O Que Você Mudaria no Seu Passado?
Reflexões Sobre Recomeço, Divórcio e Autoconhecimento
Recebi uma notificação do Facebook sobre um post feito há 5 anos, e foi muito interessante ver a minha determinação na época em viver o presente e não me diminuir mais para caber em lugar nenhum.
E o quanto a vida nos testa, colocando desafios e, sobretudo, o passado em xeque para ver se mantemos a nossa decisão.
Eu me recordo de não ter ideia do que seria daquele momento em diante quando decido não abrir mais mão de mim mesma, por ninguém. E resolvi escrever sobre isso hoje porque, além de uma pessoa muito querida estar passando pela mesma situação, eu gostaria de deixar minha experiência de sucesso para apoiar quem não estiver conseguindo enxergar a luz no fim do túnel… ainda! Justamente para quem estiver passando pela mesma situação que passei (divórcio), para que não desistam de si mesmos!
Temos, sim, que reaprender quem somos, e voltar a nos acostumar apenas à nossa própria companhia! O começo é estranho, as coisas parecem que não se encaixam. Eu lembro que parecia que eu estava fazendo algo errado quando fazia algo simples, como comprar um aliche e colocar na geladeira, só porque antes eu não o faria!
Começar com essas pequenas coisas, fez toda diferença! Reaprender o que eram minhas coisas favoritas, e não as do casal! O que a minha voz interna estava gritando, e que esperou muito tempo para ser ouvida!
Como é bom poder escutar a si mesmo! Como é bom ser uma pessoa inteira! E como é bom ver o passado como uma bênção, e apenas isso. O aprendizado é o que fica. Sem remorsos, culpas, ou sentimentos mal resolvidos. Apenas a plenitude em ser você mesmo(a), se redescobrir, se dar a permissão de ser feliz!
Uma vez que nos vemos inteiros, podemos compartilhar a vida com outra pessoa de forma saudável. Não mais com medo do julgamento, de ser abandonado(a), rejeitado(a), nem pisar em ovos ao falar com o outro. A manipulação passa a não ser mais possível, pois você tem certeza de quem você é, de verdade.
Não precisa mais da aprovação de ninguém. E esse movimento para chegar até aqui, esse caminho, é lindo! Pois somente quando cheguei nesse estágio, os padrões pararam de se repetir! Pode ser um pouco doloroso sim, mas eu não trocaria essa experiência por nada, pois quando entendi que temos aquilo que nos permitimos e, principalmente, aquilo que precisamos, então tudo mudou!
Hoje eu olho para meu presente e entendo que tudo que passei teve um propósito, um motivo de ser, e que esses estão super alinhados a um futuro que quero alcançar e que, na época, eu não entendia… não tinha a menor ideia de que teria sonhos como tenho hoje!
Aprendi não somente a não depender mais emocionalmente do outro, mas aprendi também que eu posso sonhar, que podemos desenvolver sim a ambição (diferente de ganância), em querer ter uma vida melhor, mais feliz. Você que está lendo esse artigo: você pode sim se sentir completo(a) independentemente de como, onde ou com quem estiver! Só acredite, e se mantenha firme no caminho! Tudo vai passar! Confie no tempo, e se permita ser feliz!
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Quer saber mais sobre como vivenciar um verdadeiro recomeço após o divórcio e reconectar-se com a sua essência? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até o próximo artigo!
Sarah Martins
Mentora de Autoliderança, Desenvolvimento Humano e Inteligência Emocional
http://linkedin.com/in/sararmartins
Confira também: Talvez Não Seja o Seu Sonho Que Seja Grande Demais, Mas Sim O Preço Emocional de Realizar Seus Sonhos
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Vender é Conectar Pontos: Como a Integração Entre Áreas Transforma a Experiência do Cliente
Durante muito tempo, vender foi tratado como uma responsabilidade quase exclusiva da área comercial. Quando os resultados não aparecem, a reação costuma ser imediata: cobrar mais prospecção, aumentar a pressão sobre a equipe, rever metas, oferecer descontos ou investir mais em divulgação.
Mas será que uma venda depende apenas de quem está diante do cliente?
Na prática, ela começa muito antes do contato comercial e continua muito depois do pagamento. Uma venda pode ser conquistada ou perdida no anúncio que desperta interesse, no site que facilita ou dificulta a compra, na informação que chega correta ou desencontrada, no atendimento que acolhe ou apenas responde, na disponibilidade do produto, no prazo cumprido e na maneira como a empresa se posiciona quando algo não sai como esperado.
O cliente não enxerga o organograma da empresa. Ele não separa marketing, comercial, tecnologia, estoque, logística, financeiro e atendimento. Para ele, tudo representa uma única marca e compõe uma única experiência.
É justamente aí que muitas empresas criam barreiras sem perceber.
O marketing promete agilidade, mas o atendimento demora. A campanha atrai, mas o site confunde. O vendedor negocia uma condição, mas o financeiro recebe outra informação. O produto aparece como disponível, mas não está no estoque. O atendimento resolve a dúvida, mas ninguém acompanha o cliente até a conclusão da compra. Cada área pode até acreditar que cumpriu a sua parte, enquanto a venda se perde no espaço existente entre uma responsabilidade e outra.
Quando todos cuidam apenas de uma parte, quem cuida da jornada inteira?
A empresa separa departamentos. O cliente não.
Internamente, dividir responsabilidades é necessário. As áreas precisam ter funções, metas, processos e lideranças bem definidos. O problema começa quando essa divisão se transforma em isolamento.
Uma empresa pode ter bons profissionais, boas ferramentas e até bons indicadores em cada departamento e, ainda assim, oferecer uma experiência ruim. Isso acontece porque o cliente não vive os setores separadamente: ele percorre o caminho criado pela conexão ou pela falta de conexão entre eles.
- Não basta gerar tráfego se a página não transmite confiança.
- Não basta ter um bom atendimento se a informação disponível está desatualizada.
- Não basta automatizar mensagens se ninguém compreende o que o cliente realmente precisa.
- Não basta fechar a venda se a entrega não sustenta a promessa feita.
A tecnologia ajuda, os dados orientam e a automação traz velocidade. Mas, quando não existe integração, a tecnologia também pode acelerar ruídos, multiplicar respostas incoerentes e tornar mais eficiente um processo que já nasceu confuso.
Ferramentas não conectam uma empresa sozinhas. Pessoas, processos e decisões conectam.
Vendas são construídas nos bastidores
Há um trabalho que quase nunca aparece no momento do fechamento, mas influencia diretamente o resultado: organizar informações, alinhar áreas, revisar etapas, identificar obstáculos, acompanhar indicadores e garantir que a promessa feita ao cliente possa realmente ser cumprida.
Esse trabalho de bastidor também é venda.
- Quando alguém percebe que muitos clientes abandonam a compra no mesmo ponto e busca a causa, está cuidando da venda.
- Quando atendimento e logística compartilham informações para evitar novas reclamações, estão cuidando da venda.
- Quando marketing, comercial e operação alinham campanha, estoque e condições antes da divulgação, estão cuidando da venda.
- Quando uma reclamação é tratada como fonte de aprendizado, e não apenas como uma ocorrência a ser encerrada, a empresa está cuidando das próximas vendas.
Vender não é somente convencer alguém a comprar. É construir um caminho coerente para que a decisão de compra possa acontecer com confiança.
Antes de cobrar mais vendas, procure os pontos de ruptura
Nem sempre o problema está na falta de clientes ou no desempenho dos vendedores. Em muitos casos, existem oportunidades chegando, mas a própria empresa cria obstáculos para transformá-las em vendas.
Por isso, antes de aumentar a cobrança, vale fazer algumas perguntas:
- A comunicação desperta uma expectativa que a operação consegue cumprir?
- As informações são as mesmas em todos os canais?
- O cliente consegue avançar sem repetir sua história diversas vezes?
- Existe alguém acompanhando a jornada completa ou cada área observa apenas o próprio indicador?
- As reclamações geram melhoria de processo ou apenas respostas individuais?
- Quando uma venda é perdida, a empresa procura compreender em qual ponto ocorreu a ruptura?
Essas perguntas deslocam o olhar da pressão pelo resultado para a construção do resultado. E essa mudança é essencial para uma cultura comercial mais eficiente, integrada e sustentável.
Conectar também é uma estratégia de vendas
Conectar pontos não significa centralizar todas as tarefas em uma única pessoa. Significa garantir que as áreas conversem, que as informações circulem e que alguém consiga olhar para a experiência além dos limites de cada departamento.
Esse olhar integrado permite perceber o que os indicadores isolados nem sempre revelam. Uma campanha pode ter muitos cliques e poucas vendas. Um atendimento pode responder rapidamente e não solucionar. Um site pode receber muitos acessos e oferecer uma jornada difícil. Uma operação pode cumprir seus procedimentos e, mesmo assim, transferir seus ruídos internos para o cliente.
O desafio não é apenas executar bem cada atividade. É compreender como uma decisão tomada em uma área afeta todas as outras e, principalmente, como chega até o cliente.
No fim, empresas não perdem vendas somente para concorrentes. Também perdem para a burocracia, para a informação desencontrada, para a demora, para a falta de acompanhamento e para processos criados a partir da lógica interna, não da necessidade de quem compra.
Vender com leveza, portanto, não significa retirar estratégia, firmeza ou responsabilidade da venda. Significa retirar do caminho do cliente o peso da desorganização da empresa.
Porque a venda pode até ser concluída em um canal, por uma equipe ou por uma pessoa. Mas ela é construída por todos os pontos que a empresa consegue conectar.
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Quer saber mais sobre como a integração entre áreas pode eliminar pontos de ruptura e transformar a experiência do cliente em vendas? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até o próximo mês!
Renata Cristina Paulino
https://www.linkedin.com/in/renatapaulino/
Confira também: Acho Chique, Acho Prático, Mas Isso Vende? Como Transformar Opinião em Estratégia de Vendas
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A Fronteira Digital e o Tempo dos Novos Diálogos
Uma reflexão psicanalítica sobre a palavra, a técnica e o laço social
1. Introdução: Habitar uma Fronteira
Há uma imagem que condensa nossa época: estamos todos, quase sempre, no limiar. Entre o corpo que está presente e a presença que se projeta na tela; entre a voz que escapa no instante e a mensagem que permanece; entre o encontro marcado e o contato que nunca termina. Vivemos numa fronteira — a fronteira digital — e o diálogo, forma milenar de dois sujeitos se arriscarem um no outro, atravessa essa fronteira por inteiro.
A pergunta que orienta este artigo é dupla. Primeiro: o que acontece com a palavra quando ela passa a circular no tempo dos novos diálogos — mensagens, redes, plataformas, máquinas que conversam, respostas que chegam depois, presenças que se alternam entre o online e o offline?
