E Se Farmar Aura Virar um Esporte Olímpico? O Que o Fenômeno Diz Sobre as Gerações
Se você viu esse título aí em cima e resolveu ler esse artigo, já deve saber o que é uma competição de farmar aura. Se não sabe, até posso explicar, mas é melhor ver. É só buscar no Google e vários vídeos vão aparecer. E pode voltar aqui depois, com todos os seus preconceitos.
Por falar em preconceito, vamos pensar em adolescentes da década de 70. Se você se encaixa nesse perfil, pode ficar mais fácil de identificar. Você é adolescente, descobre uma banda nova, rock progressivo ou heavy metal, acha que é a melhor coisa do universo e resolve mostrar para os seus pais. E aí vem a decepção, quando apesar do seu entusiasmo, na primeira guitarra mais pesada, já pedem para você desligar a vitrola ou o toca-fitas, olhando para você com cara de preocupação, pensando onde foi que eles erraram.
Essa reação não é diferente da que enfrentam adolescentes de hoje, chegando em casa com um troféu conquistado em uma competição de farmar aura. Eles não devem conhecer Como Nossos Pais, música de Belchior mais conhecida na voz de Elis Regina, mas esse ciclo está descrito nessa letra.
As reações pelo país mostram isso.
Na cidade de Cametá, interior do Pará, um senhor que observava a competição de farmar aura perguntou se seria “essa geração que vai pagar” a aposentadoria dele; outro sugeriu que os jovens usassem o tempo livre para capinar um terreno. O caso mais extremo aconteceu em Cuiabá, onde o prefeito chegou a proibir a realização de um campeonato do tipo na cidade — e, ao ser questionado sobre o significado da expressão, respondeu não fazer ideia do que se tratava.
Para pesquisadores da área de comunicação, esses campeonatos representam uma busca do que sempre existiu: a vontade de experimentar o novo, de criar formas de pertencimento e de socializar fora das telas. O que é ótimo e estranhamente, o que todo pai quer que filhos e filhas façam, se afastem das telas. Mas para a maioria, essa não é a melhor forma. Esse incômodo de adultos é a repetição do padrão que se repete a cada geração. Afinal, “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”.
Mudando de gênero musical, foi assim quando surgiu o rock’n’roll e Elvis Presley chegou a ser filmado apenas da cintura para cima em programas de TV por causa de seus movimentos de quadril, considerados obscenos pela geração adulta da época.
Aí, os que foram jovens nos anos 50, vendo o hip-hop dos anos 80, talvez tenham ficado escandalizados com os filhos ouvindo um gênero tratado como sinônimo de violência e marginalidade, ao mesmo tempo em que jogavam videogames apontados como causa de violência, isolamento social e baixo rendimento escolar. Ainda é visto assim, mas ao mesmo tempo é uma indústria bilionária, com competições de e-sports transmitidas para milhões de espectadores.
Como com nossos pais, o padrão se repete.
O novo comportamento é lido pela geração mais velha como sintoma de decadência, um passo atrás na evolução humana. E não como uma linguagem própria de um momento histórico e, aqui, ligado a um momento também tecnológico. Com o tempo, farmar aura pode até ser normalizado e ganhar reconhecimento formal. Ou pode só desaparecer, enquanto o julgamento adulto vai migrar para a próxima moda.
Esse ciclo de estranhamento entre gerações não fica só nas praças, entre adolescentes. Também aparece dentro das empresas, especialmente quando o assunto envolve algum tipo de inovação ou mudança de paradigma. É só ver o que acontece com as ações de diversidade e inclusão. Quantas vezes você já não ouviu de profissionais mais velhos comentários do tipo “no meu tempo a gente só trabalhava, e tudo funcionava muito bem” ou “isso é modismo, vai passar”, associando políticas de D&I a uma espécie de “campeonato de farmar aura corporativo”, com ações vistas como performáticas, feitas para aparecer nas redes sociais da empresa ou só para cumprir pautas da moda, sem gerar resultado prático.
O que uma geração não viveu na sua trajetória profissional costuma ser, de fato, visto como exagero ou frescura. E não como uma resposta a demandas reais de um mercado de trabalho mais diverso e conectado. Assim como o adulto que nunca “farmou aura” enxerga apenas poses sem sentido ou ridículas em uma praça, o gestor que nunca precisou lidar com pautas de representatividade pode enxergar apenas reuniões e relatórios em uma política de inclusão, sem perceber tudo que existe por trás dela.
Se a gente parar para pensar, o mais estranho deveria ser pessoas se incomodando com a forma como outras se divertem.
No caso de competições de farmar aura, como já foi com o rock, quem está de fora se coloca em uma posição de superioridade. Talvez se esquecendo até do seu próprio passado, mas tentando julgar o que vê a partir do seu gosto, o que nunca vai funcionar. Da mesma forma, quem olha para formas novas de gestão cede ao preconceito e se coloca em uma posição de superioridade. E não consegue ver a realidade de outras pessoas colocadas à margem pela falta dessas políticas.
Claro que reduzir toda essa discussão a “gente velha implicando com coisa de gente nova” seria tão simplista quanto ignorar que parte da resistência a essas pautas reproduz o mesmo tipo de estranhamento geracional discutido neste artigo. Mas tudo pode mudar.
Vamos pensar em uma mudança total, por exemplo. Se farmar aura não desaparecer e virar um esporte olímpico, como dizem que pode acontecer em breve com videogames, vai ter gente torcendo em frente da televisão e os medalhistas vão desfilar em carro aberto nas suas cidades. Pode parecer absurdo, mas nem tanto, se a gente pensar que ainda hoje, tem gente que não se conforma que bilhões parem para assistir mais de vinte homens adultos correndo atrás de uma bola por mais de uma hora. Tudo pode mudar e que bom que seja assim.
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Marco Ornellas
https://www.ornellas.com.br/
Confira também: Que Futuro Espera o Mercado de Trabalho?
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Comunicação Interna em Tempos de Excesso de Informação (parte II)
No artigo passado (leia), falei sobre o impacto do excesso de comunicação na vida de colaboradores e na rotina das empresas. Nessa semana, continuarei falando sobre o mesmo tema e como o excesso de informações pode ser administrado por líderes, trabalhado em equipes híbridas, a eficiência na comunicação interna e o que se esperar de tendências futuras sobre o tema.
Um dos pontos abordados no artigo anterior era de que nem toda comunicação precisa chegar a todos os colaboradores. Mas quem decide qual informação enviar e para quem enviar, muitas vezes, são as lideranças, afinal, eles são os principais multiplicadores da comunicação interna. Por isso é fundamental que saibam filtrar e contextualizar aquilo que é comunicado, além de abrir espaço para dúvidas e feedbacks, sendo possível assim, criar um canal aberto com suas equipes para melhorar a cada dia sua comunicação.
Algumas práticas podem ajudar os líderes nesse processo, são elas: calendários de comunicações, uso consciente dos grupos de mensagens, definição de canais oficiais, resumos semanais ou quinzenais, reuniões rápidas e objetivas (com atas disponíveis para consultas posteriores), pesquisas de feedback para entender o que realmente está sendo absorvido e sendo relevante para os colaboradores.
E quando essa comunicação passa por equipes remotas ou híbridas, é importante dizer que o desafio fica ainda maior.
No trabalho híbrido, é essencial garantir que todos tenham acesso às mesmas informações. Para que você possa incluir de forma efetiva os colaboradores remotos, o uso estratégico das ferramentas digitais torna-se indispensável. Registre e compartilhe previamente os materiais relevantes, disponibilize atas e resumos das reuniões e assegure que o fluxo de informação não dependa da presença física. A comunicação, nesse modelo, precisa ser intencional, estruturada e cuidadosamente planejada. Para isso, pergunte-se:
- Quem precisa receber essa informação?
- Qual é o melhor canal?
- Como confirmar que a mensagem foi compreendida?
No futuro, a tendência é que a inteligência artificial contribua com a personalização de conteúdos, segmente os comunicados, produza interação e conteúdos mais curtos e tenha mais foco na experiência do colaborador. Mas por enquanto, quem decide a melhor maneira de comunicar ainda somos nós. Então, independentemente da tecnologia disponível, o pensamento precisa ser: como conectar as pessoas às informações relevantes? A fim de conquistar alinhamento, confiança e sentimento de pertencimento.
Quais são os maiores desafios causados pelo excesso de informação no seu dia a dia? Compartilhe conosco.
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Um abraço e até a próxima!
Karine Gomes
http://www.criarecriar.com.br/
Confira também: Comunicação Interna em Tempos de Excesso de Informação (parte I)
Palavras-chave: comunicação interna, excesso de informação, equipes híbridas, inteligência artificial, experiência do colaborador, comunicação interna em tempos de excesso de informação, como reduzir o excesso de informação na comunicação interna, comunicação interna em equipes híbridas, como melhorar a comunicação interna nas empresas, como organizar a comunicação em equipes híbridas
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Nunca Tivemos Tantas Ferramentas para Criar. Por Que Tantas Marcas Parecem Iguais?
Recentemente, estive em Vitória, a convite da Aeskins, empresa brasileira que atua no mercado de biotecnologia voltada à saúde, estética e bem-estar, para conversar sobre marketing estratégico com empresários e profissionais da área.
Comecei o encontro fazendo uma pergunta aparentemente simples: como você se apresenta?
As respostas normalmente começam pelo que fazemos. Profissão, especialidade, empresa, formação, cargo.
Carrego comigo, porém, uma convicção: o que fazemos pode ser transitório. Cargos mudam, empresas mudam, carreiras tomam novos rumos. Quem somos atravessa essas mudanças e permanece na memória das pessoas.
Por isso, antes de pensar em como queremos ser percebidos, precisamos compreender quem somos e o que, de fato, nos diferencia.
Foi a partir daí que chegamos a uma contradição que considero especialmente relevante para quem lidera um negócio hoje.
Nunca foi tão fácil fazer marketing. E talvez nunca tenha sido tão difícil fazer marketing.
Temos inteligência artificial, dados, automação, plataformas de comunicação, ferramentas de criação e acesso quase ilimitado a referências. Podemos acompanhar tendências em tempo real, estudar empresas do outro lado do mundo e, além disso, descobrir em poucos minutos o que nossos concorrentes estão fazendo.
Recursos que antes dependiam de grandes estruturas, equipes especializadas ou investimentos consideráveis estão disponíveis para empresas dos mais diferentes portes.
Nunca tivemos tantas possibilidades para criar.
Curiosamente, basta observar o mercado para perceber que isso nem sempre está produzindo mais diferenciação. Em alguns setores, acontece justamente o contrário.
Marcas começam a utilizar a mesma linguagem, seguir os mesmos formatos, falar dos mesmos assuntos e reproduzir códigos estéticos muito semelhantes.
E talvez parte da explicação esteja em um comportamento bastante humano: a comparação.
