Mesada Deixa de Ser Apenas Dinheiro e Se Torna Ferramenta de Educação Financeira
Vivemos um momento em que crianças e adolescentes estão cada vez mais expostos a estímulos de consumo, seja nas redes sociais, seja no ambiente escolar. Diante dessa realidade, eu defendo que precisamos deixar de ver a mesada como um simples valor para gastos livres e passar a utilizá-la, de fato, como uma ferramenta estruturada de educação financeira dentro das famílias.
Para mim, mesada não é apenas dinheiro.
É um instrumento de ensino, capaz de ajudar crianças e jovens a desenvolverem equilíbrio entre o consumo imediato e a realização de sonhos ao longo do tempo. Quando bem aplicada, ela contribui diretamente para a formação de hábitos saudáveis em relação ao dinheiro.
O que observo na prática é que muitas famílias já trabalham com algum tipo de mesada, mesmo sem perceber. Pequenos valores dados de forma esporádica, pagamentos para despesas do dia a dia ou quantias oferecidas por diferentes membros da família. Esse modelo, no entanto, costuma gerar desorganização e dificulta a compreensão do real valor do dinheiro por parte das crianças.
Por isso, oriento que o primeiro passo seja entender quanto já é gasto mensalmente com esses pequenos valores. A partir desse diagnóstico, é possível estruturar uma mesada financeira com valor fixo e regras claras de utilização.
Dentro desse modelo, proponho dividir a mesada em dois grandes blocos. Uma parte deve ser destinada ao consumo cotidiano, enquanto a outra precisa estar voltada à realização de sonhos, sejam eles de curto, médio ou longo prazo. Esse simples direcionamento já começa a desenvolver na criança a capacidade de planejar, priorizar e fazer escolhas.
Outro ponto fundamental é envolver a criança no processo de decisão. Eu sempre reforço que ela precisa entender quanto custa um sonho, quanto tempo leva para conquistá-lo e como organizar o dinheiro para isso. Quando a família constrói esse planejamento em conjunto, então a mesada deixa de ser apenas um repasse financeiro e se transforma em um verdadeiro processo educativo contínuo.
Também é importante organizar a dinâmica familiar em relação ao dinheiro. Muitas crianças recebem valores de diferentes fontes e ainda têm despesas pagas diretamente pelos pais, como alimentação escolar e pequenos gastos adicionais. Isso reduz a percepção de responsabilidade financeira e dificulta o aprendizado.
Quero destacar ainda que a mesada não deve ser vinculada ao pagamento por tarefas domésticas nem utilizada como forma de punição. As atividades dentro de casa fazem parte da convivência familiar e não devemos tratá-las como uma relação comercial.
No cenário atual, em que o consumo digital influencia fortemente o comportamento das novas gerações e estimula desejos por itens de alto valor, como smartphones de última geração, o grande desafio das famílias é equilibrar desejo e realidade financeira sem perder o diálogo com os filhos.
Acredito que, ao adotar uma mesada estruturada, baseada em planejamento e participação familiar, é possível reduzir conflitos, estimular o consumo consciente e, principalmente, formar uma geração mais preparada para lidar com o dinheiro ao longo da vida.
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Um grande abraço,
Reinaldo Domingos
Presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira, ABEFIN, e especialista em educação do comportamento financeiro.
https://www.dsop.com.br
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A Coragem de Ser Gentil: A Forma Mais Madura de Assertividade
Escutar e ser gentil não é concordar. É usar cuidado e atenção para preservar a qualidade da relação mesmo quando há divergência.
Durante muito tempo, confundimos gentileza com fraqueza.
Chamamos de “gentil” a pessoa que não incomoda, que não confronta, que aceita, que cede, que sorri quando deveria se impor. Como se a gentileza fosse uma forma de abnegação. Como se as pessoas realmente fortes fossem as duras, as rápidas, as assertivas, as que vencem discussões, ocupam espaço e impõem sua visão sem pedir licença.
Para mim, talvez essa seja uma das confusões mais perigosas do nosso tempo.
Ser gentil não é fazer o que o outro quer. Não é concordar com tudo. Não é evitar conflitos. E não é virar refém da aprovação alheia.
Ser gentil é conseguir dizer “não” sem humilhar. É discordar sem destruir, escutar sem se apagar, acolher a experiência do outro sem necessariamente concordar. É oferecer ao outro uma coisa cada vez mais rara: a sensação de que ele não precisa lutar para existir na sua frente.
E isso requer coragem, energia e presença.
Porque o fácil, muitas vezes, é ser o vilão da história do outro: despejar opinião antes de escutar, discordar antes de compreender que o outro sempre tem boas razões para achar que tem razão, reduzir uma pessoa ao seu erro, à sua fala mal colocada, ao seu excesso, à sua posição política, ao seu momento mais infeliz. É entrar na relação armado de certezas e impor sua visão como se isso fosse coragem. É confundir convicção com verdade absoluta.
Como sugere John Berger, escritor e pensador britânico, talvez coragem seja manter a ternura em um mundo áspero. Gentileza é um ato de liberdade: um ato gratuito, escolhido, que requer atenção e cuidado. Ela não é performance de bondade. É disciplina de relação.
E talvez por isso ela seja tão difícil.
Nossa programação natural de sobrevivência nos treinou para detectar ameaças e perceber o negativo com eficiência: o erro, o risco, a incoerência, a crítica, a intenção escondida. Foi assim que sobrevivemos até aqui. Ao mesmo tempo, essa tendência natural nos torna especialistas em perigo e analfabetos em beleza.
Percebemos rápido o que falta, o falso, o errado. Demoramos a reconhecer o que é positivo, belo, justo ou verdadeiro.
Deixamos passar o gesto discreto, a intenção boa, a tentativa sincera de aproximação do outro.
É por isso que reconhecer o positivo não é ingenuidade. É treino. Assim como um diário de gratidão não é romantização da vida ou ingenuidade, é sim um exercício de reeducação da atenção. Não para negar o sofrimento, e sim para não deixar que ele colonize todo o campo da percepção.
A Escutatória entra exatamente aqui.
Escutar não é ficar calado esperando a sua vez de falar. Escutar é oferecer ao outro uma hospitalidade temporária. É criar, por alguns instantes, um espaço onde ele possa se ouvir melhor porque você não o interrompeu com sua pressa de resolver, corrigir ou julgar. E essa hospitalidade não exige concordância.
Circula por aí um ditado popular: “Você quer ser feliz ou ter razão?” Como se fosse preciso escolher. Como se a felicidade relacional exigisse abdicar da verdade, ou como se sustentar uma posição implicasse necessariamente perder o vínculo. É uma falsa oposição. Dá para ser feliz sem dar razão. Porque é feliz quem percebeu que podem coexistir vários pontos de vista sem cair no confronto.
Laurence Devillairs, filósofa francesa, tem defendido a reabilitação da gentileza como uma força moral, não como ingenuidade. A gentileza não finge que o mal não existe; apenas se recusa a concluir que endurecer é a única resposta possível.
A pessoa gentil muitas vezes é vista como alguém “fofo”, “leve”, “boa demais”, quase inapta para o mundo real. Quando, na verdade, gentileza cria segurança. Segurança cria presença. Presença cria inteligência coletiva.
Há uma coragem profunda em continuar oferecendo cuidado quando o mundo premia a indiferença. Sobretudo quando a violência, as guerras e os conflitos se alastram.
Em francês, existe uma palavra usada no mundo corporativo para a qual ainda não encontrei tradução perfeita em português: bienveillance. Talvez por acharmos que “gentil” é uma palavra carimbada, talvez por falta de palavras alternativas, temos certo pudor em falar de gentileza para lideranças.
Da próxima vez que sentir vontade de rebater, experimente trocar a sua reação automática por curiosidade. Inspire. E, em vez de responder, pergunte: “Me diga mais?” ou “O que houve?”
Escutar o que não queremos ouvir exige coragem.
Agora, quando não levamos para o pessoal, descobrimos que uma escuta simples, quando é genuína, interesse genuíno pode dissolver conflitos antes mesmo que uma resposta esteja pronta.
E talvez a Escutatória seja um de seus caminhos práticos: uma forma de transformar presença em cuidado, atenção em generosidade — a arte de não aumentar desnecessariamente a violência do mundo.
Não se trata de ser bonzinho. Trata-se de exercitar a escuta para reconhecer o justo, o belo e o verdadeiro quando aparecem — mesmo pequenos, mesmo discretos, mesmo vindos de alguém com quem discordamos.
Porque, no fim, a gentileza não é o contrário da assertividade.
Talvez seja a sua forma mais madura.
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Thomas BRIEU
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Autor do livro “Escutatória” – Link: https://www.h1editora.com/produto/escutatoria-150183
Coautor do livro “Escute Expresse e Fale” – https://encurtador.com.br/31Vwa
Confira também: Não é falta de conhecimento, é falha de escuta! O viés hiperbólico do futuro e outros 4 vieses que explicam nossa paralisia
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Comunicação Não É o Que Você Diz, É Como o Cérebro do Outro Reage
Uri Hasson, professor de Psicologia e Neurociência na Universidade de Princeton, consolidou sua carreira explorando uma das fronteiras mais fascinantes da ciência moderna: como o cérebro humano processa estímulos do mundo real. Mais importante, como o cérebro de alguém se conecta a outros cérebros em um processo de comunicação.
