Confiança: O Que Sustenta Nossas Escolhas e Relações
Olá, Leitor!
Estamos diante de uma decisão importante sobre quem serão os próximos líderes do país. Escolher lideranças nunca é simples — e, neste momento, parece ainda mais desafiador.
Esta não é uma defesa desta ou daquela corrente política, mas uma reflexão sobre uma questão anterior a qualquer escolha: a crise de confiança que atravessa nossas relações, instituições, organizações e, de alguma forma, a nós mesmos.
Por que falar de confiança agora?
Não sabemos em quem confiar. Valores parecem mais fluidos, fronteiras éticas são relativizadas e discursos mudam conforme as circunstâncias, os interesses ou as conveniências. Nesse cenário, torna-se cada vez mais difícil distinguir convicção de conveniência, coerência de estratégia e autenticidade de performance.
É justamente por isso que falar sobre confiança se tornou tão necessário.
A confiança é um elemento invisível que sustenta quase todas as interações humanas: compartilhar uma intimidade, delegar uma responsabilidade, contratar alguém, seguir um líder ou acreditar que a palavra do outro tem valor.
No ambiente corporativo, ela sustenta a colaboração, a inovação, a autonomia e o engajamento. Nas relações pessoais, fortalece a segurança emocional. Na liderança, permite que as pessoas deixem de apenas cumprir tarefas e se comprometam genuinamente com uma direção comum.
Sem confiança, crescem o controle, a vigilância e o medo de errar. A comunicação torna-se defensiva, a cooperação diminui e boa parte da energia passa a ser usada para proteção, em vez de criação.
As quatro dimensões da confiança
Confiar não significa acreditar cegamente. A confiança é construída.
Em O Fator Confiança, Marco Fabossi organiza esse processo em quatro dimensões — Autoconfiança, Confiança Pessoal, Confiança Interpessoal e Confiança Realizacional. Mais do que um modelo para compreender relações profissionais, elas oferecem uma lente para refletir sobre como escolhemos, lideramos e nos relacionamos.
1. Autoconfiança: antes de confiar no outro, confiar em si
Autoconfiança envolve autoconhecimento, autenticidade e capacidade de reconhecer as próprias forças e vulnerabilidades. Embora pareça paradoxal começar por si em uma reflexão sobre confiar no outro, há uma pergunta essencial: como escolher em quem confiar sem conhecer os critérios que orientam nossas próprias escolhas?
Autoconfiança não é ter todas as respostas nem acreditar que estamos sempre certos. É contar com recursos internos para sustentar escolhas, reconhecer limites, admitir dúvidas e permanecer, sem dúvida, conectado aos próprios valores.
Para o desenvolvimento humano, essa dimensão é fundamental: um líder que desconhece suas necessidades pode confundir autoridade com controle; um profissional que não reconhece suas inseguranças pode buscar validação excessiva; e quem não identifica seus valores pode simplesmente adotar os valores do ambiente.
Em tempos de excesso de informação e opiniões instantâneas, desenvolver autoconfiança também significa fortalecer a capacidade crítica:
- escutar perspectivas diferentes sem perder a própria capacidade de pensar;
- suportar a dúvida sem preenchê-la imediatamente com certezas;
- ser capaz de dizer: “eu ainda não sei”.
Talvez essa seja uma das formas mais sofisticadas de confiança.
2. Confiança Pessoal: quando discurso e comportamento se encontram
Confiança Pessoal está ligada à honestidade, à integridade e à transparência. É quando valores deixam de ser conceitos abstratos e se tornam visíveis nas escolhas concretas.
Confiamos mais facilmente em pessoas cuja palavra corresponde às atitudes — em uma relação afetiva, na convivência com um gestor ou mentor e diante de uma liderança pública.
Isso não exige perfeição. Pessoas, líderes e organizações erram. O que sustenta a confiança é a capacidade de reconhecer o erro, assumir responsabilidade e, além disso, reparar o que for possível.
Coerência não significa permanecer sempre igual, mas explicar mudanças de posição, reconhecer contradições e manter vínculo entre o que se afirma valorizar e o que se pratica.
Na liderança, essa dimensão é decisiva porque as pessoas observam muito mais do que aquilo que o líder diz. Elas percebem:
- como reage quando é contrariado;
- como trata quem discorda;
- o que faz quando comete um erro;
- como distribui reconhecimento e utiliza o poder;
- se os valores anunciados permanecem quando deixam de ser convenientes.
Confiança não se declara. Demonstra-se.
3. Confiança Interpessoal: a confiança acontece entre pessoas
Confiança Interpessoal nos lembra de algo essencial: a confiança não existe no vazio. Ela se constrói entre pessoas e depende da qualidade das relações.
No trabalho, ela se manifesta na escuta, na abertura a perspectivas diferentes, na equidade e no respeito. Na liderança, significa criar condições para que as pessoas possam falar, questionar, discordar e admitir que não sabem algo sem medo de desqualificação — o território da segurança psicológica.
Essa dimensão vai além das organizações. Em um tempo em que a diferença frequentemente se transforma em ameaça, discordar parece exigir um adversário, e as redes sociais muitas vezes substituem o diálogo pela reação.
Recuperar a confiança interpessoal talvez exija reaprender algo básico: escutar não significa concordar. É possível discordar profundamente e, ainda assim, reconhecer a humanidade, a experiência e o direito do outro de pensar de modo diferente.
Conviver com a diferença também é uma competência de liderança: liderar não é apenas conduzir quem pensa como nós, mas criar espaços nos quais pessoas diferentes contribuam para uma construção comum.
4. Confiança Realizacional: prometer é diferente de realizar
Confiança Realizacional diz respeito à capacidade de transformar intenção em realização. No mundo corporativo, boas intenções não bastam: um líder precisa decidir, mobilizar recursos, desenvolver pessoas, enfrentar obstáculos e entregar resultados.
Há, porém, uma nuance decisiva: não são apenas os resultados que constroem confiança; os caminhos utilizados para alcançá-los também contam.
Uma pessoa pode entregar resultados e, ao mesmo tempo, destruir relações; alcançar metas pelo medo, pela manipulação ou pelo excesso de controle; produzir ganhos no curto prazo e comprometer a sustentabilidade da organização no longo prazo. Por isso, competência e caráter precisam caminhar juntos.
- O que essa liderança consegue realizar?
- Como realiza?
Essa é uma pergunta poderosa para qualquer processo de desenvolvimento de liderança.
O líder que inspira confiança
Vista em conjunto, a confiança não é uma característica isolada. Ela nasce da relação entre quem somos, como nos relacionamos e o que somos capazes de realizar:
- Autoconfiança oferece sustentação interna;
- Confiança Pessoal alinha valores, discurso e comportamento;
- Confiança Interpessoal cria espaço para diálogo, vulnerabilidade e respeito;
- Confiança Realizacional transforma intenções em ações e resultados.
Essas dimensões também podem orientar processos de coaching, mentoria e desenvolvimento de lideranças. Algumas perguntas são especialmente mobilizadoras:
- Quanto você confia em si mesmo?
- Há coerência entre o que você diz valorizar e suas escolhas cotidianas?
- As pessoas ao seu redor sentem que podem falar com você com segurança?
- Você entrega o que promete?
- Que tipo de confiança você produz nas pessoas que lidera?
A última pergunta desloca a liderança de um lugar de poder para um lugar de responsabilidade.
A confiança como escolha cotidiana
A crise de confiança que vivemos não é apenas institucional ou política, mas também um fenômeno humano, presente:
- nas relações que estabelecemos;
- nas organizações que construímos;
- na forma como exercemos autoridade e lidamos com o erro;
- na maneira como reagimos à diferença;
- na relação que mantemos conosco.
Falar sobre confiança é, portanto, falar sobre desenvolvimento humano. Não podemos exigir das organizações o que não praticamos em nossas relações, esperar líderes confiáveis sem refletir sobre como exercemos liderança ou cobrar coerência do outro sem reconhecer nossas próprias incoerências.
Construir confiança exige tempo, presença, consistência e autoconsciência. Perdê-la pode acontecer em um único gesto; recuperá-la costuma exigir uma sucessão de pequenas atitudes coerentes.
Um dos grandes desafios da liderança contemporânea é compreender que confiança não é um recurso que o líder possui, mas uma experiência que produz na relação com as pessoas. Em um mundo de incertezas, excesso de informação e mudanças rápidas, essa pode ser uma das competências mais importantes para o futuro.
No fim, a pergunta mais relevante talvez não seja apenas “em quem podemos confiar?”, mas:
“Que tipo de pessoa, profissional e líder escolhemos ser para que os outros também possam confiar em nós?”
Porque a confiança que buscamos no mundo começa, inevitavelmente, nas relações que somos capazes de construir.
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Quer saber mais sobre as quatro dimensões da confiança, como fortalecer a confiança na liderança e, além disso, como construir relações baseadas em coerência, respeito e resultados? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Mônica Barg
https://www.monicabarg.com.br
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A Escada Quebrada: O Degrau Que Sumiu (Parte I)
Quem vai formar o profissional sênior de 2032? A inteligência artificial não está demitindo — está deixando de contratar no primeiro degrau. E isso é um problema de confiabilidade organizacional, não de recursos humanos.
1. A decisão que parece boa
Imagine a reunião de orçamento do próximo ciclo. Alguém apresenta uma proposta simples: não abrir as vagas de estágio e de analista júnior. O argumento é bom e vem com números. As ferramentas de inteligência artificial já cobrem a maior parte daquele trabalho — a planilha de conciliação, a minuta padrão, o levantamento preliminar, o relatório de rotina. A economia é imediata. Ninguém precisa ser demitido. Os gerentes aprovam com alívio, porque também ganham tempo: não terão de supervisionar quem está aprendendo.
É uma decisão defensável em todas as dimensões que aquele comitê consegue medir. Reduz custo sem aumentar risco aparente, melhora o indicador de produtividade por colaborador e não produz nenhum passivo trabalhista. Em quase toda empresa brasileira de médio e grande porte, essa conversa já aconteceu ou está prestes a acontecer.
E é exatamente por isso que ela merece atenção. O custo dessa decisão não aparece em nenhuma linha do orçamento do ano, porque ele não vence no ano. Vence por volta de 2032, quando a organização precisar de um profissional sênior que ela deveria ter começado a formar agora e descobrir que não formou — e, pior, que ninguém mais formou.
O primeiro degrau da carreira nunca foi apenas um posto de trabalho barato. Era o mecanismo pelo qual a organização fabricava os próprios seniores. Ao automatizá-lo, a empresa não eliminou um custo: desativou uma linha de produção sem perceber que ela existia.
Este artigo trata desse problema pelo que ele é: uma questão de projeto de sistema.
Não de recursos humanos, não de responsabilidade social, não de gentileza com a nova geração. Uma organização que perde a capacidade de repor suas próprias competências críticas é, em termos técnicos, um sistema que perdeu redundância. Quem vem da engenharia de confiabilidade reconhece o padrão de imediato: o equipamento continua operando normalmente, os indicadores continuam verdes, e a falha só se manifesta quando o componente que não tinha sobressalente finalmente falha.
Na Parte I, examino o diagnóstico: o que os dados brasileiros e internacionais já mostram, por que esse efeito específico ocorre e qual é a conta que chega depois. Na Parte II, tratarei do que o líder pode fazer — e da pergunta que nenhuma empresa, sozinha, consegue responder.
2. O que os dados já mostram
Comecemos pelo Brasil.
2.1 A evidência brasileira
Em abril de 2026, o Blog do IBRE, da Fundação Getúlio Vargas, publicou a primeira avaliação sistemática dos efeitos da IA generativa sobre o mercado de trabalho brasileiro, a partir de estudo conduzido por Paulo Peruchetti, Fernando de Holanda Barbosa Filho e Janaína Feijó. A metodologia é cuidadosa: diferenças-em-diferenças dinâmicas com dosagem contínua de exposição, usando microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do primeiro trimestre de 2022 ao segundo trimestre de 2025, com as medidas de exposição congeladas no terceiro trimestre de 2022 — isto é, antes da difusão pública das ferramentas generativas, justamente para evitar que a realocação ocupacional posterior contaminasse o resultado.
Os números centrais: cerca de 30 milhões de trabalhadores brasileiros, equivalentes a 29,6% da população ocupada, estão em ocupações com algum grau de exposição à IA generativa.
Além disso aproximadamente 5,2 milhões concentram-se no gradiente mais alto de exposição. Cerca de 20% dos ocupados combinam alta exposição com baixa complementaridade — o grupo mais vulnerável à substituição — enquanto um contingente semelhante combina alta exposição com alta complementaridade, posição em que a tecnologia tende a ampliar produtividade e rendimento em vez de eliminar postos.
