Um Everest para Chamar de Seu: Descubra Seu Desafio Pessoal
Olá!
Nesta semana, três amigos meus, Cris, Walter e Cleide, concluíram o Caminho de Santiago de Compostela. Todos com mais de 55 anos.
Acompanhei à distância algumas imagens, relatos, quilômetros percorridos e, finalmente, a chegada. É difícil não admirar. Mas, talvez por deformação profissional, enquanto muita gente enxergava a conquista, fiquei curioso com outra coisa: por que alguém que já passou dos 55 anos, depois de enfrentar trabalho, família, contas, perdas, conquistas, alegrias, frustrações e tudo aquilo que uma vida razoavelmente longa oferece e cobra, decide colocar uma mochila nas costas e caminhar centenas de quilômetros?
Ninguém os obrigou. Não havia promoção esperando na chegada, nenhum cliente condicionou um contrato à apresentação da Compostela e nenhum chefe estabeleceu aquela meta no planejamento anual. Eles simplesmente decidiram ir.
Pensando nisso, comecei a olhar para minha biblioteca. Tenho livros de Amyr Klink, Tamara Klink, da família Schurmann e de Izabel Pimentel. Pessoas diferentes que, em algum momento, decidiram atravessar oceanos, viver experiências incomuns ou fazer alguma coisa pela primeira vez.
Tenho também um amigo, Rogério Lima, que decidiu conhecer pessoalmente as sete maravilhas do mundo. E conheço Claudia Franco, fundadora da Ciclofemini, uma escola de bicicleta para mulheres. A história dela é particularmente interessante: Claudia praticamente nada sabia sobre bicicletas, comprou uma, aprendeu a pedalar e depois atravessou as Américas de bicicleta.
Há algo em comum nessas histórias: em determinado momento, essas pessoas decidiram voluntariamente tornar a própria vida mais difícil.
Passamos boa parte da existência tentando fazer justamente o contrário. Trabalhamos para conquistar conforto, economizamos tempo, automatizamos tarefas, construímos segurança, tentamos reduzir incertezas e evitar riscos desnecessários. Até que algumas pessoas olham para uma estrada, um oceano, uma montanha, uma bicicleta ou qualquer outra coisa suficientemente difícil e pensam: “Eu quero fazer isso.”
Passei a chamar essas coisas de nossos Everests pessoais.
Evidentemente, não estou falando necessariamente de montanhas. O Everest de uma pessoa pode parecer absolutamente banal para outra. Correr cinco quilômetros pode não representar nada para quem completa maratonas e ser uma conquista gigantesca para alguém que nunca conseguiu correr quinhentos metros. Viajar sozinho pode ser rotina para alguns e assustador para outros. Escrever um livro, voltar a estudar ou aprender uma nova habilidade pode cumprir a mesma função.
Talvez o tamanho do nosso Everest não deva ser medido pela altura da montanha, mas pela distância entre os comportamentos que temos hoje e aqueles que precisaremos construir para chegar ao cume.
E aqui a conversa começa a ficar mais interessante, porque não há virtude alguma em tornar a vida mais difícil. Sofrimento não melhora necessariamente ninguém, assim como dificuldade, por si só, não produz crescimento. Há experiências que ensinam e outras que simplesmente machucam. Não se trata daquela conhecida romantização da superação, como se bastasse sofrer bastante para sair do outro lado sendo uma pessoa melhor.
O valor do Everest pessoal está em outro lugar
Na maior parte da vida, o ambiente nos apresenta desafios e precisamos produzir comportamentos para enfrentá-los. O emprego, a família, o mercado, os relacionamentos e a própria sobrevivência nos exigem respostas.
No Everest pessoal acontece algo diferente: nós escolhemos o desafio.
Ao fazer essa escolha, criamos deliberadamente um ambiente que passará a exigir comportamentos que talvez ainda não estejam disponíveis em nosso repertório.
Pense em Claudia e sua bicicleta. Entre a mulher que pouco sabia pedalar e aquela capaz de atravessar as Américas existiram milhares de comportamentos: aprender, treinar, planejar, corrigir erros, administrar recursos, enfrentar imprevistos, levantar e continuar, além de mudar decisões quando necessário.
Ela não precisava estar pronta para escolher aquele desafio. Foi o desafio escolhido que exigiu que ela ficasse pronta.
Talvez aconteça algo semelhante em Santiago. A pessoa que chega à Catedral não é exatamente aquela que iniciou a caminhada semanas antes. Não preciso romantizar dizendo que voltou “transformada”; talvez sim, talvez não. Mas algo objetivamente aconteceu durante o caminho.
Ela produziu comportamentos que talvez não produzisse antes, repetiu alguns deles centenas de vezes, abandonou outros que não funcionavam, tomou decisões cansada, administrou desconfortos, adaptou-se aos imprevistos e continuou mesmo quando desistir era uma alternativa perfeitamente possível.
Ao final, possui uma evidência que antes não possuía: eu fiz.
Talvez seja por isso que algumas conquistas tenham um valor tão particular na narrativa da nossa existência.
A psicologia há muito estuda como construímos significado sobre a própria trajetória. Conceitos como generatividade, percepção do tempo que ainda temos pela frente e construção da narrativa pessoal ajudam a compreender por que, especialmente à medida que amadurecemos, algumas perguntas parecem mudar.
Durante boa parte da vida, perguntamos: “O que ainda preciso conquistar?” Em algum momento, talvez comecemos a formular outra questão: “O que ainda quero ter vivido?”
É uma pergunta diferente e talvez seja dela que nasçam alguns Everests.
Nem todas as pessoas, porém, parecem se relacionar da mesma maneira com seus desafios. Algumas têm um Everest: escolhem algo difícil, preparam-se, fazem, chegam ao cume e guardam aquela conquista como uma página importante da própria história: “Pronto. Eu fiz.”
Outras parecem ter um Himalaia inteiro. Chegam ao cume, observam a paisagem, comemoram e, algum tempo depois, surge uma pergunta aparentemente inocente: “E agora?”
Para algumas pessoas, talvez nunca tenha sido realmente sobre chegar ao cume, mas sobre tornar-se alguém capaz de caminhar em direção a ele. E há uma diferença enorme entre essas duas coisas.
O cume é resultado e a caminhada é comportamento
Enquanto o resultado termina no momento em que é alcançado, os comportamentos construídos durante a caminhada passam a fazer parte do repertório daquela pessoa.
Talvez seja por isso que, para alguns, um Everest seja suficiente e, para outros, cada montanha revele outra. Não necessariamente porque queiram colecionar conquistas, mas porque descobriram algo sobre si mesmos durante o caminho: “Se fui capaz de me tornar isso, no que mais posso me transformar?”
Então pode surgir outra montanha, outro ambiente, outros comportamentos e outra caminhada. Um Himalaia.
Mas há um cuidado importante. Existe diferença entre continuar caminhando porque encontramos significado nessa construção e precisar permanentemente de uma nova montanha porque não sabemos quem somos quando estamos parados.
Há quem queira chegar, há quem queira continuar caminhando e talvez exista quem simplesmente não consiga parar.
Não cabe a mim dizer qual dessas relações é melhor. Inteligência Comportamental não consiste em estabelecer quais comportamentos todas as pessoas deveriam ter. Trata-se de compreender o ambiente, reconhecer objetivos, fazer escolhas conscientes, produzir comportamentos adequados a essas escolhas e observar os resultados.
Talvez a pergunta mais importante, portanto, não seja quantas montanhas você já escalou, mas por que escolheu escalá-las.
E existe ainda uma possibilidade que me fascina: talvez nosso Everest represente uma relação entre duas versões de nós mesmos. De um lado está quem reconheço ser hoje; do outro, quem imagino ser capaz de me tornar. Entre ambos existe um caminho.
Quando escolhemos um desafio suficientemente significativo, a pessoa que somos hoje começa a produzir os comportamentos capazes de construir aquela que ainda não existe.
Nesse sentido, talvez o verdadeiro Everest sejamos nós. O desafio cria o ambiente no qual, comportamento após comportamento, diminuímos a distância entre quem somos e quem podemos nos tornar.
Por isso, vale uma pergunta:
Você já pensou qual é o seu Everest pessoal?
Ele não precisa ser extraordinário aos olhos de ninguém nem render fotografias, livro, documentário ou postagem em rede social. Precisa fazer sentido para você.
Existe alguma coisa que gostaria de ter feito antes que sua história termine? Algo que ninguém esteja cobrando, que talvez não produza dinheiro, cargo ou reconhecimento, mas que, para realizar, exigiria comportamentos que hoje você ainda não produz?
Talvez sua montanha esteja aí.
Costumo fazer um exercício em algumas de minhas palestras.
Imagine que você morreu e, ao chegar ao paraíso, um anjo recebe você e diz:
“Nós lhe demos uma mente capaz de pensar, um corpo para agir, pessoas para apoiá-lo e pessoas para desafiá-lo. Demos algo em que acreditar e colocamos você em um mundo que tanto lhe ofereceu quanto lhe exigiu.