Existe um velho ditado segundo o qual a grama do vizinho sempre parece mais verde. Para quem lidera uma empresa hoje, talvez nunca tenha sido tão fácil chegar a essa conclusão.
O concorrente está a um clique de distância. Vemos seu lançamento, a nova sede, a campanha que funcionou, o evento lotado, o crescimento celebrado no LinkedIn, o reconhecimento recebido, a estratégia comentada em um podcast.
O que raramente aparece com a mesma facilidade são os bastidores.
Não vemos todas as tentativas que deram errado, o investimento realizado, as circunstâncias daquele negócio, as competências da equipe, as decisões difíceis ou o tempo necessário para chegar àquele resultado.
Ainda assim, é muito fácil comparar a realidade inteira da nossa empresa com uma pequena parte cuidadosamente selecionada da realidade do outro.
E a comparação começa a influenciar escolhas.
Uma empresa lança determinado produto porque o concorrente lançou. Outra muda sua comunicação porque determinada linguagem parece estar funcionando. Negócios incorporam serviços, experiências e tendências porque o mercado aparenta caminhar naquela direção.
Pouco a pouco, a pergunta “o que faz sentido para o nosso negócio?” corre o risco de ser substituída por “o que está funcionando para eles?”.
Foi justamente essa reflexão que levei ao encontro em Vitória:
Se todo mundo está olhando para todo mundo para decidir o que fazer, quem está olhando para dentro para decidir quem quer ser?
Talvez a comparação seja um dos piores roubos de identidade do nosso tempo.
Para quem trabalha com estratégia, observar o mercado é indispensável. Benchmarking existe por uma boa razão. Estudar boas práticas, concorrentes e outros setores amplia a visão e ajuda assim a identificar possibilidades.
Mas existe uma fronteira importante entre aprender com o mercado e permitir que ele determine quem você deve ser.
Na apresentação, resumimos essa diferença em uma frase:
“Você pode olhar para o mercado para entender o cenário. Mas não pode olhar para o mercado para descobrir quem você é.”
Com a inteligência artificial, essa discussão ganhou uma nova dimensão. Se empresas consultam fontes semelhantes, acompanham as mesmas tendências e utilizam ferramentas parecidas, então o risco de encontrar respostas cada vez mais iguais também aumenta.
É justamente aí que posicionamento ganha valor.
Posicionar é escolher. É compreender para quem queremos ser relevantes, qual lugar desejamos ocupar e o que estamos dispostos a deixar de fazer para permanecer coerentes com essa escolha.
No início daquele encontro em Vitória, perguntei como cada pessoa se apresentava.
Talvez a pergunta que líderes e empresários precisem levar para suas empresas seja igualmente simples:
Quem somos e por que alguém deveria nos escolher?
Em um futuro com mais tecnologia, mais informação e mais possibilidades, encontrar respostas será cada vez mais fácil.
O verdadeiro desafio será construir negócios que evoluam sem perder aquilo que os torna reconhecíveis, relevantes e, sobretudo, únicos.
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Quer saber mais sobre como construir um posicionamento de marca capaz de diferenciar seu negócio sem perder aquilo que o torna único? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Um grande abraço,
Queila Fonini
Fundadora e CEO da Aviah Soluções Empresariais
https://www.aviah.com.br
Confira também: O Que Oito Anos de Transformação na Saúde Revelam Sobre o Futuro
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Mensalidade Escolar: O Reajuste de 2027 Precisa Caber no Orçamento, Não o Contrário
A cada ano, o período de matrículas e rematrículas nas escolas particulares traz uma preocupação recorrente para as famílias: quanto vai custar manter os filhos na instituição escolhida? Para 2027, os levantamentos do setor apontam reajustes que, em muitos casos, devem ficar entre 7% e 11%. Em um cenário de orçamento doméstico já pressionado, esse aumento pode representar um desafio importante.
Mas acredito que o principal erro seja olhar para o reajuste apenas quando ele chega. O planejamento precisa começar antes. Afinal, mais importante do que saber quanto a escola pretende aumentar a mensalidade é entender quanto a família pode efetivamente destinar à educação sem comprometer outras necessidades, projetos e sonhos.
Costumo dizer que o orçamento é o GPS financeiro da família. Ele precisa mostrar o caminho e, principalmente, indicar se determinada escolha é sustentável ao longo do tempo.
Por isso, antes de conversar com a escola, recomendo que os pais façam um diagnóstico completo das próprias finanças. É preciso colocar no papel as receitas, as despesas e os compromissos já assumidos. Só assim será possível identificar quanto realmente pode ser destinado à educação e quais ajustes serão necessários caso a mensalidade aumente.
Informação também ajuda a tomar decisões
Mesmo que a intenção seja permanecer na escola atual, considero importante pesquisar outras possibilidades. Minha recomendação é que os pais conheçam pelo menos cinco instituições próximas e comparem mensalidades, proposta pedagógica, estrutura, atividades e benefícios oferecidos.
Isso não significa que a família necessariamente deva trocar de escola. A pesquisa serve, antes de tudo, para ampliar o conhecimento sobre o mercado.
Quando sabemos quanto outras instituições cobram e o que oferecem, passamos a ter melhores condições para avaliar se o valor pago atualmente é compatível com aquilo que recebemos. E essa informação também pode ser importante no momento de negociar.
Os filhos também precisam participar da conversa
Quando existe a possibilidade de mudança, não podemos ignorar que essa decisão também afeta crianças e adolescentes. Por isso, considero importante conversar com os filhos, entender se estão satisfeitos com a escola atual e explicar que existem alternativas.
Os pais continuam sendo responsáveis pela decisão, naturalmente. Mas os filhos podem participar do processo e compreender que toda escolha envolve prioridades e consequências.
Essa conversa também é uma oportunidade de educação financeira. Desde cedo, crianças e adolescentes precisam entender que os recursos são limitados e que uma família precisa fazer escolhas sobre onde utilizar o dinheiro.
Negocie antes que o problema apareça
Depois de conhecer o próprio orçamento e pesquisar alternativas, chega o momento de conversar com a escola. E minha recomendação é não deixar isso para a última hora. É possível verificar a existência de descontos, bolsas, condições diferenciadas de pagamento, benefícios para irmãos ou vantagens para quem consegue antecipar parcelas.
Quanto mais cedo a família procurar a escola, maior será o tempo para avaliar possibilidades e negociar. Se houver alguma mudança relevante na situação financeira, como perda de emprego, redução de renda ou aumento inesperado de despesas, também considero importante apresentar essa realidade de forma transparente. A negociação tende a ser mais produtiva quando existe informação dos dois lados.
Se a escola for prioridade, é preciso reorganizar as despesas
Também acredito que não exista uma resposta única para todas as famílias. Em alguns casos, mesmo com o reajuste, permanecer na escola atual será uma prioridade. Se essa for a decisão, o caminho é olhar novamente para o orçamento e identificar onde é possível reduzir excessos. Gastos com supermercado, assinaturas, lazer, vestuário, consumo de energia e outros itens podem ser revisados.
Não estou falando em sacrificar a qualidade de vida da família. A proposta é fazer com que o dinheiro seja direcionado de maneira mais consciente. Quando uma família define uma prioridade, precisa encontrar espaço no orçamento para realizá-la. Muitas vezes, pequenos ajustes em diferentes despesas são suficientes para preservar aquilo que realmente importa.
Cuidado com o desconto que custa caro
Outro ponto que merece atenção é a possibilidade de antecipar pagamentos para conseguir descontos. Um desconto à vista pode, de fato, ser vantajoso. Mas não considero saudável utilizar a reserva financeira destinada a emergências apenas para conseguir uma redução na mensalidade.
Um desconto pode parecer muito interessante no momento, mas perderá o sentido se, diante de um imprevisto, a família não tiver dinheiro disponível para enfrentá-lo. O dinheiro precisa ter uma função definida dentro do planejamento familiar. A reserva de emergência existe justamente para proteger a família diante de situações que não podem ser previstas.
O reajuste pode ser uma oportunidade de aprendizado
Mais do que discutir o valor da mensalidade, acredito que podemos utilizar o período de matrícula para colocar em prática importantes princípios da educação financeira.
Na Metodologia DSOP, trabalhamos com quatro pilares: Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar. Eles ajudam a transformar decisões financeiras em escolhas conscientes e planejadas.
O diagnóstico mostra a realidade. O sonho estabelece aquilo que queremos alcançar. O orçamento indica quanto podemos destinar a cada objetivo. E o poupar cria as condições para que os projetos sejam realizados.
A escolha da escola dos filhos também pode passar por esse processo. Por isso, não devemos tratar a mensalidade escolar simplesmente como mais uma conta a ser paga. É uma decisão que envolve educação, qualidade de vida, planejamento e prioridades familiares.
Antes de decidir onde o filho vai estudar em 2027, é preciso saber quanto essa escolha representa no orçamento e quais ajustes serão necessários para que ela seja sustentável durante todo o ano.
No fim, acredito que essa seja uma das principais lições que podemos transmitir aos nossos filhos: dinheiro não é apenas uma questão de quanto ganhamos, mas de como fazemos escolhas com os recursos que temos.
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Quer saber mais sobre como planejar a mensalidade escolar de 2027 sem deixar que o reajuste comprometa o orçamento, os sonhos e a segurança financeira da sua família? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Um grande abraço,
Reinaldo Domingos
PhD em Educação do Comportamento Financeiro, presidente da DSOP Educação Financeira e da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (ABEFIN)
https://www.dsop.com.br
Confira também: Aluguel Consignado e o Risco de Comprometer o Futuro em Parcelas
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Quem Disse que, para Crescer na Carreira e Ser Valorizado, Você Precisa Liderar?
Quem disse que, para crescer na carreira e ser valorizado, precisamos liderar uma equipe, uma empresa ou ocupar cargos de destaque?
Crescer pode significar assumir uma posição maior, mas também pode significar tornar-se um profissional melhor em diversos sentidos.
Pode significar aprofundar conhecimentos, assumir novas atividades, experimentar novas profissões, desenvolver competências, conquistar autonomia, realizar projetos mais complexos, encontrar mais sentido no trabalho ou simplesmente alcançar um nível de excelência que antes parecia impossível.
Crescer não significa, necessariamente, construir uma carreira linear.
E talvez exista algo ainda mais importante que poucas pessoas reconhecem: crescer também pode significar voltar para trás.
Ao longo da vida, podemos fazer pausas. Podemos deixar uma carreira por questões pessoais, familiares ou por escolhas que, naquele momento, fazem sentido para nós. Podemos mudar de profissão, aceitar uma função diferente, recomeçar em outro lugar ou até ocupar, temporariamente, uma posição que poderia parecer um passo para trás aos olhos de quem observa apenas o cargo.
Mas será que é realmente um retrocesso?
Nem sempre.
Às vezes, aquilo que parece um recuo no currículo é justamente o período em que adquirimos novas experiências, desenvolvemos outras habilidades, descobrimos competências que não sabíamos possuir e passamos a enxergar o trabalho e a própria vida sob outra perspectiva.
