Perdão de Dívidas dos MEIs Pode Ser um Recomeço, mas Educação Financeira É Essencial
O perdão de dívidas tributárias previsto no Prospera MEI pode representar uma oportunidade importante para milhões de microempreendedores individuais que enfrentam dificuldades para manter seus negócios em funcionamento. A proposta prevê o cancelamento de aproximadamente R$ 12,6 bilhões em débitos de cerca de 3,6 milhões de empreendedores. É uma medida que pode aliviar o orçamento de quem carrega compromissos tributários acumulados e precisa recuperar a capacidade de seguir em frente.
Mas faço um alerta: eliminar uma dívida não significa, necessariamente, resolver o problema financeiro que a originou. O verdadeiro recomeço acontece quando o empreendedor consegue compreender sua realidade, reorganizar suas finanças e desenvolver condições para não repetir o ciclo do endividamento.
É importante diferenciar as iniciativas anunciadas pelo governo. O Prospera MEI prevê a remissão de débitos tributários federais elegíveis, conforme as condições estabelecidas na proposta e após a conclusão do processo legislativo. Já as medidas de renegociação bancária envolvem acordos com instituições financeiras, enquanto o apoio a investimentos produtivos tem outra finalidade. São instrumentos diferentes, que precisam ser compreendidos para que o empreendedor tome decisões conscientes.
A previsão divulgada para o início da remissão tributária é 1º de janeiro de 2027. Entre as condições previstas estão a manutenção dos recolhimentos tributários em dia durante os seis meses seguintes à entrada em vigor da lei e regras específicas para contribuintes que discutem os débitos judicialmente. Por isso, é fundamental acompanhar a regulamentação e os procedimentos oficiais antes de contar com o benefício.
O perdão da dívida não pode ser o fim do planejamento
Ao longo da minha trajetória na educação financeira, aprendi que o endividamento precisa ser compreendido a partir de suas causas. Muitas vezes, o empreendedor não chegou a essa situação por falta de vontade de trabalhar, mas por não ter recebido orientação adequada para administrar os recursos que entram e saem do negócio.
É comum encontrar microempreendedores que misturam as contas pessoais com as empresariais, não controlam o fluxo de caixa, calculam inadequadamente os preços dos produtos e serviços ou deixam de reservar dinheiro para pagar tributos e fornecedores. Quando essas práticas se acumulam, até um negócio com clientes e vendas pode enfrentar sérias dificuldades financeiras.
Por isso, considero que o perdão tributário deve ser encarado como uma oportunidade de reorganização, e não como uma solução definitiva. Se o empreendedor continuar administrando o dinheiro da mesma maneira, poderá voltar a acumular débitos, mesmo depois de ter sua situação regularizada.
Também defendo que precisamos mudar a maneira como enxergamos as dívidas. Uma dívida não é necessariamente ruim. Quando planejada, compreendida e compatível com a capacidade de pagamento, ela pode viabilizar a compra de equipamentos, ampliar a produção e contribuir para a realização de sonhos. O problema está em assumir compromissos sem conhecer os custos envolvidos, os riscos e as condições reais de pagamento.
A educação financeira precisa fazer parte da rotina do microempreendedor. É necessário diagnosticar a situação do negócio, identificar os compromissos existentes, estabelecer prioridades e construir um planejamento que considere tanto as despesas atuais quanto as futuras.
Renegociar exige mais do que conseguir uma parcela menor
O pacote anunciado também contempla iniciativas de renegociação de dívidas bancárias. Nesse caso, não estamos falando de um perdão automático, mas de negociações sujeitas às regras do programa, às condições de cada contrato e à capacidade de pagamento do empreendedor.
Na modalidade de pequeno valor do Desenrola MEI, foram divulgadas condições para débitos de até R$ 8.105, com entrada de 5%, desconto de 50% sobre o saldo após a entrada e parcelamento em até 55 meses. É importante, porém, confirmar nos canais oficiais se essas condições estão vigentes e quais são os prazos e critérios aplicáveis antes de aderir.
Minha recomendação é que o empreendedor não olhe apenas para o valor da parcela. É preciso avaliar o montante total da dívida, os juros, o custo final do acordo e o impacto dos pagamentos sobre o funcionamento do negócio.
Uma parcela aparentemente pequena pode comprometer o dinheiro necessário para comprar mercadorias, pagar fornecedores ou manter as despesas básicas da atividade. Da mesma forma, contrair um novo empréstimo para quitar uma dívida anterior, sem avaliar as condições da operação, pode apenas transferir o problema para o futuro.
Renegociar pode ser uma decisão acertada, desde que faça parte de um planejamento realista. O acordo precisa caber no orçamento sem impedir que o empreendedor mantenha a atividade e honre seus compromissos correntes.
Recursos para investir também precisam de propósito
Outra iniciativa anunciada é o Pix MEI, que prevê apoio financeiro de até R$ 5 mil, sem necessidade de devolução, para investimentos produtivos, conforme critérios que ainda dependem da implementação da medida. A estimativa divulgada é alcançar aproximadamente 1 milhão de microempreendedores ao longo de quatro anos.
Recursos dessa natureza podem fazer diferença para quem precisa comprar equipamentos, melhorar a estrutura de atendimento ou ampliar a capacidade de produção. Entretanto, o empreendedor precisa entender qual é a necessidade real do negócio e de que maneira o investimento poderá contribuir para gerar receita ou melhorar os resultados.
Também não recomendo assumir despesas antecipadas contando com um recurso que ainda não foi, de fato, liberado. É necessário acompanhar as regras oficiais, verificar os critérios de acesso e avaliar o investimento com cuidado.
Mesmo quando o dinheiro não precisa ser devolvido, sua utilização exige planejamento. Receber um recurso e gastá-lo sem uma finalidade definida não garante que a situação financeira melhore. O importante é que ele contribua para fortalecer o negócio e ampliar sua capacidade de se manter ao longo do tempo.
O primeiro passo é conhecer a própria realidade financeira
Para o microempreendedor que enfrenta dificuldades, recomendo começar por um diagnóstico. É preciso identificar quanto se deve, para quem se deve, quais são os juros cobrados e quais compromissos precisam ser priorizados. Também é fundamental separar as dívidas tributárias das bancárias e comerciais, porque cada uma exige uma abordagem específica.
Em seguida, o empreendedor deve consultar sua situação nos canais oficiais da Receita Federal e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Deve verificar as alternativas disponíveis e manter os pagamentos correntes em dia, sempre que possível.
Outro cuidado importante é desconfiar de intermediários que prometem antecipar o perdão das dívidas ou garantir benefícios mediante o pagamento de taxas que não estejam previstas oficialmente. A busca por uma solução financeira não pode abrir espaço para novos prejuízos.
Na Metodologia DSOP, que desenvolvi a partir dos pilares Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar, defendo que a organização financeira deve estar conectada àquilo que a pessoa deseja realizar. Isso também vale para quem empreende. O negócio precisa gerar sustento, proporcionar realizações e criar condições para um futuro mais organizado.
O microempreendedor individual tem um papel importante na economia brasileira e, muitas vezes, representa a principal fonte de renda de uma família. Oferecer condições para que ele regularize suas dívidas é relevante, mas precisamos ir além do alívio imediato.
O Prospera MEI pode abrir uma porta para milhões de empreendedores. Para que essa oportunidade se transforme em uma mudança duradoura, é necessário associar as medidas de regularização à educação financeira, ao planejamento e à construção de hábitos mais conscientes na relação com o dinheiro.
O perdão pode eliminar uma dívida, mas é a educação financeira que ajuda o empreendedor a construir um caminho diferente. O objetivo não deve ser apenas sair das dívidas, mas aprender a administrar o negócio de maneira sustentável, realizar seus sonhos e evitar que os mesmos problemas se repitam.
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Um grande abraço,
Reinaldo Domingos
Reinaldo Domingos, o Dr. Dívidas, é PhD em Educação do Comportamento Financeiro, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (ABEFIN) e da DSOP Educação Financeira, além de criador da Metodologia DSOP: Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar.
https://www.dsop.com.br
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Gestão Estratégica e Humanizada Não É Ausência de Cobrança…
A gestão estratégica e humanizada não é ausência de cobrança, mas sim, clareza de objetivos, responsabilidade, respeito e capacidade de construir resultados sustentáveis.
Tenho ouvido líderes relatarem uma preocupação que merece atenção: o receio de cobrar resultados, dar feedbacks mais firmes ou corrigir comportamentos e, com isso, serem acusados de assédio. Essa preocupação ganha ainda mais relevância diante da entrada em vigor, em 26 de maio de 2026, das novas disposições da NR-1 relacionadas ao gerenciamento dos riscos psicossociais no trabalho.
Acredito que essa reflexão é necessária, porque humanização não significa evitar cobranças, relativizar responsabilidades ou concordar com todos. Significa tratar as pessoas com dignidade, estabelecer limites claros e buscar soluções que considerem tanto as relações humanas quanto os objetivos do negócio.
Liderar não é apenas desenvolver pessoas. Envolve também a maneira como os objetivos são explicados, o trabalho é planejado, as demandas são distribuídas, os resultados são acompanhados e as relações são gerenciadas.
Uma equipe submetida a metas incompatíveis com os recursos disponíveis, mudanças constantes de prioridades, jornadas excessivas e ausência de apoio pode estar exposta a condições prejudiciais, mesmo que seu gestor não tenha a intenção de causar sofrimento.
Por outro lado, estabelecer metas, cobrar entregas, apontar falhas, oferecer feedback e tomar decisões difíceis faz parte da gestão. A legitimidade dessas práticas depende também de como são conduzidas, de seus fundamentos, de sua proporcionalidade e do respeito às pessoas.
Portanto, não se trata de escolher entre saúde e desempenho. Trata-se de compreender como construir condições para que ambos sejam considerados na gestão.
Humanizar é compreender o contexto antes de julgar o comportamento
Na minha visão, uma gestão estratégica e humanizada começa pela capacidade de compreender contextos.
Antes de atribuir um problema à falta de comprometimento de alguém, precisamos investigar o que está acontecendo. Os objetivos foram claramente definidos? A pessoa compreendeu o que se espera dela? Tem os recursos, os conhecimentos e a autonomia necessários? As prioridades são coerentes? Existem obstáculos nos processos? As responsabilidades estão bem distribuídas?
Isso não significa retirar a responsabilidade individual. Significa considerar as circunstâncias para tomar decisões mais justas e eficazes.
O mesmo raciocínio vale para a liderança. Muitos profissionais conquistam uma promoção por sua competência técnica e, de repente, passam a responder pelo desempenho de uma equipe, sem necessariamente terem recebido preparação para conduzir pessoas, administrar conflitos, oferecer feedbacks ou lidar com as pressões inerentes à função.
O que antes se media principalmente por suas próprias entregas passa a depender também da capacidade de mobilizar pessoas, alinhar expectativas e construir resultados coletivos.
Uma gestão madura não procura apenas identificar quem errou. Procura compreender o que aconteceu, quais fatores contribuíram para o problema, como corrigir seus efeitos e o que precisa mudar para evitar sua repetição.
Clareza também é uma forma de respeito
Muitos conflitos nas organizações são alimentados por expectativas implícitas, responsabilidades mal definidas, prioridades contraditórias e critérios inconsistentes.
Quando as pessoas não sabem exatamente o que se espera delas, como será a avaliação do seu trabalho ou quais decisões podem tomar, aumentam as possibilidades de frustração, desalinhamento e conflitos.