Nesse sentido, o que interessa a este artigo é onde o efeito se concentra: mulheres, pessoas mais escolarizadas, região Sudeste, setores de serviços — particularmente informação, comunicação e serviços financeiros — e, de modo especialmente marcado, os jovens. Segundo a leitura dos pesquisadores do IBRE, jovens de 18 a 29 anos em setores vulneráveis passaram a apresentar chance de ocupação cerca de 5% menor, enquanto as faixas de 30 a 44 e de 45 a 59 anos permaneceram praticamente inalteradas.
Repare no desenho do efeito. De fato, não é uma queda generalizada de emprego. É uma queda concentrada em um grupo etário específico, dentro de setores específicos, no exato momento em que uma tecnologia específica se difundiu. É a assinatura de um fenômeno causal, não de um ciclo econômico.
2.2 A evidência internacional, e o que ela acrescenta
O trabalho de referência internacional é o estudo “Canaries in the Coal Mine?”, do Stanford Digital Economy Lab, conduzido por Erik Brynjolfsson, Bharat Chandar e Ruyu Chen a partir de dados administrativos de folha de pagamento de milhões de trabalhadores norte-americanos. A atualização de agosto de 2026 é mais nítida — e mais preocupante — do que a primeira versão, de 2025.
Jovens de 22 a 25 anos em ocupações altamente expostas à IA acumulam um déficit de emprego de 19% em relação a trabalhadores da mesma idade em ocupações pouco expostas. Esse número era de 15% em julho de 2025: a diferença não se estabilizou, ela se ampliou de modo contínuo. Em termos absolutos, entre novembro de 2022 e junho de 2026, o emprego de jovens em ocupações muito expostas caiu cerca de 11%, enquanto o de jovens em ocupações pouco expostas subiu cerca de 10%.
Além disso, três pontos adicionais do estudo merecem destaque:
- Não há deslocamento generalizado de emprego na economia. O efeito é localizado, não sistêmico — o que explica por que ele passa despercebido nos agregados macroeconômicos.
- O mecanismo é a redução de contratações, não a demissão de quem já está dentro. As empresas não estão cortando pessoas; estão deixando de abrir a porta.
- O ajuste aparece no volume de emprego, não no salário-base. Não se trata de uma pressão sobre remuneração que sinalizaria excesso de oferta: trata-se de postos que simplesmente não são criados.
Em outras palavras, o que está em curso não é uma onda de demissões. É uma porta que deixa de se abrir. Demissão gera manchete, sindicato, negociação e aprendizado coletivo. Uma vaga não aberta não gera absolutamente nada — não há quem reclame de um emprego que nunca existiu.
2.3 O pano de fundo brasileiro
Esses efeitos incidem sobre um mercado de trabalho jovem que já era frágil. O Diagnóstico da Juventude Brasileira, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 2026 a partir da combinação entre PNAD Contínua, RAIS e eSocial, mostra o quadro do primeiro trimestre de 2026: entre os 32,9 milhões de brasileiros de 14 a 24 anos, a taxa de desocupação é de 13,8% na faixa de 18 a 24 anos e de 25,1% entre 14 e 17 anos, contra uma média nacional de 5,8%. São 6,2 milhões de jovens que não estudam nem trabalham.
Some-se a isso um dado que costuma passar em branco: apenas cerca de 53% das vagas obrigatórias de aprendizagem no país estão preenchidas. Ou seja, antes mesmo de discutir se a IA está fechando o primeiro degrau, é preciso registrar que o Brasil já não ocupava metade dos degraus que a própria legislação obriga a manter abertos.
Por fim, há um último número, talvez o mais importante de todos para quem lidera uma organização brasileira. De acordo com a pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br/NIC.br, com 4.174 empresas, a proporção de empresas brasileiras que usam inteligência artificial passou de 13% em 2024 para 17% em 2025. Entre as grandes, de 250 ou mais colaboradores, o salto foi de 38% para 50%.
Assim, metade das grandes empresas brasileiras já usa IA, e o efeito sobre o emprego jovem já é mensurável. A conclusão desconfortável é aritmética: o que estamos observando é o início da curva, não o seu resultado. A adoção que produziu esses números ainda tem a maior parte do caminho pela frente.
3. A ironia da automação: o que a confiabilidade já sabia desde 1983
Em 1983, a psicóloga cognitiva britânica Lisanne Bainbridge publicou na revista Automatica um artigo de sete páginas intitulado “Ironies of Automation”. Ele tratava de salas de controle de processos industriais e é, ainda hoje, uma das leituras mais citadas em fatores humanos e engenharia de sistemas. Quem trabalha com confiabilidade o conhece. Quem lidera pessoas raramente o leu — e deveria.
Bainbridge descreve duas ironias centrais. A primeira: o projetista automatiza aquilo que sabe automatizar e deixa ao operador humano o resíduo — precisamente as tarefas que ninguém conseguiu automatizar, isto é, as mais difíceis, ambíguas e imprevisíveis. O humano não fica com o trabalho fácil; fica com o que sobrou depois que todo o trabalho fácil foi removido.
A segunda ironia é mais cruel, e é a que nos interessa. Espera-se que esse operador monitore o sistema automatizado e assuma o controle quando algo sair do previsto. Mas a habilidade necessária para assumir o controle em uma exceção só se constrói e se mantém pela prática rotineira — exatamente a prática que a automação eliminou. A automação suprime o treinamento que ela própria pressupõe.
Quanto mais avançado o sistema de controle automatizado, mais crucial pode ser a contribuição do operador humano. (Lisanne Bainbridge, Ironies of Automation, 1983)
Agora troque “sala de controle” por “organização” e “operador” por “profissional sênior”. A estrutura do problema é idêntica. A empresa automatizou o trabalho de entrada — o mais codificado, o mais repetitivo, o mais fácil de descrever em um prompt. Ficou com o trabalho de julgamento, exceção e responsabilidade, que continua exigindo gente. E eliminou, no mesmo movimento, a única atividade que produzia essa gente.
Nesse sentido, vale observar como os setores que não podem errar lidaram com esse problema.
A aviação comercial opera hoje aeronaves em que o piloto conduz manualmente uma fração mínima do voo. A resposta do setor não foi reduzir o treinamento na proporção da automação; foi o contrário. Pilotos de linha aérea cumprem requisitos regulados de experiência recente e voam manualmente em simulador justamente porque a operação real não oferece mais essa prática. O setor pagou caro para descobrir que competência não sobrevive à ausência de uso, e institucionalizou a prática deliberada como requisito, não como virtude. A medicina fez algo semelhante com a residência.
No entanto, fora da aviação, da medicina e de algumas poucas atividades de alto risco, praticamente nenhuma organização trata a manutenção de competência como requisito formal. Ela é tratada como consequência natural do trabalho — uma premissa que era razoável enquanto o trabalho de rotina existia, e que deixa de ser assim que ele desaparece.
4. Conhecimento codificado e conhecimento tácito: por que o júnior perdeu justamente o que o formava
No estudo de Stanford há algo que costuma passar despercebido e que, na minha leitura, é o mais revelador de todos. A queda de emprego jovem concentra-se em ocupações cujo conhecimento é predominantemente codificado, documentado, presente em manuais, normas e bases de dados. Em ocupações de conhecimento predominantemente tácito, o quadro é diferente: ali, o emprego de trabalhadores experientes chegou a crescer.
Ikujiro Nonaka e Hirotaka Takeuchi construíram toda a sua teoria da criação de conhecimento organizacional sobre essa distinção. O conhecimento explícito é aquele que se escreve, se transmite e se armazena. O conhecimento tácito é o que a pessoa sabe sem conseguir enunciar por completo: a percepção de que um número está estranho antes de saber por que, a noção de quando um cliente está prestes a desistir, a sensação de que aquela cláusula vai dar problema. Ele se transfere principalmente por socialização, convivência, observação, imitação e prática conjunta em tarefas reais.
Além disso, Jean Lave e Etienne Wenger deram nome ao mecanismo concreto dessa transferência: participação periférica legítima. O novato não começa assistindo a uma aula sobre a profissão. Começa executando tarefas verdadeiras, periféricas, de baixo risco e de valor real para o grupo, e vai se deslocando gradualmente para o centro da prática. A tarefa periférica não é um desperdício tolerado por generosidade. É o currículo.
Portanto, a IA generativa é excepcionalmente boa exatamente naquilo que é codificado e as tarefas de entrada eram a interface pela qual o novato manipulava o conhecimento codificado para, por meio dele, absorver o tácito.
Preparar duzentas conciliações não ensina a conciliar: ensina a reconhecer, de relance, quando um número não faz sentido. Redigir cinquenta contratos simples não ensina redação jurídica: ensina onde as cláusulas costumam falhar. Levantar dados para dezenas de relatórios não ensina a fazer relatórios: ensina de quais fontes se pode desconfiar. Depurar o código trivial dos outros não ensina programação: ensina como os erros se parecem.
A tarefa de entrada produzia dois resultados simultâneos: um entregável e um profissional. A automação entrega o primeiro com enorme eficiência e presume que o segundo continuará aparecendo sozinho. Não continuará.
Nesse sentido, é importante ser preciso aqui, para não cair no diagnóstico fácil de que a IA “está destruindo empregos”. Não é isso o que os dados dizem. Os dados dizem que a IA substituiu com muita competência a camada codificada do trabalho — e que essa camada, além de produzir entregáveis, funcionava como o sistema de formação profissional de fato existente na economia. O currículo estava escondido dentro da tarefa. Ao remover a tarefa, removemos o currículo sem nunca tê-lo escrito em lugar nenhum.
5. A conta que chega depois
O corte do primeiro degrau produz ganhos reais e imediatos. É importante reconhecê-los, porque um argumento que ignora o lado positivo da decisão não convence ninguém que precisa tomá-la. O que proponho é olhar para o balanço completo, e não apenas para o lado que aparece no trimestre.
5.1 A pirâmide que se inverte
Se a base deixa de entrar, a organização passa a depender inteiramente do mercado externo para repor seus profissionais experientes. O problema é que os concorrentes fizeram exatamente o mesmo cálculo, no mesmo período, pelas mesmas razões. Estamos diante de um caso clássico de falácia da composição: uma decisão individualmente racional que, adotada por todos ao mesmo tempo, destrói o recurso do qual todos dependem.
O resultado previsível é que o preço do profissional sênior escasso suba justamente quando a demanda por ele for maior e que o prêmio salarial pago na disputa por esses profissionais consuma, com juros, a economia obtida anos antes. A diferença é que a economia foi contabilizada como mérito de uma gestão e o prêmio será contabilizado como “pressão de mercado” por outra.
5.2 O profissional sênior que vira revisor em tempo integral
Há um efeito de segunda ordem que já começou a ser documentado. Um estudo divulgado pela Harvard Business Review em 2025 cunhou o termo workslop para designar o conteúdo gerado por IA que aparenta estar pronto, mas não está: plausível na forma, insuficiente no conteúdo, e que transfere silenciosamente o trabalho de verificação e correção para quem o recebe.
Em uma equipe com juniores, parte dessa verificação é absorvida e, mais importante, se converte em aprendizado para quem revisa e para quem é revisado. Em uma equipe sem juniores, ela recai integralmente sobre o profissional sênior — precisamente o recurso escasso que a automação prometia liberar para trabalho de maior valor. Não é raro que a empresa termine com o profissional sênior fazendo, em tempo integral, a revisão do trabalho que antes era feito pelo júnior, com a diferença de que agora não há ninguém aprendendo no processo.
5.3 A memória organizacional que sai pela porta
Conhecimento tácito não é documentável — essa é a sua definição. Ele reside em pessoas e se transfere por convivência. Quando um profissional experiente se aposenta ou muda de empresa em uma organização que manteve seu fluxo de entrada, parte relevante do que ele sabia já migrou para quem trabalhou ao lado dele. Quando isso acontece em uma organização que interrompeu esse fluxo, o conhecimento simplesmente sai pela porta. Não há repositório, wiki ou base vetorial que resolva isso, pela razão simples de que aquilo que se consegue escrever já não é a parte tácita.
5.4 O que um engenheiro de confiabilidade veria
Traduzo o problema para a linguagem em que ele se torna incontornável. Uma organização que não forma sucessores opera sem redundância de competência crítica. Enquanto o componente estiver disponível, o sistema funciona com desempenho até superior, porque removemos a carga de treinamento. Quando ele falha por aposentadoria, doença, proposta da concorrência ou esgotamento, o tempo de recuperação não é o tempo de contratar alguém: é o tempo de alguém se tornar capaz, que se mede em anos.