Usando o seu laboratório no Princeton Neuroscience Institute, Hasson tem se dedicado a entender a base biológica da interação social, utilizando técnicas avançadas de neuroimagem para mapear o que acontece dentro de nossas cabeças quando contamos histórias ou ouvimos um relato. Seu trabalho rompeu com a tradição da neurociência clássica, que costumava estudar o cérebro de forma isolada, em ambientes controlados e com estímulos artificiais.
Em vez disso, ele decidiu observar o cérebro em seu estado mais natural e produtivo, ou seja, em plena atividade de comunicação. Tomando por referência uma apresentação feita por ele em 2016, já com mais de 3,5 milhões de visualizações, desenvolvemos este conteúdo que será bastante desafiador aos leitores. E, por certo, buscamos citações de trabalhos mais modernos e presentes na literatura.
A grande descoberta que Hasson apresentou em suas pesquisas está no conceito de “acoplamento neural” (ou neural coupling).
Imagine dois cérebros que, embora fisicamente separados, começam a operar em uma sintonia quase perfeita. Ao analisar voluntários dentro de máquinas de ressonância magnética funcional (fMRI), Hasson observou que, enquanto uma pessoa conta uma história real e outra pessoa a escuta, os padrões de atividade cerebral do ouvinte começam a espelhar os padrões cerebrais do emissor.
Essa sincronia não ocorre apenas nas áreas básicas de processamento auditivo, responsáveis por captar o som das palavras. Ela se estende para áreas de ordem superior, as quais estão ligadas à compreensão de significados, empatia e processamento de emoções. Em essência, o cérebro do ouvinte torna-se fisicamente semelhante ao cérebro do falante.
O mais impressionante nessas descobertas foi o efeito de “antecipação”. Hasson notou que, quando a comunicação é particularmente eficaz, o cérebro do ouvinte não apenas reage ao que está sendo dito, mas começa a prever o que virá a seguir. Os padrões neurais do ouvinte podem, por vezes, preceder os do falante em frações de segundo, indicando uma sintonia profunda e uma compreensão antecipada da narrativa.
Para Hasson, a linguagem não é apenas um conjunto de regras gramaticais, mas um mecanismo biológico que permite “hackear” o cérebro alheio para transmitir ideias e sentimentos. Em seus experimentos, ele demonstrou que, se o falante e o ouvinte não compartilham o mesmo código (se o falante fala russo e o ouvinte apenas inglês, por exemplo), o acoplamento neural simplesmente não acontece. O som é processado, mas a sincronia das áreas de significado permanece ausente.
Isso prova que a construção de uma conexão não está no som emitido, mas no sentido construído a partir do conteúdo recebido.
A comunicação bem-sucedida é um ato de criação compartilhada. Quando contamos uma história sobre um evento passado, estamos efetivamente induzindo um estado cerebral no outro que simula a experiência que vivemos. É o mais próximo que a ciência chegou de validar a ideia de “transmissão de pensamento”.
Pesquisas mais recentes ampliaram os achados originais de Hasson. Elas sugerem que esse acoplamento é altamente influenciado pelo que já carregamos dentro de nós. Um estudo publicado na revista Nature Communications reforça que o contexto e as crenças prévias atuam como filtros para essa sincronia. Se duas pessoas ouvem a mesma história, mas possuem visões de mundo radicalmente diferentes sobre o tema, seus cérebros podem se acoplar de maneiras distintas ou até falhar em uma interpretação crítica.
As pesquisas de M. Nguyen aprofundaram a compreensão sobre o que acontece antes e durante esse acoplamento. Nguyen demonstrou que a eficiência da comunicação depende criticamente de um prévio “conhecimento compartilhado”. Em seus estudos, foi observado que, quando falante e ouvinte possuem modelos mentais ou contextos semelhantes sobre o assunto tratado, o acoplamento neural nas áreas de processamento de alto nível é significativamente mais forte.
Isso reforça a ideia de que, para os cérebros se sincronizarem com perfeição, é preciso haver um terreno comum de significados. Transformar o diálogo em uma verdadeira construção coletiva de entendimento.
E também pode explicar por que a comunicação em ambientes polarizados é tão difícil. Não se trata apenas de uma discordância lógica, pois passa a ser uma divergência biológica. Sem o terreno comum ou o contexto compartilhado, os cérebros lutam para encontrar a mesma frequência, o que nem sempre acontece.
Além da relação entre duas pessoas, as descobertas de Hasson abrem portas para entender a dinâmica de grupos. O conceito de “sincronia de grupo” tem sido explorado por outros pesquisadores, como Suzanne Dikker, da Universidade de Nova York. Em estudos realizados em salas de aula, observou-se que, quando os alunos estão engajados e o professor é eficaz, os cérebros de toda a turma tendem a se sincronizar. Essa harmonia coletiva está diretamente ligada ao desempenho acadêmico e à retenção de informações.
Essa perspectiva altera a forma como podemos enxergar a liderança e a educação. Um líder ou educador eficaz não é apenas alguém que transmite dados ou informações consolidadas, mas precisa ser um facilitador de acoplamento neural coletivo. A habilidade de contar histórias (storytelling) deixa de ser ferramenta “soft” de marketing para se tornar uma técnica neurobiológica de alinhamento de mentes.
Hoje temos visto muito uso de técnicas bem aprimoradas de contação de histórias e copywriting para engajamento de públicos em iniciativas presentes nas redes sociais.
Em um mundo dominado por interações digitais e curtas, surge a pergunta: como o acoplamento neural sobrevive às telas? Fontes recentes de pesquisa em neurociência social indicam que, embora a comunicação por vídeo ou texto ainda permita algum nível de sincronia, a riqueza do sinal é reduzida em comparação ao contato face a face.
A falta de pistas não verbais sutis e o atraso inerente das transmissões digitais podem dificultar a antecipação neural, tornando a comunicação mais cansativa e menos “conectada”. Continuando, o trabalho de Hasson também aponta para o poder das narrativas universais. Filmes, livros e grandes discursos têm a capacidade de sincronizar milhares de cérebros simultaneamente, criando uma base de compreensão comum que transcende fronteiras físicas.
Essas descobertas, em essência, resgatam a premissa de que somos seres inerentemente sociais, projetados para a conexão. A comunicação não é um ato passivo de receber informações, mas um processo dinâmico de ressonância biológica. Quando realmente ouvimos alguém, estamos permitindo que essa pessoa molde a estrutura momentânea da nossa atividade cerebral.
Complementando a visão de sincronia de Hasson, o pesquisador Paul Zak traz uma camada biológica essencial para entendermos por que as histórias nos movem tanto. Zak descobriu que narrativas estruturadas com um arco dramático claro — que prendem nossa atenção e geram tensão — provocam a liberação de oxitocina e cortisol no cérebro. Enquanto o trabalho de Hasson foca na “sintonia” entre os cérebros (o acoplamento), Zak explica que essa conexão é mediada por substâncias químicas que aumentam a empatia e a disposição de cooperar.
O acoplamento neural não é apenas um fenômeno técnico de transmissão de dados.
É um processo carregado de emoção que nos permite, literalmente, sentir o que o outro sente. Para profissionais de todas as áreas — executivos, educadores, coaches, mentores, terapeutas ou comunicadores —, o desafio moderno é criar as condições para que esse acoplamento ocorra. Isso exige empatia, clareza e, acima de tudo, a disposição de construir significados juntos, em vez de apenas emitir sinais para o vazio.
Ao final, a ciência de Hasson — em sinergia com os achados de Zak, Dikker e Nguyen — revela que o ato de comunicar é a nossa tecnologia humana mais sofisticada. Não se trata apenas de transmitir dados, mas de promover uma fusão biológica e emocional. Porque enquanto o contexto compartilhado de Nguyen serve de ponte, e a química cerebral de Zak desperta a empatia, temos a sincronia observada por Dikker a harmonizar grupos inteiros em uma inteligência coletiva.
Fica claro, enfim, que uma boa conversa é um evento transformador. Ele literalmente remodela nossa mente, fortalece nossos laços com outras pessoas e valida a ideia de que somos, essencialmente, seres projetados para o encontro presencial.
Eu sou Mario Divo e posso ser encontrado pelas mídias sociais ou pelo site www.mariodivo.com.br.
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Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
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Fontes consultadas: Hasson, U. (2016). This is your brain on communication. TED Talk. Disponível em: TED.com. Stephens, G. J., Silbert, L. J., & Hasson, U. (2010). Speaker–listener neural coupling underlies successful communication. Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Dikker, S., et al. (2017). Brain-to-Brain Synchrony Tracks Real-World Dynamic Group Interactions in the Classroom. Current Biology. Nguyen, M., et al. (2019). Shared understanding and the role of neural coupling. Nature Communications. Princeton Neuroscience Institute. Perfil de pesquisa e publicações de Uri Hasson. pni.princeton.edu. Zak, P. J. (2015). Why Inspiring Stories Make Us React: The Neuroscience of Narrative. Cerebrum.
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Você Não Está Perdendo Dinheiro, Você Está Deixando de Crescer: O Custo Silencioso da Inércia Financeira
Olá,
Clientes com capacidade financeira permanecem estagnados por não revisarem suas carteiras, não estudarem novas oportunidades ou simplesmente por evitarem decisões que exigem desconforto momentâneo.
No dia a dia como planejadora financeira, observo um padrão recorrente: não é a falta de dinheiro que impede muitas pessoas de prosperarem é o comportamento.
A verdade é direta e incômoda: a zona de conforto pode ser confortável, mas raramente é lucrativa.
