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Céline Dion Se Deixou Ver. E Você? Autenticidade, Vulnerabilidade e Confiança na Liderança

A vulnerabilidade na liderança vai além de admitir incertezas ou mostrar emoções. Entenda como autenticidade, escuta e a capacidade de sustentar o silêncio abrem espaço para o outro e ajudam a construir relações de confiança nas equipes.

Autenticidade, Vulnerabilidade e Confiança na Liderança - Céline Dion Se Deixou Ver. E Você?

Autenticidade, Vulnerabilidade e Confiança na Liderança
Céline Dion se deixou ver. E você? 

Eu não estava em Paris no dia 12 de setembro de 2026. Vi a cena numa tela pequena, como milhões de pessoas.

Céline Dion entra no palco depois de seis anos de ausência. A plateia se levanta. Ela abre os braços, fecha os olhos e o rosto se contrai. Começa a cantar e não consegue.

Para.

Alguns segundos depois, abre os olhos. Um sorriso pequeno, ainda molhado. As mãos juntas no peito, o olhar para cima.

O que me tocou não foi ela ter conseguido voltar a cantar, e sim ela não ter escondido o instante em que não conseguiu. E o que aconteceu em mim não foi admiração, foi reconhecimento: a cena me levou a momentos, de criança e de adulta, pessoais e profissionais, em que o choro foi mais forte do que tudo e a emoção simplesmente era quem eu era naquele instante. Ela me conectou a mim e, através disso, ao ser humano que todos nós somos.

Logo depois, Céline disse à plateia que havia prometido não chorar e que não cumpria suas promessas. Naquele momento, alguma coisa aconteceu entre ela e o público que não estava no roteiro.


Do palco à sala

Foi isso que me fez lembrar de uma situação aparentemente muito distante daquele palco: um workshop sobre o panorama da confiança na liderança com um grupo de líderes de uma mesma organização, pessoas acostumadas a se posicionar, tomar decisões, responder perguntas e certamente sustentar suas opiniões. Entre as dimensões que exploramos, a autenticidade apareceu como a mais desafiadora para aquele grupo, e uma diretora colocou em palavras o que parecia estar presente na sala:

“É tão difícil falar sobre si mesmo.”

O que essa frase está nos dizendo? Talvez, na liderança, aprendamos muito mais a nos posicionar sobre as coisas do que a nos colocar na relação. Passamos boa parte do tempo dando opinião: o que penso, o que vejo, o que deveria ser feito. Analisamos, decidimos, orientamos, respondemos. É o role, a parte que desempenhamos, voltada para fora.

Falar sobre si é outro movimento, e vai em outra direção: como eu funciono, o que eu preciso, o que estou sentindo, o que me preocupa, o que eu ainda não sei, o que está acontecendo comigo enquanto estou aqui, diante do outro. É o soul.

Talvez, então, a dificuldade que aquela diretora nomeou não fosse simplesmente a de “falar sobre si”, mas a de permitir que algo que normalmente permanece protegido pelo papel profissional entrasse na relação. Parker Palmer chama de “vida dividida” esse afastamento entre o que desempenhamos e quem somos, e observa que o preço aparece como desgaste, não como alívio. Inteireza, para ele, não é equilibrar os dois; é parar de tratar o soul como dispensável.

O que Céline não conseguiu fazer naquele primeiro instante foi desempenhar. O soul veio antes do role, diante de milhares de pessoas.


Deixar-se ver

Autenticidade e vulnerabilidade não são a mesma coisa, mas uma pode abrir caminho para a outra.

A autenticidade começa no contato comigo: é reconhecer o que é verdadeiro em mim naquele momento e conseguir me expressar a partir desse lugar, sem esconder minhas intenções nem representar algo apenas porque acredito que é o que esperam de mim. Mas posso reconhecer o que sinto, penso ou preciso e ainda assim manter isso protegido.

A vulnerabilidade começa quando permito que algo verdadeiro em mim entre na relação. Quando digo “não sei”. Quando admito “isso me preocupa”. E quando peço ajuda sem saber exatamente como o outro vai receber. Brené Brown associa vulnerabilidade justamente a essa exposição emocional diante da incerteza: a autenticidade me conecta ao que é verdadeiro em mim, e a vulnerabilidade permite que o outro tenha acesso a algo desse verdadeiro.


Mostrar-se não é abrir espaço

Na liderança, essa passagem ganha um peso especial, porque um líder ocupa uma posição que naturalmente produz assimetria. Sua palavra pesa, sua reação é observada e seus silêncios também; quanto maior a responsabilidade, maior a tentação de chegar às relações já com a resposta, a interpretação, a direção ou a solução.

Demonstrar vulnerabilidade muda essa dinâmica na liderança. Quando um líder diz “não sei como resolver isso ainda”, ele não está apenas revelando uma ausência de resposta: está criando a possibilidade de que alguém saiba. Quando pergunta “como minha decisão chegou em você?” e realmente permanece disponível para a resposta, abre a possibilidade de ser afetado por aquilo que vai ouvir. A vulnerabilidade, então, não está apenas no que o líder revela sobre si, mas no espaço de influência que ele aceita devolver ao outro.

