WOLLING: O Impacto das Mulheres na Vida de Outras Mulheres
Quando falamos sobre os desafios enfrentados pelas mulheres, normalmente direcionamos nosso olhar para as desigualdades históricas, para a violência de gênero, para as dificuldades de acesso a espaços de liderança e para os preconceitos que ainda persistem em diferentes áreas da sociedade. São debates necessários e urgentes. Mas existe uma reflexão que também merece atenção: qual tem sido o papel das próprias mulheres na construção, ou no enfraquecimento, umas das outras?
Nos últimos anos, ganhou espaço o termo WOLLING, utilizado para descrever comportamentos de hostilidade, julgamento, exclusão, sabotagem ou desqualificação praticados entre mulheres. Embora a expressão seja recente, o fenômeno está longe de ser novo. Ele aparece em comentários aparentemente inofensivos, em críticas constantes, na invalidação de conquistas, na exclusão silenciosa de grupos, na disseminação de fofocas e até mesmo na dificuldade de reconhecer o mérito de outra mulher.
Muitas vezes, não há intenção declarada de machucar. Em outras, a agressão vem disfarçada de conselho, preocupação ou opinião. Ainda assim, seus efeitos podem ser profundos. Afinal, nem toda violência deixa marcas visíveis. Algumas deixam cicatrizes emocionais que acompanham uma pessoa por muitos anos.
Esse é um tema delicado porque não existe uma explicação simples. Mulheres também foram formadas em estruturas sociais que, durante séculos, limitaram seu acesso ao poder, ao reconhecimento e às oportunidades. Em ambientes onde havia pouco espaço para presença feminina, muitas aprenderam, consciente ou inconscientemente, a enxergar outras mulheres como concorrentes.
Essa lógica pode ter feito sentido em um contexto de escassez. O problema é que ela continua sendo reproduzida mesmo em uma realidade que exige cada vez mais colaboração, diversidade e construção coletiva.
Quando uma mulher desmerece a conquista de outra, reforça a ideia de que existe lugar para poucas. Quando questiona constantemente a capacidade de outra profissional sem fundamento, contribui para a manutenção de inseguranças que muitas já carregam. E quando opta pela crítica destrutiva em vez do diálogo, fortalece exatamente as barreiras que tantas lutam para derrubar.
Isso não significa ignorar divergências. Mulheres podem discordar. Podem competir por posições, defender opiniões diferentes e enxergar o mundo sob perspectivas distintas. O problema nunca foi a divergência. O problema surge quando a discordância se transforma em humilhação, exclusão ou tentativa de enfraquecimento.
Existe uma diferença enorme entre oferecer um feedback que contribui para o crescimento de alguém e fazer um comentário que apenas diminui. Existe uma diferença entre apontar um erro e atacar uma pessoa. E existe uma diferença entre defender uma posição e invalidar a trajetória de quem pensa diferente.
Talvez por isso seja tão importante refletirmos sobre os impactos desses comportamentos na saúde mental das mulheres. Ansiedade, insegurança, baixa autoestima, síndrome da impostora e esgotamento emocional são temas cada vez mais presentes em ambientes profissionais. Embora tenham múltiplas causas, muitas dessas questões são agravadas por relações marcadas por julgamentos constantes, falta de apoio e competição destrutiva.
Quantas mulheres deixaram de se candidatar a uma oportunidade porque passaram a duvidar da própria capacidade? Quantas silenciaram suas ideias por medo de serem ridicularizadas? E quantas desistiram de projetos, negócios ou posições de liderança depois de sucessivas experiências de desvalorização?
Nem sempre os maiores obstáculos são visíveis. Muitas vezes, eles se manifestam em pequenas atitudes cotidianas que, acumuladas ao longo do tempo, corroem a confiança e o senso de pertencimento.
É justamente por isso que a sororidade continua sendo um conceito tão relevante. E vale lembrar que sororidade não significa concordar com tudo, defender qualquer comportamento ou ignorar erros. Sororidade é reconhecer a humanidade da outra mulher mesmo quando existem diferenças. É entender que respeito não depende de afinidade. É escolher a ética acima da rivalidade e a construção acima da destruição.
Essa responsabilidade se torna ainda maior quando falamos de liderança.
Mulheres que ocupam posições de influência têm a oportunidade de transformar não apenas suas próprias trajetórias, mas também o caminho de quem vem depois. Uma líder que compartilha conhecimento, reconhece talentos e cria ambientes seguros deixa um legado que ultrapassa resultados e indicadores. Ela contribui para que outras mulheres acreditem que também pertencem àquele espaço.
A verdadeira liderança não se mede pela quantidade de pessoas que admiramos de longe. Ela se mede pela quantidade de pessoas que ajudamos a crescer. Afinal, ocupar um espaço é importante. Abrir espaço para outras pessoas é transformador.
Talvez o maior convite que esse debate nos faça seja o da autorreflexão. Antes de julgar outra mulher, vale a pena perguntar: estou contribuindo para o crescimento dela ou para sua diminuição? Antes de compartilhar uma crítica, é importante refletir se ela gera aprendizado ou apenas reforça julgamentos. E antes de enxergar outra mulher como ameaça, talvez seja necessário lembrar que sucesso não é um recurso limitado.
A construção de uma sociedade mais justa depende, sem dúvida, do enfrentamento das desigualdades externas. Mas também exige coragem para olhar para dentro e reconhecer comportamentos que, muitas vezes sem perceber, acabamos reproduzindo.
Porque nenhuma mulher se torna maior diminuindo outra. A verdadeira grandeza está em usar sua força para elevar quem caminha ao seu lado. E quando mulheres escolhem apoiar mulheres, o impacto vai muito além das relações individuais. Ele alcança famílias, organizações, comunidades e gerações inteiras.
No fim, a pergunta que permanece é simples: queremos ser parte do problema ou parte da transformação?
“Nenhuma mulher se torna maior diminuindo outra. A verdadeira grandeza está em usar sua força para elevar quem caminha ao seu lado.”
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Edna Vasselo Goldoni
https://www.institutoivg.com.br
Confira também: O Preço Invisível do Prestígio: Escolhas, Concessões e a Fronteira Entre Crescer e se Perder em ‘O Diabo Veste Prada’
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Crenças Limitantes: A Prisão Mais Perigosa É Aquela que Você Não Percebe
Existem prisões que não possuem grades, muros ou vigilância aparente. Não produzem o som metálico das correntes, nem despertam suspeitas imediatas. Pelo contrário: funcionam silenciosamente, de maneira sofisticada e profundamente enraizada na estrutura emocional e cognitiva do ser humano.
São prisões invisíveis, construídas por pensamentos condicionados, crenças absorvidas sem questionamento e narrativas repetidas tantas vezes que passam a ser confundidas com identidade. E talvez a mais perigosa de todas seja exatamente essa: a prisão psicológica de acreditar que se é menor do que realmente se pode ser.
A maioria das pessoas jamais perceberá, de forma consciente, o quanto as experiências e influências ao longo da vida condicionaram suas emoções. Desde cedo, sistemas sociais inserem o indivíduo em contextos que moldam comportamento, percepção e senso de realidade. Família, escola, ambiente profissional, relações interpessoais e cultura coletiva atuam constantemente na formação da identidade.
O problema não está no fato de sermos influenciados, isso é inevitável dentro da experiência humana, mas na ausência de consciência crítica diante dessas influências. Quando alguém cresce ouvindo limitações, críticas destrutivas, invalidações emocionais e discursos de incapacidade, cria-se uma estrutura mental que passa a operar como verdade absoluta. Com o tempo, a pessoa deixa de distinguir aquilo que ela realmente é daquilo que aprendeu a acreditar sobre si mesma.
Esse fenômeno não acontece apenas no campo emocional.
Ele possui bases neurológicas e comportamentais profundas. O cérebro humano é altamente adaptável e responde continuamente aos estímulos que recebe. Pensamentos repetitivos geram conexões neurais fortalecidas pela recorrência. Emoções associadas a experiências marcantes intensificam ainda mais esse processo, consolidando padrões automáticos de interpretação da realidade.
Em outras palavras, crenças limitantes não são apenas ideias abstratas: elas se tornam estruturas cognitivas reais, capazes de influenciar decisões, comportamentos, desempenho e até mesmo a forma como o indivíduo percebe suas possibilidades futuras.
O aspecto mais alarmante dessa dinâmica é que a maioria das limitações pessoais não nasce de incapacidade genuína, mas da repetição inconsciente de condicionamentos antigos. Pessoas extremamente capazes vivem abaixo do próprio potencial não por ausência de competência, mas por excesso de identificação com narrativas limitadoras.
E isso explica por que tantos indivíduos inteligentes, talentosos e preparados permanecem emocionalmente paralisados diante de oportunidades que poderiam transformar suas vidas. O problema raramente está na falta de capacidade técnica; quase sempre está na estrutura mental que sustenta a autopercepção.
É importante compreender que o ser humano dificilmente age acima da identidade que acredita possuir. Essa é uma das razões pelas quais mudanças superficiais produzem resultados temporários. Muitos tentam alterar comportamentos sem transformar a estrutura interna que os origina. Buscam motivação momentânea, frases de efeito ou estímulos rápidos, sem perceber que resultados consistentes exigem uma reconstrução mais profunda da mentalidade. Enquanto a identidade continuar associada à limitação, qualquer tentativa de crescimento encontrará resistência interna.
Por isso, o verdadeiro processo de transformação começa quando o indivíduo desenvolve consciência suficiente para questionar suas próprias certezas.
Esse é um movimento raro, porque exige coragem intelectual e maturidade emocional. Questionar crenças antigas significa confrontar estruturas internas construídas durante anos. Significa admitir que talvez boa parte da realidade percebida tenha sido filtrada por interpretações distorcidas, medos aprendidos e experiências mal ressignificadas. E poucas pessoas estão preparadas para enfrentar esse nível de honestidade consigo mesmas.
No entanto, é exatamente nesse ponto que começa a expansão da consciência. Quando alguém percebe que não tem a obrigação de permanecer emocionalmente condicionado ao passado, uma nova possibilidade emerge. A pessoa deixa de enxergar sua história como sentença definitiva e passa a compreendê-la como um processo passível de revisão e reconstrução. Isso não significa negar dores vividas ou ignorar experiências difíceis, mas assumir uma postura mais consciente diante delas. O passado pode explicar comportamentos, mas não deve determinar destinos.
