Que Futuro Espera o Mercado de Trabalho?
Cientistas de renome assinam uma carta de alerta. O documento, distribuído a autoridades do mais alto escalão do governo, descreve uma tecnologia que avança rápido demais para as instituições acompanharem. Trata-se de uma “capacidade produtiva quase ilimitada”, capaz de substituir o trabalho humano em ritmo sem precedentes na história.
Não é ficção científica, é realidade. Entre os cientistas, dois vencedores do Prêmio Nobel. A imprensa vinha alertando que, se a automação continuasse avançando, seria o fim de milhões de empregos. A sociedade precisaria, então, encontrar formas de lidar com aqueles que fossem substituídos pelas máquinas.
A partir daqui, a história já começa a ficar um pouco diferente do cenário que você está imaginando:
A pressão pública funciona. O presidente do país assina uma lei. A medida cria uma comissão para investigar o impacto da nova tecnologia sobre o emprego, a renda e a estrutura social do país. A comissão reúne economistas, líderes sindicais e um dos executivos mais poderosos da indústria de tecnologia do momento. O grupo deve responder a duas perguntas: quantos empregos essa tecnologia vai destruir? E o que fazer com quem for deslocado?
Já deu para ver que essa não é a história dos nossos dias, apesar das muitas semelhanças. Ela aconteceu no começo dos anos 60 e o medo não era da Inteligência Artificial, mas de computadores e automação industrial.
A carta foi enviada ao presidente americano Lyndon Johnson em 22 de março de 1964 pelo “Ad Hoc Committee on the Triple Revolution”. Entre os signatários estava o químico Linus Pauling. A comissão criada em resposta — a National Commission on Technology, Automation, and Economic Progress — publicaria seu relatório final dois anos depois, em fevereiro de 1966. Naquele momento, o desemprego americano havia caído para 3,8%, o menor nível em anos.
Só para contextualizar, no início dos anos 1960, os Estados Unidos tinham visto o desemprego subir de 5,0% em junho de 1959 para 7,1% em maio de 1961. Décadas depois, o sociólogo Daniel Bell, um dos participantes da comissão, reconheceu que o alarme não passou de exagero.
Mas, para nós, vivendo hoje uma situação parecida, muitos com medo do futuro, vale a pena essa olhada para o passado?
A gente sempre quer achar que a época em que estamos vivendo é diferente de todas as outras. Mas e se dessa vez for mesmo? O Global Risks Report 2026, publicado em janeiro pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) com base em mais de 1.300 especialistas consultados na Global Risks Perception Survey, observa que, se sistemas de IA continuarem avançando do jeito que estão e com autonomia, essa evolução pode deixar de seguir o ritmo que caracterizou todas as transições tecnológicas até aqui, incluindo a do caso dos anos 60.
O relatório batiza o período atual de “era da competição”. Metade dos participantes da pesquisa descreve o panorama global dos próximos dois anos como “turbulento” ou “tempestuoso”. E esse número sobe para 57% quando a pergunta é sobre os próximos dez anos.
O risco apontado como mais provável de detonar uma crise global em 2026 é a confrontação geoeconômica, que pode incluir tarifas e barreiras comerciais (Trump está aí para provar), sanções econômicas e disputa por recursos estratégicos (energia e terras raras, por exemplo). Essa opção ficou à frente até de guerras.
Se você pensa em cenários de trabalho, tudo isso importa, porque a geopolítica já deixou de ser um pano de fundo distante e passou a ser uma variável de planejamento direto.
Cadeias de suprimentos, políticas de imigração de mão de obra qualificada, regulação de dados e de IA, tarifas e controles de exportação, entre outros assuntos, tudo isso se decide hoje em um fenômeno descrito como “multipolaridade sem multilateralismo”: múltiplos polos de poder, sem as instituições que antes coordenavam regras comuns entre eles.
Para organizações e trabalhadores, isso significa incerteza estrutural, com as regras do jogo podendo mudar a qualquer momento, seja porque alguém resolveu começar uma guerra ou porque resolveu aplicar tarifas aleatórias. E quando existe no mundo alguém com poder para fazer essas duas coisas, tudo fica mais complicado.
O relatório cita uma estimativa, também do WEF, que prevê 170 milhões de novos postos de trabalho até 2030. Em contrapartida, a mesma estimativa projeta o deslocamento de 92 milhões de posições, resultando em um saldo líquido positivo de 78 milhões de empregos globalmente. Essa projeção parte de um cenário de base em que 86% das empresas no mundo esperam que a IA transforme seus modelos de negócio até 2030. O percentual sobe para 97% no setor financeiro e 99% em tecnologia da informação.
No entanto, são apenas estimativas que ainda dependem de muitas variáveis. A maior parte delas relacionada exatamente à geopolítica, mas também a fatores como volatilidade econômica e transição energética.
Existem outros, claro, mas, sejam quais forem esses elementos, eles não podem ser encarados apenas como fatores externos. Eles fazem parte do ambiente que toda organização precisa levar em conta em qualquer planejamento para não perder relevância. Ou para não deixar de existir, em casos mais extremos. Uma empresa que trata requalificação como despesa de RH e não como resposta a uma mudança estrutural do seu ambiente competitivo provavelmente está vivendo um mundo que já não existe mais.
Em 1966, a comissão de Lyndon Johnson fechou seu relatório com o desemprego em queda, o que fazia o alarme de 1964 parecer exagerado já naquele momento. Não há garantia de que a história se repita dessa forma em 2030.E é exatamente essa incerteza, não uma previsão pronta, que o Global Risks Report 2026 está descrevendo.
Nesse mundo, entre a aceleração da IA e uma geopolítica que pode mudar da noite para o dia, se preparar para as incertezas e desconfiar de todas as certezas talvez seja o melhor caminho.
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Marco Ornellas
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Durma, Acorde, Renasça – Milhares de Vezes: O Poder do Recomeço e da Transformação Pessoal
O simples ato de adormecer, apagar a luz, se “desligar”, sem saber para onde foi, se foi, para acordar e iniciar um novo dia, é um dos hábitos mais simples de nossa vida. Porém, não raro, sua importância passa desapercebida, virando apenas um pequeno ponto de nossa rotina. Dormir e acordar podem ser detalhes muito pequenos de nosso cotidiano, que podem esconder a solução para a vida de muitas pessoas. Terminar um ciclo e nos preparar para iniciar outro é fundamental para a nossa existência, felicidade e sucesso.
Dormir é tão comum, algo aparentemente tão ordinário, que as pessoas se esquecem de agradecer antes de fechar os olhos. Afinal, ao acordar, ganharão um presente: um novo dia, uma nova chance, um novo momento presente. Mais uma oportunidade para fazer, crescer, melhorar e ser. O acordar pode ser o início de mais uma jornada de evolução. Uma oportunidade para, cada vez mais, se harmonizar com quem você deveria ser e com o mundo à sua volta.
Podemos dizer que vivemos um dia por vez, já que uma possível leitura do ato de adormecer pode ser… morrer. Quando uma vida se encerra, a pessoa morre, para recomeçar em algum outro lugar, de alguma outra forma, conforme a crença de cada um — ou, para alguns, é fechar os olhos para nunca mais abri-los.
Dormir, em condições normais, é diferente, pois sempre iremos acordar no dia seguinte, então podemos dizer que morremos todas as noites, para renascermos a cada novo amanhecer. Todos os dias temos a graça e a oportunidade de recomeçar e, por que não, nascer de novo. Normalmente encaramos o ato de levantar da cama apenas como o simples início de um novo dia; porém, por que não o início de uma nova vida? Será apenas mais um dia ou uma oportunidade para ser uma melhor pessoa e ter uma melhor vida? Isso cabe à pessoa, quando ela acordar, decidir.
Quem somente acorda, voltando ao estado consciente para só viver mais um dia, corre o risco de virar apenas um observador do mundo, uma pessoa secundária, acessória, visitante, coadjuvante da vida dos outros. Não uma pessoa que participa de fato e faz uma diferença positiva, como protagonista, da própria vida. Nós apenas nascemos uma vez, mas podemos renascer todos os dias, até o nosso último dia nesta vida.
O simples ato de acordar pode ser interpretado como o mágico momento de voltar à vida, reaparecer para o palco do autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Agora, se quem acorda vai subir no palco para atuar em alinhamento com o seu papel e missão neste mundo, ou vai ficar apenas na plateia vendo os outros atuarem, também é uma decisão que cabe a cada um, ao acordar.
Em média, vamos adormecer (morrer) e acordar (renascer) mais de 25.000 vezes, ou seja, algumas milhares de oportunidades para recomeçar e ser uma pessoa melhor, não só na sua relação com você, mas também com todos à sua volta. Enquanto alguns apenas despertam de um sono profundo, outros acordam para uma nova vida.
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Um grande abraço,
Alexandre Ribas
https://www.sbrc.com.br
Confira também: Na Vida, Compare-se com a Pessoa Certa (Parte I de II)
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O Que Oito Anos de Transformação na Saúde Revelam Sobre o Futuro
Há poucas semanas, fui convidada pela Vichy Laboratoires para conduzir um treinamento durante a convenção nacional de sua força de vendas.
Enquanto organizava o conteúdo, surgiu uma ideia aparentemente simples: construir uma linha do tempo mostrando como o comportamento do paciente evoluiu entre 2018 e 2026.
A proposta era revisitar os principais acontecimentos dos últimos anos. Mas, à medida que a linha do tempo ganhava forma, ela passou a revelar algo ainda mais interessante.
Mais do que registrar avanços tecnológicos ou novas formas de atendimento, ela mostrava como o comportamento humano havia se transformado em um intervalo surpreendentemente curto.
Foi impossível não pensar na velocidade com que tudo aconteceu.
Há poucos anos, imaginar um cirurgião realizando uma operação em outro continente parecia roteiro de ficção científica. Hoje isso já faz parte da realidade. Em 2024, um médico em Xangai conduziu uma cirurgia robótica em um paciente localizado na África, a milhares de quilômetros de distância. Um feito que simboliza não apenas a evolução tecnológica, mas a rapidez com que o extraordinário se torna parte da rotina.
Foi exatamente essa sensação que tive ao olhar para aqueles oito anos.
