O Novo Helenismo Digital: Como a Geração da Inteligência Artificial Repete os Erros do Passado
O Diagnóstico Inquietante
Olhamos para os jovens de hoje e sentimos um desconforto que poucos ousam nomear. Eles têm acesso a mais informação do que qualquer geração anterior — e, paradoxalmente, parecem pensar menos. São ágeis com os dedos, mas hesitantes diante de uma decisão moral. Conectados em rede, mas isolados na capacidade de responder por si mesmos. Deixam o planeta com uma pergunta que ecoa silenciosamente: que mundo estamos construindo com mãos que não querem segurar o peso da responsabilidade?
Não se trata de um lamento saudosista. É uma constatação clínica, psicológica, cognitiva — e, ouso dizer, espiritual.
O Espelho Helenístico
Ao observar esse fenômeno, sou tomado por uma sensação de déjà-vu histórico. No século II a.C., o mundo helenístico — sob o domínio grego — impôs aos jovens judeus um dilúvio de ideias, filosofias e estilos de vida que colidiam frontalmente com sua tradição. A cultura grega era sedutora: oferecia liberdade intelectual, novas formas de pensar, uma estética deslumbrante. Muitos jovens judeus se deixaram levar. Abandonaram os costumes de seus pais. Trocaram a lei mosaica pelo pensamento estoico. Preferiram o ginásio grego à sinagoga.
O resultado? Uma geração que flutuava entre dois mundos, sem âncora firme em nenhum. Conheciam os conceitos, mas não os internalizavam. Repetiam discursos, mas não formavam caráter.
Soa familiar?
A Era Digital como Novo Helenismo
Hoje, o papel da Grécia antiga é desempenhado por algo ainda mais invasivo: a cultura digital. Não são soldados com lanças que cruzam fronteiras — são algoritmos que atravessam telas. As ideias não chegam por navios, mas por notificações. E a sedução não vem de deuses mitológicos, mas de uma inteligência artificial que entrega respostas prontas, eliminando o esforço de pensar.
O jovem tecnológico de 2026 não precisa memorizar: o Google lembra por ele. Não precisa argumentar: o ChatGPT redige. Não precisa refletir sobre valores: o feed define o que é certo ou errado pelo número de curtidas. A cognição está sendo terceirizada, e com ela, a alma.
Do ponto de vista cognitivo, estamos diante de um fenômeno preocupante: a atrofia do pensamento crítico. O cérebro, como qualquer músculo, se desenvolve pelo esforço. Quando oferecemos respostas instantâneas a cada pergunta, eliminamos o processo — doloroso, mas necessário — de construir um raciocínio. O jovem deixa de perguntar “por quê?” e passa a aceitar “o que o algoritmo me mostrou”.
O Papel da Educação Familiar: O Berço do Caráter
A primeira trincheira dessa batalha é o lar. A educação familiar sempre foi o espaço onde os valores são transmitidos não por discursos, mas pelo exemplo vivido. Uma criança que vê os pais dialogando, discordando com respeito e assumindo responsabilidades aprende, por osmose, o que significa ser um adulto íntegro.
No entanto, a família moderna delegou à tela a função de educar. O smartphone virou a babá digital, o YouTube virou a escola paralela, e o TikTok virou o conselheiro moral. Os pais, exaustos pela própria sobrecarga digital, perderam o hábito do diálogo profundo à mesa. As conversas se tornaram funcionais: “fez a lição?”, “jantou?”, “está usando o notebook?” — e não mais: “o que você pensa sobre isso?”, “por que agiu assim?”, “qual foi a consequência das suas escolhas?”.
Psicologicamente, a ausência desse diálogo formativo gera jovens que sabem operar sistemas, mas não sabem operar a própria consciência. Eles têm facilidade técnica, mas dificuldade ética.
A Escola Entre o Conteúdo e o Sentido
A escola, por sua vez, enfrenta seu próprio dilema. Pressionada a preparar os alunos para um mercado de trabalho incerto, optou por um pragmatismo pedagógico que valoriza habilidades técnicas (“hard skills”) em detrimento da formação humanística.
O jovem aprende a programar, mas não aprende a interpretar um texto filosófico. Domina planilhas, mas não consegue articular um argumento moral. Sabe usar inteligência artificial para gerar relatórios, mas não desenvolveu a inteligência emocional para gerenciar um conflito.
Do ponto de vista cognitivo, a escola que não ensina pensamento divergente — a capacidade de considerar múltiplas perspectivas, de duvidar, de questionar — está formando gerações de executores de tarefas, não de líderes de pensamento. E o pior: está treinando jovens para serem consumidores de respostas, não formuladores de perguntas.
Costumes e Valores: A Erosão Silenciosa
Os valores não desaparecem de repente. Eles se desgastam como rochas expostas ao vento — milimetricamente, dia após dia. O que temos testemunhado é a erosão de valores fundamentais:
- Responsabilidade → substituída pela cultura do “não fui eu, foi o algoritmo”;
- Esforço → trocado pela busca do atalho mais rápido;
- Compromisso → diluído pela lógica do “posso desistir e tentar outra coisa”;
- Respeito → reduzido à ausência de conflito, não à consideração genuína pelo outro;
- Verdade → relativizada em “minha verdade” e “sua verdade”, sem referência objetiva.
A inteligência artificial acelera esse processo ao criar um ambiente onde tudo pode ser simulado, gerado, modificado. Se um texto pode ser escrito por IA, se uma imagem pode ser criada por comando, se uma opinião pode ser fabricada por um modelo de linguagem — o que ainda é real? O que ainda é seu?
Essa crise de autenticidade tem um custo psicológico profundo: a dificuldade de formar uma identidade sólida. O jovem contemporâneo constrói o self como um mosaico de referências fragmentadas, sem a coesão interna que só a tradição e a reflexão continuada podem proporcionar.
A Perspectiva Psicológica e Cognitiva
Jean Piaget nos ensinou que o desenvolvimento cognitivo passa por estágios, e que o pensamento abstrato — a capacidade de lidar com hipóteses, consequências e sistemas morais — é o ápice desse processo. Esse estágio, chamado de operatório formal, exige prática. Exige que o jovem seja confrontado com problemas abertos, dilemas éticos, situações sem resposta pronta.
O que a cultura digital faz é encurtar esse estágio. Oferece respostas antes mesmo de a pergunta ser formulada. O jovem não precisa elaborar hipóteses — a inteligência artificial e o algoritmo já oferecem caminhos por ele. Não precisa avaliar consequências — a interface já exibe o resultado mais provável.
Viktor Frankl, psiquiatra sobrevivente do Holocausto, apontou que a maior necessidade humana é encontrar sentido. Uma geração que terceiriza o pensamento também terceiriza a busca por propósito. E uma vida sem propósito é uma vida vazia — que pode ser preenchida por qualquer coisa, do consumo compulsivo ao radicalismo virtual.
Do ponto de vista psicológico, observamos um aumento preocupante de:
- Ansiedade generalizada: a incapacidade de processar a superestimulação informacional;
- Nomofobia: o pânico de ficar offline e “perder algo”;
- Apatia existencial: a sensação de que nada importa, já que tudo pode ser gerado, replicado, substituído;
- Déficit de atenção sustentada: a dificuldade crescente de manter foco em uma única tarefa por mais de alguns minutos.
E o Planeta?
A preocupação com o futuro do planeta não é apenas ambiental — é existencial. Uma geração que não desenvolve o pensamento de longo prazo, que não assume responsabilidade pelas consequências de seus atos, dificilmente fará as escolhas difíceis que a crise climática exige.
O jovem que aprendeu que tudo pode ser resolvido com um aplicativo tende a acreditar que a tecnologia salvará o planeta sem que ele precise mudar seus hábitos. É a ilusão tecnocrática: a crença de que um novo invento virá nos resgatar, sem que precisemos renunciar a nada.
Mas a história — e a psicologia — nos mostram o contrário. Mudanças reais exigem sacrifício, consciência e responsabilidade coletiva. Três atributos que estão em franco desabastecimento.
Nem Tudo Está Perdido
Não escrevo este artigo como um diagnóstico terminal. Escrevo como um alerta, mas também como um convite à ação. Toda crise é também uma oportunidade de despertar.
A inteligência artificial não é, em si mesma, uma ameaça. Ela é uma ferramenta. O problema não é a tecnologia — é a ausência de uma educação que forme pessoas capazes de usá-la com sabedoria.
Se o período helenístico nos ensinou algo, foi que a resistência cultural consciente é possível. Muitos jovens judeus cederam à sedução grega — mas outros não. O movimento fariseu, que nasceu exatamente nesse período, foi uma resposta de resistência e reinterpretação criativa da tradição. Eles não se isolaram do mundo helenístico; aprenderam a navegá-lo sem perder a essência.
Essa resistência consciente é possível hoje?
O que podemos fazer?
- Famílias: Retomar o diálogo substantivo. Criar espaços livres de telas para conversas que envolvam valores, dúvidas e projetos de vida. A educação começa no exemplo de quem se senta à mesa e olha nos olhos.
- Escolas: Reintegrar as humanidades ao centro do currículo. Filosofia, ética, arte e literatura não são enfeites — são o antídoto cognitivo contra a superficialidade digital. Ensinar a perguntar é mais urgente do que ensinar a responder.
- Sociedade: Criar ritos de passagem que marquem a transição para a vida adulta. O jovem precisa sentir, de forma concreta, que a responsabilidade é um peso que se carrega com dignidade, não um fardo a ser evitado.
- Indivíduos: Cultivar o tédio criativo — o silêncio, a solidão voluntária, o tempo não preenchido por estímulos. É no vazio que as ideias originais germinam. É na pausa que a consciência se forma.
Conclusão
A maior preocupação do mundo atual não é a inteligência artificial. É a inteligência humana que está sendo subutilizada. É o jovem que sabe operar máquinas, mas não sabe operar a própria vida. E é a geração que pode conversar com chatbots, mas não consegue dialogar com o pai.
Voltamos ao helenismo, sim — mas com uma diferença crucial: os gregos antigos ofereciam filosofia; nossa era oferece distração. E a distração, diferentemente da filosofia, não forma ninguém.
O mundo do futuro será exatamente o que esta geração fizer dele. Se continuarmos delegando o pensamento às máquinas e a responsabilidade aos algoritmos, teremos um mundo eficiente, mas vazio. Rápido, mas superficial. Conectado, mas solitário.
A alternativa — uma geração que pensa, escolhe e responde por si — não depende de tecnologia. Depende de nós.
“O analfabeto do século XXI não será aquele que não sabe ler e escrever, mas aquele que não sabe aprender, desaprender e reaprender.” — Alvin Toffler
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Quer saber mais sobre como a inteligência artificial pode impactar o pensamento crítico, a autonomia e a formação das novas gerações? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Um abraço e até a próxima!
