E a Criança Que Ainda Vive em Você?
Resgate Sua Criatividade e Seus Sonhos
Outubro é o mês da criança e eu começo perguntando: onde está a criança que você foi? Aquela que pegava o pente ou a régua e os transformava em microfone. Que empinava pipa e corria livremente. Que separava as balas de goma por cores e sempre deixava as vermelhas por último.
Depois de tantos dias chuvosos, hoje o céu estava muito azul e as nuvens se formavam em várias figuras. Cheguei a ver um cachorro de barriga para cima, deitado no telhado da sua casa, um ícone! Curiosamente, a primeira tirinha com esse personagem surgiu justamente em outubro de 1950 e foi criada por Charles Monroe Schulz, cartunista americano conhecido por crianças e adultos até hoje.
E sabe o que é interessante? Esse cachorro foi pensado apenas como animal de estimação do seu “dono”. Mas, aos poucos, passou de cão silencioso a personagem cheio de fantasia, humor e atitudes humanas. No início, parecia mais realista e, com o tempo, passou a andar em duas patas, expressar pensamentos e se imaginar em papéis diferentes. Ele podia ser aviador, escritor, soldado, explorador ou até um grande herói. Conseguiu identificar? É o Snoopy.
Se você identificou, a sua criatividade não está off-line; ela apenas repousa certamente em algum canto dentro de você.
Em algum momento, alguém pediu para que você se tornasse adulto e deixasse de lado essas “bobagens de sonhar ou até fantasiar”. Mas imaginar e colocar em prática vai muito além da infância. Esse impulso abre janelas e portas para novos insights. Talvez aquilo que parecia apenas brincadeira do “seu mini eu” seja, na verdade, sonhos ainda não realizados.
Então, se este artigo despertou alguma vontade ou ideia, ou mesmo se não despertou, deixo uma sugestão: vá até a primeira padaria e compre um sonho. E, de quebra, celebre a criança que continua existindo dentro de você.
Sempre que compro um sonho, tiro uma foto, posto nas minhas redes sociais e coloco na legenda: “Cada um com seu sonho, este é o meu!”
Permita-se!
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Quer saber mais sobre como reencontrar a criança que ainda vive em você pode despertar sua criatividade, resgatar antigos sonhos e assim abrir espaço para novas possibilidades? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Simone Mitsue
https://www.linkedin.com/in/simone-mitsue
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O Reencontro com a Nossa Criança Também Pode Ser um Caminho para a Prosperidade
Outubro é o mês em que celebramos o Dia das Crianças. E, quando essa data chega, normalmente pensamos nos nossos filhos, sobrinhos, netos ou nas crianças que fazem parte da nossa vida.
Mas quero propor uma reflexão diferente:
Há quanto tempo você não se encontra com a criança que você foi?
Hoje somos adultos. Trabalhamos, pagamos contas, construímos carreiras, cuidamos de famílias, administramos empresas e tomamos decisões importantes todos os dias. Mas, antes de tudo isso, fomos crianças cheias de sonhos, medos, expectativas e desejos.
Alguns tiveram uma infância marcada pela escassez financeira. Outros talvez tenham convivido com a falta de apoio, proteção, segurança ou reconhecimento. Há também aqueles que precisaram amadurecer cedo demais e aprenderam, ainda pequenos, a assumir responsabilidades que, de fato, não deveriam ser suas.
E mesmo quando crescemos, algumas dessas experiências continuam influenciando silenciosamente a nossa relação com o dinheiro, com o sucesso e até com aquilo que acreditamos merecer.
Como planejadora financeira, aprendi que prosperidade não começa somente nos investimentos. Ela também começa na maneira como nos relacionamos com a nossa própria história.
Uma pessoa que cresceu ouvindo que “dinheiro é difícil” pode continuar acreditando que precisa sofrer para conquistá-lo. Quem viveu momentos de escassez pode acumular excessivamente por medo de perder. Quem não se sentiu reconhecido talvez passe a vida buscando no patrimônio, no consumo ou no sucesso profissional uma validação que nunca recebeu.
Por isso, revisitar nossa infância não significa permanecer presos ao passado. Significa compreender de onde vieram alguns dos nossos comportamentos para que, hoje, possamos escolher diferente.
É quase como dizer para aquela criança:
“Eu sei o que você viveu. Mas agora eu cresci. Hoje eu posso cuidar de nós.”
Ao mesmo tempo, não devemos reencontrar nossa criança apenas para olhar suas dores. Precisamos reencontrá-la também para que possamos recuperar aquilo que talvez tenhamos deixado pelo caminho: os sonhos, a criatividade, a coragem de imaginar, a curiosidade e o entusiasmo diante da vida.
A maturidade pode nos oferecer consciência. A nossa criança pode nos devolver propósito.
E talvez a verdadeira prosperidade esteja justamente no encontro dessas duas versões.
5 CAMINHOS PARA CONECTAR SUA CRIANÇA À SUA PROSPERIDADE
1. Lembre-se do que você sonhava antes de aprender a ter medo
Quando criança, o que você imaginava para sua vida? Onde queria morar? O que queria conhecer? Quem queria se tornar?
Nem todos esses sonhos precisam ser realizados literalmente, mas eles podem revelar valores importantes sobre quem você é. Talvez aquele desejo de conhecer o mundo represente liberdade. Talvez o sonho de ter uma casa represente segurança. E talvez querer determinada profissão representasse o desejo de cuidar, criar ou transformar.
Pergunte-se: “o que aquele sonho dizia sobre mim e como posso trazê-lo para a minha vida financeira hoje?”
2. Identifique quais crenças sobre dinheiro nasceram na sua infância
Quais frases você escutava em casa?
- “Dinheiro não nasce em árvore.”
- “Isso não é para gente como nós.”
- “Quem tem dinheiro teve sorte.”
- “É melhor guardar porque amanhã pode faltar.”
Algumas dessas mensagens podem ter sido importantes naquele contexto, mas não precisam determinar suas escolhas para sempre.
O adulto pode olhar para essas crenças e decidir quais ainda fazem sentido e quais precisam ser, de fato, substituídas por uma relação mais consciente e saudável com o dinheiro.
3. Transforme segurança financeira em uma forma de cuidado
Planejamento financeiro não deveria ser sinônimo de privação.
Construir uma reserva, proteger a família, investir, organizar a aposentadoria e estruturar o patrimônio também são maneiras de oferecer segurança para nós mesmos.
Talvez você não tenha recebido toda a proteção que gostaria quando criança. Hoje, porém, pode construir parte dessa segurança por meio das suas próprias decisões.
Planejar também é cuidar.
4. Inclua sonhos no seu planejamento financeiro
Muitas pessoas organizam suas finanças apenas em torno das obrigações: contas, impostos, aposentadoria, patrimônio.
Mas onde estão os sonhos?
Uma viagem. Um projeto pessoal. Um curso. Um novo negócio. Mais tempo com a família. A liberdade de diminuir o ritmo de trabalho no futuro.
Um bom planejamento financeiro precisa ter espaço não apenas para aquilo que precisamos pagar, mas também para aquilo que queremos viver.
Dinheiro sem propósito vira apenas número. Dinheiro conectado aos nossos valores se transforma em instrumento de realização.
5. Pergunte por quem — e para quê — você quer prosperar
Essa talvez seja a pergunta mais importante.
Por quem você quer construir patrimônio? Por seus filhos? Pela sua família? Pela liberdade de escolher? Para transformar a história financeira das próximas gerações? Ou talvez também por aquela criança que um dia sonhou com uma vida diferente?
Quando entendemos o nosso “porquê”, nossas metas financeiras então deixam de ser apenas números.
R$ 1 milhão deixa de ser apenas R$ 1 milhão. Pode significar liberdade.
Uma reserva financeira pode significar tranquilidade. Uma aposentadoria planejada pode significar tempo. Um patrimônio organizado pode significar proteção para quem amamos. E prosperidade passa a ter um significado muito maior do que simplesmente acumular.
Neste mês das crianças, meu convite é para que você procure uma fotografia sua da infância.
Olhe para ela por alguns minutos, observe seus olhos, sua expressão e tente lembrar quais eram seus sonhos naquele momento e então pergunte:
“Se essa criança pudesse olhar para a pessoa que me tornei, do que ela sentiria orgulho?”
E faça mais uma pergunta:
“O que eu ainda posso construir por ela?”
Talvez você descubra que prosperar não significa abandonar quem fomos para nos tornarmos alguém melhor. Talvez seja exatamente o contrário.
Prosperar pode ser levar pela mão a criança que fomos, acolher sua história e, além disso, permitir que a maturidade que conquistamos transforme seus antigos sonhos em escolhas conscientes para o futuro.
Porque cuidar do nosso dinheiro também é cuidar da nossa história.
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Quer saber mais sobre como as experiências da infância podem influenciar sua relação com o dinheiro e, além disso, como transformar esse conhecimento em escolhas mais conscientes para construir prosperidade? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Com carinho,
Carol Guimarães
Planejadora Financeira
https://www.instagram.com/carol_investimentos/
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A Responsabilidade Moral do Voto
“O voto é como um rifle: sua utilidade depende do caráter de quem o utiliza.” (Theodore Roosevelt)
Durante décadas, repetimos que o Brasil é o país do futuro. A frase tornou-se um símbolo de esperança, mas também revelou um hábito que precisamos superá-lo: esperar que o futuro aconteça por si mesmo. Nenhuma nação prospera porque o tempo passou. O futuro sempre foi resultado de escolhas, trabalho, continuidade e responsabilidade.
Poucos países receberam tanto quanto o Brasil. Um território continental, abundância de água, solo fértil, biodiversidade, riqueza mineral, capacidade de produzir energia, diversidade cultural e um povo reconhecido pela criatividade, resiliência e espírito empreendedor. São vantagens que despertam admiração no mundo inteiro. Entretanto, potencial não produz prosperidade. Recursos naturais não substituem instituições sólidas, educação, planejamento e compromisso com o interesse nacional.
