O Custo Invisível do Recuo: Quando a Conveniência Substitui a Coragem Corporativa
O recente abandono das políticas de diversidade (DEI), sob a pressão do movimento “anti-woke”, revela um sintoma perigoso. Quando o compromisso evapora diante da primeira crise de imagem, o que sobra da cultura organizacional?
Imagine, por um momento, a energia vibrante da Avenida Paulista durante o mês do orgulho. Há poucos anos, se você caminhasse por ali, veria um mar de logomarcas coloridas. As maiores empresas do país disputavam o espaço, o brilho e a atenção. Ser inclusivo era, além de moralmente aceito, mercadologicamente rentável. Havia aplausos, prêmios de inovação social e relatórios anuais repletos de rostos sorridentes e diversos.
Mas os tempos mudaram.
Em 2026, a mesma Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, a maior do mundo, amargou uma queda de 60% em seu investimento privado. Os logotipos sumiram. Os discursos inflamados de apoio incondicional deram lugar a notas de rodapé corporativas, frias e calculadas.
Esse silêncio ensurdecedor não é um fenômeno isolado. Ele é o eco de uma retração global, impulsionada pelo que se convencionou chamar de movimento “anti-woke”: uma onda conservadora que transformou a responsabilidade social em um campo minado, fazendo com que o “capitalismo consciente” recuasse para as sombras do medo. E é exatamente aqui, no epicentro desse recuo estratégico, que precisamos ter uma conversa profunda sobre liderança, integridade e o verdadeiro significado de pertencimento.
Para entendermos a magnitude desse recuo, precisamos olhar para a origem das palavras. O termo “woke” nasceu na comunidade afro-americana como um lembrete vital de sobrevivência: “stay woke” (fique acordado), um chamado para manter a consciência alerta diante das injustiças sistêmicas e da violência racial. Era uma palavra de cuidado e lucidez. No entanto, em um malabarismo retórico brutal, o termo foi sequestrado e transformado em um insulto político. Como bem pontuou Darren Walker, presidente da Fundação Ford, a cruzada anti-woke tornou-se uma “nova máscara para o racismo” e para as mais diversas formas de preconceito.
Nas salas de conselho, a pressão surtiu efeito. Diante do risco de boicotes, processos judiciais e ataques coordenados em redes sociais, muitas organizações optaram por recalcular a rota. Pesquisas recentes mostram um cenário paradoxal: enquanto a maioria das empresas afirma que não vai abandonar a diversidade estruturalmente, mais da metade já está alterando e suavizando sua comunicação externa. É o nascimento do “greenhushing” social — empresas que continuam fazendo algo nos bastidores, mas têm pavor de falar sobre isso em público.
Mas a ilusão da neutralidade cobra um preço altíssimo. Liderar com base no medo do cancelamento conservador não protege a marca; apenas expõe a fragilidade de seus valores.
Quando uma empresa remove subitamente os compromissos de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) de suas diretrizes públicas, ela não está apenas fazendo um ajuste de marketing. Ela está enviando uma mensagem visceral para as pessoas que constroem aquele negócio todos os dias. Imagine como se sente o talento negro, o executivo trans ou a liderança feminina ao perceber que sua existência e segurança na empresa são tratadas como “riscos de imagem” que podem ser varridos para debaixo do tapete quando a conveniência exige.
O contrato psicológico se quebra. A segurança psicológica despenca. E, ironicamente, o risco aumenta. Estudos profundos, como os conduzidos pela Catalyst e pela NYU Law, demonstram de forma inequívoca: recuar nas políticas de DEI não acalma os críticos, mas aumenta vertiginosamente os riscos legais, financeiros e reputacionais da empresa. Ao tentar não desagradar a ninguém, a organização perde a confiança de todos. Ela sinaliza que sua ética é negociável e que seus valores estão sujeitos à volatilidade do humor das redes sociais.
Como especialista em Comunicação Não-Violenta e Cultura Organizacional, olho para esse cenário e não vejo apenas um erro de cálculo corporativo. Vejo uma profunda desconexão humana. Nós construímos sistemas de poder que se retroalimentam do conforto e fogem desesperadamente do atrito. No entanto, a verdadeira inclusão sempre foi, e sempre será, um ato de desestabilização do status quo. Não existe justiça social sem algum nível de desconforto para quem sempre deteve o privilégio da norma.
O recuo atual é um reflexo do momento em que o trabalho de DEI deixou de ser uma festa e passou a exigir a partilha real de poder.
Quando a pauta era apenas colocar um arco-íris na vitrine, todos eram aliados. Quando a pauta passou a ser auditoria de equidade salarial, letramento racial para a alta gestão e responsabilidade social atrelada a bônus executivo, o sistema imunológico da corporação tradicional então reagiu. O movimento “anti-woke” forneceu a narrativa perfeita — e a desculpa conveniente — para justificar a exaustão das empresas com o trabalho difícil da verdadeira transformação.
No entanto, o futuro do trabalho não perdoa a covardia. As demografias estão mudando irreversivelmente. A inovação complexa, aquela capaz de resolver as grandes crises climáticas, econômicas e sociais do nosso tempo, exige pluralidade cognitiva radical. Não é possível inovar em um ambiente em que as pessoas estão gastando metade de sua energia psíquica tentando se esconder ou decifrando se ainda são bem-vindas ali.
Isso nos leva a observar a questão por uma lente ainda mais ampla. A guerra contra o “capitalismo woke” e o investimento responsável não é apenas uma disputa sobre gestão de talentos. É uma frente de batalha sobre a própria qualidade da nossa democracia e do nosso tecido social. As empresas são microssociedades. Elas ditam normas, moldam comportamentos e influenciam políticas públicas. Quando as corporações cedem à intimidação de grupos que desejam apagar o debate sobre a diversidade, elas endossam assim um retrocesso civilizatório. O mercado de trabalho sempre foi um dos principais motores de ascensão e justiça social. Se a porta da equidade for fechada nos corredores corporativos, a asfixia será sentida nas ruas, nas escolas e nas urnas.
Diante desse cenário que testa o nosso caráter organizacional, não podemos nos abster. Convido você, líder, profissional de RH, executivo ou simplesmente alguém que acredita no desenvolvimento humano, a pausar e fazer algumas perguntas incômodas:
- O que estamos normalizando sem perceber ao aceitarmos o recuo silencioso das nossas empresas?
- Quem está sendo excluído dessa conversa enquanto o board recalcula a rota do marketing e do compliance?
- Que tipo de cultura estamos ajudando a construir quando a ética corporativa se curva ao medo e não à convicção?
- O que acontece com a alma de uma organização quando deixamos esse problema sem atenção, acreditando que a tempestade vai passar sozinha?
Liderar com consciência não é ter todas as respostas, mas ter a coragem de sustentar as perguntas difíceis, mesmo quando os ventos sopram contra. A diversidade não é um guarda-chuva que a gente abre apenas em dias de sol e aplausos, para guardá-lo no armário no primeiro sinal de tempestade.
Acredito, com um otimismo teimoso e realista, que este recuo é apenas a contração que antecede um novo salto. As máscaras estão caindo, separando o que era oportunismo do que é, de fato, compromisso. Aquelas organizações que escolherem não recuar — que mantiverem seus orçamentos de inclusão, que protegerem seus talentos vulnerabilizados, que sustentarem seus discursos com ações e que tiverem a ousadia de dizer “nós sabemos quem somos e no que acreditamos” — serão as pioneiras da próxima era do desenvolvimento humano e econômico.
A inclusão, quando testada, revela sua verdadeira natureza. Mas é na adversidade, no momento exato em que a conveniência nos convida a dar um passo atrás, que o nosso verdadeiro caráter organizacional é forjado. Que possamos escolher a coragem em vez do conforto.
Sejamos a mudança!
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Kaká Mandakinï
Gallup Global Strenghts Coach, Mentora de Liderança Regenerativa, facilitadora de CNV e acredita que a comunicação autêntica é a chave para transformar organizações em ecossistemas de vida.
https://www.diversidadeagora.com.br
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Palavras-chave: DEI, recuo, diversidade, anti-woke, inclusão, equidade, custo invisível do recuo, políticas de diversidade, Diversidade, Equidade e Inclusão, segurança psicológica, coragem corporativa, a importância da DEI nas empresas, por que DEI é importante
Quando os Sentidos Despertam Emoções e Transformam Percepções em Conflitos
Estamos conscientes dos nossos cinco sentidos — visão, audição, olfato, paladar e tato. No entanto, será que estamos conscientes da conexão entre esses sentidos e os nossos conflitos pessoais?
Se os nossos sentidos são os mecanismos responsáveis por captar as informações do ambiente e enviá-las ao nosso sistema nervoso, será que percebemos o quanto eles estão conectados a cada conflito que nos aborrece?
Ao mesmo tempo em que os nossos sentidos captam as informações do ambiente e as enviam para o nosso sistema nervoso, eles também nos ajudam a interagir com o mundo e, por questões de sobrevivência, a identificar possíveis perigos.
Ocorre que esses perigos, muitas vezes, são percebidos como sensações pessoais que despertam, em nós, a lembrança de experiências anteriores. Assim, aquilo que enxergamos como uma ameaça pode funcionar como um gatilho para emoções afloradas no momento presente.
O que fazer nessa situação?
Primeiramente, é importante reconhecer qual foi o gatilho: um cheiro, um som, um toque, uma imagem ou até mesmo o sabor de algo que experimentamos. Identificar o elemento que provocou a sensação de risco ou desconforto é o primeiro passo.