A raiz comportamental: por que evitamos o esforço?
A programação neurolinguística (PNL) explica que o cérebro humano tende a repetir padrões que geram segurança emocional, mesmo que esses padrões sejam limitantes.
Entre os principais fatores estão a busca por economia de energia mental, o medo do desconhecido e a presença de crenças limitantes como “sempre foi assim”, “não sei fazer” ou “depois eu vejo”.
Na prática, isso se traduz em comportamentos muito comuns: evitar abrir o aplicativo para acompanhar investimentos, adiar ajustes na carteira, não buscar conhecimento financeiro ou manter estratégias que já não fazem mais sentido.
Ou seja, não se trata de falta de capacidade mas de falta de ação.
Como assessora, vejo diariamente o impacto direto da chamada “preguiça financeira”.
Investidores que não revisam suas carteiras acabam perdendo oportunidades relevantes, mantendo ativos pouco eficientes e assumindo riscos que muitas vezes nem percebem.
O mercado é dinâmico, e quem não se movimenta deixa de capturar boas taxas, perde momentos estratégicos de entrada e não aproveita ciclos econômicos importantes.
Ao longo do tempo, isso resulta em uma consequência silenciosa, porém poderosa: a estagnação patrimonial. O patrimônio cresce abaixo do potencial, perde força para a inflação e deixa de acompanhar os objetivos de vida do investidor.
Diversas referências clássicas ao longo da história reforçam a mesma ideia: o desejo, sem ação, não gera resultado.
Provérbios 13:4 traz a reflexão de que querer não é suficiente é a diligência que conduz à realização.
Já Provérbios 14:23 reforça que o trabalho prático gera retorno, enquanto apenas falar ou adiar decisões leva à estagnação.
Independentemente de crenças pessoais, o princípio é claro e atemporal: ação consistente supera intenção.
Existe um risco que não aparece nos relatórios, mas que compromete o crescimento ao longo do tempo: a inércia.
O investidor que não age pode até evitar erros no curto prazo, mas também abre mão da evolução no longo prazo. Evita o desconforto das decisões, mas paga o preço da estagnação.
E no mercado financeiro, não evoluir já é, por si só, uma forma de perda.
Criar desconforto intencional é um bom começo. Estabelecer momentos específicos para revisar a vida financeira ajuda a transformar intenção em ação. Disciplina, nesse contexto, vale mais do que motivação.
Reprogramar crenças também é essencial. Substituir pensamentos como “depois eu vejo” por “eu resolvo agora” ou “é complicado” por “eu posso aprender” muda a forma como você se posiciona diante das decisões.
Buscar acompanhamento profissional faz diferença. Quando estamos sozinhos, tendemos a evitar o que é desconfortável. Com orientação, o processo se torna mais claro, estratégico e consistente.
Investir em conhecimento amplia possibilidades. Aprender sobre finanças, mercado e novas oportunidades não é custo é um dos caminhos mais diretos para evolução de renda e patrimônio.
E, acima de tudo, conectar dinheiro com propósito torna o processo mais significativo. Quando existe clareza sobre o porquê, o esforço deixa de ser um peso e passa a ser uma escolha.
Prosperidade não é um evento isolado é o resultado de comportamentos repetidos ao longo do tempo.
A pergunta que fica é simples: você está construindo sua riqueza… ou apenas protegendo a sua zona de conforto?
Porque, no fim, não é o mercado que limita o investidor, é o próprio investidor que limita o seu crescimento.
E muitas vezes, o nome disso não é falta de oportunidade.
É apenas… falta de movimento.
Talvez seja só a sua zona de conforto fazendo um excelente trabalho, em te manter exatamente onde você está.
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Com carinho,
Carol Guimarães
https://www.instagram.com/carol_investimentos/
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Gestão 2026: Precisão de Dados e o Fator Humano – O Risco de Decidir Apenas pelo que os Dados Mostram
“A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos.” (A República – Platão)
O Mito da Caverna (ou Alegoria da Caverna), na República de Platão, é uma metáfora sobre a ignorância e a busca pelo conhecimento verdadeiro. Os prisioneiros confiam apenas em sombras (aparências), enquanto a verdadeira realidade só é alcançada pela razão, saindo da caverna (zona de conforto).
- Caverna: Representa o mundo sensível, limitado aos sentidos e preconceitos;
- As Sombras: Opiniões, falsas crenças e aparências que aceitamos como verdade;
- A Saída/Luz: Processo doloroso de educação e filosofia, alcançando a razão;
- O Retorno: O dever de tentar libertar os outros, mesmo correndo riscos.
Na administração moderna, o fenômeno do Big Data e dos KPIs (indicadores-chave de desempenho) atua frequentemente como os projetores de sombras de Platão. O gestor, focado apenas no painel de controle (o dashboard), corre o risco de confundir a projeção digital com a realidade da operação.
A dinâmica da caverna aplicada à gestão:
1. O Dashboard como a Parede da Caverna
- A Ilusão: O gestor olha para um gráfico de produtividade que está “no verde” (a sombra) e assume que a equipe está motivada e saudável;
- A Realidade (O Objeto Real): Por trás desse gráfico, pode haver um processo ineficiente, funcionários em burnout ou dados maquiados. A sombra (o indicador) é bidimensional; a realidade da empresa é complexa e humana.
2. A “Ditadura das Métricas” e o Ruído Cognitivo
- O Paralelo: No excesso de dados, as empresas focam na velocidade da informação (tempo real) em vez da qualidade da decisão;
- A Urgência Falsa: Gerencia-se o dado pelo dado. Se uma métrica cai 1%, então gera-se uma crise imediata (reação à sombra), sem entender se aquilo é apenas uma oscilação natural do “sol” (o mercado).
3. A Paralisia por Análise (O Conforto das Correntes)
- Administração: Gestores se escondem atrás de relatórios para que evitem tomar decisões difíceis que exijam intuição ou presença física no “chão de fábrica”;
- O Risco: Confia-se tanto no modelo matemático (a sombra) que se ignora quando o modelo para, de fato, de representar o mundo real. É a gestão por procuração de dados.
4. O Gestor “Filósofo” (Saindo da Caverna)
Na administração, isso se chama Genchi Genbutsu (termo da Toyota que significa “vá e veja o local real”).
- A Gestão Verdadeira: É o ato de cruzar o dado (sombra) com a observação direta (luz do sol);
- O Desafio: Sair da caverna significa desligar o monitor e ouvir clientes, colaboradores, fornecedores e mercado real, entendendo assim o contexto que os dados não capturam;
- Urgência: A administração moderna sofre de “miopia de dados”. O excesso de informação faz com que o gestor acredite que o modelo digital é a empresa, quando, de fato, é apenas uma representação imperfeita dela. Ao aceitar a solução da IA sem o esforço do pensamento crítico, então a decisão deixa de ser um ato de sabedoria e passa a ser um ato de curadoria passiva.
5. A Alucinação como “Sombra Sintética”
Na caverna, a sombra vem de um objeto real. Na IA, a “alucinação” (quando a IA inventa fatos convincentes) é a sombra que não possui objeto correspondente na realidade.
- O Risco: O gestor tenta gerenciar um mundo que nem sequer existe.
6. O Eco do Algoritmo (Treinamento em Sombras)
As IAs são treinadas com dados da internet, que já são as “sombras” (por exemplo: opiniões, dados enviesados) da primeira caverna.
- “Caverna ao Quadrado”: Se os gestores começarem a alimentar as próximas IAs com conteúdo gerado por IAs anteriores, então entraremos em um ciclo de entropia de dados.
7. A Perda da Dialética Socrática
Sócrates defendia que a verdade nasce do diálogo e do questionamento: IA generativa oferece a resposta pronta.
8. A Ilusão de Objetividade
A alternativa do líder moderno é usar a IA como uma ferramenta de tradução da realidade, mas não como um substituto da própria visão. À medida que a tecnologia automatiza o “fazer”, a filosofia então torna-se a última fronteira do “pensar” e do “decidir”.
9. A Gestão Pragmática como Recuperação da Realidade
Sim, a retomada do pragmatismo é um antídoto ao “delírio dos dados”. Na administração, isso se manifesta na volta ao conceito de “valor real”:
- O foco no output humano: Menos tempo analisando o dashboard (sombra) e mais tempo observando o impacto real do produto na vida do cliente (luz);
- Gestão por evidências físicas: Focar no que é tangível: fluxo de caixa real, retenção de talentos bem como satisfação genuína. É a “gestão pé no chão” como resistência à abstração algorítmica.
10. Modelos Pré-Tecnológicos de “Não Manipulação”
Antes da era da informação em massa, o modelo mais próximo da “não manipulação” era a Artesania (Guildas Medievais):
- Transparência Radical: O mestre artesão trabalhava à vista de todos. O objeto era a prova da competência; não havia marketing para esconder um trabalho mal feito;
- Responsabilidade Pessoal: Não se culpava o algoritmo. A relação era direta entre quem faz, quem usa e a qualidade do material;
- O Estoicismo e Gestão: Líderes como Marco Aurélio focavam apenas no que podiam controlar (suas ações e julgamentos), ignorando o “ruído” das opiniões da corte — a forma primitiva de filtrar o excesso de informação.