Iússef Zaiden Filho
Advogado, Mestre em Educação, Psicanalista e Especialista em Psicologia Comportamental
http://www.izfcoaching.com.br/
Confira também: Transtornos Psicoadaptativos: A Alma em Busca de Sentido na Era Digital
Bibliografia Consultada Contexto Histórico — Helenismo e Judaísmo 1. DODDS, E. R. Os Gregos e o Irracional. São Paulo: Editora Escuta, 2002. → Base para a compreensão da mentalidade helenística e seu impacto psicológico sobre outros povos. 2. HENGEL, Martin. Judaism and Hellenism: Studies in Their Encounter in Palestine During the Early Hellenistic Period. London: SCM Press, 1974. → Obra clássica sobre o conflito cultural entre o judaísmo e o pensamento grego no período helenístico. 3. JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD, 2000. → Fonte primária sobre o período dos Macabeus e a resistência judaica à helenização. 4. TCHERIKOVER, Victor. Hellenistic Civilization and the Jews. Philadelphia: Jewish Publication Society, 1959. → Análise detalhada da influência grega sobre os jovens judeus e o movimento fariseu. 5. EQUIPE TEOLÓGICA PENKAL: Período Interbíblico – A História por trás dos 400 anos de silêncio entre os testamentos - 2025 Psicologia Cognitiva e do Desenvolvimento 1. PIAGET, Jean. O Nascimento da Inteligência na Criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1970. → Referência central para o conceito de estádios do desenvolvimento cognitivo e a importância do pensamento abstrato (operatório formal). 2. PIAGET, Jean. Seis Estudos de Psicologia. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1967. → Discussão sobre a formação do juízo moral e a construção do pensamento crítico. 3. VYGOTSKY, Lev S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1989. → Complemento essencial sobre como o ambiente cultural e as interações sociais moldam o desenvolvimento cognitivo — diretamente relacionado à influência digital sobre a juventude. 4. KAHNEMAN, Daniel. Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012. → Base para a compreensão dos vieses cognitivos e como o pensamento intuitivo (Sistema 1) tem sido superestimulado pela cultura digital, em detrimento do pensamento reflexivo (Sistema 2). Psicologia Existencial e Sentido da Vida 1. FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido: Um Psicólogo no Campo de Concentração. Petrópolis: Vozes, 2008. → Fundamento da tese central sobre a necessidade de sentido como motor psicológico fundamental — e o vazio existencial gerado por sua ausência. 2. FRANKL, Viktor E. A Psicoterapia na Prática. São Paulo: É Realizações, 2010. → Aprofundamento sobre a logoterapia e o conceito de "vazio existencial" aplicado à sociedade contemporânea. Sociedade Digital, Cognição e Educação 1. CARR, Nicholas. A Geração Superficial: O Que a Internet Está Fazendo com Nossos Cérebros. Rio de Janeiro: Agir, 2011. → Análise empírica sobre como o ambiente digital altera os padrões de leitura, atenção e pensamento crítico. 2. WOLF, Maryanne. O Cérebro no Mundo Digital: Os Desafios da Leitura na Nossa Era. São Paulo: Contexto, 2019. → Estudo neurocientífico sobre os impactos da leitura em tela versus leitura profunda no desenvolvimento cognitivo infantil e juvenil. 3. BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001. → Referência para o conceito de fluidez das identidades e valores na contemporaneidade. 4. HAN, Byung-Chul. A Sociedade do Cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015. → Análise psicológica e filosófica sobre a sociedade do desempenho, a hiperestimulação e a erosão da atenção sustentada. 5. TURKLE, Sherry. Alone Together: Why We Expect More from Technology and Less from Each Other. New York: Basic Books, 2011. → Pesquisa sociológica sobre como a conectividade digital enfraquece a intimidade e a responsabilidade relacional. 6. POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da Infância. Rio de Janeiro: Graphia, 2002. → Reflexão sobre como a mídia digital encurta o período de formação moral e cognitiva da infância e adolescência. Ética, Inteligência Artificial e Futuro 1. BOSTROM, Nick. Superinteligência: Caminhos, Perigos, Estratégias. Rio de Janeiro: Darkside Books, 2018. → Discussão sobre os riscos existenciais da inteligência artificial e a necessidade de alinhamento ético. 2. FLORIDI, Luciano. A Quarta Revolução: Como o Infosfera Está Redefinindo a Realidade Humana. Lisboa: Relógio d'Água, 2017. → Base para a discussão sobre como a informação e os algoritmos reconfiguram a identidade pessoal e a tomada de decisão. 3. HARARI, Yuval Noah. Sapiens: Uma Breve História da Humanidade. Porto Alegre: L&PM, 2015. → Contexto macro-histórico sobre as revoluções cognitivas e tecnológicas da humanidade. 4. MORIN, Edgar. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. São Paulo: Cortez / UNESCO, 2000. → Inspiração direta para a proposta final do artigo: uma educação que ensine a pensar, não apenas a operar. 5. PAPA LEÃO XIV: Magnifica Humanitas – sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial – Carta encíclica- 2026
Palavras-chave: inteligência artificial, pensamento crítico, cultura digital, educação familiar, responsabilidade, atrofia do pensamento crítico, terceirização do pensamento, educação familiar e inteligência artificial, inteligência artificial e jovens, inteligência artificial e pensamento crítico, IA e pensamento crítico, impactos da IA no pensamento crítico
Você pode ter tudo o que quiser. Será?
Essa é uma daquelas frases que atravessaram décadas, livros, palestras e diferentes linhas de desenvolvimento humano.
Eu acredito nela. Porque eu acredito na nossa capacidade de criar possibilidades, ampliar caminhos, rever limites internos e construir uma vida muito maior do que aquela que um dia imaginamos ser possível.
Quanto mais estudo e vivo a prosperidade, mais percebo que essa frase precisa de contexto.
Ter tudo o que queremos não garante que saibamos viver bem com aquilo que conquistamos. E uma conversa mais madura sobre prosperidade começa quando colocamos ao lado dos nossos desejos uma pergunta necessária:
Qual é o preço da vida que eu digo que quero? Estou disposto a pagar esse preço?
Tudo o que desejamos pede alguma coisa de nós
Imagine uma pessoa que deseja ganhar muito dinheiro, viajar várias vezes por ano, ter uma vida social ativa, construir uma relação amorosa saudável, estar presente na vida dos filhos, cuidar do corpo, dormir bem, estudar, crescer profissionalmente, desenvolver sua espiritualidade, cultivar boas amizades e, além de tudo isso, ainda ter tempo para simplesmente não fazer nada.
Cada um desses desejos é possível quando olhado separadamente. Quando tentamos acomodar todos dentro das mesmas 24 horas, então a realidade começa a pedir escolhas.
Ganhar mais dinheiro pode exigir mais dedicação ao trabalho, responsabilidade, estudo ou disponibilidade.
Viajar frequentemente pede recursos, organização e espaço na agenda.
Uma vida social ativa pede presença.
Saúde pede sono, alimentação, movimento e cuidado.
Relacionamentos consistentes pedem tempo.
Uma carreira sólida pede escolhas.
Uma vida interior cultivada também.
Até o descanso ocupa um espaço que precisa ser respeitado.
Cada uma dessas coisas pode caber numa vida, mas cada uma pede algo de nós.
É isso que costumo chamar de pagar o preço.
O preço a que me refiro é consequência. Porque toda escolha utiliza recursos: tempo, energia, dinheiro, atenção, presença. Quando direcionamos mais energia para uma área, precisamos reconhecer o que isso representa para as demais.
Por isso, gosto de acrescentar uma pergunta ao “eu posso ter isso?”:
Estou disposto a pagar o preço necessário para que eu possa sustentar isso na minha vida?
A fantasia de maximizar todas as áreas da vida
Há algo delicado na maneira como aprendemos a imaginar uma vida próspera.
Criamos uma referência alta para a carreira, outra para o dinheiro, outra para o corpo, para os relacionamentos, para as viagens, para a vida social, para a família. Aos poucos, reunimos todas essas imagens e passamos a esperar que coexistam.
Quando não conseguimos sustentar tudo, podemos concluir que estamos falhando.
Essa é uma das distorções que a ideia de “ter tudo” pode produzir: a expectativa de viver todas as dimensões da vida em sua potência máxima e ao mesmo tempo.
A vida tem fases.
Existem períodos em que o trabalho pede mais de nós. Outros em que a família ocupa o centro. Há momentos em que o corpo pede recolhimento, fases de expansão, períodos em que o dinheiro precisa receber mais atenção e outros em que escolhemos reduzir o ritmo.
Prosperidade também tem ritmo.
Prosperidade integral e a vida que faz sentido para você
Durante muitos anos, nossa ideia de prosperidade esteve fortemente associada ao que conseguimos acumular, conquistar ou demonstrar. Dinheiro, patrimônio, reconhecimento, experiências, resultados.
Tudo isso pode fazer parte de uma vida próspera, mas a prosperidade que me interessa inclui também a maneira como vivemos aquilo que conquistamos.
É aqui que entra o conceito de Prosperidade Integral.
Prosperidade integral significa reconhecer o que compõe uma vida próspera para você e encontrar harmonia entre as suas escolhas.
Essa compreensão torna a prosperidade profundamente pessoal.
Uma pessoa pode escolher trabalhar intensamente durante determinado período porque existe um projeto importante sendo construído.
Outra pode ganhar menos porque deseja preservar mais tempo com a família.
Alguém pode morar em uma casa menor para que possa viajar mais.
Outra pessoa pode viajar menos porque encontra enorme prazer na vida que construiu onde está.
A prosperidade aparece na coerência entre aquilo que valorizamos e a maneira como escolhemos viver.
Para que você quer aquilo que quer?
Existe uma pergunta que gosto especialmente de fazer quando falamos sobre desejos: Para que você quer isso?
- Quero ganhar mais dinheiro. Para quê?
Para sentir segurança. - Quero viajar muito. Para quê?
Para experimentar liberdade. - Quero ter muitas pessoas por perto.
Para sentir pertencimento. Para quê? - Quero reconhecimento profissional. Para quê?
Para sentir que meu trabalho tem valor, que sou vista, que aquilo que faço importa. - Quero determinada casa. Para quê?
Para experimentar conforto, beleza, acolhimento.
Quando investigamos o para quê, começamos a enxergar a experiência interna que associamos a cada conquista, e essa percepção pode, de fato, mudar profundamente a nossa relação com o desejo.
Porque, muitas vezes, passamos anos buscando uma determinada conquista para finalmente experimentar uma sensação que já poderia estar sendo cultivada, em alguma medida, na vida que temos hoje.
Aprender a reconhecer também é prosperidade
Podemos…
- desejar mais dinheiro e reconhecer a segurança que já construímos.
- sonhar com uma grande viagem e perceber os espaços de liberdade que já existem numa simples caminhada pelo parque, perto de casa.
- querer crescer profissionalmente e honrar o caminho percorrido.
- desejar uma nova casa e desfrutar daquela que hoje nos abriga.
Reconhecer o que já existe não reduz nossos desejos, mas dá a eles um lugar mais saudável dentro da vida.
Podemos agradecer profundamente pelo que temos e continuar desejando mais. Amar a casa onde moramos e sonhar com outra. Reconhecer o valor do nosso trabalho e desejar ganhar melhor. Desfrutar a vida de hoje enquanto construímos uma realidade diferente para amanhã. Nesse contexto, o “posso ter tudo” se encaixa perfeitamente para mim.
Quando aprendemos a reconhecer, o futuro deixa então de ser o único lugar onde depositamos a possibilidade de felicidade.
As certezas que acumulamos sobre ser feliz
Ao longo da vida, criamos algumas frases internas:
- “Quando eu ganhar isso, vou ficar tranquila.”
- “Quando encontrar alguém, vou me sentir completa.”
- “Quando meu negócio crescer, vou poder descansar.”
- “Quando meus filhos estiverem encaminhados, vou cuidar de mim.”
- “Quando eu tiver mais tempo, vou viver de verdade.”
E assim a vida pode passar enquanto esperamos pela próxima condição.
Por isso, acredito que prosperidade envolve liberar algumas das certezas que acumulamos sobre aquilo de que precisamos para ser felizes.
Nossos sonhos podem nos mobilizar, inspirar, ampliar nossa experiência e abrir novas possibilidades. Mas podem coexistir com a capacidade de estar presente na vida que já temos.
O que você chama de “tudo”?
Quando olho novamente para a frase que abriu este texto, continuo acreditando nela:
“Você pode ter tudo o que quiser.”
Hoje, porém, antes de perguntar se posso ter tudo, quero compreender o que estou chamando de tudo.
- Quero saber de onde nasceram meus desejos.
- Quero conhecer o preço de cada escolha.
- Quero decidir conscientemente quais preços desejo pagar.
- Quero reconhecer aquilo que já está presente.
- Quero continuar desejando, sem transformar minha vida em uma espera permanente pela próxima conquista.
Para mim, prosperidade integral tem muito a ver com isso: expandir sem perder a capacidade de reconhecer.
Continuar criando, crescendo, realizando e desejando. Olhar para a própria vida com presença suficiente para perceber o que já existe nela de precioso.
Porque podemos passar anos reunindo as condições que associamos à felicidade e, durante esse percurso, consumir recursos igualmente preciosos: tempo, presença, saúde, relações, paz interior, vida.
Por isso, continuo acreditando que você pode ter tudo o que quiser.
Só não aceite a ideia de que precisa de tudo isso para ser feliz. Você já tem o que precisa. Preste atenção e verá!
Se esta reflexão fez sentido para você, então convido você a continuar essa jornada comigo pelo Instagram: @shirleybrandaooficial.
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Quer saber mais sobre como a prosperidade integral pode ajudar você a compreender o que realmente significa ter tudo, fazer escolhas conscientes, bem como construir uma vida que faça sentido? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Com carinho,
Shirley Brandão
Mentora em Desenvolvimento Humano há 37 anos · Terapeuta e Mentora do Método Louise Hay
https://shirleybrandao.com.br/
@shirleybrandaooficial
Confira também: A Fé que Permanece Quando Tudo Parece Vacilar
Palavras-chave: prosperidade integral, ter tudo, o que é ter tudo na vida, escolhas, vida próspera, felicidade, pagar o preço, estar presente na vida, vida que faz sentido para você, reconhecer o que já existe, preço de cada escolha
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Comunicação É Dinheiro: Como a Comunicação Eficaz Gera Resultados e Reduz Perdas nas Empresas
Há um provérbio que diz: ”Tempo é dinheiro”. Prefiro considerar essa possibilidade: “Comunicação é dinheiro”, ou melhor se devidamente utilizada, a boa comunicação gera (ou pode destruir) riqueza nas organizações.
A estatística é conhecida dos especialistas, mas ignorada por alguns executivos: Os prejuízos causados por falhas de comunicação nas empresas alcançam cifras extraordinárias e a dificuldade é que essas perdas raramente são identificadas como “problemas de comunicação”. Elas se disfarçam de retrabalho, de rotatividade de pessoal, de negociações perdidas, de prazos estourados, de clientes insatisfeitos que nunca voltam e nunca explicam o motivo. Se um auditor pudesse isolar a linha “custo da comunicação inadequada” no demonstrativo financeiro de qualquer empresa de médio e grande porte, encontraria valores que variam entre dezenas e centenas de milhões de reais por ano.
A comunicação é tida como o único ativo que todos possuímos, mas poucos sabem aplicar. Ela não aparece como linha no balanço patrimonial, não consta no DRE como despesa direta, nem é auditada pelos grandes escritórios de consultoria e, no entanto, é responsável por mais perdas e mais ganhos do que qualquer outra variável mensurável na vida empresarial. Quando alguém diz que comunicação é uma soft skill, está, na verdade, cometendo um reducionismo perigoso: trata-se de uma competência que, isoladamente, pode determinar se uma organização prospera ou não.
