Ambientes Humanizados: O Desafio Invisível da Transformação Cultural
Toda empresa diz querer líderes mais humanizados. Poucas estão dispostas a pagar o preço real dessa escolha.
Em praticamente todos os projetos de desenvolvimento de liderança dos quais participo, surge um desejo recorrente: líderes mais humanizados, mais autonomia, mais protagonismo, mais colaboração, mais confiança, mais segurança psicológica.
As palavras variam, mas a intenção é sempre a mesma — criar ambientes menos rígidos e mais capazes de mobilizar o potencial das pessoas.
O desejo é legítimo. O contexto exige isso. As empresas precisam de adaptação rápida, aprendizado contínuo, inovação e capacidade de resposta. Ninguém discorda. Ainda assim, quando aprofundamos a conversa, a constatação é quase sempre semelhante: a transformação acontece devagar demais. Em alguns casos, quase não acontece.
A explicação talvez seja menos comportamental do que costumamos imaginar. Talvez estejamos tentando mudar comportamentos sem tocar, na mesma intensidade, nos sistemas, nas crenças e nos modelos de gestão que os produzem.
Grande parte das organizações trata essa discussão como um tema predominantemente comportamental. Fala-se em empatia, escuta ativa, feedback, confiança, colaboração e desenvolvimento de pessoas. Tudo isso é importante. Mas muitos dos líderes que hoje são convidados a desenvolver essas capacidades não chegaram às suas posições por serem reconhecidos por elas. Eles chegaram lá porque entregaram resultados, controlaram riscos, acompanharam processos, resolveram problemas, garantiram execução e produziram previsibilidade. Fizeram exatamente aquilo que o sistema esperava deles.
Por isso, demonizar o chamado comando e controle me parece uma armadilha conceitual. Ele não é um modelo ultrapassado. É um modelo que funcionou — e continua funcionando — em inúmeros contextos. Operações críticas dependem de disciplina. Ambientes de risco exigem conformidade. Processos complexos precisam de padrões claros. Em determinadas situações, previsibilidade não é uma preferência. É uma necessidade.
O problema não está na existência de mecanismos de controle. O problema surge quando eles passam a ser a principal referência para a forma de liderar, decidir e desenvolver pessoas.
Não existe cultura humanizada com sistemas desumanizados. E nenhum comportamento novo prospera em estruturas que continuam premiando exatamente os comportamentos antigos.
É justamente nesse ponto que muitas organizações começam a enfrentar dificuldades.
- Falamos de autonomia, mas mantemos estruturas em que decisões relativamente simples precisam percorrer diversos níveis de aprovação.
- Falamos de colaboração, mas sistemas de reconhecimento e remuneração continuam privilegiando resultados individuais.
- Falamos de desenvolvimento de pessoas, mas frequentemente promovemos o melhor especialista técnico, não necessariamente aquele que mais desenvolve talentos ou prepara sucessores.
- Falamos de participação, mas muitas reuniões começam quando a decisão já está praticamente tomada. Falamos de confiança, mas ampliamos mecanismos de monitoramento, acompanhamento e validação.
Nada disso acontece por má intenção.
Na maioria das vezes, trata-se apenas da continuidade de práticas que ajudaram empresas a crescer, ganhar escala e produzir resultados consistentes ao longo dos anos.
É justamente por isso que a transformação cultural costuma ser mais difícil do que parece.
Muitas organizações investem em treinamentos, programas de desenvolvimento, avaliações e iniciativas voltadas à mudança de comportamento. O desafio é que comportamentos normalmente representam apenas a parte visível de algo muito maior.
Por trás desses comportamentos, existem crenças e modelos mentais que raramente aparecem nos diagnósticos, mas influenciam profundamente a forma como líderes interpretam responsabilidade, confiança, autoridade e desempenho:
- A crença de que, sem acompanhamento constante, as coisas não acontecem.
- A crença de que delegar demais aumenta os riscos.
- A crença de que controlar é sinônimo de responsabilidade.
- A crença de que o líder precisa ter as respostas.
- A crença de que compartilhar decisões pode ser interpretado como fragilidade.
Nenhuma dessas crenças costuma aparecer nos programas de desenvolvimento. Ainda assim, elas continuam influenciando a forma como muitos líderes pensam, decidem e atuam.
Talvez porque essas crenças não tenham sido construídas apenas dentro das empresas. Em diferentes momentos da vida, aprendemos a responder a expectativas, seguir orientações, cumprir regras, buscar aprovação e evitar erros. Ao ingressarmos nas organizações, encontramos sistemas que frequentemente reforçam essas mesmas referências. Metas, indicadores, avaliações, aprovações, auditorias e mecanismos de acompanhamento cumprem papéis importantes para a gestão, mas também ajudam a moldar nossa compreensão sobre controle, responsabilidade, desempenho e autoridade.
E é justamente nessa sobreposição entre crenças antigas e expectativas novas que a chegada de novas gerações torna essa discussão ainda mais interessante. Muitos profissionais ingressam no mercado esperando relações mais horizontais, maior espaço para contribuição e ambientes mais participativos. Ao mesmo tempo, encontram estruturas concebidas em outros contextos históricos, econômicos e culturais. Não há necessariamente certo ou errado nessa equação. Existem apenas referências diferentes tentando coexistir dentro do mesmo sistema.
Talvez por isso tantas iniciativas de transformação cultural avancem menos do que o esperado.
Muitas vezes, a dificuldade está no fato de que estamos tentando produzir novos comportamentos dentro de sistemas que continuam reforçando os comportamentos atuais.
Enquanto o líder continuar sendo reconhecido por “dar conta de tudo”, terá dificuldade real de compartilhar decisões. Enquanto o erro continuar sendo tratado apenas como algo a ser evitado, poucas pessoas se sentirão seguras para experimentar caminhos diferentes. E enquanto a agenda de controle for mais valorizada do que a agenda de desenvolvimento, qualquer discurso sobre ambientes mais humanizados encontrará limites difíceis de superar.
Talvez a questão não esteja em escolher entre comando e controle ou liderança humanizada. Talvez a questão seja compreender quais crenças, práticas e sistemas sustentam cada modelo e se eles continuam adequados aos desafios que a organização enfrenta hoje.
No fim, a pergunta não é se queremos líderes mais humanizados.
A pergunta é se estamos dispostos a revisar crenças, práticas e sistemas de gestão que ajudaram a construir os resultados do passado, mas que talvez já não sejam suficientes para sustentar os resultados do futuro.
Porque a transformação cultural raramente fracassa por falta de intenção. Ela costuma encontrar resistência exatamente naquilo que sempre funcionou.
Transformação cultural não é apenas sobre mudar pessoas. É sobre revisar aquilo que molda a forma como as pessoas trabalham, decidem, lideram e se relacionam dentro da organização.
E talvez esse seja o verdadeiro desafio: não abandonar tudo o que nos trouxe até aqui, mas reconhecer que aquilo que nos trouxe até aqui pode não ser suficiente para nos levar adiante.
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como a transformação cultural pode criar ambientes humanizados sem perder consistência, responsabilidade e resultados? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até a próxima!
Wilson R. Lourenço
https://www.compassconsult.com.br
Confira também: Empresas Sofrem por Ausência de Sucessores: O Custo Invisível das Empresas que Não Formam Líderes
Palavras-chave: ambientes humanizados, transformação cultural, líderes mais humanizados, comando e controle, modelos de gestão, crenças e modelos mentais, desenvolvimento de liderança, desenvolvimento de pessoas, mudança de comportamento, sistemas de gestão, desafio da transformação, desafio da transformação cultural, desafio da liderança, como criar ambientes humanizados
Copa do Mundo 2026: O que o RH pode Aprender com o Futebol
Copa do Mundo 2026 não deveria ser vista apenas como uma possível ameaça à produtividade nas empresas. Talvez ela seja uma oportunidade rara para o RH observar algo que muitas organizações tentam construir todos os dias: engajamento real, conexão humana e pertencimento.
Talvez a pergunta mais importante não seja se a Copa atrapalha o trabalho, mas por que um jogo consegue gerar, em poucos minutos, uma energia coletiva que tantas empresas perseguem durante anos.
Nos briefings que recebo de empresas dos mais diferentes setores, existe uma palavra que aparece com frequência: engajamento. Pode ser uma indústria, uma empresa de tecnologia, uma cooperativa, um banco, um hospital ou uma multinacional. Em algum momento da conversa, o RH ou a liderança traz a mesma preocupação.
As pessoas estão desconectadas, o clima mudou e as equipes parecem cansadas. Ninguém veste mais a camisa.
Eu sempre acho curioso quando essa expressão aparece, porque, no fundo, o que está sendo dito é muito mais profundo do que produtividade ou motivação. Estamos falando de presença, energia coletiva, vínculo e pertencimento. Estamos falando de algo que muitas organizações ainda tentam medir, mas poucas conseguem sentir.
E é aqui que a Copa do Mundo 2026 entra como uma grande metáfora para o trabalho contemporâneo. Porque, quando a Copa chega, algo muda nas empresas. Áreas que quase não conversavam começam a interagir. O café vira ponto de encontro. Surgem brincadeiras, palpites, conversas espontâneas, discordâncias leves, expectativas compartilhadas.
Mesmo quem não acompanha futebol acaba sendo atravessado pela energia do ambiente. Não é apenas sobre o jogo. É sobre o que o jogo desperta.
A Copa do Mundo 2026 pode revelar uma carência silenciosa nas empresas.
Talvez a Copa do Mundo 2026 não revele um problema de distração. Talvez ela revele uma carência silenciosa de conexão humana dentro das organizações.
Estamos tentando engajar um ser humano diferente daquele de dez anos atrás. Mais cansado, mais acelerado, mais ansioso, mais fragmentado e mais sobrecarregado. Um ser humano que vive conectado tecnologicamente, mas muitas vezes disperso emocionalmente.
As pessoas passam o dia em reuniões, mensagens, plataformas, calls e dashboards. Estão juntas o tempo todo, mas nem sempre vivem experiências juntas. Esse é um dos conflitos invisíveis do trabalho atual.
Talvez as pessoas não estejam simplesmente desinteressadas. Talvez estejam exaustas, tentando sobreviver a um mundo que acelerou rápido demais. E talvez muitos líderes ainda estejam tentando resolver dores novas com fórmulas antigas.