11. O “Novo” Modelo: A Gestão Bio-Digital ou Humanista 4.0
O melhor não é o passado, nem aceitar o simulacro atual. O “novo” será um modelo de Gestão Crítica:
- “IA como Estagiária”: Tratar a tecnologia como um assistente que organiza dados, mas nunca como o “oráculo” que decide;
- Ceticismo Analítico: Cultura organizacional onde o papel do gestor é ser o “advogado do diabo” dos dados da empresa;
- Propósito como Âncora: Se o objetivo da empresa é apenas “número”, então a IA é suficiente. Se o objetivo for resolver um problema humano real, resultados reais, colaboradores alinhados, fornecedores buscando melhorar e um mercado competitivo – o simulacro perde força porque a realidade da necessidade humana é o que dita a regra.
O novo modelo é, na verdade, uma síntese: usar a potência de cálculo da IA para processar a “caverna”, mas manter o espírito de Sócrates para questionar se o que estamos vendo na tela é realmente o que o mundo precisa.
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Sandra Moraes
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O Custo Invisível do Alinhamento Perpétuo: Quando Alinhar Vira Armadilha
Por que organizações que discutem mais decidem menos
Há um fenômeno silencioso nas organizações que raramente aparece nos diagnósticos: o alinhamento deixou de ser um resultado e virou um processo contínuo. Não uma meta que se alcança, mas um estado que nunca se completa.
A cena é conhecida. Um tema chega à agenda. Convoca-se um grupo. Discute-se. Colhem-se perspectivas. Todos concordam — ou ninguém discorda abertamente. A reunião termina com a sensação de que houve alinhamento. Semanas depois, o mesmo tema retorna para “mais uma rodada de alinhamento”. Porque, na verdade, nunca houve alinhamento. Houve apenas a ilusão de que haveria.
Essa distinção é crucial. E ela explica por que tantas organizações — especialmente aquelas que investem em comunicação e processos participativos — acabam operando em câmera lenta.
O problema não é o alinhamento. É o que fazemos com ele.
Peter Drucker já defendia que decisões em grupo ampliam repertório e reduzem vieses. De fato. Mas Irving Janis, ao estudar o groupthink, demonstrou como a pressão por concordância pode levar grupos a decisões frágeis — não por falta de inteligência, mas por excesso de conformidade. A Harvard Business Review passou a chamar isso de over-collaboration: quando a colaboração deixa de gerar valor e passa a gerar lentidão e difusão de responsabilidade.
Na prática, isso é muito concreto. Reuniões se alongam sem fechamento. Decisões retornam para “mais uma rodada”. Líderes evitam se posicionar antes de ouvir todos — e, depois de ouvir todos, encontram dificuldade para sustentar uma direção. Áreas passam a operar sob a lógica de que, quanto mais gente envolvida, menor o risco individual.
E, aos poucos, instala-se um padrão onde todos participam — mas poucos decidem.
Talvez o sinal mais evidente seja aquele tipo de decisão que ninguém discorda — mas que também ninguém sustenta. Há consenso social, mas não há consenso cognitivo. As pessoas não realmente concordam com o mérito. Apenas concordaram em não discordar.
Estamos usando o coletivo para pensar melhor — ou para não assumir a decisão?
Essa pergunta costuma ser evitada. Mas ela muda o nível da discussão.
Ao longo de minha trajetória — tanto em posições executivas quanto acompanhando líderes em diferentes organizações — observei que o excesso de alinhamento raramente aparece como um problema declarado.
Ele se instala progressivamente, como uma prática que parece virtuosa. Afinal, participação é bom. Inclusão é bom.
Mas há um ponto sensível: quando a busca por alinhamento se torna um mecanismo para evitar decisão, ela deixa de ser virtuosa. Ela vira um custo disfarçado de processo.
Os impactos não são triviais. A velocidade estratégica diminui. O timing de mercado se perde. As decisões tendem ao mínimo denominador comum. A responsabilidade se dilui. E o desenvolvimento das equipes empobrece, porque o julgamento individual deixa de ser exercitado.
Mas há um ponto mais sensível — e raramente explicitado: decidir expõe. Expõe julgamento, risco e responsabilidade. Em ambientes complexos, essa exposição se torna desconfortável. O coletivo surge, então, como um refúgio sofisticado. Amplia-se a participação, distribui-se a discussão e, com isso, reduz-se a sensação de risco individual.
Mas o risco não desaparece. Ele apenas muda de lugar — e reaparece no resultado.
Reorganizando o processo de decisão
Se o problema não está no alinhamento, mas na forma como ele é perseguido, então a questão deixa de ser “quanto alinhar” e passa a ser outra: por que, mesmo com tanta participação, a decisão não acontece?
O que está faltando não é mais envolvimento. É estrutura para transformar participação em decisão.
Metodologias estruturadas ajudam justamente a resolver esse desalinhamento entre intenção e prática. O Action Learning, desenvolvido por Reg Revans, oferece uma contribuição particularmente relevante — não por ser uma técnica isolada, mas por reorganizar a lógica da interação. Parte de problemas reais e estabelece um processo disciplinado de investigação. O grupo não se reúne para opinar, mas para pensar melhor. As perguntas substituem as respostas rápidas. A compreensão precede a ação. E, principalmente, a responsabilidade não se dilui.
Mesmo com metodologias como o Action Learning, certos princípios continuam sendo a base de qualquer processo decisório maduro. São eles que evitam que participação vire paralisia. Nesse sentido, vale olhar para alguns fundamentos que fortalecem a qualidade da decisão — independentemente da metodologia utilizada:
- Primeiro: clareza sobre quem decide. Não quem participa — quem realmente decide. Quando há clareza, há responsabilidade. E responsabilidade é o que transforma participação em qualidade.
- Segundo: estabelecer critérios de decisão antes da discussão, não depois. Quando um grupo se reúne sem saber quais critérios vão determinar a decisão, a discussão tende a ser aberta e exploratória. Quando os critérios são estabelecidos antecipadamente, a discussão fica mais focada. E mais focada significa mais rápida.
- Terceiro: registrar o pensamento, não apenas a decisão. Qual era a premissa? Qual era o risco aceito? Qual era a alternativa descartada e por quê? Sem memória analítica, não há aprendizado real.
- Quarto — e talvez o mais importante: aceitar que nem todo desconforto deve ser eliminado. Há um desconforto inerente à decisão. É o desconforto de assumir responsabilidade. Organizações que tentam eliminá-lo através de alinhamento perpétuo acabam eliminando também a capacidade de decidir.
A Pergunta Final
A liderança começa exatamente onde o coletivo termina. Se tudo precisa estar alinhado para que alguém decida, então ninguém está, de fato, decidindo.
E isso nos leva à pergunta final — simples na forma, exigente na resposta: o coletivo na sua organização está ampliando a qualidade das decisões ou está diluindo a responsabilidade por elas?
A busca por alinhamento continua sendo legítima. Mas, levada ao extremo, cria um paradoxo silencioso: quanto mais a organização tenta evitar erro, mais ela evita decidir.
E, no fim, o custo não está na discussão que aconteceu — mas na decisão que deixou de acontecer.
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como o excesso de alinhamento pode se tornar uma verdadeira armadilha, travando decisões e transformando participação coletiva em paralisia organizacional? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até a próxima!
Wilson R. Lourenço
https://www.compassconsult.com.br
Confira também: Quando a Liderança Falha: O Que a Saída de Talentos Revela Sobre Líderes e Contextos Organizacionais
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Comunicação na Liderança: Quando Explicar Demais Impede as Pessoas de Pensar
Comunicação na liderança talvez não seja apenas falar melhor. Talvez seja provocar pensamento. Muitos líderes acreditam que o problema está na forma como explicam as coisas, quando na verdade o desafio pode estar em outro lugar.
Outro dia uma líder me disse algo que escuto com frequência nas empresas. Ela afirmou que o problema dela era comunicação. Já tinha feito vários cursos, participado de treinamentos e estudado técnicas para se expressar melhor.
Mesmo assim, segundo ela, as pessoas não escutavam. Às vezes não prestavam atenção. Em algumas reuniões, simplesmente não apareciam.
Essa sensação aparece em muitas organizações. Líderes investem em aprender a se comunicar melhor, mas continuam com a impressão de que estão falando para uma sala que não reage.
Isso gera frustração. Porque o líder sente que está se esforçando, mas a mensagem não produz movimento. Talvez porque comunicação não seja apenas explicar melhor. Talvez comunicação seja fazer o outro pensar.
Um filósofo que ensinava perguntando
Há mais de dois mil anos um filósofo grego chamado Sócrates já utilizava uma forma curiosa de ensinar. Curiosamente, essa forma tem muito a dizer sobre comunicação na liderança.
Ele quase não explicava. Em vez disso, conduzia conversas por meio de perguntas.
Pergunta atrás de pergunta, até que a própria pessoa chegasse à conclusão. O raciocínio não era entregue pronto. Ele nascia dentro de quem estava refletindo.
Esse método ficou conhecido como maiêutica. A palavra descreve a arte de ajudar alguém a dar à luz uma ideia.
Sócrates acreditava que o conhecimento mais forte é aquele que nasce dentro da própria pessoa. Quando alguém descobre algo por si mesmo, o entendimento se torna muito mais sólido do que quando alguém apenas explica.
Talvez exista aqui uma provocação importante para a liderança.
Quando há explicação demais, o pensamento perde espaço.
O que acontece em muitas reuniões nas empresas
Observe como muitas reuniões acontecem nas organizações. O líder apresenta o problema, mostra dados, compartilha análises e explica o que precisa ser feito.