Alguns dados relevantes:
De acordo com a Society for Human Resource Management (SHRM), dificuldades de comunicação custam às grandes empresas, em média, US$ 62,4 milhões por ano em produtividade perdida. Pesquisas da Axios HQ estimam que a comunicação ineficaz custa entre US$ 10 mil e US$ 55 mil por colaborador ao ano. No agregado, apenas nos Estados Unidos, o custo total desse problema, ultrapassa US$ 2 trilhões anualmente.
No Brasil, o cenário não é diferente. Estudos indicam que cerca de 70% dos problemas enfrentados pelas empresas são oriundos de falhas comunicacionais, com uma perda de aproximadamente 20% em produtividade. A pesquisa da empresa irlandesa Poppulo, conduzida com executivos de nível C, aponta que o custo de uma comunicação interna deficiente gira em torno de US$ 19 milhões por ano por empresa.
O dado mais relevante vem da Fierce Inc. e do Project.co: 86% de colaboradores e executivos atribuem falhas de workplace à falta de comunicação eficaz. Não estamos falando apenas de ruídos operacionais, mas sim de decisões mal tomadas, projetos que não decolam, talentos que se desengajam e reputações que se desgastam. Uma empresa com 100 colaboradores perde, em média, US$ 420 mil por ano com problemas comunicacionais que poderiam ser evitados.
O prestígio também é atingido. Marcas perdem credibilidade não por falta de qualidade em seus produtos, mas por não saberem comunicar valor, propósito e transparência em momentos críticos. Em mercados hipercompetitivos, a diferença entre liderar e sobreviver está, com frequência, na forma como a organização fala, escuta e se faz entender.
Como um empreendedor, líder ou gestor de RH pode lidar com esse problema?
Primeiro, a consciência da necessidade desse investimento estratégico, considerando a comunicação não como uma “soft skill”, mas como um vetor direto de rentabilidade por meio de cinco caminhos principais:
- Redução de turnover e retenção de talentos: Colaboradores que compreendem a estratégia, os objetivos e seu papel na organização são mais engajados. Estudos do Gallup demonstram que equipes altamente engajadas apresentam 23% mais lucratividade e 59% menos turnover , o que, em uma empresa de médio porte, representa centenas de milhares de reais economizados em custos de reposição e treinamento.
- Aceleração na tomada de decisão: Organizações com fluxos comunicacionais claros decidem mais rápido. Em ambientes de negócios nos quais o tempo é vantagem competitiva, a clareza comunicacional reduz retrabalho, evita duplicação de esforços e encurta ciclos de projeto.
- Aumento de vendas e conversão: Profissionais de vendas que dominam técnicas de comunicação persuasiva, escuta ativa e comunicação não violenta convertem mais. A capacidade de articular valor, gerar conexão emocional e conduzir objeções é diretamente proporcional ao desempenho comercial.
- Fortalecimento de marca e reputação: Empresas que comunicam com consistência, transparência e propósito constroem confiança, um ativo intangível que se traduz em fidelidade de clientes, preferência de mercado e valor de marca.
- Inovação e colaboração: Times que comunicam bem compartilham ideias com menos fricção. A inovação não nasce do isolamento, ela floresce em ambientes nos quais a comunicação fluida permite que o conhecimento circule e se combine de formas inéditas.
A equação é simples:
comunicação eficaz → alinhamento estratégico → execução precisa → resultado financeiro superior
Além disso, quanto mais as pessoas e a empresa estão abertas à comunicação, mais os resultados positivos aparecem como consequência. Nesse sentido, destacamos algumas possibilidades:
1. Contratar profissionais com competência comunicacional:
Contratar pessoas que se comunicam bem, além das habilidades técnicas necessárias para o cargo e um perfil comportamental alinhado aos valores da empresa.
2. Treinar sistematicamente a comunicação:
Isso porque se trata de uma competência desenvolvível e não há limites para esse aprimoramento. Algumas possibilidades: programas estruturados de oratória, comunicação não violenta, comunicação assertiva, escuta ativa, storytelling, como lidar com pessoas difíceis, entre outros.
3. Escolher parceiros de treinamento com metodologia consistente:
Buscar empresas de treinamento e escolas com reputação, com metodologias próprias, consistência teórica e prática para gerar as devidas mudanças. Aqui destacamos nosso exclusivo Método F.A.L.A.R., cientificamente comprovado, que tem gerado resultados rápidos e eficazes.
4. Criar cultura de feedback contínuo:
Substituir avaliações anuais por ciclos constantes de feedback estruturado. Líderes devem ser treinados para dar e receber feedback de forma construtiva: uma prática que reduz ruídos, corrige rotas rapidamente, bem como fortalece o engajamento.
5. Padronizar canais e fluxos comunicacionais:
Cada tipo de mensagem merece o canal adequado, necessitando definir protocolos claros, por exemplo, a objetividade em mídias digitais, formalidade ou informalidade conforme o documento, clareza na fala e na voz, expressão das emoções contextualizada, reduzindo-se assim os ruídos e dificuldades de entendimento.
6. Desenvolver líderes como comunicadores:
A comunicação da organização reflete a comunicação de sua liderança. Investir na formação comunicacional de gestores e executivos gera efeito multiplicador: um líder que comunica com clareza, empatia e propósito replica esses padrões em toda a sua equipe.
7. Mensurar o impacto da comunicação:
Assim como se mede produtividade, vendas e satisfação do cliente, é preciso criar indicadores de eficácia comunicacional, taxa de compreensão de diretrizes, tempo de resposta a incidentes, índice de alinhamento estratégico percebido. O que não se mede não se melhora.
8. Integrar comunicação à estratégia de negócios:
A comunicação não pode ser tratada como departamento isolado ou atividade acessória. Ela deve estar integrada ao planejamento estratégico, com orçamento, objetivos e métricas próprias, afinal, como demonstram os dados, cada real investido em comunicação eficaz se converte em múltiplos de retorno.
A comunicação não é um custo a ser minimizado.
É um investimento cujo retorno se manifesta em produtividade, engajamento, reputação e, fundamentalmente, em resultados financeiros sustentáveis. Empresas que compreendem essa verdade não apenas sobrevivem, mas prosperam.
Para você que busca aprimoramento contínuo, tão importante quanto uma formação lato sensu ou stricto sensu, recomendo também investir no desenvolvimento da habilidade de comunicação. Por último, uma afirmação de Warren Buffett:
“Uma pessoa que desenvolve a habilidade de comunicação, aumenta em 50% o seu valor no mercado de trabalho”.
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Quer saber mais sobre como a comunicação eficaz pode reduzir perdas, aumentar a produtividade e gerar melhores resultados financeiros para sua empresa? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Reinaldo Passadori
Mestre e Professor de Oratória, CEO da Passadori Comunicação, Mentor, Escritor, Palestrante
https://www.passadori.com.br/
Confira também: Dizer “Não”: Uma Escolha que Preserva Saúde e Relacionamentos
Palavras-chave: comunicação eficaz, produtividade, resultados financeiros, falhas de comunicação, comunicação interna, redução de turnover, retenção de talentos, aceleração na tomada de decisão, fortalecimento de marca e reputação, mensurar o impacto da comunicação, integrar comunicação à estratégia de negócios
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Aluguel Consignado e o Risco de Comprometer o Futuro em Parcelas
A Câmara dos Deputados aprovou o projeto que cria o chamado “aluguel consignado”, uma nova modalidade de garantia para contratos de locação que permite o desconto de parte do salário diretamente na folha de pagamento. Pelo texto aprovado, o desconto poderá chegar a 30% da remuneração e poderá ser utilizado por empregados da iniciativa privada, servidores públicos, aposentados e pensionistas. A proposta também prevê que, em determinadas situações, o trabalhador transferido de cidade por exigência do empregador não tenha de pagar multa pela devolução antecipada do imóvel. O projeto ainda será analisado pelo Senado e, caso seja aprovado, dependerá de sanção presidencial para entrar em vigor.
A proposta parte de uma lógica compreensível: facilitar o acesso à moradia, reduzir a necessidade de fiador ou caução e oferecer ao proprietário uma garantia adicional contra a inadimplência. Mas existe uma segunda dimensão dessa discussão que precisamos considerar com a mesma atenção:
Quanto da renda de uma pessoa pode ser comprometido antes que ela tenha dificuldades para manter seu padrão de vida, realizar seus sonhos e lidar com as demais despesas da família?
Essa pergunta ganha ainda mais importância porque o aluguel consignado surge em um momento de expansão das possibilidades de crédito vinculadas diretamente à renda dos trabalhadores. O consignado tradicional, o Crédito do Trabalhador e outras formas de financiamento já fazem parte da realidade de milhões de brasileiros. Se a nova modalidade avançar, teremos mais uma obrigação capaz de disputar espaço dentro do mesmo salário.
E é justamente aí que começa uma discussão que considero muito mais importante do que simplesmente saber se o aluguel poderá ou não ter o desconto em folha: o trabalhador está conseguindo enxergar o conjunto de compromissos que está assumindo ou está apenas avaliando se consegue pagar mais uma parcela?
Existe uma diferença fundamental entre ter capacidade de contratar uma parcela e ter capacidade de sustentar uma vida financeira equilibrada. Uma pessoa pode conseguir assumir um empréstimo, um financiamento, um cartão de crédito ou, eventualmente, um aluguel consignado individualmente. A dificuldade aparece quando todas essas decisões são analisadas separadamente e os compromissos passam a disputar o mesmo salário. É nesse ponto que a educação financeira se torna indispensável.
O salário que chega cada vez menor
Uma pesquisa realizada pela ABEFIN em parceria com o Instituto Axxus de Pesquisas, ligado à Unicamp, mostra que 83% dos trabalhadores que contrataram o Crédito do Trabalhador não sabem quanto pagam de juros na operação. Outros 69% não avaliaram o impacto da contratação sobre o orçamento familiar, enquanto 36% utilizaram o crédito para quitar outras dívidas.
Esses números revelam algo preocupante: muitas vezes, a decisão de contratar crédito acontece antes de uma compreensão real de seu custo e de seus efeitos sobre a vida financeira.
O problema não está necessariamente na parcela. Está no que acontece depois dela. Quando uma parcela é descontada automaticamente, existe uma sensação de que aquela obrigação está sob controle. Afinal, o pagamento já acontece antes mesmo de o dinheiro chegar às mãos do trabalhador. Mas isso não significa que o compromisso deixou de existir. Pelo contrário. Ele representa uma redução permanente da renda disponível durante determinado período. E renda comprometida significa também menos dinheiro disponível para outras necessidades da família.
Quanto maior a parcela do salário destinada a compromissos financeiros, menor é o espaço para poupar, investir, realizar sonhos e lidar com mudanças na vida.
Um trabalhador pode até conseguir pagar todas as contas, mas viver com uma margem muito pequena para construir o futuro que deseja. Esse é um aspecto pouco discutido quando falamos de crédito. Costumamos perguntar se a pessoa conseguirá pagar a prestação. Deveríamos perguntar também o que ela deixará de fazer enquanto estiver pagando aquela prestação.
Porque cada parcela carrega uma escolha. O dinheiro utilizado hoje para pagar uma dívida deixa de estar disponível amanhã para realizar um sonho. Pode ser a viagem que nunca acontece, a casa que demora mais para ser conquistada, o curso que é adiado, o negócio próprio que não sai do papel ou simplesmente a possibilidade de construir uma reserva financeira.
Por isso, não podemos confundir crédito com aumento de renda. Ele antecipa o uso de um dinheiro que ainda receberemos. Essa diferença parece simples, mas muda completamente nossa relação com o consumo. Quando alguém recebe uma oferta de crédito e enxerga apenas o valor da parcela, pode acreditar que ganhou poder de compra. Mas, na realidade, ganhou uma obrigação futura.
Mais crédito, menos dinheiro disponível
O cenário fica ainda mais delicado quando uma dívida é contratada para pagar outra. Substituir uma dívida cara por uma mais barata pode ser uma decisão racional. Mas, quando o crédito serve apenas para adiar um desequilíbrio que continua existindo, cria-se um ciclo perigoso. O trabalhador paga uma dívida, contrata outra, compromete novamente parte da renda e passa a depender de novas soluções para manter o orçamento funcionando. O problema deixa de ser pontual e passa a fazer parte da estrutura financeira da família.
O próprio levantamento da ABEFIN mostra essa realidade: 36% dos trabalhadores que contrataram o Crédito do Trabalhador utilizaram o dinheiro para quitar outras dívidas. Não há nada de errado em utilizar um crédito mais barato para reorganizar uma dívida mais cara. O problema está em fazer isso repetidamente sem modificar a relação com o dinheiro.
Quando o crédito passa a ser utilizado para financiar o próprio orçamento mensal, ele deixa de cumprir uma função pontual e começa a ocupar uma parcela cada vez maior da renda futura. É nesse momento que a pessoa pode perder de vista aquilo que deveria estar no centro de suas decisões financeiras: seus sonhos.
A educação financeira não deve ensinar apenas a pagar contas. Ela precisa ajudar a pessoa a compreender que dinheiro também é instrumento para construir uma vida desejada. Quando uma parcela ocupa parte significativa da renda durante anos, não estamos falando apenas de uma obrigação financeira. Estamos falando de escolhas que deixam de ser possíveis naquele período.
O risco de olhar apenas para a parcela
Uma das armadilhas mais comuns do crédito é justamente a facilidade de pensar em parcelas. “Cabe no meu salário” é uma frase que pode esconder uma realidade muito diferente. Uma parcela pode caber isoladamente. Duas também. Três talvez. O problema aparece quando somamos aluguel, empréstimos, cartão de crédito, financiamentos, despesas domésticas, alimentação, transporte, educação e todas as demais necessidades.