Existe uma diferença profunda entre carregar experiências e carregar identidades construídas a partir dessas experiências. Muitos indivíduos sofreram rejeições e, por isso, passaram a acreditar que não possuem valor. Outros enfrentaram fracassos e transformaram episódios específicos em definições permanentes sobre si mesmos.
Há quem tenha sido desacreditado tantas vezes que perdeu a capacidade de enxergar suas próprias competências. E é justamente aqui que reside uma das maiores distorções da mente humana: transformar circunstâncias temporárias em conclusões definitivas sobre a própria existência.
O problema é que toda crença influencia comportamento, e todo comportamento repetido fortalece identidade. Cria-se, então, um ciclo silencioso de autossabotagem. A pessoa acredita que não consegue, evita agir, não obtém resultados e usa essa ausência de resultados como confirmação de sua limitação. Esse padrão se repete até que a mediocridade emocional seja normalizada. E quando a acomodação se torna confortável, o potencial começa a morrer lentamente dentro do indivíduo.
Romper esse ciclo exige muito mais do que desejo.
Exige responsabilidade emocional. Exige disposição para enfrentar desconfortos psicológicos que a maioria evita durante toda a vida. Crescimento genuíno implica abandonar narrativas vitimistas, desenvolver autoconsciência e assumir o compromisso de reconstruir a própria mentalidade de forma intencional. Isso envolve revisar ambientes, selecionar melhor relações, mudar padrões de consumo mental e criar novas referências internas capazes de sustentar uma identidade mais fortalecida.
É nesse contexto que a disciplina emocional se torna indispensável. Porque transformação não acontece apenas em momentos de inspiração, nós a construímos na repetição diária de novos padrões mentais e comportamentais. O cérebro aprende por repetição, e a identidade também.
Toda vez que alguém age apesar do medo, fortalece internamente uma nova percepção sobre si mesmo. Toda vez que enfrenta desconfortos sem retroceder, enfraquece padrões antigos de limitação. E toda vez que escolhe conscientemente não alimentar pensamentos autodepreciativos, cria espaço para uma nova construção emocional.
Com o tempo, essa mudança deixa de ser apenas intelectual e passa a ser existencial. O indivíduo começa a perceber que possui muito mais potência do que imaginava. Situações antes vistas como ameaças passam a ser, então, interpretadas como oportunidades de expansão. A necessidade constante de validação externa diminui, porque a segurança começa a ser construída internamente. E, gradualmente, a pessoa deixa de viver em função dos limites aprendidos para começar a viver em função das possibilidades conscientes.
Entretanto, existe algo que precisa de clareza: despertar para essa consciência também traz responsabilidade.
Porque, depois que alguém percebe que muitos dos seus limites eram construções mentais, torna-se impossível continuar vivendo da mesma maneira sem entrar em conflito consigo mesmo. A ignorância emocional, embora limitante, muitas vezes oferece conforto. Já a consciência exige posicionamento. E posicionamento exige ação.
A partir desse momento, o indivíduo precisa decidir se continuará negociando com suas limitações ou se assumirá definitivamente a responsabilidade pelo próprio crescimento. Essa decisão muda tudo, porque desloca o centro da vida das circunstâncias externas para a construção interna. O foco deixa de ser aquilo que faltou e passa a ser aquilo que pode ser desenvolvido. A pessoa para de esperar condições ideais e começa a construir competência emocional para avançar apesar das imperfeições do caminho.
No final, a grande libertação humana não acontece quando alguém conquista reconhecimento, dinheiro ou status. A libertação verdadeira acontece quando o indivíduo rompe as estruturas invisíveis que o impediam de acessar sua própria potência. Porque não existe prisão mais perigosa do que aquela que convence alguém de que ele nasceu para ser pequeno.
E talvez essa seja a reflexão mais necessária deste tempo: muitas pessoas não precisam de mais talento, mais oportunidades ou mais recursos. Precisam apenas parar de acreditar nas limitações que aprenderam a chamar de identidade.
Porque, quando a consciência desperta, a prisão perde a força.
E quando a mente deixa de aceitar limites impostos, a vida inteira começa a se expandir.
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Um forte abraço!
Rui Mesquita
http://www.ruimesquita.com.br
https://www.instagram.com/rui.mesquita.oficial/
Confira também: O Limite Nunca Foi Você: Como Crenças Limitantes Moldam Sua Identidade e Impedem o Seu Crescimento
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Simples Nacional e Reforma Tributária: O Que Empresas Devem Avaliar para 2027?
A Reforma tributária está em fase de testes em 2026 e começa a entrar em vigor em 2027, com a introdução do modelo de IVA dual (IBS e CBS). Lembrando que a CBS (Contribuição Social sobre Bens e Serviços) começa a valer a partir de 2027, mas o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) somente começará a ser introduzido em 2027 e terá a transição completa apenas em 2033.
A grande mudança que a Reforma trará é a não cumulatividade plena. Isso significa que os créditos de IBS e CBS não sofrerão as mesmas restrições de aproveitamento existentes atualmente no PIS, na Cofins e no ICMS. Dessa forma, o aproveitamento desses créditos passa a ter ainda mais importância no novo sistema.
Assim, embora a Reforma Tributária do Consumo não afete o Simples Nacional, a legislação prevê que esse regime não gerará créditos relevantes de IBS e CBS. Isso ocorre porque o cálculo seguirá as porcentagens previstas em lei. Para reduzir esse impacto, há também o modelo híbrido do Simples Nacional que permite a apuração do IBS e a CBS fora do regime unifcado.
A adesão ao Simples Nacional normalmente acontece todos os anos no mês de janeiro. Entretanto, a Receita Federal antecipou para setembro de 2026 o prazo de adesão ao Simples Nacional para o exercício de 2027.
A antecipação do prazo para opção pelo regime demanda uma postura mais estratégica das empresas, que passam a depender de análises projetadas de sua carga tributária, e não apenas de avaliações baseadas em períodos anteriores. Nesse contexto, alguns aspectos merecem atenção especial.
Assim, a opção deverá ser realizada em setembro de 2026, com possibilidade de desistência somente até o fim de novembro, restringindo eventuais revisões ao longo do exercício. O ponto central é avaliar o perfil do cliente da empresa, ou seja, se os negócios são realizados em sua maioria diretamente ao consumidor (B2C – Business to Consumer) ou entre empresas (B2B – Business to Business).
Dessa forma, as empresas que atendem majoritariamente consumidores tendem a manter o Simples Nacional tradicional. Já as empresas que integram cadeias B2B precisam analisar com mais critério os impactos da ausência de aproveitamento de créditos.
A escolha do regime também passa a ter reflexos diretos sobre a estratégia empresarial. Ela influencia a formação de preços, as margens de lucro e a competitividade. Além disso, influencia até decisões estruturais relacionadas à expansão das atividades e às operações de M&A.
Pelas razões expostas, acreditamos que 2026 será um ano de planejamento tributário. Principalmente para as empresas que realizam vendas B2B e atuam em cadeias mais complexas. Nesses casos, o aproveitamento de créditos de IBS e CBS tende a gerar muito interesse.
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Quer saber mais sobre como avaliar o Simples Nacional diante da Reforma Tributária e preservar a competitividade da sua empresa em 2027? Então, se você tiver alguma dúvida, por favor, entre em contato comigo, terei o maior prazer em responder!
Desejo a você muito sucesso e até o próximo encontro!
Maria Pereira Martins de Carvalho
https://www.pnst.com.br/profile/maria-pereira-martins-de-carvalho
Confira também: Reforma Tributária: Os Novos Regulamentos do IBS e da CBS e os Impactos Práticos para as Empresas
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O Diabo Ainda Veste Prada? Liderança, Inovação e os Desafios da Reinvenção no Mundo do Trabalho
Olá, leitor,
E lá fui eu assistir à sequência de “O Diabo Veste Prada”, vinte anos depois, com a expectativa de que o filme mostrasse mudanças significativas na liderança e no mundo do trabalho.
No entanto, essa expectativa é frustrada, pois o foco recai no colapso do impresso e na ascensão do digital, deixando os comportamentos mais como clichês do que como mudanças significativas. A icônica Miranda Priestly enfrenta o declínio do impresso e a necessidade de se adaptar, lidando com a pressão de anunciantes e a concorrência dos influenciadores.
O “Diabo” não é mais aceito. No entanto, ele está lá, agarrado à liderança e repetindo comportamentos que não cabem mais. A grande lição para o líder é: se não mudar, vai morrer. Essa mensagem, porém, acaba se esvaziando em um filme que ainda aceita o jogo corporativo sem inovação como possível.
A dinâmica retratada no filme reflete uma falha real de governança. O conflito entre a sede de poder e a inovação divide grandes corporações em duas forças destrutivas. Infelizmente, a liderança que quer manter o status quo se recusa a correr riscos e opera com o medo de perder o controle, bloqueando a mudança. A visão pessoal se sobrepõe aos dados reais e repete o modelo do “eu sempre fiz assim”. Surge um “efeito Kodak”, que cega a empresa para a inovação e para novas lideranças.
Para lidar com este momento, a ambidestria organizacional surge com frentes distintas de atuação, ou seja, quem cuida do que já é e quem traz modelos de negócios disruptivos para que a transição seja feita. Adicionalmente, são necessários conselhos de administração capazes de trazer governança e planejar uma sucessão sem esbarrar apenas no ego do poder. Naturalmente, tudo só é possível se houver segurança psicológica, algo que no filme nem entra na pauta, mostrando executivos carentes de likes e aprovação mesmo quando trazem algo novo.
A segurança psicológica tem como contraponto as demissões em massa e o desemprego, mostrados nas primeiras cenas do filme.
Alguém que performa e é premiado acaba demitido por mensagem de texto. A cena reflete a volatilidade do mercado de trabalho e a falta de respeito na forma de desligar, gerando medo e insegurança. Ao mesmo tempo, o discurso é de “humanização” e força líderes a cumprir uma narrativa e normas do RH. No entanto, as demissões ainda ocorrem dessa forma. Este é o mercado atual, ainda marcado por estes antagonismos.
Ainda que o filme mostre as personagens Andy e Emily em uma nova fase da carreira, uma como jornalista de sucesso e outra como executiva, ambas aparecem infantilizadas diante da liderança autocrática de Miranda. Uma quer ser exatamente ela; a outra ainda se desespera para agradar. E é muitas vezes o que vemos no mercado: profissionais tecnicamente maduros repetem os modelos de liderança que receberam. Têm medo de serem disruptivos e de não serem aceitos pela cultura organizacional. Por isso, acabam cuidando mais da própria reputação do que do negócio em si.
