Liderança Sem Verdade é Gestão de Aparência
Existe uma conta silenciosa que toda empresa paga quando a liderança perde a integridade: a conta da desconfiança.
E ela não vem em forma de boleto. Ela vem disfarçada de “falta de engajamento”, de “gente que não veste a camisa”, de “equipe que não tem iniciativa”, de “fornecedor que não prioriza”, de “cliente que some”, de “processo que não funciona”.
No fundo, quase sempre é a mesma raiz: quando o líder não é verdadeiro, as pessoas param de acreditar, e quando param de acreditar, param então de colaborar.
INTEGRIDADE NÃO É DISCURO. É COERÊNCIA.
Muita gente confunde integridade com “ser bonzinho”, mas integridade é outra coisa: é ser inteiro. É ter alinhamento entre fala e prática.
O time percebe rápido quando um líder:
- cobra algo que ele não faz;
- fala de valores, mas negocia princípios quando convém;
- promete e depois “some”;
- muda de ideia sem explicar o porquê;
- usa dois pesos e duas medidas.
E quando isso acontece, então a equipe não briga. Ela só faz o mais perigoso: se adapta.
Ela começa a trabalhar no modo “proteger-se”. Entregar o mínimo. Registrar menos. Perguntar menos. Sugerir menos. Confiar menos.
Porque onde não há clareza, as pessoas criam suposições. Onde há suposição, nasce insegurança. E onde há insegurança, a produtividade vira então sobrevivência.
TRANSPARÊNCIA É O QUE SUSTENTA O “NÓS”
Transparência não é contar tudo para todo mundo. É não manipular a realidade. É não esconder o jogo.
O Líder transparente:
- diz o que está acontecendo com maturidade;
- assume decisões e explica critérios;
- deixa claro o que espera (e o que não tolera);
- dá feedback de forma direta e respeitosa;
- corrige rota quando erra, sem terceirizar a culpa.
Essa postura cria um ambiente onde as pessoas conseguem respirar. E, sem dúvida, onde o time respira, ele performa.
Porque performance não nasce de pressão infinita. Performance nasce de clareza + confiança + direção.
Verdade gera segurança. Segurança gera resultado.
Se você quer colaboração real, então você precisa lembrar de uma regra simples:
Ninguém dá o melhor de si onde sente que pode ser enganado.
Quando o líder não é verdadeiro, então o time aprende que:
- “não adianta falar”;
- “melhor ficar na minha”;
- “vou fazer só o que mandarem”;
- “se eu me expuser, posso me prejudicar”.
Ou seja: você perde o que mais precisa para crescer: pessoas pensando, assumindo, criando, resolvendo.
E isso não afeta só a equipe, mas…
- afeta fornecedores (que param de confiar em acordos);
- afeta clientes (que percebem incoerência);
- afeta parceiros (que sentem instabilidade);
- afeta cultura (que vira teatro).
O PREÇO DE UMA LIDERANÇA INCOERENTE
A incoerência do líder gera custos invisíveis:
- retrabalho por falta de combinado claro;
- conflitos por ruído e indiretas;
- rotatividade por desgaste emocional;
- queda na qualidade por desmotivação;
- perda de reputação por promessas não cumpridas.
O mais duro é: muitos desses custos aparecem como “problema do time”, mas começaram como “problema de referência”.
Porque liderança é referência.
E referência não é aquilo que você diz, mas aquilo que você sustenta quando ninguém está olhando.
TRÊS PERGUNTAS QUE TODO LÍDER DEVERIA FAZER
Se você quer construir confiança (e resultado), comece por aqui:
- O que eu cobro do meu time que eu não pratico?
- Em que momentos eu sou claro… e em quais eu deixo no ar?
- Quando eu erro, eu assumo e ajusto, ou eu justifico e empurro?
A resposta para essas perguntas pode doer. Mas também pode libertar.
Porque líderes que crescem de verdade não são os que “acertam sempre”.
São os que têm coragem de ser verdadeiros o suficiente para ajustar o caminho.
CONCLUSÃO
Integridade, transparência e verdade não são “soft skills”. São infraestrutura emocional de alta performance.
Quando a liderança é íntegra, as pessoas confiam. Quando confiam, colaboram. E quando colaboram, o resultado deixa de ser esforço individual e vira então força coletiva.
A força coletiva é o que sustenta crescimento de verdade.
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Tudy Vieira
https://www.tudyvieira.com.br/
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Por que Sonhar é Estratégico: A Ciência do Atrator Emocional Positivo – AEP
No mês passado, meu artigo foi sobre o cérebro humano que opera com duas redes neurais dominantes quando se trata de aprender e mudar — a Rede Analítica (RA) e a Rede Empática (RE), inspirada por um livro que estou estudando, “Ajudando pessoas a mudar” de Richard Boyatzis e seus coautores. Continuo aqui, minha inspiração trazendo um outro conceito, também abordado no mesmo livro, o AEP.
Em um mundo corporativo movido por metas, pressão e velocidade, falar de emoções pode parecer secundário.
Mas é justamente nesse ambiente que o Atrator Emocional Positivo — o AEP — se torna uma vantagem competitiva. Os autores, descrevem um estado emocional no qual a pessoa se sente segura, esperançosa e conectada ao que realmente deseja para o futuro. É um estado que ativa abertura, criatividade e motivação genuína. Em termos simples, o AEP é o ponto emocional onde mudanças verdadeiras começam a ganhar força.
Quando alguém acessa esse estado, então algo muda de dentro para fora. O corpo relaxa, a mente se expande e a visão de futuro deixa de ser uma projeção racional para se tornar um desejo vivo. Em vez de focar no que está errado, a pessoa passa a enxergar possibilidades. E isso importa porque ninguém sustenta transformações profundas apenas com disciplina ou cobrança. Mudanças duradouras nascem de um propósito que inspira, não de uma lista de tarefas.
Nas organizações, líderes que sabem despertar o AEP em suas equipes criam ambientes onde as pessoas se sentem energizadas e capazes de contribuir com autenticidade.
Times que operam nesse estado tendem a colaborar mais, inovar mais e lidar melhor com desafios. O AEP não elimina problemas, mas muda a forma como nos relacionamos com eles. Em vez de reagir com medo, reagimos com curiosidade. Em vez de nos fecharmos, nos abrimos. E em vez de apenas cumprir, criamos.
O mais poderoso é que o AEP não depende de grandes intervenções. Ele nasce de pequenas escolhas diárias: uma conversa que valoriza o potencial, um gesto de empatia bem como um momento de reflexão sobre o que realmente importa. São microações que, repetidas, constroem uma cultura emocionalmente inteligente — e essa cultura sem dúvida transforma pessoas e resultados.
Talvez o maior convite do AEP seja este: permitir-se imaginar um futuro desejado.
Em um mundo que nos empurra para o modo de sobrevivência, acessar o Atrator Emocional Positivo é quase um ato de coragem. É escolher crescer, mesmo quando tudo ao redor pede urgência. É lembrar que mudança não é um peso, mas uma oportunidade de se aproximar daquilo que queremos ser e atuar para que isso aconteça.
No próximo mês, explorarei o Atrator Emocional Negativo, daí o contraste ficará ainda mais evidente. Por agora, vale essas perguntas silenciosas que o AEP sempre provoca:
- Que futuro você quer atrair hoje?
- Como tem sido seu ambiente de trabalho, sua vida em relação ao AEP?
- Vamos aproveitar esse início de ano para revisitar seus sonhos?
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Até o próximo artigo!
Vera Godoi Costa
https://www.linkedin.com/in/vera-costa-71830715/
Confira também: A Arte de Mudar: Como Equilibrar a Rede Analítica e a Rede Empática para Transformar Comportamento
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O Chamado da Alma: Quando o Corpo Pede Pausa e a Consciência Pede Verdade
Há momentos em que o corpo dá sinais que não queremos escutar. O ritmo aperta, a mente acelera, os dias passam voando e, quando percebemos, estamos funcionando no automático. O mundo corporativo celebra agilidade, entrega e presença constante. Tudo isso tem valor. O desafio aparece quando o movimento externo começa a sufocar a vida interna.
A performance é importante. A eficiência sustenta o crescimento. A questão verdadeira surge quando o coração começa a pedir um tipo diferente de presença. Uma presença que não se mede por resultados, mas sim por coerência.
Em algum ponto da jornada, descobrimos que estamos cobrando de nós uma força que não nasce de um desejo autêntico, mas sim de expectativas que absorvemos sem perceber. Criamos histórias internas para continuar entregando, mesmo quando algo em nós pede cuidado, pausa, verdade.
O ponto de virada que ilumina o caminho
No período em que iniciei minha formação como coach, eu vivia intensamente a cultura da alta produtividade. Eram dias cheios, semanas longas e uma sensação contínua de que tudo dependia de mim. A energia parecia inesgotável até que deixou de ser.