Em um intervalo relativamente curto, vimos o paciente deixar de confiar apenas na indicação para pesquisar, comparar, participar ativamente das decisões sobre a própria saúde e incorporar a tecnologia à sua jornada. A pandemia acelerou a transformação digital, a telemedicina ganhou espaço, o WhatsApp tornou-se parte do atendimento, a reputação passou a influenciar tanto quanto a competência técnica e, hoje, muitas pessoas recorrem à inteligência artificial antes mesmo da primeira consulta.
Mas existe um aspecto dessa trajetória que me chamou ainda mais atenção.
Enquanto falávamos sobre tecnologia, outra transformação acontecia de forma quase silenciosa: a própria compreensão sobre saúde começava a mudar.
Durante décadas, grande parte dos esforços esteve concentrada em tratar doenças. Aos poucos, prevenção, qualidade de vida, bem-estar e longevidade passaram a ocupar um espaço cada vez mais relevante nas decisões das pessoas.
Essa mudança não ficou restrita aos consultórios ou aos hospitais.
Ela aproximou setores que, durante muitos anos, caminharam em paralelo. Clínicas passaram a dialogar com centros de bem-estar. Hospitais ampliaram sua visão sobre cuidado contínuo. A indústria incorporou temas como prevenção e longevidade em sua estratégia de inovação. Academias, spas, centros de performance, nutrição e diferentes abordagens voltadas ao cuidado integral deixaram de ocupar um espaço complementar para se tornarem parte da jornada de quem deseja viver melhor, e não apenas tratar uma doença.
O mesmo movimento pode ser observado em diferentes partes do mundo. Sistemas de saúde passaram a investir mais fortemente em medicina preventiva e monitoramento contínuo. O mercado global de wellness ultrapassou a marca de US$ 6 trilhões, segundo o Global Wellness Institute, impulsionado por uma mudança igualmente profunda: as pessoas passaram a investir cada vez mais em preservar a saúde, e não apenas em recuperar a saúde perdida.
Talvez essa seja uma das mudanças mais significativas da última década.
Não por acaso, estudos recentes da McKinsey e da Deloitte mostram que o consumidor de saúde tornou-se mais informado, mais seletivo e muito mais participativo. Valoriza evidências científicas, recomendações confiáveis e espera uma experiência integrada entre os ambientes físico e digital.
Essa transformação alcança clínicas, hospitais, indústrias farmacêuticas, empresas de tecnologia e todo o ecossistema da saúde. Alcança também um universo que, há poucos anos, era visto como complementar. Wellness, performance, longevidade e promoção da saúde deixaram de representar mercados paralelos para se tornarem parte da mesma conversa.
Foi olhando para essa linha do tempo que uma pergunta começou a me acompanhar.
Será que nossas empresas evoluíram na mesma velocidade das pessoas que pretendemos atender?
Porque tecnologias continuarão surgindo. Novos modelos de cuidado continuarão sendo desenvolvidos.
A inteligência artificial ampliará ainda mais o acesso à informação e transformará processos que hoje parecem insubstituíveis.
Mas, olhando para essa trajetória, uma conclusão parece inevitável.
Quanto mais evoluímos tecnologicamente, maior se torna o valor daquilo que permanece essencialmente humano.
Talvez o futuro da saúde não pertença às organizações que simplesmente adotarem as melhores tecnologias.
Pertencerá àquelas que conseguirem utilizá-las sem perder a capacidade de compreender pessoas.
Porque informação orienta. Tecnologia acelera. Inovação transforma mercados.
Mas é o cuidado que continua transformando vidas.
O futuro da saúde certamente será mais tecnológico.
Mas dificilmente será menos humano.
E talvez essa seja a melhor notícia para todos nós.
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Um grande abraço,
Queila Fonini
Fundadora e CEO da Aviah Soluções Empresariais
https://www.aviah.com.br
Confira também: Quanto Mais Tecnologia Temos, Mais Valorizamos o que é Humano
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As Bets São o Gatilho do Início da Transformação Financeira que o Brasil Tanto Precisava
Existe uma antiga parábola bastante conhecida sobre um mestre que visita uma família extremamente pobre. Tudo o que aquelas pessoas possuíam dependia de uma única vaquinha. Era ela que fornecia leite para o consumo da família e gerava uma pequena renda com a venda do excedente. Ao partir, o mestre surpreende o discípulo com uma ordem aparentemente cruel: empurre a vaquinha precipício abaixo.
Anos depois, o discípulo retorna ao local esperando encontrar uma família mergulhada na miséria. Em vez disso, encontra uma propriedade próspera. Sem a única fonte de segurança que possuíam, aquelas pessoas foram obrigadas a desenvolver novas habilidades, diversificar suas atividades e construir uma realidade muito melhor.
A grande lição dessa história nunca foi sobre perder tudo. Ela nos ensina que, muitas vezes, a transformação só acontece quando somos obrigados a abandonar aquilo que nos mantém presos à zona de conforto ou às falsas certezas.
Ao observar o fenômeno das bets no Brasil, essa parábola me vem à mente, mas sob uma perspectiva diferente. As plataformas de apostas não representam a “vaquinha”. Elas representam o precipício.
E talvez esse seja o único aspecto positivo desse fenômeno. O precipício obriga a enxergar aquilo que antes era ignorado. Assim como na parábola da vaquinha, os momentos de maior ruptura também podem provocar as maiores transformações. Não porque o precipício seja desejável, mas porque ele elimina qualquer ilusão de que podemos continuar fazendo as mesmas escolhas e esperar resultados diferentes.
As bets colocaram milhões de brasileiros diante da consequência mais extrema de uma relação distorcida com o dinheiro. Escancararam uma fragilidade que sempre existiu, mas que permanecia escondida sob outras formas: o consumo impulsivo, o endividamento, a crença em soluções fáceis e a esperança permanente de que algum golpe de sorte resolveria problemas construídos ao longo de anos.
As bets não criaram essa cultura. Apenas eliminaram qualquer possibilidade de ignorá-la. Durante décadas, convivemos com uma educação financeira insuficiente. Aprendemos a trabalhar para ganhar dinheiro, mas raramente fomos ensinados a compreender seu verdadeiro significado. O dinheiro passou a ser visto como um fim em si mesmo, e não como um instrumento para proporcionar segurança, autonomia financeira e realização de sonhos.
Quando esse vazio encontra um ambiente que promete ganhos rápidos, disponíveis 24 horas por dia, no celular, a combinação se torna extremamente perigosa. O problema é que dinheiro nunca foi uma questão de sorte. Sempre foi uma questão de comportamento.
É justamente por isso que considero as bets um divisor de águas. Elas representam um momento decisivo para a sociedade brasileira. Não porque tragam qualquer benefício em si, mas porque nos obrigam a enxergar aquilo que durante muito tempo preferimos ignorar.
Ou aprendemos a desenvolver uma relação saudável com o dinheiro ou continuaremos alimentando um ciclo de perdas que vai muito além do aspecto financeiro. E esse talvez seja o ponto mais preocupante de todo esse debate.
Para muitas pessoas, a aposta deixa de ser uma forma de entretenimento e passa a se transformar em um transtorno. A ludopatia, reconhecida como um distúrbio relacionado ao comportamento de jogo, compromete o autocontrole, afeta a saúde mental, destrói relações familiares e pode levar ao endividamento extremo, à perda do patrimônio e, em situações mais graves, à depressão e ao isolamento social.
É importante compreender que ninguém desenvolve esse quadro da noite para o dia. Assim como ocorre em outras dependências comportamentais, existe uma evolução gradual. Tudo começa de forma aparentemente inofensiva: pequenas apostas, a emoção de uma vitória, a tentativa de recuperar uma perda, a sensação de que o próximo jogo mudará tudo. Aos poucos, o comportamento deixa de ser uma escolha racional e passa a dominar as decisões da pessoa.
Nesse processo, a dificuldade raramente está apenas na aposta. Ela está, principalmente, na forma como o indivíduo enxerga o dinheiro. Quando o dinheiro deixa de representar segurança, planejamento e realização de sonhos para se transformar apenas em um instrumento de emoção ou em uma esperança constante de enriquecimento rápido, o terreno para comportamentos compulsivos torna-se muito mais fértil.
É exatamente nesse ponto que a Metodologia DSOP deixa de ser apenas uma metodologia de educação financeira e passa a ser uma poderosa estratégia de prevenção.
Muitas pessoas ainda acreditam que educação financeira significa aprender a investir, economizar ou controlar gastos. Tudo isso é importante, mas não resolve a origem do problema. A Metodologia DSOP parte de outro princípio: antes de aprender a administrar números, é preciso aprender a administrar emoções e comportamentos.
Precisamos compreender por que consumimos, por que buscamos recompensas imediatas, por que assumimos riscos desnecessários e por que tantas vezes acreditamos que a solução para nossas dificuldades financeiras está em um ganho inesperado, e não na construção consistente de novos hábitos.
A Metodologia DSOP trabalha exatamente essas questões. Ela ajuda as pessoas a desenvolverem consciência sobre suas escolhas, a reconhecerem gatilhos emocionais, a valorizarem o planejamento e a compreenderem que a construção da autonomia financeira é, sem dúvida, resultado de disciplina, sonhos bem definidos e constância, nunca de impulsividade.
Sob essa perspectiva, ela exerce um papel semelhante ao das campanhas de prevenção em saúde. Da mesma forma que incentivar hábitos saudáveis reduz a incidência de doenças crônicas, fortalecer uma relação equilibrada com o dinheiro pode diminuir a vulnerabilidade a comportamentos compulsivos, incluindo aqueles relacionados às apostas.
Isso não significa afirmar que toda pessoa que aposta desenvolverá ludopatia. Mas sabemos que indivíduos emocionalmente vulneráveis, financeiramente desorganizados e sem consciência sobre o verdadeiro papel do dinheiro tendem a estar mais expostos ao risco.
Por isso, limitar o debate às plataformas de apostas é tratar apenas a consequência, e não a causa.
A verdadeira transformação passa pelas escolas, pelas famílias, pelas empresas e pelas políticas públicas. Precisamos ensinar crianças, jovens e adultos que dinheiro não é um prêmio, nem um jogo e muito menos um bilhete para uma mudança instantânea de vida. É um recurso que exige responsabilidade, respeito e consciência.