Quando somos capazes de detectar a origem desse gatilho, compreendemos que a sensação desagradável pode não estar relacionada ao presente, mas à conexão sensorial estabelecida anteriormente com algo que nos causou desagrado.
Isso nos possibilita avaliar se o fato conectado ao gatilho é realmente importante no momento atual ou se estamos apenas reagindo a uma sensação despertada por um dos nossos sentidos, sem relação direta com a realidade presente.
Nessa condição, o conflito tende a se dissolver, pois o mecanismo que une o sentido ao conflito perde sua força. Com isso, surge o alívio para aquele que trazia, em seu inconsciente, um estado de alerta que foi despertado pela experiência sensorial.
Como os nossos cinco sentidos são uma verdadeira bússola para a vida, convém percebermos que eles podem nos orientar e servir de guia para o presente e para o futuro. Contudo, é fundamental abandonarmos as conexões emocionais que, porventura, nos prejudicam.
Somente assim poderemos viver plenamente e não apenas sobreviver.
“A vida é 10% do que acontece com você e 90% de como você reage a isso.”
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Luísa Santo
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A Ilusão da Eficiência: Produtividade na Era do Esgotamento Silencioso
Você está produtivo ou apenas acelerado?
Existe um paradoxo incômodo na dinâmica do trabalho atual. A tecnologia, desenvolvida sob a promessa de nos libertar de tarefas repetitivas e gerar tempo, acabou por acelerar o ritmo das demandas a um nível que a biologia humana luta para acompanhar. Vivemos imersos em um volume sem precedentes de dados, ferramentas e notificações instantâneas. No entanto, o resultado dessa hiperconexão não tem sido a expansão da nossa clareza mental, mas sim um esvaziamento silencioso da nossa capacidade de discernimento.
Os números tornam esse cenário visível. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 9,3% da população brasileira convive com transtornos de ansiedade, o que coloca o país no topo do ranking mundial. Em paralelo, dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho indicam que cerca de 30% dos trabalhadores sofrem de esgotamento profissional crônico. O Brasil é o segundo país em casos diagnosticados de burnout, uma síndrome que a própria OMS classifica como condição ocupacional. Esses indicadores deixam de ser estatísticas de saúde pública para se tornarem dados de risco operacional e de governança. O cansaço crônico e a dispersão mental deixaram de ser exceções individuais para se transformarem em uma regra silenciosa dentro das organizações.
O alerta da medicina e da psiquiatria corporativa, raramente presente nas conversas sobre produtividade, é que o colapso não acontece de forma súbita.
Antes do esgotamento total, existe um estágio prévio, invisível e perigoso, que a literatura contemporânea chama de burn-on.
Diferente do burnout — onde a energia vital já se esgotou por completo —, no burn-on o indivíduo continua extremamente ativo, engajado e entregando resultados de alto impacto. Impulsionado por perfeccionismo, dedicação ou pelo medo de falhar, ele opera em um estado de excitação constante e excesso de zelo, sorrindo por fora enquanto enfrenta uma exaustão interna crônica. Trabalha-se às custas da própria saúde, queimando as últimas reservas de energia de forma nociva. É a erosão cognitiva fantasiada de eficiência.
Essa percepção mudou minha própria relação com o trabalho. Durante a minha jornada no mercado financeiro global, passei por esse estado de burn-on diversas vezes sem me dar conta. Eu operava no modo como a maioria considera “alta performance”: agenda cheia, resposta imediata, presença constante. O que reconheço hoje, com clareza, é que boa parte das decisões tomadas naquele período saiu de um estado de reatividade biológica, não de discernimento. Eu estava entregando resultados, mas consumindo minha capacidade de longo prazo. A virada não veio de uma nova ferramenta de gestão de tempo; veio da decisão de proteger deliberadamente os estados internos que tornam o pensamento estratégico possível.
Da consciência à ação
Muitas vezes, a resposta imediata a esse cenário de sobrecarga é culpar o ambiente ou aguardar que as empresas forneçam novas metodologias. Trata-se de um equívoco de diagnóstico e de uma terceirização perigosa da nossa própria sustentabilidade. O problema contemporâneo não é técnico, mas comportamental. Quando o cotidiano é pautado unicamente pela urgência, a tomada de decisão é transferida para os mecanismos mais automáticos do cérebro. Sob estresse contínuo, a mente perde a capacidade de ponderar riscos e sustentar o foco.
A verdadeira produtividade, portanto, precisa ser urgentemente redefinida pelo viés da autorresponsabilidade.
Ela não reside na velocidade das respostas, mas na preservação da clareza mental necessária para fazer escolhas conscientes. Gerenciar o próprio foco é, antes de tudo, um ato de autoliderança.
A partir da minha experiência na arena executiva, introduzi práticas simples de saúde física e cognitiva que mantenho diariamente na minha rotina. Ofereço-as aqui não como uma prescrição, mas como ponto de partida para recuperar a soberania do seu dia:
- Pausas deliberadas de recuperação: Interromper o fluxo mecânico de respostas ao longo do dia para permitir que o sistema nervoso desacelere e recupere a neutralidade antes da próxima demanda. Não é descanso; é manutenção ativa da capacidade de raciocínio.
- Regulação biológica consciente: A respiração quadrada — inspirar por quatro tempos, reter por quatro, expirar por quatro e reter por quatro — é uma técnica de regulação do sistema nervoso autônomo aplicável em menos de dois minutos. Ela ativa a resposta parassimpática, reduz a reatividade e sinaliza segurança ao cérebro antes de uma decisão crítica.
- Higiene de estímulos digitais: Estabelecer limites não negociáveis para o início e o fim da exposição às telas. Os primeiros e os últimos momentos do dia têm um peso desproporcional sobre o estado mental. Blindá-los do ruído das notificações não é luxo, mas sim uma estratégia.
A perenidade de uma carreira ou de um negócio não depende somente de fatores externos, mas da soberania que mantemos sobre as nossas próprias reações. Em um mercado saturado de ruídos, o maior diferencial de um profissional não é a sua capacidade de aceleração, mas sua firmeza para silenciar o entorno, assumir a responsabilidade pelas suas escolhas e recuperar o estado de presença antes de cada decisão.
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Quer saber mais sobre como reconhecer o burnon antes do burnout e recuperar clareza mental nas suas decisões, sem cair na ilusão da eficiência e da produtividade a qualquer custo? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Nos vemos no próximo mês.
Karem Zapana
Educadora Corporativa e Mentora de Lideranças
https://www.linkedin.com/in/karem-zapana
https://www.instagram.com/karemzapana
Confira também: A Economia da Lucidez: Por Que a Sua Humanidade É o Ativo Mais Escasso
Palavras-chave: burnon, burn-on, produtividade, burnout, clareza mental, esgotamento silencioso, produtividade na era do esgotamento silencioso, sinais antes do burnout, o que é burnon, o que significa burnon, burnon antes do burnout, a ilusão da eficiência, pausas deliberadas de recuperação, regulação biológica consciente, higiene de estímulos digitais, eficiência ou ilusão
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Liderança Ainda É Uma Habilidade… Ou Está Se Tornando Vocação?
Olá.
Recentemente ouvi uma reflexão da economista Catherine Ruth Pakaluk que, curiosamente, me fez pensar muito mais sobre liderança corporativa do que sobre filhos. Em uma de suas análises sobre as transformações sociais contemporâneas, ela utiliza uma analogia simples, mas extremamente sofisticada: durante séculos, cavalos foram absolutamente necessários para a vida humana. Transportavam pessoas, puxavam cargas, sustentavam economias inteiras e representavam uma peça central da sobrevivência social e econômica das famílias.
Hoje, quase ninguém precisa de cavalos. E, exatamente por isso, quem ainda cria cavalos normalmente o faz por amor. A provocação dela avança, então, para os filhos. Durante muito tempo, filhos também eram estruturalmente necessários. Representavam continuidade familiar, força de trabalho, segurança para a velhice, manutenção do sobrenome e até estabilidade econômica. Em muitos contextos históricos, ter filhos não era apenas uma escolha emocional. Era parte inevitável da dinâmica social.
Mas o mundo mudou. Filhos custam caro, exigem tempo, reduzem mobilidade, alteram prioridades, aumentam a imprevisibilidade da vida e exigem um volume gigantesco de dedicação emocional. Em outras palavras, deixaram de ser necessários para a sobrevivência da maior parte das pessoas urbanas contemporâneas. E talvez exatamente por isso, quem escolhe ter filhos hoje o faça muito mais por amor do que por obrigação.
Foi impossível não associar essa reflexão às posições de liderança dentro das empresas.
Durante décadas, tornar-se líder era praticamente o único caminho relevante de ascensão profissional. O cargo vinha acompanhado de reconhecimento, aumento salarial, respeito, influência, status e poder. Liderar equipes funcionava quase como uma validação pública de competência e sucesso. O crachá de chefe carregava uma espécie de glamour corporativo que fazia muita gente desejar a posição antes mesmo de compreender exatamente o que ela significava.
Mas talvez estejamos vivendo uma transformação silenciosa e profunda dentro do ambiente organizacional. A liderança contemporânea começou, de certa forma, a se parecer com os cavalos da analogia de Pakaluk. Continua importante, continua necessária para o funcionamento das organizações e continua ocupando um espaço estratégico dentro das empresas. Contudo, deixou de ser unanimemente desejada.
