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As Origens e o Futuro Promissor do Design Thinking!

Você sabe de onde vem o processo de Design Thinking? E o futuro dele, como será? Trará um conjunto de desafios surpreendentes alinhado ao mundo VUCAH?

As Origens e o Futuro Promissor do Design Thinking!

As Origens e o Futuro Promissor do Design Thinking!

Os leitores deste espaço Mundo VUCAH sabem que dou muita atenção ao que acontece na fronteira do conhecimento, sem perder de vista os aspectos teóricos e práticos do que acontece nas empresas, independentemente do seu porte. É uma mistura saudável entre a minha experiência trazida do cotidiano empresarial com a minha formação acadêmica rigorosa. Hoje, vou explorar o tema Design Thinking de forma um pouco diferente do que usualmente se lê em outras postagens.

Para começo de conversa (ou de leitura), já tratei aqui mesmo do tema Design Thinking. E de como essa metodologia tem sido importante para a transformação e os avanços inovadores nas organizações. Também já comentei de como adoto esse conceito em minhas diferentes mentorias (www.designthinkingcoaching.com).

Nesta postagem, terei por base textos de Emily Stevens, inglesa que mora na Alemanha, a qual além de postar em blogs trabalha com foco em startups de tecnologia, circulando bastante no mundo do Design Thinking e das experiências dos usuários (UX).

Uma pergunta bastante recorrente que se ouve é: de onde vem o processo de Design Thinking?

Segundo explica Emily Stevens, Design Thinking tornou-se uma espécie de expressão da moda nos últimos anos, mas é uma abordagem que, na verdade, vem evoluindo desde os anos 1960. Vamos explorar , rapidamente, a história do processo de Design Thinking:

1) 1969: Herbert Simon publicou The Sciences Of The Artificial

Em 1969, o economista, cientista político e psicólogo americano Herbert Simon publicou um artigo que, para muitos, pode ser considerado como a base de lançamento do Design Thinking. Depois, esse conteúdo foi transformado em um livro, que já teve várias edições. Em The Sciences Of The Artificial, Simon definiu sete etapas principais para usar o design como abordagem criativa para a resolução de problemas, o qual lembra muito o processo de cinco estágios comumente usado hoje.

Simon recebeu o Prêmio Turing, em 1975, e o Prêmio Nobel de Economia, em 1978. Sua pesquisa foi centrada nos campos da ciência cognitiva, ciência da computação, administração, gestão e ciência política. Ele foi um dos pioneiros em vários domínios científicos, como inteligência artificial, processamento de informações, tomada de decisões, resolução de problemas, teoria da organização e sistemas complexos. Clique aqui e faça download do livro The Sciences Of The Artificial.

2) 1973: Horst Rittel e a expressão “problemas perversos”

Outra figura chave na formação do processo de Design Thinking, como nós conhecemos hoje, é o teórico do design Horst Rittel. Na década de 1970, Rittel cunhou o termo “problemas perversos” para descrever problemas complexos que são difíceis de serem organizados logicamente, não têm um número definido de soluções potenciais e, ainda, tendem a ser sintomáticos de outros problemas.

Junto com Melvin Webber, ambos dedicados a planejamento urbano, Rittel escreveu um artigo com o título Dilemas em uma Teoria Geral do Planejamento. Ali, os autores observaram que existe um domínio de problemas de planejamento que não podem ser tratados com sucesso apenas pela tradicional forma analítica e linear, até então usada. Eles chamaram de “problemas perversos”, não no sentido de serem “maus”, mas por se mostrarem tortuosos e com consequências indesejadas (desagradáveis) para os planejadores, tanto mais pelas múltiplas insatisfações que podem causar aos públicos interessados (faça download de um artigo interessante a respeito, clicando aqui).

3) 1991: O surgimento da IDEO

No início dos anos 90, foi fundada a empresa internacional de design e consultoria IDEO (https://www.ideo.com). A IDEO é frequentemente saudada como uma das instituições mais importantes ao ousar trazer o Design Thinking ao cotidiano de pessoas e das empresas.

O modelo IDEO define Design Thinking como sendo uma abordagem centrada no ser humano e voltada para a inovação. Integra as necessidades das pessoas, as possibilidades da tecnologia e os requisitos para o sucesso do negócio. Para a IDEO, o processo de Design Thinking está dividido em três fases principais: inspiração, ideação e implementação.