Durante as mentorias de liderança, conversamos frequentemente sobre a importância de estabelecer:
- Objetivos e metas claros, coerentes com a estratégia do negócio;
- Responsabilidades e limites de autonomia bem definidos;
- Critérios transparentes para avaliar entregas e comportamentos;
- Prioridades compreensíveis, com comunicação sobre mudanças e seus motivos;
- Recursos, orientação e condições compatíveis com o trabalho esperado;
- Espaços para feedback, esclarecimento de dúvidas e tratamento de divergências.
Clareza não elimina as dificuldades, mas reduz ambiguidades desnecessárias e cria referências comuns para a ação.
Também permite que a cobrança seja mais objetiva. Em vez de recorrer a julgamentos pessoais, a conversa pode se concentrar nas expectativas acordadas, nos fatos observados, nos impactos e nas medidas necessárias para corrigir o que não está funcionando.
A liderança precisa lidar com pessoas, mas também com as relações e com o sistema em que essas pessoas estão inseridas.
Inteligência emocional, relacional e coletiva: competências que se complementam
A inteligência emocional contribui para reconhecer emoções, regular reações e evitar que a pressão se transforme em impulsividade, agressividade ou decisões precipitadas.
A inteligência relacional amplia essa capacidade para a qualidade das interações: escutar, formular perguntas, comunicar expectativas, reconhecer diferentes perspectivas, negociar divergências e construir confiança.
Já a inteligência coletiva permite mobilizar conhecimentos e experiências diferentes para compreender problemas, tomar decisões e alcançar objetivos compartilhados.
Essas competências se complementam e são temas recorrentes nas minhas conversas com líderes durante as mentorias. Desenvolvê-las, porém, não significa eliminar os desafios ou garantir que não haverá conflitos.
Divergências fazem parte da vida organizacional. O desafio está na maneira como lidamos com elas: se as ignoramos, personalizamos ou transformamos em disputas que prejudicam a cooperação, ou se as tratamos com maturidade, respeito e disposição para encontrar soluções.
Uma conversa difícil, conduzida com respeito e objetividade, pode esclarecer expectativas, corrigir comportamentos, recuperar alinhamentos e prevenir problemas maiores. Mas também é necessário distinguir um episódio pontual de uma condição organizacional recorrente:
- Se várias pessoas relatam sobrecarga, por exemplo, talvez seja necessário rever o dimensionamento da equipe, os prazos, a distribuição das demandas ou as prioridades estabelecidas.
- Se conflitos entre áreas se repetem, pode haver metas contraditórias, processos fragmentados ou ausência de responsabilidades compartilhadas.
- Se os profissionais evitam apresentar problemas, talvez seja preciso examinar como erros, discordâncias e pedidos de ajuda são recebidos.
A prevenção efetiva exige olhar além dos episódios individuais e identificar os fatores que podem estar produzindo ou agravando os riscos.
A responsabilidade também é organizacional
A gestão humanizada não pode depender exclusivamente da boa intenção ou do estilo pessoal de um gestor. Precisa estar sustentada por práticas organizacionais coerentes, responsabilidades definidas, canais de comunicação, critérios de decisão, processos de prevenção e mecanismos de acompanhamento.
É aqui que a governança ganha relevância.
Quando a organização estabelece objetivos estratégicos claros, define responsabilidades, acompanha riscos, avalia resultados e promove coerência entre discurso e prática, cria condições para que a liderança exerça seu papel com mais segurança e consistência.
Isso exige uma visão integrada do negócio, considerando objetivos, estratégia, processos, tecnologia, cultura, comportamento, governança e relações humanas.
A NR-1 reforça a importância de identificar, avaliar e prevenir os riscos psicossociais relacionados ao trabalho. Essa responsabilidade não se resume a orientar o gestor a ter mais cuidado ao falar com sua equipe. Também envolve examinar como o trabalho está organizado, como as demandas são distribuídas, quais recursos estão disponíveis e como as relações e as práticas de gestão podem contribuir para situações de risco.
Os resultados financeiros e operacionais continuam sendo fundamentais. Mas precisamos analisá-los em conjunto com a qualidade das entregas, a recorrência de problemas, o desenvolvimento das pessoas, a sobrecarga, o engajamento e os riscos associados à forma como o trabalho está organizado.
O objetivo não é substituir indicadores de desempenho por indicadores humanos. É compreender como ambos se relacionam e o que revelam sobre a sustentabilidade do modelo de gestão.
A liderança não precisa escolher entre ser humana e ser firme
Talvez a reflexão mais importante seja esta: a humanização não enfraquece a liderança. Quando bem compreendida e praticada, pode torná-la mais consciente, coerente e eficaz.
É possível estabelecer metas desafiadoras sem humilhar. Corrigir falhas sem desqualificar pessoas. Tomar decisões difíceis sem desconsiderar seus impactos. Exigir responsabilidade sem ignorar as condições necessárias para que o trabalho seja realizado.
Também é possível reconhecer que nem todo problema pode ser resolvido apenas com diálogo ou boa vontade. Alguns exigem mudanças de processo, revisão de metas, desenvolvimento de competências, decisões gerenciais e, quando necessário, medidas formais.
O que faz a diferença é a capacidade de agir com critérios claros, respeito, responsabilidade e visão do todo.
Liderar não é deixar de cobrar. É criar clareza sobre o que precisa ser entregue, oferecer condições para que isso aconteça, acompanhar os resultados, corrigir desvios com respeito e assumir a responsabilidade pelas decisões e pelo ambiente de trabalho que ajudamos a construir.
Porque uma organização não se torna mais forte quando deixa de exigir. Torna-se mais preparada quando consegue combinar exigência, desenvolvimento, prevenção e cooperação.
E talvez a pergunta que mereça orientar essa reflexão seja:
Estamos preparando líderes para terem medo de cobrar ou para saberem liderar com clareza, maturidade, responsabilidade e humanidade?
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Até a próxima reflexão!
Graziela Heusser Azeredo
https://www.linkedin.com/in/grazielaheusserazeredo/
Confira também: O Que a Teoria Não Conta Sobre Liderar Pessoas
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Participe da Conversa
Quem Controla a Sua Vontade e o Seu Discurso?
Existem perguntas que parecem demonstrar interesse genuíno, mas que, em determinadas situações, podem funcionar como verdadeiras armadilhas discursivas.
Em vez de abrir espaço para uma conversa produtiva, elas deslocam o foco do problema e fazem com que uma pessoa passe a se defender, justificar suas escolhas ou aceitar uma premissa que não teve a discussão devida.
Ao revisitar a chamada dialética erística de Arthur Schopenhauer, podemos compreender melhor algumas estratégias utilizadas em disputas nas quais o objetivo principal não é necessariamente alcançar a verdade, mas parecer estar com a razão. Neste texto, utilizarei a expressão “deslocamento da vontade” como uma formulação própria para descrever esse movimento, que está na alteração do foco de uma conversa para um espaço em que condições impostas pelo outro levam o interlocutor a abandonar o tema central e a reagir a elas.
Quem nunca participou de uma reunião corporativa, de uma negociação difícil ou mesmo de uma conversa familiar em que a cordialidade aparente escondia uma disputa? Na superfície, o tom pode ser de conselho, preocupação ou curiosidade. No entanto, em certas situações, a conversa se transforma em uma tentativa de obter vantagem, preservar o próprio ego ou conduzir o outro a uma posição de submissão.
Para compreender melhor esse fenômeno, podemos recorrer a Arthur Schopenhauer (1788–1860), especialmente à sua reflexão sobre a dialética erística, apresentada na obra conhecida em português como “A arte de ter razão”. A dialética erística não deve ser confundida com a busca desinteressada pela verdade. Ela diz respeito às estratégias empregadas em uma disputa para defender uma posição e aparentar razão, inclusive quando os argumentos utilizados não são suficientes para demonstrá-la.
Em “O mundo como vontade e representação”, Schopenhauer desenvolve uma concepção filosófica na qual a vontade ocupa uma posição fundamental.
Sua análise não trata apenas de desejos conscientes ou de decisões profissionais, mas de um princípio metafísico amplo, relacionado à própria estrutura da realidade. Por isso, seria impreciso afirmar que Schopenhauer criou uma teoria específica sobre reuniões corporativas ou sobre manipulação psicológica no ambiente de trabalho.
Ainda assim, alguns aspectos de sua filosofia podem ser utilizados como ponto de partida para refletir sobre conflitos discursivos contemporâneos. No cotidiano das organizações, nos processos de mentoria e nas relações pessoais, certas perguntas podem alterar o centro da conversa. O interlocutor deixa de debater o mérito de uma proposta e passa a questionar a competência, a coragem, a lealdade ou o estado emocional de quem apresentou a ideia.
É esse movimento que chamarei, neste artigo, de deslocamento da vontade: uma mudança retórica pela qual o debate abandona os fatos e passa a girar em torno da necessidade de o outro se justificar.
5 perguntas capciosas que podem mudar o rumo de uma conversa
As cinco perguntas a seguir não constituem uma lista formulada por Schopenhauer, mas são exemplos contemporâneos, elaborados para ilustrar formas recorrentes de pressão discursiva. As respostas sugeridas também são propostas práticas de comunicação assertiva, e não recomendações retiradas das obras do filósofo.
1. A falsa preocupação preventiva: “Você tem certeza de que está preparado(a) para assumir esse risco?”
A possível armadilha: a pergunta pode ser feita de maneira legítima, especialmente quando existe um risco concreto que precisa ser analisado. No entanto, também pode ser utilizada para plantar uma dúvida genérica sem apresentar informações objetivas. O problema não está na preocupação com o risco, mas na ausência de especificidade. Que risco está sendo considerado? Qual é a probabilidade de ocorrer? Quais são as consequências? Existem medidas de prevenção?
Uma resposta possível: Em vez de responder impulsivamente ou listar todas as suas credenciais, peça precisão e comente: “O risco foi mapeado. Qual aspecto específico do plano você gostaria de examinar?”. Essa resposta desloca a conversa da insegurança genérica para dados concretos. Uma preocupação legítima pode ser transformada em uma análise útil, já a insinuação vaga perde força quando precisa ser sustentada por fatos.
2. A falsa escolha binária: “Ou você segue por este caminho ou vai demonstrar total falta de compromisso com a empresa?”
A possível armadilha: Essa formulação apresenta apenas duas alternativas e associa uma delas a uma acusação moral. A pessoa deixa de discutir o plano e passa a tentar provar que é comprometida. Em processos de decisão, entretanto, nem sempre existem apenas duas opções. Podem existir alternativas intermediárias, ajustes de prazo, testes-piloto, divisão de responsabilidades ou formas diferentes de alcançar o mesmo objetivo.
Uma resposta possível: “Essa não precisa ser uma escolha binária. Podemos examinar outras alternativas que preservem o objetivo e reduzam os riscos.” A resposta não precisa atacar o interlocutor. Basta recusar a premissa de que só existem duas possibilidades. Uma decisão mais cuidadosa pode considerar outras opções antes de concluir.
3. A transferência do foco para o estado emocional: “Por que você está tão na defensiva em relação a isso?”
A possível armadilha: Essa pergunta pode ser a tentativa de compreender uma reação emocional, mas também pode deslocar o foco do argumento para o comportamento de quem fala. Se a pessoa responde imediatamente — “Eu não estou na defensiva!” — a conversa pode se concentrar no tom de voz, na expressão facial ou na suposta irritação, deixando o tema original em segundo plano.
Uma resposta possível: “Estou tratando dos fatos do projeto. Podemos voltar ao mérito técnico da proposta?” Essa formulação não exige negar a própria emoção nem transformar o diálogo em uma disputa sobre quem está mais alterado. Ela simplesmente recoloca o assunto principal no centro da conversa. Se o ambiente estiver muito tenso, uma pausa também pode ser apropriada, retomando a conversa em outro momento. O silêncio, nesse caso, não precisa ser interpretado como uma técnica criada por Schopenhauer. Ele pode ser apenas uma escolha prudente para evitar a resposta impulsiva.