Nenhuma operação industrial séria aceita rodar sem estoque de sobressalentes para componentes críticos. No entanto, muitas organizações aceitam, sem discussão, rodar sem sucessores para posições críticas — e a diferença é apenas que a primeira ausência aparece em um relatório de manutenção e a segunda não aparece em lugar algum.
5.5 O balanço
Dimensão | Efeito de curto prazo (1 a 2 anos) | Passivo de longo prazo (5 a 10 anos) |
| Custo de pessoal | Redução imediata e visível na folha e nos programas de estágio | Prêmio salarial na disputa por seniores escassos no mercado |
| Produtividade do sênior | Aumenta: menos tempo dedicado a supervisionar quem aprende | Cai: tempo consumido na revisão de saídas de IA sem apoio intermediário |
| Sucessão | Nenhum efeito visível | Banco de sucessores vazio para posições críticas |
| Conhecimento tácito | Preservado nos profissionais atuais | Não transferido; sai da empresa com quem se desliga |
| Risco operacional | Estável | Sem redundância humana; tempo de recuperação medido em anos |
| Marca empregadora | Neutro | Perda de vínculo com universidades e com a origem do próprio talento |
| Capacidade de inovação | Inalterada | Reduzida: menos diversidade cognitiva e menos questionamento do status quo |
5.6 Por que isso não aparece no radar de ninguém
Se o passivo é tão previsível, por que a decisão continua sendo tomada? Porque ele reúne, de forma quase perfeita, as três características que tornam um custo invisível para a gestão.
É diferido: vence fora do horizonte de qualquer ciclo de planejamento usual. É difuso: manifesta-se como lentidão, retrabalho, dificuldade de contratar e erro de julgamento, sem nunca se apresentar como uma rubrica identificável. E, sobretudo, não tem dono: não existe centro de custo chamado “formação de profissional sênior”, não existe indicador trimestral que piore, e não existe área que seja cobrada quando ele se materializa.
Além disso, há um desalinhamento de horizonte que raramente é dito em voz alta: quem decide hoje cortar o degrau de entrada frequentemente não estará na mesma cadeira quando a conta chegar. Esse é um problema de governança, não de caráter — e problemas de governança se resolvem com desenho de incentivo e de medição, assunto da Parte II.
6. Um contraponto brasileiro
Quero encerrar esta primeira parte com um caso nacional, e deliberadamente não com um caso de fracasso.
O Itaú Unibanco contrata cerca de dois mil estagiários por ano com taxa de efetivação em torno de 65%. Esses números são interessantes, mas não são o dado importante. O dado importante é outro: aproximadamente 25% dos mais de 90 mil colaboradores do banco começaram a carreira ali como estagiários.
Uma organização capaz de afirmar que um quarto de seu corpo atual de colaboradores entrou pelo primeiro degrau não está descrevendo um programa de responsabilidade social nem uma iniciativa de marca empregadora. Está descrevendo uma infraestrutura de formação que funciona e que é medida. E vale notar o setor: serviços financeiros aparecem, no estudo do IBRE, entre os mais expostos à automação cognitiva no Brasil. Não se trata, portanto, de uma organização protegida do fenômeno. Trata-se de uma organização que tem o pipeline como número gerenciado.
A lição não está no tamanho do programa, que poucas empresas conseguem replicar, mas em três perguntas que essa organização sabe responder e que a maioria não sabe: quantas pessoas entram pelo primeiro degrau por ano, qual é a proporção que permanece e que fração do corpo atual de profissionais veio por esse caminho. Uma empresa que não sabe responder a essas três perguntas não tem como avaliar o que está decidindo quando fecha a porta de entrada. Está tomando uma decisão estrutural com base apenas no lado do custo.
7. Onde chegamos, e o que vem a seguir
Recapitulo o diagnóstico em quatro frases. A inteligência artificial não está promovendo demissões em massa: está reduzindo a abertura de vagas de entrada, e os dados brasileiros e norte-americanos convergem nesse ponto. O efeito se concentra em jovens e em ocupações de conhecimento codificado, porque é exatamente aí que a tecnologia é mais capaz. Ao mesmo tempo, a tarefa de entrada, além de produzir entregáveis, era o mecanismo real de formação profissional na economia, o currículo escondido dentro do trabalho. E o custo dessa remoção é diferido, difuso e sem dono, o que o torna invisível para a gestão até o momento em que se torna irreversível.
Ainda assim, nada disso é argumento contra a adoção de inteligência artificial, e seria tolice lê-lo assim. É argumento a favor de tratar a formação de pessoas como aquilo que ela sempre foi e que nunca precisou ser declarado: um processo produtivo da empresa, que até agora funcionava como subproduto gratuito de outro processo e que, removido, precisa passar a ser projetado, financiado e medido explicitamente.
Na Parte II, vou apresentar cinco movimentos concretos à disposição de quem lidera equipes, uma tabela de reconstrução da prática para as tarefas mais afetadas e um checklist de dez sinais para avaliar se a sua organização já quebrou a escada sem ter percebido. E, ao final, a parte que não cabe no orçamento de nenhuma empresa: se o degrau de entrada era onde as pessoas se formavam de fato, e ele está desaparecendo, o que exatamente o nosso sistema educacional está formando? E como se aprende, agora que a própria educação passará a ser feita com as mesmas ferramentas que criaram o problema?
Gostou do artigo?
Quer saber como sua empresa pode conciliar os avanços da inteligência artificial com o emprego jovem e a formação do profissional sênior de amanhã? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até a próxima edição!
Um abraço.
Marcelo Farhat
https://www.meetnetwork.net
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Confira também: O Funcionário Virtual: Quando a Inteligência Artificial Se Torna Parte da Equipe (parte II)
Referências BAINBRIDGE, L. Ironies of automation. Automatica, v. 19, n. 6, p. 775-779, 1983. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Diagnóstico da Juventude Brasileira. Brasília: MTE, 2026. BRYNJOLFSSON, E.; CHANDAR, B.; CHEN, R. Canaries in the coal mine? Six facts about the recent employment effects of artificial intelligence. Stanford: Stanford Digital Economy Lab, atualização de agosto de 2026. CENTRO REGIONAL DE ESTUDOS PARA O DESENVOLVIMENTO DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO — CETIC.BR. TIC Empresas 2025. São Paulo: NIC.br, 2026. DUQUE, D. Inteligência artificial generativa e mercado de trabalho no Brasil: evidências iniciais sobre ocupação e renda. Blog do IBRE, Rio de Janeiro, 27 abr. 2026. LAVE, J.; WENGER, E. Situated learning: legitimate peripheral participation. Cambridge: Cambridge University Press, 1991. NIEDERHOFFER, K. et al. AI-generated "workslop" is destroying productivity. Harvard Business Review, set. 2025. NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Criação de conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a dinâmica da inovação. Rio de Janeiro: Campus, 1997.
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Quando Deus Toca o Que Existe de Mais Profundo em Nós
Você já sentiu uma paz que chegou sem que nada ao redor precisasse mudar, simplesmente porque se permitiu fazer algo diferente?
Em certos momentos, algo se renova por dentro. As preocupações continuam ali, mas já não exercem o mesmo peso. Uma situação confusa ganha nova perspectiva, e uma serenidade sutil nos devolve a capacidade de respirar com leveza.
O cenário externo permanece o mesmo, mas a nossa forma de vivenciar aquela realidade ganha outro significado.
Na correria diária, prazos, tarefas e expectativas alheias costumam capturar todo o nosso foco. Ficamos tão ocupados em responder às exigências do mundo que sobra pouco espaço para escutar o que se passa no peito e perceber do que de fato precisamos.
A conexão interior não exige eventos extraordinários.
Ela pode surgir em gestos simples, quando desaceleramos diante das cobranças e nos voltamos para o que nos nutre. Cada pessoa encontra seu próprio ponto de encontro com essa essência, e nem sempre há palavras para traduzir o que acontece por dentro.
Uma melodia, o silêncio, o horizonte ou um impulso espontâneo podem despertar algo indescritível. Por alguns instantes, o fluxo ininterrupto de pensamentos cede lugar a uma experiência que ultrapassa a razão.
Esses momentos nos oferecem uma pausa necessária e nos recordam da importância de cuidar do nosso universo interior. Ao nos voltarmos para dentro, ampliamos assim a compreensão sobre nós mesmos e encontramos novas perspectivas para seguir a vida com mais consciência e gentileza.
Certa vez, em casa, senti um impulso repentino de movimentar o corpo e dançar. Entreguei-me àquele movimento sem intenção ou expectativa. Aos poucos, fui envolvida por uma emoção profunda, uma paz imensa e uma alegria que parecia transbordar do peito. Senti algo se expandir internamente. Vivi uma profunda conexão comigo mesma e, naquele instante, reconheci de fato a presença amorosa de Deus tocando em mim.
Essa vivência me fez compreender que a espiritualidade não se limita aos momentos de oração. Deus se faz presente no cotidiano mais simples, em instantes inesperados que nos reconectam à nossa essência e a Ele.
Experiências assim fortalecem a fé e nos permitem reconhecer que nem tudo o que tem valor em nossa caminhada pode ser explicado racionalmente. Algumas delas nos tocam de maneira profunda e deixam em nós uma percepção que transforma a forma como vivemos a espiritualidade.
Talvez Deus nos toque justamente quando soltamos a necessidade de explicar tudo e nos permitimos apenas vivenciar o que nos chega. E, nesses raros instantes, percebemos que há algo nessa entrega que nos aproxima d’Ele de maneira íntima e inesquecível.
E você? Já viveu um momento em que sentiu Deus tocar seu coração de forma única? O que essa experiência transformou em você?
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Com carinho,
Luiza Nizoli Rocha
Facilitadora em Desenvolvimento Humano e Consciência Organizacional
@luizanizoli
Confira também O Que Você Ainda Está Tentando Provar — e Para Quem?
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Quando a Equipe Discorda de Você: O Desafio da Liderança
Já conduzi reuniões em que fiz uma pergunta à equipe esperando ouvir diferentes perspectivas. Em uma delas, alguém trouxe uma opinião contrária ao caminho que eu imaginava seguir.
Foi nesse momento que minha escuta se colocou à prova.
É relativamente fácil convidar a equipe a falar quando imaginamos que suas contribuições vão complementar o caminho que já pensamos. Mais difícil é permanecer aberto quando alguém questiona esse caminho.
A discordância pode despertar uma resposta rápida: explicar por que a proposta não funciona, defender a própria decisão ou encerrar o assunto para que a reunião avance. O líder pode fazer tudo isso sem elevar a voz. Ainda assim, a equipe percebe quando não existe espaço real para pensar junto.
Antes de responder, vale se perguntar: estou de fato avaliando a ideia ou reagindo ao desconforto de ser contrariado?
Não considero que toda discordância deva mudar uma decisão. O líder tem informações que nem sempre estão disponíveis para todos. Também precisa considerar riscos, prioridades e responsabilidades que fazem parte do seu papel.
Mas ouvir uma opinião diferente permite verificar se algo importante ficou de fora. Talvez a equipe tenha percebido uma dificuldade na execução. Talvez conheça melhor o efeito da decisão sobre o cliente. Ou talvez a proposta inicial continue sendo a melhor, só que agora examinada com mais cuidado.
Para descobrir, o líder precisa ir além de perguntar “alguém discorda?”. Pode pedir que a pessoa explique o que está vendo, quais consequências antecipa e que alternativa considera possível. Essas perguntas ajudam a transformar uma reação em uma conversa.
E, depois de escutar, é preciso dar um retorno.
Se a contribuição mudou a decisão, vale dizer o que foi revisto. Se não mudou, a equipe merece entender o critério utilizado. Convidar as pessoas a se posicionarem e depois seguir adiante sem uma explicação enfraquece o convite feito na próxima reunião.
Ao longo da minha trajetória liderando equipes, aprendi que ocupar o papel de líder não exige responder primeiro nem defender uma decisão só porque fui eu quem a propôs. Exige assumir a responsabilidade pela decisão e criar condições para que ela seja examinada com honestidade.
Isso também pede atenção à forma como reagimos. Um líder pode dizer que quer autonomia, mas corrigir imediatamente quem propõe outro caminho. Pode pedir pensamento crítico, mas demonstrar impaciência quando ele aparece.
A equipe aprende com essas reações. Aprende quando vale a pena falar e quando é mais seguro concordar.
Talvez uma pergunta importante para quem lidera seja:
O que acontece na sua equipe quando alguém pensa diferente de você?