Mais benefícios, mais reuniões, mais campanhas, mais comunicação, mais ações de engajamento, mas pouca experiência humana real.
A Copa chama atenção justamente porque mobiliza algo profundamente humano. Ela muda o tom de voz, altera a energia do ambiente, cria expectativa e instala um ritual. As pessoas olham mais umas para as outras, conversam mais, riem mais, discordam mais e sentem mais.
Isso importa. Porque seres humanos não criam vínculo apenas pela razão. Criamos vínculo pela experiência, pelo sentir e pela memória emocional daquilo que vivemos juntos.
O que o RH pode aprender com a Copa do Mundo 2026
Um dos grandes esquecimentos do mundo corporativo talvez tenha sido acreditar que cultura se constrói apenas por processos e comunicação. Claro que processos importam. Indicadores importam. Gestão importa.
Mas cultura também nasce daquilo que as pessoas experimentam no cotidiano. Nasce do ambiente, dos encontros, da energia emocional compartilhada e da sensação, muitas vezes invisível, de pertencimento.
A Copa do Mundo 2026 pode lembrar ao RH que engajamento não nasce apenas de campanhas internas. Engajamento nasce quando as pessoas sentem que fazem parte de algo. Quando existe um símbolo, uma narrativa, um ritual, uma emoção compartilhada.
Isso não significa transformar a empresa em festa. Significa compreender que o humano precisa de sentido, presença e conexão para permanecer inteiro no trabalho.
O RH do futuro precisa assumir um papel muito mais estratégico. Menos gestor de políticas e mais arquiteto de experiências humanas. Menos focado apenas em clima organizacional e mais atento à energia emocional coletiva.
Também precisa olhar além da retenção de talentos. O desafio não é apenas manter pessoas na empresa. É compreender o que faz um ser humano permanecer presente, conectado e emocionalmente disponível em um mundo de excesso, velocidade e distração.
Tenho conversado com muitos líderes e RHs, dentro e fora do Brasil, e percebo uma angústia crescente. Muita gente sente que perdeu o manual de funcionamento das pessoas e talvez tenha perdido mesmo.
Porque o humano mudou. Mudou a relação com o trabalho, com autoridade, com tempo, com sofrimento, com presença e, sem dúvida, com propósito. E, quando o humano muda, o RH também precisa mudar.
Engajamento não é fazer as pessoas performarem mais
Talvez o desafio das empresas não seja fazer as pessoas performarem mais, mas criar ambientes onde elas consigam, novamente, sentir que pertencem.
Pode parecer curioso dizer isso em um artigo sobre futebol. Mas talvez o futebol esteja apenas nos lembrando de algo essencial: as pessoas ainda querem viver algo juntas.
Elas ainda querem conexão, rituais e emoção compartilhada. Ainda querem sentir que fazem parte de uma história maior do que a própria função.
Talvez o problema nunca tenha sido falta de engajamento, mas o excesso de ambientes onde quase nada toca as pessoas de verdade.
A Copa do Mundo 2026, nesse sentido, pode ser um espelho. Ela mostra que a energia coletiva não desapareceu. O desejo de pertencer não acabou. A vontade de vestir uma camisa ainda existe.
Mas ninguém veste a camisa de um lugar onde não sente presença.
O novo papel do RH diante de um ser humano que mudou
A Copa do Mundo 2026 pode ser tratada pelas empresas como interrupção, distração ou risco para a produtividade. Mas também pode ser vista como um laboratório vivo sobre comportamento humano.
O RH que observar apenas os horários dos jogos talvez perca a parte mais importante. O RH que observar as conversas, os vínculos, os símbolos e a energia emocional talvez encontre pistas valiosas sobre o futuro do trabalho.
Porque o futuro do RH não será definido apenas por tecnologia, dados ou automação. Será definido pela capacidade de compreender o que continua profundamente humano dentro de um mundo cada vez mais acelerado.
A pergunta não é apenas como organizar a rotina da empresa durante a Copa. A pergunta é mais profunda: o que de fato faz as pessoas se conectarem de verdade?
Essa talvez seja uma das competências mais sofisticadas do RH do futuro. Criar espaços onde as pessoas continuem humanas enquanto o mundo acelera.
E, se essa reflexão faz sentido para você, talvez valha a pena continuarmos essa conversa. Tenho estudado profundamente as mudanças do comportamento humano, a liderança, a presença e os novos desafios das organizações em um mundo cada vez mais tecnológico. Escreva para mim. Vou adorar trocar ideias.
Se esse texto te atravessou, ele não foi escrito em vão. Compartilhe com quem decide cultura, metas e modelos de liderança na sua organização.
Outras reflexões de Leila Navarro sobre liderança, saúde emocional e futuro do trabalho estão disponíveis em:
https://leilanavarro.com.br/blog/
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como o RH pode aprender com a Copa do Mundo 2026 para fortalecer engajamento, conexão humana e pertencimento nas organizações? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até a próxima!
Leila Navarro
Especialista em Inovação Humana e Desenvolvimento do Novo Humano nas Organizações. Autora de 16 livros traduzidos para diversos idiomas, astronauta análoga certificada e referência latino-americana em presença, comportamento e futuro do trabalho.
https://www.leilanavarro.com.br/
https://www.instagram.com/leilanavarrooficial/
https://br.linkedin.com/in/leilanavarro
https://www.youtube.com/user/leilanavarro
https://www.facebook.com/leilanavarro
Confira também: Liderança no Varejo: Tecnologia com Propósito para Criar Experiências Humanas
Palavras-chave: Copa do Mundo 2026, RH, engajamento, conexão humana, pertencimento, o que o RH pode aprender com a Copa do Mundo 2026, engajamento real, conexão humana e pertencimento, carência silenciosa de conexão humana, arquiteto de experiências humanas, energia emocional coletiva
Participe da Conversa
Dados e Informação: O Cérebro do Novo Futebol
A Copa do Mundo de 2026 não vai testar apenas quem tem o melhor elenco e o melhor comando técnico. Vai expor, com brutal clareza, quais seleções têm os profissionais que sabem tomar as melhores decisões em clima de pressão. Em um torneio longo e complexo, a diferença entre avançar e cair pode estar em detalhes que antes pareciam menores, tais como a cobrança lateral forçada, um passe que rompe linhas ou um chute bem calibrado de média distância.
É por isso que a publicação da MIT Technology Review Brasil sobre importância dos dados e informação privilegiada merece atenção. Ela não fala apenas sobre estatísticas, mas alcança questões como poder, vantagem competitiva e uma mudança estrutural nas equipes. O futebol deixou de ser um esporte analisado com muita intuição e passou a ser um ambiente em que decide melhor quem interpreta melhor os dados (MIT TECHNOLOGY REVIEW BRASIL).
Durante décadas, o vocabulário do futebol foi dominado por narrativas previsíveis, como posse de bola, raça, vontade, intensidade e talento. Tudo isso importa, mas não basta. A nova elite do esporte entendeu que o jogo não se resume ao gol, mas a tudo o que aumenta ou reduz a probabilidade de chegar até ele. É nesse espaço entre a ação em si e o resultado que a inteligência analítica ganhou muito em relevância (ANDERSON; SALY, 2013).
A reportagem citada mostra, com propriedade, como o trabalho de Jesse Davis e do Laboratório de Análise Esportiva da KU Leuven ajudou a consolidar uma visão mais sofisticada do futebol. Em vez de tratar cada lance como um evento isolado, a equipe passou a enxergar o jogo como uma sequência de decisões interdependentes, em que até uma jogada aparentemente ruim pode ser estrategicamente superior (MIT TECHNOLOGY REVIEW BRASIL).
⚽ Dados mudam a lógica do jogo
O trabalho de Jesse Davis e do Laboratório de Análise Esportiva da KU Leuven usa aprendizado de máquina para revelar padrões táticos que ajudam clubes a tomar decisões mais precisas dentro e fora de campo.
📊 Valor em jogadas improváveis
Pesquisas mostram que até chutar propositalmente a bola para fora, perto do gol adversário, pode criar vantagem, pois aumentará as chances de recuperar a posse em uma zona perigosa.
🧠 Métricas para avaliar jogadores
Modelos combinam dados de eventos e de rastreamento para medir diferentes ações, tais como progressão da bola, eficiência defensiva e a contribuição real de cada atleta em suas funções táticas definidas pela comissão técnica.
🛠️ Código aberto impulsiona clubes
Ferramentas como VAEP (Valuing Actions by Estimating Probabilities), modelo de inteligência artificial usado no futebol para quantificar o valor de todas as ações de cada jogador com a bola, modelos de xG (Expected Goals) e pacotes de sincronização de dados levam descobertas acadêmicas a fluxos de trabalho diários na análise profissional.
A provocação é forte: e se a equipe chutar a bola para fora propositalmente, em determinada zona do campo, será essa uma decisão inteligente?
A lógica, à primeira vista, parece contraintuitiva, mas os modelos descritos na publicação da MIT Technology Review Brasil mostram que, em certos contextos, forçar uma cobrança lateral adversária pode aproximar a equipe de uma situação ofensiva mais vantajosa do que insistir em manter a posse em território de menor valor tático, pois cada pequena vantagem territorial importa.
Esse tipo de pensamento é importante porque desmonta um erro antigo comum na gestão esportiva, que acabava por confundir aparência com eficiência. Uma equipe pode parecer dominante e, ainda assim, criar pouco. Pode trocar muitos passes e, mesmo assim, produzir pouco valor. Pode finalizar bastante e não estar realmente mais perto de vencer. É justamente nesse ponto que métricas e modelos de valorização de ações ganham espaço ao substituir opinião por evidência (DECROOS et al., 2019).
O impacto disso no futebol profissional dos dias de hoje é enorme. Os clubes mais avançados não contratam apenas olheiros, mas buscam construir uma estrutura. Criam departamentos internos de dados e desenvolvem linguagem comum entre analistas, comissão técnica e até o pessoal de recrutamento de novos talentos. Acima de tudo, transformam informação em decisão. Como já apontavam obras clássicas da análise do esporte, o futebol moderno não é mais só sobre descobrir e desenvolver talentos, mas também sobre como reduzir erros de decisão em maior escala (KUPER; SZYMANSKI, 2014).