O filme se vale da licença poética da nostalgia do sucesso da franquia sem refletir totalmente o quão diferente é o ambiente de trabalho atual, que é mais híbrido e focado em qualidade de vida. Permanece na mesma estrutura hierárquica tóxica de 20 anos atrás, o que parece deslocado em uma era de busca por equilíbrio pessoal. A grande lição, deixando de lado o ficcional, é a necessidade de atualização constante, gestão de reputação digital, adaptabilidade, construção de alianças estratégicas e liderança humanizada.
No mercado atual, a reinvenção envolve tanto a adaptação às novas tecnologias e tendências quanto a adaptação a novos comportamentos e contextos sociais. O filme tenta trazer alguma diversidade às telas, como um assistente obeso ou uma personagem oriental, mas isso aparece como caricato e não congruente com o que as empresas devem praticar.
Naturalmente, a gestão da reputação e da imagem na era digital requer muito mais cuidado. Mesmo assim, o filme não se aprofunda no assunto. Mostra um evento de moda ao vivo, que poderia ter repercussão online em tempo real. No entanto, isso não aparece como um posicionamento estratégico.
O foco na manutenção do poder e a insistência na permanência da liderança podem ser, a médio prazo, um erro. Em vez de apostar na inovação como resposta ao declínio da mídia impressa tradicional, o filme reforça a luta para manter a relevância de uma marca icônica. Isso enfatiza a sobrevivência do modelo antigo, e não a reinvenção do negócio. No mundo pós-pandemia, essa já se mostrou uma péssima estratégia, o que torna a resposta do filme obsoleta por si só.
Ainda que o filme retrate a dificuldade de figuras experientes se adaptarem, ele também destaca como o poder evoluiu para o soft power. Além disso, reforça a necessidade de gerenciar a reputação na era digital. Sabemos, porém, que muitas empresas estão fazendo transições de liderança muito interessantes. Muitas vezes, isso acontece pela reinvenção profissional de quem está à frente do negócio. São lideranças que desenvolvem competências de adaptabilidade, flexibilidade e abertura para a inovação. Com isso, enxergam a mudança como oportunidade, e não como perda de poder.
Pontos que ainda têm valor no ambiente corporativo, como networking, bons relacionamentos, resiliência, autoconfiança e dedicação, mesmo sob pressão, continuam sendo o segredo para o sucesso, como demonstram as personagens.
Um desafio desta transição, que também não é destacado no filme, é a gestão multigeracional.
Hoje, temos cinco gerações simultâneas sendo lideradas e geridas nas empresas. Assim, chamar a relação da antiga guarda, representada pela personagem Miranda, com a geração de Andy e Emily de conflito de gerações empobrece a discussão. O filme traz uma geração Z representada por um assistente que pede para ir ao banheiro e uma estagiária que compra roupa de grife no brechó para ser aceita. Isso fica totalmente fora da realidade da convivência intergeracional e das demandas que esse tema complexo traz.
Surgem as novas regras do jogo, em que não cabe mais o controle vertical, e as novas dinâmicas de algoritmos e IA fazem parte da conversa. No entanto, o filme usa os jovens não para trazer inovação para a revista, mas para punir a soberba corporativa da velha guarda. O primeiro filme teve muito mais a ensinar sobre o mundo do trabalho; este segundo já nasce ultrapassado.
Outra passagem é a inclusão de consultores da McKinsey como uma sátira precisa de um dos clichês mais antigos, temidos e reais do mundo corporativo.
Trazida pelo novo CEO, um herdeiro mimado e focado apenas em métricas financeiras, a McKinsey aparece para otimizar processos, cortar orçamentos e sugerir que a revista troque sua curadoria cara por influenciadores digitais baratos. Vestidos em ternos cinzas e azuis opacos, os consultores simbolizam a frieza dos números contra o glamour e a intuição da moda. Historicamente, no ambiente corporativo, a estratégia do novo chefe de Miranda é usar a McKinsey para fazer o trabalho sujo. Os consultores assumem o papel de “vilões” ou “coveiros” da demissão em massa de editores.
A maior evidência do esvaziamento de poder ocorre quando a consultoria analisa suas despesas e decreta que a lendária editora-chefe deve cortar custos voando em classe econômica e pegando o assento do meio. Isso faz com que a redução de verbas pareça uma decisão puramente técnica, e não uma perseguição pessoal à velha guarda.
Fica a visão do capitalismo tardio retratado: “mudar” quase sempre significa “reduzir”, e a eficiência máxima frequentemente resulta na pasteurização do produto. O filme expõe ainda o ressentimento comum do mercado em relação a jovens recém-formados em MBAs conceituados, que tentam reestruturar indústrias complexas sem nunca terem operado nelas.
Ao final, a frase “tudo tem um custo” — ou “nós temos que mostrar ao mundo que tudo tem um custo” —, dita por Miranda Priestly, reflete exaustão, isolamento e a dor de proteger um legado, em vez de qualquer entusiasmo ou abertura em direção à inovação. Reflete tristeza e sacrifícios na vida pessoal, no casamento e na saúde mental para construir e manter o padrão.
Ela percebe que o esforço hercúleo exigido no passado para manter o topo perdeu o sentido para as novas gerações, gerando um sentimento de amargura. É aí que a velha liderança morre, fechando as portas para a inovação e vendo-a como uma ameaça, e não como uma oportunidade.
Dizer que “tudo tem um custo” é a maneira que ela encontra para validar o próprio sofrimento e o sofrimento que ela impõe aos outros, como se a dor fosse o único caminho legítimo para a excelência. O cansaço vem de perceber que o mundo mudou, mas ela está presa ao preço que escolheu pagar no passado. Fica a pergunta: você vai mudar ou resistir?
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Mônica Barg
https://www.monicabarg.com.br
Confira também: Síndrome do Primeiro Emprego: Quando a Insegurança Pesa Mais do que a Falta de Experiência
Palavras-chave: reinvenção no mundo do trabalho, liderança, inovação, reinvenção, mundo do trabalho, segurança psicológica, gestão de reputação, liderança humanizada, gestão multigeracional, ambidestria organizacional, liderança obsoleta, o diabo veste prada
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Cultura de Inovação: Como Líderes Criam (ou destroem) Ambientes Criativos (parte IV)
Dando continuidade à parte III deste artigo, agora vamos concluir esta série abordando o papel decisivo da liderança na construção de uma cultura de inovação. Vamos mostrar como comportamentos, atitudes e práticas dos líderes podem estimular ou sufocar a criatividade, a colaboração e a capacidade de inovar dentro das organizações.
6. QUANDO A LIDERANÇA DEFINE O DESTINO DA INOVAÇÃO
Até aqui, este artigo percorreu as dimensões teóricas e científicas da cultura de inovação — o que a define, o que a destrói, o que a alimenta e como ela se manifesta no cérebro humano. Mas teorias precisam encontrar a realidade. Os dois casos a seguir não foram escolhidos por serem exceções glamourosas — foram escolhidos por ilustrarem, com precisão, os mecanismos que este artigo descreve: como comportamentos de liderança, sustentados ao longo do tempo, determinam se uma organização se torna um ambiente fértil para a criatividade ou um campo hostil que a sufoca sistematicamente.
PIXAR: A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA CANDURA
Quando Ed Catmull cofundou a Pixar em meados dos anos 1980, ele encarava um desafio que ia muito além da tecnologia de animação: como sustentar a criatividade em uma organização de forma sistemática e repetível, e não dependente do gênio isolado de indivíduos? A pergunta que orientou sua liderança não era “como contratar os melhores talentos?” mas “que tipo de ambiente libera o melhor de cada pessoa?”
A resposta que Catmull desenvolveu ao longo de décadas está documentada em seu livro Creativity, Inc. (2014) e em seu artigo seminal na Harvard Business Review (2008), e tem um núcleo simples: não é trabalho do gestor prevenir os riscos — é trabalho do gestor tornar seguro assumi-los. Essa premissa, aparentemente singela, reorganizou a cultura de toda a empresa.
A manifestação mais concreta dessa filosofia foi o Braintrust — uma reunião periódica, sem hierarquia formal, em que diretores apresentavam versões inacabadas de seus filmes para receber feedback direto de pares. Os diretores compartilhavam cortes brutos e imperfeitos de seus filmes com seus colegas e convidavam uma honestidade brutal — não para defender seu trabalho, mas para aprimorá-lo. Sem hierarquia, sem executivos. Apenas candura, curiosidade e a crença compartilhada de que o fracasso é dado, não um ataque pessoal.
A regra central do Braintrust era igualmente radical: os participantes podiam oferecer qualquer feedback, mas não tinham autoridade para implementar mudanças — isso permanecia exclusivamente com o diretor. O que Catmull criava, na prática, era uma separação entre o ato de dar feedback e o ato de exercer poder — o que tornava o ambiente seguro o suficiente para que a honestidade florescesse sem criar dependência ou submissão. As pessoas na sala do Braintrust sentiam-se seguras o suficiente para dizer candidamente o que achavam que estava errado, faltando ou pouco claro.
O resultado foi uma cultura que normalizou a incompletude como ponto de partida — e não como fracasso.
“Novas ideias apresentadas no início frequentemente falham, mas porque esperamos isso e todos já passaram por isso, não são encaradas como fracassos”, disse Catmull.
A chave é criar uma cultura e um ambiente seguro que encoraje a experimentação e não puna o erro.
Os números corroboram a eficácia dessa abordagem: dos 22 filmes produzidos sob a liderança de Catmull, 21 foram concluídos — uma taxa excepcional para uma indústria onde o abandono de projetos é comum. Mais relevante do que qualquer métrica financeira, porém, é o que o caso Pixar demonstra: a inovação sustentada não emergiu de processos rígidos ou de controle criativo centralizado, mas de uma cultura que tornava a candura segura, a imperfeição aceitável e a aprendizagem coletiva o mecanismo central de evolução.
MICROSOFT: A TRANSFORMAÇÃO DE UMA CULTURA TÓXICA
O caso da Microsoft sob Satya Nadella oferece um contraste igualmente revelador — não de uma empresa nascida criativa, mas de uma organização que, no auge de sua relevância, deixou a cultura deteriorar e, então, precisou reconstruí-la deliberadamente.
Quando Nadella assumiu como CEO em 2014, ele herdou uma empresa caminhando para a irrelevância, assolada por disputas internas e inércia. A cultura dominante era do tipo “sabe-tudo”, que suprimia a curiosidade, a colaboração e a disposição de aprender. O sistema de avaliação de desempenho vigente — conhecido como stack ranking — classificava os funcionários em curva forçada, o que criava um ambiente de competição interna intensa: para que alguém fosse avaliado como excelente, outros precisavam ser avaliados como insatisfatórios. O resultado previsível foi que o sistema de classificação encorajava a competição interna, recompensando o sucesso individual à custa da colaboração — criando um ambiente onde a tomada de riscos era desencorajada e a inovação, sufocada.