Depois de todo esse raciocínio, costuma surgir a pergunta clássica.
“Todos entenderam?”
Quase sempre alguém responde que sim. No entanto, entender não significa necessariamente refletir.
Também não significa que as pessoas realmente se envolveram com a ideia. A comunicação aconteceu, mas o pensamento coletivo nem sempre aconteceu.
É por isso que tantos líderes saem de reuniões com uma sensação estranha. A conversa aconteceu, mas pouca coisa realmente mudou.
Quando explicar demais enfraquece a comunicação
Existe um paradoxo silencioso na liderança. Quanto mais o líder explica, menos as pessoas precisam pensar.
Quando alguém entrega o raciocínio completo, o cérebro do outro entra em modo passivo. Ele escuta, acompanha e até concorda.
Mas não constrói.
Sem perceber, muitas reuniões acabam se transformando em apresentações. Um fala enquanto os outros apenas acompanham.
Isso não acontece porque as pessoas são desinteressadas. Muitas vezes acontece porque elas foram acostumadas a receber respostas prontas.
Com o tempo, a equipe passa a esperar a explicação do líder antes de pensar por conta própria.
Quando a comunicação vira um espaço de reflexão
Agora imagine uma reunião diferente. Em vez de começar explicando o problema, o líder começa perguntando.
Ele pergunta o que a equipe está percebendo. Pergunta onde o processo parece travar. Pergunta o que pode acontecer se tudo continuar exatamente como está.
Perguntas como essas, sem dúvida, mudam a dinâmica da conversa. As pessoas começam a pensar, conectar pontos e certamente trazer percepções que antes estavam silenciosas.
A reunião deixa de ser um espaço de transmissão de ideias. Ela passa a ser um espaço de construção de ideias.
O líder não está mais tentando convencer ninguém. Ele está ajudando o grupo a pensar junto.
As melhores respostas aparecem quando o grupo começa a pensar.
Quando as respostas nascem do grupo
Quando as pessoas participam da construção da resposta, algo importante acontece. A adesão deixa de ser obrigação e passa a nascer da compreensão.
A ideia deixa de ser apenas do líder. Ela passa a ser do grupo.
E quando a ideia passa a ser do grupo, o movimento acontece com muito mais naturalidade.
Talvez por isso tantos líderes sintam que as pessoas não escutam. Explicar não gera necessariamente atenção.
Participar de uma descoberta gera.
Talvez liderar seja perguntar melhor
Talvez seja hora de alguns líderes experimentarem algo diferente. Menos discurso e um pouco mais de maiêutica.
Perguntar mais. Explicar menos.
Porque, às vezes, a melhor comunicação não é aquela que entrega a resposta.
É aquela que ajuda o outro a descobrir a resposta junto.
Uma provocação para sua próxima reunião
Na sua próxima reunião, experimente fazer algo simples. Resista à tentação de explicar tudo logo no início.
Em vez disso, faça três boas perguntas e observe o que acontece. Talvez a conversa mude de qualidade.
Talvez você descubra algo interessante.
Liderar não é ter todas as respostas. É saber criar o espaço onde as melhores respostas aparecem.
Se esse texto te atravessou, então ele não foi escrito em vão. Compartilhe com quem decide cultura, metas e modelos de liderança na sua organização.
Outras reflexões de Leila Navarro sobre liderança, saúde emocional e futuro do trabalho estão disponíveis em:
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Quer saber mais sobre como a verdadeira comunicação na liderança pode, sem dúvida, transformar reuniões em espaços de pensamento, participação e engajamento real? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até a próxima!
Leila Navarro
Especialista em Inovação Humana e Desenvolvimento do Novo Humano nas Organizações. Autora de 16 livros traduzidos para diversos idiomas, astronauta análoga certificada e referência latino-americana em presença, comportamento e futuro do trabalho.
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O Futuro Não Se Adivinha: A Arte de Desenhar Cenários!
Viver em tempos de incerteza tornou-se um clichê corporativo. No entanto, raramente paramos para questionar a ferramenta que usamos para lidar com essa dúvida: o planejamento. Frequentemente, gestores tentam “prever” o amanhã olhando para o espelho retrovisor, acreditando que o futuro poderá ser uma provável extensão do passado. É aqui que o pensamento de Pierre Wack, revisitado no podcast “History of the Future”, surge não apenas como metodologia, mas como provocação intelectual absolutamente necessária.
Pierre Wack foi o pioneiro do planejamento por cenários na Royal Dutch Shell, durante a década de 1970.
Sua grande contribuição, detalhada em suas memórias e reflexões sobre o futuro, foi a distinção entre previsão (forecasting) e a cenarização. Para Wack, o erro fundamental das empresas organizadas na economia tradicional está na tentativa de encontrar um “número único” (ou uma probabilidade estatística para eventos complexos).
O podcast citado resgata como Wack utilizava o conceito de “forças estruturantes”. Em vez de apostar em um resultado, ele buscava entender as engrenagens que movem a realidade. Sua filosofia era a da “repercepção”, o que consistia em mudar as lentes através das quais os tomadores de decisão enxergam o mundo. Para Wack, o objetivo ao desenhar um cenário não é estar “certo” sobre o que vai acontecer. É sobre transformar a mentalidade do líder para que não seja pego de surpresa quando o inevitável — porém previsível — ocorrer.
Outro pensador sobre cenarização é Peter Schwartz, para quem cenários não são previsões, mas sim ferramentas de aprendizado para preparar a mente. Em sua obra “The Art of the Long View”, Schwartz expande a técnica de Wack, transformando a metodologia de projeção de cenários em um processo narrativo. Ele defende que, ao criarmos histórias consistentes sobre futuros possíveis, treinamos o cérebro para identificar e reconhecer sinais precoces de mudança.
Se Wack forneceu a base filosófica, Schwartz entregou a ferramenta prática. Ele concorda que a eficácia de projetar um cenário reside na capacidade de desafiar o modelo mental vigente. Se o cenário não causar um leve desconforto ou uma dúvida sobre a estratégia atual, ele provavelmente é apenas um exercício de otimismo (ou pessimismo) disfarçado de tentativa de planejamento.
Contudo, também é preciso aplicar o rigor acadêmico e conhecer um “advogado do diabo”.
Nassim Nicholas Taleb, pesquisador Libano-Americano, em sua teoria do Cisne Negro (o mundo acreditava que só existiam os cisnes brancos, até que apareceu um cisne negro e impactou teorias então consolidadas) oferece um contraponto essencial. Enquanto Wack acredita que podemos mapear forças estruturantes para criar cenários plausíveis, Taleb argumenta que os eventos de impacto, capazes de mudar o rumo da história, são aqueles impossíveis de prever e que não aparecem em nenhum modelo de estudos de cenário.
Para Taleb, a tentativa de “planejar o futuro” — mesmo por cenários — pode criar uma falsa sensação de segurança. Ele sugere que, em vez de tentarmos ser inteligentes mapeando o futuro (o que ele chama de “arrogância epistêmica”), deveríamos focar em construir sistemas antifrágeis, as chamadas organizações que não apenas resistem ao caos, mas que aprendem e melhoram com ele. Enquanto Wack foca na percepção, Taleb foca na robustez e na redundância.
Continuando, para entender por que a premissa de “repercepção” de Wack hoje pode ser difícil de implementar, devemos recorrer a Daniel Kahneman. O Nobel de Economia explica que o cérebro humano é biologicamente programado para ignorar a incerteza. Temos um “viés de retrospectiva” que nos faz acreditar que o passado era previsível. E isso nos dá a falsa confiança de que o futuro também o será.
Kahneman apoia, ainda que indiretamente, a necessidade dos cenários de Wack. Ele demonstra que, sem um esforço consciente para considerar alternativas, nossos planos serão sempre vítimas do excesso de confiança e da visão limitada. Enfim, seja por qual caminho um gestor ou liderança tentar desenvolver seus planos futuros, uma coisa é certa: ele deve se manter sempre como observador atento às “mudanças de vento”.
O legado de Pierre Wack para a gestão contemporânea é claro, implicando às lideranças que não sejam profetas, mas que estejam sempre preparadas para identificar as mudanças mais sutis. Ao combinar a percepção de cenários de Wack e Schwartz com a consciência dos limites do conhecimento trazida por Taleb e Kahneman, é possível construir uma atitude de liderança mais resiliente e intelectualmente consistente.
O futuro não é um destino certo aonde chegaremos, mas um território que construímos enquanto aprendemos a enxergá-lo. O maior obstáculo de um gestor não é a falta de dados para cenarizar o futuro, mas o seu próprio modelo mental — aquela visão rígida de como o mercado “deverá” funcionar. O exercício de cenários quer forçar o líder a aceitar, temporariamente, que o impensável é possível. Em última análise, não se trata de prever com certeza o que vai acontecer. Trata-se de mudar a forma como se enxerga o que já está acontecendo hoje.
A verdadeira estratégia não consiste em tentar adivinhar o que está por vir, mas em ter a coragem de destruir as próprias certezas. Isso porque o futuro não pertence a quem tem as melhores respostas. Ele pertence a quem desenvolveu a competência adequada para enxergar sinais de mudanças antes que elas se tornem óbvias.
Eu sou Mario Divo e posso ser encontrado pelas mídias sociais ou pelo site www.mariodivo.com.br.
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Quer saber mais sobre como o planejamento por cenários pode ajudar você a enxergar sinais de mudança antes que eles se tornem óbvios? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em falar a respeito.
Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br
Confira também: Bebês Projetados: O Desafio da Ética Científica para o Mundo
Referências Bibliográficas (Padrão ABNT) KAHNEMAN, Daniel. Rápido e devagar: duas formas de pensar. Tradução de Cássio de Arantes Leite. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012. SCHWARTZ, Peter. A arte da visão de longo prazo: caminhos para o planejamento estratégico em um mundo incerto. São Paulo: Atual, 2006. TALEB, Nassim Nicholas. A lógica do Cisne Negro: o impacto do altamente improvável. 2. ed. Rio de Janeiro: Best Seller, 2008. WACK, Pierre. Scenarios: uncharted waters ahead. Harvard Business Review, [s. l.], v. 63, n. 5, p. 72-89, set./out. 1985. WACK, Pierre. History of the future. Podcast [on-line]. Disponível em: https://open.spotify.com/episode/6pXQzKyn5LyFpWT34vLjZn. Acesso em: 23 abr. 2026.
Palavras-chave: planejamento por cenários, futuro, cenários, estratégia, liderança, desenhar cenários, pensar por cenários, planejar o futuro, projeção de cenários, cenarizar o futuro, como planejar cenários, como usar cenários no planejamento, por que cenários são importantes, cenários são importantes no planejamento
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“O problema não é o problema.
O problema é sua atitude com relação ao problema.”
(Kelly Young)
Hoje, a tristeza me visitou. Tocou a campainha, subiu as escadas, bateu à porta e entrou. Não ofereci resistência. Houve um tempo em que eu fazia o impossível para evitá-la adentrar os meus domínios. E quando isso acontecia, discutíamos demoradamente. Era uma experiência desgastante. Aprendi que o melhor a fazer é deixá-la seguir seu curso. Agora, sequer dialogamos. Ela entra, senta-se na sala de estar, sirvo-lhe uma bebida qualquer, apresento-lhe a televisão e a esqueço! Quando me dou por conta, o recinto está vazio. Ela partiu, sem arroubos e sem deixar rastros. Cumpriu sua missão sem afetar minha vida.
Hoje, a doença também me visitou. Mas esta tem outros métodos. E outros propósitos. Chegou sem pedir licença, invadindo o ambiente. Instalou-se em minha garganta e foi ter com minhas amígdalas. A prescrição é sempre a mesma: Amoxicilina e Paracetamol. Faço uso destes medicamentos e sinto-me absolutamente prostrado! Acho que é por isso que os chamam de antibióticos. Porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida…
Hoje, problemas do passado também me visitaram. Não vieram pelo telefone porque palavras pronunciadas ativam as emoções apenas no momento e, depois, perdem-se difusas, levadas pela brisa. Vieram pelo correio, impressos em papel e letras de baixa qualidade, anunciando sua perenidade, sua condição de fantasmas eternos até que sejam exorcizados.
Diante deste quadro, não há como deixar de sentir-se apequenado nestes momentos. O mundo ao redor parece conspirar contra o bem, a estabilidade e o equilíbrio que tanto se persegue. O desânimo comparece estampado em ombros arqueados e olhos sem brilho, que pedem para derramar lágrimas de alívio. Então, choro. E o faço porque Maurice Druon ensinou-me, através de seu inocente Tistu, que se você não chora, as lágrimas endurecem no peito e o coração fica duro.
Limão e limonada
As ciências humanas estão sempre tomando emprestado das exatas, termos e conceitos. A última novidade vem da física e atende pelo nome de resiliência. Significa resistência ao choque ou a propriedade pela qual a energia potencial armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo.
Em humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo isso através de um dito popular, é fazer de cada limão, ou seja, de cada contrariedade que a vida nos apresenta, uma limonada saborosa, refrescante e agradável.
Aprendi que pouco adianta brigar com problemas. É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E com rapidez, de maneira certa ou errada. Problemas são como bebês, só crescem se alimentados. Muitos se resolvem por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma inadequada, eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você os anula com correção. A felicidade, pontuou Michael Jansen, não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados.
Aprendi a combater as doenças. As do corpo e as da mente. Percebê-las, identificá-las, respeitá-las e aniquilá-las. Muitas decorrem menos do que nos falta e mais do mau uso que fazemos do que temos. E a velocidade é tudo neste combate. Agir rápido é a palavra de ordem. Melhor do que ser preventivo é ser preditivo.
Aprendi a aceitar a tristeza. Não o ano todo, mas apenas um dia, à luz dos ensinamentos de Victor Hugo. O poeta dizia que “tristeza não tem fim, felicidade, sim”. Porém, discordo. Penso que os dois são finitos. E cíclicos. O segredo é contemplar as pequenas alegrias em vez de aguardar a grande felicidade. Uma alegria destrói cem tristezas…
Modismo ou não, tornei-me resiliente. A palavra em si pode cair no ostracismo, mas terá servido para ilustrar minha atitude cultivada ao longo dos anos diante das dificuldades impostas ou autoimpostas que enfrentei pelo caminho, transformando desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculos em oportunidades, tristeza em alegria.
Nós apreciamos o calor porque já sentimos o frio. Admiramos a luz porque já estivemos no escuro. Contemplamos a saúde porque já fomos enfermos. Podemos, pois, experimentar a felicidade porque já conhecemos a tristeza.
Olhe para o céu, agora! Se é dia, o sol brilha e aquece. Se é noite, a lua ilumina e abraça. E assim será novamente amanhã. E assim é feita a vida.
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Nesta semana que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, gostaria de dizer para todas as Mulheres uma coisa muito importante:
Seu sucesso na vida pessoal e/ou profissional, sua felicidade, sua prosperidade e bem-estar na vida só depende de uma pessoa. Sabe quem é? Você mesma.
E falo mais. Seu sucesso será mais fácil e forte se você Mulher lembrar em ser você mesma. Ou seja, Ser a Mulher que você sempre foi e será.
Esta última afirmação já falei muitas vezes para minhas clientes de Coaching Holístico que buscam Sucesso em algum ponto da vida pessoal e profissional.
Para quem ainda não sabe o que é Coaching, vou explicar agora. Entre muitas definições as que mais eu gosto são:
- Orientar uma pessoa a fazer a travessia entre um ponto ao outro até alcançar sua meta pessoal e/ou profissional com sucesso;
- Coaching é uma assessoria e processo que geram motivação pessoal e profissional, e que tem como objetivo potencializar o nível de resultados positivos nas diversas áreas da vida de um cliente para alcançar uma meta ou objetivo com sucesso.
E o que é Coaching Holístico? Coaching Holístico – Processo para Seu Sucesso na Vida e Concretização das suas Metas. O cliente vai se conhecer melhor, olhar para si, sua vida e descobrir seu potencial adormecido. Vai melhorar sua autoestima e ter mais autoconfiança. Tem Dificuldade em vencer? Pelo Coaching Holístico iremos desbloquear o que atrapalha e mudar Padrões Mentais para Vencer.
Este é o ponto chave do inicio do Sucesso de qualquer pessoa: Padrões Mentais. Quem acredita que é um fracasso, que não vai vencer na vida ou que não merece ter sucesso nas metas ou sonhos, tenha certeza que nada vai mesmo ocorrer de bom na vida. O Sucesso vai passar bem longe destas pessoas.
Agora imagine uma mulher que desde pequena é “esmagada” pela família e sociedade a sufocar sua força, a matar sua arte e beleza, para não acreditar em si e nas suas qualidades e habilidades para realizar.
Já atendi moças que acreditam que não merecem um amor porque alguém falou que ela é feia ou amor só faz mal. Como vão amar se não têm uma boa energia sobre o amor? Como amar se sua autoestima foi chutada? Só vai amar se mudar, acreditar que pode e merece amar. E que ela é uma super mulher.
O mesmo ocorre com a realização de outras metas pessoais e profissionais. Se uma pessoa foi condicionada a sempre pensar que é inferior, incapaz ou que não merece ser feliz ou prosperar, com certeza vai sofrer para conseguir. Imagine uma mulher que no geral é mais sufocada.
Ainda bem que tem solução. É um pouco demorado, varia de pessoa para pessoa, mas tem que trabalhar, treinar e movimentar-se para mudar padrões e condicionamento mental e energético.
Mas, é possível e já vi milagres.
Qual é o primeiro passo? Acreditar em Você. Acreditar na pessoa poderosa que há dentro de você.
Acreditar na Mulher que há dentro de você.
Sucesso e Feliz Dia da Mulher!
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A Copa do Mundo acabou. A seleção alemã com sua organização, futebol bonito e muita técnica, merecidamente, levou o caneco. É tetracampeã.
E a nossa Seleção Canarinho? Que papelão! Desde o início da Copa, nos quatro cantos deste Brasil, todos falavam que era forte candidata a ser hexacampeã. E por que todos acreditavam nisto? Porque jogava em casa, tinha apoio da torcida brasileira, a mídia falava que era a melhor seleção, tinha uma comissão técnica com dois técnicos que venceram Copas Mundiais (Parreira em 1994 e Felipão em 2002) e o clima ajudava.
Mas o que vimos foi um total fiasco e uma humilhante goleada histórica por 7×1 para os alemães na semifinal da Copa.
Enfim, perdemos a Copa e ficamos em quarto lugar após perder para a Holanda na disputa pelo terceiro lugar. E agora? Como diz o poema de Carlos Drummond de Andrade:
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?(Carlos Drummond de Andrade)
E agora, Seleção Brasileira? Agora é hora de mudanças. E mudanças drásticas e profundas na filosofia e na organização.