4. A utilização de fracassos passados: “Isso não lembra aquela vez em que sua estratégia deu errado?”
A possível armadilha: Experiências anteriores podem fornecer informações importantes. O problema surge quando utilizamos um episódio passado como desqualificação automática de uma proposta atual. Nenhum projeto é idêntico a outro. Pessoas, recursos, prazos, condições econômicas e objetivos podem ter mudado. Por isso, precisamos analisar o passado, mas não transformá-lo automaticamente em sentença sobre o presente.
Uma resposta possível: “A experiência anterior traz aprendizados importantes. Ainda assim, precisamos avaliar o cenário atual com base nas condições e nos dados disponíveis.” Essa resposta reconhece o histórico sem reabrir a discussão sobre o fracasso anterior nem permitir que ele encerre o debate sobre a proposta atual. O fracasso anterior pode indicar riscos, mas não prova, por si só, que a proposta atual também fracassará. E com fatos e argumentos novos é possível fugir da armadilha.
5. A busca por uma rendição simbólica: “No fundo, você não vai admitir que eu tinha razão desde o início?”
A possível armadilha: Essa pergunta pode transformar uma divergência profissional em uma disputa pessoal. Em vez de examinar os argumentos, ela exige uma espécie de rendição simbólica, com o reconhecimento de que uma pessoa estava certa e, a outra, errada. Em muitas situações, porém, o objetivo não deveria ser estabelecer um vencedor absoluto, pois a conversa pode revelar que cada lado identificou aspectos diferentes do problema ou que a melhor decisão depende de informações ainda não disponíveis.
Uma resposta possível: “Não vejo a situação dessa forma. Podemos avaliar quais argumentos permanecem válidos e quais precisam ser revistos.” Ou, se a conversa já não estiver produtiva, outra resposta possível é: “Não vamos avançar enquanto o debate continuar nesses termos. Podemos retomá-lo em outro momento.” Essas respostas não procuram vencer a disputa. Elas estabelecem um limite e recusam a transformação de uma questão profissional em uma competição de egos.
O que essas situações têm em comum?
As cinco perguntas capciosas apresentadas não são, por si só, sempre manipuladoras. Seu significado depende do contexto, da intenção e da forma como as utilizamos. Perguntar sobre riscos pode ser responsabilidade, assim como questionar uma reação emocional pode ser a tentativa legítima de compreender o outro. E relembrar um fracasso pode ajudar a evitar a repetição de erros. Porém, o problema crítico aparece quando usamos essas perguntas sem dados, sem abertura para respostas e com o objetivo de desqualificar o interlocutor ao invés de examinar a questão.
Por isso, antes de classificar uma pergunta como uma armadilha, vale observar alguns sinais:
- o interlocutor está discutindo o problema ou atacando a pessoa?;
- há fatos concretos ou apenas insinuações?;
- a pergunta permite uma resposta real ou já contém uma acusação?;
- existem outras alternativas além das apresentadas?, e;
- a conversa está conduzindo a uma solução ou apenas a uma disputa por superioridade?
Essas perguntas ajudam a recuperar o controle de uma conversa sem transformar toda divergência em uma batalha psicológica. Em “Aforismos para a sabedoria da vida”, Schopenhauer reflete sobre a importância de preservar a tranquilidade, administrar o próprio tempo e não permitir que as circunstâncias externas determinem inteiramente o equilíbrio interior.
Essa reflexão pode ser aplicada, sempre com as devidas adaptações, às nossas interações profissionais.
Não significa permanecer indiferente, aceitar abusos ou evitar qualquer confronto, mas sim escolher com mais cuidado quais enfrentamentos merecem aplicação de energia, quais exigem esclarecimentos e quais devemos interromper. A serenidade não consiste em deixar de reagir, mas em não entregar automaticamente ao outro o controle da própria reação.
Portanto, da próxima vez que uma pergunta capciosa surgir em uma reunião ou conversa profissional, faça uma pausa. Respire. Identifique a premissa contida na pergunta e decida se ela merece ser aceita. Talvez seja necessário responder com dados. Talvez seja melhor pedir uma definição mais precisa.
Em algumas situações, precisamos estabelecer um limite ou adiar a conversa. A maior vitória em um debate não é necessariamente fazer o outro admitir que você está certo. Às vezes, é preservar a clareza, proteger o próprio tempo e não transformar uma conversa difícil em uma guerra verbal.
Eu sou Mario Divo e você me encontra pelas mídias sociais ou em www.mariodivo.com.br.
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Quer saber mais sobre a dialética erística de Schopenhauer e como identificar perguntas capciosas para responder com firmeza sem perder o controle da conversa? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
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Referências bibliográficas
- SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e representação. Tradução de Jair Barboza. São Paulo: UNESP, 2005.
- SCHOPENHAUER, Arthur. A arte de ter razão: exposta em 38 estratagemas. Tradução de Olavo de Carvalho. Rio de Janeiro: Topbooks, 1997.
- SCHOPENHAUER, Arthur. Aforismos para a sabedoria de vida. Tradução de Rômulo Argentière. São Paulo: Edipro, 2022.
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Conversas Difíceis Precisam Acontecer Mais Cedo: A Coragem de Liderar com Empatia, Consciência e Responsabilidade
Você costuma evitar conversas difíceis para preservar as relações ou para não entrar em contato com seus próprios desconfortos?
Nos últimos 15 anos trabalhando com a CNV, a Segurança Psicológica, Resiliência e Regulação Emocional junto às lideranças, tenho observado e refletido sobre como as lideranças evitam as conversas difíceis quando seriam necessárias. Às vezes, isso acontece por receio de magoar alguém, de gerar conflitos, de não sermos compreendidos, de criar desconfortos, de sermos rejeitados pelo time ou até mesmo de comprometer uma relação que consideramos importante.
Mas aí trago a pergunta: Será que o silêncio realmente preserva as relações?
Ao longo da minha trajetória no desenvolvimento de lideranças, tenho observado que muitos conflitos não começam necessariamente pelas diferenças entre as pessoas, mas pela maneira como interpretamos essas diferenças e, principalmente, pelo que deixamos de conversar.
O fato de algo não ser dito não significa que deixou de existir. Muitas vezes, permanece dentro de nós, alimentando julgamentos, expectativas, frustrações e histórias que construímos sobre o comportamento do outro. E, se isso acontece dentro da equipe, o elefante entra na sala, gerando um clima de suspense e incerteza.
E, quando finalmente decidimos conversar, já não estamos falando apenas sobre o que aconteceu. Trazemos uma bagagem emocional construída ao longo do tempo, e a conversa sai do fato e acaba indo para as pessoas. Daí, tudo se perde.
Não fomos ensinados a enfrentar os problemas com argumentação, e sim a obedecer e pronto. Quem nunca ouviu os pais dizerem: “Estou mandando fazer e pronto. Não tenho que te dar explicação.” Ou viveu uma situação assim: “Mãe, preciso conversar com você.” Daí, a resposta: “Fala logo, que não tenho tempo a perder com bobagens.” “E desde quando criança ou adolescente precisa conversar? Precisa fazer o que é certo.” Mas o que é certo?
Daí, quando nos tornamos adultos, não sabemos como ter conversas difíceis, nos esquivamos e acabamos criando a crença de que ter uma conversa difícil termina a relação. Isso já aconteceu com você?
A Comunicação Não Violenta nos apresenta uma maneira de compreender as relações humanas a partir da conexão com os sentimentos e necessidades que estão presentes em nossos comportamentos e, dessa forma, reconhecer que, por trás de uma atitude que nos incomoda, existem necessidades humanas que merecem ser compreendidas, ainda que não concordemos com a maneira como foram expressas.
Na liderança, essa compreensão transforma a maneira como conduzimos as conversas. Imagine um líder que percebe que um colaborador não está cumprindo os acordos estabelecidos. Em vez de conversar sobre os fatos, ele começa a construir julgamentos: “Ele não está comprometido”, “Não posso confiar nele”, “Preciso cobrar tudo o tempo inteiro”.
Daí começa o famoso círculo vicioso da culpa. Nesse momento, o líder não está observando um comportamento, e sim atribuindo significados e intenções ao outro, sem necessariamente compreender o que está acontecendo. Nesse sentido, a CNV nos convida a fazer uma distinção fundamental: observações x julgamentos moralizadores.
Quando conseguimos separar o que aconteceu da história que contamos sobre o acontecimento, ampliamos nossa capacidade de dialogar.
Mesmo diante dessa situação, o líder poderia fazer da seguinte maneira:
“Percebi que, nas últimas duas semanas, não conseguimos cumprir os prazos que combinamos. Estou preocupado porque precisamos de previsibilidade para organizar as entregas da equipe. Gostaria de compreender o que está acontecendo e pensar com você em como podemos melhorar esses acordos.”
Observem que a responsabilidade pela entrega continua existindo. A diferença está na maneira como a conversa é conduzida.
Nesse diálogo, não eliminamos a necessidade de responsabilização; buscamos responsabilizar sem desumanizar.
Existe uma confusão sobre a segurança psicológica e precisamos esclarecer que ela é do ambiente e não das pessoas.
Muitas pessoas ainda acreditam que, quando falamos em segurança psicológica, estamos falando de ambientes onde todos precisam concordar, onde não existem cobranças ou onde as conversas devem ser sempre agradáveis. Ledo engano.
A segurança psicológica (SP) nos ajuda a compreender a importância de criar ambientes nos quais as pessoas possam se expressar, fazer perguntas, reconhecer erros e apresentar opiniões divergentes sem medo de humilhação ou punição interpessoal. E o extraordinário é quando encontramos a conexão entre a SP e a CNV.
A segurança psicológica cria condições para que as pessoas tenham coragem de falar, enquanto a Comunicação Não Violenta contribui para que saibamos como falar e, principalmente, como escutar. Vale lembrar que a base da Segurança Psicológica é a CNV.
Não basta uma liderança afirmar que sua porta está sempre aberta se, quando alguém apresenta uma preocupação, sua primeira reação é justificar, interromper, desqualificar ou procurar culpados. A segurança psicológica é construída pelas pequenas interações do cotidiano, especialmente quando alguém traz uma informação que não gostaríamos de ouvir.
É relativamente fácil escutar quando concordamos. O desafio começa quando aquilo que ouvimos contraria nossas expectativas, valores ou interpretações. E é justamente nesse momento que precisamos desenvolver nossa consciência emocional.
Antes de conversar com o outro, precisamos aprender a conversar conosco. Isso é autoempatia. É o pilar fundamental para as conversas difíceis e para transformar os conflitos.
Como posso escutar verdadeiramente o outro se não consigo reconhecer o que está acontecendo dentro de mim?
Quando uma liderança percebe que está irritada, frustrada ou decepcionada, existe uma oportunidade de compreender quais necessidades estão presentes nessas emoções. Talvez ela precise de confiança, colaboração, reconhecimento, clareza ou comprometimento.
Reconhecer as necessidades não significa transferir ao outro a responsabilidade pelos nossos sentimentos, pois, na verdade, o outro é apenas o estímulo e nunca a causa do que sentimos. E isso traz para cada um de nós a importância de assumir a responsabilidade pela maneira como escolhemos nos expressar.
Se olharmos à luz da neurociência, podemos observar que em situações percebidas como ameaçadoras, nossas respostas emocionais e fisiológicas podem dificultar a escuta, a flexibilidade cognitiva e a capacidade de considerar outras perspectivas. Por isso, a pausa consciente antes de uma conversa pode ser tão importante.