O que precisa ser observado é quanto realmente sobra depois de todos esses compromissos. A pergunta mais importante, portanto, não é apenas quanto uma pessoa consegue pagar por mês. É quanto da renda precisa permanecer disponível para que ela consiga viver, poupar e realizar seus sonhos. Essa visão é especialmente importante quando falamos de despesas recorrentes, como o aluguel.
Se o projeto entrar em vigor, o aluguel consignado poderá oferecer uma nova forma de garantia para a locação. Isso pode facilitar contratos e reduzir barreiras para quem não possui fiador ou recursos para caução. Mas, para o trabalhador, a despesa continuará existindo. A diferença é que ela será descontada diretamente da remuneração. Isso pode facilitar o pagamento, mas não reduz o custo da moradia. É importante compreender essa diferença.
O problema financeiro chega às empresas
O endividamento também não fica necessariamente restrito à vida pessoal do trabalhador. Ele pode produzir reflexos dentro das empresas. Um profissional que recebe o salário já bastante comprometido pode experimentar maior pressão financeira, insatisfação e preocupação constante com dinheiro. Isso pode afetar sua concentração, produtividade, relacionamento com colegas e percepção sobre o próprio trabalho. Também pode influenciar decisões profissionais.
Uma pessoa excessivamente comprometida pode buscar outro emprego em busca de uma remuneração maior, procurar atividades adicionais ou até considerar uma mudança para o trabalho como pessoa jurídica ou para a informalidade. Não se trata de uma consequência automática do consignado. Mas situações de desequilíbrio financeiro podem influenciar decisões que acabam repercutindo também no mercado de trabalho.
Para as empresas, isso significa que a educação financeira dos colaboradores não deveria ser vista apenas como uma ação social. Ela também pode fazer parte de uma estratégia de gestão de pessoas. Quando um funcionário consegue organizar melhor sua vida financeira, ele tende a ter melhores condições para pensar no futuro, tomar decisões profissionais com mais tranquilidade e construir seus sonhos.
Crédito não é vilão
É importante deixar claro que o crédito não é o vilão dessa história. O crédito pode ser uma ferramenta importante. Pode permitir que uma pessoa consiga realizar uma conquista antes de ter todo o dinheiro disponível. Pode substituir uma dívida mais cara, viabilizar a compra de um imóvel ou ajudar em uma reorganização financeira.
O problema está no uso sem consciência. Não devemos combater o crédito. Precisamos ampliar a capacidade das pessoas de compreender o crédito. Isso significa saber qual será o total pago ao final da operação, conhecer os juros, entender o prazo e, principalmente, observar o impacto daquela contratação sobre o conjunto da vida financeira.
Uma parcela não existe sozinha. Ela compete com todas as outras despesas e com tudo aquilo que a pessoa deseja construir. É por isso que considero tão importante mudar a forma como falamos sobre educação financeira. Não se trata apenas de ensinar alguém a cortar gastos ou evitar dívidas. Trata-se de ajudar cada pessoa a entender a relação entre dinheiro, escolhas e sonhos.
O que está em jogo é o futuro
O projeto do aluguel consignado ainda precisa passar pelo Senado e, se aprovado, dependerá de sanção presidencial. Independentemente do resultado dessa tramitação, a discussão que ele provoca é extremamente atual. Estamos vivendo uma expansão das possibilidades de crédito e, ao mesmo tempo, precisamos ampliar a educação financeira para que as pessoas consigam compreender o impacto de cada nova alternativa sobre suas vidas.
O trabalhador não precisa ter medo do crédito. Precisa conhecê-lo. Precisa entender que uma parcela assumida hoje representa uma parte da renda que estará comprometida amanhã. E precisa enxergar o custo total da decisão e, principalmente, compreender o que aquele compromisso significa para sua família e para seus sonhos.
Porque o dinheiro comprometido com uma dívida não desaparece. Ele apenas muda de destino. E quando uma parcela muito grande da renda já está destinada ao pagamento de compromissos assumidos anteriormente, fica cada vez mais difícil direcionar dinheiro para aquilo que realmente queremos construir.
Por isso, antes de perguntar “quanto consigo pagar?”, talvez seja mais importante perguntar “quanto da minha renda quero preservar para realizar meus sonhos?” Essa mudança de pergunta pode representar uma grande mudança na forma como lidamos com o crédito. O aluguel consignado pode ser uma ferramenta útil se vier acompanhado de consciência. O mesmo vale para qualquer outra modalidade de crédito.
No final, não é o número de parcelas que determina a saúde financeira de uma pessoa. É a capacidade de fazer com que o dinheiro recebido hoje também contribua para a construção da vida que ela deseja viver amanhã.
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Quer saber mais sobre como o aluguel consignado pode comprometer sua renda futura e o que considerar antes de assumir novas parcelas? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Um grande abraço,
Reinaldo Domingos
Presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (ABEFIN) e da DSOP Educação Financeira, PhD em Educação Financeira, escritor e criador da Metodologia DSOP de Educação Financeira
https://www.dsop.com.br
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A Escuta Sob Ataque: Como a Crise da Atenção Está Afetando Nossas Relações
Faz muitos anos que pesquiso nossas limitações em termos de escuta. Costumo dizer que carregamos um hardware ancestral tentando dar conta de uma comunicação cada vez mais complexa.
Foi olhando para essas limitações humanas que compartilhei, ao longo dos anos, ferramentas e estratégias para criar condições para conversas mais fluidas e resolutivas. Acontece que algo mudou. Nossas limitações individuais estão sendo severamente agravadas por uma ameaça muito maior: a degradação do nosso ambiente atencional.
Cada vez mais a disputa da nossa atenção parece ser a maior competição do nosso tempo. Johann Hari, em Foco Roubado, formula um diagnóstico perturbador: nossa atenção não simplesmente piorou; ela está sendo sistematicamente capturada, fragmentada, fraturada e exaurida pelo ambiente em que vivemos. As palavras são deliberadamente violentas. Existe uma disputa econômica gigantesca para decidir onde colocaremos nossa atenção, nosso tempo e nossa consciência. E não se trata apenas do celular.
Attensity, livro-manifesto do movimento Friends of Attention, reforça a analogia com o fraturamento hidráulico do gás de xisto: uma extração agressiva, profunda e contínua de um recurso valioso. É uma boa imagem para a ferocidade com que nossa atenção vem sendo disputada — e para o quanto, individualmente, pode ser difícil resistir a ela. A partir daí, a questão deixa de ser apenas individual e passa a ser coletiva: que tipo de sociedade estamos construindo quando aquilo que merece nossa atenção passa cada vez mais a ser decidido por sistemas interessados em capturá-la?
Há um paradoxo curioso nisso tudo.
De acordo com Gérald Bronner em Apocalypse cognitive, em termos absolutos, nunca tivemos na história da humanidade tanto tempo liberado das tarefas básicas de sobrevivência. Trabalhamos menos que nossos antepassados e gastamos proporcionalmente menos tempo em atividades ligadas à subsistência. Criamos tecnologias para economizar tempo e terminamos com a sensação de possuir cada vez menos tempo.
Parece que o tempo que liberamos foi hackeado. Douglas Rushkoff descreve um presente digital no qual tentamos existir em diferentes lugares simultaneamente. Estamos numa reunião, mas também no WhatsApp. Conversando com alguém, mas acompanhando uma notificação. Não é simplesmente que temos pouco tempo; nosso presente foi fragmentado em vários presentes simultâneos. A densidade de eventos por minuto explode. Comprimimos o tempo.
Há ainda outra contradição que me interessa: enquanto quase tudo acelera, uma coisa não acelerou — a velocidade com que dois seres humanos conseguem falar e escutar um ao outro. Uma conversa continua acontecendo na mesma velocidade humana de milhares de anos atrás. Para mim, isso ajuda a explicar por que conversar começa, para algumas pessoas, a parecer algo “lento”, até a dar preguiça, diante da quantidade de estímulos e possibilidades disponíveis. Até a escuta começa a ser terceirizada para a inteligência artificial, como se resumir, compreender ou sugerir uma resposta pudesse substituir o trabalho humano de estar presente diante do outro.
A crise da atenção está se tornando uma crise da relação.
Não estamos apenas perdendo o foco; estamos perdendo disponibilidade para o outro. E, quando nossa atenção se fragmenta, diminui também nossa capacidade de permanecer diante de uma ideia diferente sem imediatamente classificá-la, rejeitá-la ou combatê-la. Empobrece nossa relação com a diversidade, nossa capacidade de tirar proveito das diferenças e pode produzir uma espécie de analfabetismo emocional e relacional em um momento em que mais precisamos de espírito crítico.
Por isso volto sempre à curiosidade: trocar argumentação por investigação, justificativa por pergunta, certeza por curiosidade. Mas fazer isso exige algo além de técnica. Exige coragem.
Coragem para escolher onde colocar nossa atenção enquanto milhares de estímulos tentam decidir por nós. Coragem para resistir à fratura permanente da atenção, como Ulisses diante do canto das sereias. E coragem para escutar aquilo que não queremos ouvir e, principalmente, para nos deixarmos afetar pelo outro. Porque escutar de verdade inclui admitir a possibilidade de mudar de opinião.
Como nos lembra Stephen Covey em Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, influentes são as pessoas influenciáveis: não porque aceitem qualquer argumento, e sim porque não têm medo de aprender e sabem transformar o conflito em negociação, em vez de confronto. Sabem suspender o ego e deixar coexistir várias visões antagonistas. Se encontram uma perspectiva melhor, evoluem e ganham tempo. Não precisam morrer abraçadas a uma ideia apenas porque um dia acreditaram nela. Para Covey, escutar não é apenas uma técnica para exercer influência; aceitar a influência do outro faz parte da própria escuta.
Gosto de concluir com Hartmut Rosa, autor da teoria sociológica da ressonância, pois amplia o problema.
Para ele, não é apenas a tecnologia que acelera. Quanto mais tentamos tornar o mundo disponível, imediato e controlável, maior o risco de produzir alienação: podemos estar conectados a cada vez mais coisas e, ao mesmo tempo, profundamente relacionados com cada vez menos.
Objetos, profissões, instituições, relacionamentos, ideias e comportamentos tornam-se obsoletos cada vez mais rapidamente.
Essa obsolescência para mim ressoa com uma questão de sustentabilidade. Um sistema movido permanentemente por novidade, substituição, aceleração e consumo não esgota apenas nossa atenção. Esgota pessoas, relações, recursos e ecossistemas. Para mim, a sustentabilidade ambiental e a sustentabilidade da atenção estão intimamente ligadas: quanto de aceleração um sistema consegue suportar antes de começar a degradar aquilo que o mantém vivo?
Diante dessa disputa: seja você quem decide onde colocar a sua atenção. Porque, se não decidir, outros decidirão por você — e possa permanecer com essa estranha sensação de estar sempre correndo, sempre conectado, sempre informado e sempre sem tempo.
Inspirar antes de responder e desacelerar para escutar são maneiras de escolher onde colocamos nossa atenção, bem como de decidir que tipo de relação queremos manter com os outros e com o mundo. Em um mundo que acelera sem parar, escutar está se tornando um dos atos mais corajosos de resistência.
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Thomas BRIEU
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https://www.instagram.com/thomasbrieu_/
Autor do livro “Escutatória” – Link: https://www.h1editora.com/produto/escutatoria-150183
Coautor do livro “Escute Expresse e Fale” – https://encurtador.com.br/31Vwa
Confira também: A Coragem de Ser Gentil: A Forma Mais Madura de Assertividade
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Entre Telas e Páginas: O Que Fazer para a Melhor Leitura!
Nunca tivemos acesso a tantos textos, pois são notícias, mensagens, artigos, relatórios, legendas e publicações que atravessam nossas telas diariamente. Ainda assim, a quantidade de palavras que lemos não revela, por si só, a qualidade da nossa compreensão.
É possível percorrer dezenas de páginas e, ao final, lembrar muito pouco. Também é possível ler um texto curto e sair dele com uma pergunta nova, uma conexão inesperada ou uma mudança de perspectiva. A diferença está menos no volume de palavras e mais na maneira como nos relacionamos com elas.
A leitura superficial busca capturar rapidamente uma informação, enquanto a leitura profunda, por outro lado, exige interpretar, fazer perguntas, estabelecer relações, perceber ambiguidades e conectar o que está escrito à própria experiência. Segundo reportagem da BBC News Brasil, esse modo de ler mobiliza processos associados ao pensamento analítico, à imaginação e à empatia (BBC NEWS BRASIL, 2021).
Em uma época marcada por notificações, rolagem contínua e múltiplas abas abertas, recuperar a capacidade de permanecer diante de um texto tornou-se um desafio ao desenvolvimento humano. Não se trata de rejeitar a tecnologia, mas de compreender como nossos hábitos digitais influenciam nossa atenção, nossa memória e nossa capacidade de compreensão na leitura.
O cérebro leitor
A neurocientista Maryanne Wolf é uma das principais referências contemporâneas no estudo da leitura. Em suas obras, ela explica que ler não é uma capacidade biologicamente programada, como falar ou enxergar. A leitura é uma invenção cultural aprendida por meio da criação e da reorganização de circuitos cerebrais especializados (WOLF, 2008; WOLF, 2018).