A experiência não desaparece quando mudamos de caminho. Ela se transforma em repertório.
Durante décadas, fomos ensinados a associar crescimento profissional à ascensão. A carreira ideal parecia uma escada: entrar, aprender, assumir responsabilidades, crescer, liderar, ocupar posições maiores.
Mas hoje o cenário mudou.
A transformação das carreiras já aconteceu, mas parte das nossas crenças sobre o que significa “crescer” ainda permanece presa ao modelo antigo.
Hoje, cada vez mais, as pessoas constroem suas trajetórias combinando experiências, conhecimentos, habilidades, competências, interesses, projetos, oportunidades e propósitos que fazem sentido para cada uma delas.
Há quem queira liderar pessoas, empreender, tornar-se uma referência técnica ou aprofundar-se em uma área. Outros encontram realização em projetos específicos, mudam completamente de profissão ao longo da vida ou fazem pausas e depois retomam. Há ainda quem precise dar dois passos para trás para, mais adiante, descobrir um caminho que nunca teria encontrado se tivesse continuado seguindo em linha reta.
São diferentes formas de construir uma trajetória profissional.
O que talvez ainda não tenha mudado na mesma velocidade são algumas das nossas crenças sobre o que significa crescer.
Ainda existe, em muitos ambientes, uma espécie de escada invisível.
E, nela, parece que subir é sempre melhor do que permanecer. Que liderar é sempre melhor do que executar e que ter mais pessoas sob sua responsabilidade significa, necessariamente, ter mais valor. Parece também que um cargo maior representa uma pessoa mais bem-sucedida e que a visibilidade acaba sendo confundida com relevância.
Mas será que essa régua ainda faz sentido?
Quando a carreira deixa de ser uma escada
Essa mudança na forma de compreender a carreira não é apenas uma percepção contemporânea. Ela vem sendo estudada há décadas e ganhou novas perspectivas nos últimos anos.
Douglas Hall, ao desenvolver o conceito de carreira proteana, propôs uma visão em que a trajetória profissional é cada vez mais autodirigida e orientada por valores pessoais e critérios próprios de realização. Nessa perspectiva, o sucesso não precisa ser definido apenas por indicadores externos, como salário ou posição hierárquica, mas também pelo chamado sucesso psicológico: aquilo que a própria pessoa reconhece como realização em sua trajetória.
A ideia ganhou força na literatura posterior. Em 2024, Scott Seibert, Jos Akkermans e Cheng-Huan Liu publicaram uma revisão crítica sobre o sucesso de carreira contemporâneo e destacaram justamente a necessidade de compreender conjuntamente suas dimensões objetiva e subjetiva, além de fatores como capital humano, redes de relacionamento, autogestão da carreira e mudanças nas formas de trabalho.
Isso muda a pergunta.
Em vez de perguntar apenas: “Até onde você chegou?”
Podemos perguntar: “O que representa sucesso para você?”
- Para alguém, crescer pode significar chegar à diretoria.
- Para outro, tornar-se o melhor especialista de sua área.
- Para alguém, construir um negócio próprio.
- Para outro, conquistar autonomia para escolher os projetos em que deseja trabalhar.
- Para alguém, liderar uma grande equipe pode representar realização.
- Para outro, a realização pode estar justamente em desenvolver profundamente seu conhecimento técnico e entregar um trabalho de excelência.
Existem diferentes critérios de sucesso.
E reconhecer isso não diminui a importância da liderança. Apenas amplia a compreensão sobre o que significa crescer.
E quando precisamos voltar?
É aqui que entra outro conceito importante estudado pela psicologia vocacional: a adaptabilidade de carreira.
Rudolph, Lavigne e Zacher realizaram uma meta-análise publicada no Journal of Vocational Behavior que reuniu 90 estudos sobre o tema. Os resultados mostraram associações significativas entre adaptabilidade de carreira e diversos resultados profissionais e de vida, incluindo identidade profissional, satisfação, empregabilidade, desempenho, empreendedorismo e satisfação com a vida.
Em outras palavras, a capacidade de lidar com tarefas, transições e mudanças ao longo da trajetória profissional não é necessariamente sinal de falta de planejamento.
Pode ser uma competência.
Uma pessoa pode planejar uma trajetória e, anos depois, perceber que precisa mudá-la. Pode fazer uma pausa para cuidar da família, mudar de profissão, empreender, voltar ao mercado ou aceitar uma função diferente. Nesse processo, pode descobrir novas habilidades e perceber que aquilo que fazia sentido aos 25 anos já não faz aos 45.
E tudo isso pode fazer parte da construção de uma carreira. E não digo isso da minha cabeça.
Uma segunda meta-análise, também publicada no Journal of Vocational Behavior, analisou 76 estudos sobre as quatro dimensões da adaptabilidade de carreira: preocupação com o futuro, controle, curiosidade e confiança. O estudo encontrou relações dessas dimensões com resultados como satisfação e desempenho no trabalho.
Isso nos ajuda a olhar de outra maneira para aquilo que, muitas vezes, chamamos de “mudança de rumo”.
Uma pausa não precisa significar interrupção, assim como uma mudança de profissão não precisa significar fracasso. Da mesma forma, um retorno a uma posição diferente não precisa representar retrocesso. E uma trajetória que não segue uma linha reta não significa, necessariamente, falta de planejamento.
Pode significar adaptação, aprendizagem, escolha e crescimento.
Uma revisão publicada em 2024 por Jos Akkermans e outros pesquisadores analisou 93 estudos quantitativos longitudinais sobre transições de carreira e identificou que a pesquisa ainda havia se concentrado excessivamente em transições consideradas normativas e previsíveis, enquanto transições mais particulares, ou idiossincráticas, permaneciam menos exploradas.
Talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores mudanças que precisamos fazer também em nossa forma de olhar para as pessoas.
Nem toda trajetória que foge do padrão está errada.
Às vezes, ela apenas não cabe no padrão.
O grande quebra-cabeça
Se olharmos para o campo profissional como um grande quebra-cabeça, perceberemos que ele não é formado por peças iguais.
Precisamos de quem pense, de quem crie, de quem execute, de quem cuide, de quem produza, de quem venda, de quem organize, de quem analise, de quem resolva problemas. E, sim, também de quem lidere.
Nenhuma dessas contribuições existe isoladamente.
É a combinação delas que faz o sistema funcionar.
Uma pequena peça pode estar escondida dentro de uma engrenagem e, ainda assim, ser essencial para que todo o mecanismo continue funcionando.
Talvez seja justamente por isso que uma organização — e a própria sociedade — não precise que todas as pessoas sigam o mesmo caminho.
Uma pessoa pode ter escolhido uma profissão aos 18 anos e descobrir, aos 35, que deseja fazer outra coisa. Outra pode interromper sua carreira para cuidar da família e voltar anos depois em uma nova função. Alguém pode passar décadas como especialista e, em determinado momento, decidir que faz sentido liderar, enquanto outra pessoa pode experimentar a liderança e descobrir que sua maior realização está justamente na especialização. Também é possível empreender, voltar a trabalhar em uma organização e mudar novamente.
A escolha feita no passado não precisa aprisionar a pessoa no futuro.
E talvez essa seja uma das maiores riquezas de uma trajetória: poder levar consigo aquilo que foi aprendido, mesmo quando se muda de caminho.
Podemos recomeçar sem começar do zero.
E onde entra a liderança?
Em um artigo publicado em abril de 2026, Pedro Janot refletiu justamente sobre o futuro das carreiras e sobre o papel da liderança diante dessas transformações. Em determinado momento, escreveu:
“A liderança deixa de ser guardiã da escada e passa a ser curadora de caminhos.”
A reflexão de Janot está voltada ao papel da liderança nesse novo cenário. Mas a frase também nos permite avançar para outra pergunta:
Se já não existe uma única escada, por que continuamos usando a altura do degrau como principal medida de crescimento?
Liderar continua sendo uma forma importante de contribuir.
Liderar pessoas exige competências, responsabilidade, maturidade, capacidade de decisão e disposição para responder não apenas pelo próprio resultado, mas também pelo desenvolvimento e pelos resultados de outras pessoas.
Não se trata, portanto, de diminuir a liderança, mas de tirar da liderança o peso de ser o único destino considerado legítimo para quem deseja crescer.
Porque nem todo excelente especialista precisa se tornar gestor, nem todo bom executor precisa desejar comandar uma equipe, nem todo empreendedor precisa querer construir uma grande corporação.
E nem todo profissional precisa estar nos holofotes.
Isso não significa falta de ambição. Afinal, existe uma forma de ambição que não busca necessariamente poder ou posição: ela busca excelência.
Eu sempre digo: o importante é você levantar da cama todos os dias disposto a dar o seu melhor em tudo o que se propuser fazer ao longo do dia e da sua vida.
Desde uma tarefa simples até um desafio complexo, passando por aquilo que fazemos naturalmente bem e por aquilo que ainda precisamos aprender.
Nem sempre teremos habilidade ou prazer imediato em tudo o que fazemos. Mas dedicação, curiosidade, disciplina e disposição para aprender podem transformar até atividades inicialmente difíceis em algo mais possível, mais leve e, muitas vezes, significativo.
Porque a grandeza de uma entrega não está necessariamente na complexidade da tarefa, mas na forma como escolhemos realizá-la.
Afinal, o que é crescer?
Talvez precisemos parar de olhar para a carreira como uma escada e começar a enxergá-la como um caminho. Um caminho com curvas, pausas, recomeços, escolhas, mudanças de direção, com momentos em que avançamos e outros em que precisamos voltar, com oportunidades que não estavam previstas, com experiências que só descobrimos porque tivemos coragem de sair da rota original.
E, principalmente, um caminho no qual não existe uma única forma de chegar a algum lugar.
Você pode querer liderar uma equipe, liderar uma empresa, ser uma referência técnica, empreender, cuidar da família, fazer um trabalho que tenha mais significado ou até mesmo construir uma carreira linear. Todas essas escolhas podem fazer sentido.
O importante é que a escolha seja consciente e que você não esteja vivendo uma carreira apenas porque aprendeu que aquela era a única maneira de ser considerado bem-sucedido.
Talvez crescer não seja descobrir até onde conseguimos subir, mas descobrir até onde podemos nos desenvolver, contribuir e realizar aquilo que realmente importa para nós.
Porque, no grande quebra-cabeça da vida profissional, nem todas as peças precisam ocupar o mesmo lugar para que o conjunto faça sentido.
E talvez a pergunta que valha a pena levar para a próxima manhã não seja: “Até onde eu consegui subir?”
Mas: “Quem estou me tornando e que valor sou capaz de entregar com aquilo que aprendi ao longo do caminho?”
Espero que essas reflexões toquem seu coração e contribuam para a construção de novas crenças alinhadas ao que, de fato, faz sentido para você neste momento.