Daí vai uma dica: a respiração em 6 segundos. Essa respiração não é para reprimir emoções, mas para reconhecê-las, para que não determinem automaticamente nossos comportamentos. E saibam que, durante as situações, sejam elas positivas ou negativas, sentimentos positivos e negativos estão presentes no mesmo instante, e cabe a nós escolher a qual daremos mais ênfase.
Dessa forma, a autorresponsabilidade começa quando compreendemos que nem sempre escolhemos o que sentimos, mas podemos desenvolver consciência sobre como respondemos ao que sentimos.
Conversar mais cedo também é uma forma de cuidar das relações
Costumamos associar o cuidado à gentileza, ao acolhimento e à compreensão. Entretanto, cuidar de uma relação também significa ter coragem de abordar aquilo que está comprometendo a confiança, a colaboração e o desenvolvimento das pessoas. Adiar uma conversa necessária pode parecer uma escolha confortável no presente, mas frequentemente amplia o desconforto no futuro. Quando deixamos de conversar sobre os assuntos difíceis, podemos permitir que pequenas situações se transformem em interpretações negativas, afastamentos e conflitos mais difíceis de transformar.
Diante das conversas difíceis, precisamos distinguir pedidos de exigências e o exercício do “poder sobre” da construção do “poder com”. O “poder sobre” está associado à imposição, ao controle e ao uso da autoridade para conseguir obediência, enquanto o “poder com” reconhece a importância da colaboração, do diálogo e da construção de acordos, sem eliminar as responsabilidades inerentes aos diferentes papéis.
Uma liderança que exerce o “poder com” não deixa de estabelecer limites, acompanhar resultados ou tomar decisões difíceis. Ela compreende que a maneira como exerce sua autoridade influencia diretamente a confiança e a qualidade das relações.
A liderança começa pela qualidade das relações que construímos
Lideranças são seres humanos lidando com seres humanos. E cada pessoa chega às organizações trazendo sua história, suas experiências, suas crenças, seus medos, suas expectativas e suas necessidades. Quando esquecemos essa dimensão humana, corremos o risco de transformar pessoas em indicadores, comportamentos em rótulos e conversas em cobranças.
Tudo bem que as organizações precisam chegar aos resultados, mas a base para qualquer resultado são as relações. Sem elas, há retrabalho: as pessoas escondem informações, não se ajudam, não assumem riscos e os resultados sofrem uma grande queda.
Por isso, desenvolver lideranças também representa ajudá-las a reconhecer seus julgamentos, ampliar sua capacidade de escuta, compreender suas emoções e construir relações em que confiança e responsabilidade possam caminhar juntas.
Afinal, por que precisamos conversar mais cedo? Porque…
- Uma conversa realizada com consciência, clareza e respeito pode evitar que um desconforto se transforme em ressentimento.
- A confiança não se fortalece apenas quando concordamos, mas também quando conseguimos atravessar nossas diferenças com respeito.
- A segurança psicológica não significa proteger as pessoas de qualquer desconforto, mas construir ambientes nos quais seja possível enfrentar questões difíceis sem comprometer a dignidade humana.
- A Comunicação Não Violenta nos ensina que podemos ser firmes sem sermos agressivos, empáticos sem sermos permissivos e responsáveis sem recorrermos à culpabilização.
Talvez o maior desafio das lideranças não seja aprender a ter conversas difíceis, mas compreender o que acontece dentro de si antes, durante e depois dessas conversas.
Conversar mais cedo é um exercício de vulnerabilidade e de consciência, além de contribuir para a construção de um ambiente em que as pessoas possam falar e escutar com mais abertura. É também um exercício diário de liderança.
Fica uma pergunta para você:
Quantas conversas você tem adiado acreditando que está preservando uma relação, quando, na verdade, o silêncio pode estar comprometendo a confiança que deseja construir?
Talvez a transformação das relações comece justamente quando encontramos coragem para conversar sobre aquilo que ainda não conseguimos escutar.
Compartilhe este artigo com outros profissionais e reflita: que conversa você precisa ter hoje?
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Quer saber mais sobre como conduzir conversas difíceis com empatia, fortalecer a segurança psicológica e construir relações de confiança sem abrir mão da responsabilidade na liderança? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em conversar a respeito.
Um grande abraço e até o próximo artigo!
Wania Moraes Troyano
Especialista em Resiliência Científica e Neurociências
http://www.waniamoraes.com.br/
Confira também: Poder Sobre ou Poder Com? A Liderança que Controla ou Constrói
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Conexão e Confiança: Os Alicerces para Educar Filhos Emocionalmente Saudáveis
Mais do que corrigir comportamentos, educar é construir uma relação de confiança que ajude as crianças a desenvolverem habilidades para a vida.
Toda mãe e todo pai desejam que seus filhos cresçam confiantes, corajosos, responsáveis, comprometidos, honestos, éticos e respeitosos. Esperamos que construam bons relacionamentos, façam escolhas conscientes, encontrem satisfação em suas realizações e sejam felizes.
Também desejamos que desenvolvam inteligência emocional: que sejam capazes de reconhecer e administrar as próprias emoções, compreender os sentimentos das outras pessoas e estabelecer relações saudáveis. Que entendam o impacto de suas atitudes, assumam a responsabilidade por suas escolhas e se tornem protagonistas da própria história.
Mas, diante de tantos desejos e expectativas, uma pergunta merece nossa atenção: como e, principalmente, em quais momentos ensinamos essas habilidades aos nossos filhos?
Muitas vezes, não percebemos que as situações mais desafiadoras da rotina familiar são justamente as que oferecem as melhores oportunidades de aprendizagem. É nos momentos de frustração, diante de um conflito, de uma birra ou de uma atitude inadequada que podemos ensinar valores, desenvolver habilidades e fortalecer a relação de confiança com nossos filhos.
A educação não acontece apenas quando tudo está bem. Ela também, e especialmente, acontece quando surgem dificuldades.
Educar é muito mais do que corrigir comportamentos
Como mães e pais, temos a responsabilidade de educar, orientar e preparar nossos filhos para a vida. Nesse processo, a disciplina ocupa um papel fundamental. Entretanto, é importante compreender seu verdadeiro propósito.
A curto prazo, disciplinar significa ajudar a criança a cooperar, respeitar limites e tomar decisões mais adequadas. A longo prazo, significa capacitá-la para lidar com os desafios, as frustrações e as responsabilidades que encontrará ao longo da vida.
Portanto, disciplina não deve ser confundida com punição, obediência incondicional ou controle. Seu propósito é ensinar.
Podemos fazer isso por meio de uma educação que combine conexão, respeito, afeto, firmeza e consistência. Uma abordagem que reconheça as necessidades da criança, sem deixar de estabelecer limites e orientar suas atitudes.
Os primeiros aprendizados acontecem nos relacionamentos
As relações que estabelecemos com nossos filhos representam uma referência importante para o desenvolvimento de sua identidade, autoestima e maneira de se relacionar consigo mesmos e com o mundo.
Desde os primeiros anos de vida, as interações com pais e cuidadores participam da construção e do fortalecimento de conexões neurais relacionadas à regulação emocional, à cognição, à linguagem e à memória.
Quando a criança encontra adultos sensíveis às suas necessidades, que conseguem reconhecer seus sinais, compreender seus estados emocionais e responder de maneira adequada, tem melhores condições de desenvolver um vínculo de apego seguro.
Essa sensibilidade parental não significa atender a todos os desejos ou evitar qualquer desconforto. Significa estar disponível para reconhecer o que a criança necessita em cada momento e oferecer assim respostas compatíveis com suas necessidades de desenvolvimento.
Ao sentir que pode contar com seus cuidadores, a criança encontra segurança para explorar o ambiente, experimentar novas possibilidades e desenvolver autonomia. Sabe que existe uma base de apoio à qual pode recorrer sempre que precisar.
É justamente essa segurança que favorece a construção da independência. Afinal, crianças que se sentem seguras em seus relacionamentos encontram melhores condições para explorar o mundo.
Crianças se comportam como crianças: a importância de compreender o desenvolvimento infantil
Um dos grandes desafios da parentalidade é reconhecer que as crianças ainda estão desenvolvendo as habilidades que, muitas vezes, esperamos que apresentem.
Com os avanços da neurociência, ampliamos nosso conhecimento sobre o desenvolvimento cerebral e passamos assim a compreender melhor a relação entre maturação, comportamento e capacidade de autorregulação.
Habilidades como planejamento, controle dos impulsos, tomada de decisão, autopercepção e empatia dependem do desenvolvimento de diferentes regiões cerebrais, especialmente das funções executivas associadas ao córtex pré-frontal. Essas capacidades amadurecem gradualmente e continuam se desenvolvendo ao longo da infância e da adolescência.
Isso significa que nem todo comportamento desafiador representa uma provocação deliberada, uma tentativa de desobedecer ou uma escolha consciente da criança.
Em determinadas situações, ela simplesmente ainda não dispõe dos recursos emocionais e cognitivos necessários para que possa responder de outra maneira.
Compreender essa realidade muda nossa forma de educar. Em vez de interpretar toda dificuldade como desobediência, podemos investigar o que está por trás daquele comportamento e identificar qual habilidade precisa ser ensinada.
Isso não significa aceitar comportamentos inadequados ou deixar que o tempo resolva tudo. Significa reconhecer que a criança precisa de orientação, oportunidades de aprendizagem e experiências que a ajudem a desenvolver novas respostas.
O comportamento desafiador deixa, assim, de ser apenas um problema a ser interrompido e passa a ser também uma oportunidade de desenvolvimento.
Como fortalecer a conexão e construir uma relação de confiança?
A confiança não se estabelece por meio de discursos ou de momentos isolados. Ela é construída nas pequenas interações do cotidiano, na maneira como escutamos, acolhemos, orientamos e nos posicionamos diante de nossos filhos.
Algumas atitudes contribuem especialmente para esse processo:
1. Esteja emocionalmente presente.
Mais do que compartilhar o mesmo espaço físico, é importante estar verdadeiramente disponível. Demonstrar interesse pelo que a criança sente, pensa e vivencia fortalece o vínculo e transmite a mensagem de que ela é importante.
2. Cultive um ambiente familiar acolhedor e seguro.
A criança precisa saber que pode expressar suas emoções, cometer erros e compartilhar suas dificuldades sem medo de ser humilhada, rejeitada ou desvalorizada. Segurança emocional não significa ausência de limites, mas a certeza de que o amor e o respeito permanecem mesmo diante dos conflitos.
3. Pratique a escuta ativa e valorize o diálogo.
Ouvir não significa necessariamente concordar. Significa oferecer espaço para que a criança expresse suas opiniões, sentimentos e necessidades, ajudando-a a organizar pensamentos e compreender diferentes perspectivas. O diálogo orientador amplia sua capacidade de reflexão e participação nas decisões familiares.
4. Demonstre afeto, paciência e proximidade.
O cuidado cotidiano, a disponibilidade, o carinho e a atenção são manifestações importantes de amor. Quando se sentem valorizadas e respeitadas, as crianças desenvolvem maior segurança para estabelecer vínculos e assim confiar em suas próprias capacidades.
Essas atitudes não eliminam os conflitos, mas oferecem recursos para que sejam vivenciados de maneira mais construtiva.
Educar pelo exemplo: a coerência entre o que falamos e o que fazemos
As crianças aprendem continuamente por meio das relações e das experiências que vivenciam. Observam como os adultos reagem diante das dificuldades, como expressam suas emoções, como tratam as outras pessoas e como lidam com os próprios erros.