A escolha de Nadella foi começar pela cultura, não pela estratégia. Inspirado pelo trabalho da psicóloga Carol Dweck, de Stanford, ele introduziu o conceito de growth mindset — mentalidade de crescimento — como âncora da transformação cultural, sintetizado em uma distinção que se tornaria o slogan interno da empresa: de “sabe-tudo” para “aprende-tudo”. Nadella sabia que a empresa havia se tornado isolada em silos, com divisões puxando em direções diferentes ou, pior, competindo ativamente entre si. Ele registrou: “A inovação estava sendo substituída pela burocracia. O trabalho em equipe estava sendo substituído pela política interna.”
A transformação foi operacionalizada em múltiplos níveis.
O sistema de stack ranking foi eliminado e substituído por avaliações que mediam, entre outros critérios, quanto cada colaborador havia contribuído para o crescimento dos colegas. Líderes foram orientados a “escutar mais, falar menos”. Espaços de experimentação como o Microsoft Garage — laboratório de inovação aberta com presença em múltiplos países — foram criados para tornar a curiosidade uma prática concreta, não apenas uma declaração de valores.
Os resultados foram expressivos: desde sua posse, a ação da Microsoft cresceu 650%, enquanto as receitas provenientes de serviços de nuvem Azure cresceram substancialmente. O valor de mercado da empresa saltou de cerca de US$ 300 bilhões em 2014 para mais de US$ 2,5 trilhões em 2023 — uma das maiores criações de valor corporativo da história recente.
O que o caso Microsoft ilustra, com nitidez particular, é que cultura não é um estado permanente — é uma condição dinâmica que pode deteriorar mesmo em organizações altamente competentes e tecnicamente sofisticadas. E que a reconstrução dela exige o que Nadella ofereceu: liderança que modela os comportamentos que prega, sistemas de gestão alinhados aos valores declarados e paciência para que a mudança cultural se instale de forma genuína, e não cosmética.
O QUE OS DOIS CASOS ENSINAM EM CONJUNTO
Pixar e Microsoft representam trajetórias diferentes — uma de construção deliberada de cultura criativa desde o início; a outra de restauração de uma cultura que havia se degradado. Mas ambas convergem em um mesmo ensinamento central: o que o líder faz diariamente, não o que declara esporadicamente, define o ambiente que as pessoas ao seu redor habitam — e, com ele, a capacidade ou incapacidade de inovar.
Catmull criou o Braintrust para tornar a candura um hábito institucional. Nadella eliminou o stack ranking para remover a competição que destruía a confiança. Em ambos os casos, a mudança não começou com um discurso motivacional sobre inovação — começou com a modificação de estruturas e rituais concretos que moldavam, no dia a dia, o que era seguro fazer, arriscar e dizer.
7. COMO O COACHING POTENCIALIZA LÍDERES INOVADORES
Ao longo deste artigo, um padrão se repetiu com notável consistência: os maiores obstáculos à inovação não são técnicos, nem estratégicos — são comportamentais. O microgerenciamento que sufoca a autonomia, a punição velada ao erro que congela a criatividade, os silos que fragmentam o conhecimento, o ambiente de ameaça que desativa o córtex pré-frontal — todos são expressões de padrões de liderança que, muitas vezes, são invisíveis para quem os exerce.
É precisamente aqui que o coaching executivo oferece sua contribuição mais singular: ele trabalha exatamente no ponto onde a mudança organizacional mais depende e menos acontece — o autoconhecimento e a transformação dos padrões comportamentais do líder.
O PROBLEMA DOS PONTOS CEGOS
Nenhum líder acorda com a intenção de destruir a criatividade de sua equipe. Como visto na seção 3, a maioria dos microgerentes não reconhece o próprio comportamento, e líderes que criam ambientes de medo geralmente estão motivados por insegurança, não por malícia. O problema não é a intenção — é a ausência de consciência sobre o impacto.
A psicologia organizacional chama isso de pontos cegos: padrões de comportamento fora do alcance da autopercepção habitual. Um executivo pode ser genuinamente comprometido com a inovação enquanto interrompe ideias nas reuniões, questiona cada decisão da equipe e demonstra impaciência com propostas fora da caixa — sem perceber que está fazendo nada disso. Resultado: o paradoxo descrito na introdução deste artigo, onde líderes que declaram querer inovar criam, na prática, as condições exatas para que a inovação não aconteça.
O coaching executivo atua como um espelho de alta resolução. Por meio de perguntas poderosas, ferramentas de assessment comportamental e um espaço seguro para reflexão honesta, o processo cria as condições para que o líder veja o que normalmente não consegue ver sozinho.
O IMPACTO MENSURÁVEL DO COACHING NA LIDERANÇA
Esse trabalho é amplamente documentado em pesquisa. Um estudo da International Coaching Federation (ICF) revelou que 86% das empresas reportaram retorno sobre o investimento em coaching, com líderes apresentando melhora na autoconfiança, nas relações de trabalho e nas habilidades de comunicação. Estimativas confiáveis de retorno sobre o investimento para o coaching executivo variam entre 500% e 700%, refletindo não apenas ganhos individuais, mas o efeito cascata que a mudança de comportamento de liderança produz em toda a organização.
No plano qualitativo: 80% dos líderes que passaram por coaching reportaram aumento na autoconfiança e 70% reportaram melhora no desempenho, nas relações e na comunicação. Esses três domínios são, como demonstrado ao longo deste artigo, os fundamentos exatos sobre os quais repousa a segurança psicológica que habilita a inovação. Em um programa de coaching na AstraZeneca, 45% dos participantes desenvolveram uma visão mais positiva sobre confiança e segurança dentro de suas equipes — e colaboradores com maior confiança são mais propensos a compartilhar opiniões sem medo de consequências negativas.
AS DIMENSÕES DA TRANSFORMAÇÃO
Quando aplicado ao desenvolvimento da liderança inovadora, o coaching atua em dimensões que se reforçam mutuamente.
- Pelo autoconhecimento e uso de ferramentas como feedbacks 360° e assessments comportamentais, o líder identifica os padrões que, mesmo bem-intencionados, criam ambientes hostis à criatividade.
- Pelo trabalho com a tolerância ao erro e ao aprendizado — o que Dweck nomeia como growth mindset — ele desenvolve a capacidade de demonstrar, com autenticidade, que erra, aprende e segue em frente: o sinal mais poderoso que um líder pode enviar para liberar a criatividade da equipe.
- Pela regulação emocional, aprende a gerenciar seus estados internos sob pressão, evitando que a tensão do ambiente chegue à equipe e desative os circuitos criativos descritos na seção 5.
- E pela tradução de valores em rituais concretos — como conduzir reuniões de ideação, responder publicamente ao erro de um colaborador, criar espaço regular para ideias não solicitadas — converte intenções declaradas em sinais culturais reais.
O ritmo da inovação é definido pelo que o líder faz regularmente, não pelo que declara ocasionalmente.
O COACHING COMO CATALISADOR SISTÊMICO
Há uma consequência do coaching executivo que frequentemente surpreende os próprios líderes: seu impacto raramente fica contido ao indivíduo. Quando um executivo muda a forma de conduzir reuniões, de responder a erros e de estimular a participação, toda a equipe sente a diferença — e começa a modelar os novos comportamentos de forma espontânea. O coaching de um líder se converte, com o tempo, em coaching de uma cultura.
Foi precisamente isso que aconteceu na Microsoft. A transformação de Nadella não foi resultado de treinamentos massivos sobre inovação — foi resultado de um CEO que trabalhou sua própria relação com o aprendizado e a humildade, e que, ao modelar esses comportamentos no nível mais alto, autorizou que toda a organização fizesse o mesmo.
A pergunta, portanto, não é se o coaching é relevante para a liderança inovadora. A pergunta é mais direta: quantos líderes que hoje declaram querer inovar estão, simultaneamente, trabalhando com a profundidade necessária para transformar os próprios padrões que obstaculizam essa inovação?
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O LÍDER COMO VARIÁVEL DECISIVA
Este artigo partiu de um paradoxo que os dados tornam difícil ignorar: a esmagadora maioria dos executivos declara que a inovação é prioridade estratégica, mas apenas uma fração ínfima está satisfeita com os resultados que consegue produzir. A distância entre o discurso e a realidade não se explica por falta de metodologia, tecnologia ou investimento — explica-se, fundamentalmente, pela cultura que os líderes constroem ou destroem com seus comportamentos cotidianos.
Ao longo das seções anteriores, esse argumento foi construído camada a camada. Começamos pela definição: cultura de inovação não é um conjunto de programas ou iniciativas, mas o substrato de crenças, normas e comportamentos que determina o que é seguro fazer, dizer e arriscar dentro de uma organização. Identificamos os comportamentos que a destroem — microgerenciamento, punição ao erro e mentalidade de silos — e os que a cultivam: segurança psicológica, autonomia e diversidade cognitiva, operando não como pilares isolados, mas como sistema integrado. A neurociência forneceu o mecanismo explicativo: ambientes de ameaça desativam literalmente o córtex pré-frontal e os circuitos de imaginação associativa que sustentam a criatividade, enquanto ambientes de segurança e autonomia criam as condições neurológicas para que o pensamento criativo floresça. Pixar e Microsoft demonstraram, com trajetórias distintas, que essa dinâmica não é teórica — é mensurável, replicável e profundamente dependente das escolhas de quem está no topo.
O fio condutor que atravessa tudo isso é sempre o mesmo: o líder é a variável mais determinante do ambiente que sua equipe habita.
Não porque possua poder formal sobre as pessoas, mas porque cada comportamento seu — como responde a um erro, como reage a uma ideia inusitada, como distribui ou retém autonomia, como lida com a tensão entre exploração e eficiência — envia sinais que a organização lê, interpreta e replica de forma sistemática. Cultura, afinal, é menos o que se escreve em paredes e mais o que acontece quando o líder entra na sala.
Essa compreensão não serve para sobrecarregar o líder com uma responsabilidade impossível — serve para apontar onde o alavancamento é real. Organizações que investem em processos de inovação sem investir no desenvolvimento comportamental de suas lideranças estão, na melhor das hipóteses, construindo sobre fundação instável. A inovação não precisa de mais ferramentas, frameworks ou workshops. Ela precisa de líderes que tenham feito o trabalho interno necessário para criar, com consistência, os ambientes onde ela pode emergir.