Você teve tempo, fez escolhas, acertou algumas, errou outras, caminhou, parou e recomeçou. Chegou a alguns lugares e desistiu de outros.”
Então o anjo olha para você e faz apenas uma pergunta:
Com tudo aquilo que lhe foi dado, qual foi sua obra de referência?
Pense nisso!
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Quer saber mais sobre como descobrir seu Everest pessoal, escolher desafios pessoais que realmente façam sentido e desenvolver novos comportamentos para construir a história que deseja viver? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até a próxima!
Edson Carli
https://inteligenciacomportamental.com
Confira também: Anticorpos Emocionais e Sua Importância para a Inteligência Comportamental
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Cada Um Escuta com a História que Tem (parte IV)
Dando continuidade à parte I, parte II e parte III deste tema, nesta última parte vamos explorar cinco movimentos práticos para ampliar a consciência sobre nossas interpretações, transformar padrões de comportamento e construir relações mais saudáveis, fortalecendo a autoliderança e o florescimento humano.
5 MOVIMENTOS PARA AMPLICAR A COMUNICAÇÃO E O FLORESCIMENTO
1. Reconheça o fato antes de construir a narrativa
Pergunte-se o que efetivamente aconteceu:
- Que palavras foram pronunciadas?
- Que comportamento pôde ser observado?
- O que é fato e o que é interpretação?
“Ela não respeita minha liderança” é uma conclusão. Assim como “Durante minha apresentação, ela me interrompeu quatro vezes” é uma observação.
Nomear o fato não elimina o sentimento, mas cria uma base mais segura para a conversa.
2. Observe o que a situação despertou em você
Além de perguntar o que o outro fez, investigue o que de fato foi ativado internamente:
- Medo de rejeição?
- Sensação de incompetência?
- Necessidade de aprovação?
- Raiva por não ser reconhecida?
- Desejo de controlar?
A pergunta não é apenas “por que essa pessoa fez isso?”, mas também “Por que isso me atravessou dessa maneira?”
3. Use suas forças de forma consciente
Identifique quais forças podem ajudá-la naquela situação:
- Coragem para conversar.
- Prudência para escolher o momento.
- Curiosidade para fazer perguntas.
- Integridade para sustentar valores.
- Inteligência social para compreender o contexto.
- Esperança para imaginar uma saída.
- Gentileza para preservar a dignidade.
A força certa, utilizada no momento certo, sem dúvida, amplia a qualidade da resposta.
4. Investigue antes de concluir
Quando possível, substitua a suposição por uma pergunta:
- “Quando você disse isso, o que quis comunicar?”
- “Como você recebeu minha fala?”
- “Percebi uma mudança em sua postura. Existe algo que precisamos conversar?”
Perguntar não reduz autoridade e pode impedir que decisões sejam tomadas com base em narrativas não verificadas.
5. Diferencie reparação de submissão
Reconhecer um impacto negativo não exige abandonar sua posição. Você pode, por exemplo, dizer:
“Minha decisão permanece, mas reconheço que a forma poderia ter sido mais cuidadosa.”
Pode rever a comunicação sem voltar atrás no limite, pedir desculpas por uma conduta sem pedir desculpas por existir, liderar ou ocupar espaço.
Reparar é assumir responsabilidade. Submeter-se é abandonar-se para evitar a desaprovação.
Cada um lê com os olhos que tem — inclusive nós
É fácil utilizar a frase de Leonardo Boff para explicar por que os outros nos interpretam de maneira equivocada.
Mais difícil é reconhecer que nós também lemos com os olhos que temos.
Nós também projetamos, transferimos, reagimos com base em feridas antigas bem como confundimos fatos com narrativas. Podemos ainda esperar que pessoas atuais reparem experiências passadas e interpretar silêncios, tons de voz e expressões a partir de nossos próprios filtros.
A consciência dessa limitação não nos enfraquece. Ela nos torna mais humildes e mais livres.
Meu ponto de vista é sempre a vista de um ponto.
Reconhecer essa limitação não torna todas as interpretações igualmente válidas nem significa que a verdade seja impossível. Apenas nos lembra que a realidade humana é complexa demais para caber inteiramente em uma única leitura.
Liderar exige convicção, mas também curiosidade. Posicionamento, mas também escuta. Confiança, mas também capacidade de rever. Exige ainda reconhecer a própria história sem torná-la uma prisão.
Entre compreender e florescer
A Psicanálise nos ensina que há mais em nossa escuta do que conseguimos perceber imediatamente, porque carregamos desejos, defesas, conflitos e repetições. A Psicologia Positiva, por sua vez, lembra que não somos formados apenas por essas marcas, mas também por forças, valores, esperança e pela capacidade de construir vínculos, produzir sentido e realizar.
Enquanto uma abordagem nos convida a perguntar “O que em sua história está se repetindo nesta relação?”, a outra acrescenta: “Que recursos você pode desenvolver para construir uma resposta diferente?” Assim, uma contribui para reconhecer as raízes e a outra para imaginar os frutos.
Não precisamos escolher entre compreender o sofrimento e promover o florescimento. Uma vida emocionalmente madura exige ambos, e esse amadurecimento envolve diferentes movimentos:
- reconhecer o que nos feriu sem transformar a ferida em identidade;
- nomear os padrões inconscientes sem acreditar que não podemos modificá-los;
- desenvolver emoções positivas sem negar a tristeza;
- construir esperança sem abandonar a realidade;
- fortalecer vínculos sem renunciar aos limites;
- escutar as interpretações externas sem entregar a elas a definição de quem somos.
Cada pessoa escuta com a história que tem, mas essa história não precisa determinar, para sempre, aquela que construiremos.
Entre aquilo que vivemos e aquilo que faremos com o que vivemos existe um espaço de consciência. É nesse espaço que a autoliderança começa e que podemos interromper repetições, ressignificar experiências, reconhecer forças e, sem dúvida, escolher uma forma mais inteira de estar nas relações.
Nem toda interpretação do outro define quem você é. Mas toda relação pode oferecer uma oportunidade de ampliar sua consciência sobre quem você tem sido, o que deseja sustentar e quem ainda pode se tornar.
Cada um lê com os olhos que tem e interpreta a partir de onde os pés pisam. Talvez a maturidade esteja em conhecer profundamente o próprio chão sem acreditar que ele é o único lugar possível de onde se pode enxergar a vida.
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Quer saber mais sobre como a autoliderança pode ajudar você a distinguir fatos de interpretações, transformar padrões de reação e construir relações mais saudáveis? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até a próxima!
Luciana Soares Passadori
https://www.passadori.com.br
Confira também: Cada Um Escuta com a História que Tem (parte III)
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O Poder de Questionar Certezas e Rever Modelos Mentais
Quantas vezes você já teve tanta certeza de alguma coisa que sequer considerou a possibilidade de estar olhando para a situação por outro ângulo?
Nossas certezas nos acompanham diariamente. Elas orientam decisões, sustentam escolhas, ajudam a interpretar acontecimentos e dão sentido às experiências que acumulamos ao longo da vida.
Construímos nossas referências a partir da educação que recebemos, das relações que estabelecemos, da cultura na qual estamos inseridos, das experiências que vivemos e certamente das histórias que contamos a nós mesmos.
Com o tempo, algumas dessas referências se tornam crenças. Outras se transformam em modelos mentais: estruturas que utilizamos, muitas vezes sem perceber, para interpretar o mundo e responder ao que acontece nele.
E é justamente aí que mora uma questão interessante: será que todas as nossas certezas continuam, de fato, fazendo sentido?
Aquilo que aprendemos em determinada fase da vida pode ter sido importante para nos proteger, orientar ou ajudar a tomar decisões. Ainda assim, o que fez sentido ontem não necessariamente serve para as situações de hoje.
O problema não está em ter crenças ou convicções. Está em deixar de questioná-las.
- Quando acreditamos que já sabemos, podemos parar de investigar.
- Quando interpretamos uma situação a partir de um único ponto de vista, corremos o risco de enxergar apenas aquilo que confirma nossas expectativas.
- Quando nos convencemos de que conhecemos suficientemente uma pessoa, talvez deixemos de descobrir quem ela está se tornando.
E quantas conversas deixam de acontecer porque já chegamos a elas com respostas prontas?
Às vezes, não escutamos para compreender. Escutamos para confirmar. Não perguntamos para conhecer. Perguntamos para encontrar evidências daquilo em que já acreditamos.
Assim, nossas certezas podem ocupar tanto espaço que não sobra lugar para o novo.
Questionar nossas certezas é um exercício de abertura.
Questionar nossas certezas não exige abandonar valores, desconsiderar experiências ou duvidar de tudo o que construímos. Exige reconhecer que nossa percepção é sempre atravessada por filtros, interpretações e aprendizados anteriores.
É admitir que podemos não ter percebido tudo e que existem outras perspectivas, inclusive experiências diferentes da nossa que também podem ser legítimas. Mudar de ideia diante de novos elementos não representa necessariamente fraqueza ou incoerência; pode ser sinal de amadurecimento.