Mais do que isso, precisamos formar pessoas capazes de construir autonomia financeira, realizar sonhos de forma sustentável e compreender que prosperidade não nasce do acaso, mas de escolhas conscientes feitas todos os dias.
Talvez seja essa a grande oportunidade escondida em meio a uma crise tão preocupante. Se a parábola da vaquinha mostra que a transformação acontece quando somos obrigados a abandonar falsas seguranças, o avanço das bets nos coloca diante de outra escolha: abandonar, de uma vez por todas, a ilusão de que a sorte pode substituir o conhecimento, o planejamento e a mudança de comportamento.
O precipício já está diante de nós. A diferença é que, desta vez, ninguém nos empurrou até ele. Fomos nós que caminhamos nessa direção.
Agora, a decisão é coletiva: continuar apostando que alguém resolverá esse problema por nós ou construir uma sociedade que aprenda, definitivamente, a respeitar o dinheiro antes que ele se transforme na causa de ainda mais sofrimento.
Talvez esse seja o maior legado que as bets possam deixar para o Brasil. Não o de criar um novo problema, mas o de nos obrigar, finalmente, a enfrentar um problema antigo. Se esse choque servir para ampliar a educação financeira, fortalecer a Metodologia DSOP e transformar a forma como nos relacionamos com o dinheiro, o precipício terá cumprido um papel que há muito tempo vínhamos adiando: o de despertar uma verdadeira transformação financeira no país.
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Um grande abraço,
Reinaldo Domingos
Presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (ABEFIN) e da DSOP Educação Financeira, PhD em Educação Financeira, escritor e criador da Metodologia DSOP de Educação Financeira
https://www.dsop.com.br
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Palavras-chave: educação financeira, dinheiro, bets, Metodologia DSOP, autonomia financeira, transformação financeira, plataformas de apostas, comportamentos compulsivos, realização de sonhos, relação saudável com o dinheiro, como ter uma relação saudável com o dinheiro
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O Que Realmente Faz Alguém Ser Reconhecido como Líder?
Quando pensamos em liderança, normalmente imaginamos um CEO, um diretor, um gerente ou alguém que ocupa uma posição de autoridade. Mas será que é o cargo que faz alguém ser, de fato, reconhecido como líder?
Todos nós já conhecemos profissionais que ocupavam posições importantes, mas tinham dificuldade em inspirar confiança, mobilizar equipes ou influenciar positivamente as pessoas ao seu redor. Da mesma forma, provavelmente também nos lembramos de alguém que, mesmo sem exercer uma função de liderança formal, tornou-se uma referência pelo exemplo, pela postura, pela ética e pela forma como conduzia situações desafiadoras.
Essa diferença nos leva a uma reflexão importante:
O que realmente faz alguém ser reconhecido como líder?
Ser reconhecido como líder não depende da idade, do cargo, do tempo de experiência ou da autoridade formal. Depende da postura, da credibilidade, da capacidade de inspirar pessoas, despertar propósito, influenciar positivamente, construir relações de confiança, agir com ética e transformar intenções em ações que geram resultados.
Durante muito tempo, a liderança foi associada principalmente à posição hierárquica. No entanto, a evolução dos estudos sobre comportamento organizacional demonstra que a liderança vai muito além da autoridade formal.
James MacGregor Burns, ao desenvolver o conceito de liderança transformacional, mostrou que líderes não apenas coordenam pessoas ou distribuem tarefas. Eles inspiram, despertam propósito, promovem mudanças e influenciam positivamente aqueles que estão ao seu redor.
Na mesma direção, Idalberto Chiavenato define liderança como um processo de influência interpessoal orientado para o alcance de objetivos. Essa definição nos convida a compreender que liderar não significa exercer poder sobre pessoas, mas construir relações capazes de mobilizar esforços em torno de um propósito comum.
Essa perspectiva muda completamente a forma como enxergamos a liderança.
A maioria das pessoas acredita que primeiro recebe um cargo para depois aprender a liderar. Na prática, muitas vezes acontece justamente o contrário. Primeiro desenvolvemos comportamentos de liderança. Depois, o cargo apenas reconhece aquilo que já demonstrávamos no dia a dia.
Essa percepção encontra respaldo na pesquisa “State of the Global Workplace 2025”, publicada pela Gallup, que mostra que os gestores respondem por cerca de 70% da variação no engajamento das equipes. O estudo evidencia que a forma como um líder influencia, desenvolve pessoas e constrói relações de confiança impacta diretamente o comprometimento, a produtividade e os resultados das organizações.
É por isso que a liderança começa muito antes da promoção.
Começa na maneira como assumimos responsabilidades, na coerência entre discurso e prática, na forma como tratamos as pessoas, na capacidade de ouvir, colaborar, ensinar, aprender continuamente e influenciar positivamente o ambiente onde estamos inseridos.
Antes de liderarmos equipes, lideramos nossas próprias escolhas.
Antes de conduzirmos organizações, conduzimos nossas atitudes.
E antes de inspirarmos outras pessoas, precisamos desenvolver nossa própria capacidade de agir com equilíbrio, responsabilidade e propósito.
Em outras palavras, a autoliderança é uma das primeiras competências de qualquer profissional.
Daniel Goleman, ao aprofundar os estudos sobre inteligência emocional, demonstrou que competências como autoconsciência, autorregulação, empatia e habilidades sociais exercem papel decisivo na efetividade da liderança. Em outras palavras, a liderança começa antes da influência sobre os outros; ela começa na capacidade de gerir a si mesmo.
Esse aspecto torna-se ainda mais relevante diante da crescente complexidade do ambiente em que vivemos.
Nos artigos anteriores desta coluna, refletimos sobre maturidade organizacional, gestão integrada, alta performance e ambientes complexos. Todos esses temas possuem um ponto em comum: ninguém constrói nenhum resultado sustentável individualmente.
Quanto maior a complexidade dos desafios, menor é o espaço para lideranças baseadas exclusivamente em comando e controle. As organizações precisam de pessoas capazes de integrar conhecimentos, estimular a colaboração, favorecer o diálogo e construir confiança.
Nesse contexto, Donald Hambrick demonstrou, por meio da teoria Upper Echelons, que os resultados das organizações refletem não apenas competências técnicas, mas também a forma como seus líderes interpretam cenários, lidam com incertezas e mobilizam pessoas para alcançar objetivos comuns.
O estudo “The Chemistry of Trust”, publicado pela Deloitte, também evidencia essa necessidade. Ele destaca a confiança como um ativo estratégico para as organizações, influenciando o engajamento das pessoas, a colaboração, a reputação institucional e a capacidade de gerar resultados sustentáveis. Em ambientes complexos, construir confiança deixou de ser apenas uma competência desejável e passou a ser uma responsabilidade essencial da liderança.
Da mesma forma, Amy Edmondson demonstra que equipes apresentam melhor desempenho quando existe segurança psicológica, um ambiente onde as pessoas se sentem respeitadas para contribuir, fazer perguntas, compartilhar ideias e até reconhecer erros sem medo de represálias. Construir esse ambiente é uma das maiores responsabilidades da liderança contemporânea.
Simon Sinek reforça essa perspectiva ao defender que as pessoas não seguem líderes apenas porque eles ocupam uma posição hierárquica, mas porque acreditam em seu propósito e confiam na direção que oferecem. Brené Brown acrescenta que coragem, vulnerabilidade e autenticidade não representam fragilidade, mas atributos essenciais para fortalecer relações de confiança e promover ambientes mais humanos.
Essa compreensão amplia o conceito de liderança para muito além das organizações:
- Lideramos quando coordenamos um projeto acadêmico.
- Lideramos quando influenciamos colegas de trabalho.
- Lideramos ao empreender um novo negócio.
- Lideramos dentro da família por meio do exemplo.
- Lideramos em ações sociais, em comunidades, em grupos de amigos e em qualquer situação em que nossas atitudes inspiram e mobilizam outras pessoas.
Toda pessoa exerce algum tipo de liderança.
Quando não lidera uma equipe, lidera decisões, projetos, relacionamentos, conhecimento ou, no mínimo, a própria vida.
Talvez a pergunta mais importante não seja “Qual cargo você ocupa?”, mas “Quem você se tornou para que as pessoas escolham confiar em você?”
Confiam em suas decisões?
Reconhecem coerência entre aquilo que você diz e aquilo que faz?
Sentem-se inspiradas por sua postura?
Percebem responsabilidade, respeito e ética em suas atitudes?
O cargo pode abrir portas, conceder autoridade e definir responsabilidades. Mas nenhum organograma é capaz de determinar quem será, verdadeiramente, reconhecido como líder.
Porque, no fim, a liderança não é um cargo que se ocupa. É uma postura que se constrói e se renova todos os dias.
Ser reconhecido como líder é inspirar pessoas antes de direcioná-las.
É despertar propósito, influenciar positivamente, construir relações de confiança e criar ambientes onde as pessoas se sintam respeitadas, seguras e motivadas a contribuir com o seu melhor. Desenvolver pessoas, compartilhar conhecimento, estimular a colaboração, favorecer o diálogo, mediar conflitos e mobilizar esforços em torno de objetivos comuns.
Assumir responsabilidades, cumprir o que se propõe, manter coerência entre discurso e atitude, aprender continuamente, reconhecer os próprios erros, pedir desculpas quando necessário e compreender que vulnerabilidade não diminui a liderança, fortalece a confiança.
Interpretar cenários antes de tomar decisões, lidar com a complexidade e as incertezas sem perder a capacidade de ouvir, refletir e agir com equilíbrio. Liderar primeiro a si mesmo, exercitando autoconsciência, autorregulação, empatia e inteligência emocional para, então, influenciar positivamente outras pessoas.
Porque toda pessoa exerce algum tipo de liderança. Lidera equipes, projetos, decisões, relacionamentos, conhecimento ou, no mínimo, a própria vida.
No fim, a liderança não se revela pelo espaço que ocupamos no organograma, mas pela marca que deixamos nas pessoas e nos ambientes por onde passamos. Ela se manifesta na forma como conduzimos nossa própria vida, fortalecemos nossas relações, desenvolvemos pessoas, compartilhamos conhecimento, enfrentamos desafios e contribuímos para construir uma sociedade melhor.