Aqui reside uma distinção que merece ser lembrada em toda eleição. Governos são transitórios. O Estado permanece. A nação é construída ao longo de gerações. Por isso, o maior desafio brasileiro não é apenas escolher bons governantes. É fortalecer um projeto de país capaz de sobreviver às alternâncias de poder, preservando prioridades estratégicas que não mudem a cada ciclo eleitoral.
Talvez tenhamos permanecido por tanto tempo como o país do futuro porque aprendemos a tratar o futuro como promessa, e não como tarefa. O futuro não acontece sozinho. Ele começa nas decisões que tomamos hoje.
É justamente por isso que o voto possui uma dimensão muito maior do que lhe atribuímos. Não se trata apenas de escolher pessoas ou partidos.
Cada eleição responde, silenciosamente, a uma pergunta decisiva: Que país queremos construir?
O voto define se desejamos um Estado orientado pelo interesse público ou capturado por interesses particulares. Define o valor que atribuímos às instituições, à integridade na vida pública, à segurança do cidadão, ao combate efetivo à corrupção e ao crime organizado, à igualdade perante a lei, à educação, à produtividade, à inovação e à capacidade de transformar nossas riquezas em desenvolvimento para toda a sociedade.
Votar com responsabilidade não significa procurar um salvador nem acreditar em soluções simples para problemas complexos. Significa avaliar se quem pretende governar compreende os desafios do país, demonstra integridade e honestidade, respeita as instituições, é capaz de reunir equipes competentes, possui visão de longo prazo e apresenta um projeto consistente para o Brasil, acima das disputas do momento.
Mas a responsabilidade do cidadão não termina quando desliga-se uma urna. Pelo contrário. O voto inaugura uma nova etapa. Democracia também significa acompanhar, fiscalizar, participar, cobrar resultados e defender instituições que sirvam à sociedade com independência, equilíbrio e compromisso com a lei.
Nenhum governo, por melhor que seja, transformará sozinho uma nação. Países fortes são construídos por cidadãos conscientes de que liberdade, responsabilidade e participação caminham juntas. O Brasil não começará quando surgir um governante perfeito nem quando desaparecerem todas as divergências. Começará quando compreendermos que seu futuro não pertence a um candidato, a um partido ou a um governo. Pertence a uma nação que decide assumir, ela própria, a responsabilidade de construí-lo.
A urna não escolhe apenas governantes. Ela escolhe a direção do futuro. E esse futuro começa muito antes da posse: começa na responsabilidade de cada eleitor.
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Quer saber mais sobre como a responsabilidade moral do voto pode contribuir para a construção de um Brasil mais justo, íntegro e preparado para o futuro? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Sandra Moraes
https://www.linkedin.com/in/sandra-balbino-moraes
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O Resultado Chegou. A Competência Também?
O que muda na avaliação de desempenho quando a entrega chega impecável, mas o raciocínio nem sempre a acompanha.
Durante décadas, as organizações trataram o resultado como uma das evidências mais importantes de desempenho. Metas mais claras, indicadores mais consistentes, critérios de qualidade bem definidos e maior conexão com os objetivos estratégicos ajudaram a reduzir parte da subjetividade que historicamente acompanhou a avaliação de pessoas. Modelos como SMART, OKRs e outros sistemas de acompanhamento trouxeram disciplina ao processo e permitiram discutir desempenho com base em evidências mais concretas. Esse avanço continua sendo relevante.
O problema começa quando transformamos uma evidência importante em evidência suficiente.
A inteligência artificial torna essa questão mais visível porque muda a forma como determinadas entregas podem ser construídas. Um profissional pode produzir uma análise complexa, estruturar cenários, organizar informações, comparar alternativas ou elaborar uma recomendação utilizando recursos de IA que ampliam significativamente sua velocidade e sua capacidade de processamento. Outro pode chegar a um resultado semelhante por caminhos diferentes, com participação mais direta na formulação de hipóteses, no exame das alternativas e na construção do raciocínio. Se ambos atingiram a meta, entregaram no prazo e atenderam aos padrões de qualidade, como avaliar? A resposta não está simplesmente em identificar quem usou ou deixou de usar IA. A questão mais importante é compreender o que, de fato, a organização acredita estar avaliando quando olha para o resultado.
Se o propósito for verificar exclusivamente se determinado resultado foi alcançado, o dilema é menor. Um profissional que utiliza bem os recursos disponíveis para entregar com mais eficiência pode estar demonstrando exatamente uma competência desejável. Não faria sentido premiar o trabalho mais lento apenas porque exigiu mais etapas ou maior participação manual. A capacidade de utilizar ferramentas para ampliar produtividade sempre fez parte da evolução do trabalho. A IA intensifica esse movimento, mas não inaugura esse princípio.
O ponto crítico vem depois, quando o mesmo sistema de avaliação utilizado para medir resultados passa também a alimentar decisões sobre promoção, sucessão, movimentação interna, identificação de talentos ou atribuição de responsabilidades mais complexas. Nesse momento, a pergunta muda. Já não basta saber se o resultado foi entregue.
É preciso compreender o que aquela entrega demonstra sobre a capacidade de quem a produziu e o que pode ser, de fato, projetado para o futuro.
É justo reconhecer que organizações maduras já fazem essa distinção. Avaliação de desempenho, calibração de talentos, Nine Box e discussões sucessórias existem justamente porque resultado e potencial nunca foram a mesma coisa. A novidade não está nessa distinção. O que muda é que a IA pode ampliar a distância entre uma entrega excelente e a competência subjacente que ela parece comprovar. E pode fazer isso sem deixar sinais evidentes, porque o produto final continua chegando bem estruturado, convincente e, muitas vezes, melhor do que antes. À medida que produzir se torna mais fácil em determinadas atividades, a sofisticação do produto final deixa de ser, por si só, uma boa evidência da capacidade de quem o produziu.
Esse dilema não nasceu com a tecnologia. Há muitos anos as organizações convivem com algo semelhante na avaliação da liderança. Um gestor pode entregar resultados expressivos, atingir metas agressivas, cumprir prazos e gerar impacto relevante para o negócio e, ao mesmo tempo, deixar pelo caminho uma equipe exausta, relações deterioradas, baixa confiança, pouca formação de sucessores e um ambiente que funciona enquanto ele está presente, mas cobra a conta depois. Há culturas em que esse custo pesa fortemente na avaliação. Em outras, o resultado final ocupa posição tão central que o modo como ele foi alcançado recebe atenção secundária. Essas escolhas expressam valores, prioridades e uma determinada visão sobre o que significa desempenho. A questão não é definir qual visão está correta, mas reconhecer que culturas diferentes produzem decisões diferentes sobre quem é considerado um profissional de alta performance.
A IA torna esse dilema antigo mais difícil de interpretar.
No caso da liderança, o “como” revela os efeitos que determinada forma de gestão produz sobre pessoas e cultura. No trabalho apoiado por IA, o “como” pode revelar outra dimensão: quanto de julgamento, domínio técnico, discernimento, capacidade analítica e responsabilidade esteve presente naquela entrega. Isso não significa transformar a avaliação em uma investigação sobre quanto do trabalho o próprio profissional realizou “sozinho”, como se o uso de tecnologia reduzisse automaticamente o mérito. Essa seria uma simplificação perigosa. O desafio não está em descobrir quanto da entrega a IA produziu, mas em compreender o que aquela entrega realmente comprova sobre quem a produziu.
Imagine dois profissionais que entregam uma recomendação estratégica de qualidade semelhante. Ambos apresentam dados bem-organizados, hipóteses coerentes e conclusões consistentes. Um deles, quando questionado sobre uma premissa central, explica por que adotou determinado caminho, reconhece limitações, revê parte do raciocínio e sustenta a decisão diante de novas variáveis. O outro tem dificuldade para sair do material apresentado, não consegue explicar algumas escolhas com segurança e mostra forte dependência das respostas geradas ao longo do processo. Para efeito de entrega, os dois podem ter cumprido a meta. Para efeito de sucessão, não demonstraram necessariamente a mesma coisa.
Essa diferença ajuda a separar três dimensões que nem sempre caminham juntas: o que foi entregue, o que foi demonstrado e o que pode ser projetado para o futuro. Um bom sistema de gestão pode medir a primeira dimensão com bastante precisão e, ainda assim, oferecer evidências insuficientes sobre as outras duas. O uso competente da IA pode ampliar repertório, acelerar análises e liberar tempo para decisões de maior valor. A dependência excessiva, por outro lado, pode mascarar lacunas de compreensão ou julgamento, e essa diferença raramente aparece no produto final.
É nesse ponto que o papel do gestor se torna mais exigente.
Avaliar desempenho não deveria se resumir a conferir o placar. Será necessário testar a qualidade do raciocínio que sustenta a entrega: questionar uma premissa central, alterar uma variável, explorar uma alternativa descartada e observar até onde o profissional sustenta sua recomendação quando o roteiro deixa de ajudá-lo. Isso não significa voltar ao “olhômetro”. Julgamento estruturado, apoiado em perguntas e evidências, é diferente de impressão pessoal. Perguntar quais premissas foram consideradas, que alternativas foram avaliadas, onde havia incerteza e por que determinada decisão foi tomada é diferente de concluir simplesmente que alguém “parece pronto” ou “não passa segurança”.
Esse cuidado evita confundir domínio de ferramentas com prontidão para lidar com maior complexidade. E essa diferença importa porque decisões distintas exigem evidências distintas. Para reconhecer uma entrega ou pagar remuneração variável, o atingimento da meta pode continuar tendo peso predominante. Para decidir quem está pronto para uma posição mais complexa, outras evidências precisam entrar na conversa. A mesma meta atingida pode justificar um reconhecimento financeiro e, ao mesmo tempo, não oferecer base suficiente para sustentar uma decisão de promoção.
A cultura, nesse sentido, deixa de ser pano de fundo e passa a determinar o significado do próprio desempenho.