Nesse processo, as perguntas têm um papel fundamental.
Uma boa pergunta não precisa conduzir a uma resposta imediata. Ela pode nos deslocar, provocar desconforto, revelar contradições e iluminar aspectos que ainda não havíamos considerado. Por isso, experimente reformular algumas perguntas:
- “Por que isso sempre acontece comigo?” pode dar lugar a “Que padrão estou percebendo nessa situação?”
- “Por que essa pessoa não entende?” pode se transformar em “O que talvez eu ainda não tenha compreendido sobre essa perspectiva?”
- E, em vez de “É assim que as coisas funcionam”, vale perguntar: “Será que existe outra maneira de olhar para isso?”
E, diante de uma convicção muito forte, experimentar uma pergunta ainda mais desafiadora: “Que evidências poderiam me fazer rever essa ideia?”
São pequenas mudanças na forma de perguntar e podem produzir grandes mudanças na maneira de pensar.
No desenvolvimento humano, aprender não é apenas acumular informações.
Aprender é também ampliar a capacidade de perceber, interpretar, relacionar conhecimentos e construir novos significados.
Para isso, precisamos de espaços internos de abertura. Espaços em que não tenhamos a obrigação de saber tudo, defender todas as nossas posições ou encontrar respostas para cada questão.
Precisamos permitir que algumas perguntas permaneçam conosco por mais tempo.
Nas relações, essa disposição pode transformar a qualidade dos encontros. Quando substituímos julgamentos antecipados por curiosidade genuína, abrimos possibilidades de conhecer o outro para além das nossas interpretações. Quando questionamos nossos próprios modelos mentais, ampliamos também a capacidade de escutar, aprender e rever posições.
Uma conversa segura não é aquela em que todos pensam da mesma maneira, mas aquela em que há espaço para pensar diferente, expressar dúvidas, questionar ideias e aprender sem que a divergência seja automaticamente interpretada como ameaça.
E talvez essa abertura comece antes mesmo de encontrarmos o outro: começa quando temos coragem de questionar nossas próprias certezas.
Afinal, não precisamos ter todas as respostas para continuar aprendendo. Precisamos conservar a disposição de fazer perguntas, inclusive aquelas que nos desafiam:
- Que certeza você poderia colocar em perspectiva hoje?
- Que crença talvez esteja limitando uma possibilidade?
- Que modelo mental merece ser revisitado?
- E que pergunta você ainda não teve coragem de fazer a si mesmo?
Aprender começa quando deixamos de procurar apenas respostas que confirmem o que já sabemos e nos permitimos descobrir o que ainda não conseguimos enxergar.
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Quer saber mais sobre como rever modelos mentais pode ampliar sua escuta, desafiar suas certezas e, além disso, transformar sua maneira de aprender e se relacionar? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até breve!
Angela Passadori
http://facebook.com/angelapassadori
https://www.linkedin.com/in/angelapassadori/
Confira também: Que a Conversa Não Termine em Setembro: Saúde Mental, Escuta e Cuidado
Palavras-chave: modelos mentais, certezas, crenças, desenvolvimento humano, pensar diferente, questionar nossas certezas, rever modelos mentais, questionar nossas próprias certezas, mudar de ideia, ampliar a capacidade de perceber
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A Responsabilidade do Líder de Formar Líderes
Ram Charan no seu conhecido Pipeline de Liderança, nos apresenta níveis que a liderança passa de acordo com seu crescimento no exercício de gestão de pessoas. Podemos resumir em Líder de Si, Líder de Times, Líder de Líderes e Líder de Negócio.
Muito falamos sobre a importância da formação da primeira liderança, mas precisamos pontuar o quanto é essencial líderes responsáveis pela formação de seus líderes.
Quando estamos na gestão de times, ainda estamos muito dentro das operações, coordenando, priorizando, observando rotinas, processos e indicadores. Quando avançamos no pipeline de liderar líderes, nosso papel se transforma e precisamos apoiar os líderes de diferentes áreas de negócio a performarem através de suas equipes. É menos sobre controle e mais sobre delegação, clareza da comunicação e confiança.
Se descemos muito na operação, tiramos a voz dos nossos líderes, mas precisamos estar presentes na formação e fortalecimento de skills críticas para potencializar o negócio.
Um dos erros que cometemos como executivos ou gerentes neste pipeline é apenas conversar com os líderes sobre projetos e resultados. Precisamos ter conversas de carreira, de como ele pode melhorar sua capacidade de se comunicar, dar feedback, engajar as pessoas.
Além disso, precisamos apoiar nossos líderes com a priorização da execução. Muitas vezes, descemos muitos projetos e nos esquecemos de apoiá-los nesta distribuição de capacidade. Vemos a autogestão prejudicada e muitos gestores descendo na sua operação para executar tarefas ao invés de também formar pessoas.
Se seu líder fica na operação, você também ficará e todo o pipeline desce um passo. Uma coisa é pelo contexto e necessidade, mas notamos muitos gestores neste looping sem saída. O que ocorre é que distribuímos pouco nossa capacidade da formação das pessoas e menos ainda na melhoria do sistema para inovar e diminuir gargalos.
Sabemos que crescer no pipeline exige mais influência, estratégia, mas não podemos esquecer de formar as pessoas para sustentar a execução e performance.
Observe o quanto você está de fato apoiando seus líderes a ganhar repertório não apenas de projetos e indicadores, mas também de um olhar de dados de pessoas, ferramentas de engajamento e skills como comunicação e gestão emocional. Tenho certeza que a muito valor nesta troca.
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Aline Gomes
alinegomes@alimonada.com.br
http://www.linkedin.com/in/alinecgomes/
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Palavras-chave: formação de líderes, pipeline de liderança, gestão de pessoas, delegação, feedback, pipeline de liderar, formar líderes, formação de líderes, conversas de carreira, ferramentas de engajamento, como desenvolver líderes de equipes, a responsabilidade do líder, a responsabilidade do líder de formar líderes
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Quando Ser Bom Se Torna uma Armadilha:
A Armadilha da Competência e o Desafio de Crescer na Carreira
Ser reconhecido pela qualidade do nosso trabalho é algo que buscamos ao longo da carreira. Queremos entregar bons resultados, desenvolver competências, conquistar a confiança das pessoas e nos tornar referência naquilo que fazemos.
Mas e quando aquilo que nos tornou bons começa a limitar nossas possibilidades de crescimento?
Vamos pensar naquele profissional que conhece todos os processos, resolve os problemas mais complexos e é sempre procurado quando algo precisa acontecer. Ele se tornou indispensável. Sua liderança confia nele, seus colegas reconhecem sua capacidade e dificilmente questionam sua entrega.
À primeira vista, parece uma posição privilegiada. E, em muitos aspectos, realmente é. Mas existe uma diferença entre ser reconhecido pelo que você faz e ser percebido pelo que você é capaz de fazer além disso.
A Armadilha da Competência
Quando nos destacamos em determinada atividade, é natural que as pessoas continuem nos procurando para realizá-la. Quanto melhor entregamos, mais demandas recebemos. Quanto mais resolvemos, mais nos tornamos necessários.
Aos poucos, podemos ficar tão associados àquela função que outras possibilidades deixam de ser consideradas. E nem sempre isso acontece porque alguém deseja limitar nosso crescimento.
Muitas vezes, é simplesmente mais confortável para todos manter as coisas como estão. Inclusive para nós!
Existe segurança em dominar um assunto, ser reconhecido como um expert e saber exatamente como gerar resultados. Experimentar um novo papel pode significar abrir mão temporariamente dessa sensação de competência.
E aqui surge uma pergunta desconfortável: será que estamos presos à função ou ao reconhecimento que ela nos proporciona?
O Desafio de Deixar de Ser Indispensável
Em algumas situações, crescer exige justamente o contrário daquilo que aprendemos a fazer: deixar de centralizar decisões, compartilhar conhecimentos, desenvolver outras pessoas e permitir que determinadas atividades aconteçam sem nossa participação.
Isso não significa perder relevância. Significa construir uma relevância diferente.
Um profissional que deseja assumir uma posição de liderança, por exemplo, não pode continuar medindo seu valor exclusivamente pela quantidade de problemas que resolve pessoalmente. Ele também precisará demonstrar seu impacto pela capacidade de desenvolver pessoas, antecipar desafios e construir soluções sustentáveis.
O mesmo acontece com quem deseja mudar de área ou experimentar uma nova trajetória. A experiência acumulada continua importante, mas não pode se transformar na única definição de quem somos profissionalmente.
O que está sustentando seu crescimento? Experimente um exercício simples.
Identifique três atividades pelas quais você é, frequentemente, reconhecido. Depois, responda:
- Essas atividades continuam me aproximando do futuro profissional que desejo?
- Estou desenvolvendo novas competências ou apenas ficando cada vez melhor naquilo que já domino?
- Se eu deixasse de executar essas atividades amanhã, que outras contribuições as pessoas reconheceriam em mim?
As respostas podem revelar algo importante sobre seu posicionamento e sobre as oportunidades que você está construindo.