O corpo pediu atenção. A mente pediu silêncio. A vida pediu escolha.
As primeiras sessões com meus coachees abriram um campo precioso de autorreflexão. Ao orientá-los em perguntas essenciais, comecei então a enxergar respostas que eu mesma precisava acessar. Reconheci que minha rotina estava distante da vida que eu desejava viver. Descobri que meus limites precisavam ser honrados para que eu pudesse continuar entregando com verdade.
O que aprendi sobre presença e consciência
A caminhada interior revelou algo que se tornou base para minha atuação como coach. Emoções, pensamentos, intuição e sensação formam um conjunto vivo que direciona nossas escolhas. Quando escutamos esses movimentos internos, percebemos então o que faz sentido, o que precisa ser reajustado, o que já não nos representa.
A consciência se amplia quando abrimos espaço para esse olhar honesto. Não é teoria. É experiência viva. É a prática de observar o que sentimos sem medo. O gesto de reconhecer quem estamos sendo bem como quem desejamos ser.
Esse processo fortalece a liderança pessoal, gera clareza e sustenta decisões mais alinhadas. Aproxima assim a vida de um sentido real.
Para onde isso nos leva na liderança e na vida
O estado emocional orienta nossa forma de trabalhar, se relacionar e liderar. Quando cultivamos presença, criamos então ambientes mais leves e relações mais saudáveis. A liderança se torna mais sensível, mais consciente, mais humana.
Algumas perguntas que apoiam a trazer essa prática para o cotidiano, a saber:
- Qual parte da sua rotina já não apoia a vida que você de fato sonha construir?
- O que seu corpo tenta comunicar e que você ainda evita escutar?
- Que mudança simples pode trazer mais verdade para o seu dia?
Nos desenvolvemos quando acolhemos essas respostas com coragem.
Uma jornada que conecta experiências e propósito
Eu sou Cristiane Maziero. Escritora, mentora e coach. Minha trajetória é marcada por vivências que me ensinaram a ouvir o que minha alma tentava dizer quando o ritmo externo era de fato maior que a minha capacidade interna de sustentar tudo. Meu livro “Alma de Líder” nasceu desse percurso. Ele reúne reflexões e experiências que talvez dialoguem com o momento que você está vivendo agora.
Se desejar conhecer mais sobre essa jornada, então deixo aqui o link para o livro:
https://a.co/d/adlDWXa
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Quer saber mais sobre como atender ao chamado da alma, entender os sinais de quando o corpo pede pausa e a consciência pede verdade para que você possa construir uma liderança mais consciente? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até o próximo artigo.
Cristiane Maziero
Fundadora/Idealizadora @ Allure Desenvolvimento Humano | Psicologia Transpessoal
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Vendas com Leveza em 2026: O Que Não Dá Mais para Fingir que Não Vemos
Todo começo de ano traz aquela sensação de recomeço. Novas metas, novos planos, novas promessas de “agora vai”. Mas, depois de tantos anos vivendo o dia a dia das vendas, uma coisa ficou muito clara para mim: não é mais sobre aprender algo novo o tempo todo. Muitas vezes, é sobre parar de fingir que não vemos o que já está escancarado.
Em 2026, vender com leveza deixou de ser um diferencial “bonito” para virar uma necessidade real. O mercado mudou, o comportamento das pessoas mudou, e as relações entre empresas e clientes estão cada vez mais expostas. Ainda assim, algumas práticas continuam sendo repetidas como se nada tivesse acontecido.
E talvez seja exatamente aí que mora o cansaço de quem vende e a insatisfação de quem compra.
O cliente não ficou mais difícil. Ele só ficou mais claro.
É comum ouvir que o cliente está mais exigente, mais impaciente, mais crítico. Mas, na prática, o que mudou foi o nível de consciência. Hoje, o cliente compara, pesquisa, comenta, avalia e expõe. Não porque quer atacar uma empresa, mas porque tem acesso, voz e repertório.
Quando um cliente reclama, comenta ou questiona publicamente, muitas vezes não é porque quer conflito. É porque esperava mais. É porque esperava resposta, cuidado. Fingir que isso não está acontecendo ou tratar como “exagero” só aumenta o distanciamento.
Vendas com leveza começam quando a empresa entende que o cliente não é o problema. O problema, quase sempre, está na forma como a experiência foi construída.
Atendimento não sustenta erro de processo
Outro ponto que já não dá mais para ignorar é a sobrecarga colocada no atendimento. Espera-se que o time “resolva tudo”, mesmo quando a raiz do problema está em procedimentos confusos, prazos irreais ou então decisões internas mal alinhadas.
Não existe atendimento empático que compense um processo frágil. Não existe simpatia que resolva falta de clareza. E não existe leveza quando tudo vira urgência o tempo todo.
Vender com leveza, em 2026, passa muito mais por organização, decisões conscientes e alinhamento interno do que por frases bonitas ou respostas rápidas.
Nem toda venda vale o desgaste que ela gera
Esse talvez seja um dos pontos mais difíceis de admitir. Existe uma crença antiga de que toda venda é boa e que perder uma venda é sempre um erro. Mas quem vive vendas de verdade sabe: algumas vendas custam caro demais.
Custam energia do time, desgaste emocional, ruído na operação e, muitas vezes, a perda de outros clientes. Leveza também é saber quando insistir e quando ajustar. Quando seguir e quando rever.
Empresas que vendem com mais maturidade não correm atrás de tudo. Elas escolhem melhor onde colocam energia, tempo e foco.
Leveza não é ausência de regra. É clareza.
Existe uma grande confusão entre leveza e informalidade excessiva. Vendas leves não são vendas sem processo ou sem limite. Pelo contrário. Quanto mais claro é o caminho, mais leve então ele se torna para todos.
Clareza gera segurança. Segurança gera confiança. E confiança sustenta vendas de longo prazo.
Em 2026, leveza não está em “resolver depois”. Está em antecipar, comunicar bem e alinhar expectativas desde o início.
Talvez o novo não seja fazer mais, e sim fazer melhor
Se eu tivesse que resumir este início de ano em uma reflexão, seria esta: talvez o que precisa mudar não seja o cliente, o mercado ou as ferramentas. Talvez o ajuste esteja na forma como olhamos para o que já acontece todos os dias.
Vendas com leveza não pedem mais esforço. Pedem mais consciência, mais leitura de cenário bem como mais responsabilidade sobre escolhas.
E menos fingimento diante do óbvio.
Que 2026 seja um ano de vendas mais maduras, relações mais honestas e processos que de fato sustentem a experiência que prometemos entregar.
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Quer saber mais sobre os processos de vendas em 2026 e o que não dá mais para fingir no processo comercial? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até o próximo mês!
Renata Cristina Paulino
https://www.linkedin.com/in/renatapaulino/
Confira também: Se até a IA Aprende com Prompts, Por que Você Insiste em Não Ouvir o Cliente?
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Ansiedade e Autocrítica no Século 21: Estratégias Práticas para Psicanalistas, Terapeutas e Coaches
No cenário complexo do século 21, a ansiedade e a autocrítica emergiram como companheiras constantes da experiência humana. Elas moldam a forma como indivíduos percebem a si mesmos e interagem com o mundo. A era digital, impulsionada pela conectividade incessante das redes sociais e por uma cultura de desempenho que exalta a produtividade e a perfeição, de fato criou um terreno fértil para o florescimento desses fenômenos.
A pressão para estar sempre “ligado”, para apresentar uma imagem impecável e para alcançar metas cada vez mais elevadas, sem dúvida gera um ciclo vicioso de comparação, insatisfação e autoexigência. Este contexto não apenas intensifica sentimentos de inadequação, mas também eleva os níveis de estresse e esgotamento.
Para os profissionais da saúde mental e do coaching – psicanalistas, terapeutas e coaches – compreender e intervir eficazmente nesses desafios tornou-se uma prioridade inadiável. Seus clientes e pacientes chegam aos consultórios e sessões carregando o peso de expectativas irrealistas, de uma voz interna crítica implacável e de uma sensação difusa de que nunca são “bons o suficiente”.
Este artigo, desenvolvido para a publicação na Cloud Coaching, propõe-se a explorar a intrínseca relação entre ansiedade, autocrítica e a modernidade. Ao longo do texto, é apresentado um panorama de estratégias práticas e integradas, para que esses profissionais possam auxiliar seus clientes a navegar por esse terreno complexo, promovendo bem-estar, autoconhecimento e transformação.
1. COMPREENDENDO A TRÍADE ANSIEDADE-AUTOCRÍTICA-MODERNIDADE
A ansiedade, no contexto do século 21, transcende a mera preocupação ocasional. Ela se manifesta como um estado de apreensão constante, uma sensação de que algo ruim está prestes a acontecer, mesmo na ausência de ameaças reais e imediatas.