É nesse ponto que o coaching executivo deixa de ser um benefício corporativo e se torna uma necessidade estratégica. Não como evento isolado, mas como processo contínuo de desenvolvimento que ajuda o líder a ver o que não consegue ver sozinho. Além disso, a transformar intenções em comportamentos coerentes e a traduzir valores em rituais que a cultura absorve e perpetua.
A pergunta que este artigo deixa não é retórica. É um convite à reflexão genuína para qualquer pessoa que ocupa uma posição de liderança: que ambiente estou criando com meus comportamentos de hoje? Não o ambiente que desejo criar — o que estou criando, de fato, agora. A resposta a essa pergunta, perseguida com honestidade e acompanhada com método, é o ponto de partida de qualquer transformação cultural real.
Inovar é, antes de tudo, uma escolha de liderança.
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como construir uma verdadeira cultura de inovação nas empresas e como a liderança pode transformar a cultura organizacional e se tornar a principal força impulsionadora da inovação? Então, fale comigo, terei o maior prazer em conversar a respeito.
Até a próxima edição!
Um abraço.
Marcelo Farhat
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Confira também:
Cultura de Inovação: Como Líderes Criam (ou destroem) Ambientes Criativos (parte I)
Cultura de Inovação: Como Líderes Criam (ou destroem) Ambientes Criativos (parte II)
Cultura de Inovação: Como Líderes Criam (ou destroem) Ambientes Criativos (parte III)
Palavras-chave: cultura de inovação, liderança e inovação, ambientes criativos, ambientes inovadores nas empresas, segurança psicológica, autonomia, diversidade cognitiva, neurociência da criatividade, líderes criam ambientes criativos, como líderes criam ambientes criativos, como criar cultura de inovação nas empresas, práticas que cultivam inovação, segurança psicológica nas equipes, autonomia e criatividade nas organizações, diversidade cognitiva e inovação, como a neurociência explica a criatividade, criatividade e inovação
REFERÊNCIAS AMABILE, Teresa M. Creativity in Context: Update to the Social Psychology of Creativity. Boulder: Westview Press, 1996. AMABILE, Teresa M. Componential theory of creativity. In: KESSLER, Eric H. (Ed.). Encyclopedia of Management Theory. Thousand Oaks: Sage Publications, 2013. Disponível em: https://www.hbs.edu/ris/Publication%20Files/12-096.pdf. Acesso em: 19 fev. 2026. AMABILE, Teresa M.; KRAMER, Steven J. The Progress Principle: Using Small Wins to Ignite Joy, Engagement, and Creativity at Work. Boston: Harvard Business Review Press, 2011. AMABILE, Teresa M.; PRATT, Michael G. The dynamic componential model of creativity and innovation in organizations. Research in Organizational Behavior, v. 36, p. 157-183, 2016. ARNSTEN, Amy F. T. Stress signalling pathways that impair prefrontal cortex structure and function. Nature Reviews Neuroscience, v. 10, n. 6, p. 410-422, jun. 2009. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2907136. Acesso em: 19 fev. 2026. 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Participe da Conversa
O Poder das Palavras: Como Elas Podem Curar ou Ferir Relacionamentos e Emoções
A palavra é uma potência viva.
Muito antes de qualquer gesto ganhar forma, já existia a linguagem nos ensinando a reconhecer o mundo, os afetos e a nós mesmos.
Nenhuma palavra é vazia.
Toda palavra carrega algo de quem a pronuncia: uma intenção, uma ausência, uma memória, uma sensibilidade ou uma ferida ainda vulnerável. Ela se desfaz no instante, mas o que desperta permanece por muito mais tempo do que imaginamos.
Quando a palavra vira voz interna
As palavras ultrapassam o momento em que são ditas.
Elas entram na nossa história e, aos poucos, começam a influenciar escolhas, reações e vínculos.
O impacto de certos comentários atravessa os anos. É como se o corpo soubesse guardar o que a mente já não consegue lembrar.
Muitas vezes, crescemos ouvindo certas frases e, sem perceber, começamos a nos enxergar pela lente de quem um dia nos feriu. Aos poucos, tentamos provar valor, evitar falhas e carregamos o cansaço profundo de nunca encontrar descanso interno.
Assim, carregamos no peito vozes que nunca foram nossas.
Em muitos momentos da vida, não reagimos apenas ao presente. Reagimos à forma como um dia fomos chamados, corrigidos, diminuídos ou acolhidos.
O bálsamo da simplicidade
A linguagem alcança camadas profundas do que sentimos. Uma expressão verdadeira pode encontrar aquilo que ficou guardado em silêncio por muito tempo.
Pense em quantos dias você já atravessou em exaustão, tentando sustentar tudo em silêncio, fingindo uma força que já não existia.
Quando chegamos nesse limite, não é o discurso elaborado que nos ampara. É a fala simples, inteira, sincera.
Basta ouvir:
- “Eu vejo o seu esforço.”
- “Você não está sozinha.”
- “Estou aqui.”
- “Pode descansar.”
Essas pequenas frases criam respiro. Aliviam o peito, desaceleram a mente e permitem que algo finalmente encontre repouso.
Em um mundo que se comunica sem pausa, esquecemos que nossas expressões podem permanecer no outro por muitos anos. Uma única frase pode acolher uma dor antiga, suavizar uma defesa ou permitir que algo, enfim, deixe de pesar.
A palavra como escolha consciente
Tudo o que ganha voz deixa sinais. A linguagem cria o clima dos encontros: aproxima ou afasta, abre caminhos para a confiança ou levanta defesas.
Algumas falas encolhem a vida e prendem em dores antigas. Outras devolvem dignidade, presença e humanidade a partes nossas que passaram tempo demais em silêncio.
As palavras que oferecemos revelam o lugar interno de onde estamos falando.
Com o passar do tempo, a conversa íntima que cultivamos se torna abrigo ou ferida. Ela pode nos conduzir com dureza ou nos devolver, pouco a pouco, a um modo mais verdadeiro de existir.
Antes mesmo das nossas ações, já tocamos o mundo através daquilo que dizemos.
E é nesse instante de consciência que a palavra deixa de ser impulso e se torna escolha.
Quando percebemos isso, começamos a compreender que cada fala pode ser uma ponte ou uma distância, um cuidado ou uma ferida, um abrigo ou um peso.
E você, que tipo de marca as suas palavras têm deixado — em si, no outro e na vida que se constrói a cada encontro?
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Com carinho,
Luiza Nizoli Rocha
Facilitadora em Desenvolvimento Humano e Consciência Organizacional
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Confira também: Padrões Emocionais: O Sentido por Trás das Repetições
Palavras-chave: poder das palavras, palavras, linguagem, emoções, relacionamentos, curar ou ferir relacionamentos e emoções, quando a palavra vira voz interna, a palavra como escolha consciente, como as palavras influenciam emoções, como elas podem curar ou ferir relacionamentos e emoções
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O Empresário Que Mais Trabalha Quase Sempre É O Que Menos Cresce
Existe uma armadilha silenciosa que consome os melhores empreendedores… e ela não se parece com preguiça nem com incompetência. Ela se parece com dedicação.
Conheço um empresário que chega antes de todos. Sai depois de todos. Resolve problema de operação, problema de cliente, problema de equipe. Está em tudo. Sabe de tudo. Decide tudo.
E o negócio dele anda em círculo há três anos.
Não é falta de vontade. Não é falta de inteligência. É que ele cometeu o erro que mais caro custa a um empreendedor: confundiu movimento com progresso.
“A maioria dos empresários não tem problema de esforço. Tem problema de direção. E ninguém percebe isso — porque estar ocupado parece, de fora, igual a estar avançando.”
O mito do empresário que resolve tudo
Quando o empresário é o gargalo do negócio, então a empresa tem exatamente o tamanho que a agenda dele suporta. Nem maior, nem menor. E quanto mais ele trabalha, mais o time aprende a depender dele, não por incapacidade da equipe, mas porque o sistema foi construído assim.
Por que a equipe não entrega
Toda semana alguém me faz a mesma pergunta: “como faço meu time se comprometer de verdade?” e, de fato, a resposta quase nunca está no time.
Quando as pessoas não entregam, quase sempre existe uma entre estas três causas:
- Falta clareza sobre o que se espera delas — o que parece óbvio para quem fundou, não é óbvio para quem foi contratado;
- O ambiente não dá segurança para decidir — toda decisão vai parar no topo, e o time aprende que não vale a pena se arriscar;
- A cultura recompensa presença, não resultado — quem fica até tarde parece mais comprometido do que quem entrega com precisão.
Nenhum desses problemas se resolve com mais cobrança, mas quando o líder muda o sistema — e antes disso, quando ele para de olhar para a equipe e começa a olhar para si mesmo.
A pergunta que muda tudo
Tem uma pergunta que gosto de fazer para empresários esgotados, achando que o problema é a equipe, o mercado ou então o momento:
Se amanhã você não puder aparecer — por um mês — o que para?
A resposta diz tudo sobre o estágio real da empresa. Se a resposta for “tudo para”, então não é um time fraco. É uma estrutura que nunca foi construída para que pudesse funcionar sem você. Um negócio que só funciona quando o dono está presente, sem dúvida, não é um negócio. É um emprego muito caro, e certamente com muita pouca liberdade.
O que separa quem cresce de quem gira em círculo
A diferença entre quem cresce e quem fica estagnado raramente é talento, capital ou timing de mercado. É uma só: os que crescem param de tentar mais e começam a entender melhor.
Eles param de adicionar esforço e passam então a fazer as perguntas certas. Param de contratar mais gente esperando que o problema suma. Desenvolvem a capacidade de construir times que se movem mesmo quando ninguém está olhando.
O maior desperdício de um empresário
Não é dinheiro mal gasto. É passar anos tentando resolver o problema errado com mais e mais esforço. Um diagnóstico certo encurta anos de tentativa. Uma conversa com a pessoa certa, no momento certo, sem dúvida alguma, vale mais do que doze meses de erro solitário.
Se há uma coisa que aprendi com os empresários que viraram o jogo: nenhum deles fez isso sozinho. E nenhum deles fez isso sem antes entender, com honestidade, o que estava realmente acontecendo.
Se você chegou até aqui, provavelmente reconheceu alguma coisa do que foi descrito. Isso não significa que você está fazendo errado — significa que você chegou num ponto em que fazer mais do mesmo não vai mais funcionar. E reconhecer isso já é mais do que a maioria está disposta a fazer.
