Adolescente, faculdade, tecnologia e produção científica

Como o adolescente de hoje, super conectado com o digital, lida com a faculdade? Pergunte a um aluno do ensino médio qual faculdade ele quer fazer. Ele responderá com base no desejo profissional e não no desejo de conhecimento, a ideia original e principal da faculdade.

Depois de quase dois meses de faculdade tive algumas breves e introdutórias reflexões sobre essa instituição e como o adolescente de hoje, super conectado com o digital, lida com ela.

Antes de entrar na faculdade, conversando sobre educação com o Bruno, trocamos algumas ideias e opiniões de como a faculdade, por se submeter aos interesses do mercado, teve sua ideia original totalmente transformada. E para se provar isso basta perguntar para um aluno do ensino médio qual faculdade ele quer fazer. Ele irá responder com base no seu desejo profissional e não no desejo de conhecimento. Pois a ideia original e principal da faculdade não é formar profissionais, mas sim pesquisadores e desenvolver conhecimentos inovadores para o avanço da humanidade.

Além do utilitarismo, que valoriza o mercado, a faculdade, como centro de conhecimento, tem outro inimigo: a tecnologia, principalmente a Internet.

É fácil de lembrar como o discurso, que ainda persiste, era falado aos sete ventos para enaltecer essa nova ferramenta revolucionária: agora a informação será mundial, qualquer um poderá aprender sobre qualquer coisa em qualquer lugar do mundo em questão de segundos. Cogitou-se até a possibilidade de não haver mais escolas ou centros acadêmicos, pois a informação seria de tal maneira espalhada e de fácil acesso que estas instituições de ensino não seriam mais necessárias. Rude erro.

Confundiu-se e confunde-se o que significa informação e o que significa conhecimento. A diferença entre elas é o fundamental para existirem instituições escolares, professores e alunos. Não vou entrar em questão sobre os vários erros da educação em nosso país, na sua maneira antiquada e rudimentar. Esse é tema para o texto do mês que vem.

Informação são conceitos sobre diferentes coisas jogados e espalhados, já conhecimento é a habilidade de juntar esses conceitos para se produzir algo (produzir não se limita ou sentindo material, mas sim ao inovar). E quem tem os meios de se desenvolver essa habilidade são as instituições, meios como: troca de ideias, debates, trabalhos em grupo. Ou seja, onde se tem interação humana, fisicamente falando, é nas instituições e eu tenho certeza de que essa é a “cola” para transformar informação em conhecimento. Portanto não caia no erro de achar que só porque temos informações mais facilmente podemos descartar as instituições escolares.

Para terminar, acredito que a produção cientifica sofre com uma característica inata ao adolescente, mas que está sendo estimulada pela Internet: o imediatismo e sua preocupação diminuta com o mundo a sua volta. Com todas as redes sociais ficou muito mais importante ter “likes” em uma foto do que um texto publicado questionando qualquer característica do nosso sistema.  As superficialidades do conteúdo das redes sociais prezam pelo prazer imediato e irrefletido, fazendo com que o adolescente fique entorpecido com isso e deixe o seu e o futuro de todos de lado.

Bruno Sales Author
Estudante esforçado, entusiasta intelectual e conversador. Estudante de Economia, escritor amador e apreciador de Filosofia e Matemática. Sonha publicar o livro que vem trabalhando faz anos; a médio prazo, adquirir independência financeira e reconhecimento intelectual; a longo prazo, mudar o mundo.
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