E isso muda absolutamente tudo.
O custo total de propriedade do crachá de líder explodiu nas últimas décadas. O chefe de antigamente possuía símbolos claros de compensação: sala própria, distância hierárquica, privilégios, assistentes, poder formal pouco questionado e uma autoridade sustentada quase automaticamente pela posição ocupada. O líder moderno, por outro lado, perdeu boa parte desses símbolos tradicionais de recompensa, mas manteve praticamente todas as responsabilidades — e talvez tenha recebido várias novas.
Hoje, liderar significa absorver pressão o tempo inteiro. Significa entregar metas agressivas, administrar conflitos, proteger equipes, desenvolver pessoas, sustentar ambientes emocionalmente saudáveis, praticar escuta ativa, traduzir decisões difíceis vindas da alta gestão, reduzir tensões políticas, lidar com inseguranças emocionais da equipe e, ao mesmo tempo, manter alta performance operacional. O líder contemporâneo se tornou gestor, mentor, facilitador, mediador, amortecedor emocional e, em muitos casos, uma espécie de psicólogo informal da operação.
Tudo isso enquanto tenta preservar a própria saúde mental.
Talvez por isso estejamos vendo um fenômeno extremamente interessante nas novas gerações. Profissionais talentosos vêm recusando promoções ou desistindo rapidamente de posições de liderança. E, durante algum tempo, parte do mercado interpretou isso como falta de ambição, excesso de fragilidade ou baixa tolerância à pressão. Mas talvez exista uma leitura muito mais sofisticada acontecendo diante dos nossos olhos.
Talvez essas gerações simplesmente estejam enxergando o custo real da liderança com mais lucidez do que as anteriores. Porque liderar pessoas dá trabalho. Muito trabalho. Existe, em sustentar equipes, um desgaste invisível que dificilmente aparece nos organogramas corporativos. O líder moderno convive permanentemente com ambiguidades, conflitos, pressões emocionais, cobranças contraditórias e uma responsabilidade relacional contínua que não desaparece ao final do expediente.
Ao mesmo tempo, as redes sociais ajudaram a construir um novo imaginário de sucesso profissional. Durante décadas, sucesso era quase sinônimo de subir hierarquicamente, ocupar cargos importantes e comandar pessoas. Hoje, milhões de jovens são expostos diariamente a modelos de sucesso aparentemente desvinculados da liderança tradicional.
Influenciadores, creators, especialistas independentes, empreendedores solo e produtores de conteúdo passaram a ocupar um espaço simbólico que antes pertencia quase exclusivamente aos executivos corporativos. Pouco importa se parte dessa realidade é cuidadosamente editada pelos algoritmos. O impacto cultural já aconteceu. Pela primeira vez, existe uma geração inteira que acredita ser possível conquistar dinheiro, relevância, autonomia e reconhecimento sem carregar o peso humano da liderança formal.
E talvez seja exatamente isso que esteja tornando a discussão tão interessante.
Durante décadas, muitos profissionais aceitavam o desgaste da liderança porque o pacote parecia compensar claramente. O cargo entregava status, remuneração, influência e reconhecimento social em níveis suficientemente atrativos para justificar o preço emocional da posição. Hoje, porém, muita gente olha para o cargo de liderança e faz uma pergunta silenciosa: “vale a pena?”
Talvez por isso estejamos vivendo uma mudança histórica muito maior do que imaginamos. Enquanto liderar era praticamente um caminho obrigatório para crescer, muita gente aceitava o cargo pelos benefícios associados. Mas agora que o custo emocional, político, relacional e cognitivo da liderança ficou mais evidente, começa a acontecer uma espécie de seleção natural dentro das organizações.
A liderança começa lentamente a sair das mãos dos ambiciosos e migrar para as mãos dos vocacionados.
Existe uma diferença enorme entre desejar o status da liderança e gostar genuinamente de liderar pessoas. Porque gostar de liderar significa tolerar desconfortos permanentes. Significa sustentar relações difíceis, absorver pressão sem contaminar o ambiente, desenvolver pessoas mesmo quando isso exige energia emocional e permanecer equilibrado em cenários de elevada complexidade humana.
No fundo, liderar nunca foi apenas sobre mandar. Sempre foi sobre sustentar.
E talvez seja exatamente aqui que a inteligência comportamental passe a ocupar um papel ainda mais importante dentro das organizações. Durante muito tempo, repetimos uma frase que se tornou quase um dogma corporativo: liderança é uma habilidade que pode ser ensinada. E isso continua sendo verdade. Processos podem ser ensinados. Ferramentas podem ser ensinadas. Métodos de gestão podem ser ensinados. Técnicas de comunicação podem ser ensinadas.
Mas talvez tudo isso seja apenas a porta de entrada.
Porque existe algo anterior à técnica. Existe uma predisposição comportamental que antecede o cargo. Existem pessoas que naturalmente demonstram comportamentos observáveis ligados à proteção do coletivo, ao desenvolvimento de terceiros, à escuta genuína, à capacidade de sustentar ambientes sob pressão e ao desejo espontâneo de organizar relações humanas de maneira construtiva.
Isso não nasce do crachá. Isso aparece antes dele.
A inteligência comportamental talvez nos ajude justamente a identificar esses sinais precoces de vocação para liderança antes mesmo que a posição formal exista. Porque ensinar alguém a liderar continua sendo possível. Mas fazer alguém amar o peso humano da liderança talvez seja outra história.
Assim como andar a cavalo pode ser ensinado.
Mas amar cavalos depende de vocação.
Pense nisso.
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Até a próxima!
Edson Carli
https://inteligenciacomportamental.com
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Brain Capital e Liderança Feminina: O Futuro das Organizações Passa Pela Saúde e Pela Potência das Mulheres
Por muito tempo, as organizações aprenderam a medir capital financeiro, capital humano, capital intelectual, capital social e reputacional. No entanto, diante das transformações aceleradas do mundo do trabalho, da inteligência artificial, da crise de saúde mental e da necessidade crescente de inovação, um novo conceito começa a ganhar espaço nas discussões internacionais: o brain capital, ou capital cerebral.
O termo ainda é pouco difundido no Brasil, mas carrega uma reflexão poderosa. Brain capital representa a soma entre saúde cerebral e habilidades cerebrais. Ou seja, envolve tanto a saúde mental, emocional e cognitiva das pessoas quanto competências como criatividade, pensamento crítico, inteligência emocional, aprendizagem contínua, empatia, adaptabilidade, comunicação e capacidade de resolver problemas complexos.
Em uma economia cada vez mais automatizada, essas capacidades humanas se tornam diferenciais estratégicos. Máquinas podem processar dados, acelerar tarefas e produzir respostas. Mas ainda cabe ao ser humano integrar razão e sensibilidade, ética e decisão, escuta e discernimento, tecnologia e cuidado. É nesse ponto que o capital cerebral se torna essencial para repensar a liderança.
Quando conectamos esse conceito à liderança feminina, a reflexão se torna ainda mais urgente. Historicamente, as mulheres foram convocadas a desenvolver escuta, cuidado, adaptabilidade, resiliência, sensibilidade e capacidade de sustentar vínculos. Ao mesmo tempo, muitas precisaram exercer essas competências em ambientes que não protegiam sua saúde mental, não reconheciam sua sobrecarga e não valorizavam plenamente sua inteligência relacional.
Por isso, falar de brain capital na liderança feminina não é apenas falar sobre desenvolvimento de competências. É falar sobre como preservar, reconhecer e expandir a potência mental, emocional e criativa das mulheres dentro das organizações.
O capital cerebral das mulheres e as barreiras invisíveis
Ao longo das últimas décadas, as mulheres ampliaram sua presença no mercado de trabalho, conquistaram espaços de formação e passaram a ocupar posições de liderança. No entanto, essa presença ainda não se traduziu de forma proporcional em poder, reconhecimento e condições saudáveis de permanência.
Muitas mulheres chegam à liderança depois de atravessar barreiras invisíveis: a cobrança por perfeição, a necessidade constante de provar competência, o medo do julgamento, a dificuldade de serem ouvidas em ambientes masculinizados, a penalização da maternidade, a sobrecarga doméstica e o questionamento sobre sua autoridade.
Essas barreiras não impactam apenas a carreira. Elas impactam o cérebro, o corpo e a saúde emocional. O excesso de vigilância, a autocobrança permanente, a exposição ao julgamento e a falta de segurança psicológica consomem energia cognitiva. Reduzem a criatividade, aumentam o estresse, prejudicam a tomada de decisão e comprometem a capacidade de inovar.
Muitas mulheres não estão com falta de preparo. Estão com excesso de demanda. Não estão sem competência. Estão exaustas. Não precisam apenas de mais treinamentos técnicos, mas de ambientes que respeitem sua humanidade.
O capital cerebral feminino floresce onde há segurança psicológica, autonomia, reconhecimento, pertencimento, equidade e possibilidade real de desenvolvimento. Uma mulher não expande sua potência em uma cultura que a silencia, a interrompe, a deslegitima ou a sobrecarrega.
A sobrecarga feminina como desperdício de brain capital
Um dos maiores desafios da liderança feminina é a sobrecarga. Muitas mulheres ocupam, simultaneamente, papéis profissionais, familiares, emocionais e sociais. São líderes, mães, filhas, cuidadoras, parceiras, gestoras da casa, mediadoras de conflitos e sustentadoras de vínculos.