Por isso, a coerência entre discurso e comportamento é tão importante.
Não podemos exigir que nossos filhos sejam respeitosos se recorremos frequentemente à agressividade para corrigir suas atitudes. Não podemos esperar que aprendam a administrar a raiva se não conseguimos reconhecer e regular nossas próprias emoções.
Sem dúvida, somos referências importantes na construção de seus repertórios de comportamento.
Isso não significa que precisamos ser pais impecáveis. Significa reconhecer que nossas atitudes também educam e que temos a oportunidade de rever comportamentos, reparar erros e demonstrar, na prática, que aprender é um processo contínuo.
É possível educar com firmeza e afeto ao mesmo tempo. Limites e acolhimento não são conceitos opostos. Pelo contrário, quando caminham juntos, oferecem à criança referências consistentes para seu desenvolvimento.
Compartilhe este artigo com outros pais e responsáveis e vamos ampliar essa reflexão sobre o verdadeiro significado de educar.
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Quer saber mais sobre como educar filhos emocionalmente saudáveis, fortalecendo a conexão e a confiança, respeitando suas emoções e estabelecendo limites com afeto para que se tornem adultos mais seguros e preparados para a vida? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em conversar a respeito.
Danielle Vieira Gomes
http://daniellegomescoach.com.br/
Confira também: Ambiente que Você Cria Também Ensina: Segurança, Limites e Conexão na Primeira Infância
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Reta Final com Estratégia: Como Escolher Onde Colocar Sua Energia Profissional Antes de Virar o Ano
Outubro chega com uma sensação curiosa: o ano ainda não acabou, mas parece não ter tempo para tentar fazer tudo que o queremos.
É comum olhar para a lista de projetos, cursos, entre outros itens, e perceber que algumas coisas avançaram, outras ficaram pelo caminho e talvez outras nem façam mais sentido.
A reta final do ano pode ser menos sobre correr contra o tempo e mais sobre escolher, com mais consciência, onde vale direcionar energia.
Em um mercado cada vez mais marcado por tecnologia, novas competências e mudanças na forma de trabalhar, saber escolher onde colocar atenção virou uma competência de carreira.
Por isso, talvez a pergunta mais estratégica agora não seja “o que ainda dá tempo de fazer?”, mas sim: “o que merece minha energia neste momento?”
Para responder com mais clareza, vale usar um filtro simples: E.R.A.: Energia, Resultado e Aprendizado.
- Energia: isso me fortalece ou me drena neste momento?
- Resultado: isso contribui para uma direção profissional importante?
- Aprendizado: isso constrói repertório para o próximo ciclo?
Esse filtro pode ser aplicado a quase tudo. Por exemplo: um curso, uma candidatura, uma conversa de networking, uma mudança no LinkedIn, um projeto no trabalho ou até uma decisão que você vem adiando.
Se algo consome muita energia, entrega pouco resultado e não gera aprendizado, talvez seja hora de pausar, simplificar ou soltar. Se algo exige energia, mas fortalece uma direção importante e ainda gera aprendizado, merece espaço protegido na sua agenda.
Essa é a diferença entre estar ocupada(o) e estar em movimento com estratégia.
Para quem está em recolocação profissional, por exemplo, a reta final pode ser um bom momento para revisar a qualidade das candidaturas, ajustar currículo e LinkedIn, mapear vagas-alvo e fortalecer a narrativa profissional.
E, para quem quer crescer onde está, talvez a pergunta seja: quais entregas deste ano demonstram meu valor? O que preciso registrar, comunicar melhor ou transformar em visibilidade profissional?
A inteligência artificial pode ajudar bastante nesse processo, desde que seja usada com intenção. Você pode pedir apoio para organizar aprendizados do ano, transformar experiências em evidências para o currículo, revisar seu LinkedIn, estruturar um plano de 60 dias ou comparar competências que aparecem nas vagas que deseja.
O ponto não é terceirizar sua decisão, mas ganhar clareza para decidir melhor.
Um exercício prático para esta semana: escolha três itens da sua lista profissional e passe cada um pelo filtro E.R.A. Depois, classifique em três grupos: entra agora, espera um pouco ou sai da lista.
Esse movimento parece simples, mas muda a forma como você atravessa a reta final do ano. Em vez de tentar recuperar tudo no impulso, você começa a construir uma ponte mais consciente entre o ano que está terminando e o próximo ciclo que se aproxima.
Planejar carreira não é apenas definir metas novas e sim aprender com o que já aconteceu. É reconhecer o que funcionou, ajustar o que precisa e escolher melhor o que merece continuidade.
A reta final não pede necessariamente mais pressa, pede mais presença para perceber o que sua carreira ensinou. Pede estratégia para escolher onde colocar sua energia e coragem para entender que soltar algumas coisas também pode ser um avanço.
O próximo ciclo não começa apenas em janeiro, mas quando você decide olhar para sua trajetória com menos cobrança e mais direção.
Desejo boas escolhas nesta reta final e um próximo ciclo vivido com mais consciência, estratégia e confiança.
Quer saber mais sobre como ter apoio para sua carreira, fortalecer sua narrativa profissional ou preparar seus próximos passos com mais estratégia, conte com a Despertar Carreiras para tornar esse caminho mais leve, claro e consistente?
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Natália Monetti
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Confira também: O Novo Plano de Carreira: Por que Competências, Experiências e Evidências Importam Mais do que Cargos
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Nem Todo Problema É Meu: Como Estabelecer Limites Saudáveis
O sentimento de responsabilidade nem sempre corresponde a uma responsabilidade real. E, no trabalho, essa confusão pode transformar colaboração em sobrecarga.
Certa vez, ouvi de uma cliente uma frase que ela costumava repetir com muito humor: “Você tem um problema comigo? Então venha buscar, porque ele é seu, não meu”. A frase provocava risadas, mas continha uma reflexão interessante sobre a maneira como assumimos problemas e responsabilidades que nem sempre nos pertencem.
Há pessoas que passam boa parte da vida tentando resolver as dificuldades dos outros. Preocupam-se com o que eles sentem, antecipam necessidades, procuram evitar conflitos e assumem a tarefa de manter tudo funcionando. Fazem isso com tanta naturalidade que, muitas vezes, já não percebem quanto de sua energia está sendo consumida nesse esforço.
Nem sempre esse comportamento resulta de uma escolha consciente. Ao longo da vida, aprendemos diferentes maneiras de conquistar afeto, reconhecimento e pertencimento. Para algumas pessoas, ser necessário torna-se uma forma de sentir-se valorizado. Para outras, evitar o desagrado alheio parece mais seguro do que enfrentar um conflito.
Há também quem tenha aprendido, muito cedo, que cuidar dos outros era uma obrigação, independentemente das próprias necessidades.
O sentimento de responsabilidade, entretanto, nem sempre corresponde a uma responsabilidade real. Podemos nos sentir responsáveis pela felicidade de alguém, pela solução de um conflito ou pelas escolhas de pessoas próximas, mesmo quando essas questões não estão sob nosso controle. E, ao tentar resolver tudo, podemos acabar impedindo que o outro enfrente suas próprias dificuldades e desenvolva autonomia.
Naturalmente, as relações humanas são mais complexas do que sugere a frase bem-humorada da minha cliente. Às vezes, somos parte do problema e precisamos reconhecer nossa responsabilidade. Em outras, apenas aceitamos uma carga que alguém depositou sobre nós. Distinguir essas situações exige compreender nossas motivações e reconhecer os limites de nossa participação na vida dos outros.
No mundo do trabalho, essas questões ganham contornos particulares.
As organizações valorizam profissionais disponíveis, colaborativos e capazes de encontrar soluções. Entretanto, quando a disposição para ajudar se transforma na obrigação de resolver tudo, a colaboração pode se converter em sobrecarga.
Há profissionais conhecidos como aqueles que sempre dão conta. Absorvem falhas de planejamento, assumem tarefas urgentes, solucionam conflitos e encontram maneiras de compensar a falta de recursos. Frequentemente, recebem reconhecimento por sua dedicação, reforçando justamente o comportamento que pode levá-los ao esgotamento.
A situação se agrava quando a própria organização transfere responsabilidades sem oferecer condições para exercê-las. Um gestor pode ser cobrado pelo bem-estar da equipe sem ter autonomia para modificar exigências que produzem sofrimento. Um profissional pode responder por resultados que dependem de decisões tomadas em outras áreas. Problemas estruturais passam, então, a ser tratados como dificuldades individuais.
Essas dinâmicas também encontram terreno favorável em pessoas cuja história as tornou particularmente sensíveis à necessidade de aprovação, ao medo de decepcionar ou à dificuldade de estabelecer limites. O encontro entre essas disposições individuais e uma cultura que recompensa a disponibilidade permanente pode produzir relações difíceis de modificar.
Aprender a dizer não pode ser importante, mas não resolve toda a questão.
Não basta recomendar limites individuais quando a organização continua dependendo de que eles sejam ultrapassados para que o trabalho aconteça. É necessário examinar também a distribuição das responsabilidades, a autonomia para tomar decisões e as condições concretas em que as atividades são realizadas.
Na vida pessoal ou profissional, reconhecer os limites da própria responsabilidade não significa indiferença. Podemos nos importar, oferecer ajuda e participar da busca de soluções sem assumir o lugar de quem precisa responder por suas escolhas. Da mesma maneira, precisamos reconhecer aquilo que efetivamente nos cabe, mesmo quando isso nos coloca diante de conflitos ou situações desconfortáveis.
Talvez o desafio esteja em aprender a participar das relações sem tentar controlar tudo o que acontece nelas. Cuidar não exige resolver a vida do outro, assim como comprometer-se com o trabalho não deveria significar assumir responsabilidades ilimitadas.
Nem todo problema é meu. Mas isso não significa que os problemas dos outros não me digam respeito. Entre a indiferença e a responsabilidade excessiva existe um espaço para o cuidado, a cooperação e o respeito à autonomia de cada um.
Para mais informações ou se quiser contratar meus serviços, então entre em contato pelo e-mail belfranchon@gmail.com.
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Quer saber mais sobre como estabelecer limites saudáveis sem transformar o cuidado com os outros e a colaboração no trabalho em sobrecarga? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Isabel C Franchon
https://www.q3agencia.com.br
Confira também: O Outro Ainda Cabe na Nossa Democracia?
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Sua Equipe Toma Decisões ou Apenas Confirma as Decisões Já Tomadas?
“Onde todos pensam igual, ninguém pensa.” (Walter Lippmann)
Há alguns anos, assisti à peça teatral 12 Homens e uma Sentença, baseada na obra de Reginald Rose. Esta lembrança me levou a rever no “streaming” o clássico filme de 1957, protagonizado por Henry Fonda.
Ao recordar aquela história, lembrei-me da frase de Walter Lippmann e de como ela continua atual, especialmente quando observamos a maneira como decisões importantes são tomadas dentro das organizações.
Afinal, quantas reuniões de diretoria ou de conselhos de administração são verdadeiros espaços de discussão e quantas servem apenas para confirmar decisões que já foram tomadas?
A trama se passa quase inteiramente em uma sala onde doze jurados precisam decidir o destino de um jovem acusado de assassinato. A decisão deve ser unânime e, em caso de condenação, o réu poderá ser sentenciado à morte.
Na primeira votação, onze jurados consideram o acusado culpado. Apenas um manifesta dúvidas.
O mais interessante é que esse jurado não afirma que o jovem é inocente. Ele simplesmente considera que uma decisão daquela gravidade exige uma análise mais cuidadosa das evidências apresentadas.