E, mais profundamente: o que a psicanálise — ela mesma uma prática radical do diálogo — tem a dizer sobre essa travessia? Há uma continuidade, e não uma ruptura, entre o diálogo que Platão pensou há dois mil e quatrocentos anos e a conversa que hoje se desenrola diante de uma tela: em ambos os casos, trata-se de saber o que uma palavra faz quando alguém a endereça a outro alguém.
2. O Diálogo Antes do Digital: A Palavra e seu Risco
A inquietação que nos habita é antiga. No Fedro, Platão narra o mito de Teuth, inventor da escrita, que apresenta ao rei Thamus sua criação como remédio para a memória e para a sabedoria. Thamus recusa o presente: a escrita não cura a memória, mas a debilita — fará os homens confiarem no traço exterior em vez de recordarem por si.
E há uma objeção mais sutil, posta na boca de Sócrates: a escrita é um pharmakon, remédio e veneno ao mesmo tempo — porque ela repete sempre a mesma coisa, não sabe se defender, não escolhe a quem se dirige. Fala a todos e a ninguém. Diante dela, o diálogo vivo: a palavra falada que responde, que se corrige, que nasce no tempo do encontro e morre no ar se não for recolhida por uma escuta.
Jacques Derrida, em A Disseminação (1972), retomou essa cena para mostrar que o pharmakon é indecidível: a escrita é suplemento — uma presença que se dá na ausência, um remédio que é também veneno. O que importa aqui não é a erudição, mas a estrutura: cada novo meio do diálogo reencena essa inquietação. A tela, como a escrita, permanece; e, como a escrita, espera uma resposta que a reanime. O digital é o nosso pharmakon: promete aproximar o que está distante e ameaça esvaziar o que está perto; dá voz a quem não falaria e rouba a voz de quem só tagarela.
3. A Psicanálise como Prática do Diálogo
Freud reinventou o diálogo no interior da própria palavra. A regra fundamental — dizer tudo o que vier à cabeça, sem censura, sem ordem, sem vergonha — instituiu um tempo de fala que não existia: uma palavra que não responde a uma pergunta, que não cumpre uma função, que simplesmente se deixa dizer. Por outro lado, a escuta flutuante: uma escuta que não seleciona, que não julga, que não se apressa. Foi desse dispositivo que nasceu a descoberta do inconsciente — como aquilo que fala ali onde o sujeito supunha apenas silêncio ou acaso.
Lacan deu a essa prática seu estatuto teórico ao distinguir a palavra plena da palavra vazia, em Função e campo da fala e da linguagem (1953). A palavra vazia é aquela que apenas repete: circula, conversa, preenche o tempo e não endereça nada a ninguém. A palavra plena é a que, ao ser dita diante de um outro, transforma aquele que a diz — porque o sujeito se compromete nela. E a transferência, esse conceito-clímax da psicanálise, é o diálogo em que alguém fala não apenas a quem escuta, mas ao lugar que o escutante encarna: um Outro suposto, diante do qual a fala ganha peso.
O diálogo psicanalítico, portanto, não é conversa. É um dispositivo de tempo: o tempo da sessão, da espera, do silêncio, da interpretação que corta. A psicanálise se oferece, assim, como modelo para pensar todo diálogo digno do nome: aquele em que a palavra produz diferença — em que, ao final, quem falou não é exatamente quem começou.
4. A Fronteira Digital: Um Novo Regime de Presença e de Tempo
O que o digital altera não é apenas o meio — é o tempo. No diálogo clássico, a presença era a condição: estar diante, ouvir no instante, responder quando a palavra do outro ainda vibrava. No diálogo digital, instala-se a assincronia: a mensagem que espera, o “visto” que anuncia uma leitura sem resposta, a réplica que chega horas depois. A presença torna-se intermitente: estamos online e ausentes; reunidos na conversa e dispersos na atenção. A espera — estrutura mesma do desejo — ganha uma temporalidade nova, feita de notificações e intervalos.
Byung-Chul Han descreveu esse regime com precisão. Em No Enxame (2013), mostra que a esfera digital é uma esfera sem presença: a comunicação digital tende a dissolver a presença em favor da performance, e o enxame — o agrupamento efêmero de átomos isolados — não tem a alma nem a direção de um povo; reúne-se sem comunidade, agita-se sem responsabilidade. Em Sociedade do Cansaço (2010), Han aponta o outro lado: o imperativo do desempenho, a positividade que manda “poder” e “dever” em vez de “proibir”, o esgotamento depressivo de quem se sente em dívida permanente consigo mesmo — e, junto, o desaparecimento do tédio profundo, aquele vazio fecundo de onde brotavam o pensamento e o encontro.
O tempo dos novos diálogos é, nesse sentido, um paradoxo: acelera a resposta e esvazia a conversa. Fala-se mais e diz-se menos; conecta-se mais e encontra-se menos. A fronteira digital promete o fim da distância e instala uma distância nova — aquela que separa a palavra de seu endereçamento.
5. O Outro na Tela: Solidão Conectada
Sherry Turkle, em Alone Together (2011), formulou a tese com clareza: esperamos cada vez mais da tecnologia e cada vez menos uns dos outros. Estamos “juntos, mas sós” — conectados permanentemente e, ao mesmo tempo, dispensados do encontro. O aparelho torna-se a companhia que nunca falta, o interlocutor que jamais exige nossa presença inteira. A solidão contemporânea não é a do eremita, mas a solidão conectada: cercados de telas, desamparados de presenças.
À luz da psicanálise, o que a tela oferece é um Outro à medida. O like responde sem responder: reconhece sem reconhecer; devolve a imagem sem dirigir a palavra. Na raiz de toda demanda, ensina Lacan, há uma demanda de amor — de reconhecimento; e o imaginário captura o sujeito na relação especular. A rede multiplica espelhos: cada notificação é um pequeno eco da própria imagem, um reconhecimento que não custa encontro. O risco é o diálogo sem endereçamento: palavras que circulam sem sujeito, frases que atravessam o mundo sem, de fato, tocar ninguém.
Mas a fronteira não é em si boa nem má — e é preciso dizê-lo para não cair no maniqueísmo da nostalgia. A carta sempre foi assíncrona, e foi nela que muitas palavras plenas encontraram abrigo: o escrito permite a elaboração, a demora, o retorno sobre si. O que decide não é a tela ou o papel, o síncrono ou o diferido: é a posição do sujeito — se ele fala de um lugar ou se apenas desliza pela superfície dos significantes.
6. O Tempo dos Novos Diálogos: A Clínica na Fronteira
A clínica contemporânea já habita essa fronteira. A análise mediada, as sessões por vídeo, a voz que sustenta a presença quando o corpo está ausente: experiências que mostraram que o essencial do dispositivo analítico não está na materialidade do divã, mas na posição do sujeito que fala e na escuta que o espera. O meio se transforma; a estrutura do endereçamento permanece.
E há ainda o diálogo mais novo: o diálogo com as máquinas que conversam. Um interlocutor que não recusa, que responde sempre, que não cansa, que não se ofende — a promessa de um diálogo sem tropeço, sem mal-entendido, sem falta. É aqui que a psicanálise tem algo decisivo a dizer: um Outro sem falta seria o fim do desejo. Todo diálogo vivo passa pelo equívoco, pela resposta que não estava pronta e certamente pela surpresa que desloca quem fala. Uma máquina que devolve exatamente a demanda não escuta: espelha. E o espelho, por mais nítido, não produz palavra nova.
O tempo dos novos diálogos pede, então, mais escuta, e não menos. Pedir que as tecnologias conversem conosco não é o problema, mas sim acreditar que conversar é apenas receber respostas. Diálogo é o risco de ser transformado pelo que se ouve — e isso, nenhuma otimização substitui.
7. Conclusão: Habitar a Fronteira
A fronteira digital não é o fim do diálogo: é sua nova travessia. Desde Platão, cada meio renovou a inquietação sobre a palavra; desde Freud, a psicanálise renova a aposta inversa — a de que há palavra que transforma. O que muda é o tempo — e o tempo é matéria da psicanálise. Habitar a fronteira: não recusar a tela, não a idolatrar; sustentar, em qualquer meio, o essencial — um sujeito que se endereça, uma escuta que não se apressa, uma palavra que não estava pronta antes de ser dita.
Na fronteira, como em toda fronteira, algo se perde e algo se reencontra. O que se perde é a ilusão de que a proximidade mesma basta; o que se reencontra é a pergunta que o diálogo sempre fez: será que alguém falou, e será que alguém esperou? Enquanto houver uma palavra endereçada e uma escuta disposta, há diálogo — na praça de Atenas, na página escrita, na tela acesa. O tempo dos novos diálogos é, no fundo, o mesmo tempo de sempre: o tempo em que dois sujeitos se arriscam diante da falta que os constitui.
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Quer saber mais sobre como habitar a fronteira digital sem perder a escuta, a presença e a força dos diálogos que transformam? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Um abraço e até a próxima!
Iússef Zaiden Filho
Advogado, Mestre em Educação, Psicanalista e Especialista em Psicologia Comportamental
http://www.izfcoaching.com.br/
Confira também: O Novo Helenismo Digital: Como a Geração da Inteligência Artificial Repete os Erros do Passado
Referências Bibliográficas BYUNG-CHUL HAN. No enxame: perspectivas do digital. Petrópolis: Vozes, 2018. [2013] BYUNG-CHUL HAN. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015. [2010] DERRIDA, Jacques. La dissémination. Paris: Seuil, 1972. FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. Rio de Janeiro: Imago, 1996. (Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, v. XXI). [1930] LACAN, Jacques. Conferência de Milão (12 de maio de 1972). In: Lacan in Italia 1953-1978. Milano: La Salamandra, 1978. LACAN, Jacques. Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998. LACAN, Jacques. O seminário, livro 20: Mais, ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985. [1972-1973] PLATÃO. Fedro. In: Diálogos. São Paulo: Abril Cultural, 1972. (Os Pensadores). TURKLE, Sherry. Alone together: why we expect more from technology and less from each other. New York: Basic Books, 2011.
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O Rei Leão, o Futuro de Uma Nação e a Bandeira Hasteada
Essa metáfora diz muito mais sobre você do que sobre a história de um filhote que precisou voltar para casa.
Querido leitor,
E se essa história falasse muito mais sobre o momento em que vivemos do que imaginamos?
Assisti a O Rei Leão em três momentos muito diferentes da minha vida: primeiro com meu filho mais velho, depois com minha filha e, mais recentemente, com minha neta.
O filme sempre foi o mesmo, mas eu não.
Durante muito tempo acompanhei os personagens, suas dores, seus conflitos e suas escolhas. Hoje, presto atenção à riqueza de detalhes contida no enredo, sobretudo no que diz respeito à consciência.
Por isso, se assistir novamente depois de ler este artigo, não olhe apenas para os personagens e para o reino.