Toda organização escolhe, explícita ou implicitamente, o que recompensa, quais comportamentos tolera quando os números são bons, quanto valor atribui ao caminho em relação à chegada e quais evidências considera suficientes para reconhecer desempenho ou inferir potencial. A IA não cria essas escolhas. Ela apenas torna mais difícil mantê-las implícitas.
O desafio, portanto, não está em abandonar sistemas de metas, relativizar resultados ou criar vigilância sobre o uso da tecnologia. O resultado continua sendo fundamental. O que precisamos questionar é a expectativa de que ele, sozinho, responda a todas as perguntas sobre desempenho, competência e potencial. Em um ambiente no qual produzir se tornou mais fácil em muitas atividades, interpretar corretamente o que uma boa entrega realmente demonstra pode se tornar mais difícil.
A meta foi atingida. A pergunta seguinte se torna ainda mais importante: o que, exatamente, esse resultado nos permite concluir sobre quem o produziu?
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Até a próxima!
Wilson R. Lourenço
https://www.compassconsult.com.br
Confira também: Onde os Futuros Líderes Aprenderão a Liderar?
Palavras-chave: avaliação de desempenho, inteligência artificial, competência, resultado, potencial, avaliação de desempenho na era da ia, avaliação de desempenho e IA, resultado e potencial, decisões sobre promoção, qualidade do raciocínio, qualidade da entrega e competência
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Como Ser Líder em Tempos Difíceis: Pense como um Astronauta
Talvez estejamos treinando líderes para um mundo que já não existe.
A pergunta mais feita quando estou diante de líderes é: “Como ser líder em tempos difíceis?” E minha resposta tem sido sempre a mesma: pense como um astronauta.
Planejamento estratégico, metas, indicadores, processos, dados, inteligência artificial. Tudo isso é necessário. O problema é que o cenário muda enquanto você decide. Uma tecnologia aparece, um concorrente muda o jogo, uma pessoa-chave sai, o cliente muda de comportamento — e aquilo que parecia certo pela manhã, sem dúvida alguma, precisa ser revisto à tarde. E o líder continua tendo que liderar.
Por isso me faço uma pergunta: estamos treinando líderes para cumprir o plano ou para continuarem lúcidos quando o plano deixa de funcionar?
Sou fascinada por exploração espacial e essa curiosidade me levou a me tornar astronauta análoga. Missões análogas acontecem aqui na Terra e reproduzem condições e desafios da exploração espacial. A NASA utiliza esse tipo de missão para testar tecnologias, procedimentos e fatores humanos antes de missões reais. E uma coisa me chamou atenção: astronauta simula. Ele não simula porque sabe o que vai acontecer. Simula justamente porque não sabe. Treina comunicação, convivência, tomada de decisão e resposta a emergências. A NASA trabalha com as chamadas Expeditionary Skills — competências relacionadas à comunicação, autocuidado, trabalho em grupo e a capacidade de liderar e também de saber seguir.
A pergunta foi inevitável: por que treinamos astronautas para o inesperado e ainda treinamos tantos líderes apenas para o previsto?
Recentemente, a Starship da SpaceX realizou seu 14º voo com uma missão ambiciosa: dez horas de voo, seis voltas ao redor da Terra e 26 satélites para colocar em órbita. Durante a subida, um dos motores desligou antes do previsto. A missão foi reduzida para três horas, mas os 26 satélites foram colocados em órbita. Uma imagem plasticamente perfeita de um resultado plenamente imperfeito. E a pergunta que ficou: diante daquilo que não aconteceu como planejado, o que ainda é possível?
Não estou falando de viver tenso esperando uma tragédia. Estou falando de prontidão. Prontidão é estar presente o suficiente para perceber que algo mudou e preparado o suficiente para responder sem perder a capacidade de pensar. O líder de hoje precisa aprender a distinguir sinal de ruído, perceber mudanças, rever prioridades e certamente decidir mesmo quando ainda não dispõe de todas as respostas. Não é abandonar o planejamento, mas, sim, parar de acreditar que a realidade tem obrigação de respeitá-lo.
Há ainda outro conceito da exploração espacial que me fascina: o Overview Effect — a mudança de perspectiva relatada por astronautas ao observarem a Terra do espaço.
Vista de fora, ela aparece como um sistema interconectado. Para a liderança, isso representa a capacidade de alternar entre o detalhe e a visão do todo. Quem está mais próximo vê detalhes que quem está mais distante talvez não veja. Mas quem se afasta enxerga relações que quem está muito perto talvez ainda não consiga perceber. Liderar exige os dois movimentos. Às vezes, o problema de um líder não é falta de informação, mas o excesso de proximidade.
O astronauta não treina para eliminar o imprevisto. Treina para estar preparado quando ele aparecer. Talvez esteja na hora de fazermos algo parecido com quem tem a responsabilidade de liderar pessoas e organizações num mundo em transformação permanente.
Tripulante, qual é a sua missão na Terra?
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Quer saber mais sobre como ser líder em tempos difíceis bem como desenvolver a prontidão de um astronauta para enfrentar o inesperado? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até a próxima!
Leila Navarro
Palestrante internacional, escritora e estudiosa do comportamento humano e das transformações provocadas pela tecnologia na sociedade. Especialista em Inovação Humana e Desenvolvimento do Novo Humano nas Organizações. Autora de 17 livros traduzidos para diversos idiomas, astronauta análoga certificada e referência latino-americana em presença, comportamento e futuro do trabalho.
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A Nova Economia do Valor na Era da IA
Você já parou para pensar em como a tecnologia está, de fato, transformando silenciosamente a métrica do nosso trabalho?
Durante décadas, fomos educados dentro de um paradigma centrado no esforço. Medíamos o valor de uma consultoria, de uma análise jurídica ou de um projeto de marketing pelo número de horas dedicadas, pela espessura dos relatórios entregues ou pelo suor derramado em reuniões intermináveis.
Acontece que esse tabuleiro mudou de forma drástica. Quando um sistema de Inteligência Artificial consegue analisar milhares de contratos em minutos — tarefa que antes consumia semanas de equipes inteiras —, a variável “tempo” perde quase todo o seu sentido na equação de valor. Se o software entrega o rascunho de uma estratégia em dez segundos, cobrar por hora torna-se um contrassenso. Mas isso significa que o nosso trabalho perdeu o valor? Absolutamente não. Significa apenas que fomos forçados a migrar da “economia do esforço” para a “economia do resultado e da transparência”.
Para que você possa compreender este novo momento da gestão e do mercado, este artigo analisa as provocações trazidas pelo painel Transparent Marketing – Transparent Marketing – How to earn the trust of a skeptical consumer and machine (com Daniel Burstein, Flint McGlaughlin e Andy Crestodina) e pelo estudo The New Economics (and Philosophy) of Value in the AI Era (ambos produzidos pelo MECLABS Institute – www.meclabs.com). O objetivo desta postagem é conectar estes conceitos com a nossa prática diária de liderança e comunicação corporativa.
O Paradoxo do Chaveiro: O Que Realmente Molda a Percepção de Valor?
O relatório do MECLABS Institute ilustra essa transição com uma parábola provocativa citada originalmente por Michael Norton: a história do chaveiro iniciante. Quando começou na profissão, o chaveiro era inexperiente. Levava mais de uma hora para abrir uma porta emperrada, suava diante do cliente, usava as ferramentas erradas e demonstrava um esforço brutal. Ao final do serviço, cobrava US$ 200. Os clientes pagavam aliviados e gratos pela dedicação visualizada. Tempos depois, tendo atingido a maestria técnica, o mesmo chaveiro chegava com tranquilidade, sacava a ferramenta exata e abria a fechadura em poucos segundos. Ele pedia os mesmos US$ 200. A reação do cliente? Indignação. “Como assim? Isso levou só alguns segundos! Você não fez quase nada!”
Esse paradoxo revela uma falha estrutural na mente humana, pois confundimos com frequência a métrica de esforço com a entrega real de utilidade. Como destacou a professora Rita Gunther McGrath, em artigo para o The Wall Street Journal, a inteligência artificial elevou o piso da eficiência operacional. Se a IA padronizou a velocidade e a execução básica, o nosso papel como líderes, consultores e estrategistas é elevar o teto, que é a capacidade de gerar resultados concretos e construir diagnósticos confiáveis.
O Cliente Cético e a Máquina Exigente
Se a entrega operacional se tornou instantânea, onde reside a nova fronteira da diferenciação? A resposta está na transparência radical. No webinar Transparent Marketing, Daniel Burstein relembrou uma lição valiosa de quinze anos atrás. Marcus Sheridan, ao gerir uma empresa de piscinas nos Estados Unidos, conquistou o topo das buscas do Google quando decidiu fazer algo que a concorrência temia. Ele publicou abertamente os preços e passou então a responder diretamente às dúvidas mais desconfortáveis dos clientes. Anos depois, no universo SaaS (Software como Serviço), a história se repetiu, pois empresas que tornaram seus preços explícitos e também criaram seções transparentes de perguntas e respostas viram suas conversões dispararem.
A grande virada atual é que não estamos mais nos comunicando apenas com humanos céticos. Estamos alimentando modelos de linguagem (LLMs) e agentes de IA que agem como intermediários rigorosos dos nossos clientes. Como assinalou Andy Crestodina, cofundador da Orbit Media, não existe mais uma fronteira rígida entre “busca tradicional” e “busca por IA”. O usuário pergunta à IA: “Qual a melhor plataforma para minha equipe de 20 pessoas com preço acessível?”
Se a sua empresa esconde informações cruciais, omite preços ou publica apenas slogans vazios, tais como “somos líderes de mercado”, o algoritmo simplesmente descartará sua solução. Por quê? Porque a máquina busca declarações defensáveis. A IA precisa ter certeza de que você é uma recomendação segura para o cliente final. Como bem destacou Flint McGlaughlin, especialista em otimização e CEO do MECLABS: “Os humanos precisam de transparência, e as máquinas também.“
A Verdade Deve “Deslumbrar Gradualmente”
Para fundamentar essa nova postura, os debatedores do encontro resgataram um poema clássico de Emily Dickinson, escrito em 1868, cujo verso inicial profetiza a essência da comunicação moderna: “Tell all the truth but tell it slant — / Success in Circuit lies” (Diga toda a verdade, mas diga indiretamente / O sucesso reside no circuito).