Quando uma pessoa aprende a ler, o cérebro estabelece conexões entre regiões relacionadas à visão, à linguagem, ao pensamento e às emoções. Stanislas Dehaene também descreve a leitura como uma atividade que reutiliza circuitos originalmente associados ao reconhecimento visual e ao processamento da linguagem (DEHAENE, 2009). O cérebro humano tem grande capacidade de adaptação, mas essa adaptação depende de aprendizagem e prática continuada.
Isso significa que o cérebro leitor é plástico, pois ele se reorganiza de acordo com os hábitos que desenvolvemos. Se exercitamos a leitura atenta, a análise e a reflexão, fortalecemos essas competências. Se nos acostumarmos apenas a conteúdos breves, interrompidos e consumidos rapidamente, podemos nos tornar mais inclinados a procurar estímulos imediatos.
Wolf não afirma que a tecnologia destrói o cérebro. Seu alerta é mais cuidadoso, uma vez que para ela determinadas habilidades precisam ser praticadas para continuar ocupando espaço em nossa vida mental. Como observa a autora, o problema não está simplesmente no dispositivo utilizado, seja o papel ou seja a tela, mas nos hábitos de leitura que desenvolvemos a partir dele (WOLF, 2018).
O que é leitura profunda?
A leitura profunda começa quando deixamos de tratar o texto como um simples depósito de informações e passamos a construir um significado. Ao ler, nem tudo está explicitamente explicado, o que nos leva a deduzir intenções, causas, consequências e relações entre acontecimentos.
Um romance, por exemplo, pode não declarar que determinado personagem está com medo, mas seus movimentos, silêncios e escolhas permitem ao leitor chegar a essa conclusão. Isso se chama “inferência”. Outro elemento importante na leitura é a “analogia”. Comparamos uma ideia nova com algo que já conhecemos e, então, esse processo amplia a compreensão, porque transforma uma informação isolada em parte de uma rede de sentidos.
A leitura profunda também envolve o “pensamento crítico”. O leitor pode perguntar: Qual é a tese do autor? Quais as evidências apresentadas? Há pressupostos ocultos? O argumento considera outros pontos de vista? Em vez de aceitar o texto passivamente, o leitor efetivamente dialoga com o que lê.
Por fim, há a “empatia”. A ficção, em particular, pode nos colocar diante de experiências diferentes das nossas e, ao acompanhar os conflitos de personagens, somos convidados a imaginar sentimentos, contextos e escolhas que talvez não encontrássemos em nossa vida cotidiana. A leitura, assim, pode ampliar nossa capacidade de compreender outras pessoas e outras formas de existência (BBC NEWS BRASIL, 2021).
Para Daniel Willingham, compreender não significa apenas decodificar palavras. A compreensão depende de vocabulário, conhecimento prévio, memória de trabalho, atenção e capacidade de fazer inferências (WILLINGHAM, 2017). Ler profundamente, portanto, não significa apenas “ler mais devagar”, mas sim significa mobilizar diferentes recursos mentais para construir uma interpretação consistente.
Papel e tela: a comparação sem respostas simplistas
O debate sobre papel e tela costuma ser apresentado como a disputa entre dois lados. O livro seria sempre favorável à compreensão, enquanto o dispositivo digital seria necessariamente prejudicial. As pesquisas disponíveis não sustentam uma conclusão tão absoluta.
O estudo de Anne Mangen, Bente R. Walgermo e Kolbjørn Brønnick comparou a compreensão de textos lineares apresentados em papel e em computador. Os resultados indicaram, naquela amostra e nas condições específicas do experimento, desempenho superior dos estudantes que leram no papel (MANGEN; WALGEMO; BRØNNICK, 2013).
No entanto, isso não prova que o papel seja sempre melhor ou que as telas sejam inadequadas para qualquer tarefa.
A extensão do texto, a finalidade da leitura, a familiaridade com o dispositivo, o tempo disponível, a presença de distrações e a forma de avaliação podem influenciar os resultados. Por isso, o adequado é falar em diferenças possíveis entre suportes do que na superioridade universal de um deles.
Mangen também chama atenção para a dimensão espacial da leitura. No papel, as páginas oferecem referências relativamente estáveis, dado que sabemos onde uma passagem está localizada, percebemos quanto já avançamos e podemos retornar fisicamente a um trecho. Em telas, a rolagem pode tornar essa orientação menos operacional e dificultar a localização de determinadas informações (MANGEN, 2016).
Isso não torna a tela incapaz de sustentar a compreensão. Um texto digital pode ser lido com profundidade, especialmente quando o ambiente está livre de notificações, anúncios, hiperlinks e outras interrupções. O problema não é necessariamente a tela, mas a combinação entre o suporte e um modelo de consumo fragmentado.
Naomi Baron acrescenta uma dimensão comportamental ao debate. Muitos leitores reconhecem vantagens do papel para textos longos, mas continuam preferindo a tela por causa da portabilidade, do preço, da praticidade e do acesso imediato (BARON, 2015). Essa constatação é importante, já que nossas escolhas não dependem apenas do que favorece a compreensão, mas também das condições reais da vida cotidiana.
Assim, a questão não é escolher um suporte vencedor. O papel pode ser especialmente útil para leituras longas, analíticas e literárias, enquanto a tela pode ser adequada para localizar informações, acessar conteúdos, estudar com recursos interativos e ler em situações nas quais o livro físico não está disponível. O desafio é escolher o meio de acordo com a finalidade.
Atenção e compreensão: conhecimento, memória e tempo
A leitura profunda exige atenção, mas esse não é um recurso isolado, pois a leitura depende também do conhecimento que já possuímos. Quando encontramos um texto sobre algum assunto familiar, conseguimos reconhecer conceitos, antecipar relações e preencher lacunas. Quando o tema é completamente novo, podemos gastar grande parte da energia mental tentando compreender palavras e frases básicas.
Willingham afirma que o conhecimento prévio facilita a compreensão de novos conteúdos, criando uma base para análise, síntese e pensamento crítico (WILLINGHAM, 2017). A memória também é essencial, pois para acompanhar um argumento, precisamos manter na mente informações apresentadas anteriormente e relacioná-las ao que estamos lendo agora.
Em textos longos, o quesito memória significa lembrar personagens, conceitos, exemplos e mudanças de perspectiva. Dehaene (2009) mostra que a fluência na leitura é resultado de uma aprendizagem prolongada, em que o leitor experiente reconhece palavras e libera recursos mentais para interpretar e relacionar ideias.
Contudo, a fluência não elimina a necessidade de atenção, mas apenas torna alguns processos mais automáticos. O tempo é igualmente decisivo, pois muitas vezes precisamos interromper a leitura, voltar a um parágrafo, consultar um conceito ou mesmo reformular a ideia com nossas próprias palavras.
Pesquisas de Patrícia Alexander e Lauren Trakhman discutem a diferença entre a sensação subjetiva de fluidez e a compreensão efetivamente demonstrada em avaliações (SINGER TRAKHMAN; ALEXANDER, 2017). Ler rapidamente pode produzir a impressão de facilidade, sem garantir bom desempenho quando uma reflexão for exigida. A leitura profunda não busca apenas terminar o texto, mas garantir que o texto permaneça em nós.
Aplicação prática: como cultivar a leitura profunda
Podemos treinar a leitura profunda por meio de práticas simples e intencionais:
- Reserve sessões sem notificações: Coloque o celular no modo silencioso ou fora do alcance. Reduzir interrupções é mais eficaz do que confiar apenas na força de vontade;
- Escolha textos longos: Dedique alguns minutos diários a um capítulo, ensaio, reportagem extensa ou conto. A permanência diante de textos complexos precisa ser exercitada gradualmente;
- Faça anotações: Registre perguntas, conceitos principais, discordâncias e conexões com outras experiências;
- Releia trechos importantes: A releitura não representa fracasso, mas sim uma ferramenta para aprofundar a interpretação;
- Resuma com suas próprias palavras: Depois de uma seção de leitura, tente explicar a si mesmo o que entendeu sem consultar o texto;
- Alterne conscientemente entre papel e tela: Use o dispositivo para buscas rápidas ou leituras breves, mas prefira um ambiente mais protegido de distrações para textos complexos;
- Construa repertório: Leia sobre assuntos variados, pois quanto maior o conhecimento prévio, mais facilmente você compreenderá conteúdos novos;
- Observe a própria compreensão: Pergunte a si mesmo se está realmente entendendo ou apenas avançando rapidamente pelas linhas.
Como mostra Baron (2015), a leitura digital muitas vezes é escolhida por razões práticas. Portanto, cultivar a leitura profunda exige criar condições concretas como reservar tempo, desligar notificações, selecionar textos e definir objetivos.
Conclusão: uma melhor relação com a leitura
A leitura não precisa se transformar em uma escolha excludente entre o livro impresso e a tela. A proposta mais promissora é desenvolver um cérebro “biletrado”, capaz de transitar entre diferentes meios e escolher conscientemente o suporte mais adequado a cada objetivo (WOLF, 2018).
No contexto de vida atual, a dificuldade de ler profundamente não está relacionada apenas às características da tela, mas também à combinação entre excesso de informação, tempo escasso e pressão permanente por desempenho. A leitura compete com notificações, mensagens, reuniões, alertas e demandas profissionais que fragmentam a atenção.
Assim, a sensação de estar sempre informado pode coexistir com uma compreensão cada vez mais superficial. Como observa Wolf (2018), o cérebro leitor se adapta aos hábitos que praticamos e, por essa razão, a exposição contínua a conteúdos breves e interrompidos pode reduzir nossa disposição para permanecer diante de textos complexos e ambíguos.
Essa dinâmica também pode aumentar a percepção de cansaço cognitivo. Não se deve afirmar que a leitura profunda, por si só, previne ou trata o burnout, mas é possível entendê-la como uma prática de autorregulação da atenção. Para Willingham (2017), compreender exige memória de trabalho, conhecimento prévio, vocabulário e concentração. Quando esses recursos são constantemente interrompidos, o esforço necessário para acompanhar uma ideia ou proposição tende a aumentar.
Reservar períodos protegidos para uma única tarefa — inclusive a leitura — pode ajudar a interromper temporariamente a lógica da urgência e substituir a reação contínua por uma atividade mental deliberada.
Nesse cenário, a leitura profunda não deve ser apresentada como mais uma exigência de produtividade, mas pode ser compreendida como uma escolha consciente sobre o modo de usar a atenção.
Ler mais páginas, mais rapidamente, não significa necessariamente ler melhor. Em alguns momentos, será adequado localizar uma informação na tela, enquanto em outros será necessário desligar estímulos, reduzir o ritmo, fazer anotações e aceitar que compreender exige tempo. O essencial é saber escolher quando acelerar, quando pausar e quando manter a concentração (WOLF, 2018; WILLINGHAM, 2017).
Ler uma notícia no celular, estudar em um tablet, consultar uma referência digital ou mergulhar em um romance impresso são experiências legítimas. O que faz diferença é saber quando estamos apenas apurando informação e quando precisamos compreender, avaliar e transformar aquilo que lemos.
Em um mundo acelerado, a leitura profunda é uma forma de presença. Ela nos ensina a permanecer diante da complexidade, tolerar a demora, reconhecer nuances e imaginar a perspectiva de outra pessoa. A pergunta essencial talvez não seja “papel ou tela?”, mas: que tipo de leitura esta situação exige e estou criando as condições para realizá-la?
Eu sou Mario Divo e você me encontra pelas redes sociais ou em www.mariodivo.com.br.
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Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
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Referências SINGER TRAKHMAN, Lauren M.; ALEXANDER, Patricia A. Reading across mediums: effects of reading digital and print texts on comprehension and calibration. The Journal of Experimental Education, v. 85, n. 1, p. 155-172, 2017.. BARON, Naomi S. Words onscreen: the fate of reading in a digital world. New York: Oxford University Press, 2015. BBC NEWS BRASIL. O que é a leitura profunda e por que ela faz bem para o cérebro. BBC News Brasil, 1 nov. 2021. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-59121175. Acesso em: 19 ago. 2026. DEHAENE, Stanislas. Reading in the brain: the new science of how we read. New York: Viking, 2009. MANGEN, Anne. The evolution of reading in the age of digitisation: an integrative framework for reading research. June 2016Literacy 50(3):116-124 (DOI:10.1111/lit.12086) MANGEN, Anne; WALGEMO, Bente R.; BRØNNICK, Kolbjørn. Reading linear texts on paper versus computer screen: effects on reading comprehension. International Journal of Educational Research, 2013. WILLINGHAM, Daniel T. The reading mind: a cognitive approach to understanding how the mind reads. San Francisco: Jossey-Bass, 2017. WOLF, Maryanne. Proust and the squid: the story and science of the reading brain. New York: HarperCollins, 2008. WOLF, Maryanne. Reader, come home: the reading brain in a digital world. New York: HarperCollins, 2018.
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Bagagens: O Que Você Carrega na Vida e na Carreira?
Olá,
Sou Simone Mitsue, Jornalista, Mentora e Especialista em Comunicação Estratégica.
Jornalista e Pós-graduada em Marketing de Serviços. Minha formação une duas áreas que se completam: o jornalismo, que me ensinou a apurar, ouvir e transformar fatos em narrativas claras e o marketing de serviços, que trouxe a visão estratégica de como comunicar valor, construir relacionamentos e gerar impacto. Naveguei pelo mundo editorial, saúde, seguros, odontologia e pessoas.