A autoridade pode ser delegada. O cargo pode ser concedido. Mas a liderança é reconhecida pelas pessoas.
Ela nasce da confiança que inspiramos, da coerência entre aquilo que pensamos, dizemos e fazemos, da responsabilidade com que assumimos nossas escolhas e da influência positiva que exercemos, seja na vida pessoal, social, acadêmica ou profissional.
Talvez seja exatamente por isso que a liderança continue sendo uma das competências mais valiosas do nosso tempo: porque, antes de transformar organizações, ela transforma pessoas. E toda transformação duradoura começa pela forma como escolhemos liderar a nós mesmos.
Afinal, os resultados que construímos ao longo da vida serão sempre reflexo da forma como escolhemos liderar a nós mesmos e influenciar positivamente as pessoas ao nosso redor.
Espero que esta reflexão te inspire a olhar para a liderança de uma forma diferente: não como um cargo ou status a conquistar, mas como uma postura a cultivar todos os dias.
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Graziela Heusser Azeredo
https://www.linkedin.com/in/grazielaheusserazeredo/
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Maquiavel e Sócrates na Sala de Gestores e Lideranças
O gestor recebe uma notícia ruim, percebe que sua equipe está escondendo problemas e, ainda assim, decide manter a narrativa de que tudo está sob controle. Em momentos de crise, líderes raramente fracassam apenas por falta de conhecimento técnico, pois falham ao confundir desejo com realidade, popularidade com confiança, autoridade com controle e lealdade com concordância.
É nesse ponto que Maquiavel e Sócrates, apesar de pertencerem a épocas muito diferentes, podem conversar de maneira surpreendentemente atual sobre gestão e liderança. Maquiavel ensina a observar o mundo como ele funciona, com seus conflitos, interesses e incertezas. Sócrates ensina a examinar a própria mente antes de pretender influenciar a de outras pessoas. Um nos convoca ao realismo, enquanto o outro ao autoconhecimento. A liderança madura precisa dos dois.
Dois mestres, duas perguntas
Em O Príncipe, Maquiavel não escreveu simplesmente o que muitos transformam em robusto manual de manipulação. Seu objetivo era compreender como o poder é conquistado, de que forma pode ser preservado e como acaba perdido em ambientes instáveis. No capítulo XV, ele fala da necessidade de considerar a “verdade efetiva” das coisas, em vez de imaginar como as pessoas deveriam agir (MAQUIAVEL, 2005, cap. 15). Para o governante, não basta ter boas intenções, mas é preciso compreender interesses, riscos, alianças, percepções e consequências.
Os conceitos de virtù e fortuna aparecem em boa parte de sua reflexão. Virtù não significa apenas virtude moral, pois cobra a capacidade de agir, adaptar‑se e tomar decisões em circunstâncias difíceis. Fortuna representa o acaso, a instabilidade e tudo aquilo que não está inteiramente sob controle do ser humano (MAQUIAVEL, 2005, cap. 25).
Já a tradição socrática parte de outra questão: o que realmente sabemos e em que tipo de pessoa estamos nos tornando? Sócrates não deixou textos escritos e boa parte do que conhecemos de seu pensamento provém de relatos posteriores, especialmente nos diálogos de Platão e da obra de Xenofonte. Seu método valorizava o exame de si mesmo, o reconhecimento da própria ignorância, o diálogo e o cuidado da alma.
Para Sócrates, quem não questiona seus valores, desejos e certezas corre o risco de viver de maneira automática, mesmo que alcance riqueza, prestígio ou poder. Maquiavel pergunta: como agir em um mundo de interesses e incertezas? Sócrates pergunta: o que estamos fazendo, por que faço isso e a qual tipo de caráter essa ação está me conduzir? Uma liderança responsável precisa conseguir responder de forma objetiva e sincera às duas perguntas.
Guia de sobrevivência para gestores e líderes
# | Princípios | Aplicação prática |
| 1 | Comece pelos fatos, não pela narrativa | Separe fatos comprovados, interpretações, suposições e lacunas de informação antes de decidir. Kahneman demonstra como vieses cognitivos distorcem julgamentos (KAHNEMAN, 2011). |
| 2 | Governe a si mesmo antes de governar pessoas | Questione motivações: “Estou defendendo a organização ou meu ego?” (GRANT, 2021). Emoções são sinais, não ordens. |
| 3 | Tenha autoridade sem produzir ódio | Evite que o medo se transforme em ressentimento. Segurança psicológica, segundo Edmondson, permite que equipes expressem problemas sem medo de punição (EDMONDSON, 2019). |
| 4 | Cerque-se de quem pode discordar de você | Crie papéis formais de “advogado do diabo”, incentive críticas construtivas. É recomendável que líderes façam perguntas que desestabilizem suposições (HEIFETZ; LINSKY, 2002). |
| 5 | Transforme os conflitos em resolução | Conflitos são inevitáveis. Então, passe a institucionalizar os processos de resolução (URY; BRETT; GOLDBERG, 1988) |
| 6 | Entenda virtù como adaptação e não como uma bravata | Decisões reversíveis devem ser tomadas rapidamente; decisões irreversíveis exigem mais escuta (SIBONY, 2020). |
| 7 | Prefira a legitimidade em lugar da aparência | “Os fins justificam os meios” é um slogan simplista; práticas ilegítimas corroem confiança (TYLER, 2006; BAZERMAN; TENBRUNSEL, 2011). |
| 8 | Construa algo sustentável que sobreviva a você | Documente processos, desenvolva sucessores, fortaleça sempre as instituições (ROTHWELL, 2016) |
1. Comece pelos fatos, não pela narrativa
Todo líder cria narrativas: “a equipe está comprometida”, “o mercado vai reagir”, “a oposição está enfraquecida”. O perigo começa quando a narrativa substitui a investigação. A primeira regra alinhada a Maquiavel é distinguir o que se espera que seja verdade daquilo que os fatos sustentam. Antes de uma decisão, separe:
- Fato comprovado – dados mensuráveis, documentos, registros;
- Interpretação – análise de causa‑efeito, leituras subjetivas;
- Suposição – hipóteses ainda não testadas; e
- Lacuna – informação ainda ausente.
Daniel Kahneman demonstra como vieses cognitivos (ex.: “viés de confirmação”) influenciam julgamentos (KAHNEMAN, 2011). A tradição socrática acrescenta uma pergunta essencial: “Como eu sei que sei?”. A humildade intelectual não enfraquece a liderança, pois reduz a probabilidade de o gestor tomar decisões baseado em ilusões.
2. Governe a si mesmo antes de governar pessoas
O líder que não conhece seus próprios medos tende a chamar prudência de covardia ou coragem de impulsividade. Quem depende excessivamente de admiração pode interpretar qualquer discordância como deslealdade. Quem teme perder controle pode centralizar todas as decisões e, depois, culpar a equipe pela falta de autonomia. Erica Benner interpreta Maquiavel como um pensador interessado não apenas na política, mas também no julgamento político em circunstâncias moralmente trágicas (BENNER, 2009).
Essa busca começa no interior do gestor:
- Estou defendendo a organização ou o meu ego?;
- Estou buscando resultados ou reconhecimento?;
- Estou corrigindo um problema ou punindo alguém?; e
- Estou ouvindo as críticas ou procurando confirmação?
As emoções são sinais importantes, mas não devem ser confundidas com ordens. A raiva pode indicar um limite violado, o medo pode revelar um risco real, enquanto a vaidade pode estar conduzindo a uma decisão potencialmente perigosa. A tarefa do líder é observar esses sinais antes de agir.
3. Tenha autoridade sem produzir ódio
Maquiavel observa que, quando não é possível ser simultaneamente amado e temido, o temor pode ser mais estável do que o afeto. Essa passagem costuma ser simplificada, mas o próprio autor alerta que o governante deve evitar ser odiado (MAQUIAVEL, 2005, cap. 17). A lição contemporânea não é que o gestor deva intimidar, mas que obediência não é o mesmo que compromisso. O medo gera silêncio, conformidade e resultados imediatos, mas também estimula ocultação de erros, competição interna e sabotagem passiva. Amy Edmondson, ao estudar segurança psicológica, mostrou a importância de ambientes em que as pessoas possam levantar problemas, fazer perguntas e admitir erros sem medo de humilhação (EDMONDSON, 2019). A liderança forte não é aquela diante da qual todos se calam, mas aquela que consegue receber más notícias cedo o suficiente para agir.
4. Cerque‑se de quem pode discordar de você
No capítulo XXIII de O Príncipe, Maquiavel alerta para o perigo dos aduladores (MAQUIAVEL, 2005, cap. 23). O líder cercado por pessoas que apenas concordam com sua opinião pode, em certas circunstâncias, sentir‑se poderoso. Porém, a realidade mostrará que ele está intelectualmente isolado. Ronald Heifetz propõe que líderes criem “espaços de aprendizagem” onde perguntas desconfortáveis possam ser formuladas (HEIFETZ; LINSKY, 2002). Estruturas formais, reuniões de risco, papéis de “advogado do diabo”, auditorias internas, tudo isso transforma as discordâncias em recurso estratégico, não em traição.
5. Transforme os conflitos em atos de resolução
Maquiavel compreendeu que conflitos criados por diferentes interesses não desaparecem porque uma liderança ordena que todos “trabalhem em harmonia”. Eles precisam ser reconhecidos, regulados e convertidos em processos de decisão. A criação de sistemas institucionais para lidar com disputas pode reduzir custos, aumentar a previsibilidade e transformar conflitos em oportunidades de aprendizagem (URY; BRETT; GOLDBERG, 1988). Na política, a mesma lógica sustenta a separação de poderes e a alternância de governo.
6. Entenda virtù como adaptação, não como bravata
A virtù, conceito difundido por Maquiavel, não é a postura de quem acredita controlar tudo. É a capacidade de agir bem em condições imperfeitas. O líder preparado sabe que planos mudam, alianças se desfazem, mercados oscilam e crises surgem sem aviso. Uma decisão não deve receber o mesmo grau de análise quando seus efeitos são facilmente reversíveis ou quando podem produzir consequências duradouras. A avaliação de vieses e a adoção de mecanismos de revisão ajudam a melhorar decisões complexas (SIBONY, 2020). O erro não deve ser escondido e precisa ser convertido em aprendizado.