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Quer saber mais sobre como agir quando a equipe discorda e transformar opiniões diferentes em oportunidades de diálogo, confiança e decisões mais conscientes? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até o próximo artigo!
Valquiria Jorge
Fundadora da Mente & Movimento e cofundadora da RebrandSe
https://www.linkedin.com/in/valquiria-camargo-jorge/
https://instagram.com/valjorge_menteemovimento
Confira também: Liderar Exige Perceber o Que Mudou
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Equilíbrio Emocional e Saúde Mental: O Equilíbrio Começa no Centro
Falar sobre equilíbrio tornou-se quase inevitável em um tempo marcado por excesso de estímulos, responsabilidades simultâneas e uma sensação constante de que sempre existe algo a ser resolvido. Trabalho, família, relações, estudos, projetos, cuidados pessoais e expectativas convivem dentro da mesma agenda e disputam atenção.
Por isso, muitas pessoas procuram organizar melhor o tempo, rever prioridades e criar rotinas que permitam dar conta do que precisa ser feito. Essas iniciativas são importantes, porém existe uma dimensão anterior à administração das atividades: o lugar interno a partir do qual cada uma delas é vivida.
O equilíbrio começa no centro.
Esse centro representa a capacidade de permanecer em contato consigo mesmo enquanto a vida segue em movimento. É a consciência sobre o que sentimos, pensamos e escolhemos, inclusive diante de períodos de grande exigência.
A vida possui ciclos, e cada ciclo apresenta necessidades diferentes. Haverá momentos em que o trabalho ocupará uma parcela significativa da energia disponível, outros em que a família, a saúde, um projeto ou uma transformação pessoal exigirão maior presença. O ponto de referência continua sendo interno: perceber como estamos vivendo aquilo que estamos vivendo e o que determinada experiência está produzindo em nós.
Além disso, essa percepção possui relação direta com saúde mental. Durante muito tempo, o tema foi associado principalmente ao adoecimento e às situações em que o sofrimento já se tornou evidente. Hoje existe uma compreensão mais ampla sobre a importância de acompanhar os sinais que surgem antes do limite.
A forma como reagimos às pressões, lidamos com frustrações, estabelecemos limites, conduzimos nossas relações e preservamos nossa capacidade de escolha também fala sobre saúde mental. Uma pessoa pode continuar realizando suas atividades, cumprindo compromissos e entregando resultados enquanto, internamente, sua disponibilidade emocional diminui progressivamente.
De fato, esse movimento costuma acontecer de maneira silenciosa. A atenção começa a se fragmentar, a mente permanece ocupada com aquilo que ainda precisa ser feito e as experiências deixam de ser vividas por inteiro. Estamos em uma conversa enquanto pensamos em outra situação, encerramos uma atividade já mentalmente envolvidos com a próxima e levamos tensões de um ambiente para outro. Com o tempo, essa dispersão interfere na qualidade da presença e também na maneira como nos relacionamos.
Presença exige disponibilidade interna.
Escutar alguém requer espaço para receber aquilo que está sendo dito. Refletir antes de responder exige capacidade de reconhecer o que determinada situação mobilizou em nós. Tomar decisões conscientes pressupõe algum contato com nossos valores, limites e responsabilidades.
Quando grande parte da energia psíquica está ocupada por tensão, preocupação ou necessidade de controle, essa disponibilidade diminui. A escuta se torna mais curta, a impaciência ganha espaço e situações que poderiam ser compreendidas com maior amplitude passam a ser respondidas de forma automática.
Por essa razão, saúde mental possui uma dimensão profundamente relacional. O que acontece dentro de uma pessoa encontra expressão na forma como ela se comunica, reage, decide, acolhe diferenças e estabelece vínculos.
Quando alguém permanece internamente sobrecarregado por longos períodos, suas relações também recebem os efeitos dessa condição. Por outro lado, quando existe maior consciência sobre aquilo que está acontecendo internamente, surge a possibilidade de escolher respostas mais coerentes com o que se deseja construir.
É nesse ponto que equilíbrio e generosidade se encontram.
A generosidade que sustenta boas relações nasce de uma pessoa capaz de oferecer aquilo que possui sem se afastar de si mesma. Ela pode se manifestar pela atenção dedicada a uma conversa, pelo conhecimento compartilhado, pela capacidade de reconhecer a contribuição de alguém, pela disposição para escutar perspectivas diferentes ou pela confiança oferecida a uma pessoa que precisa crescer. Essa qualidade de presença depende de algum espaço interno disponível.
Quando estamos em contato com nosso centro, conseguimos perceber melhor aquilo que podemos oferecer e também aquilo que precisamos preservar. Essa consciência favorece relações mais claras porque reduz a necessidade de responder a todas as demandas da mesma forma.
Existem momentos de disponibilidade e momentos em que um limite precisa ser estabelecido. Existem situações que pedem ação e outras que exigem tempo para compreender. O equilíbrio se revela nessa capacidade de escolher com maior consciência a forma como desejamos estar presentes.
Essa reflexão ganha ainda mais importância quando pensamos em liderança.
Quem lidera ocupa uma posição de influência e leva para suas relações profissionais sua própria maneira de interpretar o mundo, lidar com incertezas, reconhecer emoções e exercer poder. Uma tensão interna pode aparecer na forma de controle. Uma insegurança pode interferir na maneira como responsabilidades são delegadas.
O medo de errar pode criar ambientes nos quais as pessoas passam a evitar riscos, perguntas e novas ideias. Da mesma forma, presença, confiança e consciência também se transformam em comportamentos perceptíveis pelas equipes.
A saúde mental do líder, portanto, participa da saúde das relações que ele constrói. Isso exige reconhecer que liderança envolve resultados e, ao mesmo tempo, a qualidade humana presente na forma como esses resultados são alcançados.
Pessoas observam muito além das decisões formais. Elas percebem como alguém reage sob pressão, como lida com o erro, como escuta uma discordância, como reconhece uma contribuição e como estabelece limites diante do excesso. Esses comportamentos criam referências que, repetidas ao longo do tempo, passam a integrar a cultura de um ambiente.
Ao longo da vida, construímos nossa trajetória por meio dessas pequenas escolhas cotidianas. Plantamos conhecimento, relações, conversas, atitudes, projetos e formas de presença. Grande parte desse plantio produz efeitos que não acompanharemos integralmente.
Uma conversa pode permanecer na memória de alguém durante anos. Um conhecimento compartilhado pode influenciar uma decisão futura. Uma forma respeitosa de conduzir uma situação pode se tornar referência para outra pessoa. Uma experiência vivida dentro de uma equipe pode acompanhar um profissional em diferentes momentos de sua carreira.
Pensar dessa maneira amplia a compreensão sobre continuidade. Nossa jornada também permanece naquilo que ajudamos a desenvolver nas pessoas e nos ambientes que encontramos pelo caminho. Para que possamos continuar plantando de forma consciente, precisamos cuidar das condições internas de quem planta.
Quando a exaustão ocupa espaço demais, perdemos qualidade de percepção. Quando permanecemos continuamente reagindo às demandas externas, enfraquecemos a capacidade de escolher onde nossa energia produz sentido. Cuidar da saúde mental participa da continuidade daquilo que desejamos construir.
O equilíbrio, nesse contexto, está relacionado à coerência. É a possibilidade de reconhecer os diferentes movimentos da vida e continuar em contato com aquilo que orienta nossas escolhas. Essa coerência produz uma qualidade particular de paz, compreendida aqui como um estado de presença em que pensamentos, sentimentos, valores e ações encontram alguma integração. Essa paz amplia nossa capacidade de enxergar as situações com clareza e cria condições para que possamos oferecer aos outros aquilo que temos de melhor.
Foi dessa compreensão que nasceu o Ecossistema Reconexão Essencial®.
Ao longo da minha trajetória acompanhando pessoas, líderes, equipes e organizações, fui percebendo que toda transformação possui um movimento que começa dentro da pessoa e encontra expressão no mundo ao seu redor.
A consciência sobre si interfere nas escolhas; as escolhas aparecem nos comportamentos; os comportamentos alcançam as relações; e as relações participam da construção dos ambientes e das culturas das quais fazemos parte.
O Ecossistema Reconexão Essencial® organiza esse movimento em quatro dimensões: Despertar, Explorar, Transformar e Integrar. Despertamos quando algo entra em nosso campo de consciência. Exploramos quando nos dispomos a compreender aquilo com maior profundidade.
Transformamos quando essa percepção começa a participar de novas escolhas e comportamentos. Integramos quando a experiência passa a fazer parte da maneira como vivemos, nos relacionamos e contribuímos.
Encontrar o próprio centro está profundamente relacionado a esse percurso. É nesse lugar interno que podemos perceber o que precisa de atenção, reconhecer aquilo que pede transformação e integrar experiências capazes de ampliar nossa consciência. Quando esse movimento acontece, seus efeitos alcançam as relações, a liderança, as organizações e os diferentes espaços que ocupamos.
O equilíbrio que buscamos começa, portanto, na maneira como nos relacionamos conosco. É desse centro que cuidamos de nossa saúde mental, construímos presença, estabelecemos relações mais saudáveis e encontramos condições para oferecer aquilo que sem dúvida temos de melhor. É também a partir dele que seguimos plantando, ao longo da jornada, aquilo que desejamos ver crescer nas pessoas, nas organizações e no mundo que ajudamos a construir.
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Quer saber mais sobre como desenvolver o equilíbrio emocional, cuidar da saúde mental e construir relações mais conscientes na vida pessoal e profissional? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até o próximo artigo!
Cristiane Maziero
Escritora, autora de Alma de Líder, mentora e consultora em liderança, cultura organizacional e desenvolvimento humano. Criadora do Ecossistema Reconexão Essencial®, atua há mais de duas décadas acompanhando líderes, executivos, equipes e organizações em processos de desenvolvimento e transformação cultural.
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Medo do Sucesso e Autossabotagem: O Sucesso Deixa Rastros, e Alguns São de Destruição
Quantas vezes você já se autossabotou quando tudo estava dando certo? Tudo funcionava perfeitamente até que você arrumou alguma coisa para dar errado: um problema financeiro ou de saúde, um conflito, um contratempo.
Ou ainda, estraga tudo antes de acontecer, quando você está com tudo a seu favor, aos 45 minutos do segundo tempo, com a bola apontada pro gol. Você chuta para bem, mas bem longe dele.
Você não entende, afinal, queria tanto estar ali, queria tanto aquele resultado. E você passou tanto tempo trabalhando e se esforçando para chegar lá, e de repente, sem nenhuma explicação lógica, você joga tudo para o alto.
Parece insano, mas muitas pessoas fazem isso em suas vidas, pois o medo do sucesso existe sim, e é muito real. As emoções te travam de uma forma irracional.
Pode acontecer quando finalmente você encontrou uma pessoa legal, ou quando está prestes a ser promovido, ou fechar um grande negócio…
Bate um medo, surge uma dúvida e a procrastinação entra e não quer sair mais.
O que parecia claro e nítido começa a ficar nublado, e você passa a duvidar de tudo e de todos, principalmente de si mesmo(a). O que era fácil e óbvio começa a perder o sentido, e o entusiasmo vai embora.
E quando você menos percebe, tudo desmorona, e você fica se perguntando “por que estou fazendo isso comigo?”
Na maioria dos casos, o problema não é “e se tudo der errado?”, mas a pergunta que você deveria se fazer é, na verdade: “E SE TUDO DER CERTO?”
Não responda rápido, porque, em princípio, tudo pareceria ótimo se desse certo, não existiria nada negativo. Mas sim, existe!
Você está prestes a se tornar outra pessoa, ter melhores condições e relacionamentos melhores. E muitas pessoas não vão conseguir (ou não vão querer, a maioria) acompanhar você.
Muitas vezes você vai precisar se expor, tomar decisões, comprometer algumas coisas e pessoas (toda decisão exige uma desistência), lidar com expectativas alheias sobre você, assumir responsabilidades e, com certeza, você vai mudar a maneira como se relaciona com as pessoas.
- Você está pronto(a) para deixar algumas pessoas para trás e avançar, mesmo sabendo que os outros não irão contigo?
- Você está pronto(a) para ouvir críticas, pessoas muito próximas dizendo que você mudou, que não é mais a mesma pessoa (mesmo que tenha sido para melhor), e tentando “te proteger”, dizendo que é loucura, que é mais seguro ficar onde está?
A verdade é dura, mas isso vai acontecer, se você decidir avançar!
Não deixe que o medo alheio te atinja, ou te aflija!
O sucesso deixa rastros, e alguns deles são de destruição.