Meu nome Simone significa “ouvir” e eu honro isto, pois a comunicação não é apenas falar e sim, ter uma escuta sem vício e sem julgamento.
Como mentora, além de orientações de Comunicação, também pratico e compartilho histórias que inspiram.
Minha proposta é compartilhar reflexões sobre temas diários com conexões emocionais ou profissionais.
Cada publicação vai trazer observações do cotidiano, histórias pessoais vinculadas com o mundo corporativo. Quero provocar insights, pensamentos e contemplação pelas palavras e situações.
Sou uma curiosa nata e amo histórias. A coluna Comunicação de TransformAção vai retratar que o simples pode ser o mais belo. Que ninguém nasce corajoso, se você tem medo, vai com ele. Viva intensamente, saboreie cada instante. A vida é feita de pequenos momentos felizes. Ler e escrever, cada palavra é um alimento para a alma.
Seja muito bem-vindo(a)!
Aprecie a leitura e compartilhe a sua opinião.
Simone Mitsue
Bagagens: O Que Você Carrega na Vida e na Carreira?
Já pensou o que você carrega nas suas bagagens?
Pensei nisso andando de metrô nestes dias.
Na correria de São Paulo, quem está no transporte público precisa carregar notebook, livros, cadernos e mais o quê? Se coloca a bagagem nas costas, pode atrapalhar outras pessoas. Se não a segura, ela pode ser roubada. Daria para reduzir os pertences?
Como sou uma boa observadora, acho muito interessante pensar no que cada um carrega em sua bagagem, seja mochila ou bolsa, de vários tamanhos, modelos e marcas.
Crianças e adolescentes carregam seus livros e cadernos; alguns levam apostilas e notebooks. O celular já está proibido nas escolas. Além disso, vi algumas mulheres se maquiando no transporte público. Então, além da bolsa, levavam a nécessaire de maquiagem e todos os acessórios. Os homens carregavam mochilas com seus pertences; alguns levavam suas marmitas e lanches.
Naquele dia, eu estava indo para uma consulta médica com uma bolsa que continha documentos, cartões, batom, espelho, bala, água, álcool em gel, lenço de papel, caneta e um caderninho. Ultimamente, é o meu kit.
Mas pensei no quanto a gente muda de bagagem. Lembrei que, quando morei no Japão por quase 2 anos, adquiri muita coisa, e voltar para o Brasil com 2 malas de 23 kg foi difícil. Na década de 90, minha prioridade naquele momento foi trazer muitas fotos, muitas fitas cassete com músicas e fitas VHS (Video Home System) nas quais eu tinha gravado doramas e programas japoneses para mostrar aos meus pais. Agora, por exemplo, temos tudo nas plataformas digitais.
Minhas outras viagens já foram diferentes. Eu nunca levo muita coisa. Como gosto de presentear, levo a mala quase vazia e compro presentes.
Quando saio com as minhas sobrinhas, já levo uma bolsa cheia de guloseimas, lenços umedecidos, elásticos de cabelo, água e todo o restante do meu kit.
E se a gente pensar no mundo corporativo?
O que eu tenho de bagagem ou o que tenho na bagagem? O que eu ainda preciso de fato carregar? E o que não preciso carregar mais? Tudo ainda é manual ou já está nas nuvens ou na IA (inteligência artificial)?
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Quer descobrir o que a sua bagagem profissional revela sobre a sua carreira, bem como o que ainda faz sentido e o que você precisa deixar para trás para abrir espaço para o próximo passo? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Simone Mitsue
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Quando Recuar Também É Avançar: Como Atravessar Ciclos sem Perder a Visão de Abundância
Existem fases da vida em que crescer significa conquistar mais. Mais espaço, mais dinheiro, mais reconhecimento, mais conforto, mais possibilidades.
Mas existem outras em que crescer exige exatamente o contrário: aceitar temporariamente menos para construir algo maior.
Talvez seja necessário deixar um emprego que já não faz sentido, mesmo sem ter imediatamente a mesma remuneração. Mudar para uma casa menor para reorganizar as finanças. Reduzir viagens, restaurantes e consumo porque um novo projeto exige investimento. Recomeçar profissionalmente, voltar a estudar, empreender, encerrar uma sociedade ou relacionamento. Ou simplesmente reconhecer que aquilo que funcionou durante determinado ciclo já não sustenta a pessoa que estamos nos tornando.
Esses movimentos mexem profundamente conosco porque não envolvem apenas dinheiro. Envolvem identidade.
Quando melhoramos nosso padrão de vida, rapidamente incorporamos aquele padrão à percepção que temos sobre nós mesmos. O endereço onde moramos, o carro que dirigimos, os lugares que frequentamos, nossa posição profissional e até a liberdade de consumir deixam de ser apenas circunstâncias e começam, silenciosamente, a fazer parte da nossa identidade.
Por isso, quando precisamos reduzir, podemos interpretar essa mudança como uma perda de valor pessoal. Mas reduzir o padrão de vida não significa reduzir o próprio valor.
Às vezes, estamos apenas reorganizando recursos para atravessar uma ponte entre dois ciclos.
O vale também faz parte da trajetória
A vida financeira raramente acontece em linha reta.
Existem períodos de expansão, estabilidade, transição e reconstrução. Quem observa uma trajetória de vinte ou trinta anos perceberá que dificilmente uma pessoa permanecerá todo esse tempo crescendo continuamente, sem enfrentar mudanças profissionais, familiares, econômicas ou emocionais.
Há momentos de colheita e momentos de plantio.
E existe também aquilo que gosto de chamar de período de vale: quando conseguimos enxergar a montanha que queremos alcançar, mas ainda estamos atravessando um território menos confortável.
O perigo está em confundir uma condição temporária com uma sentença definitiva.
Quando pensamos “minha vida piorou”, nosso cérebro pode interpretar a situação como perda e ameaça. Quando conseguimos reformular para “estou reorganizando minha vida para construir meu próximo ciclo”, começamos a recuperar uma sensação fundamental: agência.
Na psicologia, esse movimento se aproxima do conceito de reframing, ou ressignificação. Os fatos podem permanecer os mesmos, mas a maneira como os interpretamos influencia nossas emoções e, consequentemente, nossas decisões.
Isso não significa negar dificuldades ou praticar um otimismo artificial. Significa perguntar: O que posso construir a partir da realidade que tenho hoje?
Essa pergunta muda muita coisa.
Cinco atitudes para transformar um período de menos em preparação para o próximo ciclo
1. Diferencie padrão de vida de qualidade de vida
Uma das primeiras armadilhas de uma fase financeiramente mais restrita é acreditar que tudo precisa piorar.
Não precisa.
Talvez você tenha menos dinheiro disponível, mas ainda pode cuidar do corpo, estudar, caminhar, organizar sua casa, cultivar boas relações, cozinhar, dormir melhor, ler, desenvolver espiritualidade, fortalecer vínculos e investir na própria formação.
Padrão de vida está muito relacionado ao quanto consumimos, enquanto qualidade de vida está relacionada à maneira como vivemos.
Quando conseguimos separar essas duas coisas, descobrimos que determinadas reduções financeiras não precisam representar empobrecimento emocional.
Às vezes, inclusive, um período de maior simplicidade nos devolve algo que a abundância de compromissos havia retirado: presença.
2. Transforme restrição em estratégia
Existe uma diferença enorme entre dizer “Não posso mais gastar.” e dizer “Durante os próximos meses, escolhi direcionar meus recursos para uma prioridade maior.”
A primeira frase transmite impotência, enquanto a segunda transmite decisão.
Isso é importante porque nosso comportamento financeiro melhora quando existe propósito.
Se você está reduzindo despesas para estudar, abrir uma empresa, quitar dívidas, formar uma reserva, cuidar da família, mudar de carreira ou construir patrimônio, dê nome ao projeto. Determine prazo, meta e indicadores.
Uma restrição sem propósito parece punição. Já uma restrição associada a um projeto se transforma em investimento.
3. Continue investindo — mesmo que seja pouco
Existe uma ideia equivocada de que investimento só começa quando sobra muito dinheiro.
Na verdade, durante períodos de menor renda, talvez o investimento mais importante não seja o valor acumulado, mas a manutenção do comportamento de investir.
Pode ser R$ 100, R$ 200 ou R$ 500 por mês. O valor dependerá da realidade de cada pessoa.
O objetivo é preservar a identidade de alguém que constrói patrimônio.
Do ponto de vista comportamental, hábitos são fortalecidos pela repetição. Quando interrompemos completamente um comportamento durante muito tempo, retomá-lo pode exigir muito mais esforço.
Por isso, se houver condições, mantenha algum investimento recorrente — ainda que pequeno — e priorize liquidez e segurança quando estiver atravessando um período de maior instabilidade financeira.
E lembre-se de que capital não é apenas financeiro. Você também pode investir em conhecimento, relacionamentos, saúde, reputação, novas competências e conexões profissionais.
Alguns dos investimentos que mais transformam nossa renda futura não aparecem imediatamente no extrato bancário.
4. Use a reclusão como período de preparação
Nem todo ciclo precisa ser socialmente expansivo.
Há momentos em que precisamos aparecer, circular, produzir e conquistar. Mas existem outros em que precisamos diminuir o ruído externo para reconstruir internamente.
Se você está vivendo uma fase mais reservada por causa de um projeto, estudo, transição profissional ou reorganização financeira, utilize esse período conscientemente.
Pergunte: Quem preciso me tornar para sustentar a próxima fase que desejo viver?
Talvez o próximo nível da sua vida exija mais conhecimento, disciplina, maturidade emocional, uma relação diferente com dinheiro, melhores escolhas profissionais e mais capacidade de dizer não. Ou até mais coragem para dizer sim quando a oportunidade chegar.
O período aparentemente silencioso pode estar desenvolvendo justamente as competências necessárias para aquilo que virá depois.
5. Pratique a insatisfação construtiva
Aceitar um período difícil não significa acomodar-se nele. Essa talvez seja uma das distinções mais importantes.
Precisamos desenvolver serenidade para viver o presente sem transformar essa serenidade em conformismo.
Eu gosto da ideia da insatisfação construtiva: reconhecer e agradecer pelo que temos hoje, enquanto continuamos trabalhando por aquilo que sabemos que podemos construir amanhã.
É possível dizer:
- “Sou grata pelo que tenho, mas sei que posso avançar.”
- “Aceito minha realidade atual, mas ela não precisa ser meu destino.”
- “Estou vivendo um período de menos, mas continuo construindo uma vida de mais significado, segurança e possibilidades.”
Isso cria movimento sem desprezar o presente.
Prosperidade também é capacidade de reconstrução
Talvez precisemos ampliar nossa definição de prosperidade.
Prosperidade não é apenas ter dinheiro, mas sim possuir recursos internos e externos suficientes para reconstruir quando a vida muda.
É ter conhecimento para tomar decisões, inteligência emocional para não transformar uma dificuldade temporária em identidade e saber reduzir despesas quando necessário sem sentir vergonha. É conseguir recomeçar, ter coragem para pedir ajuda, desenvolver relações que nos sustentem e preservar nossa capacidade de produzir.
E, principalmente, é não abandonar a visão de futuro quando o presente ainda não se parece com ela.
Na construção patrimonial, aprendemos que mercados passam por ciclos. Existem períodos de expansão e retração, e investidores experientes sabem que decisões tomadas nos momentos difíceis podem influenciar profundamente os resultados futuros.
Com a vida acontece algo semelhante. Nem sempre estaremos no topo, mas podemos atravessar o vale acumulando aquilo que será necessário para a próxima subida.
O recuo precisa ter direção
Também precisamos tomar cuidado para não romantizar dificuldades.
Nem todo sofrimento é necessário. Nem toda escassez ensina. E nem todo recuo é estratégico.
Um período de redução só se transforma verdadeiramente em preparação quando existe consciência e movimento.
Por isso:
- estabeleça metas;
- revise suas finanças;
- crie novas fontes de renda;
- estude;
- cuide da sua saúde física e emocional;
- fortaleça sua rede de relacionamentos;
- observe oportunidades;
- reavalie escolhas;
- faça pequenos movimentos constantemente.
Esperança sem ação pode se transformar apenas em expectativa. Mas esperança acompanhada de planejamento, disciplina e movimento se transforma em possibilidade.
Talvez você esteja vivendo hoje uma realidade diferente daquela que imaginou para si. Talvez tenha precisado diminuir, recuar, recomeçar ou aceitar temporariamente condições que, em outro momento da sua vida, acreditava já ter superado.
Não permita que isso diminua a percepção que você tem sobre quem é.
Uma estação não define uma trajetória inteira.
Use esse período para reorganizar suas finanças, fortalecer sua mente, rever prioridades, investir no que realmente importa e preparar terreno.
Tenha esperança e acredite novamente na sua capacidade, mas preserve também aquela dose saudável de insatisfação que nos impede de permanecer indefinidamente onde sabemos que não pertencemos.
Porque algumas vezes a vida nos pede um passo para trás, não para permanecermos ali, mas para ganhar impulso.
E talvez, quando o próximo ciclo chegar, você perceba que não voltou apenas a ter mais.
Você se tornou alguém mais preparado para sustentar aquilo que conquistou.
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como transformar um período de “menos” em preparação consciente para construir prosperidade no próximo ciclo da sua vida? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Com carinho,
Carol Guimarães
https://www.instagram.com/carol_investimentos/
Confira também: O Melhor Investimento, às vezes, é Mudar de Ideia
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“O problema não é o problema.