Isso muda os critérios de escolha, porque o atleta deixa de ser avaliado apenas pelo que faz com a bola e passa a ser examinado pelo valor sistêmico que entrega ao time.
Muda a preparação de jogo, porque o adversário não é avaliado apenas pela formação tática, mas por padrões recorrentes de comportamento ao longo do jogo. Muda o treino, porque a carga de trabalho e o posicionamento em campo podem ser personalizados com muito mais precisão. E muda a conversa no vestiário, porque performance passa a ser medida pelo impacto causado e não por achismos (MIT TECHNOLOGY REVIEW BRASIL, s.d.).
Há outro ponto decisivo nesse contexto: o futebol ainda sofre com grandes limitações nas bases de dados. Parte relevante da análise dos dias de hoje segue sendo manual, dependente de pessoas assistindo aos jogos, marcando eventos, sincronizando informações e consolidando bases que nem sempre são padronizadas. Isso é caro, lento e sujeito a erros. Assim, os debates sobre automação e padronização se mostram crescentemente importantes, e o uso das novas tecnologias aponta para um futuro em que o sistema poderá aprender a partir de ocorrências anotadas, reduzindo o trabalho braçal e acelerando a geração de novas ideias de jogo (MIT TECHNOLOGY REVIEW BRASIL).
Para quem ocupa posição de liderança em clubes, federações, patrocinadores ou na mídia esportiva, a mensagem é objetiva: o futebol está entrando na fase em que o dado não apenas apoia a estratégia, mas passa a ser parte integrante dela. E a Copa do Mundo de 2026 está se mostrando um laboratório perfeito para isso, com mais seleções, mais jogos e mais contexto competitivo. Dessa forma, a competição tenderá a premiar as equipes que consigam interpretar melhor os riscos, adaptar-se à pressão, explorar jogadas de bola parada e ajustar o comportamento de seus jogadores em tempo real.
Em um campeonato desse tamanho, os detalhes que antes poderiam ser ignorados agora podem decidir partidas inteiras.
Uma equipe que identifique uma zona de construção tática mais vulnerável, um padrão de saída de bola repetido ou uma fraqueza recorrente em transição pode ganhar a vantagem que não aparece no discurso sobre o jogo, mas aparece no placar (ANDERSON; SALY, 2013; MIT TECHNOLOGY REVIEW BRASIL).
Em termos práticos, a Copa do Mundo de 2026 deve ampliar a pressão por excelência analítica em pelo menos cinco frentes (DECROOS et al., 2019; MIT TECHNOLOGY REVIEW BRASIL):
- O scouting (avaliação e monitoramento) mais preciso e com menos percepção subjetiva;
- A Análise de adversários em profundidade, com foco em padrões e não em formações;
- A gestão de risco tático, especialmente em jogos eliminatórios;
- A otimização de bolas paradas, em que margens pequenas geram vantagens reais;
- Uma decisão orientada por contexto, não por volume bruto de estatísticas.
Essa é a nova fronteira do futebol. Não se trata de transformar o esporte em uma planilha. Trata-se de reconhecer que o jogo já é complexo demais para ser comandado por impressão isolada ou pela intuição do comando técnico. Em um ambiente de alta competitividade, confiar apenas no “feeling” virou risco operacional. E aqui está a provocação que vale para qualquer executivo do esporte: se o seu clube ainda não usa dados para decidir, ele está ficando para trás mesmo quando vence.
O caso apresentado pela MIT Technology Review Brasil é emblemático porque mostra uma mudança de paradigma em andamento. O conhecimento acadêmico deixou de ser apenas teoria publicada em conferências e passou a influenciar a rotina de clubes e seleções. Ferramentas abertas, modelos de valorização de posturas durante o jogo e metodologias de integração entre evento e rastreamento ajudam a transformar a pesquisa em boas práticas no cotidiano das competições (DECROOS et al., 2019; MIT TECHNOLOGY REVIEW BRASIL, s.d.).
No fim, o futebol continua sendo imprevisível, emocional e dramático.
Mas o modo como ele é interpretado mudou para sempre. A pergunta já não é se o uso de dados vão influenciar o jogo de futebol. A pergunta certa é quem vai saber dominar essa linguagem após a Copa do Mundo de 2026. Porque, no futebol contemporâneo, o dado não matou a intuição. O que está evidente é que o vencedor será aquele que souber alinhar melhor todos os dados disponíveis em uma informação precisa e direcionada a cada momento da competição.
Eu sou Mario Divo e você pode me encontrar pelas redes sociais ou em www.mariodivo.com.br.
Gostou do artigo?
Quer saber mais como a análise e uso de dados no futebol podem transformar decisões, reduzir riscos e criar vantagem competitiva? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em falar a respeito.
Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br
Confira também: O Tabuleiro Invisível: Um Guia de Poder para Lideranças
Referências bibliográficas
ANDERSON, Chris; SALY, David. The Numbers Game: Why Everything You Know About Football is Wrong. London: Penguin, 2013.
DECROOS, Tom; BRANSEN, Lotte; VAN HAAREN, Jan; DAVIS, Jesse. Actions speak louder than goals: valuing player actions in soccer. In: Proceedings of the 25th ACM SIGKDD International Conference on Knowledge Discovery & Data Mining. New York: ACM, 2019.
KUPER, Simon; SZYMANSKI, Stefan. Soccernomics: Why England Loses, Why Germany and Brazil Win, and Why the US, Japan, Australia — and Even Iraq — Are Destined to Become the Kings of the World’s Most Popular Sport. New York: Nation Books, 2014.
MIT TECHNOLOGY REVIEW BRASIL. Renascimento dos dados no futebol. [S.l.], [s.d.]. Disponível em: https://mittechreview.com.br/renascimento-dos-dados-no-futebol/. Acesso em: 22 jun. 2026.
SPEARMAN, William. Beyond expected goals. arXiv preprint, 2018.
Palavras-chave: análise de dados no futebol, análise e uso de dados no futebol, uso de dados no futebol, ciência de dados no futebol, Copa do Mundo de 2026, inteligência analítica, gestão esportiva, futebol profissional, inteligência artificial usado no futebol, decisão orientada por contexto, decisão orientada por dados no futebol, futebol com análise de dados, futebol e o uso de dados
Participe da Conversa
Tempo, Presença e a Competência da Mudança na Era da Aceleração
Vivemos um paradoxo sem precedentes. Nunca tivemos tantas tecnologias capazes de economizar tempo e, ao mesmo tempo, nunca vimos tantas pessoas declarando que não têm tempo.
A Inteligência Artificial produz conteúdos em segundos. Plataformas digitais automatizam processos. Reuniões acontecem em qualquer lugar. Informações chegam em velocidade exponencial. Cursos, eventos, webinars, podcasts, newsletters e atualizações disputam diariamente nossa atenção.
A promessa era de libertação.
Mas o que observamos em muitas organizações é exatamente o contrário: profissionais sobrecarregados, líderes exaustos, equipes ansiosas e uma crescente sensação de que estamos sempre atrasados em relação ao próximo movimento. Sem falar na redução de custos tão presente na nossa economia.
A aceleração da mudança trouxe ganhos extraordinários para os negócios. Porém, ela também expôs uma questão fundamental: o ser humano não foi preparado para viver permanentemente em estado de urgência.
E talvez o grande desafio da liderança contemporânea não seja acompanhar a velocidade da transformação. Talvez seja aprender a criar presença dentro dela.
O conflito entre Chronos e Kairós
Os gregos utilizavam duas palavras para definir o tempo.
Chronos representa o tempo cronológico, mensurável, linear. É o tempo dos relógios, dos prazos, das agendas e dos cronogramas. É o tempo que domina as organizações.
Mas existe também o Kairós. Kairós é o tempo da oportunidade, da consciência e da presença. É o instante em que estamos verdadeiramente conectados ao que estamos fazendo. É o tempo qualitativo.
Enquanto o Chronos mede horas, o Kairós mede significado. O problema é que grande parte dos profissionais está vivendo exclusivamente no primeiro.
Pulamos de uma reunião para outra. Respondemos a mensagens enquanto participamos de chamadas. Consumimos conteúdos sem refletir sobre eles. Executamos tarefas sem processar aprendizados.
Mudamos continuamente sem compreender o sentido da mudança. Nesse cenário, a velocidade deixa de ser uma vantagem e passa a ser um risco. Porque não é a quantidade de informação que gera transformação. É a qualidade da assimilação. A capacidade instalada do ser humano.
A Inteligência Artificial está nos mostrando algo importante. Muitas das atividades operacionais que consumiam nossa energia podem ser automatizadas. Relatórios podem ser produzidos mais rapidamente. Pesquisas podem ser aceleradas. Dados podem ser organizados em segundos.
Mas existe algo que continua sendo profundamente humano. A capacidade de atribuir significado, de conectar contextos, de criar confiança, de exercer discernimento, de fazer perguntas relevantes e de tomar decisões conscientes. Essa é a verdadeira capacidade instalada do ser humano.
O problema é que estamos utilizando grande parte dessa energia para lidar com excesso de estímulos, excesso de informação e excesso de demandas simultâneas. A tecnologia deveria liberar espaço para a inteligência humana florescer.
Entretanto, em muitos contextos, ela está sendo utilizada apenas para aumentar a quantidade de trabalho que cabe em um mesmo período de tempo. O resultado é previsível: sobrecarga emocional, mental e física.
O risco do piloto automático
Quando a velocidade se torna permanente, surge um fenômeno silencioso. Entramos no automático. E o automático é incompatível com a mudança. Mudança exige percepção. Exige consciência, observação, escolhas.
Nenhuma transformação relevante acontece quando as pessoas apenas reagem aos acontecimentos. A transformação acontece quando elas conseguem interpretar o que está acontecendo. Por isso, desenvolver a competência da mudança não significa apenas aprender metodologias, ferramentas ou frameworks.
Significa desenvolver uma nova qualidade de atenção. Uma atenção capaz de perceber padrões, de identificar impactos humanos e de compreender o que, de fato, precisa ser preservado e o que precisa ser transformado.
Sem presença, a mudança se torna apenas movimentação.
O papel do interventor da mudança no século XXI
É justamente nesse contexto que surge uma das competências mais importantes da atualidade: o papel do interventor da mudança.