Olhe para a vida ao seu redor.
Enquanto Simba estava longe
No início da história, a Terra do Reino é abundante. Mufasa apresenta ao pequeno Simba o território que um dia estará sob sua responsabilidade, mas o filhote ainda não compreende a dimensão daquilo.
Scar deseja o trono, provoca a morte de Mufasa e manipula Simba para que acredite ser culpado. O jovem leão não questiona a versão que recebeu e foge para longe de sua terra, de sua história e de si mesmo.
Enquanto Simba cresce distante, Scar assume o poder junto com as hienas. A terra, antes abundante, seca, o alimento se torna escasso e aquilo que um dia teve vida vai sendo sucateado.
O nome continua o mesmo. O território continua o mesmo. Mas já não é o mesmo lugar.
É aqui que a ficção se aproxima da vida real.
Coisas importantes nem sempre nos são tiradas de uma vez. Nós vamos deixando de ocupá-las quando paramos de fazer perguntas, de questionar, de acompanhar o que está acontecendo e de olhar, de fato, com atenção para aquilo que um dia consideramos importante.
A ausência se torna hábito até que olhamos novamente e quase não reconhecemos o lugar.
Uma das formas mais silenciosas de perder um território é acreditar que alguém sempre estará cuidando dele.
Não procure Scar ainda
Se você terminar este artigo apenas escolhendo quem é Scar, então você perdeu a parte mais importante da história.
O que me inquieta não é apenas a existência de Scar e das hienas. Em qualquer sociedade existirão pessoas dispostas a mentir, manipular, roubar, abusar do poder ou colocá-lo a serviço dos próprios interesses.
O que me inquieta é quando tudo isso, mesmo causando espanto e indignação, nos mantém paralisados, assistindo a novos capítulos.
Quando o absurdo vira rotina, o escárnio se transforma em mais uma notícia do dia, a mentira encontra quem a justifique, o roubo ganha explicações convenientes e a indignação dura até a próxima manchete, alguma coisa já aconteceu com o reino.
O risco para uma nação cresce quando seus cidadãos se acostumam, quando instituições parecem intocáveis, quando toleramos dos nossos aquilo que jamais aceitaríamos dos outros e quando o medo de ser confundido com “o outro lado” se torna maior do que a coragem de defender um princípio.
Por isso, não quero lhe dizer quem é Scar.
Quero lhe propor algo mais difícil: observe os atos.
Quando admiramos alguém, encontramos justificativas para seus comportamentos. Quando rejeitamos alguém, podemos condenar aquilo que aceitaríamos se viesse de quem está do nosso lado.
Mas um princípio não deveria mudar de acordo com quem o viola.
Eu aceitaria esse mesmo comportamento se ele viesse de alguém de quem discordo?
Para mim, maturidade política, social e humana passa pela capacidade de responder a essa pergunta antes de consultar de que lado está quem praticou o ato.
Quando um povo aprende a observar atos em vez de personagens, fica muito mais difícil conduzi-lo pela aparência.
Quando Nala encontra Simba
Nala conhecia a realidade que Simba não estava vendo. Quando o encontra, não lhe entrega força. Mostra o que estava acontecendo no reino e interrompe o seu Hakuna Matata.
Todos nós precisamos, em algum momento, de algo que faça o mesmo.
Pode ser um vídeo que quase não abrimos, um artigo que contraria nossas certezas, uma conversa incômoda, uma notícia que nos leva a pesquisar além da manchete ou, por exemplo, um documento que decidimos ler por inteiro em vez de aceitar a interpretação de alguém.
Não precisa nos dizer em que acreditar. Precisa nos fazer olhar.
Foi isso que aconteceu com Simba.
Ele havia crescido acreditando numa versão muito menor de si mesmo. Quando finalmente compreende o que aconteceu durante sua ausência, recorda-se de quem é e percebe que sua responsabilidade sobre aquele território não havia desaparecido apenas porque estava longe.
Simba havia esquecido que era rei. Nós também podemos esquecer que, numa democracia, o cidadão não é figurante.
Nossa Constituição não diz que parte do poder emana do povo.
Diz: “Todo o poder emana do povo.”
E estabelece que Legislativo, Executivo e Judiciário são Poderes independentes e harmônicos entre si.
O povo não deveria assistir à própria história como quem assiste a um filme.
O território da consciência
Existe um território sobre o qual nenhuma autoridade deveria exercer mais poder do que nós mesmos: a nossa mente.
As informações que consumimos e repetimos, as pessoas às quais entregamos autoridade, nossas crenças e também nossas certezas constroem a paisagem a partir da qual interpretamos o mundo.
Consciência exige discernimento.
Há um verso do nosso Hino Nacional que, para mim, ganha, sem dúvida, outra dimensão diante de tudo isso:
“Verás que um filho teu não foge à luta.”
Não fugir à luta não significa viver em confronto. Significa não fugir da responsabilidade, das perguntas difíceis, do dever de acompanhar aquilo que é feito em nosso nome e, principalmente, do exercício de pensar.
Uma nação não se sustenta apenas por suas leis, instituições, bandeiras e símbolos. Sustenta-se também pela consciência de seu povo e pela compreensão de que aquilo que pertence a todos exige cuidado de todos.
Quando Simba retorna, encontra uma terra que quase não reconhece.
Nala o fez olhar. Rafiki o fez recordar. Mas nenhum deles poderia voltar por Simba.
Essa parte cabia a ele.
Há momentos em que ninguém poderá ocupar o nosso lugar por nós.
Querido leitor, não escrevo para lhe dizer em que acreditar, quem defender ou quem condenar. Não quero escolher os personagens por você.
Quero lhe lembrar de algo que considero muito mais importante: a sua voz também faz parte do território que você veio cuidar.
Não entregue a ninguém o direito de fazê-la desaparecer.
Recorde-se de quem você é.
E, quando chegar a hora de se posicionar, não tenha medo de ouvir o seu próprio rugido.
Se esta reflexão fez sentido para você, então convido você a continuar essa jornada comigo pelo Instagram: @shirleybrandaooficial.
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Quer saber mais sobre como fortalecer sua consciência cidadã, desenvolver autonomia de pensamento, bem como exercer sua cidadania com mais responsabilidade? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Com carinho,
Shirley Brandão
37 anos trabalhando para o desenvolvimento humano
https://shirleybrandao.com.br/
@shirleybrandaooficial
Palavras-chave: consciência, consciência cidadã, democracia, responsabilidade coletiva, cidadania, território da consciência, o rei leão e a consciência cidadã, o que é consciência cidadão, o cidadão não é figurante, todo o poder emana do povo, observar atos em vez de personagens, consciência exige discernimento
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O Que É, de Verdade, a Comunicação?
Vinte anos depois, um ex-aluno, que na época era gestor de uma área da ABB (Asea Brown Boveri), em Osasco, procurou-me para proferir uma palestra com o tema “Comunicação é o que chega” e justificou o porquê me contratou para essa palestra, dizendo:
“Reinaldo, quando fiz um curso com você, tive um grande impacto e por observar a mudança significativa que gerou em toda a nossa equipe. O que foi mais relevante para mim e mudou minha opinião e me fez mudar meus hábitos foi exatamente o que você sempre afirmava: “Comunicação não é o que você fala, é o que chega no interlocutor”.”
Fiz a palestra no Hotel Cheiro de Mato em Mairiporã e foi um sucesso. Fiquei feliz pela excelente remuneração e ele ainda mais por ter levado ao seu time essa reflexão que amplia a visão e o impacto dessa competência, em especial com profissionais que usam a comunicação como seu principal instrumento de trabalho.
Curiosamente, falamos sobre comunicação o tempo todo, treinamos comunicação, medimos comunicação, culpamos a comunicação quando algo dá errado, ensinamos e aprendemos por meio da comunicação, nos relacionamos com outras pessoas através da comunicação, mostramos nosso potencial pela nossa comunicação, além de ser um dos principais problemas das organizações. Ela é tão presente em nossa vida como o ar que respiramos.
Neste artigo, proponho uma reflexão mais profunda sobre esse tema, partindo de uma pergunta simples:
O que é, de fato, a comunicação?
Já ouvi várias respostas, que se multiplicam como reflexos num espelho, e cada uma delas revela uma faceta, e todas juntas formam o retrato de algo que é muito maior do que palavras. Algumas respostas:
- Comunicação é dizer o que penso e o que sinto;
- É a troca de informações entre pessoas;
- É a transmissão de uma mensagem de um emissor por meio de um canal para um receptor;
- É a base dos relacionamentos;
- Comunicação é um falar e o outro ouvir;
- Comunicação é a capacidade de uma pessoa expor suas ideias;
- É expressar as ideias por gestos e por palavras;
- Comunicação é tudo.
Todas estão certas, embora nenhuma é completa e é exatamente essa a beleza do tema: a comunicação é grande demais para caber numa única frase, mas se fosse propor uma simples e prática definição em uma única frase eu optaria por: “Comunicação é o que chega”. Para mim é uma das verdades mais duras, e mais libertadoras, do processo comunicacional, pois inverte a lógica natural de quem fala: a comunicação não começa em você, ela só existe no outro.
Quero compartilhar uma bonita história, que mostra exatamente o momento em que a comunicação acontece:
Helen Keller nasceu saudável, mas uma doença, aos dezenove meses, a deixou cega e surda, presa num mundo sem imagens e sem sons, ela se comunicava por gestos primitivos e vivia frustrada, porque ninguém conseguia entrar no seu mundo, e ela não conseguia sair dele.
Até que chegou Anne Sullivan, uma jovem professora que teve uma ideia simples e genial: escrever palavras na palma da mão da menina. Dia após dia, Anne soletrava “boneca” na mão de Helen enquanto lhe dava uma boneca. “Xícara”, enquanto tocava a xícara. Mas Helen repetia os movimentos como um papagaio, sem entender o que aquilo significava. A comunicação ainda não tinha acontecido.
Então, num certo dia, Anne levou Helen até o poço d’água. Enquanto a água fria escorria sobre a mão da menina, Anne soletrou lentamente: w-a-t-e-r. Naquele instante, algo se acendeu. Helen compreendeu. Aquela sequência de toques na palma da mão não era um gesto vazio, era o nome daquela substância fria e viva que escorria entre seus dedos. Cada coisa tinha um nome. E os nomes podiam ser compartilhados.
Helen Keller escreveu depois que, naquele momento, “tudo tinha um nome, e cada nome dava origem a um novo pensamento”. Em poucas horas, ela aprendeu dezenas de palavras. E aquela menina, presa num mundo de silêncio e escuridão, tornou-se uma das maiores comunicadoras do século XX, tornando-se escritora, palestrante e ativista, tendo emocionado plateias no mundo inteiro.
Por que essa história é tão poderosa?
