foi frustrante” ou “Obrigado por compartilhar sua percepção, é importante para nós”.
No fim, o cliente fiel não sente apenas a perda de um serviço; sente a perda do respeito. E respeito é o pilar de qualquer relação, seja comercial ou humana. Mas o autorrespeito não depende de validação externa. Ele nasce da coerência entre o que acreditamos e o que fazemos, mesmo quando o outro não reconhece.
A gente entende que fidelidade é virtude, não ingenuidade. E que o cancelamento diz muito mais sobre a postura da empresa do que sobre o nosso valor. Quando o luto vira lucidez, o respeito por si mesmo renasce — mais forte, mais consciente e mais inteiro.
Portanto, Odete Roitman não morreu, continua o “Vale Tudo”; somente aquele cartão de aniversário não fideliza o cliente. O que mantém seu cliente feliz é atendê-lo mesmo quando as coisas mudam, oferecendo algum suporte para atravessar a mudança.
Se você enxergar isso pessoal e empresarialmente, você sobrevive; do contrário, muitos ainda vão “baleá-lo” por anos, como aconteceu com a Odete Roitman.
Quer saber mais sobre como a fidelização verdadeira do cliente exige respeito, diálogo e empatia — e por que o cancelamento sem cuidado destrói vínculos? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em falar a respeito!
Mônica Barg
https://www.monicabarg.com.br
Confira também: Viver com Propósito: O Sentido nas Pequenas Escolhas
O post Vale Tudo! Odete Roitman Não Morreu! apareceu primeiro em Cloud Coaching.
]]>