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Tudy Vieira
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Confira também: Técnica Versus Caráter na Tomada de Decisão: O Ponto Onde Líderes se Revelam
Palavras-chave: empresário que mais trabalha, empresário que resolve tudo, gargalo do negócio, empresário, negócio, equipe, esforço, por que empresário que mais trabalha é o que menos cresce, confusão movimento com progresso, problema de direção, empresa crescer sem depender do dono, como fazer a empresa crescer sem depender do dono
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O AEP como Motor de Relações, Liderança e Resultados
No artigo anterior (leia), explorei duas práticas essenciais sugeridas por Richard Boyatzis, autor do livro “Ajudando Pessoas a Mudar”, para ativarmos o AEP — o Atrator Emocional Positivo — e ampliarmos nossa capacidade de inspirar, conectar e gerar desenvolvimento real nas relações profissionais. Agora, avanço para outras duas práticas igualmente potentes, que ajudam a criar ambientes de trabalho mais saudáveis, colaborativos e emocionalmente inteligentes: o contágio emocional positivo e o mindfulness.
O Contágio Emocional Positivo
No cotidiano corporativo, convivemos com ritmos acelerados, pressões constantes e desafios que exigem respostas rápidas. Nesse cenário, o contágio emocional positivo se torna uma força silenciosa, porém decisiva. Ele acontece quando nossas interações elevam, inspiram e energizam as pessoas ao redor.
Não se trata de otimismo ingênuo, mas da habilidade de cultivar presença, escuta e autenticidade de modo que o outro se sinta visto, valorizado e fortalecido. Relações assim criam um ciclo virtuoso: quanto mais positivas são as trocas, mais confiança se estabelece. Quanto mais confiança, mais colaboração. Quanto mais colaboração, melhores os resultados. Líderes e equipes que compreendem esse fenômeno passam a cuidar da qualidade emocional das interações com a mesma seriedade com que cuidam de metas e indicadores.
O Mindfulness
A segunda prática, o mindfulness ou exercícios de centramento, complementa essa dinâmica ao nos ajudar a reduzir a reatividade e ampliar a consciência. Em um ambiente de trabalho onde estímulos competem pela nossa atenção o tempo todo, a capacidade de pausar, respirar e observar antes de agir se torna uma vantagem estratégica.
Mindfulness não é esvaziar a mente, mas treiná-la para perceber o que está acontecendo dentro e fora de nós com mais clareza. Essa clareza diminui impulsos defensivos, melhora a tomada de decisão e nos permite responder — e não apenas reagir — às situações. Quando uma equipe incorpora esse tipo de presença, conflitos diminuem, conversas difíceis se tornam mais produtivas e o clima emocional se estabiliza.
A Cultura que o AEP Ajuda a Construir
O ponto de encontro entre contágio emocional positivo e mindfulness é justamente o tipo de cultura que desejamos construir nas organizações. Uma cultura em que as pessoas se sintam energizadas, respeitadas e capazes de contribuir com o melhor de si.
O AEP é um espaço emocional onde criatividade, empatia e colaboração florescem. E esse espaço é criado intencionalmente, todos os dias, nas pequenas escolhas: no tom de voz, na forma de dar feedback, na atenção dedicada a uma conversa, na decisão de respirar antes de responder um e-mail difícil.
Ao praticarmos essas duas habilidades, ampliamos nossa capacidade de liderar a nós mesmos e aos outros. Mais do que técnicas, são formas de estar no mundo do trabalho que transformam relações, fortalecem equipes e tornam o ambiente mais humano e sustentável. E, como Boyatzis nos lembra, quando acessamos o AEP, não apenas melhoramos nosso desempenho — nós nos tornamos versões mais plenas e conectadas de quem podemos ser.
Gostaria de saber como você tem impactado emocionalmente as pessoas ao seu redor no trabalho? Quais pequenas escolhas diárias poderiam aproximá-lo de um estado de presença, consciência e influência positiva? E, talvez a pergunta mais importante: que tipo de cultura você ajuda a construir quando ninguém está olhando?
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Quer saber mais sobre como o AEP pode fortalecer relações, ampliar a influência positiva da liderança e gerar melhores resultados nas organizações? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até o próximo artigo!
Vera Godoi Costa
https://www.linkedin.com/in/vera-costa-71830715/
Confira também: Sonhos, Compaixão e o AEP em Ação: Como Visão Pessoal e Segurança Emocional Ampliam Aprendizado, Conexão e Crescimento
Palavras-chave: aep, contágio emocional positivo, mindfulness, relações, cultura, atrator emocional positivo, relações profissionais, ambientes de trabalho mais saudáveis, influência positiva da liderança, cultura mais humana e sustentável
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“O problema não é o problema.
O problema é sua atitude com relação ao problema.”
(Kelly Young)
Hoje, a tristeza me visitou. Tocou a campainha, subiu as escadas, bateu à porta e entrou. Não ofereci resistência. Houve um tempo em que eu fazia o impossível para evitá-la adentrar os meus domínios. E quando isso acontecia, discutíamos demoradamente. Era uma experiência desgastante. Aprendi que o melhor a fazer é deixá-la seguir seu curso. Agora, sequer dialogamos. Ela entra, senta-se na sala de estar, sirvo-lhe uma bebida qualquer, apresento-lhe a televisão e a esqueço! Quando me dou por conta, o recinto está vazio. Ela partiu, sem arroubos e sem deixar rastros. Cumpriu sua missão sem afetar minha vida.
Hoje, a doença também me visitou. Mas esta tem outros métodos. E outros propósitos. Chegou sem pedir licença, invadindo o ambiente. Instalou-se em minha garganta e foi ter com minhas amígdalas. A prescrição é sempre a mesma: Amoxicilina e Paracetamol. Faço uso destes medicamentos e sinto-me absolutamente prostrado! Acho que é por isso que os chamam de antibióticos. Porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida…
Hoje, problemas do passado também me visitaram. Não vieram pelo telefone porque palavras pronunciadas ativam as emoções apenas no momento e, depois, perdem-se difusas, levadas pela brisa. Vieram pelo correio, impressos em papel e letras de baixa qualidade, anunciando sua perenidade, sua condição de fantasmas eternos até que sejam exorcizados.
Diante deste quadro, não há como deixar de sentir-se apequenado nestes momentos. O mundo ao redor parece conspirar contra o bem, a estabilidade e o equilíbrio que tanto se persegue. O desânimo comparece estampado em ombros arqueados e olhos sem brilho, que pedem para derramar lágrimas de alívio. Então, choro. E o faço porque Maurice Druon ensinou-me, através de seu inocente Tistu, que se você não chora, as lágrimas endurecem no peito e o coração fica duro.
Limão e limonada
As ciências humanas estão sempre tomando emprestado das exatas, termos e conceitos. A última novidade vem da física e atende pelo nome de resiliência. Significa resistência ao choque ou a propriedade pela qual a energia potencial armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo.
Em humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo isso através de um dito popular, é fazer de cada limão, ou seja, de cada contrariedade que a vida nos apresenta, uma limonada saborosa, refrescante e agradável.
Aprendi que pouco adianta brigar com problemas. É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E com rapidez, de maneira certa ou errada. Problemas são como bebês, só crescem se alimentados. Muitos se resolvem por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma inadequada, eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você os anula com correção. A felicidade, pontuou Michael Jansen, não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados.
Aprendi a combater as doenças. As do corpo e as da mente. Percebê-las, identificá-las, respeitá-las e aniquilá-las. Muitas decorrem menos do que nos falta e mais do mau uso que fazemos do que temos. E a velocidade é tudo neste combate. Agir rápido é a palavra de ordem. Melhor do que ser preventivo é ser preditivo.
Aprendi a aceitar a tristeza. Não o ano todo, mas apenas um dia, à luz dos ensinamentos de Victor Hugo. O poeta dizia que “tristeza não tem fim, felicidade, sim”. Porém, discordo. Penso que os dois são finitos. E cíclicos. O segredo é contemplar as pequenas alegrias em vez de aguardar a grande felicidade. Uma alegria destrói cem tristezas…
Modismo ou não, tornei-me resiliente. A palavra em si pode cair no ostracismo, mas terá servido para ilustrar minha atitude cultivada ao longo dos anos diante das dificuldades impostas ou autoimpostas que enfrentei pelo caminho, transformando desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculos em oportunidades, tristeza em alegria.
Nós apreciamos o calor porque já sentimos o frio. Admiramos a luz porque já estivemos no escuro. Contemplamos a saúde porque já fomos enfermos. Podemos, pois, experimentar a felicidade porque já conhecemos a tristeza.
Olhe para o céu, agora! Se é dia, o sol brilha e aquece. Se é noite, a lua ilumina e abraça. E assim será novamente amanhã. E assim é feita a vida.
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Nesta semana que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, gostaria de dizer para todas as Mulheres uma coisa muito importante:
Seu sucesso na vida pessoal e/ou profissional, sua felicidade, sua prosperidade e bem-estar na vida só depende de uma pessoa. Sabe quem é? Você mesma.
E falo mais. Seu sucesso será mais fácil e forte se você Mulher lembrar em ser você mesma. Ou seja, Ser a Mulher que você sempre foi e será.
Esta última afirmação já falei muitas vezes para minhas clientes de Coaching Holístico que buscam Sucesso em algum ponto da vida pessoal e profissional.
Para quem ainda não sabe o que é Coaching, vou explicar agora. Entre muitas definições as que mais eu gosto são:
- Orientar uma pessoa a fazer a travessia entre um ponto ao outro até alcançar sua meta pessoal e/ou profissional com sucesso;
- Coaching é uma assessoria e processo que geram motivação pessoal e profissional, e que tem como objetivo potencializar o nível de resultados positivos nas diversas áreas da vida de um cliente para alcançar uma meta ou objetivo com sucesso.
E o que é Coaching Holístico? Coaching Holístico – Processo para Seu Sucesso na Vida e Concretização das suas Metas. O cliente vai se conhecer melhor, olhar para si, sua vida e descobrir seu potencial adormecido. Vai melhorar sua autoestima e ter mais autoconfiança. Tem Dificuldade em vencer? Pelo Coaching Holístico iremos desbloquear o que atrapalha e mudar Padrões Mentais para Vencer.
Este é o ponto chave do inicio do Sucesso de qualquer pessoa: Padrões Mentais. Quem acredita que é um fracasso, que não vai vencer na vida ou que não merece ter sucesso nas metas ou sonhos, tenha certeza que nada vai mesmo ocorrer de bom na vida. O Sucesso vai passar bem longe destas pessoas.