Porque Anne Sullivan falava havia semanas. Mas a comunicação só aconteceu quando Helen compreendeu. A palavra só se tornou comunicação no instante em que foi decodificada. Foi exatamente o que a menina sentiu que não bastava que Anne emitisse, era preciso que Helen recebesse.
Uma simples evidência para saber se a comunicação foi processada efetivamente, não é perguntar se a outra pessoa entendeu, gerando a resposta binária de sim ou não, mas a pergunta certa é: O que você entendeu do que eu disse? Assim, ao ouvir o que a pessoa responder, terei a evidência de que o que foi compreendido foi exatamente o que eu queria dizer.
A complexidade do processo comunicacional permeia várias camadas da percepção e inteligência humana, além de envolver outros aspectos como cultura, conhecimento do idioma, nível cultural, níveis neurológicos, vocabulário, entre outros, por isso apresento algumas respostas à mesma pergunta, subdivididas em três blocos:
Bloco I — Comunicação como expressão do ser
Nesta dimensão, a comunicação nasce em quem fala. É a força que nos move para fora, a coragem de tirar o mundo interno e oferecê-lo ao outro:
- Comunicação é ato criador. Ao nomear as coisas, criamos o que existe para nós e para o outro. A linguagem não descreve a realidade, ela a edifica. Antes da palavra, a ideia é apenas possibilidade; depois da palavra, ela se torna presença no mundo;
- Comunicação é congruência. Sua força está na unidade entre o que se pensa, o que se sente, o que se diz e o que se faz. A coerência é o que torna a mensagem crível e o orador, confiável;
- Comunicação é presença. É a disposição de estar inteiro diante de alguém. A atenção plena é a forma mais rara e mais poderosa de comunicar: quando você está ali, de corpo, mente e coração, o outro sente.
Bloco II — Comunicação como encontro e relação
Aqui a comunicação deixa de ser um monólogo e se torna um encontro. Não basta falar; é preciso que alguém receba:
- Comunicação é relação. Só existe comunicação no encontro entre dois mundos internos. Sozinho, ninguém comunica, é apenas pensamento;
- Comunicação é escuta. Definir comunicação apenas pelo falar é esquecer que o sentido não nasce em quem fala, mas em quem recebe. A escuta é a metade invisível de toda conversa;
- Comunicação é vínculo emocional. As pessoas esquecem o que você disse, mas raramente esquecem como você as fez sentir;
- Comunicação é adaptação. É traduzir a mesma ideia para a linguagem, o vocabulário e o universo do outro, para que ela de fato chegue;
- Comunicação é sintonia. Falar não é apenas emitir numa frequência qualquer; é encontrar a frequência em que o outro consegue receber;
- Comunicação é transformação bilateral. Ao me expressar, não apenas entrego algo ao mundo no qual eu mesmo me modifico no ato de dizer.
Bloco III — Comunicação como construção de significado
Agora a comunicação se revela em sua dimensão mais profunda: a criação de sentido compartilhado:
- Comunicação é a criação de significado compartilhado. Não basta emitir; só existe comunicação quando um mesmo sentido nasce em duas pessoas;
- Comunicação é contexto. Nada significa por si só: o sentido depende da situação, do tom, do momento e da história entre as pessoas;
- Comunicação é negociação de sentidos. Cada pessoa interpreta a partir do seu repertório; comunicar é ajustar continuamente o que o outro entendeu;
- Comunicação é construção de uma realidade comum. Duas pessoas que se comunicam passam a habitar, em parte, o mesmo mundo;
- Comunicação é cultura e memória. Falamos com palavras, símbolos e histórias que herdamos e nunca começamos do zero;
- Comunicação é redução de incerteza. Comunicar é diminuir o que o outro não sabia, é organizar o ruído em compreensão;
- Comunicação é comportamento. Inclusive o silêncio comunica e, por isso, não é possível não comunicar;
- Comunicação é influência recíproca. Não existe mensagem neutra: toda palavra transforma quem a ouve e quem a fala;
- Comunicação é poder e responsabilidade ética. A palavra move, constrói ou destrói e quem comunica exerce influência e, por isso, responde por ela;
- Comunicação é travessia. É o esforço de fazer o outro habitar, por um instante, o pensamento que estava só dentro de mim.
Conclusão
Todas as definições que exploramos até aqui apontam para uma verdade que transforma completamente a nossa prática, de que a comunicação é o que chega, o que é decodificado e compreendido pelo outro. Quem falou pode ter sido brilhante, pode ter escolhido as palavras perfeitas, pode ter se emocionado com o próprio discurso, mas se o ouvinte não compreendeu, a comunicação não se completou. Essa é a grande virada de chave: o centro da comunicação não está em quem fala, está em quem recebe. O orador não é o dono da mensagem; o dono da mensagem é quem a compreende.
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Quer saber mais sobre por que a comunicação é o que chega e como transformar suas conversas em verdadeiras pontes de compreensão? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Reinaldo Passadori
CEO da Passadori Comunicação, Professor de Oratória, Mentor e formador de Palestrantes
https://www.passadori.com.br/
Confira também: Comunicação É Dinheiro: Como a Comunicação Eficaz Gera Resultados e Reduz Perdas nas Empresas
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Autenticidade, Vulnerabilidade e Confiança na Liderança
Céline Dion se deixou ver. E você?
Eu não estava em Paris no dia 12 de setembro de 2026. Vi a cena numa tela pequena, como milhões de pessoas.
Céline Dion entra no palco depois de seis anos de ausência. A plateia se levanta. Ela abre os braços, fecha os olhos e o rosto se contrai. Começa a cantar e não consegue.
Para.
Alguns segundos depois, abre os olhos. Um sorriso pequeno, ainda molhado. As mãos juntas no peito, o olhar para cima.
O que me tocou não foi ela ter conseguido voltar a cantar, e sim ela não ter escondido o instante em que não conseguiu. E o que aconteceu em mim não foi admiração, foi reconhecimento: a cena me levou a momentos, de criança e de adulta, pessoais e profissionais, em que o choro foi mais forte do que tudo e a emoção simplesmente era quem eu era naquele instante. Ela me conectou a mim e, através disso, ao ser humano que todos nós somos.
Logo depois, Céline disse à plateia que havia prometido não chorar e que não cumpria suas promessas. Naquele momento, alguma coisa aconteceu entre ela e o público que não estava no roteiro.
Do palco à sala
Foi isso que me fez lembrar de uma situação aparentemente muito distante daquele palco: um workshop sobre o panorama da confiança na liderança com um grupo de líderes de uma mesma organização, pessoas acostumadas a se posicionar, tomar decisões, responder perguntas e certamente sustentar suas opiniões. Entre as dimensões que exploramos, a autenticidade apareceu como a mais desafiadora para aquele grupo, e uma diretora colocou em palavras o que parecia estar presente na sala:
“É tão difícil falar sobre si mesmo.”
O que essa frase está nos dizendo? Talvez, na liderança, aprendamos muito mais a nos posicionar sobre as coisas do que a nos colocar na relação. Passamos boa parte do tempo dando opinião: o que penso, o que vejo, o que deveria ser feito. Analisamos, decidimos, orientamos, respondemos. É o role, a parte que desempenhamos, voltada para fora.
Falar sobre si é outro movimento, e vai em outra direção: como eu funciono, o que eu preciso, o que estou sentindo, o que me preocupa, o que eu ainda não sei, o que está acontecendo comigo enquanto estou aqui, diante do outro. É o soul.
Talvez, então, a dificuldade que aquela diretora nomeou não fosse simplesmente a de “falar sobre si”, mas a de permitir que algo que normalmente permanece protegido pelo papel profissional entrasse na relação. Parker Palmer chama de “vida dividida” esse afastamento entre o que desempenhamos e quem somos, e observa que o preço aparece como desgaste, não como alívio. Inteireza, para ele, não é equilibrar os dois; é parar de tratar o soul como dispensável.
O que Céline não conseguiu fazer naquele primeiro instante foi desempenhar. O soul veio antes do role, diante de milhares de pessoas.
Deixar-se ver
Autenticidade e vulnerabilidade não são a mesma coisa, mas uma pode abrir caminho para a outra.
A autenticidade começa no contato comigo: é reconhecer o que é verdadeiro em mim naquele momento e conseguir me expressar a partir desse lugar, sem esconder minhas intenções nem representar algo apenas porque acredito que é o que esperam de mim. Mas posso reconhecer o que sinto, penso ou preciso e ainda assim manter isso protegido.
A vulnerabilidade começa quando permito que algo verdadeiro em mim entre na relação. Quando digo “não sei”. Quando admito “isso me preocupa”. E quando peço ajuda sem saber exatamente como o outro vai receber. Brené Brown associa vulnerabilidade justamente a essa exposição emocional diante da incerteza: a autenticidade me conecta ao que é verdadeiro em mim, e a vulnerabilidade permite que o outro tenha acesso a algo desse verdadeiro.
Mostrar-se não é abrir espaço
Na liderança, essa passagem ganha um peso especial, porque um líder ocupa uma posição que naturalmente produz assimetria. Sua palavra pesa, sua reação é observada e seus silêncios também; quanto maior a responsabilidade, maior a tentação de chegar às relações já com a resposta, a interpretação, a direção ou a solução.
Demonstrar vulnerabilidade muda essa dinâmica na liderança. Quando um líder diz “não sei como resolver isso ainda”, ele não está apenas revelando uma ausência de resposta: está criando a possibilidade de que alguém saiba. Quando pergunta “como minha decisão chegou em você?” e realmente permanece disponível para a resposta, abre a possibilidade de ser afetado por aquilo que vai ouvir. A vulnerabilidade, então, não está apenas no que o líder revela sobre si, mas no espaço de influência que ele aceita devolver ao outro.
É essa a dimensão que Mayer, Davis e Schoorman acrescentam ao contexto organizacional: confiar implica aceitar tornar-se vulnerável às ações de outra pessoa sem ter controle sobre elas. Isso muda a pergunta. Talvez a questão para quem lidera não seja apenas “consigo mostrar minha vulnerabilidade?”, mas “quanto espaço real existe para o outro quando eu me mostro?”.
Porque posso dizer “não sei” e, dois segundos depois, oferecer minha própria resposta. Posso pedir uma opinião e começar a argumentar assim que ela contraria a minha. Posso dizer que quero feedback e explicar por que cada percepção que recebo está equivocada.
Nesse caso, houve exposição. Mas será que houve confiança?
É aqui que a vulnerabilidade deixa de ser apenas uma qualidade individual e se torna uma capacidade relacional de liderança: eu me deixo ver e, ao mesmo tempo, aceito que o outro entre na relação com algo que eu não controlo. E o que acontece depois que eu abro esse espaço e o outro ainda não entrou?