7. Prefira sempre a legitimidade em lugar da aparência
Maquiavel reconhece a importância das aparências políticas, mas nenhuma imagem permanece indefinidamente separada da realidade. A fórmula “os fins justificam os meios” não aparece literalmente em O Príncipe e reduz a obra complexa a uma expressão popular simplificada. Na prática, meios ilegítimos frequentemente destroem o próprio resultado que pretendiam garantir. Corrupção, mentira sistemática, abuso de poder e manipulação podem produzir vitórias imediatas, mas corroem a confiança, a legitimidade e a estabilidade institucional (TYLER, 2006; BAZERMAN; TENBRUNSEL, 2011).
8. Construa algo que sobreviva a você
O líder que precisa controlar tudo torna a organização dependente de sua presença. Isso pode alimentar o ego, mas produz fragilidade. A verdadeira liderança forma pessoas, distribui conhecimento, documenta decisões e prepara sucessores. O planejamento sucessório contribui para a continuidade da organização e reduz a dependência de uma única pessoa (ROTHWELL, 2016). O sistema que só funciona quando uma determinada pessoa está presente não é forte, pelo contrário, torna-se muito vulnerável.
A síntese necessária
Maquiavel ensina a olhar para fora, seja quanto aos interesses, riscos, poder, contingência e até consequências. De outro lado, Sócrates ensina a olhar para dentro, considerando questões como ignorância, motivações, caráter e responsabilidade. Sem Maquiavel, o líder pode ser bem‑intencionado, porém poderá parecer ingênuo diante da realidade. Sem Sócrates, o líder pode se tornar‑eficiente, porém parecerá arrogante ou cínico. Também poderá ser estratégico, porém incapaz de perceber que o próprio ego passou a governar suas decisões. Antes de uma escolha importante, cinco perguntas podem funcionar como um exame do líder ideal:
- O que realmente sei?
- O que estou apenas supondo?
- Que medo ou desejo pode estar influenciando minha decisão?
- Quem tem liberdade para me contradizer?
- Qual limite ético não devo ultrapassar, mesmo que isso custe o poder?
Por fim, cabe deixar claro que esta postagem se trata de uma leitura contemporânea e ética de Maquiavel, não necessariamente da conclusão direta de toda a obra dele. A sobrevivência de uma liderança não depende apenas de vencer disputas, mas depende de conservar clareza, legitimidade, capacidade de aprender e disposição para continuadamente examinar a si mesmo. Nesse contexto, Maquiavel oferece o mapa do terreno que um gestor ou líder vai percorrer, enquanto Sócrates lembra que o maior risco dessa viagem pode estar no próprio viajante. Resumidamente, a verdadeira e positiva liderança precisa combinar realismo externo com autocrítica interna.
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Referências (ABNT) BAZERMAN, Max H.; TENBRUNSEL, Ann E. Blind Spots: Why We Fail to Do What’s Right and What to Do about It. Princeton: Princeton University Press, 2011. BENNER, Erica. Machiavelli’s Ethics: An Alternative Reading of Political Thought. Princeton: Princeton University Press, 2009. EDMONDSON, Amy C. The Fearless Organization: Creating Psychological Safety in the Workplace for Learning, Innovation, and Growth. Hoboken: Wiley, 2019. GRANT, Adam. Think Again: The Power of Knowing What You Don’t Know. New York: Viking, 2021. HEIFETZ, Ronald A.; LINSKY, Marty. Leadership on the Line: Staying Alive through the Dangers of Leading. Boston: Harvard Business School Press, 2002. KAHNEMAN, Daniel. Thinking, Fast and Slow. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2011. MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Tradução de Paulo C. Mello e Souza. São Paulo: Editora Nova Fronteira, 2005. ROTHWELL, William J. Effective Succession Planning: Ensuring Leadership Continuity and Building Talent from Within. 5. ed. New York: AMACOM, 2016. SIBONY, Olivier. You’re About to Make a Terrible Mistake!: How Biases Distort Decision-Making—and What You Can Do to Fight Them. New York: Little, Brown Spark, 2020. TYLER, Tom R. Why People Obey the Law. Princeton: Princeton University Press, 2006. URY, William L.; BRETT, Jeanne M.; GOLDBERG, Stephen B. Getting Disputes Resolved: Designing Systems to Cut the Costs of Conflict. San Francisco: Jossey-Bass, 1988.
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O Preço do Silêncio: O Que nos Leva a Confundir Medo da Autoridade com Respeito à Autoridade?
Você já esteve em uma empresa em que você seus colegas estão aguardando a reunião começar, um determinado líder entra na sala e, imediatamente, as conversas paralelas cessam. Todos se curvam sobre suas telas, o silêncio é absoluto e ninguém ousa abrir a boca?
Para os olhos desatentos, essa cena irradia “respeito absoluto”. Para quem olha de perto, contudo, o que será que é visível? Apenas um ambiente blindado pelo medo.
Em nossa cultura, fomos historicamente condicionados a confundir esses dois conceitos. Crescemos ouvindo que “respeitar os mais velhos”, “respeitar o chefe” ou “respeitar a lei” muitas vezes significava apenas baixar a cabeça e obedecer. E aí quando recorremos à Comunicação Não-Violenta, podemos perceber que o medo e o respeito ocupam polos diametralmente opostos na nossa experiência.
O medo afasta; o respeito conecta. E confundir um com o outro tem custado caro para as nossas relações, empresas e famílias.
A anatomia do medo mascarado
Observamos essa anatomia no Poder Sobre x Poder Com uma das distinções da CNV. A autoridade baseada no medo opera sob a lógica da punição e da recompensa, Poder Sobre. “Se você não fizer o que eu quero, sofrerá as consequências.” Diante disso, o liderado, o funcionário ou o filho entra em um modo de sobrevivência biológica: lutar, fugir ou paralisar.
Quando obedecemos por medo, não estamos validando a importância daquela regra ou a sabedoria daquela liderança. Estamos apenas protegendo a nossa integridade e entramos no mecanismo de defesa da racionalização.
O resultado prático disso?
- A conformidade estéril: As pessoas fazem exatamente (e apenas) o que foi pedido, matando a inovação e a criatividade.
- O erro ocultado: Em ambientes onde o medo reina, errar é perigoso. Logo, os erros são varridos para debaixo do tapete até explodirem. Todos temos medo da retaliação, do julgamento e queremos fugir da culpa.
- O esgotamento mental: O medo crônico corrói o clima organizacional e adoece as pessoas. O alerta está constantemente ligado, aumentando o cortisol e a adrenalina.
O respeito sob a ótica da CNV
Para a CNV, o respeito autêntico nasce quando reconhecemos que a autoridade — seja ela um cargo, uma farda ou a parentalidade — é um papel dinâmico, e não um passe livre para anular o outro. Ele construído pela influência e não pelo lugar que ocupa. O respeito real surge quando as necessidades de ambas as partes são levadas em consideração, aqui é o Poder Com que entra em ação.
Quando um líder conquista respeito, as pessoas colaboram não porque têm que fazer, mas porque compreendem o valor daquilo. Elas se sentem seguras para dizer: “Compreendo a sua urgência em entregar este projeto (necessidade de eficácia), mas estou preocupado com a qualidade se mantivermos esse prazo (necessidade de competência). Podemos ajustar?”
Uma autoridade respeitada não precisa gritar, impor ou ameaçar. Ela escuta, valida sentimentos e é firme nos combinados, mas humana no trato.
“O respeito é o desejo de que a outra pessoa cresça e se desenvolva tal como é.” — Marshall Rosenberg
A transição necessária
Deixar de ser uma autoridade temida para se tornar um líder respeitado exige coragem para abrir mão do controle absoluto. Significa trocar a pergunta “Como faço para que eles façam o que eu quero?” por “O que eles precisam para que possamos colaborar juntos?”.
Substituir o medo pelo respeito, não significa renunciar à liderança, do limite ou da ordem, pelo contrário. Ambientes baseados no respeito mútuo são muito mais criativos, inovadores e produtivos. Quando as pessoas não precisam gastar energia buscando se defender, elas então usam a mesma energia para criar, inovar, contribuir, cooperar e evoluir.
O respeito verdadeiro dá trabalho, exige vulnerabilidade e escuta ativa. O medo, por outro lado, é um atalho preguiçoso. Cabe a cada um de nós, nos papéis de liderança que exercemos na vida, decidir qual semente queremos plantar.
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Um grande abraço e até o próximo artigo!
Wania Moraes Troyano
Especialista em Resiliência Científica e Neurociências
http://www.waniamoraes.com.br/
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O Custo de Viver para Agradar: Como as Expectativas dos Outros Podem nos Afastar de Quem Somos
Por que viver para corresponder às expectativas dos outros pode ser a forma mais silenciosa de abandonar a si mesmo.
Toda transformação começa antes de qualquer mudança visível. Começa quando nos dispomos a olhar para dentro com presença e honestidade. É nesse movimento que reconhecemos o que sentimos, compreendemos nossas necessidades mais profundas, bem como percebemos como interpretamos a vida, as relações e a nós mesmos.
Nossa identidade não é construída de forma isolada. Ela vai sendo tecida nos encontros, nas experiências, no contexto em que vivemos e nas escolhas que fazemos, inclusive naquelas que adiamos ou deixamos de fazer. A cada passo, vamos nos tornando quem somos.
Em algum momento da vida, quase sem perceber, começamos a nos afastar de nós mesmos. E isso, não acontece de uma vez. Não existe um dia exato em que deixamos de ser quem somos. É um movimento construído aos poucos, nas pequenas adaptações que fazemos para sermos aceitos, amados e, além disso, reconhecidos.
Aprendemos a controlar emoções para não incomodar. A esconder fragilidades para parecermos fortes. A dizer “sim” quando, por dentro, tudo dizia “não”. A escolher caminhos que geram aprovação, mesmo quando não encontramos sentido.
E, aos poucos, sem perceber, deixamos de identificar o que realmente sentimos para responder ao que esperam de nós. E a autenticidade é a capacidade de reconhecer quem estamos nos tornando e escolher, conscientemente, se esse caminho ainda faz sentido para nós.