Sua posição provoca irritação nos demais, que desejam encerrar rapidamente a discussão. Alguns têm compromissos, outros estão convencidos de que as provas são suficientes e há aqueles cujas opiniões são influenciadas por experiências pessoais e preconceitos.
À medida que os argumentos são examinados, surgem inconsistências, novas interpretações e dúvidas que não haviam sido consideradas inicialmente.
A história oferece uma reflexão importante sobre a influência do grupo, a dificuldade de contrariar a maioria e a responsabilidade individual diante de decisões coletivas.
E o que tudo isso tem a ver com o mundo corporativo?
Quando a concordância substitui a discussão
Como CEO e CFO, participei de inúmeras reuniões de diretoria, comitês executivos e conselhos de administração, nas quais decisões relevantes precisavam ser tomadas, muitas vezes sob pressão e com informações incompletas.
Uma questão que sempre considerei importante é a qualidade das discussões que antecedem essas decisões. Imagine uma reunião em que o CEO apresenta uma proposta de investimento, uma mudança organizacional ou uma nova estratégia comercial e, logo em seguida, pergunta aos presentes o que pensam a respeito.
O primeiro executivo manifesta concordância, o segundo acrescenta alguns argumentos favoráveis e os demais seguem a mesma direção. Em poucos minutos, a proposta está aprovada.
Será que todos chegaram à mesma conclusão depois de analisar cuidadosamente as alternativas ou a posição inicial do CEO influenciou o comportamento dos demais?
É evidente que existem situações nas quais o consenso é resultado de uma análise consistente e de uma discussão bem conduzida. O problema surge quando a concordância é consequência da posição hierárquica de quem apresentou a proposta, do receio de contrariá-lo ou simplesmente da percepção de que a decisão já estava tomada.
Nessas circunstâncias, a reunião deixa de ser um espaço de discussão e passa a funcionar como um mecanismo de validação de decisões previamente estabelecidas.
E o mais preocupante é que o próprio líder pode não perceber o que está acontecendo.
O perigo do pensamento de grupo
O psicólogo Irving Janis estudou esse fenômeno e desenvolveu o conceito de groupthink, ou pensamento de grupo, para descrever situações em que a busca pela concordância e pela harmonia dentro de um grupo compromete a análise crítica das alternativas.
Quando isso acontece, argumentos contrários deixam de ser apresentados, riscos são minimizados e informações que poderiam questionar a posição predominante recebem menos atenção. Não necessariamente porque os participantes desconheçam esses riscos, mas porque percebem que discordar pode provocar desconforto ou consequências indesejadas e o resultado pode ser uma decisão aparentemente unânime, mas que não passou pelo exame crítico que sua importância exigia.
Na peça, o personagem que manifesta a primeira discordância não dispõe de informações privilegiadas nem demonstra possuir uma capacidade intelectual superior à dos demais. Sua contribuição está na disposição de examinar os fatos antes de aceitar uma conclusão que parecia evidente para todos; ele faz perguntas, questiona interpretações e apresenta possibilidades que não haviam sido consideradas.
Esse comportamento, tão importante para a qualidade das decisões, nem sempre é bem recebido nas organizações. Quantas vezes um executivo que questiona uma proposta é considerado resistente, pessimista ou pouco comprometido com os objetivos da empresa?
É claro que existe uma diferença entre questionar para contribuir e discordar sistematicamente de qualquer iniciativa. Mas uma organização que não consegue distinguir esses comportamentos corre o risco de afastar justamente as pessoas capazes de identificar problemas antes que eles se transformem em prejuízos.
O líder também é responsável pelo silêncio de sua equipe
Costumamos atribuir aos profissionais a responsabilidade de manifestar suas opiniões, defender seus argumentos e demonstrar coragem para discordar. Concordo com essa responsabilidade, mas considero que ela não pode ser analisada isoladamente.
O comportamento do líder exerce enorme influência sobre a disposição de sua equipe para participar das discussões. Não basta afirmar que todas as opiniões são bem-vindas ou que existe liberdade para discordar. O que realmente importa é a maneira como o líder reage quando alguém apresenta uma opinião contrária à sua.
Se a discordância é recebida com impaciência, ironia ou desqualificação, a equipe aprende rapidamente que o discurso de abertura não corresponde à prática. Por outro lado, quando o líder demonstra interesse genuíno pelos argumentos apresentados, faz perguntas e admite rever suas próprias conclusões, cria condições para discussões mais consistentes.
Isso não significa que todas as opiniões devam prevalecer ou que as decisões precisem ser tomadas por unanimidade. A responsabilidade final continua sendo de quem possui autoridade para decidir. Mas existe uma diferença importante entre ouvir os argumentos e decidir, e tomar uma decisão antes de ouvir os argumentos.
Aliás, considero particularmente importante que líderes experientes tenham cuidado ao manifestar suas preferências logo no início de uma discussão. Dependendo da cultura da organização e da relação estabelecida com a equipe, uma simples manifestação de preferência pode ser suficiente para limitar a apresentação de alternativas.
Em determinadas situações, ouvir primeiro e falar por último pode produzir discussões muito mais ricas.
Discordar não significa criar conflitos
Existe uma percepção equivocada de que equipes alinhadas são aquelas nas quais predominam a harmonia e a ausência de divergências. Na realidade, equipes maduras conseguem discutir posições diferentes sem transformar discordâncias profissionais em conflitos pessoais.
O respeito entre os participantes não exige concordância permanente, assim como a existência de opiniões divergentes não significa falta de comprometimento com os objetivos da organização. Pelo contrário, quando profissionais de diferentes áreas analisam uma decisão, é natural que apresentem preocupações distintas.
O diretor comercial pode estar concentrado nas oportunidades de crescimento, enquanto o CFO examina os impactos sobre a rentabilidade e o fluxo de caixa. O responsável pela produção pode questionar a capacidade operacional e o diretor de Recursos Humanos avaliar as consequências para as pessoas e para a organização.
Nenhuma dessas perspectivas, isoladamente, oferece uma compreensão completa do problema. É justamente a possibilidade de confrontá-las, com respeito e argumentos consistentes, que permite construir decisões melhores.
O importante é que, depois de uma discussão aberta e de uma decisão tomada, todos compreendam os motivos que levaram à escolha e assumam suas responsabilidades na execução.
Antes de buscar unanimidade, procure compreender as divergências
O que mais me marcou em 12 Homens e uma Sentença não foi simplesmente a coragem de um jurado para enfrentar a opinião dos demais, mas a maneira como uma posição inicialmente isolada levou todo o grupo a reexaminar suas convicções.
O personagem de Henry Fonda não exigiu que os outros concordassem com ele. Pediu apenas que considerassem a possibilidade de estarem equivocados. Essa disposição para questionar as próprias certezas é particularmente importante para quem ocupa posições de liderança.
Quanto maior a responsabilidade de um executivo, maior tende a ser a influência de suas opiniões sobre as pessoas ao redor. E, dependendo de como essa influência é exercida, menor pode se tornar sua exposição a argumentos que contrariem suas convicções.
Por isso, considero que um dos desafios dos líderes não é apenas formar equipes competentes, mas criar um ambiente no qual essas competências possam ser efetivamente utilizadas, inclusive quando seus integrantes discordam de quem está no comando.
Afinal, reunir profissionais experientes ao redor de uma mesa tem pouco valor se eles não se sentirem à vontade para apresentar aquilo que realmente pensam.
Na próxima vez em que uma proposta sua receber aprovação imediata e unânime, talvez valha a pena prolongar um pouco a discussão. Pergunte quais riscos ainda não foram suficientemente examinados, que alternativas poderiam ser consideradas e quais argumentos existem contra a decisão proposta. As respostas podem não modificar sua decisão, mas certamente contribuirão para que ela seja tomada com maior conhecimento de suas possíveis consequências. E, se ninguém apresentar qualquer objeção, resta uma pergunta:
Sua equipe concorda com você porque está convencida de seus argumentos ou porque aprendeu que discordar não vale a pena?
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Walter Serer
https://walterserer.com.br
https://www.linkedin.com/in/walter-serer-86717b20/
Confira também: De Gago a Grande Orador: O Que Demóstenes Pode Ensinar Sobre Desenvolvimento de Competências
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“O problema não é o problema.
O problema é sua atitude com relação ao problema.”
(Kelly Young)
Hoje, a tristeza me visitou. Tocou a campainha, subiu as escadas, bateu à porta e entrou. Não ofereci resistência. Houve um tempo em que eu fazia o impossível para evitá-la adentrar os meus domínios. E quando isso acontecia, discutíamos demoradamente. Era uma experiência desgastante. Aprendi que o melhor a fazer é deixá-la seguir seu curso. Agora, sequer dialogamos. Ela entra, senta-se na sala de estar, sirvo-lhe uma bebida qualquer, apresento-lhe a televisão e a esqueço! Quando me dou por conta, o recinto está vazio. Ela partiu, sem arroubos e sem deixar rastros. Cumpriu sua missão sem afetar minha vida.
Hoje, a doença também me visitou. Mas esta tem outros métodos. E outros propósitos. Chegou sem pedir licença, invadindo o ambiente. Instalou-se em minha garganta e foi ter com minhas amígdalas. A prescrição é sempre a mesma: Amoxicilina e Paracetamol. Faço uso destes medicamentos e sinto-me absolutamente prostrado! Acho que é por isso que os chamam de antibióticos. Porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida…
Hoje, problemas do passado também me visitaram. Não vieram pelo telefone porque palavras pronunciadas ativam as emoções apenas no momento e, depois, perdem-se difusas, levadas pela brisa. Vieram pelo correio, impressos em papel e letras de baixa qualidade, anunciando sua perenidade, sua condição de fantasmas eternos até que sejam exorcizados.
Diante deste quadro, não há como deixar de sentir-se apequenado nestes momentos. O mundo ao redor parece conspirar contra o bem, a estabilidade e o equilíbrio que tanto se persegue. O desânimo comparece estampado em ombros arqueados e olhos sem brilho, que pedem para derramar lágrimas de alívio. Então, choro. E o faço porque Maurice Druon ensinou-me, através de seu inocente Tistu, que se você não chora, as lágrimas endurecem no peito e o coração fica duro.
Limão e limonada
As ciências humanas estão sempre tomando emprestado das exatas, termos e conceitos. A última novidade vem da física e atende pelo nome de resiliência. Significa resistência ao choque ou a propriedade pela qual a energia potencial armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo.
Em humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo isso através de um dito popular, é fazer de cada limão, ou seja, de cada contrariedade que a vida nos apresenta, uma limonada saborosa, refrescante e agradável.
Aprendi que pouco adianta brigar com problemas. É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E com rapidez, de maneira certa ou errada. Problemas são como bebês, só crescem se alimentados. Muitos se resolvem por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma inadequada, eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você os anula com correção. A felicidade, pontuou Michael Jansen, não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados.
Aprendi a combater as doenças. As do corpo e as da mente. Percebê-las, identificá-las, respeitá-las e aniquilá-las. Muitas decorrem menos do que nos falta e mais do mau uso que fazemos do que temos. E a velocidade é tudo neste combate. Agir rápido é a palavra de ordem. Melhor do que ser preventivo é ser preditivo.
Aprendi a aceitar a tristeza. Não o ano todo, mas apenas um dia, à luz dos ensinamentos de Victor Hugo. O poeta dizia que “tristeza não tem fim, felicidade, sim”. Porém, discordo. Penso que os dois são finitos. E cíclicos. O segredo é contemplar as pequenas alegrias em vez de aguardar a grande felicidade. Uma alegria destrói cem tristezas…
Modismo ou não, tornei-me resiliente. A palavra em si pode cair no ostracismo, mas terá servido para ilustrar minha atitude cultivada ao longo dos anos diante das dificuldades impostas ou autoimpostas que enfrentei pelo caminho, transformando desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculos em oportunidades, tristeza em alegria.