Ser bom no que fazemos é uma conquista. Mas precisamos perceber quando nossa competência deixa de ser uma plataforma para o crescimento e passa a funcionar como uma fronteira.
Porque o próximo capítulo da nossa carreira talvez não dependa de provarmos, mais uma vez, aquilo que já sabemos fazer. Mas de termos coragem de mostrar aquilo que ainda podemos nos tornar-se.
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Renato Moreno
https://www.linkedin.com/in/renatomorenodealmeida/
Confira também: Você Está Procurando uma Oportunidade ou Esperando Alguém Te Encontrar?
Palavras-chave: armadilha da competência, competência, crescimento, carreira, liderança, ser indispensável, deixar de ser indispensável, deixar de centralizar decisões, assumir uma posição de liderança, desenvolver outras pessoas, como superar a armadilha da competência, desafio de deixar de ser indispensável
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RH e Seus BPs na Era da Inteligência Artificial: Tecnologia, Estratégia e Competências Humanas
A Inteligência Artificial (IA) vem transformando a maneira como as organizações operam, tomam decisões e desenvolvem seus negócios. No campo de Recursos Humanos, essa transformação amplia possibilidades, automatiza processos e oferece novas ferramentas para analisar informações, identificar tendências e apoiar a gestão de pessoas. Entretanto, diante desse cenário, uma questão se torna essencial:
Como o RH e os Business Partners de Recursos Humanos (BPs de RH) podem gerar valor em um ambiente cada vez mais tecnológico?
A IA pode contribuir significativamente para atividades como Recrutamento e Seleção, People Analytics, Treinamento e Desenvolvimento, gestão de desempenho e planejamento de pessoas. Com o uso adequado de dados, torna-se possível identificar padrões, antecipar necessidades e, além disso, subsidiar decisões com maior agilidade. Processos operacionais podem ser simplificados, permitindo que os profissionais de RH direcionem mais tempo para questões estratégicas e para o relacionamento com lideranças e equipes.
Contudo, tecnologia, por si só, não garante melhores decisões. A qualidade das informações, os possíveis vieses algorítmicos, a privacidade dos dados e os aspectos éticos precisam ser considerados. Cabe ao RH contribuir para a construção de critérios transparentes, assegurar o uso responsável dessas ferramentas e preservar a dimensão humana nas decisões que impactam as pessoas.
Nesse contexto, o papel dos BPs de RH ganha novas perspectivas.
Mais do que conhecer as funcionalidades da IA, esses profissionais precisam compreender como a tecnologia pode apoiar os desafios do negócio, melhorar a experiência dos colaboradores e contribuir para resultados sustentáveis. Isso exige leitura estratégica de cenários, capacidade analítica, visão sistêmica e proximidade com as lideranças.
A IA também desafia os BPs a ampliarem suas competências. Interpretar dados, formular perguntas relevantes, questionar recomendações automatizadas e transformar informações em propostas de valor serão diferenciais importantes. Ao mesmo tempo, comunicação, influência, pensamento crítico, negociação, empatia e coragem para posicionar-se continuarão fundamentais para construir confiança e apoiar decisões complexas.
Outro desafio será preparar as pessoas para as mudanças. O RH deverá contribuir para o desenvolvimento de novas competências, estimular a aprendizagem contínua e apoiar lideranças na condução das transformações, considerando os impactos sobre os papéis profissionais, as relações de trabalho e a cultura organizacional.
A era da IA não diminui a importância do RH e dos BPs; ela amplia a responsabilidade desses profissionais. O diferencial não estará apenas em adotar ferramentas inovadoras, mas em saber utilizá-las com discernimento, ética e propósito.
O futuro do RH será construído pela combinação entre inteligência artificial e inteligência humana. Quanto maior a capacidade de integrar tecnologia, conhecimento do negócio e compreensão sobre as pessoas, maior será a contribuição desses profissionais para organizações mais inovadoras, produtivas e humanas.
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Quer saber mais sobre como a inteligência artificial (IA) no RH pode fortalecer a atuação estratégica dos BPs, integrar tecnologia e competências humanas e, além disso, gerar mais valor para as organizações? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Fátima Farias
https://www.linkedin.com/in/f%C3%A1tima-farias-b1a71214/
Confira também: A Importância da Coragem para Gerar Transformações de Impacto nas Organizações
Palavras-chave: inteligência artificial no rh, inteligência artificial, ia no rh, bps de rh, gestão de pessoas, people analytics, business partners de recursos humanos, papel dos bps de rh, inteligência artificial e inteligência humana, desenvolvimento de novas competências, inteligência artificial na gestão de pessoas
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Empatia e Liderança: Por Que Compreender o Outro Começa Pelo Autoconhecimento
Existe uma frase que atravessa treinamentos de liderança, palestras motivacionais e manuais de cultura: “empatia é se colocar no lugar do outro”. Ela é bonita, fácil de repetir e quase ninguém a questiona.
O problema é que ela descreve algo impossível. E quando organizamos nossas relações em torno de algo impossível, não nos aproximamos do outro, mas fantasiamos sobre ele.
Humberto Maturana, com quem tive o privilégio de estudar no Chile, nos ajuda a entender o por quê. E, curiosamente, ele quase não usava a palavra empatia. Falava de outra coisa, mais exigente e mais bonita: a aceitação do outro como legítimo outro na convivência. Este artigo é uma tentativa de ler a empatia a partir dessa lente.
Somos fechados, e isso não é um defeito
Para Maturana, os seres vivos são sistemas determinados pela própria estrutura. Nada do que vem de fora nos instrui. O mundo, e as outras pessoas, apenas nos perturbam, e cada um responde a essa perturbação a partir do que é: seu corpo, sua história, seu emocionar.
Isso tem uma consequência radical. Duas pessoas diante do mesmo fato não vivem o mesmo fato. Cada uma vive o que a sua estrutura permite viver. Não existe um ponto neutro de onde eu possa observar o mundo do outro “como ele é”. Por isso, Maturana insistia em colocar a objetividade entre parênteses: tudo o que é dito é dito por um observador.
Se é assim, a ideia de entrar no lugar do outro desmorona. Eu não tenho acesso à experiência dele. Tenho acesso à minha experiência de estar diante dele.
Maturana não está sozinho nessa intuição. Edith Stein, aluna de Husserl, já dizia em 1917, na tese Sobre o problema da empatia, que posso perceber a dor do outro, mas nunca vivê-la como ele a vive. Carl Rogers, décadas depois, descreveria a escuta empática como compreender o mundo do outro “como se” fosse o próprio, sem nunca perder a condição do “como se”.
Se eu pudesse ocupar o lugar do outro, não haveria outro. Haveria apenas uma extensão de mim.
É justamente porque o mundo do outro me escapa que o encontro se torna possível. A distância não é o obstáculo da relação, mas a sua condição.
A ciência chega aonde a biologia já estava
Durante décadas, quase ninguém testou se imaginar a perspectiva do outro realmente nos faz compreendê-lo melhor. Os psicólogos Tal Eyal, Mary Steffel e Nicholas Epley resolveram testar, em 25 experimentos publicados em 2018.
O resultado confirma, em laboratório, o que Maturana dizia a partir da biologia. A maioria das pessoas acreditava que se colocar no lugar do outro aumentaria a precisão. Não aumentou. Em geral, a precisão caiu, e às vezes a confiança no próprio julgamento subiu. Ficamos mais seguros e menos certos ao mesmo tempo, que é a receita perfeita para a liderança que “já sabe” o que a equipe sente.
O que funcionou foi muito mais simples: perguntar. Quando as pessoas obtinham a perspectiva diretamente, pela conversa, a compreensão melhorava. Os autores chamam isso de perspective getting, receber a perspectiva em vez de tomá-la. A conclusão deles é quase maturaniana: compreender o outro exige informação nova que venha dele, e não o uso mais esforçado do que eu já penso sobre ele.
Há um segundo equívoco que a ciência desfaz: confundir empatia com absorver a dor alheia. A neurocientista Tania Singer, do Instituto Max Planck, mostrou que treinar ressonância empática aumenta o afeto negativo e ativa as redes cerebrais ligadas à dor. Já o treino em compaixão ativa redes diferentes, associadas ao cuidado e ao afeto positivo, e reverte esse desgaste. O monge Matthieu Ricard, voluntário dos experimentos, conta que uma hora de empatia intensa, sem amor e compaixão, bastou para levá-lo ao esgotamento.
Na linguagem de Maturana, poderíamos dizer: quando me perco no emocionar do outro, deixo de ser alguém disponível para ele. A fronteira entre os nossos mundos não precisa ser derrubada. Precisa ser habitada.
O mergulho que vem antes: reconhecer o próprio emocionar
Se não posso entrar no mundo do outro, por onde começa a empatia? Pelo único mundo a que tenho algum acesso: o meu.
Maturana nos lembrava que todo fazer humano se funda numa emoção. A emoção define o domínio de ações em que estamos. Diante de alguém, posso estar no medo, na desconfiança, na ambição, na pressa ou então no amor, e cada uma dessas emoções abre e fecha possibilidades de conversa. Antes de tentar compreender o outro, preciso perceber de que emoção estou partindo.