O intervalo da confiança
Existe um instante depois que eu me coloco e antes que o outro responda. Eu fiz uma pergunta e ele ainda não falou. Admiti que não sei e ninguém trouxe a resposta. Pedi ajuda e ainda não sei se ela virá. Expressei algo verdadeiro e não sei o que o outro fará com aquilo.
Esse é o intervalo da confiança: o tempo entre abrir o espaço e permitir que o outro entre nele. E talvez seja justamente aí que muitos de nós desistamos. Preenchemos o silêncio, damos nossa opinião, retomamos o controle, oferecemos a solução, respondemos à pergunta que acabamos de fazer. Não necessariamente porque não queremos ouvir, mas porque sustentar o espaço exige aceitar, por alguns instantes, que não sabemos o que virá.
Foi algo que também apareceu naquele workshop. Quando o espaço se abriu, primeiro para o próprio soul e depois para o do outro, o que surgiu inicialmente não foi fluidez, foi resistência: olhares inquietos, silêncios, o desconforto de quem não sabe exatamente o que fazer com o que acabou de ouvir. Depois, aos poucos, apareceu outra qualidade de escuta, menos preparada para responder e mais curiosa sobre o que o outro poderia trazer. E foi daí que surgiu algo que nenhum deles havia levado pronto para a sala.
Quando sustento esse intervalo, não recebo apenas uma resposta: descubro algo que eu não tinha. O outro traz o que eu não teria pensado sozinho, e o que se constrói ali já não pertence inteiramente a nenhum dos dois. É relação.
E talvez seja justamente isso que torne o ato de confiar tão exigente para quem lidera. Não basta abrir o espaço. É preciso resistir ao impulso de ocupá-lo novamente.
E você?
Talvez valha observar o que acontece na próxima reunião. Quando alguma coisa me atravessa, o que minha equipe, meu líder ou meu par, de fato, conseguem ver? Quando peço uma opinião, estou realmente disposto a ser afetado por ela? E quando faço uma pergunta, consigo sustentar o silêncio suficiente para que eu possa ouvir uma resposta que não seja a minha?
O que vi naquela tela pequena, no dia 12 de setembro, não foi uma artista vencendo alguma coisa. Vi alguém que, por um instante, não conseguiu desempenhar e não escondeu isso.
Céline Dion se deixou ver, e a plateia deixou de ser apenas plateia: o público respondeu e algo se construiu entre ela e quem estava ali.
Na liderança, não há palco, equipe de turnê ou décadas de história com o público. Há a reunião de equipe, a conversa difícil, o comitê, o feedback, o pedido de ajuda, a discordância que ninguém sabe ainda onde vai levar.
A escala muda. O ato de confiar, talvez não.
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Quer saber mais sobre como a autenticidade e a vulnerabilidade na liderança pode abrir espaço para o outro e fortalecer assim as relações de confiança? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Sara Veloso
Coach Executiva ICF | 25+ anos em liderança e RH global
Especialista em confiança, Advisor STARTRUST, Análise comportamental e estabilização emocional
Criadora e Facilitadora do Programa “Liderar pelo Prisma da Confiança”
contato@saraveloso.coach
https://www.linkedin.com/in/saraveloso-ptfr/
Confira também: Confiança e Competência: A Armadilha de Confundir os Dois
Referências BROWN, Brené. A coragem de ser imperfeito: como aceitar a própria vulnerabilidade, vencer a vergonha e ousar ser quem você é. Tradução de Joel Macedo. Rio de Janeiro: Sextante, 2016. MAYER, Roger C.; DAVIS, James H.; SCHOORMAN, F. David. An integrative model of organizational trust. Academy of Management Review, v. 20, n. 3, p. 709-734, 1995. PALMER, Parker J. A hidden wholeness: the journey toward an undivided life. San Francisco: Jossey-Bass, 2004. Nota: a cena descrita ocorreu na Abertura da temporada CELINE DION PARIS 2026, na Plenitude Arena (antiga Paris La Défense Arena), em Nanterre, França, em 12 de setembro de 2026.
Palavras-chave: vulnerabilidade na liderança, confiança na liderança, autenticidade na liderança, autenticidade, confiança, vulnerabilidade, liderança, ato de confiar, autenticidade e vulnerabilidade, intervalo da confiança, sustentar o silêncio, como demonstrar vulnerabilidade na liderança, como construir confiança na liderança
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Estamos Vivendo Bem ou Apenas Construindo uma Boa História?
Na palestra The Riddle of Experience vs. Memory, apresentada em 2010, o psicólogo e economista comportamental Daniel Kahneman subiu ao palco do TED – California. Ali, expôs uma das verdades mais incômodas sobre a condição humana: estamos profundamente confusos sobre o que significa a felicidade. Esta postagem é diretamente inspirada naquela célebre apresentação, que já ultrapassou sete milhões de visualizações. Laureado com o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas em 2002, Daniel Kahneman (1934–2024) foi um dos maiores pioneiros na desmontagem do mito do Homo economicus racional. Suas pesquisas demonstraram como nossos vieses cognitivos moldam silenciosamente nossas escolhas, julgamentos e nossa busca pelo bem-estar.
O “eu que experiencia” vs. o “eu que conta histórias”
O tema central que guia essa reflexão de Kahneman é como a dicotomia entre o “eu que experiencia” e o “eu que se lembra”. Ela se transformou — e foi hipertrofiada — em plena era das redes sociais e da economia da atenção, exigindo de todos nós uma nova maturidade na gestão de nossas vidas e carreiras. Para compreender a profundidade dessa dualidade, é preciso visualizar como nossa mente processa a realidade em duas instâncias paralelas, porém frequentemente desalinhadas.
- O “eu que experiencia” (experiencing self) é aquele que sente cada segundo do cotidiano, tais como o aborrecimento de uma segunda-feira chuvosa, o aroma do café fresco, a frustração de uma reunião improdutiva ou o prazer de um abraço. Ele não guarda histórico duradouro, pois ele apenas absorve o impacto emocional do agora.
- Em contrapartida, o “eu que conta histórias” (remembering self), também conhecido como “eu que se lembra”, opera como editor implacável. Ele ignora a vastidão do tempo transcorrido e reduz horas, dias ou anos a vinhetas dramáticas, momentos de pico e desfechos marcantes.
O “eu que se lembra” é o contador de histórias
Enquanto o primeiro sofre ou desfruta de um momento específico em tempo real, o segundo decide o que vale a pena guardar e repetir, moldando nossas aspirações futuras com base em memórias que muitas vezes romantizam o passado ou distorcem o sofrimento real. O “eu que experiencia” vive no presente contínuo. Ele avalia a vida conforme a intensidade dos estímulos, segundo a segundo: “Dói agora?”, “Isso me dá prazer agora?”. O presente psicológico dura apenas poucos segundos, o que significa que acumulamos centenas de milhões de momentos ao longo de uma existência, a grande maioria dos quais se perde irremediavelmente na esteira do tempo.
Por outro lado, o “eu que se lembra” é o contador de histórias. Ele não guarda todos os segundos vividos, mas seleciona marcos, picos dramáticos e, sobretudo, o final das experiências. É o que a literatura científica consolida como a regra do pico-fim (peak-end rule). A memória de uma viagem de férias de duas semanas não pesa o dobro de uma viagem de uma semana se, eventualmente, os dias adicionais não trouxerem novas narrativas ou picos emocionais marcantes.
Vivemos imersos na cultura da documentação para o algoritmo
O grande paradoxo apontado por Kahneman reside no fato de que o “eu que se lembra” é quem toma as decisões. Nós não escolhemos entre experiências; escolhemos entre memórias de experiências. E, quando pensamos no futuro, não planejamos vivências reais, mas sim memórias antecipadas.
Pouco mais de dez anos, desde o alerta inicial de Kahneman, a tecnologia introduziu uma nova camada de distorção nessa engrenagem cognitiva. Se então ele exemplificava o peso da memória com a viagem à Antártica cujas fotos mal eram vistas, hoje vivemos imersos na cultura da documentação para o algoritmo.
As redes sociais funcionam como um suporte do “eu que se lembra”. Antes mesmo que um momento seja plenamente absorvido pelo “eu que experiencia” — seja um jantar, um pôr do sol ou um evento corporativo —, a mente já calcula como ele será narrado, fotografado e validado publicamente. O “filtro de Instagram” ou a postagem no LinkedIn tornaram-se ferramentas sofisticadas da “ilusão de foco”, termo cunhado por Kahneman para descrever nossa tendência a superestimar o impacto de um único fator sobre o bem-estar global.
O dinheiro não garante felicidade, mas atende às necessidades básicas
A complexidade da felicidade também encontra respaldo empírico sólido na interface entre renda e bem-estar. No estudo de Kahneman e Deaton publicado em 2010, rendas mais altas estavam associadas a uma melhor avaliação geral da vida. Já o bem-estar emocional diário parecia apresentar ganhos menores depois de determinado patamar. Pesquisas posteriores, contudo, sugerem que essa relação é mais complexa e pode variar de acordo com as circunstâncias e as necessidades de cada pessoa.
Ou seja, o dinheiro não garante felicidade, mas a falta de recursos para atender às necessidades básicas pode comprometer profundamente o bem-estar. Essa constatação dialoga diretamente com as análises de Richard Layard (2008), em que defendeu a necessidade de políticas públicas focadas na maximização do bem-estar social em detrimento do crescimento cego do Produto Interno Bruto (PIB).
A corrida incessante pelo “sempre mais” — seja em termos financeiros, de produtividade ou de conquistas profissionais — muitas vezes sacrifica aquele “eu que experiencia” por conta do “eu que se lembra” que está ansioso por status.
Alinhamento intencional para o bem-estar cotidiano
Como bem pontuou Ed Diener (2000) em seus estudos fundamentais sobre o bem-estar subjetivo, a satisfação com a vida e o balanço emocional positivo exigem um alinhamento intencional entre o que almejamos e aquilo que efetivamente contribui para nosso bem-estar cotidiano. Não se trata de abandonar a ambição, mas de reconhecer, amparado pela sabedoria secular resgatada por Jonathan Haidt (2020), que o equilíbrio reside na harmonia entre as nossas aspirações externas em relação à qualidade dos momentos que de fato vivenciamos.
Para diminuir o domínio do “eu que se lembra”, precisamos adotar ferramentas metodológicas que nos reconectem com o presente. O método de reconstrução diária, conhecido como Day Reconstruction Method — DRM, desenvolvido por Kahneman e seus colaboradores, busca reconstruir os episódios de um dia e identificar como as pessoas se sentem durante diferentes atividades.
De forma similar, Daniel Gilbert (2008) nos alerta sobre os erros de projeção na previsão afetiva (affective forecasting), mostrando como nossa imaginação falha ao tentar adivinhar o que nos fará felizes amanhã.