Na leitura de Crestodina e McGlaughlin, o exagero publicitário e os chavões de autoexaltação perderam a eficácia. O papel do gestor e do comunicador não está em impor uma alegação (somos os melhores), mas sim estimular uma conclusão positiva no interlocutor. Quando você tenta impor uma afirmação sem provas, o cliente entra em postura defensiva. Mas quando você apresenta sinais claros, dados auditáveis, avaliações reais e depoimentos fundamentados, o cliente e a máquina chegam à conclusão por conta própria. E as pessoas defendem com fervor as conclusões que elas mesmas construíram.
Isso exige que a comunicação corporativa adote três pilares estruturais:
1. Clareza em vez de Persuasão:
Não venda, diga. A clareza supera a persuasão artificial. É preciso declarar categoricamente não apenas o que sua empresa faz de melhor, mas também o que ela não faz e para quem ela não serve. Dizer a quem você não atende elimina ruídos, economiza recursos operacionais e qualifica a entrada do seu funil de negócios.
2. Credibilidade Fundamentada:
Citar avaliações de terceiros, mostrar casos reais com métricas e posicionar a prova ao lado da alegação, tudo isso faz com que tanto o cliente humano quanto os modelos de IA validem a integridade da sua marca.
3. Redução da Ansiedade e da Ambiguidade:
O ser humano vivencia a ansiedade como uma dúvida emocional e irreal. A máquina vivencia a base de dados como uma condição de incompatibilidade (quando a promessa do site não bate com os registros do domínio público). Em ambos os casos, a falta de dados claros gera, de fato, desconfiança e paralisa a decisão.
Páginas Inteligentes e os 8 “sim” da Conversão
Diante dessa mudança de comportamento, o conceito tradicional de website estático está superado. Vivemos a transição para as páginas inteligentes — ambientes otimizados simultaneamente para o leitor humano e para a leitura analítica dos agentes virtuais. Flint McGlaughlin sintetizou a jornada de engajamento do cliente em um processo sequencial de oito aceitações mentais, o que ele chama de “micro-sinais” da conversão:
- Sim, vou prestar atenção (captura inicial pela promessa);
- Sim, vou engajar (aprofundamento na leitura);
- Sim, eu entendo (mensagem clara, sem jargões);
- Sim, eu me interesso (alinhamento com a dor do cliente);
- Sim, eu acredito (provas e credibilidade sólida);
- Sim, eu quero isso agora (senso de valor e urgência);
- Sim, só posso obter isso de você (diferencial exclusivo de proposta de valor);
- Sim, vou concluir a ação (troca efetiva de dados ou investimento).
Se houver uma ruptura em qualquer uma dessas etapas, seja por falta de transparência, ausência de dados de preço ou excesso de frases genéricas, a cadeia de confiança se rompe e, dessa forma, o cliente migra para a concorrência.
Conclusão: Atitude Prática na Gestão
A inteligência artificial não veio para substituir o pensamento humano, mas para varrer o amadorismo e a falta de integridade do mercado. Ela nos força a voltar ao essencial das práticas corporativas, que é de conhecer profundamente as dores do nosso cliente, entregar resultados reais e falar a verdade sem rodeios. Se você deseja posicionar sua marca ou sua carreira nessa nova economia de valor, então comece hoje mesmo uma auditoria sincera sobre sua comunicação:
- Você expõe com clareza a proposta de valor do seu serviço ou esconde detalhes essenciais atrás de formulários burocráticos?
- Suas promessas estão acompanhadas de provas concretas e auditáveis?
- Você tem a coragem de assumir o que sua solução não faz, a fim de conquistar a confiança irrestrita naquilo que ela entrega com excelência?
Ao trocar a ilusão do esforço medido em horas pela transparência focada em resultados, você irá construir uma reputação sólida, capaz de atravessar qualquer transformação tecnológica. Seja você um coach, mentor, conselheiro ou consultor, vale manter, sem dúvida, seu cliente alerta para essa nova realidade do mercado.
Eu sou Mario Divo e você pode me encontrar pelas mídias sociais ou pelo site www.mariodivo.com.br.
Até nossa próxima postagem! Acesse o meu canal do YouTube (@mariodivo.oficial) e conheça alguns dos textos aqui publicados em versão de vídeo.
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Quer saber mais sobre como a nova economia do valor na era da IA pode transformar seus resultados bem como fortalecer a confiança dos clientes? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br
Confira também: Conectando Saberes: O Pensamento Polímata na Gestão Moderna
Referências Bibliográficas e Fontes Consultadas BURSTEIN, Daniel; MCGLAUGHLIN, Flint; CRESTODINA, Andy. Transparent Marketing Part Two: How to Earn the Trust of a Skeptical Consumer Machine. AI Guild Session, MECLABS Institute, 2026. MECLABS INSTITUTE. The New Economics (and Philosophy) of Value in the AI Era. Customer-First Science Series, MECLABS Institute, 2026. MCGRATH, Rita Gunther. Say Goodbye to the Billable Hour, Thanks to AI. The Wall Street Journal, 2024. NORTON, Michael. Customer Centricity: How to use transparency to generate customer trust. Harvard Business School Working Knowledge, citado por MECLABS Institute, 2026.
Palavras-chave: economia do valor, nova economia do valor, era da IA, IA, inteligência artificial, transparência, proposta de valor, confiança do cliente, nova economia do valor na era da ia, como a inteligência artificial transforma o valor do trabalho, transparência e confiança na era da ia, percepção de valor na inteligência artificial, como gerar resultados e confiança com ia
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Promovido a Líder: Mas Será que Está Preparado para Liderar?
Você sabe resolver incidentes, conduzir projetos e lidar com ambientes complexos. Mas o que acontece quando o próximo desafio envolve pessoas que precisam da sua liderança?
Depois de anos construindo uma trajetória técnica, chega o reconhecimento: você foi promovido a líder. Agora, além das entregas, será responsável por uma equipe.
A conquista traz orgulho, expectativas e uma pergunta que nem sempre encontramos espaço para fazer: “Será que estou preparado?”
Em tecnologia, é comum que profissionais assumam posições de liderança pelo conhecimento técnico acumulado, pela capacidade de solucionar problemas e pela confiança que conquistaram. São qualidades valiosas. Entretanto, a nova função exige competências que talvez tenham sido pouco exercitadas até o momento.
Quem antes era procurado por ter respostas passa a precisar desenvolver pessoas capazes de encontrar respostas também. E essa mudança pode ser mais desafiadora do que parece.
Ao longo de mais de 20 anos em posições de liderança, aprendi que conhecer profundamente o trabalho não significa saber, automaticamente, como conduzir quem o realiza. Na minha primeira experiência como líder, uma das dificuldades foi delegar. Precisei aprender a reconhecer talentos e compreender que as pessoas poderiam chegar a bons resultados por caminhos diferentes dos meus.
Talvez você também se reconheça nessa situação: uma demanda chega, o prazo aperta e você pensa: “Se eu fizer, será mais rápido”. Revisa cada detalhe, participa de todas as decisões e continua sendo a principal referência para qualquer problema.
No início, isso pode transmitir segurança. Com o tempo, gera sobrecarga para você e dependência para a equipe.
Se tudo precisa passar pelas suas mãos, quanto espaço as pessoas têm para crescer?
Essa pergunta merece atenção, principalmente quando sua identidade profissional foi construída em torno de ser quem resolve. Delegar pode provocar receio de perder qualidade, controle ou até relevância.
Mas desenvolver os colaboradores também é uma entrega de liderança. Quando uma pessoa amplia sua autonomia, assume responsabilidades e passa a contribuir melhor, toda a equipe se fortalece.
Delegar exige clareza sobre o resultado esperado, os limites de decisão e os momentos de acompanhamento. Exige combinar o que precisa ser comunicado, oferecer apoio e ajustar o percurso.
Também pede disposição para aceitar uma solução diferente da sua. Como você reage quando alguém, por exemplo, propõe outro caminho? Você aceita ou começa imediatamente a explicar como faria? Essa reação diz muito sobre o espaço e confiança que sua equipe encontra para participar.
Outro desafio está na comunicação. Em ambientes de tecnologia, nos quais urgências e mudanças fazem parte da rotina, conversas podem ser “esquecidas”. Mas o silêncio também tem consequências. Uma dúvida não esclarecida pode virar retrabalho. Um conflito ignorado pode comprometer a colaboração. Um feedback que nunca acontece pode manter alguém sem saber o que precisa desenvolver. Liderar pessoas exige conversar, inclusive quando a conversa é desconfortável.
Podemos cobrar resultados com respeito, reconhecer contribuições e tratar dificuldades como uma oportunidade de aprendizado e crescimento. Empatia e responsabilidade precisam caminhar juntas.
Contudo, há ainda uma situação delicada: assumir a liderança de quem, até pouco tempo, era seu colega.
- Como evitar que afinidades pessoais influenciem a distribuição de oportunidades?
- Como preservar a proximidade e agir com meritocracia?
- Como dar um feedback difícil?
O cargo formaliza uma responsabilidade. Mas a confiança na sua liderança será, de fato, construída no dia a dia, pela coerência entre o que você diz, faz e decide.
Por isso, mesmo um profissional sênior pode precisar de apoio ao começar a liderar. Experiência técnica e experiência em gestão de pessoas não avançam necessariamente no mesmo ritmo.
A mentoria neste momento pode ser de grande ajuda. Pode oferecer um espaço para examinar situações reais, perceber padrões e, além disso, preparar novas formas de agir. Uma dificuldade de delegação, um conflito recorrente ou uma conversa adiada podem certamente revelar questões que merecem atenção.
Como mentora de profissionais e líderes de TI, considero essencial conectar essas reflexões à prática:
- Qual comportamento precisa de ajustes?