O sofrimento nem sempre nasce das dificuldades da vida.
Muitas vezes, nasce da distância entre aquilo que vivemos e aquilo que sentimos ser verdadeiro. Existe um cansaço que não vem do excesso de atividades, mas do esforço permanente para sustentar uma versão de nós mesmos que já não nos representa.
Existe uma tristeza que não se explica apenas pelas perdas. Ela surge quando deixamos de ouvir a própria voz para então viver em função das expectativas externas.
Existe um vazio que sucesso, reconhecimento ou produtividade não conseguem preencher. Porque nenhuma conquista substitui o sentido. E sentido não se encontra fora. É construído na relação honesta com quem somos.
A liberdade de ser quem se é, não diz respeito a fazer tudo o que se deseja.
Significa viver de forma coerente com aquilo que reconhecemos como verdadeiro. De existir sem precisar negar partes de si para merecer pertencimento.
Ela começa quando deixamos de entregar aos outros a responsabilidade de definir quem somos. E assumimos, com coragem, a responsabilidade por nossa própria existência.
A maturidade não consiste em eliminar nossas sombras. Consiste em deixar de lutar contra elas. Essa talvez seja a maior liberdade que um ser humano possa experimentar, a liberdade de reconhecer-se em sua integralidade.
É compreender que força e vulnerabilidade não competem entre si. Elas coexistem. Assim como coragem e medo. Assim como esperança e incerteza.
A autenticidade nasce quando permitimos que todas essas dimensões encontrem um lugar dentro de nós. Não para encontrar uma versão perfeita de nós mesmos, mas para viver de forma mais inteira, consciente e responsável.
Existe uma imagem que sempre me acompanha. A semente já carrega, silenciosamente, toda a potência da árvore. Ela não precisa tornar-se outra espécie para florescer. Precisa apenas encontrar condições para desenvolver aquilo que já existe em sua essência.
Talvez com o ser humano aconteça algo semelhante. Passamos boa parte da vida acreditando que precisamos nos transformar em outra pessoa para sermos suficientes. Quando, na verdade, o caminho mais profundo talvez seja remover tudo aquilo que impede nossa essência de crescer.
Ocupar o próprio lugar no mundo significa reconhecer que existe uma forma única de existir que somente nós podemos oferecer. Ninguém pode viver a vida que nos cabe viver e ninguém pode fazer as escolhas que pertencem exclusivamente à nossa consciência.
Ninguém pode oferecer ao mundo exatamente a contribuição que nasce da nossa história, dos nossos valores, das nossas sensibilidades e da maneira singular como percebemos a vida.
Ser autêntico exige coragem.
Coragem para desapontar expectativas, coragem para mudar de caminho, coragem para reconhecer que algumas relações deixarão de fazer sentido. Coragem para permanecer fiel aos próprios valores mesmo quando isso não produz aplausos.
Mas talvez a maior coragem seja olhar para si mesmo sem máscaras, sem justificativas, sem personagens, com gentileza.
Talvez a vida não seja uma busca incessante por alguém que ainda precisamos nos tornar, mas talvez seja, antes de tudo, um caminho de retorno.
Retorno àquilo que permaneceu vivo mesmo sob as camadas de medo, expectativas e adaptações. Retorno à capacidade de sentir, escolher e viver de forma consciente. E retorno à liberdade de existir sem precisar abandonar a própria essência para conquistar um lugar no mundo.
Afinal, quando uma pessoa encontra a liberdade de ser quem é, ela não transforma apenas a própria existência. Ela amplia as possibilidades de existência de todos aqueles que encontra pelo caminho.
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Danielle Vieira Gomes
http://daniellegomescoach.com.br/
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“O problema não é o problema.
O problema é sua atitude com relação ao problema.”
(Kelly Young)
Hoje, a tristeza me visitou. Tocou a campainha, subiu as escadas, bateu à porta e entrou. Não ofereci resistência. Houve um tempo em que eu fazia o impossível para evitá-la adentrar os meus domínios. E quando isso acontecia, discutíamos demoradamente. Era uma experiência desgastante. Aprendi que o melhor a fazer é deixá-la seguir seu curso. Agora, sequer dialogamos. Ela entra, senta-se na sala de estar, sirvo-lhe uma bebida qualquer, apresento-lhe a televisão e a esqueço! Quando me dou por conta, o recinto está vazio. Ela partiu, sem arroubos e sem deixar rastros. Cumpriu sua missão sem afetar minha vida.
Hoje, a doença também me visitou. Mas esta tem outros métodos. E outros propósitos. Chegou sem pedir licença, invadindo o ambiente. Instalou-se em minha garganta e foi ter com minhas amígdalas. A prescrição é sempre a mesma: Amoxicilina e Paracetamol. Faço uso destes medicamentos e sinto-me absolutamente prostrado! Acho que é por isso que os chamam de antibióticos. Porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida…
Hoje, problemas do passado também me visitaram. Não vieram pelo telefone porque palavras pronunciadas ativam as emoções apenas no momento e, depois, perdem-se difusas, levadas pela brisa. Vieram pelo correio, impressos em papel e letras de baixa qualidade, anunciando sua perenidade, sua condição de fantasmas eternos até que sejam exorcizados.
Diante deste quadro, não há como deixar de sentir-se apequenado nestes momentos. O mundo ao redor parece conspirar contra o bem, a estabilidade e o equilíbrio que tanto se persegue. O desânimo comparece estampado em ombros arqueados e olhos sem brilho, que pedem para derramar lágrimas de alívio. Então, choro. E o faço porque Maurice Druon ensinou-me, através de seu inocente Tistu, que se você não chora, as lágrimas endurecem no peito e o coração fica duro.
Limão e limonada
As ciências humanas estão sempre tomando emprestado das exatas, termos e conceitos. A última novidade vem da física e atende pelo nome de resiliência. Significa resistência ao choque ou a propriedade pela qual a energia potencial armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo.
Em humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo isso através de um dito popular, é fazer de cada limão, ou seja, de cada contrariedade que a vida nos apresenta, uma limonada saborosa, refrescante e agradável.
Aprendi que pouco adianta brigar com problemas. É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E com rapidez, de maneira certa ou errada. Problemas são como bebês, só crescem se alimentados. Muitos se resolvem por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma inadequada, eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você os anula com correção. A felicidade, pontuou Michael Jansen, não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados.
Aprendi a combater as doenças. As do corpo e as da mente. Percebê-las, identificá-las, respeitá-las e aniquilá-las. Muitas decorrem menos do que nos falta e mais do mau uso que fazemos do que temos. E a velocidade é tudo neste combate. Agir rápido é a palavra de ordem. Melhor do que ser preventivo é ser preditivo.
Aprendi a aceitar a tristeza. Não o ano todo, mas apenas um dia, à luz dos ensinamentos de Victor Hugo. O poeta dizia que “tristeza não tem fim, felicidade, sim”. Porém, discordo. Penso que os dois são finitos. E cíclicos. O segredo é contemplar as pequenas alegrias em vez de aguardar a grande felicidade. Uma alegria destrói cem tristezas…
Modismo ou não, tornei-me resiliente. A palavra em si pode cair no ostracismo, mas terá servido para ilustrar minha atitude cultivada ao longo dos anos diante das dificuldades impostas ou autoimpostas que enfrentei pelo caminho, transformando desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculos em oportunidades, tristeza em alegria.
Nós apreciamos o calor porque já sentimos o frio. Admiramos a luz porque já estivemos no escuro. Contemplamos a saúde porque já fomos enfermos. Podemos, pois, experimentar a felicidade porque já conhecemos a tristeza.
Olhe para o céu, agora! Se é dia, o sol brilha e aquece. Se é noite, a lua ilumina e abraça. E assim será novamente amanhã. E assim é feita a vida.
Participe da Conversa
Nesta semana que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, gostaria de dizer para todas as Mulheres uma coisa muito importante:
Seu sucesso na vida pessoal e/ou profissional, sua felicidade, sua prosperidade e bem-estar na vida só depende de uma pessoa. Sabe quem é? Você mesma.
E falo mais. Seu sucesso será mais fácil e forte se você Mulher lembrar em ser você mesma. Ou seja, Ser a Mulher que você sempre foi e será.
Esta última afirmação já falei muitas vezes para minhas clientes de Coaching Holístico que buscam Sucesso em algum ponto da vida pessoal e profissional.
Para quem ainda não sabe o que é Coaching, vou explicar agora. Entre muitas definições as que mais eu gosto são:
- Orientar uma pessoa a fazer a travessia entre um ponto ao outro até alcançar sua meta pessoal e/ou profissional com sucesso;
- Coaching é uma assessoria e processo que geram motivação pessoal e profissional, e que tem como objetivo potencializar o nível de resultados positivos nas diversas áreas da vida de um cliente para alcançar uma meta ou objetivo com sucesso.
E o que é Coaching Holístico? Coaching Holístico – Processo para Seu Sucesso na Vida e Concretização das suas Metas. O cliente vai se conhecer melhor, olhar para si, sua vida e descobrir seu potencial adormecido. Vai melhorar sua autoestima e ter mais autoconfiança. Tem Dificuldade em vencer? Pelo Coaching Holístico iremos desbloquear o que atrapalha e mudar Padrões Mentais para Vencer.
Este é o ponto chave do inicio do Sucesso de qualquer pessoa: Padrões Mentais. Quem acredita que é um fracasso, que não vai vencer na vida ou que não merece ter sucesso nas metas ou sonhos, tenha certeza que nada vai mesmo ocorrer de bom na vida. O Sucesso vai passar bem longe destas pessoas.
Agora imagine uma mulher que desde pequena é “esmagada” pela família e sociedade a sufocar sua força, a matar sua arte e beleza, para não acreditar em si e nas suas qualidades e habilidades para realizar.
Já atendi moças que acreditam que não merecem um amor porque alguém falou que ela é feia ou amor só faz mal. Como vão amar se não têm uma boa energia sobre o amor? Como amar se sua autoestima foi chutada? Só vai amar se mudar, acreditar que pode e merece amar. E que ela é uma super mulher.
