
Não Somos Multitarefas: Por Que a Atenção e o Foco Estão Valendo Ouro
Atenção está valendo ouro
Nunca tivemos tanta informação disponível – e talvez nunca tenha sido tão difícil sustentar a atenção. Em um mundo que disputa cada segundo do nosso olhar, atenção está valendo ouro.
Empresas disputam nossa atenção. Redes sociais disputam nossa atenção. Notificações, mensagens, vídeos, notícias, propagandas e pessoas disputam nossa atenção. E nós a distribuímos como se fosse um recurso infinito. Mas não é.
A atenção é uma capacidade do cérebro de selecionar, entre inúmeros estímulos disponíveis, aquilo que será priorizado naquele momento. Enquanto você lê este texto, há sons ao seu redor, sensações no seu corpo, pensamentos surgindo, talvez um celular por perto. Seu cérebro recebe muito mais informações do que consegue processar conscientemente. Estar atento é, de certa forma, dizer ao cérebro: “Isto, agora, importa.” E isso, sem dúvida, tem consequências.
Aquilo a que prestamos atenção ganha prioridade de processamento. A atenção participa de redes cerebrais distribuídas, envolvendo regiões frontais e parietais e mecanismos relacionados ao controle executivo, à orientação para estímulos relevantes e à manutenção do estado de alerta.
Ela também tem uma relação íntima com a memória. Para aprender, não basta estar presente. É preciso estar atento.
Podemos assistir a uma aula sem realmente assistir. Ler uma página e chegar ao final sem saber o que acabamos de ler. Ouvir alguém enquanto pensamos na resposta que daremos. Participar de uma reunião enquanto conferimos mensagens no celular. Os olhos estavam lá. Os ouvidos estavam lá. Mas onde estava a atenção?
Estudos em neurociência mostram que atenção e memória são profundamente interdependentes. A atenção ajuda a selecionar aquilo que terá maior chance de ser codificado e posteriormente lembrado. Quando dividimos a atenção durante o aprendizado, prejudicamos especialmente a formação de memórias que depois queremos recuperar conscientemente.
Talvez por isso seja importante rever uma palavra que se tornou quase elogio no mundo contemporâneo: multitarefa.
Aí alguém diz:“Eu faço várias coisas ao mesmo tempo”. Será?
Quando duas atividades exigem atenção consciente, nosso cérebro não funciona exatamente como duas telas independentes trabalhando simultaneamente. O que fazemos, na maioria das vezes, é alternar rapidamente o foco: mensagem, relatório, conversa, celular, reunião, mensagem novamente.
Cada mudança exige que o sistema cognitivo abandone uma configuração e retome outra. E isso tem custo.
Perdemos tempo, aumentamos a possibilidade de erros e fragmentamos assim a atenção. A sensação subjetiva pode ser de enorme produtividade, enquanto o cérebro está apenas trabalhando intensamente para administrar sucessivas trocas de foco.
A distração tornou-se tão incorporada ao cotidiano que muitas vezes nem percebemos mais que estamos distraídos. Em uma análise de estudos on-line envolvendo quase 3 mil participantes, comportamentos de “multitarefa” com outras mídias apareceram, em média, em 38% do tempo observado.
Talvez o mais interessante seja perceber que nem sempre é a tecnologia que nos interrompe.
Nós também procuramos a interrupção: pegamos o celular, abrimos outra janela, conferimos uma mensagem, pulamos um vídeo, respondemos alguma coisa “rapidinho”… e cada “rapidinho” leva um pequeno pedaço da nossa atenção. E essa conversa vai muito além da produtividade.
- Atenção também é segurança – É dirigir percebendo a estrada. É atravessar uma rua olhando para o ambiente. É ouvir uma orientação médica. É perceber uma mudança no próprio corpo.
- Atenção também é relacionamento – Você pode estar sentado diante de alguém e não estar verdadeiramente com aquela pessoa.
- Atenção é comunicação – Quantas vezes respondemos antes de terminar de ouvir?
- Atenção é aprendizado – Não adianta consumir toneladas de informações se não oferecemos ao cérebro condições para selecioná-las, processá-las e transformá-las em conhecimento.
- E atenção também é autocuidado – É perceber o que fazemos, o que ouvimos, o que falamos, o que comemos, o que sentimos e aquilo que permitimos ocupar repetidamente a nossa mente.
Talvez estejamos entrando em uma época (ou melhor, já estamos) em que conseguir sustentar a atenção será cada vez mais valioso.
Não porque precisamos viver concentrados o tempo inteiro, afinal, nosso cérebro também precisa divagar, descansar e alternar estados.
Mas porque precisamos recuperar uma capacidade que estamos perdendo cada vez mais: decidir conscientemente onde colocamos nossa atenção.
Em um mundo inteiro tentando capturá-la, talvez uma das perguntas mais importantes seja: quem está escolhendo onde você coloca a sua atenção?
A sua atenção está valendo ouro.
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como recuperar a atenção e o foco, reduzir as distrações e escolher conscientemente onde colocar sua energia? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Com carinho,
Dra. Marcia Coronha, PhD
Cientista e Pesquisadora em Saúde
Especialista em Neuroemoção
Fundadora do Instituto ConsCiência
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