Durante muitos anos, acreditou-se que a gestão da mudança era responsável apenas por comunicação, treinamento e acompanhamento de projetos. Hoje, sabemos que seu papel é muito maior. O interventor da mudança atua como alguém capaz de criar espaços de consciência dentro de ambientes acelerados.
Ele ajuda organizações a desacelerarem o suficiente para compreenderem, de fato, aquilo que realmente precisa ser transformado. Ajuda líderes a desenvolverem clareza em meio ao excesso de informação. Ajuda equipes a construírem significado diante da complexidade. E ajuda pessoas a transitarem entre o medo e a possibilidade. Mais do que conduzir projetos, ele sustenta processos humanos.
Porque nenhuma tecnologia é capaz de substituir a capacidade humana de criar sentido para a mudança.
A liderança que o futuro exige
Talvez a liderança do futuro não seja aquela que consegue fazer mais coisas ao mesmo tempo. Talvez seja aquela que consegue discernir o que realmente importa.
Não se trata de desacelerar a transformação. A transformação continuará acontecendo. Novas tecnologias continuarão surgindo. Novos modelos de negócio continuarão emergindo. O mercado continuará exigindo adaptação.
A questão não é reduzir a velocidade da mudança, mas aumentar nossa capacidade de presença diante dela. Porque somente uma liderança presente consegue gerar confiança. Somente uma liderança presente consegue desenvolver pessoas. Somente uma liderança presente consegue transformar informação em sabedoria. E somente uma liderança presente consegue conduzir organizações em um mundo onde a mudança deixou de ser um evento para se tornar uma condição permanente.
Vivemos uma época em que o relógio nunca para. Mas talvez a pergunta mais importante não seja quantas horas temos disponíveis. Talvez seja: estamos verdadeiramente presentes no tempo em que estamos vivendo?
Porque, na era da Inteligência Artificial, a vantagem competitiva não estará apenas na velocidade com que fazemos as coisas.
Estará, sobretudo, na consciência com que escolhemos fazê-las.
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como desenvolver a competência da mudança com presença, consciência e discernimento na era da aceleração? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Kátia Soares
Fundadora da Agentes da Mudança, escritora, palestrante, educadora, mentoring, executive coaching, especializada em cultura e mudança organizacional, Advisory e Conselheira Consultiva empresarial
https://www.agentesdamudanca.com.br
Confira também: A Reimaginação do Ecossistema Industrial na Dinâmica do Uso da IA Atrelado à Competência da Mudança
Palavras-chave: competência da mudança, liderança presente, Inteligência Artificial, interventor da mudança, gestão da mudança, capacidade instalada do ser humano, era da Inteligência Artificial, qualidade de atenção, piloto automático, era da aceleração, liderança do futuro
Participe da Conversa
O Paradoxo da “Caverna Digital”:
Por Que Empreendedores Brilhantes Continuam Invisíveis no LinkedIn?
Muitas coisas acontecem no LinkedIn. Em 2026, mais ainda. Isso gera muito falatório. O que pouca gente tem coragem de falar são seus medos e fracassos. Eu chamo de “Síndrome do Perfil Congelado”.
Você passa anos construindo uma carreira sólida. Acumula bagagem, resolve problemas complexos nos bastidores, desenvolve uma metodologia própria e decide: “É hora de digitalizar meu conhecimento e criar minha mentoria”.
Ocorre que, na hora de dar o comando para avançar, algo então acontece: os dedos travam sobre o teclado, a tela em branco do LinkedIn parece julgar você.
Vejamos o que se passa na sua mente nesse exato momento…
- “O que meus ex-colegas de mercado vão de fato pensar se eu começar a me autopromover?”
- “E se disserem que estou sendo raso ou então comercial demais?”
- “Será que tenho autoridade suficiente para cobrar por mentorias de alto valor?”
Eu vivenciei essa realidade aqui! O medo do julgamento alheio age como uma frente fria e paralisa. Para que você possa se proteger, você se esconde atrás de um perfil que parece um currículo estático ou, pior, passa a postar conteúdos genéricos, impessoais e institucionais. Você entra no Estado Frozen.
Enquanto você se esconde na segurança da caverna, o mercado continua girando. Profissionais com metade da sua competência técnica (e coragem) estão atraindo os clientes que deveriam ser seus. Diria que esse é o espaço onde surgem “os picaretas”. Você sabe fazer e tem medo… O picareta não sabe nada e mete as caras, gerando assim grana… muita grana.
Como sair da caverna digital? Como reverter esse jogo sem parecer um vendedor chato ou então um profissional arrogante? A resposta está em uma única engrenagem: Prova Social Estratégica.
LinkedIn não é um banco de currículos; é uma arena de validação.
Em serviços intangíveis, como mentorias, o cliente não pode tocar no produto antes de comprar. Ele compra algo muito mais valioso: confiança.
Muitos empreendedores acreditam que, para que possam gerar confiança no LinkedIn, precisam ostentar títulos acadêmicos na headline ou publicar textos densos que parecem teses de doutorado. Esse é um erro clássico que afasta o público, que busca soluções práticas, não conceitos teóricos.
No ambiente digital, a sua autoridade não é o que você diz sobre si mesmo. A sua autoridade é o que os seus resultados dizem por você. Quando você transforma o seu LinkedIn em uma vitrine de transformação real, então o medo do julgamento desaparece. Sabe por quê? Porque, contra fatos e dados, não há argumentos! Você deixa de “se promover” e passa simplesmente a “testemunhar o sucesso” de quem confiou no seu método.
Se você quer que o mercado clame pelo seu acompanhamento, então seu perfil precisa espelhar três tipos de validação:
1. Prova Social de Conexão Humana
Esqueça os prints frios de métricas de vaidade. O que o seu cliente ideal quer ver é a transformação emocional. É aquele print de WhatsApp de uma mentora dizendo:
“Luciano, passei duas semanas sem dormir com medo de postar, mas segui seu passo a passo e fechei meu primeiro contrato de 5 dígitos hoje”.
Isso prova que você não entrega apenas processos, mas que você entrega alívio, destrave e RESULTADOS.
2. Estudo de Caso Narrativo
Em vez de postar “Olha o resultado do meu cliente”, opte por contar uma história. Veja:
“Esta é a história da Cláudia. Aos 45 anos, ela tinha medo de se expor no LinkedIn. Ela acreditava que o mercado digital era apenas para jovens de 20 anos. Nós redesenhamos a oferta dela, limpamos o ruído do perfil e, na primeira semana, a locomotiva dela andou”.
O leitor se conecta com a jornada, se enxerga na Cláudia e deseja o mesmo mentor.
3. Validação por Associação
Quando você interage com o mercado com maturidade, gerando debates de alto nível nos comentários e recebendo recomendações espontâneas na sua seção de “Competências”, você cria um campo de atração invisível. O cliente percebe que você faz parte do ecossistema dos SOLUCIONADORES.
Do Gelo ao Movimento: O Próximo Passo
O posicionamento digital estratégico para venda de serviços não exige que você force um personagem ou dance na frente das câmeras. Pede apenas que você organize o seu ecossistema para que o valor do seu trabalho seja óbvio à primeira vista.
O LinkedIn é a maior mesa de negócios do mundo. Uma Ferrari! Se o seu perfil hoje está agindo como uma pedra de gelo (estático, frio e focado no passado), você está deixando dinheiro, conexões e impacto na mesa.
Você não precisa continuar construindo sua estrutura digital sozinho, batendo cabeça com ferramentas ou alimentando a insegurança de não saber se está no caminho certo. Existe um método para derreter esse bloqueio e colocar, sem dúvida, sua vida profissional nos trilhos certos.
O caminho para sair da caverna digital está a um passo de você. Deixe um comentário abaixo com a sua maior dúvida sobre posicionamento ou, se preferir manter a discrição sobre seus próximos passos estratégicos, envie então uma mensagem diretamente no meu inbox.
Vamos conversar sobre como colocar o seu conhecimento em movimento.
Saia do “Estado Frozen”.
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como sair da Caverna Digital, vencer a invisibilidade no LinkedIn e transformar sua experiência em autoridade, confiança e clientes? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Luciano Steffen
Mentor de Carreira e LinkedIn
#eutirovocedoestadofrozen
Confira também: Inteligência Artificial: O Desafio Social do Futuro
Palavras-chave: invisibilidade no LinkedIn, caverna digital, paradoxo da caverna digital, prova social, autoridade, confiança, prova social estratégica, medo de se expor no LinkedIn, empreendedores invisíveis no LinkedIn, como sair da invisibilidade no LinkedIn, como vencer a invisibilidade no linkedin posicionamento digital estratégico, o que é o paradoxo da caverna digital, o que é caverna digital, como sair da caverna digital
Participe da Conversa
O Que Você Realmente Quer?
A Terapia Filosófica Ajuda a Revelar
Existe uma tensão silenciosa que muita gente carrega sem perceber: desejar algo com intensidade e, ao mesmo tempo, acreditar no fundo que aquilo nunca vai chegar.
Lao Tsé, o sábio chinês do Tao Te Ching, já avisava — esse conflito interno não é apenas frustrante, ele é corrosivo. Querer muito e, ao mesmo tempo, se convencer de que está além do seu alcance cria um estado mental que paralisa você sem que você perceba.
Ele chamava isso de um desvio do fluxo natural das coisas. A arte não é deixar de querer, mas aprender a procurar sem se agarrar à busca. Agir com intenção, mas sem tensão. Confiar no caminho enquanto você o percorre. Parece simples quando lemos assim, mas na prática, quantas vezes você já sabotou algo bom porque uma voz interna dizia que não era para você?
E é aqui que a filosofia budista toca o mesmo ponto por outro ângulo: o que você experimenta na vida não é o que você fantasia — é o que você, no fundo, realmente acredita merecer e espera que aconteça. Não o sonho da superfície, mas a convicção que mora embaixo dele.
Isso significa algo poderoso: você pode começar a influenciar o seu futuro observando com honestidade o que está querendo agora.
Não o que você diz querer. O que você realmente quer — aquilo que seus pensamentos, suas escolhas e suas atitudes confirmam todos os dias, mesmo quando você não está prestando atenção.