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Um grande abraço e até a próxima reflexão!
Graziela Heusser Azeredo
https://www.linkedin.com/in/grazielaheusserazeredo/
Confira também: O Que Realmente Faz Alguém Ser Reconhecido como Líder?
Referências (caso queira se aprofundar): Hall, D. T. — The Protean Career: A Quarter-Century Journey. Journal of Vocational Behavior, 2004. Ng, T. W. H.; Feldman, D. C. — Subjective Career Success: A Meta-Analytic Review. Journal of Vocational Behavior, 2014. A análise reuniu 216 amostras, totalizando 94.090 participantes. Rudolph, C. W.; Lavigne, K. N.; Zacher, H. — Career Adaptability: A Meta-Analysis of Relationships with Measures of Adaptivity, Adapting Responses, and Adaptation Results. Journal of Vocational Behavior, 2017. 90 estudos analisados. Rudolph, C. W.; Lavigne, K. N.; Katz, I. M.; Zacher, H. — Linking Dimensions of Career Adaptability to Adaptation Results: A Meta-Analysis. Journal of Vocational Behavior, 2017. 76 estudos analisados. Akkermans, J.; da Motta Veiga, S. P.; Hirschi, A.; Marciniak, J. — Career Transitions Across the Lifespan: A Review and Research Agenda. Journal of Vocational Behavior, 2024. 93 estudos longitudinais analisados. Seibert, S.; Akkermans, J.; Liu, C.-H. — Understanding Contemporary Career Success: A Critical Review. Annual Review of Organizational Psychology and Organizational Behavior, 2024.
Palavras-chave: crescer na carreira, crescimento profissional, trajetória profissional, adaptabilidade de carreira, liderança, crescer na carreira e ser valorizado, como crescer na carreira, como ser valorizado, construir uma trajetória profissional, quando a carreira deixa de ser uma escada, diferentes critérios de sucesso
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Você é um Produto: 4 Habilidades que Nenhum Algoritmo Pode Ter!
Vivemos em um momento extraordinário da história corporativa e tecnológica. Hoje, as ferramentas de Inteligência Artificial Generativa, integradas ao cotidiano de empresas, em suas várias frentes de atividades, estão a nos confrontar com uma questão incômoda e vital. Afinal de contas, se a tecnologia consegue executar com velocidade e baixo custo boa parte das tarefas que antes nos diferenciavam dos concorrentes, por que um cliente, gestor ou contratante deve escolher você em vez de um algoritmo?
Para responder, vale resgatar uma premissa fundamental de posicionamento profissional: você é um produto. Não importa se você atua como colaborador em uma grande corporação, como consultor independente, empreendedor ou como líder de uma equipe. O fundamental é aceitar que você existe no mercado para atender à necessidade real de um cliente. Seja ele seu chefe, seu supervisor, seu coachee ou mentorado, ou mesmo aquele comprador final que paga por aquilo que você entrega.
Em uma recente e provocativa publicação inspiradora desta minha postagem, Daniel Burstein, Diretor Sênior de Conteúdo e Marketing do MECLABS Institute trouxe uma reflexão crucial sobre essa dinâmica (publicação de setembro/26 – leia aqui). O MECLABS é uma organização americana de pesquisas e experimentos, reconhecida mundialmente por investigar a psicologia cognitiva da conversão. Em outras palavras, eles investigam as razões profundas que levam as pessoas a dizerem “sim”.
Segundo Burstein, a chave para prosperar nesta era da chamada inteligência artificial não é competir e enfrentar a máquina, mas sim dobrar a aposta em nossas competências genuinamente humanas. A partir desse postulado, devemos amplificar a execução das tarefas necessárias ao cotidiano, e que terão o suporte da máquina. A seguir, conforme apresentado por Burstein, apresenta-se resumo comentado das 4 habilidades humanas insubstituíveis, identificadas nos experimentos do MECLABS Institute. São elas:
1. Análise de público com empatia e vivência real
A inteligência artificial (IA) tornou-se excepcionalmente hábil em compilar dados e construir perfis de clientes ideais (chamados Ideal Customer Profiles ou ICPs). Contudo, a tecnologia padece de uma limitação intransponível, pois ela não tem experiência de vida. Conhecer um público não significa apenas coletar informações demográficas ou comportamentais, mas também compreender motivações, emoções e processo decisório.
Burstein ilustra esse ponto citando a antológica cena do filme Gênio Indomável (Good Will Hunting), em que o personagem de Robin Williams lembra ao jovem prodígio, interpretado por Matt Damon, que todo o conhecimento dos livros não substitui a vivência real. O algoritmo pode citar Shakespeare sobre a guerra, mas nunca esteve no campo de batalha segurando a mão de um amigo.
Na prática de mercado, isso significa que a IA pode estruturar uma excelente persona de cliente, mas cabe ao ser humano o “teste de sensibilidade” (gut check). É a nossa capacidade de interagir com outros seres humanos, seja em eventos presenciais, reuniões virtuais, conversas telefônicas ou até na ausência de resposta a um contato, que ajusta de forma intuitiva o tom da comunicação. A lição maior é que não existe uma única forma universal de falar com todos os públicos.
Burstein exemplifica o caso da estrategista digital de Relações Públicas, Jewel Savoy. Ao notar que suas abordagens sobre golfe, para um público masculino de 25 a 40 anos, não traziam resultados, ela trocou o texto corporativo e promocional (gerado de forma automatizada) por uma mensagem direta, concisa e humanizada. O resultado foi a conquista de espaço significativo nos principais veículos do setor, bem como em redes sociais. A IA pode sugerir qual a abordagem inicial, mas cabe ao profissional ajustá-la com base na observação e na experiência.
2. Escrita forte e pensamento original
Existe uma máxima filosófica indispensável a todo líder, gestor, mentor ou comunicador: escrever é pensar. Quando o profissional terceiriza integralmente a sua escrita para um modelo de linguagem, ele está terceirizando o seu próprio processo de raciocínio. Ao escrever um artigo, a proposta comercial ou um e-mail estratégico, somos obrigados a sintetizar ideias, cruzar domínios inesperados e dar contorno afiado ao pensamento.
A IA funciona como um assistente brilhante, mas a matéria-prima precisa vir do cérebro humano. Courtney Turin, executiva da Xponent21, revela que costuma gravar notas de voz com desabafos de ideias e rascunhos mentais, para então depois organizar o raciocínio com auxílio da tecnologia. Como ela mesma analisa: “Há uma pessoa específica com uma forma específica de pensar por trás da peça final. O ato de especular em busca de um ângulo em tempo real é a parte que a máquina não consegue realizar”.
O profissional pode, portanto, usar a IA como assistente de pesquisa, revisão e edição, mas não deve renunciar à autoria intelectual. A ferramenta pode acelerar a execução, mas a ideia central, o posicionamento e a interpretação precisam continuar sendo humanos. O ato de escrever exigirá que o profissional estruture o problema, selecione os argumentos, elimine ambiguidades e construa uma formulação mais precisa e adequada a cada caso.
3. Storytelling autêntico e relações de confiança com a mídia
Em um ambiente digital, onde cerca de metade dos artigos publicados na internet já são gerados por IA, a busca por sinais reais de autoridade e credibilidade tornou-se obsessiva. Algumas ferramentas de busca e modelos de resposta (a exemplo da AEO – Answer Engine Optimization e da GEO – Generative Engine Optimization) priorizam conteúdos ancorados em fontes humanas confiáveis e menções na imprensa de prestígio.
E o que desperta o interesse da imprensa e das pessoas? São as estruturas mentais e as histórias humanas com nuances reais. O caso a seguir é exemplo de que uma narrativa bem construída pode transformar a trajetória de uma organização e, além disso, criar conexão significativa com o público. Burstein aborda que a empresa de manufatura Tinker Tin hesitava em ver contada a história humilde de seus fundadores (dois irmãos, Jaime Holm e Matt Hannula, que começaram o negócio reformando trailers de camping).
A equipe de comunicação decidiu arriscar e estruturou a comunicação destacando essa jornada, desde o começo até a conquista dos contratos de milhões de dólares. A narrativa humana e inspiradora virou matéria de capa em grandes veículos como a Entrepreneur Magazine. Ela apareceu no Instagram da revista e foi destaque na newsletter, gerando dezenas de milhares de acessos qualificados. A máquina consegue replicar dados de produto, mas só o ser humano consegue extrair a essência emocional de uma trajetória.
4. Disciplina de experimentação e controle de qualidade
Como a IA produz respostas de maneira convincente e fluida, é fácil cair na armadilha de aceitar suas sugestões como verdades absolutas. Trata-se do mesmo risco de ouvir um consultor persuasivo sem conferir os dados do mundo real. A quarta habilidade essencial é a disciplina de experimentação.
Essa postura envolve formular uma hipótese, definir critérios de avaliação, realizar o experimento adequado e interpretar os dados. A decisão final deve considerar o comportamento efetivo do público, e não apenas a segurança ou a persuasão aparente de uma sugestão gerada automaticamente.
Burstein comenta o caso de Achiya Cohen, especialista em automação, ao apontar que em automatização de processos críticos (como agendamentos e faturamentos com IA), o rigor humano deve ser absoluto. Em seus testes de validação, Cohen identificou falhas “dissimuladas” que o algoritmo comete e que, por certo, só o olhar atento do desenvolvedor humano detecta. São resumidos três tipos de falhas:
- Falhas Silenciosas (Silent Failures), quando o algoritmo gasta em raciocínio interno todo o seu limite de processamento e, simplesmente, não entrega a resposta ao cliente;
- Lacunas de Recuperação (Retrieval Gaps), que são respostas aparentemente bem escritas, mas que estão elaboradas sem haver acessado dados corretos do contexto, e;
- Recusas Excessivas (Over-refusals), é o que acontece quando o sistema não responde perguntas legítimas dado o excesso de travas de segurança mal calibradas.
Em tarefas relacionadas a faturamento, agendamentos e registros de clientes, por exemplo, não há espaço para “quase certo”. Isso porque o resultado precisava estar correto ou ser considerado como um erro. Sem disciplina rígida quanto aos testes e à supervisão humana, a automação pode gerar estragos silenciosos na reputação da qualquer marca, seja ela pessoal ou institucional.
Conclusão: O papel dos gestores e desenvolvedores humanos
À medida que nos aprofundamos nesta era tecnológica, fica evidente que o valor do profissional de qualquer especialidade não reside na capacidade de apertar botões ou gerar textos genéricos em massa. O verdadeiro diferencial está na profundidade da experiência pessoal vivida, no seu senso crítico, na empatia ao ouvir outras pessoas e, especialmente, na disciplina de analisar criticamente o trabalho da máquina.
Para quem atua no desenvolvimento de pessoas, na gestão de negócios, em coaching ou mentoria, vale deixar algumas perguntas para reflexão:
- Em seus processos diários, você tem usado a IA para expandir seu pensamento original ou como muleta para não precisar pensar?
