Jacqueline Sotanyi, Colunista em Cloud Coaching Thu, 20 Aug 2026 14:25:46 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.7 https://www.cloudcoaching.com.br/wp-content/uploads/2023/10/cropped-favicon-1-32x32.png Jacqueline Sotanyi, Colunista em Cloud Coaching 32 32 165515517 Carreira em Y: Crescer Significa, Necessariamente, Tornar-se Gestor? https://www.cloudcoaching.com.br/carreira-em-y-especialista-ou-gestor/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=carreira-em-y-especialista-ou-gestor https://www.cloudcoaching.com.br/carreira-em-y-especialista-ou-gestor/#respond_70965 Thu, 20 Aug 2026 15:20:25 +0000 https://www.cloudcoaching.com.br/?p=70965 Entenda como a carreira em Y permite crescer como especialista ou gestor e por que a transição para a liderança exige novas competências, delegação, confiança e uma escolha consciente sobre o caminho profissional e os talentos da equipe.

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Carreira em Y: Crescer Significa, Necessariamente, Tornar-se Gestor?

Olá,

 

Sou Jacqueline Sotanyi. Tenho mais de 32 anos de experiência em Tecnologia, construídos em grandes corporações, sendo mais de 20 anos em posições de liderança. Ao longo dessa trajetória, acompanhei grandes transformações tecnológicas e aprendi que, por trás de cada projeto, inovação ou resultado, sempre existem pessoas.

 

Após uma longa carreira corporativa, também vivi os desafios de uma transição profissional. Precisei olhar para minha trajetória, reconhecer o valor da minha experiência e encontrar novos caminhos alinhados a quem eu havia me tornado. Compreendi que recomeçar não significa partir do zero, mas utilizar toda a nossa bagagem para construir uma nova direção com mais clareza, estratégia e propósito.

 

Hoje, atuo como mentora de líderes e profissionais seniores de TI, apoiando o desenvolvimento de carreira, a construção de uma liderança mais humana e participativa e a busca por novas oportunidades profissionais. Também sou Conselheira Consultiva de Tecnologia, especialista em Inteligência Artificial, cofundadora da RebrandSe e coautora do livro “Mais Mulheres na Tecnologia”, da Editora Leader.

 

Escolhi o nome Pessoas, Propósito e Tecnologia porque ele representa a essência do que acredito e do que quero compartilhar neste espaço. A tecnologia exige conhecimento técnico, precisão e raciocínio lógico, mas liderar pessoas requer escuta, empatia, consciência e capacidade de reconhecer os diferentes talentos de uma equipe.

 

Nesta coluna, conversaremos sobre liderança, carreira, autoconhecimento, recolocação profissional, competências humanas, inovação, Inteligência Artificial e governança. Quero trazer reflexões, experiências e caminhos que ajudem profissionais e líderes de TI a tomarem decisões mais conscientes, fortalecerem seu posicionamento e conduzirem suas carreiras com mais foco e propósito.

 

Quero provocar boas perguntas, ampliar perspectivas e mostrar que é possível alcançar grandes resultados sem perder a essência humana, mesmo em uma área tão técnica quanto a Tecnologia.

 

Se você é profissional ou líder de TI e está vivendo um momento de desenvolvimento, mudança ou transição, este espaço também é seu.

 

Seja muito bem-vindo à coluna Pessoas, Propósito e Tecnologia!

 

Jacqueline Sotanyi

Carreira em Y: crescer significa, necessariamente, tornar-se gestor?

A transição da área técnica para a liderança exige mais do que uma mudança de cargo. Exige uma nova forma de pensar, agir e reconhecer o talento das pessoas.

Quando me ofereceram minha primeira oportunidade de gestão, aceitei imediatamente.

Naquele momento, enxerguei o convite como um reconhecimento pelo trabalho que vinha realizando e como o próximo passo natural da minha carreira. Eu era uma profissional técnica experiente, gostava do que fazia e dominava minhas atividades, por isso imaginei que estaria preparada para liderar.

Mas ninguém havia me contado que assumir a gestão não significava apenas ocupar uma nova posição. Significava iniciar uma nova carreira.

Meu primeiro ano como líder foi muito desafiador. Eu precisava deixar de ser a pessoa que executava para me tornar aquela que orientava, delegava, acompanhava entregas, cobrava resultados e respondia pelas metas da equipe.

Na teoria, parecia simples. Na prática, era muito diferente.


A carreira em Y e a falsa ideia de que só existe um caminho para crescer

Durante muito tempo, o crescimento profissional esteve associado quase exclusivamente à gestão. O especialista técnico que se destacava recebia uma equipe para liderar, como se essa fosse a única forma de evolução.

A carreira em Y amplia essa perspectiva ao oferecer dois caminhos possíveis de desenvolvimento: o aprofundamento como especialista e a evolução para posições de gestão. Os dois podem levar a maiores responsabilidades, reconhecimento e impacto, mas exigem competências e motivações diferentes.

Um excelente profissional técnico não se torna, automaticamente, um bom gestor. Da mesma forma, escolher permanecer na carreira de especialista não significa falta de ambição. Pode representar uma decisão madura e coerente com os próprios talentos, interesses e propósito.


Quando o líder continua querendo fazer tudo

No início, eu ainda atuava como especialista. Continuava envolvida nos detalhes técnicos e nas atividades que já deveriam estar sob a responsabilidade de outros profissionais da equipe.