- O que o seu sonho representa para você?
- Qual o preço que você está disposto(a) a pagar?
O que antes parecia liberdade, começa a parecer uma prisão. Só que para a real liberdade acontecer, muitos laços precisam ser rompidos.
Difícil já é ficar como está, sem as conquistas que você quer alcançar. E existe essa outra dificuldade sobre o como chegar lá.
E aí, qual dificuldade você vai encarar? A que te trava, ou a que te faz avançar?
Encare a situação de frente, e marque esse gol. Ainda existem muitas vitórias pela frente te esperando.
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Quer saber mais sobre como enfrentar o medo do sucesso, reconhecer sinais de autossabotagem e avançar sem deixar que as expectativas alheias decidam por você? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até o próximo artigo!
Sarah Martins
Mentora de Autoliderança, Desenvolvimento Humano e Inteligência Emocional
http://linkedin.com/in/sararmartins
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Concorrência: Seu Próximo Concorrente Talvez Nem Venda o Mesmo Produto que Você
Quando pensamos em concorrência, qual é a primeira empresa que vem à nossa cabeça? Provavelmente aquela que vende um produto ou serviço parecido com o nosso, atende o mesmo público ou pratica preços semelhantes. É natural. Durante muito tempo, aprendemos a observar o mercado dessa maneira: quem vende o quê, por quanto, onde e como.
Mas será que nossos concorrentes são apenas aqueles que oferecem produtos ou serviços semelhantes aos nossos?
Imagine uma pessoa que tem R$ 300 disponíveis para gastar. Ela pode comprar uma roupa, adquirir um perfume, sair para jantar, investir em um curso, comprar um presente ou simplesmente guardar esse dinheiro para outro momento. São decisões diferentes, envolvendo empresas de segmentos completamente distintos, mas que podem disputar o mesmo orçamento e a mesma atenção.
É claro que nem todas essas escolhas são concorrentes diretas. Mas, quando o consumidor precisa estabelecer prioridades, elas passam a competir por algo muito importante: a decisão de onde, quando e por que gastar.
E talvez seja justamente aí que precisamos ampliar nossa maneira de enxergar as vendas.
A concorrência mudou de lugar?
O comércio eletrônico ampliou as possibilidades de compra, mas também transformou a maneira como descobrimos produtos e serviços.
Hoje, uma pessoa pode entrar em uma rede social para acompanhar amigos e descobrir um produto que nem sabia que existia. Pode assistir a um vídeo, receber a recomendação de alguém em quem confia, pesquisar avaliações, comparar preços e realizar uma compra sem sequer ter planejado aquela aquisição.
Plataformas de comércio eletrônico, redes sociais, criadores de conteúdo, programas de afiliados e novos canais de venda fazem parte dessa transformação.
A jornada de compra já não acontece necessariamente em uma sequência previsível. O consumidor pode descobrir um produto em um vídeo, pesquisar em um marketplace, visitar o site da marca, conversar com alguém pelo WhatsApp e finalizar a compra em outro canal.
Mas existe um detalhe importante: estar presente em vários canais não significa, necessariamente, estar presente na decisão do consumidor.
Uma marca pode investir em anúncios, produzir conteúdos, oferecer promoções e ainda assim não conquistar a preferência do cliente.
Por quê? Porque disputar a atenção é apenas uma parte do desafio. A outra é conseguir transformar essa atenção em interesse, o interesse em valor percebido e o valor percebido em decisão de compra.
Nem sempre perdemos uma venda para quem vende a mesma coisa
Imagine uma loja de roupas que percebe uma redução nas vendas. A primeira reação pode ser investigar preços, promoções e lançamentos das lojas concorrentes.
Essa análise é importante, mas talvez não conte toda a história.
- E se parte dos consumidores estiver priorizando experiências em vez de produtos?
- E se estiver comprometendo o orçamento com viagens, alimentação, educação ou outras necessidades?
- E se simplesmente não encontrar um motivo suficientemente relevante para comprar uma roupa naquele momento?
Nesse caso, reduzir preços pode não resolver o problema.
O consumidor não necessariamente encontrou uma roupa melhor em outra loja. Talvez tenha encontrado algo que considerou mais importante para sua vida naquele momento.
Isso também acontece com serviços, assinaturas, cursos, produtos de beleza e tantas outras categorias. Por isso, penso que compreender a concorrência exige olhar além das empresas que “aparentemente” são iguais a sua.
Precisamos entender quais necessidades, desejos e prioridades estão disputando espaço na vida do nosso cliente.
Essa mudança de perspectiva não significa que preço, qualidade e diferenciais deixaram de importar. Significa que eles precisam fazer sentido dentro de uma decisão muito mais ampla.
O valor de um produto não está apenas no que ele custa
Existe uma diferença importante entre preço e valor percebido.
O preço é aquilo que o consumidor paga. O valor percebido envolve o benefício que ele acredita receber em troca do dinheiro, do tempo e do esforço investidos.
Uma pessoa pode escolher um produto mais caro porque confia na marca, porque a entrega atende à sua necessidade ou porque considera aquela compra mais conveniente. Outra pode optar por uma alternativa mais econômica porque, naquele momento, o benefício adicional não justifica a diferença.
Nenhuma dessas decisões é necessariamente errada.
O desafio de quem vende é compreender quais fatores realmente influenciam a escolha do seu público. E aqui entra a praticidade. Às vezes, não é o produto mais barato que conquista a venda, mas aquele que oferece uma solução mais adequada à realidade do consumidor. A facilidade de encontrar informações, a clareza sobre o que está sendo comprado, as condições de pagamento e a segurança na entrega podem influenciar a decisão.
Entretanto, praticidade não é sinônimo de simplificar tudo. Para determinados clientes, comprar rapidamente é essencial. Para outros, ter informações detalhadas, comparar alternativas e conversar antes de decidir faz parte de uma boa experiência.
Vender com leveza também é respeitar a maneira como cada cliente constrói sua decisão de compra.
O que as redes sociais e o e-commerce nos ensinam sobre essa disputa?
Uma das transformações mais interessantes do comércio digital é a aproximação entre conteúdo, descoberta e compra.
Imagine em uma pessoa que acompanha um criador de conteúdo e conhece um produto durante uma demonstração. Talvez ela não estivesse procurando aquilo. Mas a apresentação desperta curiosidade, mostra uma possibilidade de uso e cria uma conexão entre o produto e alguma necessidade ou desejo.
Essa dinâmica ajuda a explicar o crescimento do interesse das marcas por estratégias envolvendo criadores, afiliados, vídeos e comércio nas redes sociais.
Mas precisamos tomar cuidado com uma interpretação muito comum: acreditar que basta estar nesses canais para vender.
Não basta.
Um conteúdo pode alcançar milhares de pessoas e gerar poucas compras. Um criador pode ter uma audiência enorme, mas pouca afinidade com o público da marca. Uma campanha pode despertar curiosidade sem construir intenção de compra. É por isso que precisamos distinguir três situações: ser visto, ser considerado e ser escolhido.
Ser visto significa conquistar atenção. Ser considerado significa entrar no conjunto de possibilidades que o consumidor avalia. E ser escolhido significa apresentar uma proposta de valor suficientemente relevante para que ele decida comprar.
Essas etapas podem acontecer rapidamente ou levar bastante tempo, dependendo do produto, do público e do contexto.
Para as empresas, o desafio não é simplesmente aparecer mais. É entender como transformar presença em oportunidades comerciais reais. E isso exige muito mais do que acompanhar tendências.
Como transformar essa reflexão em vendas?
Até aqui, falamos sobre concorrência, atenção, conveniência e comportamento do consumidor. Mas como levar tudo isso para a prática?
Minha sugestão é começar por algo que muitas empresas já possuem, mas nem sempre analisam com a profundidade necessária: as oportunidades de venda que não se concretizaram.
Quando uma venda não acontece, geralmente buscamos uma explicação rápida.
- “O preço estava alto.”
- “O concorrente ofereceu desconto.”
- “O cliente não respondeu.”
- “Ele desistiu.”
Mas será que sabemos realmente o que aconteceu?
O cliente escolheu outra marca? Comprou um produto diferente? Adiou a decisão? Perdeu o interesse? Não percebeu valor suficiente? Ou simplesmente tinha outra prioridade naquele momento?
Essas respostas podem revelar muito mais sobre o negócio do que imaginamos.
Experimente fazer um exercício simples nesta semana.
Escolha um produto, serviço ou campanha e analise algumas oportunidades que não se converteram em vendas. Se possível, converse com clientes que não concluíram a compra, sempre de maneira respeitosa e sem transformar a conversa em uma nova tentativa insistente de venda.
Procure compreender três pontos:
Primeiro: o que motivou o interesse inicial? Talvez o cliente tenha chegado por uma necessidade específica, por curiosidade, por uma recomendação ou por uma oportunidade promocional.
Segundo: o que impediu a decisão? Aqui vale investigar não apenas preço e concorrência, mas também dúvidas, prioridades, percepção de valor e momento de compra.
Terceiro: o que poderia tornar sua oferta mais relevante? Pode ser uma comunicação mais clara, uma condição comercial diferente, uma demonstração prática, uma nova forma de apresentar o benefício ou até uma revisão do público que a empresa está tentando alcançar.
Depois, procure padrões nas respostas e compare essas percepções com os dados comerciais disponíveis.
Se muitos consumidores demonstram interesse, mas não avançam, talvez seja necessário rever a proposta de valor. Se as pessoas conhecem o produto, mas não percebem sua utilidade, talvez a comunicação esteja destacando características quando deveria demonstrar benefícios. E se o principal obstáculo é o momento financeiro, insistir em descontos pode ser menos eficaz do que trabalhar oportunidades futuras de relacionamento.
Essas descobertas não oferecem uma fórmula pronta. Mas ajudam a transformar suposições em hipóteses que podem ser testadas. E é justamente aí que começam as decisões comerciais mais inteligentes.
Vender com leveza é compreender antes de disputar
Quando ampliamos nossa visão sobre concorrência, percebemos que vender não significa apenas convencer alguém de que nosso produto é melhor do que o do concorrente.
Significa compreender por que aquela compra merece ocupar um espaço na vida e no orçamento do consumidor.
Isso não elimina a necessidade de metas, estratégias, campanhas e resultados. Muito pelo contrário. Ajuda a direcionar melhor investimentos, identificar oportunidades e construir argumentos comerciais mais relevantes.
Uma empresa que entende as prioridades de seus clientes pode comunicar melhor seus diferenciais, desenvolver ofertas mais adequadas e evitar esforços comerciais que não geram resultados.
Uma equipe que compreende o motivo pelo qual as pessoas compram ou deixam de comprar tem mais condições de vender com clareza, segurança e menos pressão.
Talvez seja essa uma das grandes oportunidades do momento que vivemos no comércio digital: utilizar as possibilidades da tecnologia para compreender melhor as decisões humanas, sem perder de vista que, por trás de cada clique, existe uma pessoa fazendo escolhas.
Porque, no final, não estamos disputando apenas uma venda, estamos disputando relevância.
E relevância não se conquista apenas com anúncios, descontos ou presença digital. Ela se constrói quando aquilo que oferecemos encontra uma necessidade, um desejo ou uma prioridade real.
Então, na próxima vez que analisar seus concorrentes, experimente olhar um pouco além das empresas que vendem produtos semelhantes aos seus.
Pergunte também:
“Se meu cliente não comprar de mim hoje, para onde irão a atenção, o tempo e o dinheiro dele?”
Talvez a resposta revele oportunidades que você ainda não havia considerado.
Porque seu próximo concorrente pode nem vender o mesmo produto que você. Mas compreender o que realmente disputa a escolha do seu cliente pode fazer toda a diferença nos seus resultados.
E você, já parou para investigar o que realmente compete com a sua próxima venda?
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Até o próximo mês!
Renata Cristina Paulino
https://www.linkedin.com/in/renatapaulino/
Confira também: Vender é Conectar Pontos: Como a Integração Entre Áreas Transforma a Experiência do Cliente
Palavras-chave: concorrência, valor percebido, comportamento do consumidor, decisão de compra, comércio digital, concorrentes além do seu segmento, produtos ou serviços semelhantes, oportunidades de venda que não se concretizaram, transformar presença em oportunidades comerciais reais, prioridades de seus clientes
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Como Será a Formação do Caráter com Base nas Condições Socioculturais do Século 21
Há uma pergunta que atravessa silenciosamente consultórios, salas de aula, empresas, famílias e redes sociais: o que o século 21 está fazendo com o caráter humano — e o que nós estamos fazendo com ele? Não falo aqui de “moralismo” (que costuma ser uma tentativa de controlar o outro), mas de formação de caráter como estrutura interna, isto é, a capacidade de sustentar escolhas, afetos e responsabilidades sob pressão, ambiguidade e mudança.