O mesmo ocorre com a realização de outras metas pessoais e profissionais. Se uma pessoa foi condicionada a sempre pensar que é inferior, incapaz ou que não merece ser feliz ou prosperar, com certeza vai sofrer para conseguir. Imagine uma mulher que no geral é mais sufocada.
Ainda bem que tem solução. É um pouco demorado, varia de pessoa para pessoa, mas tem que trabalhar, treinar e movimentar-se para mudar padrões e condicionamento mental e energético.
Mas, é possível e já vi milagres.
Qual é o primeiro passo? Acreditar em Você. Acreditar na pessoa poderosa que há dentro de você.
Acreditar na Mulher que há dentro de você.
Sucesso e Feliz Dia da Mulher!
Participe da Conversa
A Copa do Mundo acabou. A seleção alemã com sua organização, futebol bonito e muita técnica, merecidamente, levou o caneco. É tetracampeã.
E a nossa Seleção Canarinho? Que papelão! Desde o início da Copa, nos quatro cantos deste Brasil, todos falavam que era forte candidata a ser hexacampeã. E por que todos acreditavam nisto? Porque jogava em casa, tinha apoio da torcida brasileira, a mídia falava que era a melhor seleção, tinha uma comissão técnica com dois técnicos que venceram Copas Mundiais (Parreira em 1994 e Felipão em 2002) e o clima ajudava.
Mas o que vimos foi um total fiasco e uma humilhante goleada histórica por 7×1 para os alemães na semifinal da Copa.
Enfim, perdemos a Copa e ficamos em quarto lugar após perder para a Holanda na disputa pelo terceiro lugar. E agora? Como diz o poema de Carlos Drummond de Andrade:
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?(Carlos Drummond de Andrade)
E agora, Seleção Brasileira? Agora é hora de mudanças. E mudanças drásticas e profundas na filosofia e na organização.
A CBF terá que ter coragem de assumir sua culpa no fracasso e incompetência administrativa na condução da Seleção Canarinho na Copa. A CBF e o novo técnico terão que ter coragem de fazer mudanças drásticas na nova Seleção Brasileira daqui para frente. Podem e devem seguir o ótimo exemplo que viveu a seleção alemã no final dos anos 90. Após fiascos seguidos, a Confederação Alemã de Futebol chegou à conclusão de que era hora de mudar tudo. Mudanças drásticas foram implantadas. Bancaram com coragem um técnico permanente nos últimos 10 anos que, com um grupo de jogadores com uma nova cabeça, união e humildade, deram um Show na Copa do Brasil e levaram o Caneco.
Mudança requer determinação. Mudanças drásticas requerem também muita coragem, pois haverá muita resistência das pessoas que já estão na zona de conforto ou que não aceitam que está tudo errado na vida ou no jogo.
Quer ver um exemplo recente? A entrevista da Comissão Técnica da Seleção Canarinho após o vexame de 7×1. Para Felipão e Parreira, nada estava errado na preparação da Seleção Brasileira. O problema foi um apagão geral do time todo que o levou a tomar 4 gols em 6 minutos.
Pois é Felipão, não houve problema algum no seu trabalho. Foi só um apagão que custou um vexame histórico e 200 milhões de brasileiros frustrados.
Como dizem, “o pior cego é o que não quer ver”. Ou “errar é humano, persistir no erro é ser Felipão”, teimoso e arrogante. Não assume os erros e afunda a emoção de milhares de pessoas.
Mas a Copa acabou e a CBF já começou as mudanças. Adeus comissão técnica fracassada. Vida e esperanças novas.
Espero que agora façam mais. Que tenham a coragem de fazer mudanças drásticas em tudo ligado a futebol.
E você? Está com coragem de fazer mudanças drásticas na sua vida pessoal ou profissional?
Ou vai ficar chorando e dando desculpas para que sua vida seja um fracasso ou cheia de frustrações?
Chega de Síndrome de Felipão, né?
Seu lema hoje: “Mudanças já e com coragem para ser feliz”.
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Frequentemente as mudanças acontecem na vida da gente. Em algumas vezes, estamos preparados para elas, em outras elas representam uma grande surpresa. Por vezes, desejamos a mudança, vislumbrando uma nova oportunidade em nossa vida. Acontece também de não as desejarmos, pois estamos felizes com as coisas do jeito que estão. Mas as mudanças acontecem, quer queiramos ou não…
Quando buscamos algo melhor, costumo dizer que estamos criando a mudança, pois estamos não só indo atrás dela, como desejamos que coisas melhores ocorram. Nesta hora, dizemos que a mudança é positiva e bem-vinda.
Mas existe também aquela mudança que você não deseja. Tudo estava bem do jeito que estava, por que mudar agora? Nesta hora criamos resistências, não aceitamos a oportunidade que a vida nos dá para novos desafios. Reclamamos e amaldiçoamos pelo que nos acontece.
Pessoas proativas são as que criam as mudanças, vislumbram novas oportunidades, desejam sempre mais, porque sabem que estão em constante crescimento e aprendizado. Pessoas acomodadas se comportam como árvores, não saem dos seus lugares, esperam que tudo ocorra como desejam ou que tudo se mantenha exatamente como está.
Se você se identificou com o segundo tipo, aqui vai uma reflexão: você não é uma árvore… você não nasceu com raízes que lhe impossibilitam de mudar de lugar. Você também pode dizer que não nasceu com asas, que te possibilitariam voar, mas eu diria que você nasceu com algo melhor do que asas: inteligência e criatividade. Faça por merecer a inteligência que tem e saiba reconhecer quando é hora de mudar.
Nosso mundo é dinâmico, nada é estático. Já dizia Heráclito: “Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio”. Claro! O rio não é o mesmo… nós também não somos! Creio que hoje somos melhores que ontem, piores do que amanhã. E assim prossegue o rio da vida, propiciando mudanças para que tenhamos – todos os dias – novas oportunidades, novos olhares, novos aromas, novas experiências. Saia do lugar! Você não é uma árvore…
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Responda rápido a minha pergunta:
– De zero a 100% qual é o seu grau de comprometimento em ler este artigo até o final?
Estranha a pergunta? Para quem é Coach ou faz sessões de Coaching esta pergunta é corriqueira. Toda vez que atendo um cliente de Coaching Holístico e definimos uma meta ou tarefa, sempre fecho a sessão com esta pergunta:
– Qual é o seu grau de comprometimento em realizar esta tarefa ou meta?
Em geral o cliente responde 100%. Só que nem sempre isto ocorre. Nem sempre o cliente se compromete 100% em executar a tarefa ou meta.
Um dos maiores problemas de uma pessoa que faz Coaching é a falta de comprometimento. É mais fácil dar desculpas do que tentar cumprir o que se comprometeu.
E falta de comprometimento não é só no Coaching que ocorre. No dia a dia de qualquer empresa os funcionários nunca cumprem o que prometem e se comprometem. É uma total falta de responsabilidade, profissionalismo e até de caráter da pessoa.
Sua atitude vai prejudicar a empresa, seus colegas de trabalho e a si mesmo. Aí perde o emprego e reclama.
E o que falar de pessoas no nosso dia a dia que prometem algo para alguém ou para si mesmo e não cumprem. Cadê o comprometimento, gente?
Falta de comprometimento na via profissional e pessoal é um péssimo hábito. Quem não tem comprometimento leva a “vida na flauta” ou “seja o que Deus quiser”.
O cliente senta na minha frente na sessão de Coaching, fala que quer ter sucesso na vida, jura 100% de comprometimento e falta na sessão seguinte dizendo que tem outro compromisso importante.
Compromisso importante? E os 100% de comprometimento que ele “juramentou” com ele próprio em alcançar sucesso? Não é mais importante?
Parece que não. Estas pessoas que não cumprem o que falam, acham que estão enganando seu Coach, seu chefe ou sua própria vida.
Na verdade esta pessoa que não cumpre nem 1% do que se compromete, está enganado a si próprio. Está perdendo seu tempo e não o meu.
Você que não cumpre o que promete ou se compromete, fica aqui um recado para refletir:
Não cumpre o que promete, não avança, não vence e não conquista.
Para ajudar, significado de Comprometimento:
“Esta é uma atitude que poderíamos definir como algo de cunho moral, afinal, literalmente, remete ao cumprimento de um tratado, um pacto firmado.
Significa “honrar a palavra empenhada”. O comprometimento está vinculado ao clima organizacional, à cultura e aos valores da empresa. As pessoas estão dispostas a lutar por aquilo em que acreditam, seja no plano profissional ou pessoal. E lutam pela verdade!
Há uma relação íntima entre esta competência e a capacidade de estabelecer e cumprir metas. E esta relação está presente na própria palavra.
É por ai. Boa semana!
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Você já parou para pensar a força que estas duas palavras possuem? Bom Dia e Obrigado.
Palavras simples, óbvias, porém em muitos momentos esquecidas pelo corre-corre da falta de tempo, pelo mau humor que nos atinge, pelo status que faz acreditar que não se faz necessário ou pelo simples hábito de não se utilizar no vocabulário.
Certa vez ouvi em um treinamento de liderança: como você gostaria de ser liderado? E para minha surpresa: com um bom dia e um muito obrigado. E comecei a pensar.
Será que somente na gestão gostaríamos de ouvir estas palavras?
Quem não gostaria de ouvir pela manhã este simples gesto ou num momento que está desmotivado um obrigado por um trabalho realizado?
A palavra bom dia abre portas, pode ser o início de uma conversa difícil; quebrar o gelo num momento de nervoso, despertar o sorriso nos mais contagiantes, demonstrar respeito ao próximo e principalmente celebrar a oportunidade de um novo dia, cheio de desafios, atividades a serem desenvolvidas, pessoas a conhecer, negociações a vencer. Oferece uma palavra positiva para você e para quem ouve, transmitindo pensamentos positivos.
Pode parecer longe demais, mas e se nós realmente ao dizermos esta simples palavra, buscássemos ter o nosso Bom dia?
Onde você conhecendo seus valores, desejos e objetivos gera uma atitude consciente para que consiga o resultado esperado. Que possa vencer o medo, a desmotivação, a baixa estima e quebrar barreiras, obstáculos na comunicação, relacionamentos e descubra caminhos efetivos de atingir o sucesso e por que não a felicidade tão sonhada?