Alimentada pela sobrecarga de informações, pela instabilidade global e pela velocidade das mudanças, a ansiedade moderna muitas vezes se disfarça de produtividade, impulsionando indivíduos a uma busca incessante por controle e segurança. É uma ansiedade que se enraíza na incerteza do futuro e na percepção de inadequação no presente.
Paralelamente, a autocrítica, embora possa ter uma função adaptativa inicial de nos impulsionar ao aprimoramento, frequentemente se desvirtua, tornando-se um mecanismo de proteção prejudicial.
Originada muitas vezes de experiências passadas de desaprovação ou de padrões internalizados de perfeição, a voz autocrítica se torna um juiz interno implacável, minando a autoestima e a capacidade de agir. Ela nos convence de que não somos dignos, capazes ou merecedores, paralisando a iniciativa e gerando um medo constante de falhar.
Do ponto de vista psicanalítico, essa autocrítica pode ser compreendida como uma manifestação de um superego rígido e punitivo. Esse superego é internalizado a partir de figuras de autoridade e expectativas sociais e opera de forma inconsciente, gerando culpa e inibição.
A cultura de performance, onipresente na modernidade, atua como um amplificador potente dessa tríade. A valorização do sucesso a qualquer custo, a glorificação da multitarefa e a constante exposição a vidas aparentemente perfeitas nas redes sociais criam um ciclo de comparação e autoexigência.
O indivíduo é levado a acreditar que seu valor reside em sua produtividade e capacidade de atender a padrões externos, muitas vezes inatingíveis. Essa pressão constante para “ser o melhor” e “ter tudo” intensifica a ansiedade e fortalece a voz autocrítica, transformando o desejo de crescimento em uma fonte de sofrimento.
2. IMPACTOS PSICOSSOCIAIS
Os efeitos da ansiedade e da autocrítica são multifacetados e profundos, reverberando em diversas esferas psicossociais. Um dos impactos mais evidentes é na autoestima e na autoimagem. A constante voz autocrítica corrói a percepção de valor próprio, levando a sentimentos de inadequação e vergonha.
A autoimagem torna-se distorcida, focada em falhas percebidas e em comparações desfavoráveis com os outros, que são idealizados. Essa fragilidade na autoestima pode gerar um ciclo de evitação e isolamento, onde o indivíduo se retrai para evitar exposição a possíveis julgamentos.
As repercussões nas relações interpessoais são igualmente significativas. A ansiedade social, muitas vezes alimentada pela autocrítica, pode dificultar a formação e manutenção de laços significativos. O medo de ser julgado, de não ser aceito ou de não corresponder às expectativas alheias leva a comportamentos de evitação ou a uma postura defensiva.
A pessoa pode se tornar excessivamente complacente ou, inversamente, irritadiça e distante, dificultando a intimidade e a conexão genuína. A autocrítica também pode projetar-se nas relações, levando a julgamentos excessivos dos outros ou a uma constante busca por validação externa.
No âmbito profissional e criativo, o impacto é devastador. A ansiedade e a autocrítica podem paralisar a iniciativa, inibir a criatividade e comprometer o desempenho. O medo de cometer erros ou de não atingir a perfeição leva à procrastinação, ao perfeccionismo excessivo e à dificuldade em tomar decisões. Muitos profissionais talentosos se veem presos em um ciclo de autoexigência que os impede de apresentar seu melhor ou de explorar novas ideias.
Essa dinâmica está intrinsecamente ligada à síndrome do impostor, onde o indivíduo, apesar de suas conquistas, sente-se uma fraude prestes a ser desmascarada. E ao burnout, um estado de exaustão física e mental causado pelo estresse crônico e pela sobrecarga de trabalho, muitas vezes impulsionado pela autocrítica e pela busca incessante por validação.
3. ESTRATÉGIAS PRÁTICAS PARA PROFISSIONAIS
A intervenção eficaz na tríade ansiedade-autocrítica-modernidade exige uma abordagem multifacetada e sensível, adaptada às necessidades específicas de cada cliente. Profissionais de diferentes abordagens podem, sem dúvida, contribuir significativamente:
3.1 Para Psicanalistas:
A psicanálise oferece um caminho profundo para desvendar as raízes inconscientes da ansiedade e da autocrítica.
- Técnicas de escuta e interpretação: O psicanalista utiliza a escuta atenta e flutuante para captar os significantes ocultos nas narrativas do paciente. A interpretação visa trazer à consciência os conflitos inconscientes, as fantasias e os mecanismos de defesa que sustentam a ansiedade e a autocrítica. Ao compreender a origem dessas manifestações, o paciente pode começar a desinvestir delas.
- Trabalho com transferência e contratransferência: A relação transferencial no setting analítico permite que padrões relacionais passados sejam revividos e elaborados. O psicanalista, atento à contratransferência, utiliza suas próprias reações emocionais como ferramenta para compreender a dinâmica inconsciente do paciente, ajudando-o a reconhecer e a ressignificar as projeções e introjeções que alimentam a autocrítica.
- Ressignificação de narrativas internas: Através da análise dos sonhos, atos falhos e associações livres, o psicanalista auxilia o paciente a reescrever as narrativas internas que o aprisionam. Ao dar voz a partes silenciadas do self e ao integrar aspectos fragmentados da identidade, o paciente pode construir uma autoimagem mais coesa e menos punitiva.
3.2 Para Terapeutas (especialmente TCC e Terapia Humanista):
Abordagens terapêuticas focadas no presente e na experiência subjetiva oferecem ferramentas diretas para o manejo da ansiedade e da autocrítica.
- Reestruturação cognitiva prática: Na TCC, o terapeuta trabalha com o cliente para identificar e desafiar pensamentos automáticos negativos e crenças disfuncionais que alimentam a autocrítica e a ansiedade. Através de questionamento socrático e experimentos comportamentais, o cliente aprende a substituir padrões de pensamento distorcidos por outros mais realistas e adaptativos.
- Técnicas de mindfulness e aceitação: A terapia humanista e abordagens como a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) enfatizam a importância de cultivar a atenção plena. O mindfulness ajuda o cliente a observar seus pensamentos e emoções sem julgamento, reduzindo a fusão cognitiva com a voz autocrítica e a reatividade à ansiedade. A aceitação ensina a conviver com o desconforto, em vez de lutar contra ele, liberando energia para ações alinhadas aos valores.
- Trabalho corporal e regulação emocional: A ansiedade frequentemente se manifesta no corpo. Técnicas como respiração diafragmática, relaxamento progressivo e exercícios de aterramento ajudam o cliente a regular o sistema nervoso autônomo. A terapia humanista pode explorar a expressão corporal de emoções, promovendo uma maior consciência e integração entre mente e corpo.
- Exercícios de autocompaixão: Desenvolvidos por Kristin Neff, os exercícios de autocompaixão ensinam o cliente a tratar a si mesmo com a mesma gentileza e compreensão que dedicaria a um amigo. Isso envolve reconhecer o sofrimento, entender que a imperfeição é parte da experiência humana e cultivar a bondade para consigo mesmo, contrariando a dureza da autocrítica.
3.3 Para Coaches:
O coaching foca no desenvolvimento de potencial e na ação orientada para o futuro, sendo crucial para transformar a autocrítica em autoconsciência e a ansiedade em energia produtiva.
- Reframes e ressignificação de crenças limitantes: O coach auxilia o cliente a identificar e questionar crenças autolimitantes que impedem o progresso. Através de reframes, o cliente aprende a ver desafios sob novas perspectivas, transformando obstáculos em oportunidades de aprendizado e crescimento.
- Técnicas de estabelecimento de objetivos realistas: A autocrítica e a ansiedade muitas vezes surgem de expectativas irrealistas. O coach trabalha com o cliente para definir metas SMART (Específicas, Mensuráveis, Atingíveis, Relevantes, Temporizáveis), dividindo grandes objetivos em passos menores e gerenciáveis, o que aumenta a sensação de controle e reduz a sobrecarga.
- Desenvolvimento de resiliência e autorregulação: O coaching foca em fortalecer a capacidade do cliente de lidar com adversidades e de se recuperar de contratempos. Isso inclui o desenvolvimento de estratégias de autorregulação emocional, como pausas conscientes, técnicas de gerenciamento de estresse bem como a construção de uma rede de apoio.
- Ferramentas de autoconhecimento: Questionários, exercícios de reflexão e feedback estruturado ajudam o cliente a identificar seus valores, forças e paixões. Um profundo autoconhecimento é a base para construir uma autoimagem mais sólida e para alinhar ações com propósitos autênticos, diminuindo a necessidade de validação externa.
3.4 Abordagens Integradas:
A complexidade da ansiedade e da autocrítica na modernidade exige, muitas vezes, uma intervenção multimodal. Desse modo, a combinação de diferentes perspectivas e técnicas pode oferecer um suporte mais completo e eficaz. Além disso, a importância da intervenção multimodal reside na capacidade de abordar o cliente em suas múltiplas dimensões – inconsciente, cognitiva, emocional, comportamental e existencial.