- Que responsabilidade pode ser compartilhada?
- Como delegar sem perder o acompanhamento pelos resultados?
- Como serão os feedbacks com a equipe? E com aquele que era seu melhor amigo e agora é seu colaborador?
- Como solucionar um conflito interno?
O conhecimento técnico continua sendo uma força. A liderança amplia a forma de colocá-lo a serviço dos resultados, ajudando outras pessoas a crescer, colaborar e contribuir.
Se você acabou de assumir uma equipe, ou já lidera há algum tempo, então deixo uma pergunta:
O que precisa desenvolver em si para que possa oferecer à sua equipe a liderança de que ela precisa?
E quero conhecer sua experiência: qual foi, ou está sendo, seu maior desafio na passagem da atuação técnica para a gestão de pessoas? Compartilhe comigo. Sua experiência pode ajudar outro profissional a reconhecer um desafio que ainda não conseguiu colocar em palavras.
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Quer saber mais sobre como conduzir a transição para a liderança, desenvolver sua equipe e deixar de centralizar decisões sem abrir mão dos resultados? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Jacqueline Sotanyi
Mentora de profissionais seniores e líderes de TI | Conselheira Consultiva de Tecnologia, Inovação e IA
https://www.linkedin.com/in/jacquelinesotanyi/
Confira também: Liderança Participativa: Líder, Sua Equipe Participa das Decisões ou Apenas Confirma o que Você Já Decidiu?
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A Importância da Profundidade dos Conteúdos na Era Digital
Como a Gestão da Mudança pode criar espaço para compreender, aprender e agir com mais consciência
Vivemos cercados de conteúdos. Uma notícia chega, um vídeo começa, uma mensagem interrompe, uma nova ferramenta promete facilitar nossa vida. Em poucos minutos, atravessamos assuntos que antes exigiriam uma conversa inteira. A possibilidade de acessar tanto conhecimento é valiosa. Mas ela nos convida a uma pergunta: quanto daquilo que passa por nós realmente se transforma em entendimento?
O acesso à informação pode acontecer em segundos. A construção de conhecimento exige atenção, contexto, reflexão e experiência. Quando tratamos esses dois processos como se fossem iguais, corremos o risco de acumular referências sem desenvolver critérios para escolher, decidir e agir.
Quando o contato parece suficiente
Um título pode despertar interesse, um vídeo curto pode apresentar uma ideia, um resumo pode ajudar a organizar um tema. Todos esses formatos têm lugar na aprendizagem, mas a questão é o que fazemos depois desse primeiro contato.
Ter visto um conteúdo sobre liderança não significa estar preparado para conduzir uma conversa difícil. Conhecer o nome de uma tecnologia não significa compreender seus efeitos sobre o trabalho. Receber uma comunicação sobre uma mudança não significa saber o que fazer diante dela.
Na minha atuação com educação e Gestão da Mudança, considero fundamental observar essa distância entre apresentar um assunto e criar condições para que ele seja compreendido. Muitas vezes, a organização acredita que comunicou porque enviou uma mensagem. Mas quem recebeu ainda precisa relacionar aquele conteúdo com sua realidade, suas dúvidas e suas responsabilidades.
Profundidade também cabe na simplicidade
Um conteúdo profundo não precisa ser longo ou difícil. Ele precisa ajudar o leitor a perceber o que está em jogo. Isso envolve explicar o contexto, tornar claros os conceitos, mostrar relações e, além disso, reconhecer os limites de uma conclusão.
Uma boa síntese preserva o essencial. Uma simplificação excessiva pode retirar justamente aquilo que permitiria compreender o assunto. Há diferença entre tornar uma ideia acessível e transformá-la em uma frase que parece resolver qualquer situação.
Por exemplo, dizer que as pessoas precisam se adaptar a uma nova ferramenta pode ser correto, mas ainda é insuficiente. O que muda na rotina? Quais decisões passam a ser diferentes? Que conhecimentos serão necessários? Quem oferecerá apoio? Essas perguntas dão profundidade ao conteúdo porque aproximam a informação da experiência de quem precisa utilizá-la.
O que as pesquisas e os autores nos ajudam a perceber
Maryanne Wolf, pesquisadora da leitura e autora de Reader, Come Home, chama atenção para os processos envolvidos na leitura profunda: analisar, fazer inferências, relacionar o texto ao que já sabemos e considerar outras perspectivas. Em ensaio publicado em 2023, ela ressalta que transformar informação em conhecimento exige tempo e atenção, condições que podem faltar quando apenas percorremos rapidamente uma tela. Sua reflexão nos convida a preservar a capacidade de permanecer com uma ideia antes de passar à próxima.
Essa discussão encontra apoio em pesquisas sobre compreensão. Em uma meta-análise publicada em 2018, Pablo Delgado e colegas reuniram 54 estudos que comparavam a leitura de textos em papel e em dispositivos digitais. Identificaram uma pequena vantagem média do papel na compreensão, mais pronunciada sob pressão de tempo e em textos informativos. O resultado não permite afirmar que toda leitura digital seja superficial: descreve uma tendência nas condições estudadas, com diferenças entre os trabalhos analisados.
Para quem produz conteúdos, a implicação que proponho é cuidar das condições de leitura: oferecer uma sequência clara, explicitar relações e permitir pausas para reflexão. Disponibilizar um material em uma plataforma facilita o acesso, mas o desenho desse material e o tempo reservado para estudá-lo também merecem atenção.
Cal Newport, autor de Deep Work, defende a proteção de períodos de concentração para tarefas exigentes. Em seu ensaio sobre a aparência de profundidade, mostra que dedicar horas a um trabalho enquanto consultamos mensagens repetidamente pode ser muito diferente de manter a atenção sobre ele. É uma contribuição para repensar a cultura de disponibilidade permanente: estar sempre acessível pode disputar espaço com o trabalho que exige elaboração.
Ao mesmo tempo, precisamos evitar conclusões generalizadas sobre o digital. Uma revisão de Joseph Firth e colaboradores, publicada em 2024 na World Psychiatry, destaca que os efeitos do uso da internet variam conforme as atividades, as características das pessoas e seus contextos. O ambiente digital comporta benefícios e dificuldades. A pergunta sobre profundidade precisa considerar como utilizamos os recursos, para qual finalidade e, além disso, o tempo que passamos conectados.
A pressa também aparece nas organizações
Nas empresas, a velocidade pode se traduzir em apresentações cheias de mensagens, treinamentos concentrados e reuniões que encerram assuntos antes de ouvir as dúvidas. O cronograma avança, mas nem sempre sabemos se as pessoas estão acompanhando com entendimento e segurança.
Imagine uma equipe que precisa adotar um novo sistema. Ela recebe um comunicado e participa de um treinamento sobre telas e comandos. Ainda assim, pode não compreender por que o processo mudou, como sua atividade afeta outras áreas ou o que fazer diante de uma exceção. Aprender a sequência de cliques é uma parte da preparação. Porém, compreender o trabalho que esses cliques representam é outra.
Quando falta esse contexto, as dificuldades podem aparecer mais tarde, em retrabalho, insegurança ou então em dependência constante de ajuda. Antes de atribuir o problema à resistência das pessoas, vale investigar se houve, de fato, uma oportunidade real de compreender e praticar.
Como a Gestão da Mudança pode apoiar
A Gestão da Mudança pode contribuir para um contexto mais planejado ao organizar a preparação das pessoas desde o início da transformação. Isso começa pela escuta: conhecer os públicos envolvidos, os impactos sobre suas atividades, o que já sabem e o que ainda precisam aprender.
Com essa compreensão, é possível construir uma sequência de conteúdos com propósito. Primeiro, oferecer contexto sobre a mudança e seu sentido. Depois, aprofundar os impactos para cada público. Em seguida, desenvolver as capacidades necessárias, com prática, troca e espaço para perguntas. E continuar apoiando a aplicação na rotina.
Esse planejamento também exige escolhas concretas: quem precisa de qual conteúdo, em que momento, por qual canal e com que apoio. Uma mensagem geral pode apresentar a direção da mudança. Uma conversa com a liderança pode esclarecer prioridades. Um encontro por área pode aprofundar consequências específicas. Um exercício prático pode revelar dúvidas que uma apresentação não mostrou.
Planejar, nesse caso, significa criar uma direção e ajustá-la à realidade. Se a escuta mostra que um conceito básico ainda não foi compreendido, talvez seja necessário retomá-lo antes de avançar. Se uma equipe está sobrecarregada, será preciso negociar tempo para aprender. A agenda de preparação precisa conversar com a agenda da operação.
Aprender exige participação e retomada
Uma revisão de John Dunlosky e colegas, publicada em 2013, avaliou dez técnicas de aprendizagem e atribuiu alta utilidade à prática de recuperação e à prática distribuída. Recuperar significa tentar lembrar o que foi estudado, em vez de apenas reler; distribuir significa retomar a aprendizagem ao longo do tempo. Essas estratégias apresentaram benefícios em diferentes condições analisadas.
Minha proposta para a Gestão da Mudança é traduzir essa contribuição em uma preparação que inclua perguntas, exercícios e retomadas. Depois de apresentar um novo processo, podemos pedir que as pessoas expliquem sua lógica com as próprias palavras, discutam um caso e recebam uma devolutiva. Em outro momento, podemos revisitar as dúvidas e observar a aplicação. Essa é uma adaptação para o contexto organizacional, que precisa ser avaliada na prática de cada projeto.
Um percurso possível começa com o letramento sobre o tema e seus impactos. Continua com conversas sobre responsabilidades e interfaces entre áreas, avança para o treinamento na ferramenta e inclui prática acompanhada. Após a implantação, encontros de sustentação permitem corrigir entendimentos e compartilhar soluções. Assim, o conteúdo curto pode abrir a conversa e apoiar consultas, enquanto outros espaços permitem aprofundar e experimentar.