Cabe contextualizar o IDEO Design Thinking, na forma como seu CEO Tim Brown aborda. Vivemos e trabalhamos em um mundo de sistemas interligados, onde muitos dos problemas que enfrentamos são dinâmicos, multifacetados e inerentemente humanos. Pense em algumas das grandes perguntas feitas por empresas, governos, organizações educacionais e sociais: Como vamos navegar nas forças disruptivas do cotidiano, incluindo tecnologia e globalismo? Como vamos crescer e melhorar em resposta a mudanças rápidas? Como podemos apoiar os indivíduos de maneira eficaz e, ao mesmo tempo, mudar os grandes sistemas? Para a IDEO, o Design Thinking oferece uma abordagem para lidar com essas e outras grandes questões.

4) 1992: Richard Buchanan e a publicação Wicked Problems In Design Thinking

Richard Buchanan, outro teórico do design, conectou os “problemas perversos” de Rittel ao Design Thinking no início dos anos 90, quando publicou Wicked Problems In Design Thinking. Para Buchanan, as novas disciplinas integrativas, que complementariam as artes e ciências, tornaram-se um dos temas centrais no século XX. Sem disciplinas integrativas de compreensão, comunicação e ação, haveria pouca esperança de se cuidar sensatamente do conhecimento que transcende a biblioteca ou o laboratório.

O surgimento do Design Thinking, no século XX, tornou-se então importante neste contexto. Isso porque não se configurou reduzir o design a uma ou a outra das ciências existentes. O que aconteceu foi o nascimento da legítima preocupação de se conectar e integrar o conhecimento das artes e das ciências, já existente e de forma adequada, para melhor entender os problemas do presente e realizar as suas projeções para o futuro, com transformação e inovação sustentáveis.

5) 2005: Design Thinking como disciplina universitária

No início dos anos 2000, o Design Thinking começou a ser cada vez mais reconhecido e foi adotado como curso de nível universitário. Uma instituição-líder foi a Stanford School of Design, que começou a ensinar Design Thinking, em 2005. Atualmente, apresenta o curso Designing for Social Systems, tratado como um desafio quando se aborda o contexto social (conheça o programa atual em https://dschool.stanford.edu/programs/designing-for-social-systems).

O design em sistemas sociais requer considerar os muitos públicos interessados e os fatores que podem afetar os resultados. Ter um profundo entendimento das pessoas enquanto se analisa o ambiente geral, buscar clareza e convicção apesar das informações incompletas. E, também, descobrir e escolher intervenções que têm impacto.

Em outras palavras, o design centrado no ser humano é uma metodologia poderosa, a qual exige lideranças que assumem trabalhar de maneira mais eficaz, humana e estratégica, qualquer que seja o tipo de organização.

Certamente, a indicação acima de alguns eventos que levaram à evolução do Design Thinking não deve ser vista como limitante. Mas como referencial muito bem aceito pelos especialistas. Desde as primeiras citações, o design centrado nas experiências dos usuários está em constante evolução e a jornada continua. Da inteligência artificial à tecnologia de voz, da realidade virtual ao design de interfaces, os desafios se multiplicam continuadamente.

Qualquer que seja o futuro do Design Thinking, ele certamente trará um conjunto de desafios surpreendentes, alinhado ao mundo VUCAH. Um mundo que nos faz lidar com volatilidade, incertezas, complexidades, ambiguidades e hiperconectividade.

Por fim, fica a sugestão para que todos leiam o estudo de Johannes Vrana & Ripudaman Singh, publicado em Janeiro de 2021, sobre as perspectivas do Design Thinking em um mundo 4.0 (ou o chamado mundo VUCAH). Para download, clique aqui.

Você, como mentor, consultor ou coach não pode ignorar essa metodologia centrada em pessoas. Ela só tenderá a crescer em todos os contextos empresariais e educacionais.

Gostou do artigo? Quer saber mais sobre Design Thinking? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br

Clique aqui para fazer download desse estudo: https://www.scaruffi.com/peace/buchanan1.pdf

Confira também: A Reconstrução do Mundo (que conhecemos) pela Tecnologia

 

Mario Divo Author
Mario Divo possui meio século de atividade profissional ininterrupta, hoje estando dedicado à gestão de negócios e de pessoas. É PhD pela Fundação Getulio Vargas (FGV) com foco em Gestão de Marcas Globais e MSc, também pela FGV, com foco em Dimensões do Sucesso em Coaching (contexto brasileiro). Formação como Master Coach, Mentor e Adviser pelo Instituto Holos. Formação em Coach Executivo e de Negócios pela SBCoaching. Consultor credenciado no diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool). Credenciado pela Spectrum Assessments para avaliações de perfil em inteligência emocional e axiologia de competências. CEO da plataforma MENTALFUT® e da MDM Assessoria em Negócios, desde 2001. Mentor e colaborador da plataforma Cloud Coaching. Ex-Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Ex-Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, ex-Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e ex-Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior, voltada ao desenvolvimento de jovens lideranças em todo o mundo.
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