Agora imagine uma mulher que desde pequena é “esmagada” pela família e sociedade a sufocar sua força, a matar sua arte e beleza, para não acreditar em si e nas suas qualidades e habilidades para realizar.
Já atendi moças que acreditam que não merecem um amor porque alguém falou que ela é feia ou amor só faz mal. Como vão amar se não têm uma boa energia sobre o amor? Como amar se sua autoestima foi chutada? Só vai amar se mudar, acreditar que pode e merece amar. E que ela é uma super mulher.
O mesmo ocorre com a realização de outras metas pessoais e profissionais. Se uma pessoa foi condicionada a sempre pensar que é inferior, incapaz ou que não merece ser feliz ou prosperar, com certeza vai sofrer para conseguir. Imagine uma mulher que no geral é mais sufocada.
Ainda bem que tem solução. É um pouco demorado, varia de pessoa para pessoa, mas tem que trabalhar, treinar e movimentar-se para mudar padrões e condicionamento mental e energético.
Mas, é possível e já vi milagres.
Qual é o primeiro passo? Acreditar em Você. Acreditar na pessoa poderosa que há dentro de você.
Acreditar na Mulher que há dentro de você.
Sucesso e Feliz Dia da Mulher!
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A Copa do Mundo acabou. A seleção alemã com sua organização, futebol bonito e muita técnica, merecidamente, levou o caneco. É tetracampeã.
E a nossa Seleção Canarinho? Que papelão! Desde o início da Copa, nos quatro cantos deste Brasil, todos falavam que era forte candidata a ser hexacampeã. E por que todos acreditavam nisto? Porque jogava em casa, tinha apoio da torcida brasileira, a mídia falava que era a melhor seleção, tinha uma comissão técnica com dois técnicos que venceram Copas Mundiais (Parreira em 1994 e Felipão em 2002) e o clima ajudava.
Mas o que vimos foi um total fiasco e uma humilhante goleada histórica por 7×1 para os alemães na semifinal da Copa.
Enfim, perdemos a Copa e ficamos em quarto lugar após perder para a Holanda na disputa pelo terceiro lugar. E agora? Como diz o poema de Carlos Drummond de Andrade:
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?(Carlos Drummond de Andrade)
E agora, Seleção Brasileira? Agora é hora de mudanças. E mudanças drásticas e profundas na filosofia e na organização.
A CBF terá que ter coragem de assumir sua culpa no fracasso e incompetência administrativa na condução da Seleção Canarinho na Copa. A CBF e o novo técnico terão que ter coragem de fazer mudanças drásticas na nova Seleção Brasileira daqui para frente. Podem e devem seguir o ótimo exemplo que viveu a seleção alemã no final dos anos 90. Após fiascos seguidos, a Confederação Alemã de Futebol chegou à conclusão de que era hora de mudar tudo. Mudanças drásticas foram implantadas. Bancaram com coragem um técnico permanente nos últimos 10 anos que, com um grupo de jogadores com uma nova cabeça, união e humildade, deram um Show na Copa do Brasil e levaram o Caneco.
Mudança requer determinação. Mudanças drásticas requerem também muita coragem, pois haverá muita resistência das pessoas que já estão na zona de conforto ou que não aceitam que está tudo errado na vida ou no jogo.
Quer ver um exemplo recente? A entrevista da Comissão Técnica da Seleção Canarinho após o vexame de 7×1. Para Felipão e Parreira, nada estava errado na preparação da Seleção Brasileira. O problema foi um apagão geral do time todo que o levou a tomar 4 gols em 6 minutos.
Pois é Felipão, não houve problema algum no seu trabalho. Foi só um apagão que custou um vexame histórico e 200 milhões de brasileiros frustrados.
Como dizem, “o pior cego é o que não quer ver”. Ou “errar é humano, persistir no erro é ser Felipão”, teimoso e arrogante. Não assume os erros e afunda a emoção de milhares de pessoas.
Mas a Copa acabou e a CBF já começou as mudanças. Adeus comissão técnica fracassada. Vida e esperanças novas.
Espero que agora façam mais. Que tenham a coragem de fazer mudanças drásticas em tudo ligado a futebol.
E você? Está com coragem de fazer mudanças drásticas na sua vida pessoal ou profissional?
Ou vai ficar chorando e dando desculpas para que sua vida seja um fracasso ou cheia de frustrações?
Chega de Síndrome de Felipão, né?
Seu lema hoje: “Mudanças já e com coragem para ser feliz”.
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Frequentemente as mudanças acontecem na vida da gente. Em algumas vezes, estamos preparados para elas, em outras elas representam uma grande surpresa. Por vezes, desejamos a mudança, vislumbrando uma nova oportunidade em nossa vida. Acontece também de não as desejarmos, pois estamos felizes com as coisas do jeito que estão. Mas as mudanças acontecem, quer queiramos ou não…
Quando buscamos algo melhor, costumo dizer que estamos criando a mudança, pois estamos não só indo atrás dela, como desejamos que coisas melhores ocorram. Nesta hora, dizemos que a mudança é positiva e bem-vinda.
Mas existe também aquela mudança que você não deseja. Tudo estava bem do jeito que estava, por que mudar agora? Nesta hora criamos resistências, não aceitamos a oportunidade que a vida nos dá para novos desafios. Reclamamos e amaldiçoamos pelo que nos acontece.
Pessoas proativas são as que criam as mudanças, vislumbram novas oportunidades, desejam sempre mais, porque sabem que estão em constante crescimento e aprendizado. Pessoas acomodadas se comportam como árvores, não saem dos seus lugares, esperam que tudo ocorra como desejam ou que tudo se mantenha exatamente como está.
Se você se identificou com o segundo tipo, aqui vai uma reflexão: você não é uma árvore… você não nasceu com raízes que lhe impossibilitam de mudar de lugar. Você também pode dizer que não nasceu com asas, que te possibilitariam voar, mas eu diria que você nasceu com algo melhor do que asas: inteligência e criatividade. Faça por merecer a inteligência que tem e saiba reconhecer quando é hora de mudar.
Nosso mundo é dinâmico, nada é estático. Já dizia Heráclito: “Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio”. Claro! O rio não é o mesmo… nós também não somos! Creio que hoje somos melhores que ontem, piores do que amanhã. E assim prossegue o rio da vida, propiciando mudanças para que tenhamos – todos os dias – novas oportunidades, novos olhares, novos aromas, novas experiências. Saia do lugar! Você não é uma árvore…
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Responda rápido a minha pergunta:
– De zero a 100% qual é o seu grau de comprometimento em ler este artigo até o final?
Estranha a pergunta? Para quem é Coach ou faz sessões de Coaching esta pergunta é corriqueira. Toda vez que atendo um cliente de Coaching Holístico e definimos uma meta ou tarefa, sempre fecho a sessão com esta pergunta:
– Qual é o seu grau de comprometimento em realizar esta tarefa ou meta?
Em geral o cliente responde 100%. Só que nem sempre isto ocorre. Nem sempre o cliente se compromete 100% em executar a tarefa ou meta.
Um dos maiores problemas de uma pessoa que faz Coaching é a falta de comprometimento. É mais fácil dar desculpas do que tentar cumprir o que se comprometeu.
E falta de comprometimento não é só no Coaching que ocorre. No dia a dia de qualquer empresa os funcionários nunca cumprem o que prometem e se comprometem. É uma total falta de responsabilidade, profissionalismo e até de caráter da pessoa.
Sua atitude vai prejudicar a empresa, seus colegas de trabalho e a si mesmo. Aí perde o emprego e reclama.
E o que falar de pessoas no nosso dia a dia que prometem algo para alguém ou para si mesmo e não cumprem. Cadê o comprometimento, gente?
Falta de comprometimento na via profissional e pessoal é um péssimo hábito. Quem não tem comprometimento leva a “vida na flauta” ou “seja o que Deus quiser”.
O cliente senta na minha frente na sessão de Coaching, fala que quer ter sucesso na vida, jura 100% de comprometimento e falta na sessão seguinte dizendo que tem outro compromisso importante.
Compromisso importante? E os 100% de comprometimento que ele “juramentou” com ele próprio em alcançar sucesso? Não é mais importante?
Parece que não. Estas pessoas que não cumprem o que falam, acham que estão enganando seu Coach, seu chefe ou sua própria vida.
Na verdade esta pessoa que não cumpre nem 1% do que se compromete, está enganado a si próprio. Está perdendo seu tempo e não o meu.
Você que não cumpre o que promete ou se compromete, fica aqui um recado para refletir:
Não cumpre o que promete, não avança, não vence e não conquista.
Para ajudar, significado de Comprometimento:
“Esta é uma atitude que poderíamos definir como algo de cunho moral, afinal, literalmente, remete ao cumprimento de um tratado, um pacto firmado.
Significa “honrar a palavra empenhada”. O comprometimento está vinculado ao clima organizacional, à cultura e aos valores da empresa. As pessoas estão dispostas a lutar por aquilo em que acreditam, seja no plano profissional ou pessoal. E lutam pela verdade!
Há uma relação íntima entre esta competência e a capacidade de estabelecer e cumprir metas. E esta relação está presente na própria palavra.
É por ai. Boa semana!
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Você já parou para pensar a força que estas duas palavras possuem? Bom Dia e Obrigado.
Palavras simples, óbvias, porém em muitos momentos esquecidas pelo corre-corre da falta de tempo, pelo mau humor que nos atinge, pelo status que faz acreditar que não se faz necessário ou pelo simples hábito de não se utilizar no vocabulário.
Certa vez ouvi em um treinamento de liderança: como você gostaria de ser liderado? E para minha surpresa: com um bom dia e um muito obrigado. E comecei a pensar.
Será que somente na gestão gostaríamos de ouvir estas palavras?
Quem não gostaria de ouvir pela manhã este simples gesto ou num momento que está desmotivado um obrigado por um trabalho realizado?
A palavra bom dia abre portas, pode ser o início de uma conversa difícil; quebrar o gelo num momento de nervoso, despertar o sorriso nos mais contagiantes, demonstrar respeito ao próximo e principalmente celebrar a oportunidade de um novo dia, cheio de desafios, atividades a serem desenvolvidas, pessoas a conhecer, negociações a vencer. Oferece uma palavra positiva para você e para quem ouve, transmitindo pensamentos positivos.
Pode parecer longe demais, mas e se nós realmente ao dizermos esta simples palavra, buscássemos ter o nosso Bom dia?