- Sua equipe possui a disciplina de testar as saídas da tecnologia com clientes reais antes de adotá-las como verdade final?
- Como você está cultivando a sua própria narrativa e o seu repertório humano único neste mercado automatizado?
Burstein deixa claro que a inteligência artificial não elimina o valor dos profissionais, mas ela modifica os critérios pelos quais esse valor é reconhecido. A tecnologia avança a passos largos, mas a decisão sobre para onde navegar e como tocar o coração do cliente continua sendo o nosso superpoder mais humano.
Eu sou Mario Divo e você me encontra pelas mídias sociais ou em www.mariodivo.com.br.
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Quer saber mais sobre as habilidades humanas que nem IA nem algoritmo podem substituir e que podem tornar seu valor profissional cada vez mais difícil de substituir por um algoritmo? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
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Poder Sobre ou Poder Com? A Liderança que Controla ou Constrói
Como a Comunicação Não Violenta pode transformar autoridade em confiança, corresponsabilidade e segurança psicológica.
Durante muito tempo, aprendemos a associar liderança a autoridade, comando e controle.
Aprendemos que quem ocupa uma posição de poder é quem decide e quem está abaixo executa. Quando a pessoa faz o que se espera dela, recebe reconhecimento, benefícios ou recompensas, mas, quando não faz, pode receber uma advertência, perder oportunidades, sofrer algum tipo de punição ou retaliação e ser alvo de julgamentos.
Essa maneira de exercer o poder se consolidou a partir da Revolução Industrial e, por mais que a sociedade tenha mudado, muitas organizações ainda a reproduzem.
Com a Comunicação Não Violenta, podemos olhar para uma distinção fundamental entre o “poder sobre” e o “poder com”. E essa diferença pode transformar profundamente a maneira como lideramos pessoas.
O poder sobre acontece quando a autoridade se transforma em controle, e essa lógica vem de muito tempo. Ela parte da ideia de que alguém precisa fazer com que o outro aja de determinada maneira, ou seja, a pessoa precisa fazer aquilo que outra considera certo, sem levar em consideração como se sente ou como recebe aquela ordem. Ela precisa apenas obedecer, pois, caso contrário, poderá receber uma punição. Se fizer tudo “certinho”, receberá uma recompensa.
Uma das falas que muitos de nós nos acostumamos a ouvir é: “Manda quem pode e obedece quem tem juízo”. Se você já ouviu isso, significa que você tem como gestor alguém que aprendeu desse jeito.
Podemos observar algumas maneiras como esse poder aparece dentro das organizações. Ele pode estar presente quando alguém recebe oportunidades porque o líder o considera “leal”; quando o medo de perder espaço impede as pessoas de discordarem; quando a liderança utiliza promoções e reconhecimento como instrumentos de controle; ou quando a liderança transforma o erro em motivo de exposição, culpa ou punição. Ou seja, aqui não existe segurança psicológica de times.
O problema não está na existência de autoridade, critérios, limites ou consequências. Toda organização precisa deles. Que tal refletir sobre algumas questões?
- Qual é a intenção por trás da forma como a autoridade é exercida?
- O que se deseja desenvolver: responsabilidade ou apenas obediência?
- Queremos que as pessoas compreendam o impacto de suas escolhas ou simplesmente tenham medo das consequências?
Daí a necessidade de esclarecer a diferença entre responsabilizar e punir.
Na responsabilização, procura-se compreender o que aconteceu, reconhecer impactos, estabelecer limites e construir novos acordos. Já a punição frequentemente busca fazer alguém “pagar” pelo que fez, ou seja, o foco está no culpado, e não na solução. A punição pode produzir obediência no curto prazo, mas dificilmente produzirá comprometimento genuíno a longo prazo. De qualquer forma, perceber que a recompensa também pode ser uma forma de controle talvez seja uma das reflexões mais desconfortáveis.
De modo geral, percebemos a punição como um mecanismo de controle, mas nem sempre percebemos que a recompensa também pode cumprir essa função. Isso acontece quando a liderança passa a utilizar reconhecimento, oportunidades, bônus ou privilégios para condicionar comportamentos. Nesse caso, é possível continuar operando dentro da mesma lógica. Um exemplo: “Faça aquilo que eu quero e você receberá aquilo que deseja”, ou seja, muda a forma, mas a dinâmica de poder é a mesma.
Por isso, reconhecer alguém pela contribuição é diferente de utilizar o reconhecimento para produzir submissão ou dependência.
Nesse caso, uma liderança madura precisa se perguntar: “Estou reconhecendo uma contribuição ou comprando um comportamento?”
Precisa ficar claro que o poder com não significa ausência de liderança. Também não significa que todas as decisões precisem ser tomadas por consenso ou que todos possuam exatamente a mesma responsabilidade dentro da organização. Significa exercer autoridade sem retirar do outro sua voz, sua dignidade e sua capacidade de contribuir. Daí deixamos de entender o poder como algo que uma pessoa exerce sobre outra e passamos a compreendê-lo como uma capacidade que construímos com outras pessoas.
Se ampliarmos essa perspectiva para o poder compartilhado, a liderança continua tomando decisões, estabelecendo limites, definindo prioridades e assumindo responsabilidades, mas procura fazer isso por meio de relações baseadas em diálogo, clareza, confiança e corresponsabilidade. Nesse contexto, a CNV torna-se fundamental.
Podemos ressaltar alguns elementos importantes, como:
- Colaboração: As pessoas deixam de ser apenas executoras e passam a participar da construção das soluções.
- Diversidade: Diferentes perspectivas deixam de ser percebidas como ameaça à autoridade e passam a enriquecer a tomada de decisão. Cada pessoa tem a liberdade de expressar seu próprio pensamento, sem medo.
- Empoderamento: As pessoas desenvolvem maior autonomia e assumem responsabilidade por suas escolhas e contribuições. Vale lembrar que a escolha é de única e exclusiva responsabilidade de cada um.
- Transparência: Mesmo quando não se pode compartilhar uma decisão, podemos comunicar seus critérios e razões com clareza.
- Resiliência: Quando conhecimento e poder não estão concentrados em uma única pessoa, equipes e organizações desenvolvem maior capacidade de adaptação e flexibilidade.
Ou seja, o poder com não significa abrir mão dos limites. Muito pelo contrário: os limites são importantes para o bom andamento das organizações.
À luz da CNV, é importante ressaltar que exercer o poder de maneira compartilhada não significa dizer sim para tudo, evitar conversas difíceis, deixar de estabelecer metas, cobrar resultados ou lidar com comportamentos inadequados. Isso não deve ser confundido com permissividade. Uma liderança pode dizer não e continuar praticando o poder com. É preciso deixar claras as consequências, pois cada um é responsável pelo que diz e faz. Também é importante compreender que nem toda decisão será bem-vinda ou popular e que é necessário estabelecer limites para comportamentos que não são aceitáveis.
Utilizar a CNV no poder com significa estabelecer limites preservando a dignidade do outro, discordar sem humilhar, responsabilizar sem culpabilizar, influenciar sem impor e não transformar autoridade em autoritarismo. É ter segurança psicológica.
Por outro lado, quando predomina o poder sobre, as pessoas aprendem rapidamente quais comportamentos garantem proteção e entram em mecanismos de defesa. Evitam discordar, escondem erros, deixam de perguntar e de dar opinião. Para não se saírem mal, podem concordar publicamente com decisões das quais discordam internamente. Assim, o silêncio pode ser confundido com harmonia. Vale ressaltar que uma equipe silenciosa não significa uma equipe saudável; às vezes, é apenas uma equipe que aprendeu que falar tem um preço.
No poder com, buscamos criar condições para que as pessoas possam trazer perspectivas diferentes, reconhecer dúvidas, admitir erros e participar das conversas sem medo de humilhação ou retaliação. Isso não significa eliminar os conflitos. Na verdade, o poder com permite que os conflitos apareçam e sejam trabalhados antes de se transformarem em rupturas.
E como passar da obediência à corresponsabilidade?
Talvez essa seja uma das maiores transformações propostas pelo poder compartilhado.
E como podemos construir condições para que as pessoas compreendam o propósito, assumam responsabilidade e contribuam para aquilo que precisa ser realizado?
O poder compartilhado é um conceito que enfatiza a colaboração e a distribuição equitativa de poder entre os times, em vez de centralizá-lo em uma única pessoa ou liderança. Dessa forma, promove um ambiente mais inclusivo e participativo, em que as vozes de todos são ouvidas e valorizadas.
Alguns aspectos importantes do poder compartilhado:
- Colaboração: Encoraja o trabalho em equipe e a cocriação, em que as ideias e contribuições de todos são consideradas.
- Diversidade: Reconhece que diferentes perspectivas enriquecem a tomada de decisão e levam a soluções mais criativas e eficazes.
- Empoderamento: Ajuda as pessoas a se sentirem mais engajadas e responsáveis, promovendo um senso de pertencimento e motivação.
- Transparência: A comunicação aberta é fundamental, permitindo que todos entendam o processo decisório e se sintam parte dele.
- Resiliência: Times que praticam o poder compartilhado tendem a ser mais adaptáveis às mudanças, já que possuem uma base diversificada de ideias e habilidades.
E você, como pratica e observa o poder dentro da sua organização?
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Quer saber mais sobre como o poder pode transformar controle em confiança e construir uma liderança mais corresponsável e psicologicamente segura? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Um grande abraço e até o próximo artigo!
Wania Moraes Troyano
Especialista em Resiliência Científica e Neurociências
http://www.waniamoraes.com.br/
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Apego Seguro na Primeira Infância: O Que Seu Filho Aprende na Relação Com Você
Antes de falar, andar ou brincar, a criança aprende algo essencial: o mundo é seguro? Posso contar com alguém quando preciso?
Essa aprendizagem começa nas relações de cuidado.
O apego é o vínculo emocional que a criança constrói com seus cuidadores. Ele funciona como uma base segura: a criança explora o ambiente, volta para o adulto quando sente medo, cansaço ou desconforto e, aos poucos, desenvolve mais autonomia.
Apego seguro não significa evitar choro, frustração ou limites, mas sim ajudar a criança a atravessar essas experiências sem se sentir sozinha.
O que constrói um apego seguro?
Um dos principais elementos é a sensibilidade parental: perceber os sinais da criança, tentar entender o que ela está comunicando e responder de forma adequada.
Um bebê que chora pode estar com fome, cansado, desconfortável ou apenas buscando proximidade. Uma criança que faz uma birra pode estar frustrada, exausta ou sem palavras para expressar o que sente.
Responder com sensibilidade não significa atender a todos os desejos, mas olhar além do comportamento e tentar compreender a necessidade por trás dele.
Uma criança pode ouvir “não” e continuar segura. Pode se frustrar e continuar amada. Pode receber limites e, ainda assim, ser acolhida.
Segurança não é ausência de limites, mas viver os limites dentro de uma relação que preserva o vínculo.