Essa multiplicidade pode revelar força e capacidade de articulação. Mas, quando não há divisão justa, reconhecimento ou suporte, ela se transforma em exaustão.
A sobrecarga feminina não é apenas falta de tempo. É excesso de processamento mental. É pensar no trabalho enquanto organiza a rotina doméstica, cuidar da equipe enquanto se preocupa com os filhos, tomar decisões estratégicas enquanto administra questões familiares, participar de reuniões carregando uma lista invisível de responsabilidades emocionais e práticas.
Essa carga mental compromete diretamente o brain capital. O cérebro precisa de descanso, foco, segurança e recuperação para funcionar bem. Sem pausas, sem sono adequado, sem espaços de reflexão e sem redes de apoio, a inteligência se torna reativa. A criatividade diminui. A escuta empobrece. A liderança perde profundidade.
As organizações precisam compreender que saúde mental não é tema periférico. É infraestrutura de performance. Não existe inovação consistente em ambientes de medo. Não existe pensamento estratégico quando as pessoas estão apenas sobrevivendo ao excesso. E não existe colaboração verdadeira sem confiança.
Quando uma empresa esgota suas lideranças, então ela destrói o próprio capital que diz valorizar.
Liderança feminina, inteligência relacional e futuro do trabalho
A liderança do futuro exigirá habilidades profundamente humanas. Em um mundo atravessado pela inteligência artificial, pela complexidade e pela velocidade, serão cada vez mais valorizadas competências como empatia, pensamento sistêmico, criatividade, comunicação, discernimento, colaboração e capacidade de lidar com ambiguidades.
Nesse cenário, a liderança feminina tem uma contribuição essencial. Não porque mulheres sejam naturalmente melhores líderes, mas porque muitas, ao longo de suas trajetórias, desenvolveram competências sofisticadas de leitura de contexto, escuta, adaptação, negociação, cuidado e construção de redes.
Durante muito tempo, essas competências foram vistas como subjetivas ou secundárias. Hoje, elas se revelam centrais para organizações que desejam inovar, engajar pessoas e sustentar resultados de longo prazo.
A inteligência relacional, por exemplo, é uma das grandes expressões do capital cerebral. Saber escutar, dar feedback, sustentar conversas difíceis, construir confiança e criar pertencimento não são habilidades menores. São competências estratégicas. Equipes não inovam em ambientes onde há medo. Pessoas não se comprometem onde não há vínculo. Ideias não circulam onde não há segurança para falar.
Liderar, portanto, é muito mais do que gerir cargos, metas e processos. Liderar é criar condições para que cérebros humanos floresçam. É proteger energia mental, ampliar repertório, cultivar confiança, transformar tensão em aprendizagem. É permitir que pessoas pensem, sintam, criem e contribuam sem adoecer.
O desafio interno das mulheres líderes
Se, por um lado, as organizações precisam rever suas culturas, por outro, também é necessário olhar para os desafios internos das mulheres que lideram. Muitas foram educadas para agradar, cuidar, evitar conflitos, não incomodar, não parecer ambiciosas demais, não errar e não ocupar muito espaço.
Essas crenças afetam a forma como mulheres tomam decisões, se posicionam, negociam, delegam e reconhecem seu próprio valor. Uma mulher que duvida constantemente de si consome energia mental tentando se validar. Uma mulher que evita se posicionar perde oportunidades de influência. E uma mulher que acredita que precisa dar conta de tudo se aproxima da exaustão.
Desenvolver liderança feminina, portanto, também é desenvolver liberdade interna. É ajudar mulheres a reconhecerem suas competências, nomearem suas conquistas, sustentarem sua voz e ocuparem espaços sem culpa. É transformar autocrítica em autoconhecimento, substituir perfeccionismo por presença, trocar comparação por autenticidade.
O brain capital feminino se fortalece quando a mulher aprende a cuidar da própria energia, estabelecer limites, pedir apoio, regular suas emoções e confiar em sua potência. Liderar com saúde não é liderar sem desafios. É liderar sem se abandonar. No ALMA Aceleradora de Liderança para Mulheres Autenticas, mostramos e ensinamos a desenvolver esses recursos.
Brain Capital como estratégia de equidade
A pauta da liderança feminina costuma ser tratada como uma questão de diversidade, inclusão ou justiça social. E, de fato, é tudo isso. Mas o conceito de brain capital amplia a discussão: investir na saúde, na inteligência e na potência das mulheres é também uma estratégia econômica, cultural e organizacional.
- Quando uma organização não promove mulheres, desperdiça capital cerebral.
- Quando interrompe mulheres em reuniões, desperdiça capital cerebral.
- Quando ignora suas ideias, desperdiça capital cerebral.
- Quando penaliza a maternidade, desperdiça capital cerebral.
- Quando tolera ambientes agressivos, desperdiça capital cerebral.
- Quando exige disponibilidade ilimitada, desperdiça capital cerebral.
Esse desperdício tem custo humano e financeiro. Reduz inovação, enfraquece a cultura, aumenta afastamentos, compromete a retenção de talentos e limita a capacidade da organização de responder aos desafios do futuro.
Por isso, desenvolver o capital cerebral feminino exige ações concretas. As empresas precisam medir não apenas o número de mulheres em cargos de liderança, mas também a qualidade da experiência dessas mulheres. Elas têm voz? Têm segurança para discordar? Têm acesso a oportunidades estratégicas? São reconhecidas? Conseguem crescer sem adoecer?
Programas de liderança feminina, mentorias, redes de apoio, políticas de flexibilidade, revisão de critérios de promoção, prevenção ao assédio, formação de lideranças e cuidado com saúde mental não podem ser ações isoladas. Precisam fazer parte de uma estratégia consistente de transformação cultural.
A liderança feminina não avança apenas formando mulheres. Avança quando o sistema muda. Homens, lideranças sêniores e organizações inteiras precisam participar dessa mudança.
Falar de brain capital na liderança feminina é falar sobre o futuro das organizações. Um futuro que não será sustentado apenas por tecnologia, dados ou eficiência operacional, mas pela capacidade humana de pensar com profundidade, sentir com consciência, criar com liberdade e se relacionar com maturidade.
As mulheres carregam um capital cerebral imenso, muitas vezes desenvolvido em meio a desafios, barreiras e reinvenções. Mas esse capital não pode continuar sendo explorado sem cuidado, nem desperdiçado por culturas que ainda não aprenderam a reconhecer diferentes formas de potência.
A liderança feminina do futuro não será aquela que apenas se adapta a modelos antigos de poder, mas aquela que ajuda a redesenhar o próprio conceito de liderança. Uma liderança que integra razão e emoção, resultado e vínculo, ambição e propósito, coragem e cuidado, estratégia e humanidade.
Investir em brain capital feminino é investir em mulheres mais saudáveis, organizações mais inteligentes e sociedades mais justas. É compreender que a mente das mulheres não é apenas força de trabalho, mas uma fonte de inovação, transformação e futuro.
Talvez a pergunta que as organizações precisem fazer daqui em diante não seja apenas: quantas mulheres temos em cargos de liderança?
A pergunta mais profunda é: que tipo de ambiente estamos criando para que o cérebro, a voz, a criatividade e a potência dessas mulheres possam florescer?
Porque, quando uma mulher lidera com saúde, consciência e liberdade, ela não transforma apenas a própria trajetória. Ela amplia o campo de possibilidades para todas as pessoas ao seu redor.
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Quer saber mais sobre como o brain capital feminino pode fortalecer a liderança das mulheres e transformar o futuro das organizações? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em conversar sobre este tema.
Até a próxima!
Luciana Soares Passadori
https://www.passadori.com.br
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Palavras-chave: brain capital, liderança feminina, capital cerebral, mulheres, saúde mental, inteligência relacional, brain capital feminino, capital cerebral feminino, sobrecarga feminina, futuro das organizações
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Conversa Segura Também Se Faz Com Limites
Quando iniciamos uma relação — seja afetiva, de amizade ou profissional — costumamos fazer alguns acordos, ainda que nem sempre sejam verbalizados.
Dizemos que valorizamos a sinceridade. Que preferimos ouvir a verdade. Que estamos abertos ao diálogo. E que, se algo incomodar, a melhor escolha será conversar.
Nos relacionamentos amorosos, prometemos transparência. Nas amizades, lealdade. Nas equipes, feedbacks construtivos. E nas lideranças, abertura para ouvir.
Mas, com o passar do tempo, algo curioso acontece. As pessoas deixam de dizer o que sentem, adiam conversas necessárias, engolem pequenos incômodos, suportam situações que gostariam de questionar.
E, quando finalmente encontram coragem para se expressar, nem sempre encontram escuta.
Muitas vezes encontram resistência, justificativas, defesas, interpretações equivocadas, ou ainda a tentativa de invalidar aquilo que estão sentindo.
Talvez por isso tantas relações não se desgastem pela falta de afeto, e sim pela falta de espaço para a verdade.
Porque toda relação saudável precisa de algo que vai muito além da boa intenção: ela precisa ser capaz de sustentar conversas honestas. E é justamente nesse ponto que os limites entram na conversa.
Infelizmente, limites ainda carregam uma reputação injusta. Muitas pessoas os associam à rejeição, ao egoísmo ou ao afastamento, como se estabelecer um limite significasse erguer um muro entre si e o outro.
Mas a experiência mostra algo diferente. Na maioria das vezes, não são os limites que enfraquecem as relações. O que enfraquece as relações é a ausência desses limites.