É fundamental reconhecer o trabalho de profissionais que, como eu, defendem uma visão humanista e orientada para o potencial. Nesse sentido, essa abordagem enfatiza a capacidade intrínseca do ser humano para o crescimento e a autorrealização. Sua perspectiva, que valoriza a singularidade do indivíduo e a busca por um sentido de vida, complementa as estratégias aqui apresentadas. Assim, ela reforça a ideia de que o processo terapêutico e de coaching deve ser um caminho de descoberta e empoderamento.
A combinação de técnicas psicanalíticas para aprofundar a compreensão das raízes, terapêuticas para o manejo direto dos sintomas e de coaching para a ação e o desenvolvimento de potencial certamente cria um arcabouço robusto de intervenção. Esse conjunto de abordagens auxilia os clientes a transcenderem a ansiedade e a autocrítica, favorecendo assim a construção de uma vida mais plena e autêntica.
A ansiedade e a autocrítica no século 21 são desafios complexos que exigem uma resposta igualmente sofisticada e humanizada por parte dos profissionais de saúde mental e coaching. As principais aprendizagens deste artigo ressaltam a interconexão desses fenômenos com a cultura de desempenho. Além disso, elas evidenciam a necessidade de abordagens que contemplem tanto as raízes inconscientes quanto as manifestações cognitivas, emocionais e comportamentais.
Convocamos psicanalistas, terapeutas e coaches a uma prática reflexiva contínua, que os leve a aprofundar sua compreensão sobre a experiência humana na modernidade.
A importância da formação contínua e da supervisão é inegável. Isso garante que esses profissionais estejam de fato equipados com as ferramentas mais eficazes e atualizadas para auxiliar seus clientes.
A colaboração entre diferentes abordagens, como a psicanálise, as terapias cognitivo-comportamentais e humanistas, e o coaching, sem dúvida, oferece um caminho promissor para intervenções mais completas e integradas.
Em um mundo que frequentemente nos empurra para a autoexigência e a comparação, a mensagem final é de esperança e humanização. Ao ajudar os indivíduos a desvendar os mecanismos da ansiedade e da autocrítica, a ressignificar suas narrativas internas e a desenvolver uma autocompaixão genuína, estamos assim contribuindo para a construção de uma sociedade mais consciente, resiliente e autêntica.
O potencial de transformação reside na capacidade de cada um de nós de se reconectar com sua essência. Além disso, aceitar sua imperfeição e abraçar sua jornada com coragem e gentileza. Este é o convite para todos os profissionais que, por meio de seu trabalho, iluminam o caminho para o bem-estar e o florescimento humano.
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Quer saber mais sobre como lidar com ansiedade e autocrítica no século 21 de forma integrada e humanizada? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Um abraço e até a próxima!
Iússef Zaiden Filho
Psicanalista, Terapeuta e Coach
http://www.izfcoaching.com.br/
Confira também: A Depressão na Contemporaneidade: Um Sinal de Alerta
Palavras-chave: ansiedade e autocrítica, cultura de performance, saúde mental, síndrome do impostor, burnout, ansiedade e autocrítica na modernidade, estratégias práticas para ansiedade e autocrítica, ansiedade e cultura de desempenho, autocrítica excessiva em profissionais, intervenções integradas em saúde mental
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O Barco, o Submarino e o Mar: As Diferentes Formas de Crescimento e os Processos Invisíveis da Vida
Querido leitor,
Durante muito tempo, aprendemos a associar avanço àquilo que pode ser visto. Movimento que aparece. Resultados que se mostram. Caminhos que recebem aplausos.
Mas a vida é mais ampla do que aquilo que os olhos alcançam.
Há quem avance como um barco. Segue na superfície, corta as águas, conhece o vento, ajusta as velas.
O trajeto é visível. As ondas anunciam sua passagem. É possível acompanhar o percurso, medir a distância, reconhecer o progresso.
E há quem avance como um submarino.
O submarino não corre. Ele desce. Silencia.
Atravessa camadas profundas onde a luz chega filtrada, onde o tempo parece diferente, onde quase nada é percebido de fora.
Não levanta espuma. Não chama atenção.
Mas percorre distâncias internas que transformam toda a estrutura do ser.
Por muito tempo, aprendemos a comparar esses dois modos de existir como se um fosse mais válido que o outro. Como se visibilidade fosse sinônimo de maturidade. Ou silêncio, sinal de estagnação.
Mas essa é uma leitura incompleta.
Há muitas formas de crescer. Algumas são visíveis. Outras, silenciosas. Mas ambas exigem presença. Ambas pedem verdade.
Nem todo avanço precisa ser anunciado. Nem todo silêncio é ausência de movimento.
A vida não avança apenas para frente. Às vezes, avançar é ir para dentro. É aprofundar. É sustentar processos que, de fato, não cabem em moldes ou explicações rápidas.
Talvez você tenha crescido em lugares que não viraram conquista externa, mas viraram raiz.
E raiz é o que realmente sustenta qualquer fundação.
E, nesta metáfora, talvez o mais importante não seja nem o barco, nem o submarino, mas o Mar.
O Mar que envolve tudo, que sustenta tanto o visível quanto o profundo, que conduz o barco que sabe para onde vai e o submarino que reconheceu o valor de mergulhar.
O Mar não escolhe um lado. Não hierarquiza caminhos. Ele acolhe, sustenta e conduz.
Alguns avançam com clareza de direção. Outros avançam confiando na profundidade. Mas todos são levados pelo mesmo Mar.
Eu acredito que isso explica um pouco sobre Deus. Não como Aquele que acelera ou freia, mas como aquele que sustenta cada travessia, inclusive as que quase ninguém vê.
E você, neste momento da vida, se percebe mais como barco ou como submarino?
Qualquer que seja a resposta, confie: se há Mar, há condução.
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Quer saber mais sobre como reconhecer e confiar nos processos invisíveis do seu crescimento pessoal? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Com carinho,
Shirley Brandão
Mentora de Prosperidade Integral, escritora e terapeuta sistêmica
https://shirleybrandao.com.br/
@shirleybrandaooficial
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Palavras-chave: crescimento pessoal, processos invisíveis, metáforas da vida, desenvolvimento interior, crescimento silencioso, formas diferentes de crescimento na vida, processos invisíveis do crescimento pessoal, crescer em silêncio e profundidade, metáfora do barco e do submarino, crescimento interior sem reconhecimento externo
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Falar ao Ouvido ou Falar ao Coração? Como a Comunicação Consciente Gera Conexão e Resultados
Há uma pergunta bastante popular que nos faz refletir sobre atitudes e comportamentos relacionados à comunicação: O que você prefere, ter razão ou ser feliz?
Por meio da nossa comunicação, trocarmos nossas ideias, ensinamos, aprendemos, argumentamos, pedimos, negociamos, vendemos, lideramos, fazemos apresentações, criamos conexões, fazemos amizades, influenciamos e somos influenciados.
Você já pensou que temos vários tipos de linguagens e cada uma delas pode gerar diferentes respostas, de acordo com o conteúdo da nossa fala e, principalmente, pela maneira como falamos?
Podemos falar para o ouvido e/ou para o coração, como se fossem dois idiomas diferentes, com a mesma intenção e, claro, gerando respostas e resultados diferentes.
As Duas Linguagens: Ouvido e Coração
A distinção entre as duas linguagens “ouvido e coração” é, na verdade, uma metáfora que aborda diferentes níveis de compreensão humana. Não se trata de uma classificação linguística formal, mas sim de uma ideia poética ou filosófica sobre a forma como as mensagens são recebidas e processadas.
Cabe aqui uma explicação: “A comunicação não é o que falamos, mas é o que chega”, ou seja, é o que é percebido e decodificado pelo interlocutor.
A linguagem para o ouvido
A linguagem para o ouvido refere-se à comunicação em seu sentido mais literal, superficial ou técnico. É a linguagem que se baseia na lógica, na informação factual e na gramática, compondo-se de:
- Foco: Ouve-se com o aparelho auditivo, processa-se a informação racionalmente e literalmente.
- Características: Clareza, objetividade, uso de palavras e estruturas reconhecíveis (linguagem verbal). É a comunicação que busca informar, instruir ou persuadir por meio de argumentos lógicos.
- Exemplo: Um manual de instruções, uma notícia objetiva, uma aula expositiva e dados estatísticos.
A linguagem para o coração
Por outro lado, a linguagem para o coração refere-se à comunicação em um nível mais profundo, empático e emocional. É a linguagem que transcende as palavras literais e se conecta com os sentimentos, intenções e a humanidade do outro, contendo os seguintes itens:
- Foco: Escuta-se com compaixão e ternura, prestando atenção não apenas ao que é dito, mas como é dito e o que está por trás das palavras, acentuando-se a empatia e genuíno interesse em conexão.