Edgar Morin, em Os sete saberes necessários à educação do futuro, faz a mesma convocação por outro caminho: não há compreensão do outro sem autoexame. Quem não reconhece as próprias cegueiras, projeta.
Por isso, empatia é um projeto, e não um gesto. Ela tem três movimentos que se repetem, a saber:
- Reconhecer o próprio emocionar. Que emoção estou vivendo agora? O que esta situação desperta na minha história? Que certeza eu trago antes mesmo de ouvir?
- Colocar a minha certeza entre parênteses. Não abrir mão da minha leitura, mas deixar de tratá-la como a realidade do outro.
- Receber o mundo do outro. Perguntar o que não posso adivinhar. Escutar sem preparar a resposta. Deixar que a informação venha da pessoa, e não da minha imaginação sobre ela.
Empatia, nesse sentido, se parece mais com uma prática de pesquisa do que com um sentimento. Ela pede curiosidade, método e humildade.
O legítimo outro
Aqui chegamos ao ponto mais profundo. Para Maturana, o amor não é um sentimento romântico. É a emoção que constitui o espaço de convivência em que o outro surge como legítimo outro. Não como alguém que preciso corrigir, convencer ou decifrar, mas como alguém cuja existência é válida mesmo quando difere da minha.
Talvez o que chamamos de empatia seja, no fundo, uma consequência desse amor. Só me interesso genuinamente pelo mundo do outro quando aceito que ele tem um mundo próprio, que não é uma versão equivocada do meu.
Byung-Chul Han descreve uma sociedade que vai expulsando o outro e se fechando no igual. Quando só toleramos o semelhante, a empatia vira um exercício de reconhecimento de nós mesmos. A aceitação do legítimo outro é o antídoto: ela nos obriga a conviver com o que não compreendemos por inteiro.
Empatia não é chegar ao lugar do outro, mas aceitar que ele tem um lugar que não é o meu.
Organizações são redes de conversações
Esta é a virada que me parece mais importante para quem trabalha com organizações.
Costumamos tratar empatia como virtude individual: alguns líderes têm, outros não, e os que não têm vão para um treinamento. Mas Maturana nos ensinou a olhar para as culturas como redes de conversações. O que uma organização é se revela nas conversas que ela torna possíveis e nas que ela impede.
A pesquisa vai na mesma direção. Sara Konrath, que estuda empatia há décadas, mostra que ela não é um traço fixo: cresce ou encolhe conforme as experiências que vivemos. Se cresce ou encolhe conforme o contexto, então o contexto pode ser desenhado.
E o impacto é concreto. De acordo com um estudo da Catalyst com quase 900 profissionais, 61% das pessoas com líderes seniores altamente empáticos dizem ser inovadoras com frequência, contra 13% das que têm líderes pouco empáticos. No engajamento, a diferença é de 76% contra 32%. E o que as pessoas descreveram como empatia não era nada heroico: um líder que pergunta o que elas precisam para fazer bem o seu trabalho. Receber a perspectiva, de novo.
Agora olhe para muitas organizações com o olhar de um Designer Organizacional:
- Agendas sem espaço para conversa que não seja de status;
- Métricas que enxergam a entrega, mas nunca a experiência de quem entrega;
- Estruturas em que a liderança está distante demais para perguntar e próxima demais da pressão para escutar;
- Rituais de feedback desenhados para avaliar, e não para compreender.
Num desenho assim, pedir empatia às pessoas é pedir que nadem contra a correnteza. Elas até tentam, por um tempo, e depois se esgotam, exatamente como mostram os estudos de Singer.
A pergunta, então, muda. Em vez de “como tornar nossos líderes mais empáticos?”, talvez a pergunta mais potente seja:
Que rede de conversações estamos desenhando, e ela torna o encontro com o legítimo outro possível ou improvável?
É essa a lente com que trabalhamos na Ornellas Consulting e na 157next: olhar a organização como sistema vivo, em que estrutura, processos, cultura e relações formam um todo. Empatia não se instala por decreto nem por workshop. Ela emerge, ou não, das conversas que o desenho da organização permite.
Para terminar, um convite
Na próxima vez que alguém disser “precisamos nos colocar no lugar do outro”, talvez valha propor outra coisa: primeiramente, reconhecer o nosso próprio lugar e o nosso emocionar. Depois, perguntar ao outro sobre o lugar dele. E, por fim, olhar para o desenho da organização e ver se ele deixa espaço para essa conversa acontecer.
Deixo aqui três perguntas para a nossa comunidade:
- De que emoção você costuma partir, sem perceber, nas conversas difíceis?
- Quando foi a última vez que você perguntou, em vez de supor, o que alguém da sua equipe estava vivendo?
- Que elemento do desenho da sua organização, uma reunião, uma métrica, um ritual, hoje torna mais difícil o encontro com o legítimo outro?
Empatia não é chegar ao lugar do outro, mas caminhar até a fronteira entre os nossos mundos e ficar ali, curioso, disponível e inteiro.
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como empatia e liderança podem começar pelo autoconhecimento e transformar as relações no trabalho? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Marco Ornellas
Designer Organizacional
Ornellas Consulting
Confira também: Pra Onde Vai Nossa Atenção? Como o Excesso de Informação Está Disputando Nosso Foco
Referências Maturana, H. Emoções e linguagem na educação e na política. Belo Horizonte: UFMG. Maturana, H.; Varela, F. A árvore do conhecimento. São Paulo: Palas Athena. Stein, E. Sobre o problema da empatia (Zum Problem der Einfühlung), 1917. Rogers, C. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes. Morin, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez/UNESCO. Han, B.-C. A expulsão do outro. Petrópolis: Vozes. Eyal, T.; Steffel, M.; Epley, N. Perspective mistaking: Accurately understanding the mind of another requires getting perspective, not taking perspective. Journal of Personality and Social Psychology, 2018. Klimecki, O.; Leiberg, S.; Ricard, M.; Singer, T. Differential pattern of functional brain plasticity after compassion and empathy training. Social Cognitive and Affective Neuroscience, 2014. Ricard, M. A revolução do altruísmo. São Paulo: Palas Athena. Van Bommel, T. The Power of Empathy in Times of Crisis and Beyond. Catalyst, 2021. Konrath, S. et al. Estudos sobre variações da empatia ao longo do tempo (2011 e atualizações posteriores).
Palavras-chave: empatia e liderança, empatia, liderança, autoconhecimento, legítimo outro, se colocar no lugar do outro, compreender o outro, liderança e autoconhecimento, redes de conversações, a importância da empatia na liderança, por que o autoconhecimento é importante, por que a empatia é importante
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Comunicação Interna: Seja Consistente para Ser Mais Eficiente
A comunicação interna é fundamental para ambientes de trabalho produtivos, eficientes, seguros e alinhados. Empresas com uma comunicação interna eficiente garantem até 47% melhores resultados financeiros e diminui em 25% o turnover.
Agora você já pensou sobre o peso da constância da comunicação na sua empresa? A comunicação interna tem papel fundamental no alinhamento de objetivos, no desenvolvimento de metas da empresa e no fortalecimento da cultura organizacional. Porém, tudo isso só acontece quando a comunicação acontece de forma que as mensagens não sejam esquecidas, e que os objetivos sejam constantemente lembrados por todos.
Em uma única reunião os problemas da empresa não vão desaparecer, afinal para mudar comportamentos é necessário trabalhar a repetição estratégica.
Para trabalhar a comunicação usando a constância de maneira estratégica, podemos explorar diferentes momentos, entre eles: reuniões, treinamentos, feedbacks, PDI, comunicados, palestras, eventos e rotinas. Tudo isso pensado para criar hábitos e reforçar a aprendizagem.
E os líderes desempenham papel fundamental quando o tema é constância, pois se quem lidera não consegue ser consistente nas ações e informações, os liderados deixam de seguir o que é preciso e ficam perdidos.
Os maiores desafios à constância são: a falta de alinhamento entre equipe e setores, o uso sem estratégia dos canais de comunicação ou a ausência deles, baixa frequência na divulgação de informações e a resistência por parte das lideranças e colaboradores.
Uma empresa que comunica de maneira estratégica, mas não frequente cai no esquecimento, já uma empresa que trabalha a constância na sua comunicação, constrói uma cultura fortalecida por pessoas conectadas aos mesmos objetivos e propósitos. Portanto, seja constante e consistente nas suas comunicações!
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como tornar a comunicação interna da sua empresa mais consistente, eficiente e capaz de gerar resultados duradouros? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Um abraço e até a próxima!
Karine Gomes
http://www.criarecriar.com.br/
Confira também: Comunicação Interna em Tempos de Excesso de Informação (parte I) e (parte II)
Palavras-chave: comunicação interna, constância, alinhamento, cultura organizacional, líderes, comunicação interna eficiente, constância da comunicação, alinhamento de objetivos, canais de comunicação, consistência na comunicação interna
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“O problema não é o problema.