Quando não comunicamos nossas necessidades, expectativas e desconfortos, abrimos espaço para interpretações, frustrações e ressentimentos.
O que não é dito não desaparece; apenas muda de lugar e vai se acumulando em silêncio, transformando-se em irritação, mágoa, desgaste, distanciamento físico e emocional.
Até que um dia surge aquilo que costuma ser visto como o problema: o limite.
Mas será que ele realmente começou ali?
Ou seria apenas a consequência de necessidades que ficaram tempo demais sem resposta?
Limites raramente surgem do nada. Frequentemente são precedidos por sinais, tentativas de comunicação, pedidos sutis, desconfortos que não encontraram acolhimento e verdades que não conseguiram permanecer na relação.
Talvez por isso seja tão importante compreender que o limite não é uma punição. Ele é uma informação: comunica o que é importante para nós, mostra o que conseguimos oferecer, explica o que já não conseguimos sustentar, revela onde precisamos de respeito, equilíbrio e reciprocidade.
Sem essas informações, o outro é obrigado a supor. E relações construídas na suposição costumam gerar mais frustração do que conexão.
Cabe uma pergunta aqui: será que queremos, de fato, relações honestas, ou queremos apenas relações “confortáveis”?
Porque relações honestas inevitavelmente exigem ajustes, conversas honestas, disposição para ouvir aquilo que talvez não gostaríamos de escutar e maturidade para compreender que o desconforto nem sempre é um ataque. Às vezes, ele é apenas um convite ao crescimento.
Talvez por isso tantas pessoas tenham dificuldade em estabelecer limites. Não porque desconheçam suas necessidades, mas porque temem as consequências.
Temem decepcionar, desagradar, gerar conflitos, perder pertencimento e, então, dizem “sim” quando gostariam de dizer “não”. Aceitam quando gostariam de recusar, concordam quando gostariam de questionar, cedem quando gostariam de se posicionar.
À primeira vista, parece uma forma de preservar a relação, mas pode acontecer um adoecido incômodo interno.
Porque existe um custo silencioso em permanecer dizendo “sim” para aquilo que já não faz sentido. Esse custo costuma aparecer na forma de cansaço emocional, ressentimento, sobrecarga e perda gradual da autenticidade.
A relação permanece. Mas a pessoa começa a desaparecer dentro de si mesma.
É nesse ponto que vale ressignificar algo importante.
Dizer “não” não é necessariamente um ato de rejeição. Muitas vezes, é um ato de cuidado consigo mesmo e com a própria relação, porque prometer o que não podemos cumprir, aceitar o que nos machuca e sustentar o insustentável não fortalece vínculos. Isso apenas adia problemas que mais cedo ou mais tarde precisarão ser, de fato, enfrentados.
Quando um “não” é comunicado com respeito, ele oferece clareza. Quando se estabelece um limite com honestidade, ele cria previsibilidade. E quando uma necessidade é expressa de forma madura, ela amplia as possibilidades de compreensão.
Isso não significa que o outro sempre gostará do que ouvirá, mas relações saudáveis não dependem de concordância permanente; dependem de confiança. E confiança se fortalece quando existe espaço para a verdade.
Talvez a maturidade relacional não esteja apenas em compreender o outro. Ela também pode estar na coragem de se tornar compreensível, de mostrar suas possibilidades, limites, valores, seus “sim” e seus “não”.
Porque limites não são barreiras erguidas contra as pessoas. Limites são estruturas que ajudam as relações a permanecerem saudáveis. Eles não afastam quem deseja construir uma relação verdadeira. Ajudam, na verdade, a criar condições para que ela se sustente ao longo do tempo.
Ao final, talvez o desafio não seja aprender a dizer “não”. O desafio pode ser acreditar que uma relação saudável consegue sobreviver a ele, porque vínculos construídos apenas sobre concordâncias são frágeis.
Já aqueles que conseguem acolher diferenças, necessidades e limites têm mais chances de permanecer. Afinal, relações maduras não exigem que alguém desapareça para que o outro permaneça.
E a pergunta que fica de reflexão para esta nossa conversa hoje é:
Quais limites você já reconheceu internamente, mas ainda não encontrou coragem para transformar em diálogo?
Porque, muitas vezes, a conversa mais importante para fortalecer uma relação é justamente aquela que nos ajuda a permanecer inteiros dentro dela.
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Até breve!
Angela Passadori
http://facebook.com/angelapassadori
https://www.linkedin.com/in/angelapassadori/
Confira também: Nem Todo Silêncio é Paz: Quando o Silenciamento Vira Exaustão Emocional
Palavras-chave: conversa segura, limites, relações, relação, verdade, necessidades, conversas seguras, espaço para a verdade, relação saudável, maturidade relacional, cansaço emocional, estabelecer limites
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O Papel da Liderança no Desenvolvimento das Pessoas na Era de IA
Vivemos em um mundo em que a IA está transformando os negócios, a tomada de decisão e a força de trabalho. Mais do que um bom letramento, precisamos observar a nossa mentalidade e saber fazer as perguntas certas, com pensamento crítico, para compreender se, de fato, estamos agregando valor ao negócio.
Diante de tantas nuances, qual o papel do líder no desenvolvimento das pessoas na era de IA?
O papel da liderança é menos sobre execução e mais sobre influência. É traduzir sentido e direção por meio de uma tomada de decisão assertiva, alinhada ao propósito da organização, e da sensibilidade de criar e fortalecer conexões autênticas com as pessoas.
Observar a organização como um sistema é fundamental para você não olhar apenas para a sua área e ficar na sua bolha, mas ampliar o repertório para um networking estratégico e colaborar sistemicamente.
Precisamos provocar os times a utilizarem as ferramentas de IA como aliadas estratégicas na condução dos projetos. Mas muitos colaboradores têm medo de que seu trabalho seja substituído. É fundamental criar um ambiente de segurança psicológica para que seu time aprenda a confiar nas ferramentas de IA para delegar tarefas e saiba, de forma pragmática, tirar o melhor da IA.
Mas como ensinar o colaborador a confiar se nós, líderes, atuamos com comando e controle, com alta execução na operação?
Torna-se essencial começar por nós mesmos a gerar confiança nas pessoas. É nosso papel inspirar, ensinar, potencializar skills técnicas e, acima de tudo, comportamentais. É nosso papel saber ter uma comunicação assertiva e humana para também ouvir provocações, ideias diferentes e discordâncias. Como inovar se não estamos abertos a ouvir?
Traduzir senso de pertencimento, direção e estratégia exige uma habilidade que a IA não pode desenvolver por você: conexão. Conectar-se significa saber ser vulnerável, ter reciprocidade na conversa e manter estado de presença.
Resultados são a consequência de trocas maduras, clareza e tomada de decisão.
Que possamos compreender a potência que temos em nosso papel de liderança ao criar rituais em que não apenas seu colaborador esteja no centro, mas você também o desenvolva para confiar, experimentar, analisar, agir e conduzir futuras lideranças.
Esse é o legado que você cria. E qual você quer deixar? Que valor você tem gerado para seu time nos últimos meses por meio da sua liderança? Não são o tempo de casa, o cargo ou a autoridade que geram valor, mas o quanto nos importamos, de fato, com as pessoas.
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Quer saber mais sobre como a liderança pode desenvolver pessoas com mais confiança, conexão e propósito na era de IA? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Aline Gomes
alinegomes@alimonada.com.br
http://www.linkedin.com/in/alinecgomes/
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BPs de RH e as Habilidades Necessárias em um Cenário em Transformação
O papel do Business Partner de Recursos Humanos (BP de RH) vem passando por uma das maiores transformações de sua história. Se antes a função era predominantemente voltada ao suporte às lideranças e à execução de processos de gestão de pessoas, hoje exige uma atuação estratégica, consultiva bem como orientada para resultados de negócio.
As organizações enfrentam um ambiente marcado por mudanças aceleradas, avanços tecnológicos, inteligência artificial, novas relações de trabalho, diversidade geracional e, além disso, demandas crescentes por produtividade e inovação. Nesse contexto, o BP de RH deixou de ser apenas um intermediador entre RH e gestores para se tornar um agente de transformação organizacional.
Para que um BP de RH possa atuar de forma efetiva nesse cenário, algumas habilidades tornaram-se indispensáveis:
A primeira delas é a visão estratégica do negócio. O profissional precisa compreender indicadores financeiros, metas corporativas, desafios de mercado e impactos das decisões sobre os resultados da empresa. Quanto maior a compreensão do negócio, então maior será sua capacidade de influenciar decisões e gerar valor.
Outra competência essencial é a influência sem autoridade formal. O BP frequentemente precisa conduzir mudanças, desafiar comportamentos e orientar lideranças sem possuir poder hierárquico direto. Isso exige credibilidade, capacidade de argumentação, bem como a construção de relacionamentos sólidos.
A comunicação estratégica também ganha destaque. Não basta dominar conceitos de RH; é necessário traduzi-los para a linguagem dos gestores, conectando pessoas, desempenho e resultados. Além disso, a capacidade de realizar conversas difíceis, fornecer feedbacks assertivos e conduzir negociações torna-se um diferencial competitivo.
O uso de dados e People Analytics passou a ser uma habilidade crítica. Organizações cada vez mais orientadas por evidências esperam que os BPs utilizem indicadores para apoiar decisões relacionadas a turnover, engajamento, desempenho, sucessão e produtividade. O profissional moderno precisa transformar dados em insights capazes de orientar decisões estratégicas.