Pense nisso e se permita a realmente ter um bom dia.
A palavra obrigado tem significados interessantes segundo o dicionário: ser obrigado a fazer, obrigar por lei, ser grato, reagir a algo correspondido.
Palavra igualmente simples, mas difícil de ser dita por aqueles que justamente se sentem na obrigação de fazê-lo, mas nobre e cheia de ternura, gratidão e reconhecimento por quem diz e recebe.
Um feedback por algo, dar-lhe a vez, agradecer um trabalho, um presente, uma parceria ou um simples objeto que foi entregue, uma porta aberta. O poder do obrigado nos renova as energias, aumenta a motivação, estima, trabalho em equipe e comprometimento.
O obrigado é um gesto de reconhecimento, retorno positivo que se está no caminho certo, de um trabalho bem feito, de um apoio sincero, de uma ajuda para alguém que precisa carregar sua mala, segurar o elevador ou passar simplesmente o sal.
Reforça comportamentos; gera sinergia e cumplicidade.
Que possamos falar obrigada sem a obrigação social, mas dar ao outro o direito de gentileza e valor por um gesto, atitude ou trabalho.
Bom dia e obrigado. Que possam ser um oxigênio. Não tem o hábito? Dê o primeiro passo. Diga para você mesmo, pois este é o maior sentido para despertar para o outro.
Diga a você mesmo o quanto acredita em si e é capaz de buscar seus sonhos e metas; o quanto é grato por sua vida, carreira, família.
Que estas palavras não sejam apenas etiquetas profissionais mas façam parte de seu cotidiano para que ao despertar de um novo dia você tenha bons momentos e possa ser grato pelas conquistas feitas por você e pelos outros.
Pense nisso.
Te desejo um bom dia e obrigada.
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É aquela coisa que você já sabe que tem que fazer e não faz. É uma decisão que não toma, um trabalho que não termina, um projeto que não entrega, uma conversa que não rola nunca por que você não toma a iniciativa.
Aí você procura por ajuda, porque sabe que tem alguma coisa errada com isso. Sabe que não é o seu normal, mesmo que nem consiga ver isso com clareza. Você provavelmente dá um Google, pega um livro, conversa com alguém ou mesmo tira um tarô para ver o que dizem e invariavelmente você recebe o mesmo veredicto: “pare de procrastinar para ter sucesso, para conseguir o que você quer. Assuma as rédeas da sua vida, você tem condições, basta querer.”
E aí é que podemos perder uma chance de ouro, a de nos conhecermos melhor e efetivamente dar o salto [quântico] rumo a nós mesmos. Explico: quando vejo, na prática do Coaching, que as pessoas estão procrastinando, eu não falo para elas “superarem” esse problema. Ao contrário, eu sugiro que a gente acolha, pare e olhe para isso que está acontecendo. Vamos entender o que essa lentidão momentânea e consciente tem a dizer, que notícias ela traz desse momento da vida daquela pessoa.
Geralmente a procrastinação é um sintoma. É a ponta do iceberg. Ele traz muitas coisas consigo, que vão além da superfície. O que eu mais vejo na minha prática profissional tem a ver com medo, autossabotagem, insegurança, baixa autoestima, angústia, bloqueio criativo, falta de sentido ou de tesão, incapacidade de assumir o que se quer, entre outras coisas. Cada um desses tópicos merece um texto, ou melhor, um livro em si, então não vamos nos aprofundar agora, certo?
O que eu quero é sugerir que você pare e reflita a respeito do que faz você procrastinar. E busque entender o que esse sintoma está querendo te dizer. Essa é uma maneira muito potente de ir mais fundo e se ouvir, buscar sua verdade e aceitá-la. Acolher o seu momento é a melhor forma de sair dele, como já falei no texto sobre o limbo.
Proponho uma atividade para lhe ajudar nessa reflexão.
Separe um tempo para você, de preferência sozinho e sem interrupções, de aproximadamente 30 a 50 minutos. Procure estar num lugar confortável e, se possível, feche os olhos, respirando profundamente umas 3 vezes ou até conseguir deixar os pensamentos mais quietos, as preocupações de lado…
Então, com o auxílio de papel e caneta ou outro meio que você escolher, comece a atividade:
1º passo: Responda em quais situações específicas da minha vida estou procrastinando agora?
Escreva de maneira sucinta e precisa, como por exemplo: não terminei o projeto X. Não comecei a fazer ginástica. Estou usando muito tempo para fazer tarefa Y. Não estou conseguindo terminar tal coisa. Estou adiando a conversa com fulano.
2º passo: Depois olhe para essas situações que você escreveu e as leia com compaixão. Procure simplesmente aceitá-las, contemplá-las, sem julgá-las. Sei que é difícil não julgar, mas ao menos tente.
Ao observar essas situações, procure apenas abrir espaço para que elas mesmas te digam coisas.
3º passo: Se for o caso, pergunte-se: o que essa situação quer me dizer? O que há aqui, além da superfície? O que eu estou deixando de fazer de verdade? O que está por trás dessa procrastinação que eu não estou querendo ou podendo ver?
4º passo: Veja quais fichas caem, se caem, o que surge. Aceite o que veio, agradeça e só. Guarde tudo e retome sua vida. Se for dormir, boa noite. Se for voltar ao trabalho, bom trabalho. NÃO mexa mais no exercício.
5º passo: Após alguns dias (de 3 a 5 dias), volte ao que você anotou. Novamente observe as situações de procrastinação. Veja se algumas delas você já pode mexer e realizar. Anote as ações que têm que ser feitas.
6º passo: Faça.
Como sempre, quero saber o que surgiu para você, ao ler esse texto. Caíram fichas? Nada rolou? Tá valendo. Compartilhe aqui.
E você já sabe. Qualquer coisa, estou por aqui.
Com amor e com alma,
Karinna
PS: Se você acha que este artigo pode beneficiar alguém, por favor, encaminhe agora para essa pessoa.
PS2: Eu, claro, adoraria que você espalhasse meu artigo por aí, nas suas redes. Assim mais gente curte e compartilha com quem precisa.
Obrigada!
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Eu tenho a mais absoluta certeza de que a grande parte dos leitores já ouviu falar sobre a Inteligência Emocional. Aliás, provavelmente, haverá até especialistas e professores na disciplina cuja fundamentação teórica nos remete a Charles Darwin. O que a maioria também sabe está no fato de que a popularização do assunto surgiu quando, há vinte anos, Daniel Goleman publicou um best-seller a respeito. Mas será que a inteligência emocional se confunde com a Inteligência Espiritual? E você, o que pensa a respeito?
Para começo de conversa, deve-se lembrar que o conceito de “inteligência” é algo sobre o que não há unanimidade. A depender da corrente de estudos, esse conceito (que na linguagem dos estudiosos chama-se constructo) terá diferentes interpretações e o pesquisador deve indicar qual a ênfase e abordagem mais adequada ao seu objetivo de momento. Neste nosso caso, vamos nos vincular ao conceito etimológico de que a “inteligência” é a capacidade de identificar as opções, processá-las e decidir por aquela mais conveniente em um dado problema ou situação. Agora, vou tirar o foco da mera conceituação de “inteligência” para tratar do tema ampliado: Inteligência Espiritual.
O estudo da importância da espiritualidade tem crescido bastante, a ponto de haver profissionais da área de saúde que indicam haver alta relação entre a prática espiritual com a saúde mental das pessoas. E aqui surge a necessidade de se fazer outra distinção, pois espiritualidade não é o mesmo que religiosidade. Esta última diz respeito à prática da relação da pessoa com Deus, em que há um sistema de rituais ou simbolismos presentes. A espiritualidade, porém, volta-se à dimensão pessoal que diz respeito à própria existência, uma relação com a consciência sem que haja necessariamente rituais ou símbolos. Ou seja, a espiritualidade diz respeito a atitudes, sentimentos e pensamentos superiores que levam ao crescimento (amadurecimento) do ser humano. A prática da religião pode apoiar a espiritualidade, mas esta vai além.
Voltando ao tema central, vamos nos basear nos estudos e propostas da física e filósofa americana Danah Zohar, ligada a importantes centros de pensamento, nos EUA e Europa. Tendo como linha de pesquisa a física quântica, sobre Inteligência Espiritual ela relata ser algo essencial para promover a cooperação entre as pessoas, tanto na família como em sociedade. Indo além, ela entende que é a Inteligência Espiritual que ajudará as pessoas a alcançarem soluções positivas para o planeta, além de criar um melhor encontro individual nessa caminhada, ao descobrir melhor a si mesmo e aos seus valores. O alto quociente espiritual faz a pessoa ter a vida mais criativa, promissora e com sentido, com identificação do propósito pessoal.
Em seu livro Inteligência Espiritual (Editora: Viva Livros; 2012), escrito com Ian Marshall, Danah comenta que a inteligência emocional faz a pessoa ter capacidade de julgar em que situação se encontra e como deve se comportar, adequadamente, nos limites dessa situação. A Inteligência Espiritual estimula a pessoa a se perguntar se ela deseja estar nessa situação em particular e como é a melhor forma de trabalhar com os limites da situação. Em seu livro ela comenta de dez atributos típicos que mostram quando a pessoa tem um elevado quociente de Inteligência Espiritual.
As características comuns de quem tem alta Inteligência Espiritual são assim resumidas: (1) Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo; (2) São idealistas e levadas por valores pessoais; (3) Têm capacidade de encarar e se apropriar positivamente da adversidade; (4) São holísticas, no sentido de que conseguem ter visão abrangente sobre cada situação (analisam as partes e entendem o todo); (5) Respeitam a diversidade (em todas as nuances de diferenças entre pessoas, sem preconceitos); (6) Preservam sua independência e arbítrio; (7) Perguntam sempre “por quê?”, como forma de se questionarem quanto aos próprios dogmas e crenças limitantes; (8) Têm capacidade de colocar as situações e os fatos em um contexto ampliado; (9) São espontâneas e verdadeiras, e; (10) Têm compaixão, conseguindo se colocar no lugar das pessoas que estão com dores ou problemas, viabilizando ajudá-las.
E então, como está o seu grau de Inteligência Espiritual? Agora, fica o convite à sua reflexão e … Boa sorte!
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