O problema é sua atitude com relação ao problema.”
(Kelly Young)
Hoje, a tristeza me visitou. Tocou a campainha, subiu as escadas, bateu à porta e entrou. Não ofereci resistência. Houve um tempo em que eu fazia o impossível para evitá-la adentrar os meus domínios. E quando isso acontecia, discutíamos demoradamente. Era uma experiência desgastante. Aprendi que o melhor a fazer é deixá-la seguir seu curso. Agora, sequer dialogamos. Ela entra, senta-se na sala de estar, sirvo-lhe uma bebida qualquer, apresento-lhe a televisão e a esqueço! Quando me dou por conta, o recinto está vazio. Ela partiu, sem arroubos e sem deixar rastros. Cumpriu sua missão sem afetar minha vida.
Hoje, a doença também me visitou. Mas esta tem outros métodos. E outros propósitos. Chegou sem pedir licença, invadindo o ambiente. Instalou-se em minha garganta e foi ter com minhas amígdalas. A prescrição é sempre a mesma: Amoxicilina e Paracetamol. Faço uso destes medicamentos e sinto-me absolutamente prostrado! Acho que é por isso que os chamam de antibióticos. Porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida…
Hoje, problemas do passado também me visitaram. Não vieram pelo telefone porque palavras pronunciadas ativam as emoções apenas no momento e, depois, perdem-se difusas, levadas pela brisa. Vieram pelo correio, impressos em papel e letras de baixa qualidade, anunciando sua perenidade, sua condição de fantasmas eternos até que sejam exorcizados.
Diante deste quadro, não há como deixar de sentir-se apequenado nestes momentos. O mundo ao redor parece conspirar contra o bem, a estabilidade e o equilíbrio que tanto se persegue. O desânimo comparece estampado em ombros arqueados e olhos sem brilho, que pedem para derramar lágrimas de alívio. Então, choro. E o faço porque Maurice Druon ensinou-me, através de seu inocente Tistu, que se você não chora, as lágrimas endurecem no peito e o coração fica duro.
Limão e limonada
As ciências humanas estão sempre tomando emprestado das exatas, termos e conceitos. A última novidade vem da física e atende pelo nome de resiliência. Significa resistência ao choque ou a propriedade pela qual a energia potencial armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo.
Em humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo isso através de um dito popular, é fazer de cada limão, ou seja, de cada contrariedade que a vida nos apresenta, uma limonada saborosa, refrescante e agradável.
Aprendi que pouco adianta brigar com problemas. É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E com rapidez, de maneira certa ou errada. Problemas são como bebês, só crescem se alimentados. Muitos se resolvem por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma inadequada, eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você os anula com correção. A felicidade, pontuou Michael Jansen, não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados.
Aprendi a combater as doenças. As do corpo e as da mente. Percebê-las, identificá-las, respeitá-las e aniquilá-las. Muitas decorrem menos do que nos falta e mais do mau uso que fazemos do que temos. E a velocidade é tudo neste combate. Agir rápido é a palavra de ordem. Melhor do que ser preventivo é ser preditivo.
Aprendi a aceitar a tristeza. Não o ano todo, mas apenas um dia, à luz dos ensinamentos de Victor Hugo. O poeta dizia que “tristeza não tem fim, felicidade, sim”. Porém, discordo. Penso que os dois são finitos. E cíclicos. O segredo é contemplar as pequenas alegrias em vez de aguardar a grande felicidade. Uma alegria destrói cem tristezas…
Modismo ou não, tornei-me resiliente. A palavra em si pode cair no ostracismo, mas terá servido para ilustrar minha atitude cultivada ao longo dos anos diante das dificuldades impostas ou autoimpostas que enfrentei pelo caminho, transformando desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculos em oportunidades, tristeza em alegria.
Nós apreciamos o calor porque já sentimos o frio. Admiramos a luz porque já estivemos no escuro. Contemplamos a saúde porque já fomos enfermos. Podemos, pois, experimentar a felicidade porque já conhecemos a tristeza.
Olhe para o céu, agora! Se é dia, o sol brilha e aquece. Se é noite, a lua ilumina e abraça. E assim será novamente amanhã. E assim é feita a vida.
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Nesta semana que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, gostaria de dizer para todas as Mulheres uma coisa muito importante:
Seu sucesso na vida pessoal e/ou profissional, sua felicidade, sua prosperidade e bem-estar na vida só depende de uma pessoa. Sabe quem é? Você mesma.
E falo mais. Seu sucesso será mais fácil e forte se você Mulher lembrar em ser você mesma. Ou seja, Ser a Mulher que você sempre foi e será.
Esta última afirmação já falei muitas vezes para minhas clientes de Coaching Holístico que buscam Sucesso em algum ponto da vida pessoal e profissional.
Para quem ainda não sabe o que é Coaching, vou explicar agora. Entre muitas definições as que mais eu gosto são:
- Orientar uma pessoa a fazer a travessia entre um ponto ao outro até alcançar sua meta pessoal e/ou profissional com sucesso;
- Coaching é uma assessoria e processo que geram motivação pessoal e profissional, e que tem como objetivo potencializar o nível de resultados positivos nas diversas áreas da vida de um cliente para alcançar uma meta ou objetivo com sucesso.
E o que é Coaching Holístico? Coaching Holístico – Processo para Seu Sucesso na Vida e Concretização das suas Metas. O cliente vai se conhecer melhor, olhar para si, sua vida e descobrir seu potencial adormecido. Vai melhorar sua autoestima e ter mais autoconfiança. Tem Dificuldade em vencer? Pelo Coaching Holístico iremos desbloquear o que atrapalha e mudar Padrões Mentais para Vencer.
Este é o ponto chave do inicio do Sucesso de qualquer pessoa: Padrões Mentais. Quem acredita que é um fracasso, que não vai vencer na vida ou que não merece ter sucesso nas metas ou sonhos, tenha certeza que nada vai mesmo ocorrer de bom na vida. O Sucesso vai passar bem longe destas pessoas.
Agora imagine uma mulher que desde pequena é “esmagada” pela família e sociedade a sufocar sua força, a matar sua arte e beleza, para não acreditar em si e nas suas qualidades e habilidades para realizar.
Já atendi moças que acreditam que não merecem um amor porque alguém falou que ela é feia ou amor só faz mal. Como vão amar se não têm uma boa energia sobre o amor? Como amar se sua autoestima foi chutada? Só vai amar se mudar, acreditar que pode e merece amar. E que ela é uma super mulher.
O mesmo ocorre com a realização de outras metas pessoais e profissionais. Se uma pessoa foi condicionada a sempre pensar que é inferior, incapaz ou que não merece ser feliz ou prosperar, com certeza vai sofrer para conseguir. Imagine uma mulher que no geral é mais sufocada.
Ainda bem que tem solução. É um pouco demorado, varia de pessoa para pessoa, mas tem que trabalhar, treinar e movimentar-se para mudar padrões e condicionamento mental e energético.
Mas, é possível e já vi milagres.
Qual é o primeiro passo? Acreditar em Você. Acreditar na pessoa poderosa que há dentro de você.
Acreditar na Mulher que há dentro de você.
Sucesso e Feliz Dia da Mulher!
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A Copa do Mundo acabou. A seleção alemã com sua organização, futebol bonito e muita técnica, merecidamente, levou o caneco. É tetracampeã.
E a nossa Seleção Canarinho? Que papelão! Desde o início da Copa, nos quatro cantos deste Brasil, todos falavam que era forte candidata a ser hexacampeã. E por que todos acreditavam nisto? Porque jogava em casa, tinha apoio da torcida brasileira, a mídia falava que era a melhor seleção, tinha uma comissão técnica com dois técnicos que venceram Copas Mundiais (Parreira em 1994 e Felipão em 2002) e o clima ajudava.
Mas o que vimos foi um total fiasco e uma humilhante goleada histórica por 7×1 para os alemães na semifinal da Copa.
Enfim, perdemos a Copa e ficamos em quarto lugar após perder para a Holanda na disputa pelo terceiro lugar. E agora? Como diz o poema de Carlos Drummond de Andrade:
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?(Carlos Drummond de Andrade)
E agora, Seleção Brasileira? Agora é hora de mudanças. E mudanças drásticas e profundas na filosofia e na organização.
A CBF terá que ter coragem de assumir sua culpa no fracasso e incompetência administrativa na condução da Seleção Canarinho na Copa. A CBF e o novo técnico terão que ter coragem de fazer mudanças drásticas na nova Seleção Brasileira daqui para frente. Podem e devem seguir o ótimo exemplo que viveu a seleção alemã no final dos anos 90. Após fiascos seguidos, a Confederação Alemã de Futebol chegou à conclusão de que era hora de mudar tudo. Mudanças drásticas foram implantadas. Bancaram com coragem um técnico permanente nos últimos 10 anos que, com um grupo de jogadores com uma nova cabeça, união e humildade, deram um Show na Copa do Brasil e levaram o Caneco.