A gestão da mudança também ocupa papel central. Transformações organizacionais, fusões, reestruturações e a adoção de novas tecnologias exigem profissionais preparados para apoiar líderes e equipes durante períodos de adaptação. O BP atua como facilitador desse processo, buscando reduzir resistências e fortalecer assim o alinhamento organizacional.
Por fim, destaca-se a inteligência emocional. Em um ambiente com constantes pressões e incertezas, a capacidade de lidar com conflitos, compreender diferentes perspectivas e manter equilíbrio emocional tornou-se fundamental para o sucesso da função.
O futuro dos BPs de RH será cada vez mais conectado à estratégia empresarial.
Aqueles que desenvolverem competências para o negócio, influência, análise de dados, comunicação e gestão da mudança estarão mais preparados para assumir posições de protagonismo.
Mais do que especialistas em pessoas, serão parceiros estratégicos capazes de impulsionar resultados sustentáveis e contribuir diretamente para a competitividade das organizações.
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Quer saber mais sobre como os BPs de RH podem desenvolver habilidades estratégicas e assumir mais protagonismo nas organizações? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em falar sobre este tema.
Fátima Farias
https://www.linkedin.com/in/f%C3%A1tima-farias-b1a71214/
Confira também: Por Que Ainda Há Dificuldade de Alguns BPs de RH Conquistarem Seu Espaço de Influência?
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“O problema não é o problema.
O problema é sua atitude com relação ao problema.”
(Kelly Young)
Hoje, a tristeza me visitou. Tocou a campainha, subiu as escadas, bateu à porta e entrou. Não ofereci resistência. Houve um tempo em que eu fazia o impossível para evitá-la adentrar os meus domínios. E quando isso acontecia, discutíamos demoradamente. Era uma experiência desgastante. Aprendi que o melhor a fazer é deixá-la seguir seu curso. Agora, sequer dialogamos. Ela entra, senta-se na sala de estar, sirvo-lhe uma bebida qualquer, apresento-lhe a televisão e a esqueço! Quando me dou por conta, o recinto está vazio. Ela partiu, sem arroubos e sem deixar rastros. Cumpriu sua missão sem afetar minha vida.
Hoje, a doença também me visitou. Mas esta tem outros métodos. E outros propósitos. Chegou sem pedir licença, invadindo o ambiente. Instalou-se em minha garganta e foi ter com minhas amígdalas. A prescrição é sempre a mesma: Amoxicilina e Paracetamol. Faço uso destes medicamentos e sinto-me absolutamente prostrado! Acho que é por isso que os chamam de antibióticos. Porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida…
Hoje, problemas do passado também me visitaram. Não vieram pelo telefone porque palavras pronunciadas ativam as emoções apenas no momento e, depois, perdem-se difusas, levadas pela brisa. Vieram pelo correio, impressos em papel e letras de baixa qualidade, anunciando sua perenidade, sua condição de fantasmas eternos até que sejam exorcizados.
Diante deste quadro, não há como deixar de sentir-se apequenado nestes momentos. O mundo ao redor parece conspirar contra o bem, a estabilidade e o equilíbrio que tanto se persegue. O desânimo comparece estampado em ombros arqueados e olhos sem brilho, que pedem para derramar lágrimas de alívio. Então, choro. E o faço porque Maurice Druon ensinou-me, através de seu inocente Tistu, que se você não chora, as lágrimas endurecem no peito e o coração fica duro.
Limão e limonada
As ciências humanas estão sempre tomando emprestado das exatas, termos e conceitos. A última novidade vem da física e atende pelo nome de resiliência. Significa resistência ao choque ou a propriedade pela qual a energia potencial armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo.
Em humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo isso através de um dito popular, é fazer de cada limão, ou seja, de cada contrariedade que a vida nos apresenta, uma limonada saborosa, refrescante e agradável.
Aprendi que pouco adianta brigar com problemas. É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E com rapidez, de maneira certa ou errada. Problemas são como bebês, só crescem se alimentados. Muitos se resolvem por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma inadequada, eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você os anula com correção. A felicidade, pontuou Michael Jansen, não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados.
Aprendi a combater as doenças. As do corpo e as da mente. Percebê-las, identificá-las, respeitá-las e aniquilá-las. Muitas decorrem menos do que nos falta e mais do mau uso que fazemos do que temos. E a velocidade é tudo neste combate. Agir rápido é a palavra de ordem. Melhor do que ser preventivo é ser preditivo.
Aprendi a aceitar a tristeza. Não o ano todo, mas apenas um dia, à luz dos ensinamentos de Victor Hugo. O poeta dizia que “tristeza não tem fim, felicidade, sim”. Porém, discordo. Penso que os dois são finitos. E cíclicos. O segredo é contemplar as pequenas alegrias em vez de aguardar a grande felicidade. Uma alegria destrói cem tristezas…
Modismo ou não, tornei-me resiliente. A palavra em si pode cair no ostracismo, mas terá servido para ilustrar minha atitude cultivada ao longo dos anos diante das dificuldades impostas ou autoimpostas que enfrentei pelo caminho, transformando desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculos em oportunidades, tristeza em alegria.
Nós apreciamos o calor porque já sentimos o frio. Admiramos a luz porque já estivemos no escuro. Contemplamos a saúde porque já fomos enfermos. Podemos, pois, experimentar a felicidade porque já conhecemos a tristeza.
Olhe para o céu, agora! Se é dia, o sol brilha e aquece. Se é noite, a lua ilumina e abraça. E assim será novamente amanhã. E assim é feita a vida.
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Nesta semana que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, gostaria de dizer para todas as Mulheres uma coisa muito importante:
Seu sucesso na vida pessoal e/ou profissional, sua felicidade, sua prosperidade e bem-estar na vida só depende de uma pessoa. Sabe quem é? Você mesma.
E falo mais. Seu sucesso será mais fácil e forte se você Mulher lembrar em ser você mesma. Ou seja, Ser a Mulher que você sempre foi e será.
Esta última afirmação já falei muitas vezes para minhas clientes de Coaching Holístico que buscam Sucesso em algum ponto da vida pessoal e profissional.
Para quem ainda não sabe o que é Coaching, vou explicar agora. Entre muitas definições as que mais eu gosto são:
- Orientar uma pessoa a fazer a travessia entre um ponto ao outro até alcançar sua meta pessoal e/ou profissional com sucesso;
- Coaching é uma assessoria e processo que geram motivação pessoal e profissional, e que tem como objetivo potencializar o nível de resultados positivos nas diversas áreas da vida de um cliente para alcançar uma meta ou objetivo com sucesso.
E o que é Coaching Holístico? Coaching Holístico – Processo para Seu Sucesso na Vida e Concretização das suas Metas. O cliente vai se conhecer melhor, olhar para si, sua vida e descobrir seu potencial adormecido. Vai melhorar sua autoestima e ter mais autoconfiança. Tem Dificuldade em vencer? Pelo Coaching Holístico iremos desbloquear o que atrapalha e mudar Padrões Mentais para Vencer.
Este é o ponto chave do inicio do Sucesso de qualquer pessoa: Padrões Mentais. Quem acredita que é um fracasso, que não vai vencer na vida ou que não merece ter sucesso nas metas ou sonhos, tenha certeza que nada vai mesmo ocorrer de bom na vida. O Sucesso vai passar bem longe destas pessoas.
Agora imagine uma mulher que desde pequena é “esmagada” pela família e sociedade a sufocar sua força, a matar sua arte e beleza, para não acreditar em si e nas suas qualidades e habilidades para realizar.
Já atendi moças que acreditam que não merecem um amor porque alguém falou que ela é feia ou amor só faz mal. Como vão amar se não têm uma boa energia sobre o amor? Como amar se sua autoestima foi chutada? Só vai amar se mudar, acreditar que pode e merece amar. E que ela é uma super mulher.
O mesmo ocorre com a realização de outras metas pessoais e profissionais. Se uma pessoa foi condicionada a sempre pensar que é inferior, incapaz ou que não merece ser feliz ou prosperar, com certeza vai sofrer para conseguir. Imagine uma mulher que no geral é mais sufocada.
Ainda bem que tem solução. É um pouco demorado, varia de pessoa para pessoa, mas tem que trabalhar, treinar e movimentar-se para mudar padrões e condicionamento mental e energético.
Mas, é possível e já vi milagres.
Qual é o primeiro passo? Acreditar em Você. Acreditar na pessoa poderosa que há dentro de você.
Acreditar na Mulher que há dentro de você.
Sucesso e Feliz Dia da Mulher!
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A Copa do Mundo acabou. A seleção alemã com sua organização, futebol bonito e muita técnica, merecidamente, levou o caneco. É tetracampeã.
E a nossa Seleção Canarinho? Que papelão! Desde o início da Copa, nos quatro cantos deste Brasil, todos falavam que era forte candidata a ser hexacampeã. E por que todos acreditavam nisto? Porque jogava em casa, tinha apoio da torcida brasileira, a mídia falava que era a melhor seleção, tinha uma comissão técnica com dois técnicos que venceram Copas Mundiais (Parreira em 1994 e Felipão em 2002) e o clima ajudava.
Mas o que vimos foi um total fiasco e uma humilhante goleada histórica por 7×1 para os alemães na semifinal da Copa.