A coordenação dessa jornada também importa. Definir responsáveis pelos conteúdos, alinhar conceitos entre instrutores, reservar tempo com os gestores e manter os materiais atualizados ajuda a construir coerência. Planejamento e escuta precisam caminhar juntos: o que as pessoas demonstram compreender deve orientar os próximos passos, e não apenas a data prevista no cronograma.
Uma jornada que vai além de informar
Na Agentes da Mudança, trabalhamos essa jornada em cinco movimentos: Contato, Entendimento, Crença, Implementação/Compromisso e Sustentação. Essa lógica ajuda a reconhecer que a aproximação inicial com um conteúdo é apenas uma etapa da transformação.
O contato abre uma porta. O entendimento permite relacionar a mudança à própria realidade. A crença envolve construir confiança e reconhecer sentido, com espaço para questionamentos. A implementação e o compromisso exigem condições para agir. A sustentação pede acompanhamento e aprendizado a partir da experiência.
É uma jornada que envolve pensar, sentir e querer. As pessoas precisam compreender, elaborar como a mudança as afeta e encontrar condições para participar. Nenhuma apresentação, por melhor que seja, realiza sozinha todo esse percurso.
A liderança precisa proteger o tempo de aprender
Cabe às lideranças criar espaço para conversas que não se encerrem na primeira resposta. Perguntar o que foi compreendido, acolher dúvidas e discutir situações reais são formas de aprofundar conteúdos e perceber onde ainda falta clareza.
Também é necessário olhar além dos indicadores de alcance. Quantas pessoas receberam a mensagem ou participaram do treinamento são informações úteis. Mas precisamos saber se conseguem explicar a mudança, aplicar o aprendizado e reconhecer quando devem pedir apoio.
A tecnologia pode ampliar o acesso, facilitar a consulta e apoiar a construção de materiais. Para que possamos aproveitar essas possibilidades, precisamos manter o cuidado com a qualidade do conteúdo, seu contexto e o julgamento de quem o utiliza.
Em uma realidade que nos convida continuamente a passar para o próximo assunto, aprofundar exige uma escolha: dedicar atenção ao que merece ser, de fato, compreendido. A Gestão da Mudança pode ajudar a transformar essa escolha em prática, conectando comunicação, aprendizagem, liderança e sustentação.
Antes de perguntar se conseguimos transmitir um conteúdo mais rápido, talvez valha perguntar: estamos criando condições para que ele faça sentido e se transforme em ação?
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Quer saber mais sobre como a profundidade dos conteúdos pode transformar informação em aprendizagem e ajudar sua organização a agir com mais consciência? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Kátia Soares
Fundadora e CEO da Agentes da Mudança — Rede, Educação e Cultura. Atua como mentora, coach, educadora e consultora em Gestão da Mudança, apoiando lideranças e organizações em seus processos de transformação.
https://www.agentesdamudanca.com.br
Confira também: Reforma Tributária: Uma Transformação que Vai Muito Além dos Impostos
Palavras-chave: profundidade dos conteúdos, gestão da mudança, aprendizagem, compreensão, conhecimento, profundidade dos conteúdos na era digital, transformar informação em conhecimento, gestão da mudança e aprendizagem organizacional, como criar conteúdos com profundidade, como transformar informação em ação
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“O problema não é o problema.
O problema é sua atitude com relação ao problema.”
(Kelly Young)
Hoje, a tristeza me visitou. Tocou a campainha, subiu as escadas, bateu à porta e entrou. Não ofereci resistência. Houve um tempo em que eu fazia o impossível para evitá-la adentrar os meus domínios. E quando isso acontecia, discutíamos demoradamente. Era uma experiência desgastante. Aprendi que o melhor a fazer é deixá-la seguir seu curso. Agora, sequer dialogamos. Ela entra, senta-se na sala de estar, sirvo-lhe uma bebida qualquer, apresento-lhe a televisão e a esqueço! Quando me dou por conta, o recinto está vazio. Ela partiu, sem arroubos e sem deixar rastros. Cumpriu sua missão sem afetar minha vida.
Hoje, a doença também me visitou. Mas esta tem outros métodos. E outros propósitos. Chegou sem pedir licença, invadindo o ambiente. Instalou-se em minha garganta e foi ter com minhas amígdalas. A prescrição é sempre a mesma: Amoxicilina e Paracetamol. Faço uso destes medicamentos e sinto-me absolutamente prostrado! Acho que é por isso que os chamam de antibióticos. Porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida…
Hoje, problemas do passado também me visitaram. Não vieram pelo telefone porque palavras pronunciadas ativam as emoções apenas no momento e, depois, perdem-se difusas, levadas pela brisa. Vieram pelo correio, impressos em papel e letras de baixa qualidade, anunciando sua perenidade, sua condição de fantasmas eternos até que sejam exorcizados.
Diante deste quadro, não há como deixar de sentir-se apequenado nestes momentos. O mundo ao redor parece conspirar contra o bem, a estabilidade e o equilíbrio que tanto se persegue. O desânimo comparece estampado em ombros arqueados e olhos sem brilho, que pedem para derramar lágrimas de alívio. Então, choro. E o faço porque Maurice Druon ensinou-me, através de seu inocente Tistu, que se você não chora, as lágrimas endurecem no peito e o coração fica duro.
Limão e limonada
As ciências humanas estão sempre tomando emprestado das exatas, termos e conceitos. A última novidade vem da física e atende pelo nome de resiliência. Significa resistência ao choque ou a propriedade pela qual a energia potencial armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo.
Em humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo isso através de um dito popular, é fazer de cada limão, ou seja, de cada contrariedade que a vida nos apresenta, uma limonada saborosa, refrescante e agradável.
Aprendi que pouco adianta brigar com problemas. É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E com rapidez, de maneira certa ou errada. Problemas são como bebês, só crescem se alimentados. Muitos se resolvem por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma inadequada, eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você os anula com correção. A felicidade, pontuou Michael Jansen, não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados.
Aprendi a combater as doenças. As do corpo e as da mente. Percebê-las, identificá-las, respeitá-las e aniquilá-las. Muitas decorrem menos do que nos falta e mais do mau uso que fazemos do que temos. E a velocidade é tudo neste combate. Agir rápido é a palavra de ordem. Melhor do que ser preventivo é ser preditivo.
Aprendi a aceitar a tristeza. Não o ano todo, mas apenas um dia, à luz dos ensinamentos de Victor Hugo. O poeta dizia que “tristeza não tem fim, felicidade, sim”. Porém, discordo. Penso que os dois são finitos. E cíclicos. O segredo é contemplar as pequenas alegrias em vez de aguardar a grande felicidade. Uma alegria destrói cem tristezas…
Modismo ou não, tornei-me resiliente. A palavra em si pode cair no ostracismo, mas terá servido para ilustrar minha atitude cultivada ao longo dos anos diante das dificuldades impostas ou autoimpostas que enfrentei pelo caminho, transformando desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculos em oportunidades, tristeza em alegria.
Nós apreciamos o calor porque já sentimos o frio. Admiramos a luz porque já estivemos no escuro. Contemplamos a saúde porque já fomos enfermos. Podemos, pois, experimentar a felicidade porque já conhecemos a tristeza.
Olhe para o céu, agora! Se é dia, o sol brilha e aquece. Se é noite, a lua ilumina e abraça. E assim será novamente amanhã. E assim é feita a vida.
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Nesta semana que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, gostaria de dizer para todas as Mulheres uma coisa muito importante:
Seu sucesso na vida pessoal e/ou profissional, sua felicidade, sua prosperidade e bem-estar na vida só depende de uma pessoa. Sabe quem é? Você mesma.
E falo mais. Seu sucesso será mais fácil e forte se você Mulher lembrar em ser você mesma. Ou seja, Ser a Mulher que você sempre foi e será.
Esta última afirmação já falei muitas vezes para minhas clientes de Coaching Holístico que buscam Sucesso em algum ponto da vida pessoal e profissional.
Para quem ainda não sabe o que é Coaching, vou explicar agora. Entre muitas definições as que mais eu gosto são:
- Orientar uma pessoa a fazer a travessia entre um ponto ao outro até alcançar sua meta pessoal e/ou profissional com sucesso;
- Coaching é uma assessoria e processo que geram motivação pessoal e profissional, e que tem como objetivo potencializar o nível de resultados positivos nas diversas áreas da vida de um cliente para alcançar uma meta ou objetivo com sucesso.
E o que é Coaching Holístico? Coaching Holístico – Processo para Seu Sucesso na Vida e Concretização das suas Metas. O cliente vai se conhecer melhor, olhar para si, sua vida e descobrir seu potencial adormecido. Vai melhorar sua autoestima e ter mais autoconfiança. Tem Dificuldade em vencer? Pelo Coaching Holístico iremos desbloquear o que atrapalha e mudar Padrões Mentais para Vencer.
Este é o ponto chave do inicio do Sucesso de qualquer pessoa: Padrões Mentais. Quem acredita que é um fracasso, que não vai vencer na vida ou que não merece ter sucesso nas metas ou sonhos, tenha certeza que nada vai mesmo ocorrer de bom na vida. O Sucesso vai passar bem longe destas pessoas.
Agora imagine uma mulher que desde pequena é “esmagada” pela família e sociedade a sufocar sua força, a matar sua arte e beleza, para não acreditar em si e nas suas qualidades e habilidades para realizar.
Já atendi moças que acreditam que não merecem um amor porque alguém falou que ela é feia ou amor só faz mal. Como vão amar se não têm uma boa energia sobre o amor? Como amar se sua autoestima foi chutada? Só vai amar se mudar, acreditar que pode e merece amar. E que ela é uma super mulher.
O mesmo ocorre com a realização de outras metas pessoais e profissionais. Se uma pessoa foi condicionada a sempre pensar que é inferior, incapaz ou que não merece ser feliz ou prosperar, com certeza vai sofrer para conseguir. Imagine uma mulher que no geral é mais sufocada.
Ainda bem que tem solução. É um pouco demorado, varia de pessoa para pessoa, mas tem que trabalhar, treinar e movimentar-se para mudar padrões e condicionamento mental e energético.