Onde você conhecendo seus valores, desejos e objetivos gera uma atitude consciente para que consiga o resultado esperado. Que possa vencer o medo, a desmotivação, a baixa estima e quebrar barreiras, obstáculos na comunicação, relacionamentos e descubra caminhos efetivos de atingir o sucesso e por que não a felicidade tão sonhada?
Pense nisso e se permita a realmente ter um bom dia.
A palavra obrigado tem significados interessantes segundo o dicionário: ser obrigado a fazer, obrigar por lei, ser grato, reagir a algo correspondido.
Palavra igualmente simples, mas difícil de ser dita por aqueles que justamente se sentem na obrigação de fazê-lo, mas nobre e cheia de ternura, gratidão e reconhecimento por quem diz e recebe.
Um feedback por algo, dar-lhe a vez, agradecer um trabalho, um presente, uma parceria ou um simples objeto que foi entregue, uma porta aberta. O poder do obrigado nos renova as energias, aumenta a motivação, estima, trabalho em equipe e comprometimento.
O obrigado é um gesto de reconhecimento, retorno positivo que se está no caminho certo, de um trabalho bem feito, de um apoio sincero, de uma ajuda para alguém que precisa carregar sua mala, segurar o elevador ou passar simplesmente o sal.
Reforça comportamentos; gera sinergia e cumplicidade.
Que possamos falar obrigada sem a obrigação social, mas dar ao outro o direito de gentileza e valor por um gesto, atitude ou trabalho.
Bom dia e obrigado. Que possam ser um oxigênio. Não tem o hábito? Dê o primeiro passo. Diga para você mesmo, pois este é o maior sentido para despertar para o outro.
Diga a você mesmo o quanto acredita em si e é capaz de buscar seus sonhos e metas; o quanto é grato por sua vida, carreira, família.
Que estas palavras não sejam apenas etiquetas profissionais mas façam parte de seu cotidiano para que ao despertar de um novo dia você tenha bons momentos e possa ser grato pelas conquistas feitas por você e pelos outros.
Pense nisso.
Te desejo um bom dia e obrigada.
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É aquela coisa que você já sabe que tem que fazer e não faz. É uma decisão que não toma, um trabalho que não termina, um projeto que não entrega, uma conversa que não rola nunca por que você não toma a iniciativa.
Aí você procura por ajuda, porque sabe que tem alguma coisa errada com isso. Sabe que não é o seu normal, mesmo que nem consiga ver isso com clareza. Você provavelmente dá um Google, pega um livro, conversa com alguém ou mesmo tira um tarô para ver o que dizem e invariavelmente você recebe o mesmo veredicto: “pare de procrastinar para ter sucesso, para conseguir o que você quer. Assuma as rédeas da sua vida, você tem condições, basta querer.”
E aí é que podemos perder uma chance de ouro, a de nos conhecermos melhor e efetivamente dar o salto [quântico] rumo a nós mesmos. Explico: quando vejo, na prática do Coaching, que as pessoas estão procrastinando, eu não falo para elas “superarem” esse problema. Ao contrário, eu sugiro que a gente acolha, pare e olhe para isso que está acontecendo. Vamos entender o que essa lentidão momentânea e consciente tem a dizer, que notícias ela traz desse momento da vida daquela pessoa.
Geralmente a procrastinação é um sintoma. É a ponta do iceberg. Ele traz muitas coisas consigo, que vão além da superfície. O que eu mais vejo na minha prática profissional tem a ver com medo, autossabotagem, insegurança, baixa autoestima, angústia, bloqueio criativo, falta de sentido ou de tesão, incapacidade de assumir o que se quer, entre outras coisas. Cada um desses tópicos merece um texto, ou melhor, um livro em si, então não vamos nos aprofundar agora, certo?
O que eu quero é sugerir que você pare e reflita a respeito do que faz você procrastinar. E busque entender o que esse sintoma está querendo te dizer. Essa é uma maneira muito potente de ir mais fundo e se ouvir, buscar sua verdade e aceitá-la. Acolher o seu momento é a melhor forma de sair dele, como já falei no texto sobre o limbo.
Proponho uma atividade para lhe ajudar nessa reflexão.
Separe um tempo para você, de preferência sozinho e sem interrupções, de aproximadamente 30 a 50 minutos. Procure estar num lugar confortável e, se possível, feche os olhos, respirando profundamente umas 3 vezes ou até conseguir deixar os pensamentos mais quietos, as preocupações de lado…
Então, com o auxílio de papel e caneta ou outro meio que você escolher, comece a atividade:
1º passo: Responda em quais situações específicas da minha vida estou procrastinando agora?
Escreva de maneira sucinta e precisa, como por exemplo: não terminei o projeto X. Não comecei a fazer ginástica. Estou usando muito tempo para fazer tarefa Y. Não estou conseguindo terminar tal coisa. Estou adiando a conversa com fulano.
2º passo: Depois olhe para essas situações que você escreveu e as leia com compaixão. Procure simplesmente aceitá-las, contemplá-las, sem julgá-las. Sei que é difícil não julgar, mas ao menos tente.
Ao observar essas situações, procure apenas abrir espaço para que elas mesmas te digam coisas.
3º passo: Se for o caso, pergunte-se: o que essa situação quer me dizer? O que há aqui, além da superfície? O que eu estou deixando de fazer de verdade? O que está por trás dessa procrastinação que eu não estou querendo ou podendo ver?
4º passo: Veja quais fichas caem, se caem, o que surge. Aceite o que veio, agradeça e só. Guarde tudo e retome sua vida. Se for dormir, boa noite. Se for voltar ao trabalho, bom trabalho. NÃO mexa mais no exercício.
5º passo: Após alguns dias (de 3 a 5 dias), volte ao que você anotou. Novamente observe as situações de procrastinação. Veja se algumas delas você já pode mexer e realizar. Anote as ações que têm que ser feitas.
6º passo: Faça.
Como sempre, quero saber o que surgiu para você, ao ler esse texto. Caíram fichas? Nada rolou? Tá valendo. Compartilhe aqui.
E você já sabe. Qualquer coisa, estou por aqui.
Com amor e com alma,
Karinna
PS: Se você acha que este artigo pode beneficiar alguém, por favor, encaminhe agora para essa pessoa.
PS2: Eu, claro, adoraria que você espalhasse meu artigo por aí, nas suas redes. Assim mais gente curte e compartilha com quem precisa.
Obrigada!
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Eu tenho a mais absoluta certeza de que a grande parte dos leitores já ouviu falar sobre a Inteligência Emocional. Aliás, provavelmente, haverá até especialistas e professores na disciplina cuja fundamentação teórica nos remete a Charles Darwin. O que a maioria também sabe está no fato de que a popularização do assunto surgiu quando, há vinte anos, Daniel Goleman publicou um best-seller a respeito. Mas será que a inteligência emocional se confunde com a Inteligência Espiritual? E você, o que pensa a respeito?
Para começo de conversa, deve-se lembrar que o conceito de “inteligência” é algo sobre o que não há unanimidade. A depender da corrente de estudos, esse conceito (que na linguagem dos estudiosos chama-se constructo) terá diferentes interpretações e o pesquisador deve indicar qual a ênfase e abordagem mais adequada ao seu objetivo de momento. Neste nosso caso, vamos nos vincular ao conceito etimológico de que a “inteligência” é a capacidade de identificar as opções, processá-las e decidir por aquela mais conveniente em um dado problema ou situação. Agora, vou tirar o foco da mera conceituação de “inteligência” para tratar do tema ampliado: Inteligência Espiritual.
O estudo da importância da espiritualidade tem crescido bastante, a ponto de haver profissionais da área de saúde que indicam haver alta relação entre a prática espiritual com a saúde mental das pessoas. E aqui surge a necessidade de se fazer outra distinção, pois espiritualidade não é o mesmo que religiosidade. Esta última diz respeito à prática da relação da pessoa com Deus, em que há um sistema de rituais ou simbolismos presentes. A espiritualidade, porém, volta-se à dimensão pessoal que diz respeito à própria existência, uma relação com a consciência sem que haja necessariamente rituais ou símbolos. Ou seja, a espiritualidade diz respeito a atitudes, sentimentos e pensamentos superiores que levam ao crescimento (amadurecimento) do ser humano. A prática da religião pode apoiar a espiritualidade, mas esta vai além.
Voltando ao tema central, vamos nos basear nos estudos e propostas da física e filósofa americana Danah Zohar, ligada a importantes centros de pensamento, nos EUA e Europa. Tendo como linha de pesquisa a física quântica, sobre Inteligência Espiritual ela relata ser algo essencial para promover a cooperação entre as pessoas, tanto na família como em sociedade. Indo além, ela entende que é a Inteligência Espiritual que ajudará as pessoas a alcançarem soluções positivas para o planeta, além de criar um melhor encontro individual nessa caminhada, ao descobrir melhor a si mesmo e aos seus valores. O alto quociente espiritual faz a pessoa ter a vida mais criativa, promissora e com sentido, com identificação do propósito pessoal.
Em seu livro Inteligência Espiritual (Editora: Viva Livros; 2012), escrito com Ian Marshall, Danah comenta que a inteligência emocional faz a pessoa ter capacidade de julgar em que situação se encontra e como deve se comportar, adequadamente, nos limites dessa situação. A Inteligência Espiritual estimula a pessoa a se perguntar se ela deseja estar nessa situação em particular e como é a melhor forma de trabalhar com os limites da situação. Em seu livro ela comenta de dez atributos típicos que mostram quando a pessoa tem um elevado quociente de Inteligência Espiritual.
As características comuns de quem tem alta Inteligência Espiritual são assim resumidas: (1) Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo; (2) São idealistas e levadas por valores pessoais; (3) Têm capacidade de encarar e se apropriar positivamente da adversidade; (4) São holísticas, no sentido de que conseguem ter visão abrangente sobre cada situação (analisam as partes e entendem o todo); (5) Respeitam a diversidade (em todas as nuances de diferenças entre pessoas, sem preconceitos); (6) Preservam sua independência e arbítrio; (7) Perguntam sempre “por quê?”, como forma de se questionarem quanto aos próprios dogmas e crenças limitantes; (8) Têm capacidade de colocar as situações e os fatos em um contexto ampliado; (9) São espontâneas e verdadeiras, e; (10) Têm compaixão, conseguindo se colocar no lugar das pessoas que estão com dores ou problemas, viabilizando ajudá-las.
E então, como está o seu grau de Inteligência Espiritual? Agora, fica o convite à sua reflexão e … Boa sorte!
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