O século 21 impôs uma espécie de “novo clima psíquico”. Vivemos sob excesso de estímulo, hiperconectividade, comparação social permanente, economia da atenção, polarização afetiva, crises de sentido e um paradoxo intrigante: estamos tecnicamente conectados como nunca e, ao mesmo tempo, existencialmente sós com frequência. Esse caldo sociocultural não apenas influencia comportamento; ele modela desejos, ansiedades, defesas e identidades. Logo, ele também modela — ou deforma — o caráter.
Diante disso, a questão que orienta este artigo é direta: qual visão psicólogos, psicanalistas, terapeutas e coaches precisam ter para ajudar a humanidade? Minha resposta é igualmente direta: precisamos de uma visão integrativa, ética e civilizatória do cuidado humano — uma visão que compreenda o caráter não como “traço fixo”, mas como processo formativo, continuamente tensionado pelo contexto sociocultural e pelas narrativas que capturam a subjetividade.
A seguir, proponho um mapa de formação do caráter no século 21, baseado em dez qualidades fundamentais: resiliência psicológica, empatia, integridade, autenticidade, responsabilidade, curiosidade intelectual, autoconhecimento, flexibilidade psíquica, generosidade e capacidade de amar. Não como lista “bonita”, mas como competências existenciais — e, em muitos casos, como conquistas contra a corrente.
O século 21 e a nova engenharia do eu
Antes de falar das qualidades do caráter, precisamos encarar o cenário: o século 21 não “educa” apenas por escolas e famílias; ele educa por algoritmos, consumo, cultura do desempenho, ideais de imagem e narrativas rápidas. E isso muda o modo como as pessoas se percebem.
Hoje, muita gente aprende a viver como se estivesse sempre numa vitrine: o eu como produto, a vida como “portfólio”, a dor como “falha de performance”, o silêncio como “perda de tempo”. A subjetividade, nessas condições, tende a oscilar entre dois extremos:
- Fragilidade e ansiedade (pela necessidade de validação e pela instabilidade do sentido);
- Defesas endurecidas (cinismo, agressividade, indiferença, intelectualização vazia, identidades blindadas).
Formar caráter, portanto, não será ensinar “boas maneiras”. Será sustentar, com método e humanidade, a reconstrução de um eu capaz de sentir sem colapsar, pensar sem se desumanizar e agir sem se trair.
A visão necessária para ajudar a humanidade: do indivíduo ao vínculo, do vínculo à cultura
Psicólogos, psicanalistas, terapeutas e coaches, se quiserem ajudar de fato a humanidade (e não apenas adaptar pessoas a um sistema doente), precisam sustentar três eixos de visão:
1. Visão de profundidade (psíquica):
O sintoma não é apenas um problema; muitas vezes é um modo de sobrevivência. Há sofrimento que nasce de traumas, de vínculos precários, de defesas antigas, de repetição inconsciente. Ajudar não é “consertar rápido”; é dar linguagem ao que estava mudo e reorganizar a vida a partir de uma verdade suportável.
2. Visão de complexidade (sociocultural):
Não existe sujeito fora do mundo. O caráter do século 21 é formado em meio a desigualdades, hiperexigência, aceleração, precarização de vínculos e disputas narrativas. A clínica, a terapia e o coaching que ignoram isso correm o risco de virar mecanismo de culpabilização do indivíduo.
3. Visão ética (civilizatória):
A pergunta não é apenas “como alcançar metas?”, mas que tipo de humano estamos formando ao alcançar metas? Há uma diferença profunda entre autonomia e autoexploração, entre disciplina e punição, entre motivação e compulsão. Ajudar a humanidade exige um compromisso com a dignidade psíquica e com o valor do outro como outro.
Essa visão é o fundamento para o que vem agora: as qualidades formadoras do caráter.
10 Qualidades do Caráter no Século 21 (E Por Que Elas São Tão Difíceis Hoje)
1. Resiliência psicológica: a arte de não quebrar — e nem endurecer
Resiliência não é sorrir para a tragédia, nem “positividade tóxica”. É capacidade de metabolizar frustração, reconstruir sentido e seguir adiante sem perder a sensibilidade.
No século 21, a resiliência é atacada por dois fenômenos:
- a cultura do imediato (que reduz tolerância à espera e à frustração);
- e a cultura do espetáculo (que transforma sofrimento em imagem e comparação).
Formar resiliência implica ensinar (e viver) uma verdade simples: a vida tem atrito. E o caráter nasce da forma como atravessamos o atrito.
2. Empatia: sentir com o outro sem virar refém do outro
Empatia é competência sofisticada: exige percepção emocional, imaginação moral e limites. O mundo de hoje, polarizado e acelerado, transforma o outro em rótulo. E onde há rótulo, a empatia morre.
Profissionais do cuidado precisam compreender que empatia não é “concordar”: é compreender o humano no outro, inclusive quando discordamos. Isso é decisivo para reduzir violência simbólica e restaurar o espaço do diálogo.
3. Integridade: a espinha dorsal invisível
Integridade é coerência entre valores, discurso e prática — principalmente quando ninguém está vendo. No século 21, a integridade sofre com a normalização do “jeitinho”, com a relativização moral e com identidades performáticas.
Formar integridade é formar consciência, não “imagem”. É sustentar escolhas que custam. E, sim, a integridade custa — porque ela cobra renúncias.
4. Autenticidade: ser real sem ser bruto, ser singular sem ser narcisista
Autenticidade virou slogan: “seja você mesmo”. Mas o século 21 frequentemente confunde autenticidade com impulsividade ou com espetáculo do eu.
Autenticidade madura é outra coisa:
- reconhecer sombras;
- sustentar contradições;
- escolher com base em verdade interna;
- e ainda assim respeitar o mundo comum.
O caráter se forma quando a pessoa consegue dizer: “isto é meu” — sem precisar humilhar o outro para existir.
5. Responsabilidade: recuperar o “eu respondo por mim” em tempos de terceirização psíquica
Responsabilidade é a capacidade de assumir autoria: do que faço, do que deixo de fazer e do que repito.
Hoje, é comum terceirizar: culpa do algoritmo, do governo, do pai, do ex, da infância, da empresa. Tudo isso pode ser real, mas o amadurecimento acontece quando a pessoa pergunta: o que eu faço com o que fizeram de mim?
Essa pergunta é ponto de virada. Ela transforma queixa em caminho.
6. Curiosidade intelectual: antídoto contra fanatismo e simplificação
Curiosidade intelectual não é acúmulo de informação. É amor pela pergunta, paciência com a dúvida e abertura para revisão de crenças. O século 21, com excesso de dados e pouca profundidade, produz convicções rápidas.
Formar caráter hoje exige restaurar o valor do pensamento:
- ler com calma;
- conversar sem vencer;
- estudar sem ostentar;
- reconhecer ignorância sem vergonha.
Sem curiosidade, a pessoa vira presa fácil de ideologias, seitas e “verdades prontas”.
7. Autoconhecimento: enxergar o próprio teatro interno
Autoconhecimento não é um espelho bonito; é um espelho honesto. É reconhecer padrões de repetição, mecanismos de defesa, feridas, desejos e medos. No século 21, muitas pessoas constroem uma identidade por fora (perfil, imagem, performance) e vivem desconectadas por dentro.
A tarefa do cuidado humano é ajudar o sujeito a fazer a travessia: do personagem ao autor. Não para “controlar tudo”, mas para habitar a própria vida com mais consciência.
8. Flexibilidade psíquica: mudar sem perder o eixo
Flexibilidade psíquica é capacidade de se adaptar, rever rotas, lidar com ambivalências e negociar conflitos internos. Ela é vital numa época de mudanças rápidas.
Mas flexibilidade não é virar gelatina moral. Ela só existe quando a pessoa tem um eixo: valores, propósito, vínculos, responsabilidade. O caráter do futuro precisará ser uma combinação rara: firmeza de princípios + elasticidade de estratégias.
9. Generosidade: sair do eu sem abandonar o eu
A cultura do desempenho tende a produzir vidas autocentradas: “minha carreira”, “minha marca”, “minha produtividade”. Generosidade, nesse contexto, é subversiva: ela recoloca o outro como realidade.
Generosidade não é autoanulação. É capacidade de doar tempo, atenção, escuta e recursos sem transformar isso em moeda de reconhecimento. Um caráter generoso é aquele que não vive apenas para extrair do mundo, mas também para restituir.
10. Capacidade de amar: a competência mais revolucionária
Amar, aqui, não é romantização. É capacidade de vínculo: presença, cuidado, responsabilidade afetiva, tolerância às diferenças, construção de confiança. O século 21 trouxe facilidade de contato e dificuldade de permanência. Relacionamentos viraram descartáveis; pessoas viraram opções.
Ajudar a humanidade exige reconstruir a capacidade de amar — porque a saúde mental não é só intrapsíquica; ela é relacional. Um sujeito pode até funcionar sozinho, mas dificilmente floresce sozinho.
O papel dos profissionais do cuidado: não adaptar pessoas ao adoecimento da época
Uma das tentações contemporâneas é usar psicologia, terapia, psicanálise e coaching como ferramentas de adaptação: fazer a pessoa render mais, aguentar mais, calar mais, suportar o insuportável.
Mas se quisermos realmente ajudar a humanidade, precisamos fazer o inverso:
- ajudar a pessoa a reconhecer o que a adoece;
- recuperar sua dignidade emocional;
- formar caráter para que ela sustente escolhas melhores;
- e, a partir disso, melhorar vínculos, ambientes, organizações e cultura.
O caráter não é uma “coisa dentro do indivíduo”; é uma força que transborda para o mundo. Quanto mais pessoas desenvolvem resiliência, empatia, integridade, autenticidade, responsabilidade, curiosidade intelectual, autoconhecimento, flexibilidade psíquica, generosidade e capacidade de amar, mais o século 21 deixa de ser apenas uma era de tecnologia e passa a ser uma era de humanização consciente.
A pergunta final, então, não é só “como será a formação do caráter?”. A pergunta é: vamos formar caráter por acaso — ou por escolha? Porque, gostemos ou não, o século 21 está formando pessoas. A diferença é se essa formação será guiada por mercado e algoritmo, ou então por consciência, ética e vínculo.
Se a humanidade precisa de ajuda, ela precisa, antes de tudo, de pessoas capazes de permanecer humanas.
Se isso não for caráter, o que será?
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como a formação do caráter no século 21 pode nos ajudar a preservar a ética, fortalecer os vínculos e, além disso, desenvolver as qualidades necessárias para uma sociedade mais humana? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Um abraço e até a próxima!
Iússef Zaiden Filho
Advogado, Mestre em Educação, Psicanalista e Especialista em Psicologia Comportamental
http://www.izfcoaching.com.br/
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“O problema não é o problema.
O problema é sua atitude com relação ao problema.”
(Kelly Young)
Hoje, a tristeza me visitou. Tocou a campainha, subiu as escadas, bateu à porta e entrou. Não ofereci resistência. Houve um tempo em que eu fazia o impossível para evitá-la adentrar os meus domínios. E quando isso acontecia, discutíamos demoradamente. Era uma experiência desgastante. Aprendi que o melhor a fazer é deixá-la seguir seu curso. Agora, sequer dialogamos. Ela entra, senta-se na sala de estar, sirvo-lhe uma bebida qualquer, apresento-lhe a televisão e a esqueço! Quando me dou por conta, o recinto está vazio. Ela partiu, sem arroubos e sem deixar rastros. Cumpriu sua missão sem afetar minha vida.
Hoje, a doença também me visitou. Mas esta tem outros métodos. E outros propósitos. Chegou sem pedir licença, invadindo o ambiente. Instalou-se em minha garganta e foi ter com minhas amígdalas. A prescrição é sempre a mesma: Amoxicilina e Paracetamol. Faço uso destes medicamentos e sinto-me absolutamente prostrado! Acho que é por isso que os chamam de antibióticos. Porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida…
Hoje, problemas do passado também me visitaram. Não vieram pelo telefone porque palavras pronunciadas ativam as emoções apenas no momento e, depois, perdem-se difusas, levadas pela brisa. Vieram pelo correio, impressos em papel e letras de baixa qualidade, anunciando sua perenidade, sua condição de fantasmas eternos até que sejam exorcizados.