Mas, é possível e já vi milagres.
Qual é o primeiro passo? Acreditar em Você. Acreditar na pessoa poderosa que há dentro de você.
Acreditar na Mulher que há dentro de você.
Sucesso e Feliz Dia da Mulher!
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A Copa do Mundo acabou. A seleção alemã com sua organização, futebol bonito e muita técnica, merecidamente, levou o caneco. É tetracampeã.
E a nossa Seleção Canarinho? Que papelão! Desde o início da Copa, nos quatro cantos deste Brasil, todos falavam que era forte candidata a ser hexacampeã. E por que todos acreditavam nisto? Porque jogava em casa, tinha apoio da torcida brasileira, a mídia falava que era a melhor seleção, tinha uma comissão técnica com dois técnicos que venceram Copas Mundiais (Parreira em 1994 e Felipão em 2002) e o clima ajudava.
Mas o que vimos foi um total fiasco e uma humilhante goleada histórica por 7×1 para os alemães na semifinal da Copa.
Enfim, perdemos a Copa e ficamos em quarto lugar após perder para a Holanda na disputa pelo terceiro lugar. E agora? Como diz o poema de Carlos Drummond de Andrade:
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?(Carlos Drummond de Andrade)
E agora, Seleção Brasileira? Agora é hora de mudanças. E mudanças drásticas e profundas na filosofia e na organização.
A CBF terá que ter coragem de assumir sua culpa no fracasso e incompetência administrativa na condução da Seleção Canarinho na Copa. A CBF e o novo técnico terão que ter coragem de fazer mudanças drásticas na nova Seleção Brasileira daqui para frente. Podem e devem seguir o ótimo exemplo que viveu a seleção alemã no final dos anos 90. Após fiascos seguidos, a Confederação Alemã de Futebol chegou à conclusão de que era hora de mudar tudo. Mudanças drásticas foram implantadas. Bancaram com coragem um técnico permanente nos últimos 10 anos que, com um grupo de jogadores com uma nova cabeça, união e humildade, deram um Show na Copa do Brasil e levaram o Caneco.
Mudança requer determinação. Mudanças drásticas requerem também muita coragem, pois haverá muita resistência das pessoas que já estão na zona de conforto ou que não aceitam que está tudo errado na vida ou no jogo.
Quer ver um exemplo recente? A entrevista da Comissão Técnica da Seleção Canarinho após o vexame de 7×1. Para Felipão e Parreira, nada estava errado na preparação da Seleção Brasileira. O problema foi um apagão geral do time todo que o levou a tomar 4 gols em 6 minutos.
Pois é Felipão, não houve problema algum no seu trabalho. Foi só um apagão que custou um vexame histórico e 200 milhões de brasileiros frustrados.
Como dizem, “o pior cego é o que não quer ver”. Ou “errar é humano, persistir no erro é ser Felipão”, teimoso e arrogante. Não assume os erros e afunda a emoção de milhares de pessoas.
Mas a Copa acabou e a CBF já começou as mudanças. Adeus comissão técnica fracassada. Vida e esperanças novas.
Espero que agora façam mais. Que tenham a coragem de fazer mudanças drásticas em tudo ligado a futebol.
E você? Está com coragem de fazer mudanças drásticas na sua vida pessoal ou profissional?
Ou vai ficar chorando e dando desculpas para que sua vida seja um fracasso ou cheia de frustrações?
Chega de Síndrome de Felipão, né?
Seu lema hoje: “Mudanças já e com coragem para ser feliz”.
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Frequentemente as mudanças acontecem na vida da gente. Em algumas vezes, estamos preparados para elas, em outras elas representam uma grande surpresa. Por vezes, desejamos a mudança, vislumbrando uma nova oportunidade em nossa vida. Acontece também de não as desejarmos, pois estamos felizes com as coisas do jeito que estão. Mas as mudanças acontecem, quer queiramos ou não…
Quando buscamos algo melhor, costumo dizer que estamos criando a mudança, pois estamos não só indo atrás dela, como desejamos que coisas melhores ocorram. Nesta hora, dizemos que a mudança é positiva e bem-vinda.
Mas existe também aquela mudança que você não deseja. Tudo estava bem do jeito que estava, por que mudar agora? Nesta hora criamos resistências, não aceitamos a oportunidade que a vida nos dá para novos desafios. Reclamamos e amaldiçoamos pelo que nos acontece.
Pessoas proativas são as que criam as mudanças, vislumbram novas oportunidades, desejam sempre mais, porque sabem que estão em constante crescimento e aprendizado. Pessoas acomodadas se comportam como árvores, não saem dos seus lugares, esperam que tudo ocorra como desejam ou que tudo se mantenha exatamente como está.
Se você se identificou com o segundo tipo, aqui vai uma reflexão: você não é uma árvore… você não nasceu com raízes que lhe impossibilitam de mudar de lugar. Você também pode dizer que não nasceu com asas, que te possibilitariam voar, mas eu diria que você nasceu com algo melhor do que asas: inteligência e criatividade. Faça por merecer a inteligência que tem e saiba reconhecer quando é hora de mudar.
Nosso mundo é dinâmico, nada é estático. Já dizia Heráclito: “Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio”. Claro! O rio não é o mesmo… nós também não somos! Creio que hoje somos melhores que ontem, piores do que amanhã. E assim prossegue o rio da vida, propiciando mudanças para que tenhamos – todos os dias – novas oportunidades, novos olhares, novos aromas, novas experiências. Saia do lugar! Você não é uma árvore…
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Responda rápido a minha pergunta:
– De zero a 100% qual é o seu grau de comprometimento em ler este artigo até o final?
Estranha a pergunta? Para quem é Coach ou faz sessões de Coaching esta pergunta é corriqueira. Toda vez que atendo um cliente de Coaching Holístico e definimos uma meta ou tarefa, sempre fecho a sessão com esta pergunta:
– Qual é o seu grau de comprometimento em realizar esta tarefa ou meta?
Em geral o cliente responde 100%. Só que nem sempre isto ocorre. Nem sempre o cliente se compromete 100% em executar a tarefa ou meta.
Um dos maiores problemas de uma pessoa que faz Coaching é a falta de comprometimento. É mais fácil dar desculpas do que tentar cumprir o que se comprometeu.
E falta de comprometimento não é só no Coaching que ocorre. No dia a dia de qualquer empresa os funcionários nunca cumprem o que prometem e se comprometem. É uma total falta de responsabilidade, profissionalismo e até de caráter da pessoa.
Sua atitude vai prejudicar a empresa, seus colegas de trabalho e a si mesmo. Aí perde o emprego e reclama.
E o que falar de pessoas no nosso dia a dia que prometem algo para alguém ou para si mesmo e não cumprem. Cadê o comprometimento, gente?
Falta de comprometimento na via profissional e pessoal é um péssimo hábito. Quem não tem comprometimento leva a “vida na flauta” ou “seja o que Deus quiser”.
O cliente senta na minha frente na sessão de Coaching, fala que quer ter sucesso na vida, jura 100% de comprometimento e falta na sessão seguinte dizendo que tem outro compromisso importante.
Compromisso importante? E os 100% de comprometimento que ele “juramentou” com ele próprio em alcançar sucesso? Não é mais importante?
Parece que não. Estas pessoas que não cumprem o que falam, acham que estão enganando seu Coach, seu chefe ou sua própria vida.
Na verdade esta pessoa que não cumpre nem 1% do que se compromete, está enganado a si próprio. Está perdendo seu tempo e não o meu.
Você que não cumpre o que promete ou se compromete, fica aqui um recado para refletir:
Não cumpre o que promete, não avança, não vence e não conquista.
Para ajudar, significado de Comprometimento:
“Esta é uma atitude que poderíamos definir como algo de cunho moral, afinal, literalmente, remete ao cumprimento de um tratado, um pacto firmado.
Significa “honrar a palavra empenhada”. O comprometimento está vinculado ao clima organizacional, à cultura e aos valores da empresa. As pessoas estão dispostas a lutar por aquilo em que acreditam, seja no plano profissional ou pessoal. E lutam pela verdade!
Há uma relação íntima entre esta competência e a capacidade de estabelecer e cumprir metas. E esta relação está presente na própria palavra.
É por ai. Boa semana!
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Você já parou para pensar a força que estas duas palavras possuem? Bom Dia e Obrigado.
Palavras simples, óbvias, porém em muitos momentos esquecidas pelo corre-corre da falta de tempo, pelo mau humor que nos atinge, pelo status que faz acreditar que não se faz necessário ou pelo simples hábito de não se utilizar no vocabulário.
Certa vez ouvi em um treinamento de liderança: como você gostaria de ser liderado? E para minha surpresa: com um bom dia e um muito obrigado. E comecei a pensar.
Será que somente na gestão gostaríamos de ouvir estas palavras?
Quem não gostaria de ouvir pela manhã este simples gesto ou num momento que está desmotivado um obrigado por um trabalho realizado?
A palavra bom dia abre portas, pode ser o início de uma conversa difícil; quebrar o gelo num momento de nervoso, despertar o sorriso nos mais contagiantes, demonstrar respeito ao próximo e principalmente celebrar a oportunidade de um novo dia, cheio de desafios, atividades a serem desenvolvidas, pessoas a conhecer, negociações a vencer. Oferece uma palavra positiva para você e para quem ouve, transmitindo pensamentos positivos.
Pode parecer longe demais, mas e se nós realmente ao dizermos esta simples palavra, buscássemos ter o nosso Bom dia?
Onde você conhecendo seus valores, desejos e objetivos gera uma atitude consciente para que consiga o resultado esperado. Que possa vencer o medo, a desmotivação, a baixa estima e quebrar barreiras, obstáculos na comunicação, relacionamentos e descubra caminhos efetivos de atingir o sucesso e por que não a felicidade tão sonhada?
Pense nisso e se permita a realmente ter um bom dia.
A palavra obrigado tem significados interessantes segundo o dicionário: ser obrigado a fazer, obrigar por lei, ser grato, reagir a algo correspondido.