O apego seguro não depende de uma parentalidade perfeita. Ele se constrói quando, na maior parte do tempo, a criança encontra um adulto disponível e responsivo e quando há espaço para reparar os momentos de desconexão.
Nenhum cuidador consegue responder bem o tempo todo. Cansaço, irritação e desencontros fazem parte da vida familiar.
Se você perdeu a paciência, se afastou ou reagiu de um jeito que gostaria de mudar, ainda é possível retomar o contato. Por exemplo:
- reconheça o que aconteceu;
- converse a respeito, quando for adequado;
- peça desculpas;
- mostre que a relação continua disponível.
Uma relação segura não é feita apenas de conexão; ela também inclui reparação.
O brincar fortalece a relação
Brincar não é apenas diversão. É uma das principais formas de a criança aprender e se relacionar. Durante a brincadeira, ela desenvolve linguagem, atenção compartilhada, imaginação, habilidades sociais, bem como a capacidade de resolver problemas.
Você não precisa preparar atividades elaboradas. Pode simplesmente acompanhar o interesse da criança, responder aos seus gestos, nomear o que acontece e participar sem controlar tudo.
Uma caixa pode virar uma casa, uma toalha pode virar uma cabana e uma música pode virar dança.
Mas o mais importante não é o brinquedo. É a qualidade da troca: presença, reciprocidade e atenção.
Seu filho não precisa ser entretido o tempo inteiro
O desenvolvimento não exige estímulo constante. A criança também precisa de tempo para observar, explorar, tentar e descobrir por conta própria.
Os momentos de vínculo também aparecem nas rotinas, por exemplo:
- no banho;
- durante a refeição;
- na troca de roupa;
- no caminho até a escola;
- antes de dormir.
A infância acontece enquanto a vida acontece.
A autorregulação começa com a corregulação
Crianças pequenas ainda não conseguem lidar sozinhas com emoções intensas. Primeiramente, precisam da ajuda de um adulto para organizar o que sentem. Esse processo é chamado de corregulação.
Uma presença firme e acolhedora, sem dúvida, ajuda a criança a:
- reconhecer a emoção;
- compreender o limite;
- encontrar palavras;
- atravessar a frustração;
- recuperar o equilíbrio.
Em vez de dizer apenas “se acalme”, você pode dizer, por exemplo: “Eu sei que você queria continuar brincando. Está difícil parar. Mas agora precisamos guardar os brinquedos. Eu vou ajudar.”
Essa resposta não elimina a frustração. Ela oferece linguagem, limite e companhia para atravessá-la.
Com o tempo, essas experiências ajudam a criança a desenvolver a própria capacidade de se acalmar e, assim, lidar com o que sente.
Segurança favorece autonomia
Uma criança segura não é necessariamente dependente. Quando sabe que pode voltar para uma base confiável, ela tende a explorar com mais liberdade.
Pode se afastar porque sabe que pode retornar, tentar porque sabe que poderá pedir ajuda e errar sem sentir que perderá o amor ou o pertencimento.
A segurança não impede a autonomia; cria as condições para que ela se desenvolva.
Como oferecer essa segurança no cotidiano?
O apego seguro é construído em experiências simples e repetidas:
- olhar quando seu filho chama;
- responder aos seus sinais;
- conversar durante as rotinas;
- acompanhar seu interesse nas brincadeiras;
- acolher sentimentos sem abandonar os limites;
- permitir que tente antes de fazer por ele;
- oferecer conforto quando precisar;
- reconhecer seus próprios erros;
- reparar a relação depois de um conflito.
Não existe uma interação isolada que determine o futuro de uma criança, mas o que importa é o padrão das experiências ao longo do tempo.
O que seu filho aprende na relação com você?
- Quando procura você e encontra presença, aprende: “Posso pedir ajuda.”
- Quando se frustra e encontra acolhimento, aprende: “Emoções intensas podem ser atravessadas.”
- Quando tenta algo novo e recebe incentivo, aprende: “Posso explorar.”
- Quando recebe um limite sem perder o vínculo, aprende: “Segurança e firmeza podem existir juntas.”
- Quando você repara depois de um desencontro, aprende: “Relações podem ser reconstruídas.”
Apego seguro é oferecer uma base confiável para que a criança explore o mundo, desenvolva recursos emocionais e construa autonomia.
Não se trata de criar uma criança sem medo, frustração ou dificuldades, mas sim de ajudá-la a enfrentar essas experiências sabendo que não está sozinha.
Para refletir
Escolha hoje um momento comum: o banho, a refeição, a brincadeira ou a hora de dormir e então pergunte-se: “O que meu filho está vivendo agora e como posso estar presente de forma sensível?”
Você não precisa criar mais momentos de conexão. Talvez precise apenas reconhecer o potencial dos momentos que já existem.
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como o apego seguro pode ajudar seu filho a desenvolver autonomia, confiança e recursos emocionais desde a primeira infância? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Danielle Vieira Gomes
http://daniellegomescoach.com.br/
Confira também: O Custo de Viver para Agradar: Como as Expectativas dos Outros Podem nos Afastar de Quem Somos
Bases científicas Bowlby, J. Attachment and Loss. Ainsworth, M. D. S. et al. Patterns of Attachment. Cassidy, J.; Shaver, P. R. (orgs.). Handbook of Attachment. Center on the Developing Child, Harvard University. Estudos sobre relações responsivas, estresse tóxico e desenvolvimento da autorregulação. National Scientific Council on the Developing Child. Young Children Develop in an Environment of Relationships. World Health Organization; UNICEF; World Bank. Nurturing Care Framework for Early Childhood Development.
Palavras-chave: apego seguro, sensibilidade parental, corregulação, autonomia, vínculo, primeira infância, infância, apego seguro na primeira infância, o que seu filho aprende na relação com você, autorregulação começa com a corregulação, segurança favorece autonomia, acolher sentimentos sem abandonar os limites
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“O problema não é o problema.
O problema é sua atitude com relação ao problema.”
(Kelly Young)
Hoje, a tristeza me visitou. Tocou a campainha, subiu as escadas, bateu à porta e entrou. Não ofereci resistência. Houve um tempo em que eu fazia o impossível para evitá-la adentrar os meus domínios. E quando isso acontecia, discutíamos demoradamente. Era uma experiência desgastante. Aprendi que o melhor a fazer é deixá-la seguir seu curso. Agora, sequer dialogamos. Ela entra, senta-se na sala de estar, sirvo-lhe uma bebida qualquer, apresento-lhe a televisão e a esqueço! Quando me dou por conta, o recinto está vazio. Ela partiu, sem arroubos e sem deixar rastros. Cumpriu sua missão sem afetar minha vida.
Hoje, a doença também me visitou. Mas esta tem outros métodos. E outros propósitos. Chegou sem pedir licença, invadindo o ambiente. Instalou-se em minha garganta e foi ter com minhas amígdalas. A prescrição é sempre a mesma: Amoxicilina e Paracetamol. Faço uso destes medicamentos e sinto-me absolutamente prostrado! Acho que é por isso que os chamam de antibióticos. Porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida…
Hoje, problemas do passado também me visitaram. Não vieram pelo telefone porque palavras pronunciadas ativam as emoções apenas no momento e, depois, perdem-se difusas, levadas pela brisa. Vieram pelo correio, impressos em papel e letras de baixa qualidade, anunciando sua perenidade, sua condição de fantasmas eternos até que sejam exorcizados.
Diante deste quadro, não há como deixar de sentir-se apequenado nestes momentos. O mundo ao redor parece conspirar contra o bem, a estabilidade e o equilíbrio que tanto se persegue. O desânimo comparece estampado em ombros arqueados e olhos sem brilho, que pedem para derramar lágrimas de alívio. Então, choro. E o faço porque Maurice Druon ensinou-me, através de seu inocente Tistu, que se você não chora, as lágrimas endurecem no peito e o coração fica duro.
Limão e limonada
As ciências humanas estão sempre tomando emprestado das exatas, termos e conceitos. A última novidade vem da física e atende pelo nome de resiliência. Significa resistência ao choque ou a propriedade pela qual a energia potencial armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo.
Em humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo isso através de um dito popular, é fazer de cada limão, ou seja, de cada contrariedade que a vida nos apresenta, uma limonada saborosa, refrescante e agradável.
Aprendi que pouco adianta brigar com problemas. É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E com rapidez, de maneira certa ou errada. Problemas são como bebês, só crescem se alimentados. Muitos se resolvem por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma inadequada, eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você os anula com correção. A felicidade, pontuou Michael Jansen, não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados.
Aprendi a combater as doenças. As do corpo e as da mente. Percebê-las, identificá-las, respeitá-las e aniquilá-las. Muitas decorrem menos do que nos falta e mais do mau uso que fazemos do que temos. E a velocidade é tudo neste combate. Agir rápido é a palavra de ordem. Melhor do que ser preventivo é ser preditivo.
Aprendi a aceitar a tristeza. Não o ano todo, mas apenas um dia, à luz dos ensinamentos de Victor Hugo. O poeta dizia que “tristeza não tem fim, felicidade, sim”. Porém, discordo. Penso que os dois são finitos. E cíclicos. O segredo é contemplar as pequenas alegrias em vez de aguardar a grande felicidade. Uma alegria destrói cem tristezas…
Modismo ou não, tornei-me resiliente. A palavra em si pode cair no ostracismo, mas terá servido para ilustrar minha atitude cultivada ao longo dos anos diante das dificuldades impostas ou autoimpostas que enfrentei pelo caminho, transformando desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculos em oportunidades, tristeza em alegria.
Nós apreciamos o calor porque já sentimos o frio. Admiramos a luz porque já estivemos no escuro. Contemplamos a saúde porque já fomos enfermos. Podemos, pois, experimentar a felicidade porque já conhecemos a tristeza.
Olhe para o céu, agora! Se é dia, o sol brilha e aquece. Se é noite, a lua ilumina e abraça. E assim será novamente amanhã. E assim é feita a vida.
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Nesta semana que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, gostaria de dizer para todas as Mulheres uma coisa muito importante:
Seu sucesso na vida pessoal e/ou profissional, sua felicidade, sua prosperidade e bem-estar na vida só depende de uma pessoa. Sabe quem é? Você mesma.
E falo mais. Seu sucesso será mais fácil e forte se você Mulher lembrar em ser você mesma. Ou seja, Ser a Mulher que você sempre foi e será.
Esta última afirmação já falei muitas vezes para minhas clientes de Coaching Holístico que buscam Sucesso em algum ponto da vida pessoal e profissional.
Para quem ainda não sabe o que é Coaching, vou explicar agora. Entre muitas definições as que mais eu gosto são:
- Orientar uma pessoa a fazer a travessia entre um ponto ao outro até alcançar sua meta pessoal e/ou profissional com sucesso;
- Coaching é uma assessoria e processo que geram motivação pessoal e profissional, e que tem como objetivo potencializar o nível de resultados positivos nas diversas áreas da vida de um cliente para alcançar uma meta ou objetivo com sucesso.