Parte de mim acreditava que eu faria mais rápido e talvez até melhor. Outra parte tinha dificuldade de abrir mão do controle. Até que em determinado momento, meu gerente me fez uma pergunta que me levou a refletir profundamente: eu realmente queria seguir a carreira de liderança ou preferia continuar como especialista? A pergunta não foi uma crítica, mas um convite à reflexão. Naquele momento, percebi que não bastava aceitar o cargo. Eu precisava escolher, de verdade, tornar-me líder.


O dia em que aprendi que diferente não significa pior

Uma experiência simples me fez refletir profundamente sobre minha forma de liderar.

Deleguei uma atividade a um profissional da equipe e pedi que ele a concluísse em dois dias. Ele analisou a solicitação e respondeu que precisava de uma semana.

Minha reação imediata foi pensar: “Uma semana? Eu faria isso muito mais rápido.”

Naquele instante, eu ainda estava avaliando o trabalho dele a partir do meu ritmo e da maneira como eu mesma executaria a tarefa.

Conversamos e negociamos um prazo de quatro dias úteis. Quando ele apresentou o resultado, tive uma surpresa. O trabalho estava excelente, melhor do que eu havia imaginado e melhor do que eu mesma teria feito. O objetivo havia sido plenamente alcançado, mas o caminho utilizado por ele não tinha sido o meu.

Aquilo acendeu uma luz. Compreendi que liderar não é formar cópias de nós mesmos. É criar condições para que cada pessoa utilize seus próprios talentos para alcançar o melhor resultado possível.


Delegar não é perder o controle

Para quem construiu uma carreira técnica, delegar pode gerar desconforto. Estamos acostumados a conhecer os detalhes, solucionar problemas e acompanhar cada etapa. Quando assumimos a gestão, podemos cair em dois extremos: continuar fazendo tudo ou então controlar excessivamente a forma como cada pessoa trabalha.

Nenhum deles desenvolve a equipe.

Delegar não significa simplesmente repassar uma tarefa e desaparecer. Também não significa determinar cada movimento do profissional. Delegar exige clareza sobre o que precisa ser entregue, alinhamento de expectativas, definição de prazos, disponibilidade para orientar e, além disso, confiança para permitir que o outro encontre seu próprio caminho.

O líder precisa acompanhar sem sufocar, cobrar sem desrespeitar e orientar sem retirar a autonomia.

Esse equilíbrio não nasce pronto. Ele é construído com prática, humildade, escuta e autoconhecimento.


Pessoas diferentes entregam de formas diferentes

Um dos maiores aprendizados da minha trajetória foi compreender que cada pessoa possui um ritmo, uma forma de pensar e um conjunto particular de talentos.

Alguns profissionais são rápidos para tomar decisões. Outros precisam analisar mais informações antes de avançar. Alguns se destacam na solução de problemas complexos. Outros têm enorme capacidade de organização, relacionamento, comunicação ou execução.

O papel do líder é reconhecer essas diferenças, aproveitar o melhor de cada pessoa e criar um ambiente no qual os talentos possam se complementar.

Isso não significa renunciar a prazos, qualidade ou responsabilidade. Metas continuam sendo necessárias. Resultados precisam ser acompanhados. Mas existe uma diferença importante entre cobrar o resultado acordado e exigir que todas as pessoas percorram o caminho que nós percorreríamos.

Quando o líder controla cada detalhe, a equipe perde autonomia. Quando cobra perfeição com base apenas em seu próprio padrão, pode gerar insegurança, dependência e medo de errar. E quando aprende a confiar, orientar e reconhecer talentos, cria espaço para que as pessoas cresçam.


Liderar é trocar o protagonismo individual pelo crescimento coletivo

Minha transição para a gestão não aconteceu no dia em que recebi o cargo. Ela aconteceu aos poucos, cada vez que consegui deixar de fazer para ensinar, deixar de controlar para acompanhar e deixar de impor meu jeito para reconhecer o talento do outro.

Aprendi que um líder não precisa ser a pessoa que tem todas as respostas. Precisa saber fazer boas perguntas, dar direção, tomar decisões, construir confiança e criar condições para que a equipe entregue o seu melhor.

Se hoje você é um especialista técnico e recebeu, ou deseja receber, uma oportunidade de gestão, celebre o reconhecimento, mas também reserve um tempo para refletir. Pergunte a si mesmo se você deseja apenas o novo cargo ou se está realmente disposto a assumir uma nova carreira.

E, se escolher a liderança, lembre-se: seus profissionais não precisam pensar, agir ou executar exatamente como você. Eles precisam compreender o objetivo, assumir responsabilidades, receber apoio e, sem dúvida, ter espaço para mostrar o que fazem de melhor.

Às vezes, o resultado que supera nossas expectativas nasce justamente quando aprendemos a confiar em um caminho diferente do nosso.

E você, em qual direção da carreira em Y se reconhece hoje: especialista ou liderança? Se já fez essa transição, qual foi o aprendizado que mais transformou a sua forma de liderar?


Gostou do artigo?

Quer saber mais sobre como transformar a transição de especialista para líder em uma oportunidade de crescimento, aprendendo a delegar, confiar e potencializar os talentos de cada pessoa da equipe? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em falar a respeito.

Jacqueline Sotanyi
Conselheira Consultiva de Tecnologia, especialista em Inteligência Artificial, cofundadora da RebrandSe e coautora do livro “Mais Mulheres na Tecnologia”
https://www.linkedin.com/in/jacquelinesotanyi/

Não deixe de acompanhar a coluna Pessoas, Propósito e Tecnologia.

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