- Características: Subjetividade, sensibilidade, uso de figuras de linguagem, metáforas e acentuado uso da comunicação não verbal e a capacidade de “ler nas entrelinhas”, buscando a conexão, o acolhimento e a partilha de experiências.
- Exemplo: Uma conversa de apoio entre amigos, um poema, um discurso inspirador, a comunicação não-violenta, que visa entender as necessidades e a empatia, além das palavras.
Apesar do fascínio da comunicação humana em toda a sua complexidade e beleza, acontece porque acontece nessas duas dimensões, porém complementares, e não raro percebemos comunicadores, educadores e líderes, focando demais em um lado e se esquecendo do outro, gerando falhas de conexão, mal-entendidos.
A comunicação eficaz nasce do equilíbrio entre os dois mundos.
Falar ao ouvido significa atuar no território da razão.
É a comunicação estruturada, lógica, organizada. É quando usamos argumentos sólidos, dados, informações claras, gramática correta e encadeamento racional das ideias. O discurso do planejamento, da precisão e da objetividade.
No ambiente corporativo, esse modo de comunicação é indispensável, afinal, decisões precisam ser fundamentadas, processos exigem clareza e equipes necessitam alinhamento e definição de metas e planejamento organizado.
Lembro-me de um gerente que treinamos. Ele era brilhante tecnicamente: conhecia números, processos e indicadores como poucos. Quando apresentava um relatório, impressionava pela riqueza de detalhes, números, estatísticas e, ainda assim, não tinha bom relacionamento com sua equipe, argumentando que poucas pessoas o entendiam.
Nesse caso, o problema não era o que ele dizia, mas sim, como dizia e sua relação era agressiva com sua equipe. Ele falava para a mente e não para o coração.
Bastaram alguns poucos recursos e técnicas, tais como desenvolver sua expressividade, trabalhar metáforas, usar o nome das pessoas e mostrar vulnerabilidade e amabilidade, paciência e amor ao próximo para que, como consequência, o comportamento de sua equipe mudasse radicalmente.
Falar ao coração é outra linguagem, é entrar no território da emoção.
Aqui, palavras tornam-se imagens, sentimentos, afeto. É o domínio da sensibilidade, da empatia e da linguagem poética que habita (creio que a maioria) dos seres humanos. É quando a fala não é apenas compreendida, mas sentida, pois, carrega histórias internas, expectativas, feridas e sonhos, acessadas por meio das emoções.
Recordo-me de uma jovem que treinava comunicação para entrevistas de emprego. Ela tinha conteúdo, mas dizia tudo de forma lógica e robotizada.
Eu perguntei:
Por que você quer esse trabalho?
E ela respondeu:
Porque preciso crescer na carreira.
Mas sua voz estava fria, distante. Então insisti:
E o que esse crescimento realmente representa para você?
Ela respirou fundo, os olhos marejaram e disse:
Meu pai sempre acreditou em mim. Quero deixa-lo feliz porque esse trabalho irá honrar o esforço que ele teve comigo e sua crença em minha capacidade.
Nesse caso, a comunicação deixou de ser mecânica e virou humana. A emoção não apenas deu força à mensagem, mas abriu uma ponte entre quem ela era e quem queria se tornar. Falar ao coração tem o poder de criar conexão e autenticidade.
Mas, cuidado: emoção sem clareza vira confusão. É preciso sentir, mas também saber se organizar.
Os melhores comunicadores são os que sabem quando falar ao ouvido e quando falar ao coração.
Há momentos que exigem objetividade, tais como apresentar resultados, orientar uma tarefa, definir metas, esclarecer um processo. Mas há momentos em que a razão não basta, por isso é imprescindível falar ao coração para: inspirar equipes, motivar mudanças, acolher alguém em sofrimento.
A excelência da comunicação nasce exatamente na habilidade de equilibrar as duas dimensões. É como na música: não funciona apenas com técnica, nem apenas com emoção, precisa de ritmo, melodia, harmonia e alma.
Alguns impactos desse equilíbrio:
Na liderança:
- Líderes que falam só ao ouvido são percebidos como frios.
- Líderes que falam só ao coração, como ingênuos.
- O líder completo une clareza, objetividade, assertividade e humanidade.
Nas relações pessoais:
- Casais brigam porque um quer fatos e o outro quer sentimentos.
- A solução? Reconhecer que ambos são necessários (e estão certos).
Na oratória:
- Grandes oradores estruturam bem, mas encantam pela emoção.
Nos conflitos:
- Ouvir com a razão evita exageros.
- Responder com o coração evita feridas.
A comunicação efetiva passa pelos dois caminhos:
Se você deseja comunicar com impacto, lembre-se: nenhuma mensagem é completa se toca apenas um dos lados do ser humano. Falar ao ouvido esclarece, falar ao coração conecta.
É quando a comunicação consegue fazer as duas coisas, clarear e conectar, ela se torna inesquecível e imbatível; transforma relações, decisões, resultados e destinos.
No final, a comunicação consciente é muito mais do que transmitir palavras. É construir pontes. Pontes que começam no ouvido, atravessam a razão, passam pelo coração e saem pela boca, proporcionando uma efetiva transformação humana.
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Reinaldo Passadori
Especialista em Comunicação e Oratória
https://www.passadori.com.br/
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Nada é Óbvio: O Risco de Não Dizer o Que Precisa Ser Dito
No ambiente de trabalho (e fora dele), frases como “mas isso era óbvio” ou “achei que não precisava explicar” são mais comuns do que deveriam. O problema é que o que parece óbvio para você, pode não ser para o outro. Entre o que foi dito e o que foi entendido — que os ruídos de comunicação surgem.
Exemplos práticos de onde isso acontece:
- Um líder pede “urgência” em uma entrega, mas não define prazos. Para um colaborador, “urgente” significa “ainda hoje”. Para outro, significa “ao longo da semana”.
- Em uma reunião, alguém apresenta uma ideia e finaliza com “vamos fazer desse jeito?”. Metade do time entende que é uma decisão, a outra metade entende que ainda é uma sugestão.
Esses ruídos não só minam a produtividade, mas também corroem vínculos e confiança entre as pessoas.
O olhar da Escutatória
Na Escutatória, entendemos que nada é óbvio porque cada pessoa interpreta o mundo a partir da sua história, crenças, emoções e experiências. O que é claro para mim pode ser ambíguo para você.
O óbvio precisa ser dito de forma explícita, concreta, objetiva, dando exemplos se precisar. Então quando uma pessoa fala por exemplo para você: ‘’Preciso de um relatório mais transparente’’. Em vez de dizer apenas: ‘’Beleza, deixa comigo!’’, pergunte: ‘’de quais dados você precisa para que o relatório fique mais transparente?‘’
Boas práticas para evitar a armadilha do “óbvio”
- Cheque entendimento: pergunte “como você entendeu o que eu disse?” antes de encerrar uma conversa;
- Explicite intenções/expectativas: dizer “minha intenção aqui é colaborar” pode mudar completamente o tom de uma interação. Ou ainda deixar claro o que você espera do outro: uma aprovação, um plano de ação, uma opinião;
- Use exemplos concretos: transforme o abstrato em algo que todos possam visualizar;
- Pratique a curiosidade: em vez de supor o que o outro quis dizer, pergunte;
- Não economize palavras nessa hora: clareza não é prolixidade. É investir tempo para alinhar agora e evitar retrabalho depois.
A verdade é simples: quando acreditamos que algo é óbvio, deixamos de comunicar. E quando deixamos de comunicar, abrimos espaço para ruídos, mal-entendidos e conflitos desnecessários.
Na Escutatória, aprendemos que comunicar de forma consciente é transformar intenções em clareza, vínculos em confiança e palavras em ação.
E você? Qual situação você viveu em que o “óbvio” não foi tão óbvio assim?
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Quer saber mais sobre como evitar ruídos de comunicação quando nada é realmente óbvio e transformar expectativas implícitas em alinhamento, confiança bem como ação efetiva? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Pauline Charoki
https://escutatoria.com
Confira também: A Arte de Isolar o Fato do Seu Julgamento
Palavras-chave: ruídos de comunicação, nada é óbvio na comunicação, clareza nas expectativas, alinhamento de expectativas no trabalho, comunicação consciente, como evitar ruídos de comunicação no trabalho, o risco de achar que tudo é óbvio, clareza na comunicação entre líderes e equipes, como alinhar expectativas de forma clara, impacto da falta de clareza nas relações profissionais
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“O problema não é o problema.
O problema é sua atitude com relação ao problema.”