O problema é sua atitude com relação ao problema.”
(Kelly Young)
Hoje, a tristeza me visitou. Tocou a campainha, subiu as escadas, bateu à porta e entrou. Não ofereci resistência. Houve um tempo em que eu fazia o impossível para evitá-la adentrar os meus domínios. E quando isso acontecia, discutíamos demoradamente. Era uma experiência desgastante. Aprendi que o melhor a fazer é deixá-la seguir seu curso. Agora, sequer dialogamos. Ela entra, senta-se na sala de estar, sirvo-lhe uma bebida qualquer, apresento-lhe a televisão e a esqueço! Quando me dou por conta, o recinto está vazio. Ela partiu, sem arroubos e sem deixar rastros. Cumpriu sua missão sem afetar minha vida.
Hoje, a doença também me visitou. Mas esta tem outros métodos. E outros propósitos. Chegou sem pedir licença, invadindo o ambiente. Instalou-se em minha garganta e foi ter com minhas amígdalas. A prescrição é sempre a mesma: Amoxicilina e Paracetamol. Faço uso destes medicamentos e sinto-me absolutamente prostrado! Acho que é por isso que os chamam de antibióticos. Porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida…
Hoje, problemas do passado também me visitaram. Não vieram pelo telefone porque palavras pronunciadas ativam as emoções apenas no momento e, depois, perdem-se difusas, levadas pela brisa. Vieram pelo correio, impressos em papel e letras de baixa qualidade, anunciando sua perenidade, sua condição de fantasmas eternos até que sejam exorcizados.
Diante deste quadro, não há como deixar de sentir-se apequenado nestes momentos. O mundo ao redor parece conspirar contra o bem, a estabilidade e o equilíbrio que tanto se persegue. O desânimo comparece estampado em ombros arqueados e olhos sem brilho, que pedem para derramar lágrimas de alívio. Então, choro. E o faço porque Maurice Druon ensinou-me, através de seu inocente Tistu, que se você não chora, as lágrimas endurecem no peito e o coração fica duro.
Limão e limonada
As ciências humanas estão sempre tomando emprestado das exatas, termos e conceitos. A última novidade vem da física e atende pelo nome de resiliência. Significa resistência ao choque ou a propriedade pela qual a energia potencial armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo.
Em humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo isso através de um dito popular, é fazer de cada limão, ou seja, de cada contrariedade que a vida nos apresenta, uma limonada saborosa, refrescante e agradável.
Aprendi que pouco adianta brigar com problemas. É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E com rapidez, de maneira certa ou errada. Problemas são como bebês, só crescem se alimentados. Muitos se resolvem por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma inadequada, eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você os anula com correção. A felicidade, pontuou Michael Jansen, não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados.
Aprendi a combater as doenças. As do corpo e as da mente. Percebê-las, identificá-las, respeitá-las e aniquilá-las. Muitas decorrem menos do que nos falta e mais do mau uso que fazemos do que temos. E a velocidade é tudo neste combate. Agir rápido é a palavra de ordem. Melhor do que ser preventivo é ser preditivo.
Aprendi a aceitar a tristeza. Não o ano todo, mas apenas um dia, à luz dos ensinamentos de Victor Hugo. O poeta dizia que “tristeza não tem fim, felicidade, sim”. Porém, discordo. Penso que os dois são finitos. E cíclicos. O segredo é contemplar as pequenas alegrias em vez de aguardar a grande felicidade. Uma alegria destrói cem tristezas…
Modismo ou não, tornei-me resiliente. A palavra em si pode cair no ostracismo, mas terá servido para ilustrar minha atitude cultivada ao longo dos anos diante das dificuldades impostas ou autoimpostas que enfrentei pelo caminho, transformando desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculos em oportunidades, tristeza em alegria.
Nós apreciamos o calor porque já sentimos o frio. Admiramos a luz porque já estivemos no escuro. Contemplamos a saúde porque já fomos enfermos. Podemos, pois, experimentar a felicidade porque já conhecemos a tristeza.
Olhe para o céu, agora! Se é dia, o sol brilha e aquece. Se é noite, a lua ilumina e abraça. E assim será novamente amanhã. E assim é feita a vida.
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Nesta semana que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, gostaria de dizer para todas as Mulheres uma coisa muito importante:
Seu sucesso na vida pessoal e/ou profissional, sua felicidade, sua prosperidade e bem-estar na vida só depende de uma pessoa. Sabe quem é? Você mesma.
E falo mais. Seu sucesso será mais fácil e forte se você Mulher lembrar em ser você mesma. Ou seja, Ser a Mulher que você sempre foi e será.
Esta última afirmação já falei muitas vezes para minhas clientes de Coaching Holístico que buscam Sucesso em algum ponto da vida pessoal e profissional.
Para quem ainda não sabe o que é Coaching, vou explicar agora. Entre muitas definições as que mais eu gosto são:
- Orientar uma pessoa a fazer a travessia entre um ponto ao outro até alcançar sua meta pessoal e/ou profissional com sucesso;
- Coaching é uma assessoria e processo que geram motivação pessoal e profissional, e que tem como objetivo potencializar o nível de resultados positivos nas diversas áreas da vida de um cliente para alcançar uma meta ou objetivo com sucesso.
E o que é Coaching Holístico? Coaching Holístico – Processo para Seu Sucesso na Vida e Concretização das suas Metas. O cliente vai se conhecer melhor, olhar para si, sua vida e descobrir seu potencial adormecido. Vai melhorar sua autoestima e ter mais autoconfiança. Tem Dificuldade em vencer? Pelo Coaching Holístico iremos desbloquear o que atrapalha e mudar Padrões Mentais para Vencer.
Este é o ponto chave do inicio do Sucesso de qualquer pessoa: Padrões Mentais. Quem acredita que é um fracasso, que não vai vencer na vida ou que não merece ter sucesso nas metas ou sonhos, tenha certeza que nada vai mesmo ocorrer de bom na vida. O Sucesso vai passar bem longe destas pessoas.
Agora imagine uma mulher que desde pequena é “esmagada” pela família e sociedade a sufocar sua força, a matar sua arte e beleza, para não acreditar em si e nas suas qualidades e habilidades para realizar.
Já atendi moças que acreditam que não merecem um amor porque alguém falou que ela é feia ou amor só faz mal. Como vão amar se não têm uma boa energia sobre o amor? Como amar se sua autoestima foi chutada? Só vai amar se mudar, acreditar que pode e merece amar. E que ela é uma super mulher.
O mesmo ocorre com a realização de outras metas pessoais e profissionais. Se uma pessoa foi condicionada a sempre pensar que é inferior, incapaz ou que não merece ser feliz ou prosperar, com certeza vai sofrer para conseguir. Imagine uma mulher que no geral é mais sufocada.
Ainda bem que tem solução. É um pouco demorado, varia de pessoa para pessoa, mas tem que trabalhar, treinar e movimentar-se para mudar padrões e condicionamento mental e energético.
Mas, é possível e já vi milagres.
Qual é o primeiro passo? Acreditar em Você. Acreditar na pessoa poderosa que há dentro de você.
Acreditar na Mulher que há dentro de você.
Sucesso e Feliz Dia da Mulher!
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A Copa do Mundo acabou. A seleção alemã com sua organização, futebol bonito e muita técnica, merecidamente, levou o caneco. É tetracampeã.
E a nossa Seleção Canarinho? Que papelão! Desde o início da Copa, nos quatro cantos deste Brasil, todos falavam que era forte candidata a ser hexacampeã. E por que todos acreditavam nisto? Porque jogava em casa, tinha apoio da torcida brasileira, a mídia falava que era a melhor seleção, tinha uma comissão técnica com dois técnicos que venceram Copas Mundiais (Parreira em 1994 e Felipão em 2002) e o clima ajudava.
Mas o que vimos foi um total fiasco e uma humilhante goleada histórica por 7×1 para os alemães na semifinal da Copa.
Enfim, perdemos a Copa e ficamos em quarto lugar após perder para a Holanda na disputa pelo terceiro lugar. E agora? Como diz o poema de Carlos Drummond de Andrade:
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?(Carlos Drummond de Andrade)
E agora, Seleção Brasileira? Agora é hora de mudanças. E mudanças drásticas e profundas na filosofia e na organização.
A CBF terá que ter coragem de assumir sua culpa no fracasso e incompetência administrativa na condução da Seleção Canarinho na Copa. A CBF e o novo técnico terão que ter coragem de fazer mudanças drásticas na nova Seleção Brasileira daqui para frente. Podem e devem seguir o ótimo exemplo que viveu a seleção alemã no final dos anos 90. Após fiascos seguidos, a Confederação Alemã de Futebol chegou à conclusão de que era hora de mudar tudo. Mudanças drásticas foram implantadas. Bancaram com coragem um técnico permanente nos últimos 10 anos que, com um grupo de jogadores com uma nova cabeça, união e humildade, deram um Show na Copa do Brasil e levaram o Caneco.
Mudança requer determinação. Mudanças drásticas requerem também muita coragem, pois haverá muita resistência das pessoas que já estão na zona de conforto ou que não aceitam que está tudo errado na vida ou no jogo.
Quer ver um exemplo recente? A entrevista da Comissão Técnica da Seleção Canarinho após o vexame de 7×1. Para Felipão e Parreira, nada estava errado na preparação da Seleção Brasileira. O problema foi um apagão geral do time todo que o levou a tomar 4 gols em 6 minutos.
Pois é Felipão, não houve problema algum no seu trabalho. Foi só um apagão que custou um vexame histórico e 200 milhões de brasileiros frustrados.
Como dizem, “o pior cego é o que não quer ver”. Ou “errar é humano, persistir no erro é ser Felipão”, teimoso e arrogante. Não assume os erros e afunda a emoção de milhares de pessoas.
Mas a Copa acabou e a CBF já começou as mudanças. Adeus comissão técnica fracassada. Vida e esperanças novas.
Espero que agora façam mais. Que tenham a coragem de fazer mudanças drásticas em tudo ligado a futebol.
E você? Está com coragem de fazer mudanças drásticas na sua vida pessoal ou profissional?
Ou vai ficar chorando e dando desculpas para que sua vida seja um fracasso ou cheia de frustrações?
Chega de Síndrome de Felipão, né?
Seu lema hoje: “Mudanças já e com coragem para ser feliz”.
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Frequentemente as mudanças acontecem na vida da gente. Em algumas vezes, estamos preparados para elas, em outras elas representam uma grande surpresa. Por vezes, desejamos a mudança, vislumbrando uma nova oportunidade em nossa vida. Acontece também de não as desejarmos, pois estamos felizes com as coisas do jeito que estão. Mas as mudanças acontecem, quer queiramos ou não…
Quando buscamos algo melhor, costumo dizer que estamos criando a mudança, pois estamos não só indo atrás dela, como desejamos que coisas melhores ocorram. Nesta hora, dizemos que a mudança é positiva e bem-vinda.
Mas existe também aquela mudança que você não deseja. Tudo estava bem do jeito que estava, por que mudar agora? Nesta hora criamos resistências, não aceitamos a oportunidade que a vida nos dá para novos desafios. Reclamamos e amaldiçoamos pelo que nos acontece.
Pessoas proativas são as que criam as mudanças, vislumbram novas oportunidades, desejam sempre mais, porque sabem que estão em constante crescimento e aprendizado. Pessoas acomodadas se comportam como árvores, não saem dos seus lugares, esperam que tudo ocorra como desejam ou que tudo se mantenha exatamente como está.
Se você se identificou com o segundo tipo, aqui vai uma reflexão: você não é uma árvore… você não nasceu com raízes que lhe impossibilitam de mudar de lugar. Você também pode dizer que não nasceu com asas, que te possibilitariam voar, mas eu diria que você nasceu com algo melhor do que asas: inteligência e criatividade. Faça por merecer a inteligência que tem e saiba reconhecer quando é hora de mudar.
Nosso mundo é dinâmico, nada é estático. Já dizia Heráclito: “Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio”. Claro! O rio não é o mesmo… nós também não somos! Creio que hoje somos melhores que ontem, piores do que amanhã. E assim prossegue o rio da vida, propiciando mudanças para que tenhamos – todos os dias – novas oportunidades, novos olhares, novos aromas, novas experiências. Saia do lugar! Você não é uma árvore…
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Responda rápido a minha pergunta:
– De zero a 100% qual é o seu grau de comprometimento em ler este artigo até o final?
Estranha a pergunta? Para quem é Coach ou faz sessões de Coaching esta pergunta é corriqueira. Toda vez que atendo um cliente de Coaching Holístico e definimos uma meta ou tarefa, sempre fecho a sessão com esta pergunta:
– Qual é o seu grau de comprometimento em realizar esta tarefa ou meta?
Em geral o cliente responde 100%. Só que nem sempre isto ocorre. Nem sempre o cliente se compromete 100% em executar a tarefa ou meta.
Um dos maiores problemas de uma pessoa que faz Coaching é a falta de comprometimento. É mais fácil dar desculpas do que tentar cumprir o que se comprometeu.
E falta de comprometimento não é só no Coaching que ocorre. No dia a dia de qualquer empresa os funcionários nunca cumprem o que prometem e se comprometem. É uma total falta de responsabilidade, profissionalismo e até de caráter da pessoa.
Sua atitude vai prejudicar a empresa, seus colegas de trabalho e a si mesmo. Aí perde o emprego e reclama.