A verdadeira sabedoria não está em acumular troféus para a memória
Frequentemente, subestimamos a capacidade de adaptação humana e superestimamos o valor de conquistas isoladas. Portanto, liderar a si mesmo na era contemporânea exige desatar os nós da ilusão de foco. Significa perguntar menos “como isso ficará na minha história” e indagar mais “como este momento está sendo vivido pelo meu ‘eu que experiencia'”. A verdadeira sabedoria não está em acumular troféus para a memória, mas em cultivar uma existência onde os momentos cotidianos tenham tanto valor quanto as grandes narrativas.
Atualmente, compreender a mecânica desses dois “eus” deixou de ser um mero exercício acadêmico de economia comportamental. Trata-se de uma competência essencial de sobrevivência mental e, até mesmo, de liderança consciente. Vivemos em um cenário corporativo e social hiperconectado, com cobranças constantes por desempenho e conquistas. Nesse contexto, o “eu que conta histórias” encontrou nas plataformas digitais o palco perfeito para eternizar ilusões de sucesso.
No entanto, essa vitrine implacável frequentemente esconde o desgaste profundo do “eu que experiencia”, cansado pelo ritmo frenético e pela busca incessante de validação externa.
O custo emocional do cotidiano na era digital
Aplicar o legado de Kahneman hoje significa resgatar a lucidez para auditar nossas escolhas diárias. É perceber que otimizar a carreira ou o estilo de vida apenas para alimentar narrativas atraentes nas redes sociais pode nos afastar do bem-estar genuíno. A verdadeira maturidade na era digital reside em alinhar o planejamento futuro às necessidades reais do nosso presente. E garantir que o custo emocional do cotidiano não seja sacrificado pela busca incessante de memórias fabricadas para agradar aos outros.
Eu sou Mario Divo e você me encontra pelas mídias sociais ou em www.mariodivo.com.br.
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Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DIENER, Ed et al. Subjective well-being: The science of happiness and a proposal for a national index. American Psychologist, v. 55, n. 1, p. 34-43, 2000. GILBERT, Daniel. A felicidade por um triz. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2008. HAIDT, Jonathan. A hipótese da felicidade: encontrando verdade moderna na sabedoria antiga. São Paulo: Editora Record, 2020. KAHNEMAN, Daniel. Rápido e devagar: duas formas de pensar. Tradução de Cássio de Arantes Leite. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012. KAHNEMAN, Daniel; DEATON, Angus. High income improves evaluation of life but not emotional well-being. Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), v. 107, n. 38, p. 16489-16493, 2010. KAHNEMAN, Daniel; KRUEGER, Alan B. Developments in the measurement of subjective well-being. Journal of Economic Perspectives, v. 20, n. 1, p. 3-24, 2006. LAYARD, Richard. Felicidade: lições de uma nova ciência. São Paulo: Editora Manole, 2008.
Palavras-chave: eu que experiencia, eu que se lembra, eu que conta histórias, Daniel Kahneman, bem-estar, economia comportamental, bem-estar subjetivo, ilusão de foco, memória e experiência, psicologia positiva, tomada de decisão, felicidade, redes sociais, regra do pico-fim, como as redes sociais afetam a felicidade
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Setembro: Mês de Contemplação da Primavera
Um Convite à Renovação e ao Florescimento
O mês de setembro é o mês de transição, o fim do inverno e o início de uma nova estação, um novo ciclo. Ele chega com aquela energia de cores, flores e perfumes: a primavera.
Antes do florescimento, vêm as chuvas e todas as suas consequências. O vento passa e deixa muita coisa no chão.
Assim é também o nosso tempo: carregado de pressa, de compromissos, de urgências. Mas, se olharmos com atenção, veremos que entre os restos deixados pelo vento, sempre há espaço para o florescer. Setembro nos convida a contemplar não apenas o que é belo e colorido, mas também o que resiste, o que renasce depois da tempestade.
Na correria dos dias, contemplar é um ato de coragem. É parar por alguns instantes para sentir o perfume das flores, ouvir o canto dos pássaros, perceber que o tempo não é apenas aquilo que nos escapa, mas também aquilo que nos oferece presença.
Quando foi a última vez que você contemplou não apenas o espetáculo final de uma flor, mas todo o processo de seu crescimento, da folhagem ao botão e, finalmente, à flor: o “produto final”?
A contemplação é algo que esquecemos ou deixamos de fazer devido a correria. E por quê?
Escrevo esta coluna debaixo de chuva, ouvindo notícias não tão agradáveis sobre seus efeitos: transtornos no trânsito e outras situações pouco contemplativas.
Mas a água, a chuva, são necessárias. O barulho da chuva embala o sono. A mesma chuva que penetra na terra e prepara o solo para o florescer. Assim também são os momentos difíceis: eles limpam, reorganizam e criam espaço para o novo.
Setembro nos lembra que contemplar não é apenas admirar o resultado, mas reconhecer o processo. É aceitar que o vento derruba, que a chuva molha, que o tempo corre. E, ainda assim, há beleza em cada etapa.
Na vida profissional e pessoal, contemplar é enxergar valor no caminho, não apenas na chegada. É perceber que cada desafio é parte da preparação para o florescimento.
Que este setembro seja um lembrete: mesmo quando o vento derruba, a primavera sempre encontra um jeito de florescer. E vale um convite: desacelere, contemple e permita que a primavera aconteça dentro de cada um de nós!
“Setembre-se”!
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Simone Mitsue
https://www.linkedin.com/in/simone-mitsue
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Palavras-chave: contemplação da primavera, primavera, setembro, florescimento, renovação, contemplar é um ato de coragem, reconhecer o processo, vida profissional e pessoal, preparação para o florescimento, um convite à renovação e ao florescimento
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“O problema não é o problema.
O problema é sua atitude com relação ao problema.”
(Kelly Young)
Hoje, a tristeza me visitou. Tocou a campainha, subiu as escadas, bateu à porta e entrou. Não ofereci resistência. Houve um tempo em que eu fazia o impossível para evitá-la adentrar os meus domínios. E quando isso acontecia, discutíamos demoradamente. Era uma experiência desgastante. Aprendi que o melhor a fazer é deixá-la seguir seu curso. Agora, sequer dialogamos. Ela entra, senta-se na sala de estar, sirvo-lhe uma bebida qualquer, apresento-lhe a televisão e a esqueço! Quando me dou por conta, o recinto está vazio. Ela partiu, sem arroubos e sem deixar rastros. Cumpriu sua missão sem afetar minha vida.
Hoje, a doença também me visitou. Mas esta tem outros métodos. E outros propósitos. Chegou sem pedir licença, invadindo o ambiente. Instalou-se em minha garganta e foi ter com minhas amígdalas. A prescrição é sempre a mesma: Amoxicilina e Paracetamol. Faço uso destes medicamentos e sinto-me absolutamente prostrado! Acho que é por isso que os chamam de antibióticos. Porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida…
Hoje, problemas do passado também me visitaram. Não vieram pelo telefone porque palavras pronunciadas ativam as emoções apenas no momento e, depois, perdem-se difusas, levadas pela brisa. Vieram pelo correio, impressos em papel e letras de baixa qualidade, anunciando sua perenidade, sua condição de fantasmas eternos até que sejam exorcizados.
Diante deste quadro, não há como deixar de sentir-se apequenado nestes momentos. O mundo ao redor parece conspirar contra o bem, a estabilidade e o equilíbrio que tanto se persegue. O desânimo comparece estampado em ombros arqueados e olhos sem brilho, que pedem para derramar lágrimas de alívio. Então, choro. E o faço porque Maurice Druon ensinou-me, através de seu inocente Tistu, que se você não chora, as lágrimas endurecem no peito e o coração fica duro.
Limão e limonada
As ciências humanas estão sempre tomando emprestado das exatas, termos e conceitos. A última novidade vem da física e atende pelo nome de resiliência. Significa resistência ao choque ou a propriedade pela qual a energia potencial armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo.
Em humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo isso através de um dito popular, é fazer de cada limão, ou seja, de cada contrariedade que a vida nos apresenta, uma limonada saborosa, refrescante e agradável.
Aprendi que pouco adianta brigar com problemas. É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E com rapidez, de maneira certa ou errada. Problemas são como bebês, só crescem se alimentados. Muitos se resolvem por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma inadequada, eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você os anula com correção. A felicidade, pontuou Michael Jansen, não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados.
Aprendi a combater as doenças. As do corpo e as da mente. Percebê-las, identificá-las, respeitá-las e aniquilá-las. Muitas decorrem menos do que nos falta e mais do mau uso que fazemos do que temos. E a velocidade é tudo neste combate. Agir rápido é a palavra de ordem. Melhor do que ser preventivo é ser preditivo.
Aprendi a aceitar a tristeza. Não o ano todo, mas apenas um dia, à luz dos ensinamentos de Victor Hugo. O poeta dizia que “tristeza não tem fim, felicidade, sim”. Porém, discordo. Penso que os dois são finitos. E cíclicos. O segredo é contemplar as pequenas alegrias em vez de aguardar a grande felicidade. Uma alegria destrói cem tristezas…
Modismo ou não, tornei-me resiliente. A palavra em si pode cair no ostracismo, mas terá servido para ilustrar minha atitude cultivada ao longo dos anos diante das dificuldades impostas ou autoimpostas que enfrentei pelo caminho, transformando desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculos em oportunidades, tristeza em alegria.
Nós apreciamos o calor porque já sentimos o frio. Admiramos a luz porque já estivemos no escuro. Contemplamos a saúde porque já fomos enfermos. Podemos, pois, experimentar a felicidade porque já conhecemos a tristeza.
Olhe para o céu, agora! Se é dia, o sol brilha e aquece. Se é noite, a lua ilumina e abraça. E assim será novamente amanhã. E assim é feita a vida.
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Nesta semana que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, gostaria de dizer para todas as Mulheres uma coisa muito importante:
Seu sucesso na vida pessoal e/ou profissional, sua felicidade, sua prosperidade e bem-estar na vida só depende de uma pessoa. Sabe quem é? Você mesma.
E falo mais. Seu sucesso será mais fácil e forte se você Mulher lembrar em ser você mesma. Ou seja, Ser a Mulher que você sempre foi e será.
Esta última afirmação já falei muitas vezes para minhas clientes de Coaching Holístico que buscam Sucesso em algum ponto da vida pessoal e profissional.
Para quem ainda não sabe o que é Coaching, vou explicar agora. Entre muitas definições as que mais eu gosto são:
- Orientar uma pessoa a fazer a travessia entre um ponto ao outro até alcançar sua meta pessoal e/ou profissional com sucesso;
- Coaching é uma assessoria e processo que geram motivação pessoal e profissional, e que tem como objetivo potencializar o nível de resultados positivos nas diversas áreas da vida de um cliente para alcançar uma meta ou objetivo com sucesso.