Enfim, perdemos a Copa e ficamos em quarto lugar após perder para a Holanda na disputa pelo terceiro lugar. E agora? Como diz o poema de Carlos Drummond de Andrade:
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?(Carlos Drummond de Andrade)
E agora, Seleção Brasileira? Agora é hora de mudanças. E mudanças drásticas e profundas na filosofia e na organização.
A CBF terá que ter coragem de assumir sua culpa no fracasso e incompetência administrativa na condução da Seleção Canarinho na Copa. A CBF e o novo técnico terão que ter coragem de fazer mudanças drásticas na nova Seleção Brasileira daqui para frente. Podem e devem seguir o ótimo exemplo que viveu a seleção alemã no final dos anos 90. Após fiascos seguidos, a Confederação Alemã de Futebol chegou à conclusão de que era hora de mudar tudo. Mudanças drásticas foram implantadas. Bancaram com coragem um técnico permanente nos últimos 10 anos que, com um grupo de jogadores com uma nova cabeça, união e humildade, deram um Show na Copa do Brasil e levaram o Caneco.
Mudança requer determinação. Mudanças drásticas requerem também muita coragem, pois haverá muita resistência das pessoas que já estão na zona de conforto ou que não aceitam que está tudo errado na vida ou no jogo.
Quer ver um exemplo recente? A entrevista da Comissão Técnica da Seleção Canarinho após o vexame de 7×1. Para Felipão e Parreira, nada estava errado na preparação da Seleção Brasileira. O problema foi um apagão geral do time todo que o levou a tomar 4 gols em 6 minutos.
Pois é Felipão, não houve problema algum no seu trabalho. Foi só um apagão que custou um vexame histórico e 200 milhões de brasileiros frustrados.
Como dizem, “o pior cego é o que não quer ver”. Ou “errar é humano, persistir no erro é ser Felipão”, teimoso e arrogante. Não assume os erros e afunda a emoção de milhares de pessoas.
Mas a Copa acabou e a CBF já começou as mudanças. Adeus comissão técnica fracassada. Vida e esperanças novas.
Espero que agora façam mais. Que tenham a coragem de fazer mudanças drásticas em tudo ligado a futebol.
E você? Está com coragem de fazer mudanças drásticas na sua vida pessoal ou profissional?
Ou vai ficar chorando e dando desculpas para que sua vida seja um fracasso ou cheia de frustrações?
Chega de Síndrome de Felipão, né?
Seu lema hoje: “Mudanças já e com coragem para ser feliz”.
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Frequentemente as mudanças acontecem na vida da gente. Em algumas vezes, estamos preparados para elas, em outras elas representam uma grande surpresa. Por vezes, desejamos a mudança, vislumbrando uma nova oportunidade em nossa vida. Acontece também de não as desejarmos, pois estamos felizes com as coisas do jeito que estão. Mas as mudanças acontecem, quer queiramos ou não…
Quando buscamos algo melhor, costumo dizer que estamos criando a mudança, pois estamos não só indo atrás dela, como desejamos que coisas melhores ocorram. Nesta hora, dizemos que a mudança é positiva e bem-vinda.
Mas existe também aquela mudança que você não deseja. Tudo estava bem do jeito que estava, por que mudar agora? Nesta hora criamos resistências, não aceitamos a oportunidade que a vida nos dá para novos desafios. Reclamamos e amaldiçoamos pelo que nos acontece.
Pessoas proativas são as que criam as mudanças, vislumbram novas oportunidades, desejam sempre mais, porque sabem que estão em constante crescimento e aprendizado. Pessoas acomodadas se comportam como árvores, não saem dos seus lugares, esperam que tudo ocorra como desejam ou que tudo se mantenha exatamente como está.
Se você se identificou com o segundo tipo, aqui vai uma reflexão: você não é uma árvore… você não nasceu com raízes que lhe impossibilitam de mudar de lugar. Você também pode dizer que não nasceu com asas, que te possibilitariam voar, mas eu diria que você nasceu com algo melhor do que asas: inteligência e criatividade. Faça por merecer a inteligência que tem e saiba reconhecer quando é hora de mudar.
Nosso mundo é dinâmico, nada é estático. Já dizia Heráclito: “Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio”. Claro! O rio não é o mesmo… nós também não somos! Creio que hoje somos melhores que ontem, piores do que amanhã. E assim prossegue o rio da vida, propiciando mudanças para que tenhamos – todos os dias – novas oportunidades, novos olhares, novos aromas, novas experiências. Saia do lugar! Você não é uma árvore…
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Responda rápido a minha pergunta:
– De zero a 100% qual é o seu grau de comprometimento em ler este artigo até o final?
Estranha a pergunta? Para quem é Coach ou faz sessões de Coaching esta pergunta é corriqueira. Toda vez que atendo um cliente de Coaching Holístico e definimos uma meta ou tarefa, sempre fecho a sessão com esta pergunta:
– Qual é o seu grau de comprometimento em realizar esta tarefa ou meta?
Em geral o cliente responde 100%. Só que nem sempre isto ocorre. Nem sempre o cliente se compromete 100% em executar a tarefa ou meta.
Um dos maiores problemas de uma pessoa que faz Coaching é a falta de comprometimento. É mais fácil dar desculpas do que tentar cumprir o que se comprometeu.
E falta de comprometimento não é só no Coaching que ocorre. No dia a dia de qualquer empresa os funcionários nunca cumprem o que prometem e se comprometem. É uma total falta de responsabilidade, profissionalismo e até de caráter da pessoa.
Sua atitude vai prejudicar a empresa, seus colegas de trabalho e a si mesmo. Aí perde o emprego e reclama.
E o que falar de pessoas no nosso dia a dia que prometem algo para alguém ou para si mesmo e não cumprem. Cadê o comprometimento, gente?
Falta de comprometimento na via profissional e pessoal é um péssimo hábito. Quem não tem comprometimento leva a “vida na flauta” ou “seja o que Deus quiser”.
O cliente senta na minha frente na sessão de Coaching, fala que quer ter sucesso na vida, jura 100% de comprometimento e falta na sessão seguinte dizendo que tem outro compromisso importante.
Compromisso importante? E os 100% de comprometimento que ele “juramentou” com ele próprio em alcançar sucesso? Não é mais importante?
Parece que não. Estas pessoas que não cumprem o que falam, acham que estão enganando seu Coach, seu chefe ou sua própria vida.
Na verdade esta pessoa que não cumpre nem 1% do que se compromete, está enganado a si próprio. Está perdendo seu tempo e não o meu.
Você que não cumpre o que promete ou se compromete, fica aqui um recado para refletir:
Não cumpre o que promete, não avança, não vence e não conquista.
Para ajudar, significado de Comprometimento:
“Esta é uma atitude que poderíamos definir como algo de cunho moral, afinal, literalmente, remete ao cumprimento de um tratado, um pacto firmado.
Significa “honrar a palavra empenhada”. O comprometimento está vinculado ao clima organizacional, à cultura e aos valores da empresa. As pessoas estão dispostas a lutar por aquilo em que acreditam, seja no plano profissional ou pessoal. E lutam pela verdade!
Há uma relação íntima entre esta competência e a capacidade de estabelecer e cumprir metas. E esta relação está presente na própria palavra.
É por ai. Boa semana!
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Você já parou para pensar a força que estas duas palavras possuem? Bom Dia e Obrigado.
Palavras simples, óbvias, porém em muitos momentos esquecidas pelo corre-corre da falta de tempo, pelo mau humor que nos atinge, pelo status que faz acreditar que não se faz necessário ou pelo simples hábito de não se utilizar no vocabulário.
Certa vez ouvi em um treinamento de liderança: como você gostaria de ser liderado? E para minha surpresa: com um bom dia e um muito obrigado. E comecei a pensar.
Será que somente na gestão gostaríamos de ouvir estas palavras?
Quem não gostaria de ouvir pela manhã este simples gesto ou num momento que está desmotivado um obrigado por um trabalho realizado?
A palavra bom dia abre portas, pode ser o início de uma conversa difícil; quebrar o gelo num momento de nervoso, despertar o sorriso nos mais contagiantes, demonstrar respeito ao próximo e principalmente celebrar a oportunidade de um novo dia, cheio de desafios, atividades a serem desenvolvidas, pessoas a conhecer, negociações a vencer. Oferece uma palavra positiva para você e para quem ouve, transmitindo pensamentos positivos.
Pode parecer longe demais, mas e se nós realmente ao dizermos esta simples palavra, buscássemos ter o nosso Bom dia?
Onde você conhecendo seus valores, desejos e objetivos gera uma atitude consciente para que consiga o resultado esperado. Que possa vencer o medo, a desmotivação, a baixa estima e quebrar barreiras, obstáculos na comunicação, relacionamentos e descubra caminhos efetivos de atingir o sucesso e por que não a felicidade tão sonhada?
Pense nisso e se permita a realmente ter um bom dia.
A palavra obrigado tem significados interessantes segundo o dicionário: ser obrigado a fazer, obrigar por lei, ser grato, reagir a algo correspondido.
Palavra igualmente simples, mas difícil de ser dita por aqueles que justamente se sentem na obrigação de fazê-lo, mas nobre e cheia de ternura, gratidão e reconhecimento por quem diz e recebe.
Um feedback por algo, dar-lhe a vez, agradecer um trabalho, um presente, uma parceria ou um simples objeto que foi entregue, uma porta aberta. O poder do obrigado nos renova as energias, aumenta a motivação, estima, trabalho em equipe e comprometimento.