Diante deste quadro, não há como deixar de sentir-se apequenado nestes momentos. O mundo ao redor parece conspirar contra o bem, a estabilidade e o equilíbrio que tanto se persegue. O desânimo comparece estampado em ombros arqueados e olhos sem brilho, que pedem para derramar lágrimas de alívio. Então, choro. E o faço porque Maurice Druon ensinou-me, através de seu inocente Tistu, que se você não chora, as lágrimas endurecem no peito e o coração fica duro.
Limão e limonada
As ciências humanas estão sempre tomando emprestado das exatas, termos e conceitos. A última novidade vem da física e atende pelo nome de resiliência. Significa resistência ao choque ou a propriedade pela qual a energia potencial armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo.
Em humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo isso através de um dito popular, é fazer de cada limão, ou seja, de cada contrariedade que a vida nos apresenta, uma limonada saborosa, refrescante e agradável.
Aprendi que pouco adianta brigar com problemas. É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E com rapidez, de maneira certa ou errada. Problemas são como bebês, só crescem se alimentados. Muitos se resolvem por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma inadequada, eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você os anula com correção. A felicidade, pontuou Michael Jansen, não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados.
Aprendi a combater as doenças. As do corpo e as da mente. Percebê-las, identificá-las, respeitá-las e aniquilá-las. Muitas decorrem menos do que nos falta e mais do mau uso que fazemos do que temos. E a velocidade é tudo neste combate. Agir rápido é a palavra de ordem. Melhor do que ser preventivo é ser preditivo.
Aprendi a aceitar a tristeza. Não o ano todo, mas apenas um dia, à luz dos ensinamentos de Victor Hugo. O poeta dizia que “tristeza não tem fim, felicidade, sim”. Porém, discordo. Penso que os dois são finitos. E cíclicos. O segredo é contemplar as pequenas alegrias em vez de aguardar a grande felicidade. Uma alegria destrói cem tristezas…
Modismo ou não, tornei-me resiliente. A palavra em si pode cair no ostracismo, mas terá servido para ilustrar minha atitude cultivada ao longo dos anos diante das dificuldades impostas ou autoimpostas que enfrentei pelo caminho, transformando desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculos em oportunidades, tristeza em alegria.
Nós apreciamos o calor porque já sentimos o frio. Admiramos a luz porque já estivemos no escuro. Contemplamos a saúde porque já fomos enfermos. Podemos, pois, experimentar a felicidade porque já conhecemos a tristeza.
Olhe para o céu, agora! Se é dia, o sol brilha e aquece. Se é noite, a lua ilumina e abraça. E assim será novamente amanhã. E assim é feita a vida.
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Nesta semana que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, gostaria de dizer para todas as Mulheres uma coisa muito importante:
Seu sucesso na vida pessoal e/ou profissional, sua felicidade, sua prosperidade e bem-estar na vida só depende de uma pessoa. Sabe quem é? Você mesma.
E falo mais. Seu sucesso será mais fácil e forte se você Mulher lembrar em ser você mesma. Ou seja, Ser a Mulher que você sempre foi e será.
Esta última afirmação já falei muitas vezes para minhas clientes de Coaching Holístico que buscam Sucesso em algum ponto da vida pessoal e profissional.
Para quem ainda não sabe o que é Coaching, vou explicar agora. Entre muitas definições as que mais eu gosto são:
- Orientar uma pessoa a fazer a travessia entre um ponto ao outro até alcançar sua meta pessoal e/ou profissional com sucesso;
- Coaching é uma assessoria e processo que geram motivação pessoal e profissional, e que tem como objetivo potencializar o nível de resultados positivos nas diversas áreas da vida de um cliente para alcançar uma meta ou objetivo com sucesso.
E o que é Coaching Holístico? Coaching Holístico – Processo para Seu Sucesso na Vida e Concretização das suas Metas. O cliente vai se conhecer melhor, olhar para si, sua vida e descobrir seu potencial adormecido. Vai melhorar sua autoestima e ter mais autoconfiança. Tem Dificuldade em vencer? Pelo Coaching Holístico iremos desbloquear o que atrapalha e mudar Padrões Mentais para Vencer.
Este é o ponto chave do inicio do Sucesso de qualquer pessoa: Padrões Mentais. Quem acredita que é um fracasso, que não vai vencer na vida ou que não merece ter sucesso nas metas ou sonhos, tenha certeza que nada vai mesmo ocorrer de bom na vida. O Sucesso vai passar bem longe destas pessoas.
Agora imagine uma mulher que desde pequena é “esmagada” pela família e sociedade a sufocar sua força, a matar sua arte e beleza, para não acreditar em si e nas suas qualidades e habilidades para realizar.
Já atendi moças que acreditam que não merecem um amor porque alguém falou que ela é feia ou amor só faz mal. Como vão amar se não têm uma boa energia sobre o amor? Como amar se sua autoestima foi chutada? Só vai amar se mudar, acreditar que pode e merece amar. E que ela é uma super mulher.
O mesmo ocorre com a realização de outras metas pessoais e profissionais. Se uma pessoa foi condicionada a sempre pensar que é inferior, incapaz ou que não merece ser feliz ou prosperar, com certeza vai sofrer para conseguir. Imagine uma mulher que no geral é mais sufocada.
Ainda bem que tem solução. É um pouco demorado, varia de pessoa para pessoa, mas tem que trabalhar, treinar e movimentar-se para mudar padrões e condicionamento mental e energético.
Mas, é possível e já vi milagres.
Qual é o primeiro passo? Acreditar em Você. Acreditar na pessoa poderosa que há dentro de você.
Acreditar na Mulher que há dentro de você.
Sucesso e Feliz Dia da Mulher!
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A Copa do Mundo acabou. A seleção alemã com sua organização, futebol bonito e muita técnica, merecidamente, levou o caneco. É tetracampeã.
E a nossa Seleção Canarinho? Que papelão! Desde o início da Copa, nos quatro cantos deste Brasil, todos falavam que era forte candidata a ser hexacampeã. E por que todos acreditavam nisto? Porque jogava em casa, tinha apoio da torcida brasileira, a mídia falava que era a melhor seleção, tinha uma comissão técnica com dois técnicos que venceram Copas Mundiais (Parreira em 1994 e Felipão em 2002) e o clima ajudava.
Mas o que vimos foi um total fiasco e uma humilhante goleada histórica por 7×1 para os alemães na semifinal da Copa.
Enfim, perdemos a Copa e ficamos em quarto lugar após perder para a Holanda na disputa pelo terceiro lugar. E agora? Como diz o poema de Carlos Drummond de Andrade:
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?(Carlos Drummond de Andrade)
E agora, Seleção Brasileira? Agora é hora de mudanças. E mudanças drásticas e profundas na filosofia e na organização.
A CBF terá que ter coragem de assumir sua culpa no fracasso e incompetência administrativa na condução da Seleção Canarinho na Copa. A CBF e o novo técnico terão que ter coragem de fazer mudanças drásticas na nova Seleção Brasileira daqui para frente. Podem e devem seguir o ótimo exemplo que viveu a seleção alemã no final dos anos 90. Após fiascos seguidos, a Confederação Alemã de Futebol chegou à conclusão de que era hora de mudar tudo. Mudanças drásticas foram implantadas. Bancaram com coragem um técnico permanente nos últimos 10 anos que, com um grupo de jogadores com uma nova cabeça, união e humildade, deram um Show na Copa do Brasil e levaram o Caneco.
Mudança requer determinação. Mudanças drásticas requerem também muita coragem, pois haverá muita resistência das pessoas que já estão na zona de conforto ou que não aceitam que está tudo errado na vida ou no jogo.
Quer ver um exemplo recente? A entrevista da Comissão Técnica da Seleção Canarinho após o vexame de 7×1. Para Felipão e Parreira, nada estava errado na preparação da Seleção Brasileira. O problema foi um apagão geral do time todo que o levou a tomar 4 gols em 6 minutos.
Pois é Felipão, não houve problema algum no seu trabalho. Foi só um apagão que custou um vexame histórico e 200 milhões de brasileiros frustrados.
Como dizem, “o pior cego é o que não quer ver”. Ou “errar é humano, persistir no erro é ser Felipão”, teimoso e arrogante. Não assume os erros e afunda a emoção de milhares de pessoas.
Mas a Copa acabou e a CBF já começou as mudanças. Adeus comissão técnica fracassada. Vida e esperanças novas.
Espero que agora façam mais. Que tenham a coragem de fazer mudanças drásticas em tudo ligado a futebol.
E você? Está com coragem de fazer mudanças drásticas na sua vida pessoal ou profissional?
Ou vai ficar chorando e dando desculpas para que sua vida seja um fracasso ou cheia de frustrações?
Chega de Síndrome de Felipão, né?
Seu lema hoje: “Mudanças já e com coragem para ser feliz”.
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Frequentemente as mudanças acontecem na vida da gente. Em algumas vezes, estamos preparados para elas, em outras elas representam uma grande surpresa. Por vezes, desejamos a mudança, vislumbrando uma nova oportunidade em nossa vida. Acontece também de não as desejarmos, pois estamos felizes com as coisas do jeito que estão. Mas as mudanças acontecem, quer queiramos ou não…
Quando buscamos algo melhor, costumo dizer que estamos criando a mudança, pois estamos não só indo atrás dela, como desejamos que coisas melhores ocorram. Nesta hora, dizemos que a mudança é positiva e bem-vinda.
Mas existe também aquela mudança que você não deseja. Tudo estava bem do jeito que estava, por que mudar agora? Nesta hora criamos resistências, não aceitamos a oportunidade que a vida nos dá para novos desafios. Reclamamos e amaldiçoamos pelo que nos acontece.
Pessoas proativas são as que criam as mudanças, vislumbram novas oportunidades, desejam sempre mais, porque sabem que estão em constante crescimento e aprendizado. Pessoas acomodadas se comportam como árvores, não saem dos seus lugares, esperam que tudo ocorra como desejam ou que tudo se mantenha exatamente como está.
Se você se identificou com o segundo tipo, aqui vai uma reflexão: você não é uma árvore… você não nasceu com raízes que lhe impossibilitam de mudar de lugar. Você também pode dizer que não nasceu com asas, que te possibilitariam voar, mas eu diria que você nasceu com algo melhor do que asas: inteligência e criatividade. Faça por merecer a inteligência que tem e saiba reconhecer quando é hora de mudar.
Nosso mundo é dinâmico, nada é estático. Já dizia Heráclito: “Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio”. Claro! O rio não é o mesmo… nós também não somos! Creio que hoje somos melhores que ontem, piores do que amanhã. E assim prossegue o rio da vida, propiciando mudanças para que tenhamos – todos os dias – novas oportunidades, novos olhares, novos aromas, novas experiências. Saia do lugar! Você não é uma árvore…
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Responda rápido a minha pergunta:
– De zero a 100% qual é o seu grau de comprometimento em ler este artigo até o final?
Estranha a pergunta? Para quem é Coach ou faz sessões de Coaching esta pergunta é corriqueira. Toda vez que atendo um cliente de Coaching Holístico e definimos uma meta ou tarefa, sempre fecho a sessão com esta pergunta:
– Qual é o seu grau de comprometimento em realizar esta tarefa ou meta?
Em geral o cliente responde 100%. Só que nem sempre isto ocorre. Nem sempre o cliente se compromete 100% em executar a tarefa ou meta.
Um dos maiores problemas de uma pessoa que faz Coaching é a falta de comprometimento. É mais fácil dar desculpas do que tentar cumprir o que se comprometeu.
E falta de comprometimento não é só no Coaching que ocorre. No dia a dia de qualquer empresa os funcionários nunca cumprem o que prometem e se comprometem. É uma total falta de responsabilidade, profissionalismo e até de caráter da pessoa.
Sua atitude vai prejudicar a empresa, seus colegas de trabalho e a si mesmo. Aí perde o emprego e reclama.
E o que falar de pessoas no nosso dia a dia que prometem algo para alguém ou para si mesmo e não cumprem. Cadê o comprometimento, gente?
Falta de comprometimento na via profissional e pessoal é um péssimo hábito. Quem não tem comprometimento leva a “vida na flauta” ou “seja o que Deus quiser”.
O cliente senta na minha frente na sessão de Coaching, fala que quer ter sucesso na vida, jura 100% de comprometimento e falta na sessão seguinte dizendo que tem outro compromisso importante.
Compromisso importante? E os 100% de comprometimento que ele “juramentou” com ele próprio em alcançar sucesso? Não é mais importante?
Parece que não. Estas pessoas que não cumprem o que falam, acham que estão enganando seu Coach, seu chefe ou sua própria vida.