(Kelly Young)
Hoje, a tristeza me visitou. Tocou a campainha, subiu as escadas, bateu à porta e entrou. Não ofereci resistência. Houve um tempo em que eu fazia o impossível para evitá-la adentrar os meus domínios. E quando isso acontecia, discutíamos demoradamente. Era uma experiência desgastante. Aprendi que o melhor a fazer é deixá-la seguir seu curso. Agora, sequer dialogamos. Ela entra, senta-se na sala de estar, sirvo-lhe uma bebida qualquer, apresento-lhe a televisão e a esqueço! Quando me dou por conta, o recinto está vazio. Ela partiu, sem arroubos e sem deixar rastros. Cumpriu sua missão sem afetar minha vida.
Hoje, a doença também me visitou. Mas esta tem outros métodos. E outros propósitos. Chegou sem pedir licença, invadindo o ambiente. Instalou-se em minha garganta e foi ter com minhas amígdalas. A prescrição é sempre a mesma: Amoxicilina e Paracetamol. Faço uso destes medicamentos e sinto-me absolutamente prostrado! Acho que é por isso que os chamam de antibióticos. Porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida…
Hoje, problemas do passado também me visitaram. Não vieram pelo telefone porque palavras pronunciadas ativam as emoções apenas no momento e, depois, perdem-se difusas, levadas pela brisa. Vieram pelo correio, impressos em papel e letras de baixa qualidade, anunciando sua perenidade, sua condição de fantasmas eternos até que sejam exorcizados.
Diante deste quadro, não há como deixar de sentir-se apequenado nestes momentos. O mundo ao redor parece conspirar contra o bem, a estabilidade e o equilíbrio que tanto se persegue. O desânimo comparece estampado em ombros arqueados e olhos sem brilho, que pedem para derramar lágrimas de alívio. Então, choro. E o faço porque Maurice Druon ensinou-me, através de seu inocente Tistu, que se você não chora, as lágrimas endurecem no peito e o coração fica duro.
Limão e limonada
As ciências humanas estão sempre tomando emprestado das exatas, termos e conceitos. A última novidade vem da física e atende pelo nome de resiliência. Significa resistência ao choque ou a propriedade pela qual a energia potencial armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo.
Em humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo isso através de um dito popular, é fazer de cada limão, ou seja, de cada contrariedade que a vida nos apresenta, uma limonada saborosa, refrescante e agradável.
Aprendi que pouco adianta brigar com problemas. É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E com rapidez, de maneira certa ou errada. Problemas são como bebês, só crescem se alimentados. Muitos se resolvem por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma inadequada, eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você os anula com correção. A felicidade, pontuou Michael Jansen, não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados.
Aprendi a combater as doenças. As do corpo e as da mente. Percebê-las, identificá-las, respeitá-las e aniquilá-las. Muitas decorrem menos do que nos falta e mais do mau uso que fazemos do que temos. E a velocidade é tudo neste combate. Agir rápido é a palavra de ordem. Melhor do que ser preventivo é ser preditivo.
Aprendi a aceitar a tristeza. Não o ano todo, mas apenas um dia, à luz dos ensinamentos de Victor Hugo. O poeta dizia que “tristeza não tem fim, felicidade, sim”. Porém, discordo. Penso que os dois são finitos. E cíclicos. O segredo é contemplar as pequenas alegrias em vez de aguardar a grande felicidade. Uma alegria destrói cem tristezas…
Modismo ou não, tornei-me resiliente. A palavra em si pode cair no ostracismo, mas terá servido para ilustrar minha atitude cultivada ao longo dos anos diante das dificuldades impostas ou autoimpostas que enfrentei pelo caminho, transformando desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculos em oportunidades, tristeza em alegria.
Nós apreciamos o calor porque já sentimos o frio. Admiramos a luz porque já estivemos no escuro. Contemplamos a saúde porque já fomos enfermos. Podemos, pois, experimentar a felicidade porque já conhecemos a tristeza.
Olhe para o céu, agora! Se é dia, o sol brilha e aquece. Se é noite, a lua ilumina e abraça. E assim será novamente amanhã. E assim é feita a vida.
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Nesta semana que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, gostaria de dizer para todas as Mulheres uma coisa muito importante:
Seu sucesso na vida pessoal e/ou profissional, sua felicidade, sua prosperidade e bem-estar na vida só depende de uma pessoa. Sabe quem é? Você mesma.
E falo mais. Seu sucesso será mais fácil e forte se você Mulher lembrar em ser você mesma. Ou seja, Ser a Mulher que você sempre foi e será.
Esta última afirmação já falei muitas vezes para minhas clientes de Coaching Holístico que buscam Sucesso em algum ponto da vida pessoal e profissional.
Para quem ainda não sabe o que é Coaching, vou explicar agora. Entre muitas definições as que mais eu gosto são:
- Orientar uma pessoa a fazer a travessia entre um ponto ao outro até alcançar sua meta pessoal e/ou profissional com sucesso;
- Coaching é uma assessoria e processo que geram motivação pessoal e profissional, e que tem como objetivo potencializar o nível de resultados positivos nas diversas áreas da vida de um cliente para alcançar uma meta ou objetivo com sucesso.
E o que é Coaching Holístico? Coaching Holístico – Processo para Seu Sucesso na Vida e Concretização das suas Metas. O cliente vai se conhecer melhor, olhar para si, sua vida e descobrir seu potencial adormecido. Vai melhorar sua autoestima e ter mais autoconfiança. Tem Dificuldade em vencer? Pelo Coaching Holístico iremos desbloquear o que atrapalha e mudar Padrões Mentais para Vencer.
Este é o ponto chave do inicio do Sucesso de qualquer pessoa: Padrões Mentais. Quem acredita que é um fracasso, que não vai vencer na vida ou que não merece ter sucesso nas metas ou sonhos, tenha certeza que nada vai mesmo ocorrer de bom na vida. O Sucesso vai passar bem longe destas pessoas.
Agora imagine uma mulher que desde pequena é “esmagada” pela família e sociedade a sufocar sua força, a matar sua arte e beleza, para não acreditar em si e nas suas qualidades e habilidades para realizar.
Já atendi moças que acreditam que não merecem um amor porque alguém falou que ela é feia ou amor só faz mal. Como vão amar se não têm uma boa energia sobre o amor? Como amar se sua autoestima foi chutada? Só vai amar se mudar, acreditar que pode e merece amar. E que ela é uma super mulher.
O mesmo ocorre com a realização de outras metas pessoais e profissionais. Se uma pessoa foi condicionada a sempre pensar que é inferior, incapaz ou que não merece ser feliz ou prosperar, com certeza vai sofrer para conseguir. Imagine uma mulher que no geral é mais sufocada.
Ainda bem que tem solução. É um pouco demorado, varia de pessoa para pessoa, mas tem que trabalhar, treinar e movimentar-se para mudar padrões e condicionamento mental e energético.
Mas, é possível e já vi milagres.
Qual é o primeiro passo? Acreditar em Você. Acreditar na pessoa poderosa que há dentro de você.
Acreditar na Mulher que há dentro de você.
Sucesso e Feliz Dia da Mulher!
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A Copa do Mundo acabou. A seleção alemã com sua organização, futebol bonito e muita técnica, merecidamente, levou o caneco. É tetracampeã.
E a nossa Seleção Canarinho? Que papelão! Desde o início da Copa, nos quatro cantos deste Brasil, todos falavam que era forte candidata a ser hexacampeã. E por que todos acreditavam nisto? Porque jogava em casa, tinha apoio da torcida brasileira, a mídia falava que era a melhor seleção, tinha uma comissão técnica com dois técnicos que venceram Copas Mundiais (Parreira em 1994 e Felipão em 2002) e o clima ajudava.
Mas o que vimos foi um total fiasco e uma humilhante goleada histórica por 7×1 para os alemães na semifinal da Copa.
Enfim, perdemos a Copa e ficamos em quarto lugar após perder para a Holanda na disputa pelo terceiro lugar. E agora? Como diz o poema de Carlos Drummond de Andrade:
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?(Carlos Drummond de Andrade)
E agora, Seleção Brasileira? Agora é hora de mudanças. E mudanças drásticas e profundas na filosofia e na organização.
A CBF terá que ter coragem de assumir sua culpa no fracasso e incompetência administrativa na condução da Seleção Canarinho na Copa. A CBF e o novo técnico terão que ter coragem de fazer mudanças drásticas na nova Seleção Brasileira daqui para frente. Podem e devem seguir o ótimo exemplo que viveu a seleção alemã no final dos anos 90. Após fiascos seguidos, a Confederação Alemã de Futebol chegou à conclusão de que era hora de mudar tudo. Mudanças drásticas foram implantadas. Bancaram com coragem um técnico permanente nos últimos 10 anos que, com um grupo de jogadores com uma nova cabeça, união e humildade, deram um Show na Copa do Brasil e levaram o Caneco.
Mudança requer determinação. Mudanças drásticas requerem também muita coragem, pois haverá muita resistência das pessoas que já estão na zona de conforto ou que não aceitam que está tudo errado na vida ou no jogo.