Porque a mente tem uma coerência própria. Ela tende a construir exatamente o cenário que considera verdadeiro, não o que considera desejável. E quando desejo e crença estão em conflito, a crença quase sempre vence. É por isso que tantas pessoas ficam presas num ciclo de querer e não alcançar, sem entender o que está acontecendo por baixo.
A pergunta não é “por que isso não acontece comigo?” — a pergunta é “o que eu realmente estou pedindo para acontecer?” E mais ainda: “estou disposto a olhar para isso com honestidade?”
Esse tipo de olhar não é fácil de fazer sozinho. Requer um espaço seguro, sem julgamento, onde as ideias possam ser examinadas com calma e profundidade.
É exatamente isso que a terapia filosófica oferece.
Não respostas prontas, mas as perguntas certas — aquelas que movem algo por dentro. Se você sente que seus desejos e sua realidade vivem em mundos diferentes, talvez valha a pena focar essa questão de forma mais intencional.
Filosofia não é algo distante ou abstrato. É uma ferramenta viva que, quando trabalhada com cuidado, pode clarear o que está turvo dentro de você — e transformar profundamente o modo como você se relaciona com seus próprios desejos, com suas escolhas e com o futuro que você está, agora mesmo, ajudando a construir.
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como a terapia filosófica pode ajudar você a entender o que realmente quer e alinhar desejos, crenças e escolhas? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em ajudar.
Até o próximo artigo.
Um abraço,
Cleyson Dellcorso
https://www.dellcorso.com.br/
Confira também: Procrastinação e Autossabotagem: O Silêncio Que Nos Consome
Palavras-chave: terapia filosófica, desejos, crença, escolhas, futuro, o que você realmente quer, desejo e crença, conflito interno, espaço seguro, perguntas certas
Participe da Conversa
Crenças Limitantes: Como Reconhecer o Que Tem Travado Sua Vida
Tem dias em que a vida parece emperrada. Você quer avançar em alguma área, seja no trabalho, nos relacionamentos ou na saúde, mas algo invisível segura seus passos. Você se sabota sem entender por quê. Evita oportunidades com desculpas que, no fundo, não convencem nem a você mesmo. Sente que os outros conseguem, mas você não. Que, para os outros, é mais fácil.
Esse “algo invisível” tem nome: crenças limitantes.
São aquelas vozes internas que dizem: “eu não sou bom o suficiente”, “não mereço ganhar bem”, “amor sempre machuca”, “eu não tenho jeito para isso”, “quem sou eu para ocupar esse espaço?”. Talvez você não as ouça assim, tão claramente. Elas aparecem mais nas atitudes: na hora de recusar um elogio, de não se candidatar a uma vaga, de ficar em um relacionamento que faz mal, bem como de colocar todo mundo na frente de você.
Elas não chegam anunciadas. Foram se instalando ao longo da vida, a partir de experiências dolorosas, de frases ditas por adultos que nos marcaram, de padrões que observamos em casa e aceitamos como verdade. Com o tempo, deixamos de questioná-las. Elas se tornam parte da nossa identidade, e passamos a agir como se fossem fatos, quando, na verdade, são apenas interpretações, muitas vezes distorcidas, do que vivemos.
O primeiro passo para a libertação é perceber que a crença existe.
Isso exige parar e observar os próprios pensamentos com curiosidade, sem julgamento. Pergunte-se: “O que eu acredito sobre mim nessa área da minha vida?”. Escreva. Coloque para fora. Muitas vezes, ao ver a crença escrita no papel, já sentimos o quanto ela é injusta conosco.
O segundo passo é questionar a origem.
Quando foi que você começou a acreditar nisso? Quem disse essa frase primeiro? Essa pessoa tinha autoridade real para definir quem você é? Quase sempre, a resposta é não.
O terceiro passo é buscar evidências contrárias.
Nossa mente tende a confirmar o que já acredita e a ignorar o que contradiz. Por isso, lembre situações em que você foi capaz, foi suficiente, foi merecedor. Elas existem. Sempre.
É aqui que o coaching faz toda a diferença.
Sozinhos, dificilmente enxergamos nossas próprias crenças, porque elas parecem ser a realidade, não uma escolha. O processo de coaching cria um espaço seguro de escuta e questionamento, em que você é convidado a olhar para si com honestidade e sem julgamento. Por meio de perguntas poderosas, o coach ajuda você a identificar quais crenças estão por trás dos seus comportamentos, de onde elas vieram e, principalmente, se ainda fazem sentido para a pessoa que você é hoje.
Mais do que isso, o coaching oferece ferramentas concretas para ressignificar essas experiências, substituir padrões que limitam por escolhas mais conscientes e, além disso, construir uma nova forma de se ver e de agir no mundo.
Não se trata de apagar o passado, mas de deixar de ser governado por ele.
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como identificar e reconhecer crenças limitantes pode ajudar você a destravar sua vida, superar as barreiras e fazer escolhas mais conscientes? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em ajudar.
Sandra Rosenfeld
https://www.sandrarosenfeld.com
Confira também: Governança Profissionalizada: O que Realmente Sustenta o Crescimento de uma Empresa
Palavras-chave: crenças limitantes, coaching, vida, crenças, experiências, o que tem limitado a sua vida, como reconhecer crenças limitantes, como superar crenças limitantes, identificar crenças limitantes, processo de coaching, ressignificar crenças limitantes
Participe da Conversa
A Conexão do Pintor e Sua Tela — e a Comunicação nas Organizações
Noutro dia, analisava uma foto tirada de um pintor, no exato momento em que ele deslizava seu pincel sobre a tela branca de um futuro quadro seu. E percebi algo quase mágico fluindo entre essas duas personas: o artista e sua tela.
Ao observar os momentos anteriores a esse encontro, percebo que há etapas e preparos. A tela não poderia ser tão somente uma tela qualquer. Para cada tipo de trabalho, há determinado aspecto da tela que merece ser observado.
Normalmente, o artista opta por telas constituídas de um tecido esticado e fixado, a rigor, a uma estrutura de madeira denominada painel ou chassi. Sobre esse tecido, é posta uma base branca, denominada gesso acrílico, que se constitui num preparo a ser aplicado sobre esta superfície. Os tipos mais usuais são os de linho, de maior durabilidade; os de algodão, mais afeitos aos ofícios de estudantes e trabalhos cotidianos; e os sintéticos.
O mais popular é o de algodão, por ser mais acessível e exigir menos esforço para ser esticado, sendo o preferido para tintas acrílicas e tintas a óleo. Já o de linho, considerado o padrão-ouro pelos pintores, caracteriza-se por conter fibras mais longas, ser de alta durabilidade e não se deformar com facilidade. Por fim, temos o sintético (poliéster), que apresenta maior resistência ao mofo e à umidade.
A tela, ao estar pronta, está agora apta ao que vier do pintor, seu dono, submetendo-se passivamente à sua inspiração e ao seu talento, tal como uma mulher se entrega num ato de paixão.
O artista, por seu turno, já separou as tintas com as quais pretende exercer seu ofício e encara a área branca à sua frente, tragando inspirações de sua musa ou de outros pontos profundos de sua alma, história e lembranças, despejando sua habilidade motora e sensorial, envolvendo-se num balé com seus pincéis e sua tela, ora num ritmo suave, ora numa fúria estrondosa e cheia de energia, dominado que foi por sua relação com sua obra.
Cores e linhas
Durante o processo criativo, as emoções e ideias que vão surgindo à mente do pintor se debruçam sobre a aquarela e demais opções de cores dispostas na sua bancada, travando uma comunicação silenciosa entre elas e as possibilidades que resultem no quadro mais próximo daquilo que o seu desejo pretende retratar, com a maior fidelidade que esses elementos permitam. Nada lhe pode escapar ou ser-lhe negligenciado! Nem um sobretom decorrente das misturas das tintas, nem um traço desenhado de forma imprudente. A figura que se constrói exige esmero, preparo, sensibilidade aguçada, empatia com a obra e a sua mensagem! O balé permanece vibrante, usando movimentos e cores complementares. Visão aguçada e ultradimensional, invadindo até órbitas espirituais, resvalando em Deus e retornando com iluminação divina.
A realidade toma, então, forma e vida, simulando uma conversa final entre a obra e seu criador sem que uma só palavra tenha saído dos lábios do artista. E a tela branca e antes desnuda, que se doou à arte e ao pintor, agora se recupera da frenética evolução do quadro, desde o seu início até o lavar dos pincéis pelo artista, e descansa silente sobre o cavalete que a suporta. Contudo, a mensagem está nela gravada para sempre. Os visitantes da sua futura exposição, seja em casas particulares ou museus públicos, terão reações das mais diversas, porque a interpretação da obra não é de cunho particular. Mas só o pintor e sua obra detêm, cada um de per si, a intensidade do processo criativo.
Do Quadro para a Aplicação Prática na Empresas
Essa cena acima descrita é uma metáfora útil para a comunicação nas organizações — uma arte que combina técnica, sensibilidade e preparo para produzir resultados claros, eficazes e duradouros, em que o preparo da tela engloba pelo menos três aspectos: estrutura, clareza e contexto.
Antes de o pincel tocar a superfície, o artista selecionou o tecido, esticou-o no chassi e aplicou a base apropriada. Na empresa, isso equivale a definir estruturas e contextos que permitam uma comunicação eficiente. Sem um briefing claro, objetivos bem definidos e canais adequados, as mensagens perdem-se como tinta sobre superfície mal preparada.
Aplicações práticas
- Alinhe objetivos: estabeleça o propósito de cada comunicação (informar, instruir, persuadir), responsáveis e prazos.
- Escolha os canais certos: e-mail para registro, reuniões para alinhamento, mensagens curtas para avisos urgentes; combine formatos síncronos e assíncronos conforme audiência.
- Prepare o ambiente: crie rituais (reuniões curtas, pautas fixas, templates) que garantam consistência e economizem tempo.
A seleção dos devidos e adequados materiais para a obra:
Isso pressupõe também três aspectos, a saber: o nível da linguagem do seu conteúdo, bem como o tom e a audiência.
O pintor escolhe entre linho, algodão ou sintéticos conforme a durabilidade e o efeito desejado. Da mesma forma, a escolha do conteúdo e do tom deve considerar o receptor: executivos, equipe técnica, clientes ou parceiros. Um relatório técnico exige densidade e precisão; uma comunicação motivacional pede linguagem concreta e empática.