O obrigado é um gesto de reconhecimento, retorno positivo que se está no caminho certo, de um trabalho bem feito, de um apoio sincero, de uma ajuda para alguém que precisa carregar sua mala, segurar o elevador ou passar simplesmente o sal.
Reforça comportamentos; gera sinergia e cumplicidade.
Que possamos falar obrigada sem a obrigação social, mas dar ao outro o direito de gentileza e valor por um gesto, atitude ou trabalho.
Bom dia e obrigado. Que possam ser um oxigênio. Não tem o hábito? Dê o primeiro passo. Diga para você mesmo, pois este é o maior sentido para despertar para o outro.
Diga a você mesmo o quanto acredita em si e é capaz de buscar seus sonhos e metas; o quanto é grato por sua vida, carreira, família.
Que estas palavras não sejam apenas etiquetas profissionais mas façam parte de seu cotidiano para que ao despertar de um novo dia você tenha bons momentos e possa ser grato pelas conquistas feitas por você e pelos outros.
Pense nisso.
Te desejo um bom dia e obrigada.
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É aquela coisa que você já sabe que tem que fazer e não faz. É uma decisão que não toma, um trabalho que não termina, um projeto que não entrega, uma conversa que não rola nunca por que você não toma a iniciativa.
Aí você procura por ajuda, porque sabe que tem alguma coisa errada com isso. Sabe que não é o seu normal, mesmo que nem consiga ver isso com clareza. Você provavelmente dá um Google, pega um livro, conversa com alguém ou mesmo tira um tarô para ver o que dizem e invariavelmente você recebe o mesmo veredicto: “pare de procrastinar para ter sucesso, para conseguir o que você quer. Assuma as rédeas da sua vida, você tem condições, basta querer.”
E aí é que podemos perder uma chance de ouro, a de nos conhecermos melhor e efetivamente dar o salto [quântico] rumo a nós mesmos. Explico: quando vejo, na prática do Coaching, que as pessoas estão procrastinando, eu não falo para elas “superarem” esse problema. Ao contrário, eu sugiro que a gente acolha, pare e olhe para isso que está acontecendo. Vamos entender o que essa lentidão momentânea e consciente tem a dizer, que notícias ela traz desse momento da vida daquela pessoa.
Geralmente a procrastinação é um sintoma. É a ponta do iceberg. Ele traz muitas coisas consigo, que vão além da superfície. O que eu mais vejo na minha prática profissional tem a ver com medo, autossabotagem, insegurança, baixa autoestima, angústia, bloqueio criativo, falta de sentido ou de tesão, incapacidade de assumir o que se quer, entre outras coisas. Cada um desses tópicos merece um texto, ou melhor, um livro em si, então não vamos nos aprofundar agora, certo?
O que eu quero é sugerir que você pare e reflita a respeito do que faz você procrastinar. E busque entender o que esse sintoma está querendo te dizer. Essa é uma maneira muito potente de ir mais fundo e se ouvir, buscar sua verdade e aceitá-la. Acolher o seu momento é a melhor forma de sair dele, como já falei no texto sobre o limbo.
Proponho uma atividade para lhe ajudar nessa reflexão.
Separe um tempo para você, de preferência sozinho e sem interrupções, de aproximadamente 30 a 50 minutos. Procure estar num lugar confortável e, se possível, feche os olhos, respirando profundamente umas 3 vezes ou até conseguir deixar os pensamentos mais quietos, as preocupações de lado…
Então, com o auxílio de papel e caneta ou outro meio que você escolher, comece a atividade:
1º passo: Responda em quais situações específicas da minha vida estou procrastinando agora?
Escreva de maneira sucinta e precisa, como por exemplo: não terminei o projeto X. Não comecei a fazer ginástica. Estou usando muito tempo para fazer tarefa Y. Não estou conseguindo terminar tal coisa. Estou adiando a conversa com fulano.
2º passo: Depois olhe para essas situações que você escreveu e as leia com compaixão. Procure simplesmente aceitá-las, contemplá-las, sem julgá-las. Sei que é difícil não julgar, mas ao menos tente.
Ao observar essas situações, procure apenas abrir espaço para que elas mesmas te digam coisas.
3º passo: Se for o caso, pergunte-se: o que essa situação quer me dizer? O que há aqui, além da superfície? O que eu estou deixando de fazer de verdade? O que está por trás dessa procrastinação que eu não estou querendo ou podendo ver?
4º passo: Veja quais fichas caem, se caem, o que surge. Aceite o que veio, agradeça e só. Guarde tudo e retome sua vida. Se for dormir, boa noite. Se for voltar ao trabalho, bom trabalho. NÃO mexa mais no exercício.
5º passo: Após alguns dias (de 3 a 5 dias), volte ao que você anotou. Novamente observe as situações de procrastinação. Veja se algumas delas você já pode mexer e realizar. Anote as ações que têm que ser feitas.
6º passo: Faça.
Como sempre, quero saber o que surgiu para você, ao ler esse texto. Caíram fichas? Nada rolou? Tá valendo. Compartilhe aqui.
E você já sabe. Qualquer coisa, estou por aqui.
Com amor e com alma,
Karinna
PS: Se você acha que este artigo pode beneficiar alguém, por favor, encaminhe agora para essa pessoa.
PS2: Eu, claro, adoraria que você espalhasse meu artigo por aí, nas suas redes. Assim mais gente curte e compartilha com quem precisa.
Obrigada!
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Eu tenho a mais absoluta certeza de que a grande parte dos leitores já ouviu falar sobre a Inteligência Emocional. Aliás, provavelmente, haverá até especialistas e professores na disciplina cuja fundamentação teórica nos remete a Charles Darwin. O que a maioria também sabe está no fato de que a popularização do assunto surgiu quando, há vinte anos, Daniel Goleman publicou um best-seller a respeito. Mas será que a inteligência emocional se confunde com a Inteligência Espiritual? E você, o que pensa a respeito?
Para começo de conversa, deve-se lembrar que o conceito de “inteligência” é algo sobre o que não há unanimidade. A depender da corrente de estudos, esse conceito (que na linguagem dos estudiosos chama-se constructo) terá diferentes interpretações e o pesquisador deve indicar qual a ênfase e abordagem mais adequada ao seu objetivo de momento. Neste nosso caso, vamos nos vincular ao conceito etimológico de que a “inteligência” é a capacidade de identificar as opções, processá-las e decidir por aquela mais conveniente em um dado problema ou situação. Agora, vou tirar o foco da mera conceituação de “inteligência” para tratar do tema ampliado: Inteligência Espiritual.
O estudo da importância da espiritualidade tem crescido bastante, a ponto de haver profissionais da área de saúde que indicam haver alta relação entre a prática espiritual com a saúde mental das pessoas. E aqui surge a necessidade de se fazer outra distinção, pois espiritualidade não é o mesmo que religiosidade. Esta última diz respeito à prática da relação da pessoa com Deus, em que há um sistema de rituais ou simbolismos presentes. A espiritualidade, porém, volta-se à dimensão pessoal que diz respeito à própria existência, uma relação com a consciência sem que haja necessariamente rituais ou símbolos. Ou seja, a espiritualidade diz respeito a atitudes, sentimentos e pensamentos superiores que levam ao crescimento (amadurecimento) do ser humano. A prática da religião pode apoiar a espiritualidade, mas esta vai além.
Voltando ao tema central, vamos nos basear nos estudos e propostas da física e filósofa americana Danah Zohar, ligada a importantes centros de pensamento, nos EUA e Europa. Tendo como linha de pesquisa a física quântica, sobre Inteligência Espiritual ela relata ser algo essencial para promover a cooperação entre as pessoas, tanto na família como em sociedade. Indo além, ela entende que é a Inteligência Espiritual que ajudará as pessoas a alcançarem soluções positivas para o planeta, além de criar um melhor encontro individual nessa caminhada, ao descobrir melhor a si mesmo e aos seus valores. O alto quociente espiritual faz a pessoa ter a vida mais criativa, promissora e com sentido, com identificação do propósito pessoal.
Em seu livro Inteligência Espiritual (Editora: Viva Livros; 2012), escrito com Ian Marshall, Danah comenta que a inteligência emocional faz a pessoa ter capacidade de julgar em que situação se encontra e como deve se comportar, adequadamente, nos limites dessa situação. A Inteligência Espiritual estimula a pessoa a se perguntar se ela deseja estar nessa situação em particular e como é a melhor forma de trabalhar com os limites da situação. Em seu livro ela comenta de dez atributos típicos que mostram quando a pessoa tem um elevado quociente de Inteligência Espiritual.
As características comuns de quem tem alta Inteligência Espiritual são assim resumidas: (1) Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo; (2) São idealistas e levadas por valores pessoais; (3) Têm capacidade de encarar e se apropriar positivamente da adversidade; (4) São holísticas, no sentido de que conseguem ter visão abrangente sobre cada situação (analisam as partes e entendem o todo); (5) Respeitam a diversidade (em todas as nuances de diferenças entre pessoas, sem preconceitos); (6) Preservam sua independência e arbítrio; (7) Perguntam sempre “por quê?”, como forma de se questionarem quanto aos próprios dogmas e crenças limitantes; (8) Têm capacidade de colocar as situações e os fatos em um contexto ampliado; (9) São espontâneas e verdadeiras, e; (10) Têm compaixão, conseguindo se colocar no lugar das pessoas que estão com dores ou problemas, viabilizando ajudá-las.
E então, como está o seu grau de Inteligência Espiritual? Agora, fica o convite à sua reflexão e … Boa sorte!
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