Quer ver um exemplo recente? A entrevista da Comissão Técnica da Seleção Canarinho após o vexame de 7×1. Para Felipão e Parreira, nada estava errado na preparação da Seleção Brasileira. O problema foi um apagão geral do time todo que o levou a tomar 4 gols em 6 minutos.
Pois é Felipão, não houve problema algum no seu trabalho. Foi só um apagão que custou um vexame histórico e 200 milhões de brasileiros frustrados.
Como dizem, “o pior cego é o que não quer ver”. Ou “errar é humano, persistir no erro é ser Felipão”, teimoso e arrogante. Não assume os erros e afunda a emoção de milhares de pessoas.
Mas a Copa acabou e a CBF já começou as mudanças. Adeus comissão técnica fracassada. Vida e esperanças novas.
Espero que agora façam mais. Que tenham a coragem de fazer mudanças drásticas em tudo ligado a futebol.
E você? Está com coragem de fazer mudanças drásticas na sua vida pessoal ou profissional?
Ou vai ficar chorando e dando desculpas para que sua vida seja um fracasso ou cheia de frustrações?
Chega de Síndrome de Felipão, né?
Seu lema hoje: “Mudanças já e com coragem para ser feliz”.
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Frequentemente as mudanças acontecem na vida da gente. Em algumas vezes, estamos preparados para elas, em outras elas representam uma grande surpresa. Por vezes, desejamos a mudança, vislumbrando uma nova oportunidade em nossa vida. Acontece também de não as desejarmos, pois estamos felizes com as coisas do jeito que estão. Mas as mudanças acontecem, quer queiramos ou não…
Quando buscamos algo melhor, costumo dizer que estamos criando a mudança, pois estamos não só indo atrás dela, como desejamos que coisas melhores ocorram. Nesta hora, dizemos que a mudança é positiva e bem-vinda.
Mas existe também aquela mudança que você não deseja. Tudo estava bem do jeito que estava, por que mudar agora? Nesta hora criamos resistências, não aceitamos a oportunidade que a vida nos dá para novos desafios. Reclamamos e amaldiçoamos pelo que nos acontece.
Pessoas proativas são as que criam as mudanças, vislumbram novas oportunidades, desejam sempre mais, porque sabem que estão em constante crescimento e aprendizado. Pessoas acomodadas se comportam como árvores, não saem dos seus lugares, esperam que tudo ocorra como desejam ou que tudo se mantenha exatamente como está.
Se você se identificou com o segundo tipo, aqui vai uma reflexão: você não é uma árvore… você não nasceu com raízes que lhe impossibilitam de mudar de lugar. Você também pode dizer que não nasceu com asas, que te possibilitariam voar, mas eu diria que você nasceu com algo melhor do que asas: inteligência e criatividade. Faça por merecer a inteligência que tem e saiba reconhecer quando é hora de mudar.
Nosso mundo é dinâmico, nada é estático. Já dizia Heráclito: “Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio”. Claro! O rio não é o mesmo… nós também não somos! Creio que hoje somos melhores que ontem, piores do que amanhã. E assim prossegue o rio da vida, propiciando mudanças para que tenhamos – todos os dias – novas oportunidades, novos olhares, novos aromas, novas experiências. Saia do lugar! Você não é uma árvore…
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Responda rápido a minha pergunta:
– De zero a 100% qual é o seu grau de comprometimento em ler este artigo até o final?
Estranha a pergunta? Para quem é Coach ou faz sessões de Coaching esta pergunta é corriqueira. Toda vez que atendo um cliente de Coaching Holístico e definimos uma meta ou tarefa, sempre fecho a sessão com esta pergunta:
– Qual é o seu grau de comprometimento em realizar esta tarefa ou meta?
Em geral o cliente responde 100%. Só que nem sempre isto ocorre. Nem sempre o cliente se compromete 100% em executar a tarefa ou meta.
Um dos maiores problemas de uma pessoa que faz Coaching é a falta de comprometimento. É mais fácil dar desculpas do que tentar cumprir o que se comprometeu.
E falta de comprometimento não é só no Coaching que ocorre. No dia a dia de qualquer empresa os funcionários nunca cumprem o que prometem e se comprometem. É uma total falta de responsabilidade, profissionalismo e até de caráter da pessoa.
Sua atitude vai prejudicar a empresa, seus colegas de trabalho e a si mesmo. Aí perde o emprego e reclama.
E o que falar de pessoas no nosso dia a dia que prometem algo para alguém ou para si mesmo e não cumprem. Cadê o comprometimento, gente?
Falta de comprometimento na via profissional e pessoal é um péssimo hábito. Quem não tem comprometimento leva a “vida na flauta” ou “seja o que Deus quiser”.
O cliente senta na minha frente na sessão de Coaching, fala que quer ter sucesso na vida, jura 100% de comprometimento e falta na sessão seguinte dizendo que tem outro compromisso importante.
Compromisso importante? E os 100% de comprometimento que ele “juramentou” com ele próprio em alcançar sucesso? Não é mais importante?
Parece que não. Estas pessoas que não cumprem o que falam, acham que estão enganando seu Coach, seu chefe ou sua própria vida.
Na verdade esta pessoa que não cumpre nem 1% do que se compromete, está enganado a si próprio. Está perdendo seu tempo e não o meu.
Você que não cumpre o que promete ou se compromete, fica aqui um recado para refletir:
Não cumpre o que promete, não avança, não vence e não conquista.
Para ajudar, significado de Comprometimento:
“Esta é uma atitude que poderíamos definir como algo de cunho moral, afinal, literalmente, remete ao cumprimento de um tratado, um pacto firmado.
Significa “honrar a palavra empenhada”. O comprometimento está vinculado ao clima organizacional, à cultura e aos valores da empresa. As pessoas estão dispostas a lutar por aquilo em que acreditam, seja no plano profissional ou pessoal. E lutam pela verdade!
Há uma relação íntima entre esta competência e a capacidade de estabelecer e cumprir metas. E esta relação está presente na própria palavra.
É por ai. Boa semana!
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Você já parou para pensar a força que estas duas palavras possuem? Bom Dia e Obrigado.
Palavras simples, óbvias, porém em muitos momentos esquecidas pelo corre-corre da falta de tempo, pelo mau humor que nos atinge, pelo status que faz acreditar que não se faz necessário ou pelo simples hábito de não se utilizar no vocabulário.
Certa vez ouvi em um treinamento de liderança: como você gostaria de ser liderado? E para minha surpresa: com um bom dia e um muito obrigado. E comecei a pensar.
Será que somente na gestão gostaríamos de ouvir estas palavras?
Quem não gostaria de ouvir pela manhã este simples gesto ou num momento que está desmotivado um obrigado por um trabalho realizado?
A palavra bom dia abre portas, pode ser o início de uma conversa difícil; quebrar o gelo num momento de nervoso, despertar o sorriso nos mais contagiantes, demonstrar respeito ao próximo e principalmente celebrar a oportunidade de um novo dia, cheio de desafios, atividades a serem desenvolvidas, pessoas a conhecer, negociações a vencer. Oferece uma palavra positiva para você e para quem ouve, transmitindo pensamentos positivos.
Pode parecer longe demais, mas e se nós realmente ao dizermos esta simples palavra, buscássemos ter o nosso Bom dia?
Onde você conhecendo seus valores, desejos e objetivos gera uma atitude consciente para que consiga o resultado esperado. Que possa vencer o medo, a desmotivação, a baixa estima e quebrar barreiras, obstáculos na comunicação, relacionamentos e descubra caminhos efetivos de atingir o sucesso e por que não a felicidade tão sonhada?
Pense nisso e se permita a realmente ter um bom dia.
A palavra obrigado tem significados interessantes segundo o dicionário: ser obrigado a fazer, obrigar por lei, ser grato, reagir a algo correspondido.
Palavra igualmente simples, mas difícil de ser dita por aqueles que justamente se sentem na obrigação de fazê-lo, mas nobre e cheia de ternura, gratidão e reconhecimento por quem diz e recebe.
Um feedback por algo, dar-lhe a vez, agradecer um trabalho, um presente, uma parceria ou um simples objeto que foi entregue, uma porta aberta. O poder do obrigado nos renova as energias, aumenta a motivação, estima, trabalho em equipe e comprometimento.
O obrigado é um gesto de reconhecimento, retorno positivo que se está no caminho certo, de um trabalho bem feito, de um apoio sincero, de uma ajuda para alguém que precisa carregar sua mala, segurar o elevador ou passar simplesmente o sal.
Reforça comportamentos; gera sinergia e cumplicidade.
Que possamos falar obrigada sem a obrigação social, mas dar ao outro o direito de gentileza e valor por um gesto, atitude ou trabalho.
Bom dia e obrigado. Que possam ser um oxigênio. Não tem o hábito? Dê o primeiro passo. Diga para você mesmo, pois este é o maior sentido para despertar para o outro.