Técnicas aplicáveis:
- Segmentação: adapte a mensagem ao público; use sumários executivos quando necessário.
- Tom e registro: decida entre formalidade e proximidade com base em cultura organizacional e objetivo.
- Teste rápido: dirija mensagens-chave a pequenos grupos para ajustar vocabulário e exemplos.
O movimento do artista:
Inclui o ritmo, o feedback e igualmente, a iteração. O balé entre pincel e tela envolve movimentos suaves e explosões de energia. Comunicação eficaz também tem ritmo: alternância entre emissão e escuta, uso de feedback e ajustes contínuos. A ausência desse ciclo torna a comunicação unidirecional e menos eficaz.
Como operacionalizar:
- Feedback estruturado: inclua rotinas de retorno em todos os processos (por exemplo: retrospectivas, pesquisas curtas, caixas de sugestão).
- Ciclos curtos: prefira iterações rápidas para validar ideias antes de grandes lançamentos.
- Acompanhamento: monitore impacto com métricas simples (por exemplo: taxa de leitura de comunicados, participação em reuniões, tempo médio de resposta).
Das cores e linhas:
Atenção às emissões de sinais não verbais e à coerência! No quadro, matizes sutis e traços determinam a percepção final. Na empresa, linguagem corporal, entonação e consistência entre discurso e prática pintam a reputação da organização. Mensagens contraditórias corroem confiança tão rapidamente quanto pinceladas descuidadas danificam uma obra.
Práticas recomendadas:
- Coerência entre palavra e ação: garanta que as decisões e os comportamentos dos líderes reflitam, de fato, as comunicações oficiais;
- Treinamento em comunicação não-violenta e escuta ativa para líderes e equipes;
- Padronização visual e verbal em materiais institucionais para reforçar identidade.
Resultado de esperado dentro da organização:
Uma obra que fala! Ao final, a tela não é mais um objeto passivo; ela carrega uma mensagem que inspira reações diversas, dependendo do olhar de quem a vê. Nas organizações, uma comunicação bem-feita não garante interpretações idênticas, mas reduz ruídos, aumenta o alinhamento e fortalece a cultura.
Exemplo prático no contexto de uma empresa:
Uma empresa de médio porte, conforme pesquisas da área comercial, implementou três mudanças simples: briefing obrigatório antes de anúncios, resumo executivo em todos os relatórios e rodadas mensais de feedback. Em seis meses, registrou uma queda de 28% nas dúvidas enviadas por e-mail e um aumento de 15% na percepção de clareza em pesquisa interna.
Conclusão:
Comunicar bem é preparar a tela, escolher os materiais, executar com técnica e ajustar a partir do retorno dos resultados colhidos. A conexão entre emissor e receptor, quando calibrada, transforma informações em ações concretas — e essa é a verdadeira arte da liderança organizacional. Eu diria, ainda, que é uma verdadeira obra de arte!
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como a comunicação eficaz e eficiente nas organizações pode reduzir ruídos, alinhar equipes e transformar informações em ações concretas? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em ajudar.
Acácio Lima dos Santos
https://acacio.lovable.app
Confira também: Um Recado do Mar: Quando a Calmaria nas Empresas Esconde Correntes Perigosas
Palavras-chave: comunicação nas organizações, comunicação, feedback, mensagem, cultura organizacional, comunicação eficiente, comunicação eficaz, comunicação eficaz e eficiente, diferença entre comunicação eficaz e eficiente, comunicação bem-feita, comunicação não-violenta e escuta ativa, transforma informações em ações concretas.
Participe da Conversa
“O problema não é o problema.
O problema é sua atitude com relação ao problema.”
(Kelly Young)
Hoje, a tristeza me visitou. Tocou a campainha, subiu as escadas, bateu à porta e entrou. Não ofereci resistência. Houve um tempo em que eu fazia o impossível para evitá-la adentrar os meus domínios. E quando isso acontecia, discutíamos demoradamente. Era uma experiência desgastante. Aprendi que o melhor a fazer é deixá-la seguir seu curso. Agora, sequer dialogamos. Ela entra, senta-se na sala de estar, sirvo-lhe uma bebida qualquer, apresento-lhe a televisão e a esqueço! Quando me dou por conta, o recinto está vazio. Ela partiu, sem arroubos e sem deixar rastros. Cumpriu sua missão sem afetar minha vida.
Hoje, a doença também me visitou. Mas esta tem outros métodos. E outros propósitos. Chegou sem pedir licença, invadindo o ambiente. Instalou-se em minha garganta e foi ter com minhas amígdalas. A prescrição é sempre a mesma: Amoxicilina e Paracetamol. Faço uso destes medicamentos e sinto-me absolutamente prostrado! Acho que é por isso que os chamam de antibióticos. Porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida…
Hoje, problemas do passado também me visitaram. Não vieram pelo telefone porque palavras pronunciadas ativam as emoções apenas no momento e, depois, perdem-se difusas, levadas pela brisa. Vieram pelo correio, impressos em papel e letras de baixa qualidade, anunciando sua perenidade, sua condição de fantasmas eternos até que sejam exorcizados.
Diante deste quadro, não há como deixar de sentir-se apequenado nestes momentos. O mundo ao redor parece conspirar contra o bem, a estabilidade e o equilíbrio que tanto se persegue. O desânimo comparece estampado em ombros arqueados e olhos sem brilho, que pedem para derramar lágrimas de alívio. Então, choro. E o faço porque Maurice Druon ensinou-me, através de seu inocente Tistu, que se você não chora, as lágrimas endurecem no peito e o coração fica duro.
Limão e limonada
As ciências humanas estão sempre tomando emprestado das exatas, termos e conceitos. A última novidade vem da física e atende pelo nome de resiliência. Significa resistência ao choque ou a propriedade pela qual a energia potencial armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo.
Em humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo isso através de um dito popular, é fazer de cada limão, ou seja, de cada contrariedade que a vida nos apresenta, uma limonada saborosa, refrescante e agradável.
Aprendi que pouco adianta brigar com problemas. É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E com rapidez, de maneira certa ou errada. Problemas são como bebês, só crescem se alimentados. Muitos se resolvem por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma inadequada, eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você os anula com correção. A felicidade, pontuou Michael Jansen, não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados.
Aprendi a combater as doenças. As do corpo e as da mente. Percebê-las, identificá-las, respeitá-las e aniquilá-las. Muitas decorrem menos do que nos falta e mais do mau uso que fazemos do que temos. E a velocidade é tudo neste combate. Agir rápido é a palavra de ordem. Melhor do que ser preventivo é ser preditivo.
Aprendi a aceitar a tristeza. Não o ano todo, mas apenas um dia, à luz dos ensinamentos de Victor Hugo. O poeta dizia que “tristeza não tem fim, felicidade, sim”. Porém, discordo. Penso que os dois são finitos. E cíclicos. O segredo é contemplar as pequenas alegrias em vez de aguardar a grande felicidade. Uma alegria destrói cem tristezas…
Modismo ou não, tornei-me resiliente. A palavra em si pode cair no ostracismo, mas terá servido para ilustrar minha atitude cultivada ao longo dos anos diante das dificuldades impostas ou autoimpostas que enfrentei pelo caminho, transformando desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculos em oportunidades, tristeza em alegria.
Nós apreciamos o calor porque já sentimos o frio. Admiramos a luz porque já estivemos no escuro. Contemplamos a saúde porque já fomos enfermos. Podemos, pois, experimentar a felicidade porque já conhecemos a tristeza.
Olhe para o céu, agora! Se é dia, o sol brilha e aquece. Se é noite, a lua ilumina e abraça. E assim será novamente amanhã. E assim é feita a vida.
Participe da Conversa
Nesta semana que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, gostaria de dizer para todas as Mulheres uma coisa muito importante:
Seu sucesso na vida pessoal e/ou profissional, sua felicidade, sua prosperidade e bem-estar na vida só depende de uma pessoa. Sabe quem é? Você mesma.
E falo mais. Seu sucesso será mais fácil e forte se você Mulher lembrar em ser você mesma. Ou seja, Ser a Mulher que você sempre foi e será.
Esta última afirmação já falei muitas vezes para minhas clientes de Coaching Holístico que buscam Sucesso em algum ponto da vida pessoal e profissional.
Para quem ainda não sabe o que é Coaching, vou explicar agora. Entre muitas definições as que mais eu gosto são:
- Orientar uma pessoa a fazer a travessia entre um ponto ao outro até alcançar sua meta pessoal e/ou profissional com sucesso;
- Coaching é uma assessoria e processo que geram motivação pessoal e profissional, e que tem como objetivo potencializar o nível de resultados positivos nas diversas áreas da vida de um cliente para alcançar uma meta ou objetivo com sucesso.
E o que é Coaching Holístico? Coaching Holístico – Processo para Seu Sucesso na Vida e Concretização das suas Metas. O cliente vai se conhecer melhor, olhar para si, sua vida e descobrir seu potencial adormecido. Vai melhorar sua autoestima e ter mais autoconfiança. Tem Dificuldade em vencer? Pelo Coaching Holístico iremos desbloquear o que atrapalha e mudar Padrões Mentais para Vencer.
Este é o ponto chave do inicio do Sucesso de qualquer pessoa: Padrões Mentais. Quem acredita que é um fracasso, que não vai vencer na vida ou que não merece ter sucesso nas metas ou sonhos, tenha certeza que nada vai mesmo ocorrer de bom na vida. O Sucesso vai passar bem longe destas pessoas.
Agora imagine uma mulher que desde pequena é “esmagada” pela família e sociedade a sufocar sua força, a matar sua arte e beleza, para não acreditar em si e nas suas qualidades e habilidades para realizar.
Já atendi moças que acreditam que não merecem um amor porque alguém falou que ela é feia ou amor só faz mal. Como vão amar se não têm uma boa energia sobre o amor? Como amar se sua autoestima foi chutada? Só vai amar se mudar, acreditar que pode e merece amar. E que ela é uma super mulher.