Na verdade esta pessoa que não cumpre nem 1% do que se compromete, está enganado a si próprio. Está perdendo seu tempo e não o meu.
Você que não cumpre o que promete ou se compromete, fica aqui um recado para refletir:
Não cumpre o que promete, não avança, não vence e não conquista.
Para ajudar, significado de Comprometimento:
“Esta é uma atitude que poderíamos definir como algo de cunho moral, afinal, literalmente, remete ao cumprimento de um tratado, um pacto firmado.
Significa “honrar a palavra empenhada”. O comprometimento está vinculado ao clima organizacional, à cultura e aos valores da empresa. As pessoas estão dispostas a lutar por aquilo em que acreditam, seja no plano profissional ou pessoal. E lutam pela verdade!
Há uma relação íntima entre esta competência e a capacidade de estabelecer e cumprir metas. E esta relação está presente na própria palavra.
É por ai. Boa semana!
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Você já parou para pensar a força que estas duas palavras possuem? Bom Dia e Obrigado.
Palavras simples, óbvias, porém em muitos momentos esquecidas pelo corre-corre da falta de tempo, pelo mau humor que nos atinge, pelo status que faz acreditar que não se faz necessário ou pelo simples hábito de não se utilizar no vocabulário.
Certa vez ouvi em um treinamento de liderança: como você gostaria de ser liderado? E para minha surpresa: com um bom dia e um muito obrigado. E comecei a pensar.
Será que somente na gestão gostaríamos de ouvir estas palavras?
Quem não gostaria de ouvir pela manhã este simples gesto ou num momento que está desmotivado um obrigado por um trabalho realizado?
A palavra bom dia abre portas, pode ser o início de uma conversa difícil; quebrar o gelo num momento de nervoso, despertar o sorriso nos mais contagiantes, demonstrar respeito ao próximo e principalmente celebrar a oportunidade de um novo dia, cheio de desafios, atividades a serem desenvolvidas, pessoas a conhecer, negociações a vencer. Oferece uma palavra positiva para você e para quem ouve, transmitindo pensamentos positivos.
Pode parecer longe demais, mas e se nós realmente ao dizermos esta simples palavra, buscássemos ter o nosso Bom dia?
Onde você conhecendo seus valores, desejos e objetivos gera uma atitude consciente para que consiga o resultado esperado. Que possa vencer o medo, a desmotivação, a baixa estima e quebrar barreiras, obstáculos na comunicação, relacionamentos e descubra caminhos efetivos de atingir o sucesso e por que não a felicidade tão sonhada?
Pense nisso e se permita a realmente ter um bom dia.
A palavra obrigado tem significados interessantes segundo o dicionário: ser obrigado a fazer, obrigar por lei, ser grato, reagir a algo correspondido.
Palavra igualmente simples, mas difícil de ser dita por aqueles que justamente se sentem na obrigação de fazê-lo, mas nobre e cheia de ternura, gratidão e reconhecimento por quem diz e recebe.
Um feedback por algo, dar-lhe a vez, agradecer um trabalho, um presente, uma parceria ou um simples objeto que foi entregue, uma porta aberta. O poder do obrigado nos renova as energias, aumenta a motivação, estima, trabalho em equipe e comprometimento.
O obrigado é um gesto de reconhecimento, retorno positivo que se está no caminho certo, de um trabalho bem feito, de um apoio sincero, de uma ajuda para alguém que precisa carregar sua mala, segurar o elevador ou passar simplesmente o sal.
Reforça comportamentos; gera sinergia e cumplicidade.
Que possamos falar obrigada sem a obrigação social, mas dar ao outro o direito de gentileza e valor por um gesto, atitude ou trabalho.
Bom dia e obrigado. Que possam ser um oxigênio. Não tem o hábito? Dê o primeiro passo. Diga para você mesmo, pois este é o maior sentido para despertar para o outro.
Diga a você mesmo o quanto acredita em si e é capaz de buscar seus sonhos e metas; o quanto é grato por sua vida, carreira, família.
Que estas palavras não sejam apenas etiquetas profissionais mas façam parte de seu cotidiano para que ao despertar de um novo dia você tenha bons momentos e possa ser grato pelas conquistas feitas por você e pelos outros.
Pense nisso.
Te desejo um bom dia e obrigada.
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É aquela coisa que você já sabe que tem que fazer e não faz. É uma decisão que não toma, um trabalho que não termina, um projeto que não entrega, uma conversa que não rola nunca por que você não toma a iniciativa.
Aí você procura por ajuda, porque sabe que tem alguma coisa errada com isso. Sabe que não é o seu normal, mesmo que nem consiga ver isso com clareza. Você provavelmente dá um Google, pega um livro, conversa com alguém ou mesmo tira um tarô para ver o que dizem e invariavelmente você recebe o mesmo veredicto: “pare de procrastinar para ter sucesso, para conseguir o que você quer. Assuma as rédeas da sua vida, você tem condições, basta querer.”
E aí é que podemos perder uma chance de ouro, a de nos conhecermos melhor e efetivamente dar o salto [quântico] rumo a nós mesmos. Explico: quando vejo, na prática do Coaching, que as pessoas estão procrastinando, eu não falo para elas “superarem” esse problema. Ao contrário, eu sugiro que a gente acolha, pare e olhe para isso que está acontecendo. Vamos entender o que essa lentidão momentânea e consciente tem a dizer, que notícias ela traz desse momento da vida daquela pessoa.
Geralmente a procrastinação é um sintoma. É a ponta do iceberg. Ele traz muitas coisas consigo, que vão além da superfície. O que eu mais vejo na minha prática profissional tem a ver com medo, autossabotagem, insegurança, baixa autoestima, angústia, bloqueio criativo, falta de sentido ou de tesão, incapacidade de assumir o que se quer, entre outras coisas. Cada um desses tópicos merece um texto, ou melhor, um livro em si, então não vamos nos aprofundar agora, certo?
O que eu quero é sugerir que você pare e reflita a respeito do que faz você procrastinar. E busque entender o que esse sintoma está querendo te dizer. Essa é uma maneira muito potente de ir mais fundo e se ouvir, buscar sua verdade e aceitá-la. Acolher o seu momento é a melhor forma de sair dele, como já falei no texto sobre o limbo.
Proponho uma atividade para lhe ajudar nessa reflexão.
Separe um tempo para você, de preferência sozinho e sem interrupções, de aproximadamente 30 a 50 minutos. Procure estar num lugar confortável e, se possível, feche os olhos, respirando profundamente umas 3 vezes ou até conseguir deixar os pensamentos mais quietos, as preocupações de lado…
Então, com o auxílio de papel e caneta ou outro meio que você escolher, comece a atividade:
1º passo: Responda em quais situações específicas da minha vida estou procrastinando agora?
Escreva de maneira sucinta e precisa, como por exemplo: não terminei o projeto X. Não comecei a fazer ginástica. Estou usando muito tempo para fazer tarefa Y. Não estou conseguindo terminar tal coisa. Estou adiando a conversa com fulano.
2º passo: Depois olhe para essas situações que você escreveu e as leia com compaixão. Procure simplesmente aceitá-las, contemplá-las, sem julgá-las. Sei que é difícil não julgar, mas ao menos tente.
Ao observar essas situações, procure apenas abrir espaço para que elas mesmas te digam coisas.
3º passo: Se for o caso, pergunte-se: o que essa situação quer me dizer? O que há aqui, além da superfície? O que eu estou deixando de fazer de verdade? O que está por trás dessa procrastinação que eu não estou querendo ou podendo ver?
4º passo: Veja quais fichas caem, se caem, o que surge. Aceite o que veio, agradeça e só. Guarde tudo e retome sua vida. Se for dormir, boa noite. Se for voltar ao trabalho, bom trabalho. NÃO mexa mais no exercício.
5º passo: Após alguns dias (de 3 a 5 dias), volte ao que você anotou. Novamente observe as situações de procrastinação. Veja se algumas delas você já pode mexer e realizar. Anote as ações que têm que ser feitas.
6º passo: Faça.
Como sempre, quero saber o que surgiu para você, ao ler esse texto. Caíram fichas? Nada rolou? Tá valendo. Compartilhe aqui.
E você já sabe. Qualquer coisa, estou por aqui.
Com amor e com alma,
Karinna
PS: Se você acha que este artigo pode beneficiar alguém, por favor, encaminhe agora para essa pessoa.
PS2: Eu, claro, adoraria que você espalhasse meu artigo por aí, nas suas redes. Assim mais gente curte e compartilha com quem precisa.
Obrigada!
Participe da Conversa
Eu tenho a mais absoluta certeza de que a grande parte dos leitores já ouviu falar sobre a Inteligência Emocional. Aliás, provavelmente, haverá até especialistas e professores na disciplina cuja fundamentação teórica nos remete a Charles Darwin. O que a maioria também sabe está no fato de que a popularização do assunto surgiu quando, há vinte anos, Daniel Goleman publicou um best-seller a respeito. Mas será que a inteligência emocional se confunde com a Inteligência Espiritual? E você, o que pensa a respeito?
Para começo de conversa, deve-se lembrar que o conceito de “inteligência” é algo sobre o que não há unanimidade. A depender da corrente de estudos, esse conceito (que na linguagem dos estudiosos chama-se constructo) terá diferentes interpretações e o pesquisador deve indicar qual a ênfase e abordagem mais adequada ao seu objetivo de momento. Neste nosso caso, vamos nos vincular ao conceito etimológico de que a “inteligência” é a capacidade de identificar as opções, processá-las e decidir por aquela mais conveniente em um dado problema ou situação. Agora, vou tirar o foco da mera conceituação de “inteligência” para tratar do tema ampliado: Inteligência Espiritual.
O estudo da importância da espiritualidade tem crescido bastante, a ponto de haver profissionais da área de saúde que indicam haver alta relação entre a prática espiritual com a saúde mental das pessoas. E aqui surge a necessidade de se fazer outra distinção, pois espiritualidade não é o mesmo que religiosidade. Esta última diz respeito à prática da relação da pessoa com Deus, em que há um sistema de rituais ou simbolismos presentes. A espiritualidade, porém, volta-se à dimensão pessoal que diz respeito à própria existência, uma relação com a consciência sem que haja necessariamente rituais ou símbolos. Ou seja, a espiritualidade diz respeito a atitudes, sentimentos e pensamentos superiores que levam ao crescimento (amadurecimento) do ser humano. A prática da religião pode apoiar a espiritualidade, mas esta vai além.
Voltando ao tema central, vamos nos basear nos estudos e propostas da física e filósofa americana Danah Zohar, ligada a importantes centros de pensamento, nos EUA e Europa. Tendo como linha de pesquisa a física quântica, sobre Inteligência Espiritual ela relata ser algo essencial para promover a cooperação entre as pessoas, tanto na família como em sociedade. Indo além, ela entende que é a Inteligência Espiritual que ajudará as pessoas a alcançarem soluções positivas para o planeta, além de criar um melhor encontro individual nessa caminhada, ao descobrir melhor a si mesmo e aos seus valores. O alto quociente espiritual faz a pessoa ter a vida mais criativa, promissora e com sentido, com identificação do propósito pessoal.
Em seu livro Inteligência Espiritual (Editora: Viva Livros; 2012), escrito com Ian Marshall, Danah comenta que a inteligência emocional faz a pessoa ter capacidade de julgar em que situação se encontra e como deve se comportar, adequadamente, nos limites dessa situação. A Inteligência Espiritual estimula a pessoa a se perguntar se ela deseja estar nessa situação em particular e como é a melhor forma de trabalhar com os limites da situação. Em seu livro ela comenta de dez atributos típicos que mostram quando a pessoa tem um elevado quociente de Inteligência Espiritual.
As características comuns de quem tem alta Inteligência Espiritual são assim resumidas: (1) Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo; (2) São idealistas e levadas por valores pessoais; (3) Têm capacidade de encarar e se apropriar positivamente da adversidade; (4) São holísticas, no sentido de que conseguem ter visão abrangente sobre cada situação (analisam as partes e entendem o todo); (5) Respeitam a diversidade (em todas as nuances de diferenças entre pessoas, sem preconceitos); (6) Preservam sua independência e arbítrio; (7) Perguntam sempre “por quê?”, como forma de se questionarem quanto aos próprios dogmas e crenças limitantes; (8) Têm capacidade de colocar as situações e os fatos em um contexto ampliado; (9) São espontâneas e verdadeiras, e; (10) Têm compaixão, conseguindo se colocar no lugar das pessoas que estão com dores ou problemas, viabilizando ajudá-las.
E então, como está o seu grau de Inteligência Espiritual? Agora, fica o convite à sua reflexão e … Boa sorte!
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