Diga a você mesmo o quanto acredita em si e é capaz de buscar seus sonhos e metas; o quanto é grato por sua vida, carreira, família.
Que estas palavras não sejam apenas etiquetas profissionais mas façam parte de seu cotidiano para que ao despertar de um novo dia você tenha bons momentos e possa ser grato pelas conquistas feitas por você e pelos outros.
Pense nisso.
Te desejo um bom dia e obrigada.
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É aquela coisa que você já sabe que tem que fazer e não faz. É uma decisão que não toma, um trabalho que não termina, um projeto que não entrega, uma conversa que não rola nunca por que você não toma a iniciativa.
Aí você procura por ajuda, porque sabe que tem alguma coisa errada com isso. Sabe que não é o seu normal, mesmo que nem consiga ver isso com clareza. Você provavelmente dá um Google, pega um livro, conversa com alguém ou mesmo tira um tarô para ver o que dizem e invariavelmente você recebe o mesmo veredicto: “pare de procrastinar para ter sucesso, para conseguir o que você quer. Assuma as rédeas da sua vida, você tem condições, basta querer.”
E aí é que podemos perder uma chance de ouro, a de nos conhecermos melhor e efetivamente dar o salto [quântico] rumo a nós mesmos. Explico: quando vejo, na prática do Coaching, que as pessoas estão procrastinando, eu não falo para elas “superarem” esse problema. Ao contrário, eu sugiro que a gente acolha, pare e olhe para isso que está acontecendo. Vamos entender o que essa lentidão momentânea e consciente tem a dizer, que notícias ela traz desse momento da vida daquela pessoa.
Geralmente a procrastinação é um sintoma. É a ponta do iceberg. Ele traz muitas coisas consigo, que vão além da superfície. O que eu mais vejo na minha prática profissional tem a ver com medo, autossabotagem, insegurança, baixa autoestima, angústia, bloqueio criativo, falta de sentido ou de tesão, incapacidade de assumir o que se quer, entre outras coisas. Cada um desses tópicos merece um texto, ou melhor, um livro em si, então não vamos nos aprofundar agora, certo?
O que eu quero é sugerir que você pare e reflita a respeito do que faz você procrastinar. E busque entender o que esse sintoma está querendo te dizer. Essa é uma maneira muito potente de ir mais fundo e se ouvir, buscar sua verdade e aceitá-la. Acolher o seu momento é a melhor forma de sair dele, como já falei no texto sobre o limbo.
Proponho uma atividade para lhe ajudar nessa reflexão.
Separe um tempo para você, de preferência sozinho e sem interrupções, de aproximadamente 30 a 50 minutos. Procure estar num lugar confortável e, se possível, feche os olhos, respirando profundamente umas 3 vezes ou até conseguir deixar os pensamentos mais quietos, as preocupações de lado…
Então, com o auxílio de papel e caneta ou outro meio que você escolher, comece a atividade:
1º passo: Responda em quais situações específicas da minha vida estou procrastinando agora?
Escreva de maneira sucinta e precisa, como por exemplo: não terminei o projeto X. Não comecei a fazer ginástica. Estou usando muito tempo para fazer tarefa Y. Não estou conseguindo terminar tal coisa. Estou adiando a conversa com fulano.
2º passo: Depois olhe para essas situações que você escreveu e as leia com compaixão. Procure simplesmente aceitá-las, contemplá-las, sem julgá-las. Sei que é difícil não julgar, mas ao menos tente.
Ao observar essas situações, procure apenas abrir espaço para que elas mesmas te digam coisas.
3º passo: Se for o caso, pergunte-se: o que essa situação quer me dizer? O que há aqui, além da superfície? O que eu estou deixando de fazer de verdade? O que está por trás dessa procrastinação que eu não estou querendo ou podendo ver?
4º passo: Veja quais fichas caem, se caem, o que surge. Aceite o que veio, agradeça e só. Guarde tudo e retome sua vida. Se for dormir, boa noite. Se for voltar ao trabalho, bom trabalho. NÃO mexa mais no exercício.
5º passo: Após alguns dias (de 3 a 5 dias), volte ao que você anotou. Novamente observe as situações de procrastinação. Veja se algumas delas você já pode mexer e realizar. Anote as ações que têm que ser feitas.
6º passo: Faça.
Como sempre, quero saber o que surgiu para você, ao ler esse texto. Caíram fichas? Nada rolou? Tá valendo. Compartilhe aqui.
E você já sabe. Qualquer coisa, estou por aqui.
Com amor e com alma,
Karinna
PS: Se você acha que este artigo pode beneficiar alguém, por favor, encaminhe agora para essa pessoa.
PS2: Eu, claro, adoraria que você espalhasse meu artigo por aí, nas suas redes. Assim mais gente curte e compartilha com quem precisa.
Obrigada!
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Eu tenho a mais absoluta certeza de que a grande parte dos leitores já ouviu falar sobre a Inteligência Emocional. Aliás, provavelmente, haverá até especialistas e professores na disciplina cuja fundamentação teórica nos remete a Charles Darwin. O que a maioria também sabe está no fato de que a popularização do assunto surgiu quando, há vinte anos, Daniel Goleman publicou um best-seller a respeito. Mas será que a inteligência emocional se confunde com a Inteligência Espiritual? E você, o que pensa a respeito?
Para começo de conversa, deve-se lembrar que o conceito de “inteligência” é algo sobre o que não há unanimidade. A depender da corrente de estudos, esse conceito (que na linguagem dos estudiosos chama-se constructo) terá diferentes interpretações e o pesquisador deve indicar qual a ênfase e abordagem mais adequada ao seu objetivo de momento. Neste nosso caso, vamos nos vincular ao conceito etimológico de que a “inteligência” é a capacidade de identificar as opções, processá-las e decidir por aquela mais conveniente em um dado problema ou situação. Agora, vou tirar o foco da mera conceituação de “inteligência” para tratar do tema ampliado: Inteligência Espiritual.
O estudo da importância da espiritualidade tem crescido bastante, a ponto de haver profissionais da área de saúde que indicam haver alta relação entre a prática espiritual com a saúde mental das pessoas. E aqui surge a necessidade de se fazer outra distinção, pois espiritualidade não é o mesmo que religiosidade. Esta última diz respeito à prática da relação da pessoa com Deus, em que há um sistema de rituais ou simbolismos presentes. A espiritualidade, porém, volta-se à dimensão pessoal que diz respeito à própria existência, uma relação com a consciência sem que haja necessariamente rituais ou símbolos. Ou seja, a espiritualidade diz respeito a atitudes, sentimentos e pensamentos superiores que levam ao crescimento (amadurecimento) do ser humano. A prática da religião pode apoiar a espiritualidade, mas esta vai além.
Voltando ao tema central, vamos nos basear nos estudos e propostas da física e filósofa americana Danah Zohar, ligada a importantes centros de pensamento, nos EUA e Europa. Tendo como linha de pesquisa a física quântica, sobre Inteligência Espiritual ela relata ser algo essencial para promover a cooperação entre as pessoas, tanto na família como em sociedade. Indo além, ela entende que é a Inteligência Espiritual que ajudará as pessoas a alcançarem soluções positivas para o planeta, além de criar um melhor encontro individual nessa caminhada, ao descobrir melhor a si mesmo e aos seus valores. O alto quociente espiritual faz a pessoa ter a vida mais criativa, promissora e com sentido, com identificação do propósito pessoal.
Em seu livro Inteligência Espiritual (Editora: Viva Livros; 2012), escrito com Ian Marshall, Danah comenta que a inteligência emocional faz a pessoa ter capacidade de julgar em que situação se encontra e como deve se comportar, adequadamente, nos limites dessa situação. A Inteligência Espiritual estimula a pessoa a se perguntar se ela deseja estar nessa situação em particular e como é a melhor forma de trabalhar com os limites da situação. Em seu livro ela comenta de dez atributos típicos que mostram quando a pessoa tem um elevado quociente de Inteligência Espiritual.
As características comuns de quem tem alta Inteligência Espiritual são assim resumidas: (1) Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo; (2) São idealistas e levadas por valores pessoais; (3) Têm capacidade de encarar e se apropriar positivamente da adversidade; (4) São holísticas, no sentido de que conseguem ter visão abrangente sobre cada situação (analisam as partes e entendem o todo); (5) Respeitam a diversidade (em todas as nuances de diferenças entre pessoas, sem preconceitos); (6) Preservam sua independência e arbítrio; (7) Perguntam sempre “por quê?”, como forma de se questionarem quanto aos próprios dogmas e crenças limitantes; (8) Têm capacidade de colocar as situações e os fatos em um contexto ampliado; (9) São espontâneas e verdadeiras, e; (10) Têm compaixão, conseguindo se colocar no lugar das pessoas que estão com dores ou problemas, viabilizando ajudá-las.
E então, como está o seu grau de Inteligência Espiritual? Agora, fica o convite à sua reflexão e … Boa sorte!
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