Mudança requer determinação. Mudanças drásticas requerem também muita coragem, pois haverá muita resistência das pessoas que já estão na zona de conforto ou que não aceitam que está tudo errado na vida ou no jogo.
Quer ver um exemplo recente? A entrevista da Comissão Técnica da Seleção Canarinho após o vexame de 7×1. Para Felipão e Parreira, nada estava errado na preparação da Seleção Brasileira. O problema foi um apagão geral do time todo que o levou a tomar 4 gols em 6 minutos.
Pois é Felipão, não houve problema algum no seu trabalho. Foi só um apagão que custou um vexame histórico e 200 milhões de brasileiros frustrados.
Como dizem, “o pior cego é o que não quer ver”. Ou “errar é humano, persistir no erro é ser Felipão”, teimoso e arrogante. Não assume os erros e afunda a emoção de milhares de pessoas.
Mas a Copa acabou e a CBF já começou as mudanças. Adeus comissão técnica fracassada. Vida e esperanças novas.
Espero que agora façam mais. Que tenham a coragem de fazer mudanças drásticas em tudo ligado a futebol.
E você? Está com coragem de fazer mudanças drásticas na sua vida pessoal ou profissional?
Ou vai ficar chorando e dando desculpas para que sua vida seja um fracasso ou cheia de frustrações?
Chega de Síndrome de Felipão, né?
Seu lema hoje: “Mudanças já e com coragem para ser feliz”.
Participe da Conversa
Frequentemente as mudanças acontecem na vida da gente. Em algumas vezes, estamos preparados para elas, em outras elas representam uma grande surpresa. Por vezes, desejamos a mudança, vislumbrando uma nova oportunidade em nossa vida. Acontece também de não as desejarmos, pois estamos felizes com as coisas do jeito que estão. Mas as mudanças acontecem, quer queiramos ou não…
Quando buscamos algo melhor, costumo dizer que estamos criando a mudança, pois estamos não só indo atrás dela, como desejamos que coisas melhores ocorram. Nesta hora, dizemos que a mudança é positiva e bem-vinda.
Mas existe também aquela mudança que você não deseja. Tudo estava bem do jeito que estava, por que mudar agora? Nesta hora criamos resistências, não aceitamos a oportunidade que a vida nos dá para novos desafios. Reclamamos e amaldiçoamos pelo que nos acontece.
Pessoas proativas são as que criam as mudanças, vislumbram novas oportunidades, desejam sempre mais, porque sabem que estão em constante crescimento e aprendizado. Pessoas acomodadas se comportam como árvores, não saem dos seus lugares, esperam que tudo ocorra como desejam ou que tudo se mantenha exatamente como está.
Se você se identificou com o segundo tipo, aqui vai uma reflexão: você não é uma árvore… você não nasceu com raízes que lhe impossibilitam de mudar de lugar. Você também pode dizer que não nasceu com asas, que te possibilitariam voar, mas eu diria que você nasceu com algo melhor do que asas: inteligência e criatividade. Faça por merecer a inteligência que tem e saiba reconhecer quando é hora de mudar.
Nosso mundo é dinâmico, nada é estático. Já dizia Heráclito: “Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio”. Claro! O rio não é o mesmo… nós também não somos! Creio que hoje somos melhores que ontem, piores do que amanhã. E assim prossegue o rio da vida, propiciando mudanças para que tenhamos – todos os dias – novas oportunidades, novos olhares, novos aromas, novas experiências. Saia do lugar! Você não é uma árvore…
Participe da Conversa
Responda rápido a minha pergunta:
– De zero a 100% qual é o seu grau de comprometimento em ler este artigo até o final?
Estranha a pergunta? Para quem é Coach ou faz sessões de Coaching esta pergunta é corriqueira. Toda vez que atendo um cliente de Coaching Holístico e definimos uma meta ou tarefa, sempre fecho a sessão com esta pergunta:
– Qual é o seu grau de comprometimento em realizar esta tarefa ou meta?
Em geral o cliente responde 100%. Só que nem sempre isto ocorre. Nem sempre o cliente se compromete 100% em executar a tarefa ou meta.
Um dos maiores problemas de uma pessoa que faz Coaching é a falta de comprometimento. É mais fácil dar desculpas do que tentar cumprir o que se comprometeu.
E falta de comprometimento não é só no Coaching que ocorre. No dia a dia de qualquer empresa os funcionários nunca cumprem o que prometem e se comprometem. É uma total falta de responsabilidade, profissionalismo e até de caráter da pessoa.
Sua atitude vai prejudicar a empresa, seus colegas de trabalho e a si mesmo. Aí perde o emprego e reclama.
E o que falar de pessoas no nosso dia a dia que prometem algo para alguém ou para si mesmo e não cumprem. Cadê o comprometimento, gente?
Falta de comprometimento na via profissional e pessoal é um péssimo hábito. Quem não tem comprometimento leva a “vida na flauta” ou “seja o que Deus quiser”.
O cliente senta na minha frente na sessão de Coaching, fala que quer ter sucesso na vida, jura 100% de comprometimento e falta na sessão seguinte dizendo que tem outro compromisso importante.
Compromisso importante? E os 100% de comprometimento que ele “juramentou” com ele próprio em alcançar sucesso? Não é mais importante?
Parece que não. Estas pessoas que não cumprem o que falam, acham que estão enganando seu Coach, seu chefe ou sua própria vida.
Na verdade esta pessoa que não cumpre nem 1% do que se compromete, está enganado a si próprio. Está perdendo seu tempo e não o meu.
Você que não cumpre o que promete ou se compromete, fica aqui um recado para refletir:
Não cumpre o que promete, não avança, não vence e não conquista.
Para ajudar, significado de Comprometimento:
“Esta é uma atitude que poderíamos definir como algo de cunho moral, afinal, literalmente, remete ao cumprimento de um tratado, um pacto firmado.
Significa “honrar a palavra empenhada”. O comprometimento está vinculado ao clima organizacional, à cultura e aos valores da empresa. As pessoas estão dispostas a lutar por aquilo em que acreditam, seja no plano profissional ou pessoal. E lutam pela verdade!
Há uma relação íntima entre esta competência e a capacidade de estabelecer e cumprir metas. E esta relação está presente na própria palavra.
É por ai. Boa semana!
Participe da Conversa
Você já parou para pensar a força que estas duas palavras possuem? Bom Dia e Obrigado.
Palavras simples, óbvias, porém em muitos momentos esquecidas pelo corre-corre da falta de tempo, pelo mau humor que nos atinge, pelo status que faz acreditar que não se faz necessário ou pelo simples hábito de não se utilizar no vocabulário.
Certa vez ouvi em um treinamento de liderança: como você gostaria de ser liderado? E para minha surpresa: com um bom dia e um muito obrigado. E comecei a pensar.
Será que somente na gestão gostaríamos de ouvir estas palavras?
Quem não gostaria de ouvir pela manhã este simples gesto ou num momento que está desmotivado um obrigado por um trabalho realizado?
A palavra bom dia abre portas, pode ser o início de uma conversa difícil; quebrar o gelo num momento de nervoso, despertar o sorriso nos mais contagiantes, demonstrar respeito ao próximo e principalmente celebrar a oportunidade de um novo dia, cheio de desafios, atividades a serem desenvolvidas, pessoas a conhecer, negociações a vencer. Oferece uma palavra positiva para você e para quem ouve, transmitindo pensamentos positivos.
Pode parecer longe demais, mas e se nós realmente ao dizermos esta simples palavra, buscássemos ter o nosso Bom dia?
Onde você conhecendo seus valores, desejos e objetivos gera uma atitude consciente para que consiga o resultado esperado. Que possa vencer o medo, a desmotivação, a baixa estima e quebrar barreiras, obstáculos na comunicação, relacionamentos e descubra caminhos efetivos de atingir o sucesso e por que não a felicidade tão sonhada?
Pense nisso e se permita a realmente ter um bom dia.
A palavra obrigado tem significados interessantes segundo o dicionário: ser obrigado a fazer, obrigar por lei, ser grato, reagir a algo correspondido.
Palavra igualmente simples, mas difícil de ser dita por aqueles que justamente se sentem na obrigação de fazê-lo, mas nobre e cheia de ternura, gratidão e reconhecimento por quem diz e recebe.
Um feedback por algo, dar-lhe a vez, agradecer um trabalho, um presente, uma parceria ou um simples objeto que foi entregue, uma porta aberta. O poder do obrigado nos renova as energias, aumenta a motivação, estima, trabalho em equipe e comprometimento.
O obrigado é um gesto de reconhecimento, retorno positivo que se está no caminho certo, de um trabalho bem feito, de um apoio sincero, de uma ajuda para alguém que precisa carregar sua mala, segurar o elevador ou passar simplesmente o sal.
Reforça comportamentos; gera sinergia e cumplicidade.
Que possamos falar obrigada sem a obrigação social, mas dar ao outro o direito de gentileza e valor por um gesto, atitude ou trabalho.
Bom dia e obrigado. Que possam ser um oxigênio. Não tem o hábito? Dê o primeiro passo. Diga para você mesmo, pois este é o maior sentido para despertar para o outro.