E o que falar de pessoas no nosso dia a dia que prometem algo para alguém ou para si mesmo e não cumprem. Cadê o comprometimento, gente?
Falta de comprometimento na via profissional e pessoal é um péssimo hábito. Quem não tem comprometimento leva a “vida na flauta” ou “seja o que Deus quiser”.
O cliente senta na minha frente na sessão de Coaching, fala que quer ter sucesso na vida, jura 100% de comprometimento e falta na sessão seguinte dizendo que tem outro compromisso importante.
Compromisso importante? E os 100% de comprometimento que ele “juramentou” com ele próprio em alcançar sucesso? Não é mais importante?
Parece que não. Estas pessoas que não cumprem o que falam, acham que estão enganando seu Coach, seu chefe ou sua própria vida.
Na verdade esta pessoa que não cumpre nem 1% do que se compromete, está enganado a si próprio. Está perdendo seu tempo e não o meu.
Você que não cumpre o que promete ou se compromete, fica aqui um recado para refletir:
Não cumpre o que promete, não avança, não vence e não conquista.
Para ajudar, significado de Comprometimento:
“Esta é uma atitude que poderíamos definir como algo de cunho moral, afinal, literalmente, remete ao cumprimento de um tratado, um pacto firmado.
Significa “honrar a palavra empenhada”. O comprometimento está vinculado ao clima organizacional, à cultura e aos valores da empresa. As pessoas estão dispostas a lutar por aquilo em que acreditam, seja no plano profissional ou pessoal. E lutam pela verdade!
Há uma relação íntima entre esta competência e a capacidade de estabelecer e cumprir metas. E esta relação está presente na própria palavra.
É por ai. Boa semana!
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Você já parou para pensar a força que estas duas palavras possuem? Bom Dia e Obrigado.
Palavras simples, óbvias, porém em muitos momentos esquecidas pelo corre-corre da falta de tempo, pelo mau humor que nos atinge, pelo status que faz acreditar que não se faz necessário ou pelo simples hábito de não se utilizar no vocabulário.
Certa vez ouvi em um treinamento de liderança: como você gostaria de ser liderado? E para minha surpresa: com um bom dia e um muito obrigado. E comecei a pensar.
Será que somente na gestão gostaríamos de ouvir estas palavras?
Quem não gostaria de ouvir pela manhã este simples gesto ou num momento que está desmotivado um obrigado por um trabalho realizado?
A palavra bom dia abre portas, pode ser o início de uma conversa difícil; quebrar o gelo num momento de nervoso, despertar o sorriso nos mais contagiantes, demonstrar respeito ao próximo e principalmente celebrar a oportunidade de um novo dia, cheio de desafios, atividades a serem desenvolvidas, pessoas a conhecer, negociações a vencer. Oferece uma palavra positiva para você e para quem ouve, transmitindo pensamentos positivos.
Pode parecer longe demais, mas e se nós realmente ao dizermos esta simples palavra, buscássemos ter o nosso Bom dia?
Onde você conhecendo seus valores, desejos e objetivos gera uma atitude consciente para que consiga o resultado esperado. Que possa vencer o medo, a desmotivação, a baixa estima e quebrar barreiras, obstáculos na comunicação, relacionamentos e descubra caminhos efetivos de atingir o sucesso e por que não a felicidade tão sonhada?
Pense nisso e se permita a realmente ter um bom dia.
A palavra obrigado tem significados interessantes segundo o dicionário: ser obrigado a fazer, obrigar por lei, ser grato, reagir a algo correspondido.
Palavra igualmente simples, mas difícil de ser dita por aqueles que justamente se sentem na obrigação de fazê-lo, mas nobre e cheia de ternura, gratidão e reconhecimento por quem diz e recebe.
Um feedback por algo, dar-lhe a vez, agradecer um trabalho, um presente, uma parceria ou um simples objeto que foi entregue, uma porta aberta. O poder do obrigado nos renova as energias, aumenta a motivação, estima, trabalho em equipe e comprometimento.
O obrigado é um gesto de reconhecimento, retorno positivo que se está no caminho certo, de um trabalho bem feito, de um apoio sincero, de uma ajuda para alguém que precisa carregar sua mala, segurar o elevador ou passar simplesmente o sal.
Reforça comportamentos; gera sinergia e cumplicidade.
Que possamos falar obrigada sem a obrigação social, mas dar ao outro o direito de gentileza e valor por um gesto, atitude ou trabalho.
Bom dia e obrigado. Que possam ser um oxigênio. Não tem o hábito? Dê o primeiro passo. Diga para você mesmo, pois este é o maior sentido para despertar para o outro.
Diga a você mesmo o quanto acredita em si e é capaz de buscar seus sonhos e metas; o quanto é grato por sua vida, carreira, família.
Que estas palavras não sejam apenas etiquetas profissionais mas façam parte de seu cotidiano para que ao despertar de um novo dia você tenha bons momentos e possa ser grato pelas conquistas feitas por você e pelos outros.
Pense nisso.
Te desejo um bom dia e obrigada.
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É aquela coisa que você já sabe que tem que fazer e não faz. É uma decisão que não toma, um trabalho que não termina, um projeto que não entrega, uma conversa que não rola nunca por que você não toma a iniciativa.
Aí você procura por ajuda, porque sabe que tem alguma coisa errada com isso. Sabe que não é o seu normal, mesmo que nem consiga ver isso com clareza. Você provavelmente dá um Google, pega um livro, conversa com alguém ou mesmo tira um tarô para ver o que dizem e invariavelmente você recebe o mesmo veredicto: “pare de procrastinar para ter sucesso, para conseguir o que você quer. Assuma as rédeas da sua vida, você tem condições, basta querer.”
E aí é que podemos perder uma chance de ouro, a de nos conhecermos melhor e efetivamente dar o salto [quântico] rumo a nós mesmos. Explico: quando vejo, na prática do Coaching, que as pessoas estão procrastinando, eu não falo para elas “superarem” esse problema. Ao contrário, eu sugiro que a gente acolha, pare e olhe para isso que está acontecendo. Vamos entender o que essa lentidão momentânea e consciente tem a dizer, que notícias ela traz desse momento da vida daquela pessoa.
Geralmente a procrastinação é um sintoma. É a ponta do iceberg. Ele traz muitas coisas consigo, que vão além da superfície. O que eu mais vejo na minha prática profissional tem a ver com medo, autossabotagem, insegurança, baixa autoestima, angústia, bloqueio criativo, falta de sentido ou de tesão, incapacidade de assumir o que se quer, entre outras coisas. Cada um desses tópicos merece um texto, ou melhor, um livro em si, então não vamos nos aprofundar agora, certo?
O que eu quero é sugerir que você pare e reflita a respeito do que faz você procrastinar. E busque entender o que esse sintoma está querendo te dizer. Essa é uma maneira muito potente de ir mais fundo e se ouvir, buscar sua verdade e aceitá-la. Acolher o seu momento é a melhor forma de sair dele, como já falei no texto sobre o limbo.
Proponho uma atividade para lhe ajudar nessa reflexão.
Separe um tempo para você, de preferência sozinho e sem interrupções, de aproximadamente 30 a 50 minutos. Procure estar num lugar confortável e, se possível, feche os olhos, respirando profundamente umas 3 vezes ou até conseguir deixar os pensamentos mais quietos, as preocupações de lado…
Então, com o auxílio de papel e caneta ou outro meio que você escolher, comece a atividade:
1º passo: Responda em quais situações específicas da minha vida estou procrastinando agora?
Escreva de maneira sucinta e precisa, como por exemplo: não terminei o projeto X. Não comecei a fazer ginástica. Estou usando muito tempo para fazer tarefa Y. Não estou conseguindo terminar tal coisa. Estou adiando a conversa com fulano.
2º passo: Depois olhe para essas situações que você escreveu e as leia com compaixão. Procure simplesmente aceitá-las, contemplá-las, sem julgá-las. Sei que é difícil não julgar, mas ao menos tente.
Ao observar essas situações, procure apenas abrir espaço para que elas mesmas te digam coisas.
3º passo: Se for o caso, pergunte-se: o que essa situação quer me dizer? O que há aqui, além da superfície? O que eu estou deixando de fazer de verdade? O que está por trás dessa procrastinação que eu não estou querendo ou podendo ver?
4º passo: Veja quais fichas caem, se caem, o que surge. Aceite o que veio, agradeça e só. Guarde tudo e retome sua vida. Se for dormir, boa noite. Se for voltar ao trabalho, bom trabalho. NÃO mexa mais no exercício.
5º passo: Após alguns dias (de 3 a 5 dias), volte ao que você anotou. Novamente observe as situações de procrastinação. Veja se algumas delas você já pode mexer e realizar. Anote as ações que têm que ser feitas.
6º passo: Faça.
Como sempre, quero saber o que surgiu para você, ao ler esse texto. Caíram fichas? Nada rolou? Tá valendo. Compartilhe aqui.
E você já sabe. Qualquer coisa, estou por aqui.
Com amor e com alma,
Karinna
PS: Se você acha que este artigo pode beneficiar alguém, por favor, encaminhe agora para essa pessoa.
PS2: Eu, claro, adoraria que você espalhasse meu artigo por aí, nas suas redes. Assim mais gente curte e compartilha com quem precisa.
Obrigada!
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Eu tenho a mais absoluta certeza de que a grande parte dos leitores já ouviu falar sobre a Inteligência Emocional. Aliás, provavelmente, haverá até especialistas e professores na disciplina cuja fundamentação teórica nos remete a Charles Darwin. O que a maioria também sabe está no fato de que a popularização do assunto surgiu quando, há vinte anos, Daniel Goleman publicou um best-seller a respeito. Mas será que a inteligência emocional se confunde com a Inteligência Espiritual? E você, o que pensa a respeito?
Para começo de conversa, deve-se lembrar que o conceito de “inteligência” é algo sobre o que não há unanimidade. A depender da corrente de estudos, esse conceito (que na linguagem dos estudiosos chama-se constructo) terá diferentes interpretações e o pesquisador deve indicar qual a ênfase e abordagem mais adequada ao seu objetivo de momento. Neste nosso caso, vamos nos vincular ao conceito etimológico de que a “inteligência” é a capacidade de identificar as opções, processá-las e decidir por aquela mais conveniente em um dado problema ou situação. Agora, vou tirar o foco da mera conceituação de “inteligência” para tratar do tema ampliado: Inteligência Espiritual.
O estudo da importância da espiritualidade tem crescido bastante, a ponto de haver profissionais da área de saúde que indicam haver alta relação entre a prática espiritual com a saúde mental das pessoas. E aqui surge a necessidade de se fazer outra distinção, pois espiritualidade não é o mesmo que religiosidade. Esta última diz respeito à prática da relação da pessoa com Deus, em que há um sistema de rituais ou simbolismos presentes. A espiritualidade, porém, volta-se à dimensão pessoal que diz respeito à própria existência, uma relação com a consciência sem que haja necessariamente rituais ou símbolos. Ou seja, a espiritualidade diz respeito a atitudes, sentimentos e pensamentos superiores que levam ao crescimento (amadurecimento) do ser humano. A prática da religião pode apoiar a espiritualidade, mas esta vai além.
Voltando ao tema central, vamos nos basear nos estudos e propostas da física e filósofa americana Danah Zohar, ligada a importantes centros de pensamento, nos EUA e Europa. Tendo como linha de pesquisa a física quântica, sobre Inteligência Espiritual ela relata ser algo essencial para promover a cooperação entre as pessoas, tanto na família como em sociedade. Indo além, ela entende que é a Inteligência Espiritual que ajudará as pessoas a alcançarem soluções positivas para o planeta, além de criar um melhor encontro individual nessa caminhada, ao descobrir melhor a si mesmo e aos seus valores. O alto quociente espiritual faz a pessoa ter a vida mais criativa, promissora e com sentido, com identificação do propósito pessoal.
Em seu livro Inteligência Espiritual (Editora: Viva Livros; 2012), escrito com Ian Marshall, Danah comenta que a inteligência emocional faz a pessoa ter capacidade de julgar em que situação se encontra e como deve se comportar, adequadamente, nos limites dessa situação. A Inteligência Espiritual estimula a pessoa a se perguntar se ela deseja estar nessa situação em particular e como é a melhor forma de trabalhar com os limites da situação. Em seu livro ela comenta de dez atributos típicos que mostram quando a pessoa tem um elevado quociente de Inteligência Espiritual.
As características comuns de quem tem alta Inteligência Espiritual são assim resumidas: (1) Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo; (2) São idealistas e levadas por valores pessoais; (3) Têm capacidade de encarar e se apropriar positivamente da adversidade; (4) São holísticas, no sentido de que conseguem ter visão abrangente sobre cada situação (analisam as partes e entendem o todo); (5) Respeitam a diversidade (em todas as nuances de diferenças entre pessoas, sem preconceitos); (6) Preservam sua independência e arbítrio; (7) Perguntam sempre “por quê?”, como forma de se questionarem quanto aos próprios dogmas e crenças limitantes; (8) Têm capacidade de colocar as situações e os fatos em um contexto ampliado; (9) São espontâneas e verdadeiras, e; (10) Têm compaixão, conseguindo se colocar no lugar das pessoas que estão com dores ou problemas, viabilizando ajudá-las.
E então, como está o seu grau de Inteligência Espiritual? Agora, fica o convite à sua reflexão e … Boa sorte!
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