E o que é Coaching Holístico? Coaching Holístico – Processo para Seu Sucesso na Vida e Concretização das suas Metas. O cliente vai se conhecer melhor, olhar para si, sua vida e descobrir seu potencial adormecido. Vai melhorar sua autoestima e ter mais autoconfiança. Tem Dificuldade em vencer? Pelo Coaching Holístico iremos desbloquear o que atrapalha e mudar Padrões Mentais para Vencer.
Este é o ponto chave do inicio do Sucesso de qualquer pessoa: Padrões Mentais. Quem acredita que é um fracasso, que não vai vencer na vida ou que não merece ter sucesso nas metas ou sonhos, tenha certeza que nada vai mesmo ocorrer de bom na vida. O Sucesso vai passar bem longe destas pessoas.
Agora imagine uma mulher que desde pequena é “esmagada” pela família e sociedade a sufocar sua força, a matar sua arte e beleza, para não acreditar em si e nas suas qualidades e habilidades para realizar.
Já atendi moças que acreditam que não merecem um amor porque alguém falou que ela é feia ou amor só faz mal. Como vão amar se não têm uma boa energia sobre o amor? Como amar se sua autoestima foi chutada? Só vai amar se mudar, acreditar que pode e merece amar. E que ela é uma super mulher.
O mesmo ocorre com a realização de outras metas pessoais e profissionais. Se uma pessoa foi condicionada a sempre pensar que é inferior, incapaz ou que não merece ser feliz ou prosperar, com certeza vai sofrer para conseguir. Imagine uma mulher que no geral é mais sufocada.
Ainda bem que tem solução. É um pouco demorado, varia de pessoa para pessoa, mas tem que trabalhar, treinar e movimentar-se para mudar padrões e condicionamento mental e energético.
Mas, é possível e já vi milagres.
Qual é o primeiro passo? Acreditar em Você. Acreditar na pessoa poderosa que há dentro de você.
Acreditar na Mulher que há dentro de você.
Sucesso e Feliz Dia da Mulher!
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A Copa do Mundo acabou. A seleção alemã com sua organização, futebol bonito e muita técnica, merecidamente, levou o caneco. É tetracampeã.
E a nossa Seleção Canarinho? Que papelão! Desde o início da Copa, nos quatro cantos deste Brasil, todos falavam que era forte candidata a ser hexacampeã. E por que todos acreditavam nisto? Porque jogava em casa, tinha apoio da torcida brasileira, a mídia falava que era a melhor seleção, tinha uma comissão técnica com dois técnicos que venceram Copas Mundiais (Parreira em 1994 e Felipão em 2002) e o clima ajudava.
Mas o que vimos foi um total fiasco e uma humilhante goleada histórica por 7×1 para os alemães na semifinal da Copa.
Enfim, perdemos a Copa e ficamos em quarto lugar após perder para a Holanda na disputa pelo terceiro lugar. E agora? Como diz o poema de Carlos Drummond de Andrade:
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?(Carlos Drummond de Andrade)
E agora, Seleção Brasileira? Agora é hora de mudanças. E mudanças drásticas e profundas na filosofia e na organização.
A CBF terá que ter coragem de assumir sua culpa no fracasso e incompetência administrativa na condução da Seleção Canarinho na Copa. A CBF e o novo técnico terão que ter coragem de fazer mudanças drásticas na nova Seleção Brasileira daqui para frente. Podem e devem seguir o ótimo exemplo que viveu a seleção alemã no final dos anos 90. Após fiascos seguidos, a Confederação Alemã de Futebol chegou à conclusão de que era hora de mudar tudo. Mudanças drásticas foram implantadas. Bancaram com coragem um técnico permanente nos últimos 10 anos que, com um grupo de jogadores com uma nova cabeça, união e humildade, deram um Show na Copa do Brasil e levaram o Caneco.
Mudança requer determinação. Mudanças drásticas requerem também muita coragem, pois haverá muita resistência das pessoas que já estão na zona de conforto ou que não aceitam que está tudo errado na vida ou no jogo.
Quer ver um exemplo recente? A entrevista da Comissão Técnica da Seleção Canarinho após o vexame de 7×1. Para Felipão e Parreira, nada estava errado na preparação da Seleção Brasileira. O problema foi um apagão geral do time todo que o levou a tomar 4 gols em 6 minutos.
Pois é Felipão, não houve problema algum no seu trabalho. Foi só um apagão que custou um vexame histórico e 200 milhões de brasileiros frustrados.
Como dizem, “o pior cego é o que não quer ver”. Ou “errar é humano, persistir no erro é ser Felipão”, teimoso e arrogante. Não assume os erros e afunda a emoção de milhares de pessoas.
Mas a Copa acabou e a CBF já começou as mudanças. Adeus comissão técnica fracassada. Vida e esperanças novas.
Espero que agora façam mais. Que tenham a coragem de fazer mudanças drásticas em tudo ligado a futebol.
E você? Está com coragem de fazer mudanças drásticas na sua vida pessoal ou profissional?
Ou vai ficar chorando e dando desculpas para que sua vida seja um fracasso ou cheia de frustrações?
Chega de Síndrome de Felipão, né?
Seu lema hoje: “Mudanças já e com coragem para ser feliz”.
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Frequentemente as mudanças acontecem na vida da gente. Em algumas vezes, estamos preparados para elas, em outras elas representam uma grande surpresa. Por vezes, desejamos a mudança, vislumbrando uma nova oportunidade em nossa vida. Acontece também de não as desejarmos, pois estamos felizes com as coisas do jeito que estão. Mas as mudanças acontecem, quer queiramos ou não…
Quando buscamos algo melhor, costumo dizer que estamos criando a mudança, pois estamos não só indo atrás dela, como desejamos que coisas melhores ocorram. Nesta hora, dizemos que a mudança é positiva e bem-vinda.
Mas existe também aquela mudança que você não deseja. Tudo estava bem do jeito que estava, por que mudar agora? Nesta hora criamos resistências, não aceitamos a oportunidade que a vida nos dá para novos desafios. Reclamamos e amaldiçoamos pelo que nos acontece.
Pessoas proativas são as que criam as mudanças, vislumbram novas oportunidades, desejam sempre mais, porque sabem que estão em constante crescimento e aprendizado. Pessoas acomodadas se comportam como árvores, não saem dos seus lugares, esperam que tudo ocorra como desejam ou que tudo se mantenha exatamente como está.
Se você se identificou com o segundo tipo, aqui vai uma reflexão: você não é uma árvore… você não nasceu com raízes que lhe impossibilitam de mudar de lugar. Você também pode dizer que não nasceu com asas, que te possibilitariam voar, mas eu diria que você nasceu com algo melhor do que asas: inteligência e criatividade. Faça por merecer a inteligência que tem e saiba reconhecer quando é hora de mudar.
Nosso mundo é dinâmico, nada é estático. Já dizia Heráclito: “Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio”. Claro! O rio não é o mesmo… nós também não somos! Creio que hoje somos melhores que ontem, piores do que amanhã. E assim prossegue o rio da vida, propiciando mudanças para que tenhamos – todos os dias – novas oportunidades, novos olhares, novos aromas, novas experiências. Saia do lugar! Você não é uma árvore…
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Responda rápido a minha pergunta:
– De zero a 100% qual é o seu grau de comprometimento em ler este artigo até o final?
Estranha a pergunta? Para quem é Coach ou faz sessões de Coaching esta pergunta é corriqueira. Toda vez que atendo um cliente de Coaching Holístico e definimos uma meta ou tarefa, sempre fecho a sessão com esta pergunta:
– Qual é o seu grau de comprometimento em realizar esta tarefa ou meta?
Em geral o cliente responde 100%. Só que nem sempre isto ocorre. Nem sempre o cliente se compromete 100% em executar a tarefa ou meta.
Um dos maiores problemas de uma pessoa que faz Coaching é a falta de comprometimento. É mais fácil dar desculpas do que tentar cumprir o que se comprometeu.
E falta de comprometimento não é só no Coaching que ocorre. No dia a dia de qualquer empresa os funcionários nunca cumprem o que prometem e se comprometem. É uma total falta de responsabilidade, profissionalismo e até de caráter da pessoa.
Sua atitude vai prejudicar a empresa, seus colegas de trabalho e a si mesmo. Aí perde o emprego e reclama.
E o que falar de pessoas no nosso dia a dia que prometem algo para alguém ou para si mesmo e não cumprem. Cadê o comprometimento, gente?
Falta de comprometimento na via profissional e pessoal é um péssimo hábito. Quem não tem comprometimento leva a “vida na flauta” ou “seja o que Deus quiser”.
O cliente senta na minha frente na sessão de Coaching, fala que quer ter sucesso na vida, jura 100% de comprometimento e falta na sessão seguinte dizendo que tem outro compromisso importante.
Compromisso importante? E os 100% de comprometimento que ele “juramentou” com ele próprio em alcançar sucesso? Não é mais importante?
Parece que não. Estas pessoas que não cumprem o que falam, acham que estão enganando seu Coach, seu chefe ou sua própria vida.
Na verdade esta pessoa que não cumpre nem 1% do que se compromete, está enganado a si próprio. Está perdendo seu tempo e não o meu.
Você que não cumpre o que promete ou se compromete, fica aqui um recado para refletir:
Não cumpre o que promete, não avança, não vence e não conquista.
Para ajudar, significado de Comprometimento:
“Esta é uma atitude que poderíamos definir como algo de cunho moral, afinal, literalmente, remete ao cumprimento de um tratado, um pacto firmado.
Significa “honrar a palavra empenhada”. O comprometimento está vinculado ao clima organizacional, à cultura e aos valores da empresa. As pessoas estão dispostas a lutar por aquilo em que acreditam, seja no plano profissional ou pessoal. E lutam pela verdade!
Há uma relação íntima entre esta competência e a capacidade de estabelecer e cumprir metas. E esta relação está presente na própria palavra.
É por ai. Boa semana!
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Você já parou para pensar a força que estas duas palavras possuem? Bom Dia e Obrigado.
Palavras simples, óbvias, porém em muitos momentos esquecidas pelo corre-corre da falta de tempo, pelo mau humor que nos atinge, pelo status que faz acreditar que não se faz necessário ou pelo simples hábito de não se utilizar no vocabulário.
Certa vez ouvi em um treinamento de liderança: como você gostaria de ser liderado? E para minha surpresa: com um bom dia e um muito obrigado. E comecei a pensar.
Será que somente na gestão gostaríamos de ouvir estas palavras?
Quem não gostaria de ouvir pela manhã este simples gesto ou num momento que está desmotivado um obrigado por um trabalho realizado?
A palavra bom dia abre portas, pode ser o início de uma conversa difícil; quebrar o gelo num momento de nervoso, despertar o sorriso nos mais contagiantes, demonstrar respeito ao próximo e principalmente celebrar a oportunidade de um novo dia, cheio de desafios, atividades a serem desenvolvidas, pessoas a conhecer, negociações a vencer. Oferece uma palavra positiva para você e para quem ouve, transmitindo pensamentos positivos.