O mesmo ocorre com a realização de outras metas pessoais e profissionais. Se uma pessoa foi condicionada a sempre pensar que é inferior, incapaz ou que não merece ser feliz ou prosperar, com certeza vai sofrer para conseguir. Imagine uma mulher que no geral é mais sufocada.
Ainda bem que tem solução. É um pouco demorado, varia de pessoa para pessoa, mas tem que trabalhar, treinar e movimentar-se para mudar padrões e condicionamento mental e energético.
Mas, é possível e já vi milagres.
Qual é o primeiro passo? Acreditar em Você. Acreditar na pessoa poderosa que há dentro de você.
Acreditar na Mulher que há dentro de você.
Sucesso e Feliz Dia da Mulher!
Participe da Conversa
A Copa do Mundo acabou. A seleção alemã com sua organização, futebol bonito e muita técnica, merecidamente, levou o caneco. É tetracampeã.
E a nossa Seleção Canarinho? Que papelão! Desde o início da Copa, nos quatro cantos deste Brasil, todos falavam que era forte candidata a ser hexacampeã. E por que todos acreditavam nisto? Porque jogava em casa, tinha apoio da torcida brasileira, a mídia falava que era a melhor seleção, tinha uma comissão técnica com dois técnicos que venceram Copas Mundiais (Parreira em 1994 e Felipão em 2002) e o clima ajudava.
Mas o que vimos foi um total fiasco e uma humilhante goleada histórica por 7×1 para os alemães na semifinal da Copa.
Enfim, perdemos a Copa e ficamos em quarto lugar após perder para a Holanda na disputa pelo terceiro lugar. E agora? Como diz o poema de Carlos Drummond de Andrade:
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?(Carlos Drummond de Andrade)
E agora, Seleção Brasileira? Agora é hora de mudanças. E mudanças drásticas e profundas na filosofia e na organização.
A CBF terá que ter coragem de assumir sua culpa no fracasso e incompetência administrativa na condução da Seleção Canarinho na Copa. A CBF e o novo técnico terão que ter coragem de fazer mudanças drásticas na nova Seleção Brasileira daqui para frente. Podem e devem seguir o ótimo exemplo que viveu a seleção alemã no final dos anos 90. Após fiascos seguidos, a Confederação Alemã de Futebol chegou à conclusão de que era hora de mudar tudo. Mudanças drásticas foram implantadas. Bancaram com coragem um técnico permanente nos últimos 10 anos que, com um grupo de jogadores com uma nova cabeça, união e humildade, deram um Show na Copa do Brasil e levaram o Caneco.
Mudança requer determinação. Mudanças drásticas requerem também muita coragem, pois haverá muita resistência das pessoas que já estão na zona de conforto ou que não aceitam que está tudo errado na vida ou no jogo.
Quer ver um exemplo recente? A entrevista da Comissão Técnica da Seleção Canarinho após o vexame de 7×1. Para Felipão e Parreira, nada estava errado na preparação da Seleção Brasileira. O problema foi um apagão geral do time todo que o levou a tomar 4 gols em 6 minutos.
Pois é Felipão, não houve problema algum no seu trabalho. Foi só um apagão que custou um vexame histórico e 200 milhões de brasileiros frustrados.
Como dizem, “o pior cego é o que não quer ver”. Ou “errar é humano, persistir no erro é ser Felipão”, teimoso e arrogante. Não assume os erros e afunda a emoção de milhares de pessoas.
Mas a Copa acabou e a CBF já começou as mudanças. Adeus comissão técnica fracassada. Vida e esperanças novas.
Espero que agora façam mais. Que tenham a coragem de fazer mudanças drásticas em tudo ligado a futebol.
E você? Está com coragem de fazer mudanças drásticas na sua vida pessoal ou profissional?
Ou vai ficar chorando e dando desculpas para que sua vida seja um fracasso ou cheia de frustrações?
Chega de Síndrome de Felipão, né?
Seu lema hoje: “Mudanças já e com coragem para ser feliz”.
Participe da Conversa
Frequentemente as mudanças acontecem na vida da gente. Em algumas vezes, estamos preparados para elas, em outras elas representam uma grande surpresa. Por vezes, desejamos a mudança, vislumbrando uma nova oportunidade em nossa vida. Acontece também de não as desejarmos, pois estamos felizes com as coisas do jeito que estão. Mas as mudanças acontecem, quer queiramos ou não…
Quando buscamos algo melhor, costumo dizer que estamos criando a mudança, pois estamos não só indo atrás dela, como desejamos que coisas melhores ocorram. Nesta hora, dizemos que a mudança é positiva e bem-vinda.
Mas existe também aquela mudança que você não deseja. Tudo estava bem do jeito que estava, por que mudar agora? Nesta hora criamos resistências, não aceitamos a oportunidade que a vida nos dá para novos desafios. Reclamamos e amaldiçoamos pelo que nos acontece.
Pessoas proativas são as que criam as mudanças, vislumbram novas oportunidades, desejam sempre mais, porque sabem que estão em constante crescimento e aprendizado. Pessoas acomodadas se comportam como árvores, não saem dos seus lugares, esperam que tudo ocorra como desejam ou que tudo se mantenha exatamente como está.
Se você se identificou com o segundo tipo, aqui vai uma reflexão: você não é uma árvore… você não nasceu com raízes que lhe impossibilitam de mudar de lugar. Você também pode dizer que não nasceu com asas, que te possibilitariam voar, mas eu diria que você nasceu com algo melhor do que asas: inteligência e criatividade. Faça por merecer a inteligência que tem e saiba reconhecer quando é hora de mudar.
Nosso mundo é dinâmico, nada é estático. Já dizia Heráclito: “Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio”. Claro! O rio não é o mesmo… nós também não somos! Creio que hoje somos melhores que ontem, piores do que amanhã. E assim prossegue o rio da vida, propiciando mudanças para que tenhamos – todos os dias – novas oportunidades, novos olhares, novos aromas, novas experiências. Saia do lugar! Você não é uma árvore…
Participe da Conversa
Responda rápido a minha pergunta:
– De zero a 100% qual é o seu grau de comprometimento em ler este artigo até o final?
Estranha a pergunta? Para quem é Coach ou faz sessões de Coaching esta pergunta é corriqueira. Toda vez que atendo um cliente de Coaching Holístico e definimos uma meta ou tarefa, sempre fecho a sessão com esta pergunta:
– Qual é o seu grau de comprometimento em realizar esta tarefa ou meta?
Em geral o cliente responde 100%. Só que nem sempre isto ocorre. Nem sempre o cliente se compromete 100% em executar a tarefa ou meta.
Um dos maiores problemas de uma pessoa que faz Coaching é a falta de comprometimento. É mais fácil dar desculpas do que tentar cumprir o que se comprometeu.
E falta de comprometimento não é só no Coaching que ocorre. No dia a dia de qualquer empresa os funcionários nunca cumprem o que prometem e se comprometem. É uma total falta de responsabilidade, profissionalismo e até de caráter da pessoa.
Sua atitude vai prejudicar a empresa, seus colegas de trabalho e a si mesmo. Aí perde o emprego e reclama.
E o que falar de pessoas no nosso dia a dia que prometem algo para alguém ou para si mesmo e não cumprem. Cadê o comprometimento, gente?
Falta de comprometimento na via profissional e pessoal é um péssimo hábito. Quem não tem comprometimento leva a “vida na flauta” ou “seja o que Deus quiser”.
O cliente senta na minha frente na sessão de Coaching, fala que quer ter sucesso na vida, jura 100% de comprometimento e falta na sessão seguinte dizendo que tem outro compromisso importante.
Compromisso importante? E os 100% de comprometimento que ele “juramentou” com ele próprio em alcançar sucesso? Não é mais importante?
Parece que não. Estas pessoas que não cumprem o que falam, acham que estão enganando seu Coach, seu chefe ou sua própria vida.
Na verdade esta pessoa que não cumpre nem 1% do que se compromete, está enganado a si próprio. Está perdendo seu tempo e não o meu.
Você que não cumpre o que promete ou se compromete, fica aqui um recado para refletir:
Não cumpre o que promete, não avança, não vence e não conquista.
Para ajudar, significado de Comprometimento:
“Esta é uma atitude que poderíamos definir como algo de cunho moral, afinal, literalmente, remete ao cumprimento de um tratado, um pacto firmado.
Significa “honrar a palavra empenhada”. O comprometimento está vinculado ao clima organizacional, à cultura e aos valores da empresa. As pessoas estão dispostas a lutar por aquilo em que acreditam, seja no plano profissional ou pessoal. E lutam pela verdade!
Há uma relação íntima entre esta competência e a capacidade de estabelecer e cumprir metas. E esta relação está presente na própria palavra.
É por ai. Boa semana!
Participe da Conversa
Você já parou para pensar a força que estas duas palavras possuem? Bom Dia e Obrigado.
Palavras simples, óbvias, porém em muitos momentos esquecidas pelo corre-corre da falta de tempo, pelo mau humor que nos atinge, pelo status que faz acreditar que não se faz necessário ou pelo simples hábito de não se utilizar no vocabulário.
Certa vez ouvi em um treinamento de liderança: como você gostaria de ser liderado? E para minha surpresa: com um bom dia e um muito obrigado. E comecei a pensar.
Será que somente na gestão gostaríamos de ouvir estas palavras?
Quem não gostaria de ouvir pela manhã este simples gesto ou num momento que está desmotivado um obrigado por um trabalho realizado?
A palavra bom dia abre portas, pode ser o início de uma conversa difícil; quebrar o gelo num momento de nervoso, despertar o sorriso nos mais contagiantes, demonstrar respeito ao próximo e principalmente celebrar a oportunidade de um novo dia, cheio de desafios, atividades a serem desenvolvidas, pessoas a conhecer, negociações a vencer. Oferece uma palavra positiva para você e para quem ouve, transmitindo pensamentos positivos.
Pode parecer longe demais, mas e se nós realmente ao dizermos esta simples palavra, buscássemos ter o nosso Bom dia?
Onde você conhecendo seus valores, desejos e objetivos gera uma atitude consciente para que consiga o resultado esperado. Que possa vencer o medo, a desmotivação, a baixa estima e quebrar barreiras, obstáculos na comunicação, relacionamentos e descubra caminhos efetivos de atingir o sucesso e por que não a felicidade tão sonhada?