Palavra igualmente simples, mas difícil de ser dita por aqueles que justamente se sentem na obrigação de fazê-lo, mas nobre e cheia de ternura, gratidão e reconhecimento por quem diz e recebe.
Um feedback por algo, dar-lhe a vez, agradecer um trabalho, um presente, uma parceria ou um simples objeto que foi entregue, uma porta aberta. O poder do obrigado nos renova as energias, aumenta a motivação, estima, trabalho em equipe e comprometimento.
O obrigado é um gesto de reconhecimento, retorno positivo que se está no caminho certo, de um trabalho bem feito, de um apoio sincero, de uma ajuda para alguém que precisa carregar sua mala, segurar o elevador ou passar simplesmente o sal.
Reforça comportamentos; gera sinergia e cumplicidade.
Que possamos falar obrigada sem a obrigação social, mas dar ao outro o direito de gentileza e valor por um gesto, atitude ou trabalho.
Bom dia e obrigado. Que possam ser um oxigênio. Não tem o hábito? Dê o primeiro passo. Diga para você mesmo, pois este é o maior sentido para despertar para o outro.
Diga a você mesmo o quanto acredita em si e é capaz de buscar seus sonhos e metas; o quanto é grato por sua vida, carreira, família.
Que estas palavras não sejam apenas etiquetas profissionais mas façam parte de seu cotidiano para que ao despertar de um novo dia você tenha bons momentos e possa ser grato pelas conquistas feitas por você e pelos outros.
Pense nisso.
Te desejo um bom dia e obrigada.
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É aquela coisa que você já sabe que tem que fazer e não faz. É uma decisão que não toma, um trabalho que não termina, um projeto que não entrega, uma conversa que não rola nunca por que você não toma a iniciativa.
Aí você procura por ajuda, porque sabe que tem alguma coisa errada com isso. Sabe que não é o seu normal, mesmo que nem consiga ver isso com clareza. Você provavelmente dá um Google, pega um livro, conversa com alguém ou mesmo tira um tarô para ver o que dizem e invariavelmente você recebe o mesmo veredicto: “pare de procrastinar para ter sucesso, para conseguir o que você quer. Assuma as rédeas da sua vida, você tem condições, basta querer.”
E aí é que podemos perder uma chance de ouro, a de nos conhecermos melhor e efetivamente dar o salto [quântico] rumo a nós mesmos. Explico: quando vejo, na prática do Coaching, que as pessoas estão procrastinando, eu não falo para elas “superarem” esse problema. Ao contrário, eu sugiro que a gente acolha, pare e olhe para isso que está acontecendo. Vamos entender o que essa lentidão momentânea e consciente tem a dizer, que notícias ela traz desse momento da vida daquela pessoa.
Geralmente a procrastinação é um sintoma. É a ponta do iceberg. Ele traz muitas coisas consigo, que vão além da superfície. O que eu mais vejo na minha prática profissional tem a ver com medo, autossabotagem, insegurança, baixa autoestima, angústia, bloqueio criativo, falta de sentido ou de tesão, incapacidade de assumir o que se quer, entre outras coisas. Cada um desses tópicos merece um texto, ou melhor, um livro em si, então não vamos nos aprofundar agora, certo?
O que eu quero é sugerir que você pare e reflita a respeito do que faz você procrastinar. E busque entender o que esse sintoma está querendo te dizer. Essa é uma maneira muito potente de ir mais fundo e se ouvir, buscar sua verdade e aceitá-la. Acolher o seu momento é a melhor forma de sair dele, como já falei no texto sobre o limbo.
Proponho uma atividade para lhe ajudar nessa reflexão.
Separe um tempo para você, de preferência sozinho e sem interrupções, de aproximadamente 30 a 50 minutos. Procure estar num lugar confortável e, se possível, feche os olhos, respirando profundamente umas 3 vezes ou até conseguir deixar os pensamentos mais quietos, as preocupações de lado…
Então, com o auxílio de papel e caneta ou outro meio que você escolher, comece a atividade:
1º passo: Responda em quais situações específicas da minha vida estou procrastinando agora?
Escreva de maneira sucinta e precisa, como por exemplo: não terminei o projeto X. Não comecei a fazer ginástica. Estou usando muito tempo para fazer tarefa Y. Não estou conseguindo terminar tal coisa. Estou adiando a conversa com fulano.
2º passo: Depois olhe para essas situações que você escreveu e as leia com compaixão. Procure simplesmente aceitá-las, contemplá-las, sem julgá-las. Sei que é difícil não julgar, mas ao menos tente.
Ao observar essas situações, procure apenas abrir espaço para que elas mesmas te digam coisas.
3º passo: Se for o caso, pergunte-se: o que essa situação quer me dizer? O que há aqui, além da superfície? O que eu estou deixando de fazer de verdade? O que está por trás dessa procrastinação que eu não estou querendo ou podendo ver?
4º passo: Veja quais fichas caem, se caem, o que surge. Aceite o que veio, agradeça e só. Guarde tudo e retome sua vida. Se for dormir, boa noite. Se for voltar ao trabalho, bom trabalho. NÃO mexa mais no exercício.
5º passo: Após alguns dias (de 3 a 5 dias), volte ao que você anotou. Novamente observe as situações de procrastinação. Veja se algumas delas você já pode mexer e realizar. Anote as ações que têm que ser feitas.
6º passo: Faça.
Como sempre, quero saber o que surgiu para você, ao ler esse texto. Caíram fichas? Nada rolou? Tá valendo. Compartilhe aqui.
E você já sabe. Qualquer coisa, estou por aqui.
Com amor e com alma,
Karinna
PS: Se você acha que este artigo pode beneficiar alguém, por favor, encaminhe agora para essa pessoa.
PS2: Eu, claro, adoraria que você espalhasse meu artigo por aí, nas suas redes. Assim mais gente curte e compartilha com quem precisa.
Obrigada!
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Eu tenho a mais absoluta certeza de que a grande parte dos leitores já ouviu falar sobre a Inteligência Emocional. Aliás, provavelmente, haverá até especialistas e professores na disciplina cuja fundamentação teórica nos remete a Charles Darwin. O que a maioria também sabe está no fato de que a popularização do assunto surgiu quando, há vinte anos, Daniel Goleman publicou um best-seller a respeito. Mas será que a inteligência emocional se confunde com a Inteligência Espiritual? E você, o que pensa a respeito?
Para começo de conversa, deve-se lembrar que o conceito de “inteligência” é algo sobre o que não há unanimidade. A depender da corrente de estudos, esse conceito (que na linguagem dos estudiosos chama-se constructo) terá diferentes interpretações e o pesquisador deve indicar qual a ênfase e abordagem mais adequada ao seu objetivo de momento. Neste nosso caso, vamos nos vincular ao conceito etimológico de que a “inteligência” é a capacidade de identificar as opções, processá-las e decidir por aquela mais conveniente em um dado problema ou situação. Agora, vou tirar o foco da mera conceituação de “inteligência” para tratar do tema ampliado: Inteligência Espiritual.
O estudo da importância da espiritualidade tem crescido bastante, a ponto de haver profissionais da área de saúde que indicam haver alta relação entre a prática espiritual com a saúde mental das pessoas. E aqui surge a necessidade de se fazer outra distinção, pois espiritualidade não é o mesmo que religiosidade. Esta última diz respeito à prática da relação da pessoa com Deus, em que há um sistema de rituais ou simbolismos presentes. A espiritualidade, porém, volta-se à dimensão pessoal que diz respeito à própria existência, uma relação com a consciência sem que haja necessariamente rituais ou símbolos. Ou seja, a espiritualidade diz respeito a atitudes, sentimentos e pensamentos superiores que levam ao crescimento (amadurecimento) do ser humano. A prática da religião pode apoiar a espiritualidade, mas esta vai além.
Voltando ao tema central, vamos nos basear nos estudos e propostas da física e filósofa americana Danah Zohar, ligada a importantes centros de pensamento, nos EUA e Europa. Tendo como linha de pesquisa a física quântica, sobre Inteligência Espiritual ela relata ser algo essencial para promover a cooperação entre as pessoas, tanto na família como em sociedade. Indo além, ela entende que é a Inteligência Espiritual que ajudará as pessoas a alcançarem soluções positivas para o planeta, além de criar um melhor encontro individual nessa caminhada, ao descobrir melhor a si mesmo e aos seus valores. O alto quociente espiritual faz a pessoa ter a vida mais criativa, promissora e com sentido, com identificação do propósito pessoal.
Em seu livro Inteligência Espiritual (Editora: Viva Livros; 2012), escrito com Ian Marshall, Danah comenta que a inteligência emocional faz a pessoa ter capacidade de julgar em que situação se encontra e como deve se comportar, adequadamente, nos limites dessa situação. A Inteligência Espiritual estimula a pessoa a se perguntar se ela deseja estar nessa situação em particular e como é a melhor forma de trabalhar com os limites da situação. Em seu livro ela comenta de dez atributos típicos que mostram quando a pessoa tem um elevado quociente de Inteligência Espiritual.
As características comuns de quem tem alta Inteligência Espiritual são assim resumidas: (1) Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo; (2) São idealistas e levadas por valores pessoais; (3) Têm capacidade de encarar e se apropriar positivamente da adversidade; (4) São holísticas, no sentido de que conseguem ter visão abrangente sobre cada situação (analisam as partes e entendem o todo); (5) Respeitam a diversidade (em todas as nuances de diferenças entre pessoas, sem preconceitos); (6) Preservam sua independência e arbítrio; (7) Perguntam sempre “por quê?”, como forma de se questionarem quanto aos próprios dogmas e crenças limitantes; (8) Têm capacidade de colocar as situações e os fatos em um contexto ampliado; (9) São espontâneas e verdadeiras, e; (10) Têm compaixão, conseguindo se colocar no lugar das pessoas que estão com dores ou problemas, viabilizando ajudá-las.
E então, como está o seu grau de Inteligência Espiritual? Agora, fica o convite à sua reflexão e … Boa sorte!
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