Pode parecer longe demais, mas e se nós realmente ao dizermos esta simples palavra, buscássemos ter o nosso Bom dia?
Onde você conhecendo seus valores, desejos e objetivos gera uma atitude consciente para que consiga o resultado esperado. Que possa vencer o medo, a desmotivação, a baixa estima e quebrar barreiras, obstáculos na comunicação, relacionamentos e descubra caminhos efetivos de atingir o sucesso e por que não a felicidade tão sonhada?
Pense nisso e se permita a realmente ter um bom dia.
A palavra obrigado tem significados interessantes segundo o dicionário: ser obrigado a fazer, obrigar por lei, ser grato, reagir a algo correspondido.
Palavra igualmente simples, mas difícil de ser dita por aqueles que justamente se sentem na obrigação de fazê-lo, mas nobre e cheia de ternura, gratidão e reconhecimento por quem diz e recebe.
Um feedback por algo, dar-lhe a vez, agradecer um trabalho, um presente, uma parceria ou um simples objeto que foi entregue, uma porta aberta. O poder do obrigado nos renova as energias, aumenta a motivação, estima, trabalho em equipe e comprometimento.
O obrigado é um gesto de reconhecimento, retorno positivo que se está no caminho certo, de um trabalho bem feito, de um apoio sincero, de uma ajuda para alguém que precisa carregar sua mala, segurar o elevador ou passar simplesmente o sal.
Reforça comportamentos; gera sinergia e cumplicidade.
Que possamos falar obrigada sem a obrigação social, mas dar ao outro o direito de gentileza e valor por um gesto, atitude ou trabalho.
Bom dia e obrigado. Que possam ser um oxigênio. Não tem o hábito? Dê o primeiro passo. Diga para você mesmo, pois este é o maior sentido para despertar para o outro.
Diga a você mesmo o quanto acredita em si e é capaz de buscar seus sonhos e metas; o quanto é grato por sua vida, carreira, família.
Que estas palavras não sejam apenas etiquetas profissionais mas façam parte de seu cotidiano para que ao despertar de um novo dia você tenha bons momentos e possa ser grato pelas conquistas feitas por você e pelos outros.
Pense nisso.
Te desejo um bom dia e obrigada.
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É aquela coisa que você já sabe que tem que fazer e não faz. É uma decisão que não toma, um trabalho que não termina, um projeto que não entrega, uma conversa que não rola nunca por que você não toma a iniciativa.
Aí você procura por ajuda, porque sabe que tem alguma coisa errada com isso. Sabe que não é o seu normal, mesmo que nem consiga ver isso com clareza. Você provavelmente dá um Google, pega um livro, conversa com alguém ou mesmo tira um tarô para ver o que dizem e invariavelmente você recebe o mesmo veredicto: “pare de procrastinar para ter sucesso, para conseguir o que você quer. Assuma as rédeas da sua vida, você tem condições, basta querer.”
E aí é que podemos perder uma chance de ouro, a de nos conhecermos melhor e efetivamente dar o salto [quântico] rumo a nós mesmos. Explico: quando vejo, na prática do Coaching, que as pessoas estão procrastinando, eu não falo para elas “superarem” esse problema. Ao contrário, eu sugiro que a gente acolha, pare e olhe para isso que está acontecendo. Vamos entender o que essa lentidão momentânea e consciente tem a dizer, que notícias ela traz desse momento da vida daquela pessoa.
Geralmente a procrastinação é um sintoma. É a ponta do iceberg. Ele traz muitas coisas consigo, que vão além da superfície. O que eu mais vejo na minha prática profissional tem a ver com medo, autossabotagem, insegurança, baixa autoestima, angústia, bloqueio criativo, falta de sentido ou de tesão, incapacidade de assumir o que se quer, entre outras coisas. Cada um desses tópicos merece um texto, ou melhor, um livro em si, então não vamos nos aprofundar agora, certo?
O que eu quero é sugerir que você pare e reflita a respeito do que faz você procrastinar. E busque entender o que esse sintoma está querendo te dizer. Essa é uma maneira muito potente de ir mais fundo e se ouvir, buscar sua verdade e aceitá-la. Acolher o seu momento é a melhor forma de sair dele, como já falei no texto sobre o limbo.
Proponho uma atividade para lhe ajudar nessa reflexão.
Separe um tempo para você, de preferência sozinho e sem interrupções, de aproximadamente 30 a 50 minutos. Procure estar num lugar confortável e, se possível, feche os olhos, respirando profundamente umas 3 vezes ou até conseguir deixar os pensamentos mais quietos, as preocupações de lado…
Então, com o auxílio de papel e caneta ou outro meio que você escolher, comece a atividade:
1º passo: Responda em quais situações específicas da minha vida estou procrastinando agora?
Escreva de maneira sucinta e precisa, como por exemplo: não terminei o projeto X. Não comecei a fazer ginástica. Estou usando muito tempo para fazer tarefa Y. Não estou conseguindo terminar tal coisa. Estou adiando a conversa com fulano.
2º passo: Depois olhe para essas situações que você escreveu e as leia com compaixão. Procure simplesmente aceitá-las, contemplá-las, sem julgá-las. Sei que é difícil não julgar, mas ao menos tente.
Ao observar essas situações, procure apenas abrir espaço para que elas mesmas te digam coisas.
3º passo: Se for o caso, pergunte-se: o que essa situação quer me dizer? O que há aqui, além da superfície? O que eu estou deixando de fazer de verdade? O que está por trás dessa procrastinação que eu não estou querendo ou podendo ver?
4º passo: Veja quais fichas caem, se caem, o que surge. Aceite o que veio, agradeça e só. Guarde tudo e retome sua vida. Se for dormir, boa noite. Se for voltar ao trabalho, bom trabalho. NÃO mexa mais no exercício.
5º passo: Após alguns dias (de 3 a 5 dias), volte ao que você anotou. Novamente observe as situações de procrastinação. Veja se algumas delas você já pode mexer e realizar. Anote as ações que têm que ser feitas.
6º passo: Faça.
Como sempre, quero saber o que surgiu para você, ao ler esse texto. Caíram fichas? Nada rolou? Tá valendo. Compartilhe aqui.
E você já sabe. Qualquer coisa, estou por aqui.
Com amor e com alma,
Karinna
PS: Se você acha que este artigo pode beneficiar alguém, por favor, encaminhe agora para essa pessoa.
PS2: Eu, claro, adoraria que você espalhasse meu artigo por aí, nas suas redes. Assim mais gente curte e compartilha com quem precisa.
Obrigada!
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Eu tenho a mais absoluta certeza de que a grande parte dos leitores já ouviu falar sobre a Inteligência Emocional. Aliás, provavelmente, haverá até especialistas e professores na disciplina cuja fundamentação teórica nos remete a Charles Darwin. O que a maioria também sabe está no fato de que a popularização do assunto surgiu quando, há vinte anos, Daniel Goleman publicou um best-seller a respeito. Mas será que a inteligência emocional se confunde com a Inteligência Espiritual? E você, o que pensa a respeito?
Para começo de conversa, deve-se lembrar que o conceito de “inteligência” é algo sobre o que não há unanimidade. A depender da corrente de estudos, esse conceito (que na linguagem dos estudiosos chama-se constructo) terá diferentes interpretações e o pesquisador deve indicar qual a ênfase e abordagem mais adequada ao seu objetivo de momento. Neste nosso caso, vamos nos vincular ao conceito etimológico de que a “inteligência” é a capacidade de identificar as opções, processá-las e decidir por aquela mais conveniente em um dado problema ou situação. Agora, vou tirar o foco da mera conceituação de “inteligência” para tratar do tema ampliado: Inteligência Espiritual.
O estudo da importância da espiritualidade tem crescido bastante, a ponto de haver profissionais da área de saúde que indicam haver alta relação entre a prática espiritual com a saúde mental das pessoas. E aqui surge a necessidade de se fazer outra distinção, pois espiritualidade não é o mesmo que religiosidade. Esta última diz respeito à prática da relação da pessoa com Deus, em que há um sistema de rituais ou simbolismos presentes. A espiritualidade, porém, volta-se à dimensão pessoal que diz respeito à própria existência, uma relação com a consciência sem que haja necessariamente rituais ou símbolos. Ou seja, a espiritualidade diz respeito a atitudes, sentimentos e pensamentos superiores que levam ao crescimento (amadurecimento) do ser humano. A prática da religião pode apoiar a espiritualidade, mas esta vai além.
Voltando ao tema central, vamos nos basear nos estudos e propostas da física e filósofa americana Danah Zohar, ligada a importantes centros de pensamento, nos EUA e Europa. Tendo como linha de pesquisa a física quântica, sobre Inteligência Espiritual ela relata ser algo essencial para promover a cooperação entre as pessoas, tanto na família como em sociedade. Indo além, ela entende que é a Inteligência Espiritual que ajudará as pessoas a alcançarem soluções positivas para o planeta, além de criar um melhor encontro individual nessa caminhada, ao descobrir melhor a si mesmo e aos seus valores. O alto quociente espiritual faz a pessoa ter a vida mais criativa, promissora e com sentido, com identificação do propósito pessoal.
Em seu livro Inteligência Espiritual (Editora: Viva Livros; 2012), escrito com Ian Marshall, Danah comenta que a inteligência emocional faz a pessoa ter capacidade de julgar em que situação se encontra e como deve se comportar, adequadamente, nos limites dessa situação. A Inteligência Espiritual estimula a pessoa a se perguntar se ela deseja estar nessa situação em particular e como é a melhor forma de trabalhar com os limites da situação. Em seu livro ela comenta de dez atributos típicos que mostram quando a pessoa tem um elevado quociente de Inteligência Espiritual.
As características comuns de quem tem alta Inteligência Espiritual são assim resumidas: (1) Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo; (2) São idealistas e levadas por valores pessoais; (3) Têm capacidade de encarar e se apropriar positivamente da adversidade; (4) São holísticas, no sentido de que conseguem ter visão abrangente sobre cada situação (analisam as partes e entendem o todo); (5) Respeitam a diversidade (em todas as nuances de diferenças entre pessoas, sem preconceitos); (6) Preservam sua independência e arbítrio; (7) Perguntam sempre “por quê?”, como forma de se questionarem quanto aos próprios dogmas e crenças limitantes; (8) Têm capacidade de colocar as situações e os fatos em um contexto ampliado; (9) São espontâneas e verdadeiras, e; (10) Têm compaixão, conseguindo se colocar no lugar das pessoas que estão com dores ou problemas, viabilizando ajudá-las.
E então, como está o seu grau de Inteligência Espiritual? Agora, fica o convite à sua reflexão e … Boa sorte!
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