Pense nisso e se permita a realmente ter um bom dia.
A palavra obrigado tem significados interessantes segundo o dicionário: ser obrigado a fazer, obrigar por lei, ser grato, reagir a algo correspondido.
Palavra igualmente simples, mas difícil de ser dita por aqueles que justamente se sentem na obrigação de fazê-lo, mas nobre e cheia de ternura, gratidão e reconhecimento por quem diz e recebe.
Um feedback por algo, dar-lhe a vez, agradecer um trabalho, um presente, uma parceria ou um simples objeto que foi entregue, uma porta aberta. O poder do obrigado nos renova as energias, aumenta a motivação, estima, trabalho em equipe e comprometimento.
O obrigado é um gesto de reconhecimento, retorno positivo que se está no caminho certo, de um trabalho bem feito, de um apoio sincero, de uma ajuda para alguém que precisa carregar sua mala, segurar o elevador ou passar simplesmente o sal.
Reforça comportamentos; gera sinergia e cumplicidade.
Que possamos falar obrigada sem a obrigação social, mas dar ao outro o direito de gentileza e valor por um gesto, atitude ou trabalho.
Bom dia e obrigado. Que possam ser um oxigênio. Não tem o hábito? Dê o primeiro passo. Diga para você mesmo, pois este é o maior sentido para despertar para o outro.
Diga a você mesmo o quanto acredita em si e é capaz de buscar seus sonhos e metas; o quanto é grato por sua vida, carreira, família.
Que estas palavras não sejam apenas etiquetas profissionais mas façam parte de seu cotidiano para que ao despertar de um novo dia você tenha bons momentos e possa ser grato pelas conquistas feitas por você e pelos outros.
Pense nisso.
Te desejo um bom dia e obrigada.
Participe da Conversa
É aquela coisa que você já sabe que tem que fazer e não faz. É uma decisão que não toma, um trabalho que não termina, um projeto que não entrega, uma conversa que não rola nunca por que você não toma a iniciativa.
Aí você procura por ajuda, porque sabe que tem alguma coisa errada com isso. Sabe que não é o seu normal, mesmo que nem consiga ver isso com clareza. Você provavelmente dá um Google, pega um livro, conversa com alguém ou mesmo tira um tarô para ver o que dizem e invariavelmente você recebe o mesmo veredicto: “pare de procrastinar para ter sucesso, para conseguir o que você quer. Assuma as rédeas da sua vida, você tem condições, basta querer.”
E aí é que podemos perder uma chance de ouro, a de nos conhecermos melhor e efetivamente dar o salto [quântico] rumo a nós mesmos. Explico: quando vejo, na prática do Coaching, que as pessoas estão procrastinando, eu não falo para elas “superarem” esse problema. Ao contrário, eu sugiro que a gente acolha, pare e olhe para isso que está acontecendo. Vamos entender o que essa lentidão momentânea e consciente tem a dizer, que notícias ela traz desse momento da vida daquela pessoa.
Geralmente a procrastinação é um sintoma. É a ponta do iceberg. Ele traz muitas coisas consigo, que vão além da superfície. O que eu mais vejo na minha prática profissional tem a ver com medo, autossabotagem, insegurança, baixa autoestima, angústia, bloqueio criativo, falta de sentido ou de tesão, incapacidade de assumir o que se quer, entre outras coisas. Cada um desses tópicos merece um texto, ou melhor, um livro em si, então não vamos nos aprofundar agora, certo?
O que eu quero é sugerir que você pare e reflita a respeito do que faz você procrastinar. E busque entender o que esse sintoma está querendo te dizer. Essa é uma maneira muito potente de ir mais fundo e se ouvir, buscar sua verdade e aceitá-la. Acolher o seu momento é a melhor forma de sair dele, como já falei no texto sobre o limbo.
Proponho uma atividade para lhe ajudar nessa reflexão.
Separe um tempo para você, de preferência sozinho e sem interrupções, de aproximadamente 30 a 50 minutos. Procure estar num lugar confortável e, se possível, feche os olhos, respirando profundamente umas 3 vezes ou até conseguir deixar os pensamentos mais quietos, as preocupações de lado…
Então, com o auxílio de papel e caneta ou outro meio que você escolher, comece a atividade:
1º passo: Responda em quais situações específicas da minha vida estou procrastinando agora?
Escreva de maneira sucinta e precisa, como por exemplo: não terminei o projeto X. Não comecei a fazer ginástica. Estou usando muito tempo para fazer tarefa Y. Não estou conseguindo terminar tal coisa. Estou adiando a conversa com fulano.
2º passo: Depois olhe para essas situações que você escreveu e as leia com compaixão. Procure simplesmente aceitá-las, contemplá-las, sem julgá-las. Sei que é difícil não julgar, mas ao menos tente.
Ao observar essas situações, procure apenas abrir espaço para que elas mesmas te digam coisas.
3º passo: Se for o caso, pergunte-se: o que essa situação quer me dizer? O que há aqui, além da superfície? O que eu estou deixando de fazer de verdade? O que está por trás dessa procrastinação que eu não estou querendo ou podendo ver?
4º passo: Veja quais fichas caem, se caem, o que surge. Aceite o que veio, agradeça e só. Guarde tudo e retome sua vida. Se for dormir, boa noite. Se for voltar ao trabalho, bom trabalho. NÃO mexa mais no exercício.
5º passo: Após alguns dias (de 3 a 5 dias), volte ao que você anotou. Novamente observe as situações de procrastinação. Veja se algumas delas você já pode mexer e realizar. Anote as ações que têm que ser feitas.
6º passo: Faça.
Como sempre, quero saber o que surgiu para você, ao ler esse texto. Caíram fichas? Nada rolou? Tá valendo. Compartilhe aqui.
E você já sabe. Qualquer coisa, estou por aqui.
Com amor e com alma,
Karinna
PS: Se você acha que este artigo pode beneficiar alguém, por favor, encaminhe agora para essa pessoa.
PS2: Eu, claro, adoraria que você espalhasse meu artigo por aí, nas suas redes. Assim mais gente curte e compartilha com quem precisa.
Obrigada!
Participe da Conversa
Eu tenho a mais absoluta certeza de que a grande parte dos leitores já ouviu falar sobre a Inteligência Emocional. Aliás, provavelmente, haverá até especialistas e professores na disciplina cuja fundamentação teórica nos remete a Charles Darwin. O que a maioria também sabe está no fato de que a popularização do assunto surgiu quando, há vinte anos, Daniel Goleman publicou um best-seller a respeito. Mas será que a inteligência emocional se confunde com a Inteligência Espiritual? E você, o que pensa a respeito?
Para começo de conversa, deve-se lembrar que o conceito de “inteligência” é algo sobre o que não há unanimidade. A depender da corrente de estudos, esse conceito (que na linguagem dos estudiosos chama-se constructo) terá diferentes interpretações e o pesquisador deve indicar qual a ênfase e abordagem mais adequada ao seu objetivo de momento. Neste nosso caso, vamos nos vincular ao conceito etimológico de que a “inteligência” é a capacidade de identificar as opções, processá-las e decidir por aquela mais conveniente em um dado problema ou situação. Agora, vou tirar o foco da mera conceituação de “inteligência” para tratar do tema ampliado: Inteligência Espiritual.
O estudo da importância da espiritualidade tem crescido bastante, a ponto de haver profissionais da área de saúde que indicam haver alta relação entre a prática espiritual com a saúde mental das pessoas. E aqui surge a necessidade de se fazer outra distinção, pois espiritualidade não é o mesmo que religiosidade. Esta última diz respeito à prática da relação da pessoa com Deus, em que há um sistema de rituais ou simbolismos presentes. A espiritualidade, porém, volta-se à dimensão pessoal que diz respeito à própria existência, uma relação com a consciência sem que haja necessariamente rituais ou símbolos. Ou seja, a espiritualidade diz respeito a atitudes, sentimentos e pensamentos superiores que levam ao crescimento (amadurecimento) do ser humano. A prática da religião pode apoiar a espiritualidade, mas esta vai além.
Voltando ao tema central, vamos nos basear nos estudos e propostas da física e filósofa americana Danah Zohar, ligada a importantes centros de pensamento, nos EUA e Europa. Tendo como linha de pesquisa a física quântica, sobre Inteligência Espiritual ela relata ser algo essencial para promover a cooperação entre as pessoas, tanto na família como em sociedade. Indo além, ela entende que é a Inteligência Espiritual que ajudará as pessoas a alcançarem soluções positivas para o planeta, além de criar um melhor encontro individual nessa caminhada, ao descobrir melhor a si mesmo e aos seus valores. O alto quociente espiritual faz a pessoa ter a vida mais criativa, promissora e com sentido, com identificação do propósito pessoal.
Em seu livro Inteligência Espiritual (Editora: Viva Livros; 2012), escrito com Ian Marshall, Danah comenta que a inteligência emocional faz a pessoa ter capacidade de julgar em que situação se encontra e como deve se comportar, adequadamente, nos limites dessa situação. A Inteligência Espiritual estimula a pessoa a se perguntar se ela deseja estar nessa situação em particular e como é a melhor forma de trabalhar com os limites da situação. Em seu livro ela comenta de dez atributos típicos que mostram quando a pessoa tem um elevado quociente de Inteligência Espiritual.
As características comuns de quem tem alta Inteligência Espiritual são assim resumidas: (1) Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo; (2) São idealistas e levadas por valores pessoais; (3) Têm capacidade de encarar e se apropriar positivamente da adversidade; (4) São holísticas, no sentido de que conseguem ter visão abrangente sobre cada situação (analisam as partes e entendem o todo); (5) Respeitam a diversidade (em todas as nuances de diferenças entre pessoas, sem preconceitos); (6) Preservam sua independência e arbítrio; (7) Perguntam sempre “por quê?”, como forma de se questionarem quanto aos próprios dogmas e crenças limitantes; (8) Têm capacidade de colocar as situações e os fatos em um contexto ampliado; (9) São espontâneas e verdadeiras, e; (10) Têm compaixão, conseguindo se colocar no lugar das pessoas que estão com dores ou problemas, viabilizando ajudá-las.
E então, como está o seu grau de Inteligência Espiritual? Agora, fica o convite à sua reflexão e … Boa sorte!
Participe da Conversa