E o que é Coaching Holístico? Coaching Holístico – Processo para Seu Sucesso na Vida e Concretização das suas Metas. O cliente vai se conhecer melhor, olhar para si, sua vida e descobrir seu potencial adormecido. Vai melhorar sua autoestima e ter mais autoconfiança. Tem Dificuldade em vencer? Pelo Coaching Holístico iremos desbloquear o que atrapalha e mudar Padrões Mentais para Vencer.
Este é o ponto chave do inicio do Sucesso de qualquer pessoa: Padrões Mentais. Quem acredita que é um fracasso, que não vai vencer na vida ou que não merece ter sucesso nas metas ou sonhos, tenha certeza que nada vai mesmo ocorrer de bom na vida. O Sucesso vai passar bem longe destas pessoas.
Agora imagine uma mulher que desde pequena é “esmagada” pela família e sociedade a sufocar sua força, a matar sua arte e beleza, para não acreditar em si e nas suas qualidades e habilidades para realizar.
Já atendi moças que acreditam que não merecem um amor porque alguém falou que ela é feia ou amor só faz mal. Como vão amar se não têm uma boa energia sobre o amor? Como amar se sua autoestima foi chutada? Só vai amar se mudar, acreditar que pode e merece amar. E que ela é uma super mulher.
O mesmo ocorre com a realização de outras metas pessoais e profissionais. Se uma pessoa foi condicionada a sempre pensar que é inferior, incapaz ou que não merece ser feliz ou prosperar, com certeza vai sofrer para conseguir. Imagine uma mulher que no geral é mais sufocada.
Ainda bem que tem solução. É um pouco demorado, varia de pessoa para pessoa, mas tem que trabalhar, treinar e movimentar-se para mudar padrões e condicionamento mental e energético.
Mas, é possível e já vi milagres.
Qual é o primeiro passo? Acreditar em Você. Acreditar na pessoa poderosa que há dentro de você.
Acreditar na Mulher que há dentro de você.
Sucesso e Feliz Dia da Mulher!
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A Copa do Mundo acabou. A seleção alemã com sua organização, futebol bonito e muita técnica, merecidamente, levou o caneco. É tetracampeã.
E a nossa Seleção Canarinho? Que papelão! Desde o início da Copa, nos quatro cantos deste Brasil, todos falavam que era forte candidata a ser hexacampeã. E por que todos acreditavam nisto? Porque jogava em casa, tinha apoio da torcida brasileira, a mídia falava que era a melhor seleção, tinha uma comissão técnica com dois técnicos que venceram Copas Mundiais (Parreira em 1994 e Felipão em 2002) e o clima ajudava.
Mas o que vimos foi um total fiasco e uma humilhante goleada histórica por 7×1 para os alemães na semifinal da Copa.
Enfim, perdemos a Copa e ficamos em quarto lugar após perder para a Holanda na disputa pelo terceiro lugar. E agora? Como diz o poema de Carlos Drummond de Andrade:
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?(Carlos Drummond de Andrade)
E agora, Seleção Brasileira? Agora é hora de mudanças. E mudanças drásticas e profundas na filosofia e na organização.
A CBF terá que ter coragem de assumir sua culpa no fracasso e incompetência administrativa na condução da Seleção Canarinho na Copa. A CBF e o novo técnico terão que ter coragem de fazer mudanças drásticas na nova Seleção Brasileira daqui para frente. Podem e devem seguir o ótimo exemplo que viveu a seleção alemã no final dos anos 90. Após fiascos seguidos, a Confederação Alemã de Futebol chegou à conclusão de que era hora de mudar tudo. Mudanças drásticas foram implantadas. Bancaram com coragem um técnico permanente nos últimos 10 anos que, com um grupo de jogadores com uma nova cabeça, união e humildade, deram um Show na Copa do Brasil e levaram o Caneco.
Mudança requer determinação. Mudanças drásticas requerem também muita coragem, pois haverá muita resistência das pessoas que já estão na zona de conforto ou que não aceitam que está tudo errado na vida ou no jogo.
Quer ver um exemplo recente? A entrevista da Comissão Técnica da Seleção Canarinho após o vexame de 7×1. Para Felipão e Parreira, nada estava errado na preparação da Seleção Brasileira. O problema foi um apagão geral do time todo que o levou a tomar 4 gols em 6 minutos.
Pois é Felipão, não houve problema algum no seu trabalho. Foi só um apagão que custou um vexame histórico e 200 milhões de brasileiros frustrados.
Como dizem, “o pior cego é o que não quer ver”. Ou “errar é humano, persistir no erro é ser Felipão”, teimoso e arrogante. Não assume os erros e afunda a emoção de milhares de pessoas.
Mas a Copa acabou e a CBF já começou as mudanças. Adeus comissão técnica fracassada. Vida e esperanças novas.
Espero que agora façam mais. Que tenham a coragem de fazer mudanças drásticas em tudo ligado a futebol.
E você? Está com coragem de fazer mudanças drásticas na sua vida pessoal ou profissional?
Ou vai ficar chorando e dando desculpas para que sua vida seja um fracasso ou cheia de frustrações?
Chega de Síndrome de Felipão, né?
Seu lema hoje: “Mudanças já e com coragem para ser feliz”.
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Frequentemente as mudanças acontecem na vida da gente. Em algumas vezes, estamos preparados para elas, em outras elas representam uma grande surpresa. Por vezes, desejamos a mudança, vislumbrando uma nova oportunidade em nossa vida. Acontece também de não as desejarmos, pois estamos felizes com as coisas do jeito que estão. Mas as mudanças acontecem, quer queiramos ou não…
Quando buscamos algo melhor, costumo dizer que estamos criando a mudança, pois estamos não só indo atrás dela, como desejamos que coisas melhores ocorram. Nesta hora, dizemos que a mudança é positiva e bem-vinda.
Mas existe também aquela mudança que você não deseja. Tudo estava bem do jeito que estava, por que mudar agora? Nesta hora criamos resistências, não aceitamos a oportunidade que a vida nos dá para novos desafios. Reclamamos e amaldiçoamos pelo que nos acontece.
Pessoas proativas são as que criam as mudanças, vislumbram novas oportunidades, desejam sempre mais, porque sabem que estão em constante crescimento e aprendizado. Pessoas acomodadas se comportam como árvores, não saem dos seus lugares, esperam que tudo ocorra como desejam ou que tudo se mantenha exatamente como está.
Se você se identificou com o segundo tipo, aqui vai uma reflexão: você não é uma árvore… você não nasceu com raízes que lhe impossibilitam de mudar de lugar. Você também pode dizer que não nasceu com asas, que te possibilitariam voar, mas eu diria que você nasceu com algo melhor do que asas: inteligência e criatividade. Faça por merecer a inteligência que tem e saiba reconhecer quando é hora de mudar.
Nosso mundo é dinâmico, nada é estático. Já dizia Heráclito: “Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio”. Claro! O rio não é o mesmo… nós também não somos! Creio que hoje somos melhores que ontem, piores do que amanhã. E assim prossegue o rio da vida, propiciando mudanças para que tenhamos – todos os dias – novas oportunidades, novos olhares, novos aromas, novas experiências. Saia do lugar! Você não é uma árvore…
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Responda rápido a minha pergunta:
– De zero a 100% qual é o seu grau de comprometimento em ler este artigo até o final?
Estranha a pergunta? Para quem é Coach ou faz sessões de Coaching esta pergunta é corriqueira. Toda vez que atendo um cliente de Coaching Holístico e definimos uma meta ou tarefa, sempre fecho a sessão com esta pergunta:
– Qual é o seu grau de comprometimento em realizar esta tarefa ou meta?
Em geral o cliente responde 100%. Só que nem sempre isto ocorre. Nem sempre o cliente se compromete 100% em executar a tarefa ou meta.
Um dos maiores problemas de uma pessoa que faz Coaching é a falta de comprometimento. É mais fácil dar desculpas do que tentar cumprir o que se comprometeu.
E falta de comprometimento não é só no Coaching que ocorre. No dia a dia de qualquer empresa os funcionários nunca cumprem o que prometem e se comprometem. É uma total falta de responsabilidade, profissionalismo e até de caráter da pessoa.
Sua atitude vai prejudicar a empresa, seus colegas de trabalho e a si mesmo. Aí perde o emprego e reclama.
E o que falar de pessoas no nosso dia a dia que prometem algo para alguém ou para si mesmo e não cumprem. Cadê o comprometimento, gente?
Falta de comprometimento na via profissional e pessoal é um péssimo hábito. Quem não tem comprometimento leva a “vida na flauta” ou “seja o que Deus quiser”.
O cliente senta na minha frente na sessão de Coaching, fala que quer ter sucesso na vida, jura 100% de comprometimento e falta na sessão seguinte dizendo que tem outro compromisso importante.
Compromisso importante? E os 100% de comprometimento que ele “juramentou” com ele próprio em alcançar sucesso? Não é mais importante?
Parece que não. Estas pessoas que não cumprem o que falam, acham que estão enganando seu Coach, seu chefe ou sua própria vida.
Na verdade esta pessoa que não cumpre nem 1% do que se compromete, está enganado a si próprio. Está perdendo seu tempo e não o meu.
Você que não cumpre o que promete ou se compromete, fica aqui um recado para refletir:
Não cumpre o que promete, não avança, não vence e não conquista.
Para ajudar, significado de Comprometimento:
“Esta é uma atitude que poderíamos definir como algo de cunho moral, afinal, literalmente, remete ao cumprimento de um tratado, um pacto firmado.
Significa “honrar a palavra empenhada”. O comprometimento está vinculado ao clima organizacional, à cultura e aos valores da empresa. As pessoas estão dispostas a lutar por aquilo em que acreditam, seja no plano profissional ou pessoal. E lutam pela verdade!
Há uma relação íntima entre esta competência e a capacidade de estabelecer e cumprir metas. E esta relação está presente na própria palavra.
É por ai. Boa semana!
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Você já parou para pensar a força que estas duas palavras possuem? Bom Dia e Obrigado.
Palavras simples, óbvias, porém em muitos momentos esquecidas pelo corre-corre da falta de tempo, pelo mau humor que nos atinge, pelo status que faz acreditar que não se faz necessário ou pelo simples hábito de não se utilizar no vocabulário.
Certa vez ouvi em um treinamento de liderança: como você gostaria de ser liderado? E para minha surpresa: com um bom dia e um muito obrigado. E comecei a pensar.
Será que somente na gestão gostaríamos de ouvir estas palavras?
Quem não gostaria de ouvir pela manhã este simples gesto ou num momento que está desmotivado um obrigado por um trabalho realizado?
