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Aprendendo Gestão e Liderança com Platão

O que teria um filósofo da Grécia antiga, que viveu antes da era cristã, para ensinar a um gestor que está envolvido com Inteligência Artificial, Big Data ou ainda com assuntos globalizados?

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gestão liderança e filosofia

O que a Gestão e a Liderança tem a ver com a Filosofia?

Com muita tranquilidade costumo indicar aos meus amigos, que são diretores de empresas ou gestores de equipes, a leitura da República de Platão, um livro escrito por volta de 380 a.C. pelo filósofo grego Platão, que foi discípulo de Sócrates.

O que teria um filósofo da Grécia antiga, que viveu antes da era cristã, para ensinar a um gestor que está envolvido com Inteligência Artificial, Big Data ou ainda com assuntos globalizados?

Se os gestores modernos utilizam meios quase instantâneos de comunicação ao redor do mundo, na República de Platão são apresentados diálogos onde todos estão bem próximos em uma conversa animada e desafiadora como era comum na época e, ainda assim, temos muito a aprender com estes encontros.

Nos diálogos relatados na República de Platão está em questão a busca de uma fórmula que garanta uma harmoniosa administração a uma cidade, mantendo-a livre da anarquia, dos interesses, das disputas particulares e do caos completo. Platão narra os diálogos de Sócrates que aconteceram na casa de Polemarco. O filósofo, utilizando o seu método maiêutico de fazer perguntas, faz importantes considerações que nos são úteis ainda hoje.

Toda a conversa gira em torno da forma ideal de governo. Diversas afirmações foram feitas e Sócrates levou o grupo a concluir em uma forma ideal, que nos dia de hoje podemos perceber que são sugestões válidas. Não só para as cidades e países, mas também na gestão de equipes e de empresas.

No início do diálogo Trasímaco afirma que a força é um direito que traz autoridade e que a justiça é garantida somente àquele que é o mais forte. Comportamento que percebemos ainda hoje por alguns velhos gestores. Estes, ultrapassados, estão contribuindo para que suas empresas não tenham bons ambientes de trabalho. O turnover é alto assim como o absenteísmo, o estresse e a pouca produtividade são significativos.

A seguir, Sócrates começa a dialogar com Gláucon e Adimanto, definindo o ato de governar como estar a serviço dos governados. Que a justiça é superior à injustiça e é preferível sofrer a injustiça do que praticá-la. Onde houver justiça, aí está a felicidade. Percebemos aqui, na Filosofia, o embrião do que seria mais tarde chamado de Liderança Servidora, ou mesmo da Liderança Transformacional.

Então os diálogos evoluem para a definição dos princípios da justiça. O que constitui a verdadeira justiça administrada à população, em nosso caso – a equipe.

O primeiro princípio da justiça seria a solidariedade social, forma pela qual o gestor contribui para o bem-estar coletivo. O segundo é o desprendimento, dever consciente dos gestores e colaboradores, realmente dispostos a prover o bem comum. Aqui também percebemos os conceitos dos mais novos e atuais estilos de liderança, o transformacional e o autêntico.

Com a leitura atenta da República de Platão podemos também inferir que o verdadeiro gestor, o líder, deveria ser um filósofo, não pelo entendimento comum que temos do termo e da Filosofia, mas principalmente pela forma de pensar, pelo discernimento, conhecimento, capacidade e principalmente, pela racionalidade em prol da Gestão e da Liderança.

O mundo do trabalho muda a passos largos, novos estilos de liderança se apresentam. Já falamos em felicidade no trabalho e cooperação de todos para o bem comum que é a empresa. Falamos também na valorização do ser humano, do profissional e do grupo como um todo. Razões suficientes para que os gestores em geral atuem como líderes coaches. E que se coloquem a serviço do outro, com empatia e com o seu fruto – a compaixão.

Para tudo isto, uma releitura dos antigos filósofos é uma fonte inesgotável de boas influências e desafios e a República de Platão é um excelente ponto de partida.

Cleyson Dellcorso
https://www.dellcorso.com.br/

Confira também: O que os filósofos antigos têm ainda a nos ensinar

Cleyson Dellcorso tem formação em engenharia e filosofia e suas atividades estão relacionadas ao Coaching Profissional e Pessoal, além de atuar com Coaching de Casais. Seus atendimentos têm embasamento em uma metodologia própria com fundamentação filosófico / dialógico. Possui MBA pela UCLA (EUA), com foco em gestão de pessoas, é especialista em liderança pelo Haggai Advanced Leadership Institute (Singapura) e instrutor do mesmo instituto. É professor de liderança e motivação no curso de pós-graduação em gestão de projetos (PMI) do Instituto Brasileiro de Tecnologia Avançada do grupo IBMEC. Atua como Coach desde 2003 e foi um dos primeiros a se especializar no atendimento a Gerentes de Projetos. É diretor do INSTITUTO DE COACHING MAIÊUTICA desde 1999 e tem como área de interesse o estudo das Inteligências – Emocional e Espiritual. Cleyson Dellcorso é casado, tem três filhos e um neto e tem como hobbies – radioamadorismo, velejar e mergulhar.
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