A CBF terá que ter coragem de assumir sua culpa no fracasso e incompetência administrativa na condução da Seleção Canarinho na Copa. A CBF e o novo técnico terão que ter coragem de fazer mudanças drásticas na nova Seleção Brasileira daqui para frente. Podem e devem seguir o ótimo exemplo que viveu a seleção alemã no final dos anos 90. Após fiascos seguidos, a Confederação Alemã de Futebol chegou à conclusão de que era hora de mudar tudo. Mudanças drásticas foram implantadas. Bancaram com coragem um técnico permanente nos últimos 10 anos que, com um grupo de jogadores com uma nova cabeça, união e humildade, deram um Show na Copa do Brasil e levaram o Caneco.
Mudança requer determinação. Mudanças drásticas requerem também muita coragem, pois haverá muita resistência das pessoas que já estão na zona de conforto ou que não aceitam que está tudo errado na vida ou no jogo.
Quer ver um exemplo recente? A entrevista da Comissão Técnica da Seleção Canarinho após o vexame de 7×1. Para Felipão e Parreira, nada estava errado na preparação da Seleção Brasileira. O problema foi um apagão geral do time todo que o levou a tomar 4 gols em 6 minutos.
Pois é Felipão, não houve problema algum no seu trabalho. Foi só um apagão que custou um vexame histórico e 200 milhões de brasileiros frustrados.
Como dizem, “o pior cego é o que não quer ver”. Ou “errar é humano, persistir no erro é ser Felipão”, teimoso e arrogante. Não assume os erros e afunda a emoção de milhares de pessoas.
Mas a Copa acabou e a CBF já começou as mudanças. Adeus comissão técnica fracassada. Vida e esperanças novas.
Espero que agora façam mais. Que tenham a coragem de fazer mudanças drásticas em tudo ligado a futebol.
E você? Está com coragem de fazer mudanças drásticas na sua vida pessoal ou profissional?
Ou vai ficar chorando e dando desculpas para que sua vida seja um fracasso ou cheia de frustrações?
Chega de Síndrome de Felipão, né?
Seu lema hoje: “Mudanças já e com coragem para ser feliz”.
Participe da Conversa
Frequentemente as mudanças acontecem na vida da gente. Em algumas vezes, estamos preparados para elas, em outras elas representam uma grande surpresa. Por vezes, desejamos a mudança, vislumbrando uma nova oportunidade em nossa vida. Acontece também de não as desejarmos, pois estamos felizes com as coisas do jeito que estão. Mas as mudanças acontecem, quer queiramos ou não…
Quando buscamos algo melhor, costumo dizer que estamos criando a mudança, pois estamos não só indo atrás dela, como desejamos que coisas melhores ocorram. Nesta hora, dizemos que a mudança é positiva e bem-vinda.
Mas existe também aquela mudança que você não deseja. Tudo estava bem do jeito que estava, por que mudar agora? Nesta hora criamos resistências, não aceitamos a oportunidade que a vida nos dá para novos desafios. Reclamamos e amaldiçoamos pelo que nos acontece.
Pessoas proativas são as que criam as mudanças, vislumbram novas oportunidades, desejam sempre mais, porque sabem que estão em constante crescimento e aprendizado. Pessoas acomodadas se comportam como árvores, não saem dos seus lugares, esperam que tudo ocorra como desejam ou que tudo se mantenha exatamente como está.
Se você se identificou com o segundo tipo, aqui vai uma reflexão: você não é uma árvore… você não nasceu com raízes que lhe impossibilitam de mudar de lugar. Você também pode dizer que não nasceu com asas, que te possibilitariam voar, mas eu diria que você nasceu com algo melhor do que asas: inteligência e criatividade. Faça por merecer a inteligência que tem e saiba reconhecer quando é hora de mudar.
Nosso mundo é dinâmico, nada é estático. Já dizia Heráclito: “Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio”. Claro! O rio não é o mesmo… nós também não somos! Creio que hoje somos melhores que ontem, piores do que amanhã. E assim prossegue o rio da vida, propiciando mudanças para que tenhamos – todos os dias – novas oportunidades, novos olhares, novos aromas, novas experiências. Saia do lugar! Você não é uma árvore…
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Responda rápido a minha pergunta:
– De zero a 100% qual é o seu grau de comprometimento em ler este artigo até o final?
Estranha a pergunta? Para quem é Coach ou faz sessões de Coaching esta pergunta é corriqueira. Toda vez que atendo um cliente de Coaching Holístico e definimos uma meta ou tarefa, sempre fecho a sessão com esta pergunta:
– Qual é o seu grau de comprometimento em realizar esta tarefa ou meta?
Em geral o cliente responde 100%. Só que nem sempre isto ocorre. Nem sempre o cliente se compromete 100% em executar a tarefa ou meta.
Um dos maiores problemas de uma pessoa que faz Coaching é a falta de comprometimento. É mais fácil dar desculpas do que tentar cumprir o que se comprometeu.
E falta de comprometimento não é só no Coaching que ocorre. No dia a dia de qualquer empresa os funcionários nunca cumprem o que prometem e se comprometem. É uma total falta de responsabilidade, profissionalismo e até de caráter da pessoa.
Sua atitude vai prejudicar a empresa, seus colegas de trabalho e a si mesmo. Aí perde o emprego e reclama.
E o que falar de pessoas no nosso dia a dia que prometem algo para alguém ou para si mesmo e não cumprem. Cadê o comprometimento, gente?
Falta de comprometimento na via profissional e pessoal é um péssimo hábito. Quem não tem comprometimento leva a “vida na flauta” ou “seja o que Deus quiser”.
O cliente senta na minha frente na sessão de Coaching, fala que quer ter sucesso na vida, jura 100% de comprometimento e falta na sessão seguinte dizendo que tem outro compromisso importante.
Compromisso importante? E os 100% de comprometimento que ele “juramentou” com ele próprio em alcançar sucesso? Não é mais importante?
Parece que não. Estas pessoas que não cumprem o que falam, acham que estão enganando seu Coach, seu chefe ou sua própria vida.
Na verdade esta pessoa que não cumpre nem 1% do que se compromete, está enganado a si próprio. Está perdendo seu tempo e não o meu.
Você que não cumpre o que promete ou se compromete, fica aqui um recado para refletir:
Não cumpre o que promete, não avança, não vence e não conquista.
Para ajudar, significado de Comprometimento:
“Esta é uma atitude que poderíamos definir como algo de cunho moral, afinal, literalmente, remete ao cumprimento de um tratado, um pacto firmado.
Significa “honrar a palavra empenhada”. O comprometimento está vinculado ao clima organizacional, à cultura e aos valores da empresa. As pessoas estão dispostas a lutar por aquilo em que acreditam, seja no plano profissional ou pessoal. E lutam pela verdade!
Há uma relação íntima entre esta competência e a capacidade de estabelecer e cumprir metas. E esta relação está presente na própria palavra.
É por ai. Boa semana!
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Você já parou para pensar a força que estas duas palavras possuem? Bom Dia e Obrigado.
Palavras simples, óbvias, porém em muitos momentos esquecidas pelo corre-corre da falta de tempo, pelo mau humor que nos atinge, pelo status que faz acreditar que não se faz necessário ou pelo simples hábito de não se utilizar no vocabulário.
Certa vez ouvi em um treinamento de liderança: como você gostaria de ser liderado? E para minha surpresa: com um bom dia e um muito obrigado. E comecei a pensar.
Será que somente na gestão gostaríamos de ouvir estas palavras?
Quem não gostaria de ouvir pela manhã este simples gesto ou num momento que está desmotivado um obrigado por um trabalho realizado?
A palavra bom dia abre portas, pode ser o início de uma conversa difícil; quebrar o gelo num momento de nervoso, despertar o sorriso nos mais contagiantes, demonstrar respeito ao próximo e principalmente celebrar a oportunidade de um novo dia, cheio de desafios, atividades a serem desenvolvidas, pessoas a conhecer, negociações a vencer. Oferece uma palavra positiva para você e para quem ouve, transmitindo pensamentos positivos.
Pode parecer longe demais, mas e se nós realmente ao dizermos esta simples palavra, buscássemos ter o nosso Bom dia?
Onde você conhecendo seus valores, desejos e objetivos gera uma atitude consciente para que consiga o resultado esperado. Que possa vencer o medo, a desmotivação, a baixa estima e quebrar barreiras, obstáculos na comunicação, relacionamentos e descubra caminhos efetivos de atingir o sucesso e por que não a felicidade tão sonhada?
Pense nisso e se permita a realmente ter um bom dia.
A palavra obrigado tem significados interessantes segundo o dicionário: ser obrigado a fazer, obrigar por lei, ser grato, reagir a algo correspondido.
Palavra igualmente simples, mas difícil de ser dita por aqueles que justamente se sentem na obrigação de fazê-lo, mas nobre e cheia de ternura, gratidão e reconhecimento por quem diz e recebe.
Um feedback por algo, dar-lhe a vez, agradecer um trabalho, um presente, uma parceria ou um simples objeto que foi entregue, uma porta aberta. O poder do obrigado nos renova as energias, aumenta a motivação, estima, trabalho em equipe e comprometimento.