A palavra bom dia abre portas, pode ser o início de uma conversa difícil; quebrar o gelo num momento de nervoso, despertar o sorriso nos mais contagiantes, demonstrar respeito ao próximo e principalmente celebrar a oportunidade de um novo dia, cheio de desafios, atividades a serem desenvolvidas, pessoas a conhecer, negociações a vencer. Oferece uma palavra positiva para você e para quem ouve, transmitindo pensamentos positivos.
Pode parecer longe demais, mas e se nós realmente ao dizermos esta simples palavra, buscássemos ter o nosso Bom dia?
Onde você conhecendo seus valores, desejos e objetivos gera uma atitude consciente para que consiga o resultado esperado. Que possa vencer o medo, a desmotivação, a baixa estima e quebrar barreiras, obstáculos na comunicação, relacionamentos e descubra caminhos efetivos de atingir o sucesso e por que não a felicidade tão sonhada?
Pense nisso e se permita a realmente ter um bom dia.
A palavra obrigado tem significados interessantes segundo o dicionário: ser obrigado a fazer, obrigar por lei, ser grato, reagir a algo correspondido.
Palavra igualmente simples, mas difícil de ser dita por aqueles que justamente se sentem na obrigação de fazê-lo, mas nobre e cheia de ternura, gratidão e reconhecimento por quem diz e recebe.
Um feedback por algo, dar-lhe a vez, agradecer um trabalho, um presente, uma parceria ou um simples objeto que foi entregue, uma porta aberta. O poder do obrigado nos renova as energias, aumenta a motivação, estima, trabalho em equipe e comprometimento.
O obrigado é um gesto de reconhecimento, retorno positivo que se está no caminho certo, de um trabalho bem feito, de um apoio sincero, de uma ajuda para alguém que precisa carregar sua mala, segurar o elevador ou passar simplesmente o sal.
Reforça comportamentos; gera sinergia e cumplicidade.
Que possamos falar obrigada sem a obrigação social, mas dar ao outro o direito de gentileza e valor por um gesto, atitude ou trabalho.
Bom dia e obrigado. Que possam ser um oxigênio. Não tem o hábito? Dê o primeiro passo. Diga para você mesmo, pois este é o maior sentido para despertar para o outro.
Diga a você mesmo o quanto acredita em si e é capaz de buscar seus sonhos e metas; o quanto é grato por sua vida, carreira, família.
Que estas palavras não sejam apenas etiquetas profissionais mas façam parte de seu cotidiano para que ao despertar de um novo dia você tenha bons momentos e possa ser grato pelas conquistas feitas por você e pelos outros.
Pense nisso.
Te desejo um bom dia e obrigada.
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É aquela coisa que você já sabe que tem que fazer e não faz. É uma decisão que não toma, um trabalho que não termina, um projeto que não entrega, uma conversa que não rola nunca por que você não toma a iniciativa.
Aí você procura por ajuda, porque sabe que tem alguma coisa errada com isso. Sabe que não é o seu normal, mesmo que nem consiga ver isso com clareza. Você provavelmente dá um Google, pega um livro, conversa com alguém ou mesmo tira um tarô para ver o que dizem e invariavelmente você recebe o mesmo veredicto: “pare de procrastinar para ter sucesso, para conseguir o que você quer. Assuma as rédeas da sua vida, você tem condições, basta querer.”
E aí é que podemos perder uma chance de ouro, a de nos conhecermos melhor e efetivamente dar o salto [quântico] rumo a nós mesmos. Explico: quando vejo, na prática do Coaching, que as pessoas estão procrastinando, eu não falo para elas “superarem” esse problema. Ao contrário, eu sugiro que a gente acolha, pare e olhe para isso que está acontecendo. Vamos entender o que essa lentidão momentânea e consciente tem a dizer, que notícias ela traz desse momento da vida daquela pessoa.
Geralmente a procrastinação é um sintoma. É a ponta do iceberg. Ele traz muitas coisas consigo, que vão além da superfície. O que eu mais vejo na minha prática profissional tem a ver com medo, autossabotagem, insegurança, baixa autoestima, angústia, bloqueio criativo, falta de sentido ou de tesão, incapacidade de assumir o que se quer, entre outras coisas. Cada um desses tópicos merece um texto, ou melhor, um livro em si, então não vamos nos aprofundar agora, certo?
O que eu quero é sugerir que você pare e reflita a respeito do que faz você procrastinar. E busque entender o que esse sintoma está querendo te dizer. Essa é uma maneira muito potente de ir mais fundo e se ouvir, buscar sua verdade e aceitá-la. Acolher o seu momento é a melhor forma de sair dele, como já falei no texto sobre o limbo.
Proponho uma atividade para lhe ajudar nessa reflexão.
Separe um tempo para você, de preferência sozinho e sem interrupções, de aproximadamente 30 a 50 minutos. Procure estar num lugar confortável e, se possível, feche os olhos, respirando profundamente umas 3 vezes ou até conseguir deixar os pensamentos mais quietos, as preocupações de lado…
Então, com o auxílio de papel e caneta ou outro meio que você escolher, comece a atividade:
1º passo: Responda em quais situações específicas da minha vida estou procrastinando agora?
Escreva de maneira sucinta e precisa, como por exemplo: não terminei o projeto X. Não comecei a fazer ginástica. Estou usando muito tempo para fazer tarefa Y. Não estou conseguindo terminar tal coisa. Estou adiando a conversa com fulano.
2º passo: Depois olhe para essas situações que você escreveu e as leia com compaixão. Procure simplesmente aceitá-las, contemplá-las, sem julgá-las. Sei que é difícil não julgar, mas ao menos tente.
Ao observar essas situações, procure apenas abrir espaço para que elas mesmas te digam coisas.
3º passo: Se for o caso, pergunte-se: o que essa situação quer me dizer? O que há aqui, além da superfície? O que eu estou deixando de fazer de verdade? O que está por trás dessa procrastinação que eu não estou querendo ou podendo ver?
4º passo: Veja quais fichas caem, se caem, o que surge. Aceite o que veio, agradeça e só. Guarde tudo e retome sua vida. Se for dormir, boa noite. Se for voltar ao trabalho, bom trabalho. NÃO mexa mais no exercício.
5º passo: Após alguns dias (de 3 a 5 dias), volte ao que você anotou. Novamente observe as situações de procrastinação. Veja se algumas delas você já pode mexer e realizar. Anote as ações que têm que ser feitas.
6º passo: Faça.
Como sempre, quero saber o que surgiu para você, ao ler esse texto. Caíram fichas? Nada rolou? Tá valendo. Compartilhe aqui.
E você já sabe. Qualquer coisa, estou por aqui.
Com amor e com alma,
Karinna
PS: Se você acha que este artigo pode beneficiar alguém, por favor, encaminhe agora para essa pessoa.
PS2: Eu, claro, adoraria que você espalhasse meu artigo por aí, nas suas redes. Assim mais gente curte e compartilha com quem precisa.
Obrigada!
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Eu tenho a mais absoluta certeza de que a grande parte dos leitores já ouviu falar sobre a Inteligência Emocional. Aliás, provavelmente, haverá até especialistas e professores na disciplina cuja fundamentação teórica nos remete a Charles Darwin. O que a maioria também sabe está no fato de que a popularização do assunto surgiu quando, há vinte anos, Daniel Goleman publicou um best-seller a respeito. Mas será que a inteligência emocional se confunde com a Inteligência Espiritual? E você, o que pensa a respeito?
Para começo de conversa, deve-se lembrar que o conceito de “inteligência” é algo sobre o que não há unanimidade. A depender da corrente de estudos, esse conceito (que na linguagem dos estudiosos chama-se constructo) terá diferentes interpretações e o pesquisador deve indicar qual a ênfase e abordagem mais adequada ao seu objetivo de momento. Neste nosso caso, vamos nos vincular ao conceito etimológico de que a “inteligência” é a capacidade de identificar as opções, processá-las e decidir por aquela mais conveniente em um dado problema ou situação. Agora, vou tirar o foco da mera conceituação de “inteligência” para tratar do tema ampliado: Inteligência Espiritual.
O estudo da importância da espiritualidade tem crescido bastante, a ponto de haver profissionais da área de saúde que indicam haver alta relação entre a prática espiritual com a saúde mental das pessoas. E aqui surge a necessidade de se fazer outra distinção, pois espiritualidade não é o mesmo que religiosidade. Esta última diz respeito à prática da relação da pessoa com Deus, em que há um sistema de rituais ou simbolismos presentes. A espiritualidade, porém, volta-se à dimensão pessoal que diz respeito à própria existência, uma relação com a consciência sem que haja necessariamente rituais ou símbolos. Ou seja, a espiritualidade diz respeito a atitudes, sentimentos e pensamentos superiores que levam ao crescimento (amadurecimento) do ser humano. A prática da religião pode apoiar a espiritualidade, mas esta vai além.
Voltando ao tema central, vamos nos basear nos estudos e propostas da física e filósofa americana Danah Zohar, ligada a importantes centros de pensamento, nos EUA e Europa. Tendo como linha de pesquisa a física quântica, sobre Inteligência Espiritual ela relata ser algo essencial para promover a cooperação entre as pessoas, tanto na família como em sociedade. Indo além, ela entende que é a Inteligência Espiritual que ajudará as pessoas a alcançarem soluções positivas para o planeta, além de criar um melhor encontro individual nessa caminhada, ao descobrir melhor a si mesmo e aos seus valores. O alto quociente espiritual faz a pessoa ter a vida mais criativa, promissora e com sentido, com identificação do propósito pessoal.
Em seu livro Inteligência Espiritual (Editora: Viva Livros; 2012), escrito com Ian Marshall, Danah comenta que a inteligência emocional faz a pessoa ter capacidade de julgar em que situação se encontra e como deve se comportar, adequadamente, nos limites dessa situação. A Inteligência Espiritual estimula a pessoa a se perguntar se ela deseja estar nessa situação em particular e como é a melhor forma de trabalhar com os limites da situação. Em seu livro ela comenta de dez atributos típicos que mostram quando a pessoa tem um elevado quociente de Inteligência Espiritual.
As características comuns de quem tem alta Inteligência Espiritual são assim resumidas: (1) Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo; (2) São idealistas e levadas por valores pessoais; (3) Têm capacidade de encarar e se apropriar positivamente da adversidade; (4) São holísticas, no sentido de que conseguem ter visão abrangente sobre cada situação (analisam as partes e entendem o todo); (5) Respeitam a diversidade (em todas as nuances de diferenças entre pessoas, sem preconceitos); (6) Preservam sua independência e arbítrio; (7) Perguntam sempre “por quê?”, como forma de se questionarem quanto aos próprios dogmas e crenças limitantes; (8) Têm capacidade de colocar as situações e os fatos em um contexto ampliado; (9) São espontâneas e verdadeiras, e; (10) Têm compaixão, conseguindo se colocar no lugar das pessoas que estão com dores ou problemas, viabilizando ajudá-las.
E então, como está o seu grau de Inteligência Espiritual? Agora, fica o convite à sua reflexão e … Boa sorte!
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