Nós apreciamos o calor porque já sentimos o frio. Admiramos a luz porque já estivemos no escuro. Contemplamos a saúde porque já fomos enfermos. Podemos, pois, experimentar a felicidade porque já conhecemos a tristeza.
Olhe para o céu, agora! Se é dia, o sol brilha e aquece. Se é noite, a lua ilumina e abraça. E assim será novamente amanhã. E assim é feita a vida.
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Nesta semana que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, gostaria de dizer para todas as Mulheres uma coisa muito importante:
Seu sucesso na vida pessoal e/ou profissional, sua felicidade, sua prosperidade e bem-estar na vida só depende de uma pessoa. Sabe quem é? Você mesma.
E falo mais. Seu sucesso será mais fácil e forte se você Mulher lembrar em ser você mesma. Ou seja, Ser a Mulher que você sempre foi e será.
Esta última afirmação já falei muitas vezes para minhas clientes de Coaching Holístico que buscam Sucesso em algum ponto da vida pessoal e profissional.
Para quem ainda não sabe o que é Coaching, vou explicar agora. Entre muitas definições as que mais eu gosto são:
- Orientar uma pessoa a fazer a travessia entre um ponto ao outro até alcançar sua meta pessoal e/ou profissional com sucesso;
- Coaching é uma assessoria e processo que geram motivação pessoal e profissional, e que tem como objetivo potencializar o nível de resultados positivos nas diversas áreas da vida de um cliente para alcançar uma meta ou objetivo com sucesso.
E o que é Coaching Holístico? Coaching Holístico – Processo para Seu Sucesso na Vida e Concretização das suas Metas. O cliente vai se conhecer melhor, olhar para si, sua vida e descobrir seu potencial adormecido. Vai melhorar sua autoestima e ter mais autoconfiança. Tem Dificuldade em vencer? Pelo Coaching Holístico iremos desbloquear o que atrapalha e mudar Padrões Mentais para Vencer.
Este é o ponto chave do inicio do Sucesso de qualquer pessoa: Padrões Mentais. Quem acredita que é um fracasso, que não vai vencer na vida ou que não merece ter sucesso nas metas ou sonhos, tenha certeza que nada vai mesmo ocorrer de bom na vida. O Sucesso vai passar bem longe destas pessoas.
Agora imagine uma mulher que desde pequena é “esmagada” pela família e sociedade a sufocar sua força, a matar sua arte e beleza, para não acreditar em si e nas suas qualidades e habilidades para realizar.
Já atendi moças que acreditam que não merecem um amor porque alguém falou que ela é feia ou amor só faz mal. Como vão amar se não têm uma boa energia sobre o amor? Como amar se sua autoestima foi chutada? Só vai amar se mudar, acreditar que pode e merece amar. E que ela é uma super mulher.
O mesmo ocorre com a realização de outras metas pessoais e profissionais. Se uma pessoa foi condicionada a sempre pensar que é inferior, incapaz ou que não merece ser feliz ou prosperar, com certeza vai sofrer para conseguir. Imagine uma mulher que no geral é mais sufocada.
Ainda bem que tem solução. É um pouco demorado, varia de pessoa para pessoa, mas tem que trabalhar, treinar e movimentar-se para mudar padrões e condicionamento mental e energético.
Mas, é possível e já vi milagres.
Qual é o primeiro passo? Acreditar em Você. Acreditar na pessoa poderosa que há dentro de você.
Acreditar na Mulher que há dentro de você.
Sucesso e Feliz Dia da Mulher!
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A Copa do Mundo acabou. A seleção alemã com sua organização, futebol bonito e muita técnica, merecidamente, levou o caneco. É tetracampeã.
E a nossa Seleção Canarinho? Que papelão! Desde o início da Copa, nos quatro cantos deste Brasil, todos falavam que era forte candidata a ser hexacampeã. E por que todos acreditavam nisto? Porque jogava em casa, tinha apoio da torcida brasileira, a mídia falava que era a melhor seleção, tinha uma comissão técnica com dois técnicos que venceram Copas Mundiais (Parreira em 1994 e Felipão em 2002) e o clima ajudava.
Mas o que vimos foi um total fiasco e uma humilhante goleada histórica por 7×1 para os alemães na semifinal da Copa.
Enfim, perdemos a Copa e ficamos em quarto lugar após perder para a Holanda na disputa pelo terceiro lugar. E agora? Como diz o poema de Carlos Drummond de Andrade:
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?(Carlos Drummond de Andrade)
E agora, Seleção Brasileira? Agora é hora de mudanças. E mudanças drásticas e profundas na filosofia e na organização.
A CBF terá que ter coragem de assumir sua culpa no fracasso e incompetência administrativa na condução da Seleção Canarinho na Copa. A CBF e o novo técnico terão que ter coragem de fazer mudanças drásticas na nova Seleção Brasileira daqui para frente. Podem e devem seguir o ótimo exemplo que viveu a seleção alemã no final dos anos 90. Após fiascos seguidos, a Confederação Alemã de Futebol chegou à conclusão de que era hora de mudar tudo. Mudanças drásticas foram implantadas. Bancaram com coragem um técnico permanente nos últimos 10 anos que, com um grupo de jogadores com uma nova cabeça, união e humildade, deram um Show na Copa do Brasil e levaram o Caneco.
Mudança requer determinação. Mudanças drásticas requerem também muita coragem, pois haverá muita resistência das pessoas que já estão na zona de conforto ou que não aceitam que está tudo errado na vida ou no jogo.
Quer ver um exemplo recente? A entrevista da Comissão Técnica da Seleção Canarinho após o vexame de 7×1. Para Felipão e Parreira, nada estava errado na preparação da Seleção Brasileira. O problema foi um apagão geral do time todo que o levou a tomar 4 gols em 6 minutos.
Pois é Felipão, não houve problema algum no seu trabalho. Foi só um apagão que custou um vexame histórico e 200 milhões de brasileiros frustrados.
Como dizem, “o pior cego é o que não quer ver”. Ou “errar é humano, persistir no erro é ser Felipão”, teimoso e arrogante. Não assume os erros e afunda a emoção de milhares de pessoas.
Mas a Copa acabou e a CBF já começou as mudanças. Adeus comissão técnica fracassada. Vida e esperanças novas.
Espero que agora façam mais. Que tenham a coragem de fazer mudanças drásticas em tudo ligado a futebol.
E você? Está com coragem de fazer mudanças drásticas na sua vida pessoal ou profissional?
Ou vai ficar chorando e dando desculpas para que sua vida seja um fracasso ou cheia de frustrações?
Chega de Síndrome de Felipão, né?
Seu lema hoje: “Mudanças já e com coragem para ser feliz”.
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Frequentemente as mudanças acontecem na vida da gente. Em algumas vezes, estamos preparados para elas, em outras elas representam uma grande surpresa. Por vezes, desejamos a mudança, vislumbrando uma nova oportunidade em nossa vida. Acontece também de não as desejarmos, pois estamos felizes com as coisas do jeito que estão. Mas as mudanças acontecem, quer queiramos ou não…
Quando buscamos algo melhor, costumo dizer que estamos criando a mudança, pois estamos não só indo atrás dela, como desejamos que coisas melhores ocorram. Nesta hora, dizemos que a mudança é positiva e bem-vinda.
Mas existe também aquela mudança que você não deseja. Tudo estava bem do jeito que estava, por que mudar agora? Nesta hora criamos resistências, não aceitamos a oportunidade que a vida nos dá para novos desafios. Reclamamos e amaldiçoamos pelo que nos acontece.
Pessoas proativas são as que criam as mudanças, vislumbram novas oportunidades, desejam sempre mais, porque sabem que estão em constante crescimento e aprendizado. Pessoas acomodadas se comportam como árvores, não saem dos seus lugares, esperam que tudo ocorra como desejam ou que tudo se mantenha exatamente como está.
Se você se identificou com o segundo tipo, aqui vai uma reflexão: você não é uma árvore… você não nasceu com raízes que lhe impossibilitam de mudar de lugar. Você também pode dizer que não nasceu com asas, que te possibilitariam voar, mas eu diria que você nasceu com algo melhor do que asas: inteligência e criatividade. Faça por merecer a inteligência que tem e saiba reconhecer quando é hora de mudar.
Nosso mundo é dinâmico, nada é estático. Já dizia Heráclito: “Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio”. Claro! O rio não é o mesmo… nós também não somos! Creio que hoje somos melhores que ontem, piores do que amanhã. E assim prossegue o rio da vida, propiciando mudanças para que tenhamos – todos os dias – novas oportunidades, novos olhares, novos aromas, novas experiências. Saia do lugar! Você não é uma árvore…
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Responda rápido a minha pergunta:
– De zero a 100% qual é o seu grau de comprometimento em ler este artigo até o final?
Estranha a pergunta? Para quem é Coach ou faz sessões de Coaching esta pergunta é corriqueira. Toda vez que atendo um cliente de Coaching Holístico e definimos uma meta ou tarefa, sempre fecho a sessão com esta pergunta:
– Qual é o seu grau de comprometimento em realizar esta tarefa ou meta?
Em geral o cliente responde 100%. Só que nem sempre isto ocorre. Nem sempre o cliente se compromete 100% em executar a tarefa ou meta.
Um dos maiores problemas de uma pessoa que faz Coaching é a falta de comprometimento. É mais fácil dar desculpas do que tentar cumprir o que se comprometeu.
E falta de comprometimento não é só no Coaching que ocorre. No dia a dia de qualquer empresa os funcionários nunca cumprem o que prometem e se comprometem. É uma total falta de responsabilidade, profissionalismo e até de caráter da pessoa.
Sua atitude vai prejudicar a empresa, seus colegas de trabalho e a si mesmo. Aí perde o emprego e reclama.
E o que falar de pessoas no nosso dia a dia que prometem algo para alguém ou para si mesmo e não cumprem. Cadê o comprometimento, gente?
Falta de comprometimento na via profissional e pessoal é um péssimo hábito. Quem não tem comprometimento leva a “vida na flauta” ou “seja o que Deus quiser”.
O cliente senta na minha frente na sessão de Coaching, fala que quer ter sucesso na vida, jura 100% de comprometimento e falta na sessão seguinte dizendo que tem outro compromisso importante.
Compromisso importante? E os 100% de comprometimento que ele “juramentou” com ele próprio em alcançar sucesso? Não é mais importante?
Parece que não. Estas pessoas que não cumprem o que falam, acham que estão enganando seu Coach, seu chefe ou sua própria vida.
Na verdade esta pessoa que não cumpre nem 1% do que se compromete, está enganado a si próprio. Está perdendo seu tempo e não o meu.
Você que não cumpre o que promete ou se compromete, fica aqui um recado para refletir:
Não cumpre o que promete, não avança, não vence e não conquista.
Para ajudar, significado de Comprometimento:
“Esta é uma atitude que poderíamos definir como algo de cunho moral, afinal, literalmente, remete ao cumprimento de um tratado, um pacto firmado.
Significa “honrar a palavra empenhada”. O comprometimento está vinculado ao clima organizacional, à cultura e aos valores da empresa. As pessoas estão dispostas a lutar por aquilo em que acreditam, seja no plano profissional ou pessoal. E lutam pela verdade!
Há uma relação íntima entre esta competência e a capacidade de estabelecer e cumprir metas. E esta relação está presente na própria palavra.
É por ai. Boa semana!
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Você já parou para pensar a força que estas duas palavras possuem? Bom Dia e Obrigado.