O obrigado é um gesto de reconhecimento, retorno positivo que se está no caminho certo, de um trabalho bem feito, de um apoio sincero, de uma ajuda para alguém que precisa carregar sua mala, segurar o elevador ou passar simplesmente o sal.
Reforça comportamentos; gera sinergia e cumplicidade.
Que possamos falar obrigada sem a obrigação social, mas dar ao outro o direito de gentileza e valor por um gesto, atitude ou trabalho.
Bom dia e obrigado. Que possam ser um oxigênio. Não tem o hábito? Dê o primeiro passo. Diga para você mesmo, pois este é o maior sentido para despertar para o outro.
Diga a você mesmo o quanto acredita em si e é capaz de buscar seus sonhos e metas; o quanto é grato por sua vida, carreira, família.
Que estas palavras não sejam apenas etiquetas profissionais mas façam parte de seu cotidiano para que ao despertar de um novo dia você tenha bons momentos e possa ser grato pelas conquistas feitas por você e pelos outros.
Pense nisso.
Te desejo um bom dia e obrigada.
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É aquela coisa que você já sabe que tem que fazer e não faz. É uma decisão que não toma, um trabalho que não termina, um projeto que não entrega, uma conversa que não rola nunca por que você não toma a iniciativa.
Aí você procura por ajuda, porque sabe que tem alguma coisa errada com isso. Sabe que não é o seu normal, mesmo que nem consiga ver isso com clareza. Você provavelmente dá um Google, pega um livro, conversa com alguém ou mesmo tira um tarô para ver o que dizem e invariavelmente você recebe o mesmo veredicto: “pare de procrastinar para ter sucesso, para conseguir o que você quer. Assuma as rédeas da sua vida, você tem condições, basta querer.”
E aí é que podemos perder uma chance de ouro, a de nos conhecermos melhor e efetivamente dar o salto [quântico] rumo a nós mesmos. Explico: quando vejo, na prática do Coaching, que as pessoas estão procrastinando, eu não falo para elas “superarem” esse problema. Ao contrário, eu sugiro que a gente acolha, pare e olhe para isso que está acontecendo. Vamos entender o que essa lentidão momentânea e consciente tem a dizer, que notícias ela traz desse momento da vida daquela pessoa.
Geralmente a procrastinação é um sintoma. É a ponta do iceberg. Ele traz muitas coisas consigo, que vão além da superfície. O que eu mais vejo na minha prática profissional tem a ver com medo, autossabotagem, insegurança, baixa autoestima, angústia, bloqueio criativo, falta de sentido ou de tesão, incapacidade de assumir o que se quer, entre outras coisas. Cada um desses tópicos merece um texto, ou melhor, um livro em si, então não vamos nos aprofundar agora, certo?
O que eu quero é sugerir que você pare e reflita a respeito do que faz você procrastinar. E busque entender o que esse sintoma está querendo te dizer. Essa é uma maneira muito potente de ir mais fundo e se ouvir, buscar sua verdade e aceitá-la. Acolher o seu momento é a melhor forma de sair dele, como já falei no texto sobre o limbo.
Proponho uma atividade para lhe ajudar nessa reflexão.
Separe um tempo para você, de preferência sozinho e sem interrupções, de aproximadamente 30 a 50 minutos. Procure estar num lugar confortável e, se possível, feche os olhos, respirando profundamente umas 3 vezes ou até conseguir deixar os pensamentos mais quietos, as preocupações de lado…
Então, com o auxílio de papel e caneta ou outro meio que você escolher, comece a atividade:
1º passo: Responda em quais situações específicas da minha vida estou procrastinando agora?
Escreva de maneira sucinta e precisa, como por exemplo: não terminei o projeto X. Não comecei a fazer ginástica. Estou usando muito tempo para fazer tarefa Y. Não estou conseguindo terminar tal coisa. Estou adiando a conversa com fulano.
2º passo: Depois olhe para essas situações que você escreveu e as leia com compaixão. Procure simplesmente aceitá-las, contemplá-las, sem julgá-las. Sei que é difícil não julgar, mas ao menos tente.
Ao observar essas situações, procure apenas abrir espaço para que elas mesmas te digam coisas.
3º passo: Se for o caso, pergunte-se: o que essa situação quer me dizer? O que há aqui, além da superfície? O que eu estou deixando de fazer de verdade? O que está por trás dessa procrastinação que eu não estou querendo ou podendo ver?
4º passo: Veja quais fichas caem, se caem, o que surge. Aceite o que veio, agradeça e só. Guarde tudo e retome sua vida. Se for dormir, boa noite. Se for voltar ao trabalho, bom trabalho. NÃO mexa mais no exercício.
5º passo: Após alguns dias (de 3 a 5 dias), volte ao que você anotou. Novamente observe as situações de procrastinação. Veja se algumas delas você já pode mexer e realizar. Anote as ações que têm que ser feitas.
6º passo: Faça.
Como sempre, quero saber o que surgiu para você, ao ler esse texto. Caíram fichas? Nada rolou? Tá valendo. Compartilhe aqui.
E você já sabe. Qualquer coisa, estou por aqui.
Com amor e com alma,
Karinna
PS: Se você acha que este artigo pode beneficiar alguém, por favor, encaminhe agora para essa pessoa.
PS2: Eu, claro, adoraria que você espalhasse meu artigo por aí, nas suas redes. Assim mais gente curte e compartilha com quem precisa.
Obrigada!
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Eu tenho a mais absoluta certeza de que a grande parte dos leitores já ouviu falar sobre a Inteligência Emocional. Aliás, provavelmente, haverá até especialistas e professores na disciplina cuja fundamentação teórica nos remete a Charles Darwin. O que a maioria também sabe está no fato de que a popularização do assunto surgiu quando, há vinte anos, Daniel Goleman publicou um best-seller a respeito. Mas será que a inteligência emocional se confunde com a Inteligência Espiritual? E você, o que pensa a respeito?
Para começo de conversa, deve-se lembrar que o conceito de “inteligência” é algo sobre o que não há unanimidade. A depender da corrente de estudos, esse conceito (que na linguagem dos estudiosos chama-se constructo) terá diferentes interpretações e o pesquisador deve indicar qual a ênfase e abordagem mais adequada ao seu objetivo de momento. Neste nosso caso, vamos nos vincular ao conceito etimológico de que a “inteligência” é a capacidade de identificar as opções, processá-las e decidir por aquela mais conveniente em um dado problema ou situação. Agora, vou tirar o foco da mera conceituação de “inteligência” para tratar do tema ampliado: Inteligência Espiritual.
O estudo da importância da espiritualidade tem crescido bastante, a ponto de haver profissionais da área de saúde que indicam haver alta relação entre a prática espiritual com a saúde mental das pessoas. E aqui surge a necessidade de se fazer outra distinção, pois espiritualidade não é o mesmo que religiosidade. Esta última diz respeito à prática da relação da pessoa com Deus, em que há um sistema de rituais ou simbolismos presentes. A espiritualidade, porém, volta-se à dimensão pessoal que diz respeito à própria existência, uma relação com a consciência sem que haja necessariamente rituais ou símbolos. Ou seja, a espiritualidade diz respeito a atitudes, sentimentos e pensamentos superiores que levam ao crescimento (amadurecimento) do ser humano. A prática da religião pode apoiar a espiritualidade, mas esta vai além.
Voltando ao tema central, vamos nos basear nos estudos e propostas da física e filósofa americana Danah Zohar, ligada a importantes centros de pensamento, nos EUA e Europa. Tendo como linha de pesquisa a física quântica, sobre Inteligência Espiritual ela relata ser algo essencial para promover a cooperação entre as pessoas, tanto na família como em sociedade. Indo além, ela entende que é a Inteligência Espiritual que ajudará as pessoas a alcançarem soluções positivas para o planeta, além de criar um melhor encontro individual nessa caminhada, ao descobrir melhor a si mesmo e aos seus valores. O alto quociente espiritual faz a pessoa ter a vida mais criativa, promissora e com sentido, com identificação do propósito pessoal.
Em seu livro Inteligência Espiritual (Editora: Viva Livros; 2012), escrito com Ian Marshall, Danah comenta que a inteligência emocional faz a pessoa ter capacidade de julgar em que situação se encontra e como deve se comportar, adequadamente, nos limites dessa situação. A Inteligência Espiritual estimula a pessoa a se perguntar se ela deseja estar nessa situação em particular e como é a melhor forma de trabalhar com os limites da situação. Em seu livro ela comenta de dez atributos típicos que mostram quando a pessoa tem um elevado quociente de Inteligência Espiritual.
As características comuns de quem tem alta Inteligência Espiritual são assim resumidas: (1) Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo; (2) São idealistas e levadas por valores pessoais; (3) Têm capacidade de encarar e se apropriar positivamente da adversidade; (4) São holísticas, no sentido de que conseguem ter visão abrangente sobre cada situação (analisam as partes e entendem o todo); (5) Respeitam a diversidade (em todas as nuances de diferenças entre pessoas, sem preconceitos); (6) Preservam sua independência e arbítrio; (7) Perguntam sempre “por quê?”, como forma de se questionarem quanto aos próprios dogmas e crenças limitantes; (8) Têm capacidade de colocar as situações e os fatos em um contexto ampliado; (9) São espontâneas e verdadeiras, e; (10) Têm compaixão, conseguindo se colocar no lugar das pessoas que estão com dores ou problemas, viabilizando ajudá-las.
E então, como está o seu grau de Inteligência Espiritual? Agora, fica o convite à sua reflexão e … Boa sorte!
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