Diga a você mesmo o quanto acredita em si e é capaz de buscar seus sonhos e metas; o quanto é grato por sua vida, carreira, família.
Que estas palavras não sejam apenas etiquetas profissionais mas façam parte de seu cotidiano para que ao despertar de um novo dia você tenha bons momentos e possa ser grato pelas conquistas feitas por você e pelos outros.
Pense nisso.
Te desejo um bom dia e obrigada.
Participe da Conversa
É aquela coisa que você já sabe que tem que fazer e não faz. É uma decisão que não toma, um trabalho que não termina, um projeto que não entrega, uma conversa que não rola nunca por que você não toma a iniciativa.
Aí você procura por ajuda, porque sabe que tem alguma coisa errada com isso. Sabe que não é o seu normal, mesmo que nem consiga ver isso com clareza. Você provavelmente dá um Google, pega um livro, conversa com alguém ou mesmo tira um tarô para ver o que dizem e invariavelmente você recebe o mesmo veredicto: “pare de procrastinar para ter sucesso, para conseguir o que você quer. Assuma as rédeas da sua vida, você tem condições, basta querer.”
E aí é que podemos perder uma chance de ouro, a de nos conhecermos melhor e efetivamente dar o salto [quântico] rumo a nós mesmos. Explico: quando vejo, na prática do Coaching, que as pessoas estão procrastinando, eu não falo para elas “superarem” esse problema. Ao contrário, eu sugiro que a gente acolha, pare e olhe para isso que está acontecendo. Vamos entender o que essa lentidão momentânea e consciente tem a dizer, que notícias ela traz desse momento da vida daquela pessoa.
Geralmente a procrastinação é um sintoma. É a ponta do iceberg. Ele traz muitas coisas consigo, que vão além da superfície. O que eu mais vejo na minha prática profissional tem a ver com medo, autossabotagem, insegurança, baixa autoestima, angústia, bloqueio criativo, falta de sentido ou de tesão, incapacidade de assumir o que se quer, entre outras coisas. Cada um desses tópicos merece um texto, ou melhor, um livro em si, então não vamos nos aprofundar agora, certo?
O que eu quero é sugerir que você pare e reflita a respeito do que faz você procrastinar. E busque entender o que esse sintoma está querendo te dizer. Essa é uma maneira muito potente de ir mais fundo e se ouvir, buscar sua verdade e aceitá-la. Acolher o seu momento é a melhor forma de sair dele, como já falei no texto sobre o limbo.
Proponho uma atividade para lhe ajudar nessa reflexão.
Separe um tempo para você, de preferência sozinho e sem interrupções, de aproximadamente 30 a 50 minutos. Procure estar num lugar confortável e, se possível, feche os olhos, respirando profundamente umas 3 vezes ou até conseguir deixar os pensamentos mais quietos, as preocupações de lado…
Então, com o auxílio de papel e caneta ou outro meio que você escolher, comece a atividade:
1º passo: Responda em quais situações específicas da minha vida estou procrastinando agora?
Escreva de maneira sucinta e precisa, como por exemplo: não terminei o projeto X. Não comecei a fazer ginástica. Estou usando muito tempo para fazer tarefa Y. Não estou conseguindo terminar tal coisa. Estou adiando a conversa com fulano.
2º passo: Depois olhe para essas situações que você escreveu e as leia com compaixão. Procure simplesmente aceitá-las, contemplá-las, sem julgá-las. Sei que é difícil não julgar, mas ao menos tente.
Ao observar essas situações, procure apenas abrir espaço para que elas mesmas te digam coisas.
3º passo: Se for o caso, pergunte-se: o que essa situação quer me dizer? O que há aqui, além da superfície? O que eu estou deixando de fazer de verdade? O que está por trás dessa procrastinação que eu não estou querendo ou podendo ver?
4º passo: Veja quais fichas caem, se caem, o que surge. Aceite o que veio, agradeça e só. Guarde tudo e retome sua vida. Se for dormir, boa noite. Se for voltar ao trabalho, bom trabalho. NÃO mexa mais no exercício.
5º passo: Após alguns dias (de 3 a 5 dias), volte ao que você anotou. Novamente observe as situações de procrastinação. Veja se algumas delas você já pode mexer e realizar. Anote as ações que têm que ser feitas.
6º passo: Faça.
Como sempre, quero saber o que surgiu para você, ao ler esse texto. Caíram fichas? Nada rolou? Tá valendo. Compartilhe aqui.
E você já sabe. Qualquer coisa, estou por aqui.
Com amor e com alma,
Karinna
PS: Se você acha que este artigo pode beneficiar alguém, por favor, encaminhe agora para essa pessoa.
PS2: Eu, claro, adoraria que você espalhasse meu artigo por aí, nas suas redes. Assim mais gente curte e compartilha com quem precisa.
Obrigada!
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Eu tenho a mais absoluta certeza de que a grande parte dos leitores já ouviu falar sobre a Inteligência Emocional. Aliás, provavelmente, haverá até especialistas e professores na disciplina cuja fundamentação teórica nos remete a Charles Darwin. O que a maioria também sabe está no fato de que a popularização do assunto surgiu quando, há vinte anos, Daniel Goleman publicou um best-seller a respeito. Mas será que a inteligência emocional se confunde com a Inteligência Espiritual? E você, o que pensa a respeito?
Para começo de conversa, deve-se lembrar que o conceito de “inteligência” é algo sobre o que não há unanimidade. A depender da corrente de estudos, esse conceito (que na linguagem dos estudiosos chama-se constructo) terá diferentes interpretações e o pesquisador deve indicar qual a ênfase e abordagem mais adequada ao seu objetivo de momento. Neste nosso caso, vamos nos vincular ao conceito etimológico de que a “inteligência” é a capacidade de identificar as opções, processá-las e decidir por aquela mais conveniente em um dado problema ou situação. Agora, vou tirar o foco da mera conceituação de “inteligência” para tratar do tema ampliado: Inteligência Espiritual.
O estudo da importância da espiritualidade tem crescido bastante, a ponto de haver profissionais da área de saúde que indicam haver alta relação entre a prática espiritual com a saúde mental das pessoas. E aqui surge a necessidade de se fazer outra distinção, pois espiritualidade não é o mesmo que religiosidade. Esta última diz respeito à prática da relação da pessoa com Deus, em que há um sistema de rituais ou simbolismos presentes. A espiritualidade, porém, volta-se à dimensão pessoal que diz respeito à própria existência, uma relação com a consciência sem que haja necessariamente rituais ou símbolos. Ou seja, a espiritualidade diz respeito a atitudes, sentimentos e pensamentos superiores que levam ao crescimento (amadurecimento) do ser humano. A prática da religião pode apoiar a espiritualidade, mas esta vai além.
Voltando ao tema central, vamos nos basear nos estudos e propostas da física e filósofa americana Danah Zohar, ligada a importantes centros de pensamento, nos EUA e Europa. Tendo como linha de pesquisa a física quântica, sobre Inteligência Espiritual ela relata ser algo essencial para promover a cooperação entre as pessoas, tanto na família como em sociedade. Indo além, ela entende que é a Inteligência Espiritual que ajudará as pessoas a alcançarem soluções positivas para o planeta, além de criar um melhor encontro individual nessa caminhada, ao descobrir melhor a si mesmo e aos seus valores. O alto quociente espiritual faz a pessoa ter a vida mais criativa, promissora e com sentido, com identificação do propósito pessoal.
Em seu livro Inteligência Espiritual (Editora: Viva Livros; 2012), escrito com Ian Marshall, Danah comenta que a inteligência emocional faz a pessoa ter capacidade de julgar em que situação se encontra e como deve se comportar, adequadamente, nos limites dessa situação. A Inteligência Espiritual estimula a pessoa a se perguntar se ela deseja estar nessa situação em particular e como é a melhor forma de trabalhar com os limites da situação. Em seu livro ela comenta de dez atributos típicos que mostram quando a pessoa tem um elevado quociente de Inteligência Espiritual.
As características comuns de quem tem alta Inteligência Espiritual são assim resumidas: (1) Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo; (2) São idealistas e levadas por valores pessoais; (3) Têm capacidade de encarar e se apropriar positivamente da adversidade; (4) São holísticas, no sentido de que conseguem ter visão abrangente sobre cada situação (analisam as partes e entendem o todo); (5) Respeitam a diversidade (em todas as nuances de diferenças entre pessoas, sem preconceitos); (6) Preservam sua independência e arbítrio; (7) Perguntam sempre “por quê?”, como forma de se questionarem quanto aos próprios dogmas e crenças limitantes; (8) Têm capacidade de colocar as situações e os fatos em um contexto ampliado; (9) São espontâneas e verdadeiras, e; (10) Têm compaixão, conseguindo se colocar no lugar das pessoas que estão com dores ou problemas, viabilizando ajudá-las.
E então, como está o seu grau de Inteligência Espiritual? Agora, fica o convite à sua reflexão e … Boa sorte!
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