Palavras simples, óbvias, porém em muitos momentos esquecidas pelo corre-corre da falta de tempo, pelo mau humor que nos atinge, pelo status que faz acreditar que não se faz necessário ou pelo simples hábito de não se utilizar no vocabulário.
Certa vez ouvi em um treinamento de liderança: como você gostaria de ser liderado? E para minha surpresa: com um bom dia e um muito obrigado. E comecei a pensar.
Será que somente na gestão gostaríamos de ouvir estas palavras?
Quem não gostaria de ouvir pela manhã este simples gesto ou num momento que está desmotivado um obrigado por um trabalho realizado?
A palavra bom dia abre portas, pode ser o início de uma conversa difícil; quebrar o gelo num momento de nervoso, despertar o sorriso nos mais contagiantes, demonstrar respeito ao próximo e principalmente celebrar a oportunidade de um novo dia, cheio de desafios, atividades a serem desenvolvidas, pessoas a conhecer, negociações a vencer. Oferece uma palavra positiva para você e para quem ouve, transmitindo pensamentos positivos.
Pode parecer longe demais, mas e se nós realmente ao dizermos esta simples palavra, buscássemos ter o nosso Bom dia?
Onde você conhecendo seus valores, desejos e objetivos gera uma atitude consciente para que consiga o resultado esperado. Que possa vencer o medo, a desmotivação, a baixa estima e quebrar barreiras, obstáculos na comunicação, relacionamentos e descubra caminhos efetivos de atingir o sucesso e por que não a felicidade tão sonhada?
Pense nisso e se permita a realmente ter um bom dia.
A palavra obrigado tem significados interessantes segundo o dicionário: ser obrigado a fazer, obrigar por lei, ser grato, reagir a algo correspondido.
Palavra igualmente simples, mas difícil de ser dita por aqueles que justamente se sentem na obrigação de fazê-lo, mas nobre e cheia de ternura, gratidão e reconhecimento por quem diz e recebe.
Um feedback por algo, dar-lhe a vez, agradecer um trabalho, um presente, uma parceria ou um simples objeto que foi entregue, uma porta aberta. O poder do obrigado nos renova as energias, aumenta a motivação, estima, trabalho em equipe e comprometimento.
O obrigado é um gesto de reconhecimento, retorno positivo que se está no caminho certo, de um trabalho bem feito, de um apoio sincero, de uma ajuda para alguém que precisa carregar sua mala, segurar o elevador ou passar simplesmente o sal.
Reforça comportamentos; gera sinergia e cumplicidade.
Que possamos falar obrigada sem a obrigação social, mas dar ao outro o direito de gentileza e valor por um gesto, atitude ou trabalho.
Bom dia e obrigado. Que possam ser um oxigênio. Não tem o hábito? Dê o primeiro passo. Diga para você mesmo, pois este é o maior sentido para despertar para o outro.
Diga a você mesmo o quanto acredita em si e é capaz de buscar seus sonhos e metas; o quanto é grato por sua vida, carreira, família.
Que estas palavras não sejam apenas etiquetas profissionais mas façam parte de seu cotidiano para que ao despertar de um novo dia você tenha bons momentos e possa ser grato pelas conquistas feitas por você e pelos outros.
Pense nisso.
Te desejo um bom dia e obrigada.
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É aquela coisa que você já sabe que tem que fazer e não faz. É uma decisão que não toma, um trabalho que não termina, um projeto que não entrega, uma conversa que não rola nunca por que você não toma a iniciativa.
Aí você procura por ajuda, porque sabe que tem alguma coisa errada com isso. Sabe que não é o seu normal, mesmo que nem consiga ver isso com clareza. Você provavelmente dá um Google, pega um livro, conversa com alguém ou mesmo tira um tarô para ver o que dizem e invariavelmente você recebe o mesmo veredicto: “pare de procrastinar para ter sucesso, para conseguir o que você quer. Assuma as rédeas da sua vida, você tem condições, basta querer.”
E aí é que podemos perder uma chance de ouro, a de nos conhecermos melhor e efetivamente dar o salto [quântico] rumo a nós mesmos. Explico: quando vejo, na prática do Coaching, que as pessoas estão procrastinando, eu não falo para elas “superarem” esse problema. Ao contrário, eu sugiro que a gente acolha, pare e olhe para isso que está acontecendo. Vamos entender o que essa lentidão momentânea e consciente tem a dizer, que notícias ela traz desse momento da vida daquela pessoa.
Geralmente a procrastinação é um sintoma. É a ponta do iceberg. Ele traz muitas coisas consigo, que vão além da superfície. O que eu mais vejo na minha prática profissional tem a ver com medo, autossabotagem, insegurança, baixa autoestima, angústia, bloqueio criativo, falta de sentido ou de tesão, incapacidade de assumir o que se quer, entre outras coisas. Cada um desses tópicos merece um texto, ou melhor, um livro em si, então não vamos nos aprofundar agora, certo?
O que eu quero é sugerir que você pare e reflita a respeito do que faz você procrastinar. E busque entender o que esse sintoma está querendo te dizer. Essa é uma maneira muito potente de ir mais fundo e se ouvir, buscar sua verdade e aceitá-la. Acolher o seu momento é a melhor forma de sair dele, como já falei no texto sobre o limbo.
Proponho uma atividade para lhe ajudar nessa reflexão.
Separe um tempo para você, de preferência sozinho e sem interrupções, de aproximadamente 30 a 50 minutos. Procure estar num lugar confortável e, se possível, feche os olhos, respirando profundamente umas 3 vezes ou até conseguir deixar os pensamentos mais quietos, as preocupações de lado…
Então, com o auxílio de papel e caneta ou outro meio que você escolher, comece a atividade:
1º passo: Responda em quais situações específicas da minha vida estou procrastinando agora?
Escreva de maneira sucinta e precisa, como por exemplo: não terminei o projeto X. Não comecei a fazer ginástica. Estou usando muito tempo para fazer tarefa Y. Não estou conseguindo terminar tal coisa. Estou adiando a conversa com fulano.
2º passo: Depois olhe para essas situações que você escreveu e as leia com compaixão. Procure simplesmente aceitá-las, contemplá-las, sem julgá-las. Sei que é difícil não julgar, mas ao menos tente.
Ao observar essas situações, procure apenas abrir espaço para que elas mesmas te digam coisas.
3º passo: Se for o caso, pergunte-se: o que essa situação quer me dizer? O que há aqui, além da superfície? O que eu estou deixando de fazer de verdade? O que está por trás dessa procrastinação que eu não estou querendo ou podendo ver?
4º passo: Veja quais fichas caem, se caem, o que surge. Aceite o que veio, agradeça e só. Guarde tudo e retome sua vida. Se for dormir, boa noite. Se for voltar ao trabalho, bom trabalho. NÃO mexa mais no exercício.
5º passo: Após alguns dias (de 3 a 5 dias), volte ao que você anotou. Novamente observe as situações de procrastinação. Veja se algumas delas você já pode mexer e realizar. Anote as ações que têm que ser feitas.
6º passo: Faça.
Como sempre, quero saber o que surgiu para você, ao ler esse texto. Caíram fichas? Nada rolou? Tá valendo. Compartilhe aqui.
E você já sabe. Qualquer coisa, estou por aqui.
Com amor e com alma,
Karinna
PS: Se você acha que este artigo pode beneficiar alguém, por favor, encaminhe agora para essa pessoa.
PS2: Eu, claro, adoraria que você espalhasse meu artigo por aí, nas suas redes. Assim mais gente curte e compartilha com quem precisa.
Obrigada!
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Eu tenho a mais absoluta certeza de que a grande parte dos leitores já ouviu falar sobre a Inteligência Emocional. Aliás, provavelmente, haverá até especialistas e professores na disciplina cuja fundamentação teórica nos remete a Charles Darwin. O que a maioria também sabe está no fato de que a popularização do assunto surgiu quando, há vinte anos, Daniel Goleman publicou um best-seller a respeito. Mas será que a inteligência emocional se confunde com a Inteligência Espiritual? E você, o que pensa a respeito?
Para começo de conversa, deve-se lembrar que o conceito de “inteligência” é algo sobre o que não há unanimidade. A depender da corrente de estudos, esse conceito (que na linguagem dos estudiosos chama-se constructo) terá diferentes interpretações e o pesquisador deve indicar qual a ênfase e abordagem mais adequada ao seu objetivo de momento. Neste nosso caso, vamos nos vincular ao conceito etimológico de que a “inteligência” é a capacidade de identificar as opções, processá-las e decidir por aquela mais conveniente em um dado problema ou situação. Agora, vou tirar o foco da mera conceituação de “inteligência” para tratar do tema ampliado: Inteligência Espiritual.
O estudo da importância da espiritualidade tem crescido bastante, a ponto de haver profissionais da área de saúde que indicam haver alta relação entre a prática espiritual com a saúde mental das pessoas. E aqui surge a necessidade de se fazer outra distinção, pois espiritualidade não é o mesmo que religiosidade. Esta última diz respeito à prática da relação da pessoa com Deus, em que há um sistema de rituais ou simbolismos presentes. A espiritualidade, porém, volta-se à dimensão pessoal que diz respeito à própria existência, uma relação com a consciência sem que haja necessariamente rituais ou símbolos. Ou seja, a espiritualidade diz respeito a atitudes, sentimentos e pensamentos superiores que levam ao crescimento (amadurecimento) do ser humano. A prática da religião pode apoiar a espiritualidade, mas esta vai além.
Voltando ao tema central, vamos nos basear nos estudos e propostas da física e filósofa americana Danah Zohar, ligada a importantes centros de pensamento, nos EUA e Europa. Tendo como linha de pesquisa a física quântica, sobre Inteligência Espiritual ela relata ser algo essencial para promover a cooperação entre as pessoas, tanto na família como em sociedade. Indo além, ela entende que é a Inteligência Espiritual que ajudará as pessoas a alcançarem soluções positivas para o planeta, além de criar um melhor encontro individual nessa caminhada, ao descobrir melhor a si mesmo e aos seus valores. O alto quociente espiritual faz a pessoa ter a vida mais criativa, promissora e com sentido, com identificação do propósito pessoal.
Em seu livro Inteligência Espiritual (Editora: Viva Livros; 2012), escrito com Ian Marshall, Danah comenta que a inteligência emocional faz a pessoa ter capacidade de julgar em que situação se encontra e como deve se comportar, adequadamente, nos limites dessa situação. A Inteligência Espiritual estimula a pessoa a se perguntar se ela deseja estar nessa situação em particular e como é a melhor forma de trabalhar com os limites da situação. Em seu livro ela comenta de dez atributos típicos que mostram quando a pessoa tem um elevado quociente de Inteligência Espiritual.
As características comuns de quem tem alta Inteligência Espiritual são assim resumidas: (1) Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo; (2) São idealistas e levadas por valores pessoais; (3) Têm capacidade de encarar e se apropriar positivamente da adversidade; (4) São holísticas, no sentido de que conseguem ter visão abrangente sobre cada situação (analisam as partes e entendem o todo); (5) Respeitam a diversidade (em todas as nuances de diferenças entre pessoas, sem preconceitos); (6) Preservam sua independência e arbítrio; (7) Perguntam sempre “por quê?”, como forma de se questionarem quanto aos próprios dogmas e crenças limitantes; (8) Têm capacidade de colocar as situações e os fatos em um contexto ampliado; (9) São espontâneas e verdadeiras, e; (10) Têm compaixão, conseguindo se colocar no lugar das pessoas que estão com dores ou problemas, viabilizando ajudá-las.
E então, como está o seu grau de Inteligência Espiritual? Agora, fica o convite à sua reflexão e … Boa sorte!
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