É essa a dimensão que Mayer, Davis e Schoorman acrescentam ao contexto organizacional: confiar implica aceitar tornar-se vulnerável às ações de outra pessoa sem ter controle sobre elas. Isso muda a pergunta. Talvez a questão para quem lidera não seja apenas “consigo mostrar minha vulnerabilidade?”, mas “quanto espaço real existe para o outro quando eu me mostro?”.

Porque posso dizer “não sei” e, dois segundos depois, oferecer minha própria resposta. Posso pedir uma opinião e começar a argumentar assim que ela contraria a minha. Posso dizer que quero feedback e explicar por que cada percepção que recebo está equivocada.

Nesse caso, houve exposição. Mas será que houve confiança?

É aqui que a vulnerabilidade deixa de ser apenas uma qualidade individual e se torna uma capacidade relacional de liderança: eu me deixo ver e, ao mesmo tempo, aceito que o outro entre na relação com algo que eu não controlo. E o que acontece depois que eu abro esse espaço e o outro ainda não entrou?


O intervalo da confiança

Existe um instante depois que eu me coloco e antes que o outro responda. Eu fiz uma pergunta e ele ainda não falou. Admiti que não sei e ninguém trouxe a resposta. Pedi ajuda e ainda não sei se ela virá. Expressei algo verdadeiro e não sei o que o outro fará com aquilo.

Esse é o intervalo da confiança: o tempo entre abrir o espaço e permitir que o outro entre nele. E talvez seja justamente aí que muitos de nós desistamos. Preenchemos o silêncio, damos nossa opinião, retomamos o controle, oferecemos a solução, respondemos à pergunta que acabamos de fazer. Não necessariamente porque não queremos ouvir, mas porque sustentar o espaço exige aceitar, por alguns instantes, que não sabemos o que virá.

Foi algo que também apareceu naquele workshop. Quando o espaço se abriu, primeiro para o próprio soul e depois para o do outro, o que surgiu inicialmente não foi fluidez, foi resistência: olhares inquietos, silêncios, o desconforto de quem não sabe exatamente o que fazer com o que acabou de ouvir. Depois, aos poucos, apareceu outra qualidade de escuta, menos preparada para responder e mais curiosa sobre o que o outro poderia trazer. E foi daí que surgiu algo que nenhum deles havia levado pronto para a sala.

Quando sustento esse intervalo, não recebo apenas uma resposta: descubro algo que eu não tinha. O outro traz o que eu não teria pensado sozinho, e o que se constrói ali já não pertence inteiramente a nenhum dos dois. É relação.

E talvez seja justamente isso que torne o ato de confiar tão exigente para quem lidera. Não basta abrir o espaço. É preciso resistir ao impulso de ocupá-lo novamente.


E você?

Talvez valha observar o que acontece na próxima reunião. Quando alguma coisa me atravessa, o que minha equipe, meu líder ou meu par, de fato, conseguem ver? Quando peço uma opinião, estou realmente disposto a ser afetado por ela? E quando faço uma pergunta, consigo sustentar o silêncio suficiente para que eu possa ouvir uma resposta que não seja a minha?

O que vi naquela tela pequena, no dia 12 de setembro, não foi uma artista vencendo alguma coisa. Vi alguém que, por um instante, não conseguiu desempenhar e não escondeu isso.

Céline Dion se deixou ver, e a plateia deixou de ser apenas plateia: o público respondeu e algo se construiu entre ela e quem estava ali.

Na liderança, não há palco, equipe de turnê ou décadas de história com o público. Há a reunião de equipe, a conversa difícil, o comitê, o feedback, o pedido de ajuda, a discordância que ninguém sabe ainda onde vai levar.

A escala muda. O ato de confiar, talvez não.


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Quer saber mais sobre como a autenticidade e a vulnerabilidade na liderança pode abrir espaço para o outro e fortalecer assim as relações de confiança? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Sara Veloso
Coach Executiva ICF | 25+ anos em liderança e RH global
Especialista em confiança, Advisor STARTRUST, Análise comportamental e estabilização emocional
Criadora e Facilitadora do Programa “Liderar pelo Prisma da Confiança”
contato@saraveloso.coach
https://www.linkedin.com/in/saraveloso-ptfr/

Confira também: Confiança e Competência: A Armadilha de Confundir os Dois


Referências

BROWN, Brené. A coragem de ser imperfeito: como aceitar a própria vulnerabilidade, vencer a vergonha e ousar ser quem você é. Tradução de Joel Macedo. Rio de Janeiro: Sextante, 2016.

MAYER, Roger C.; DAVIS, James H.; SCHOORMAN, F. David. An integrative model of organizational trust. Academy of Management Review, v. 20, n. 3, p. 709-734, 1995.

PALMER, Parker J. A hidden wholeness: the journey toward an undivided life. San Francisco: Jossey-Bass, 2004.

Nota: a cena descrita ocorreu na Abertura da temporada CELINE DION PARIS 2026, na Plenitude Arena (antiga Paris La Défense Arena), em Nanterre, França, em 12 de setembro de 2026.

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Estamos Vivendo Bem ou Apenas Construindo uma Boa História?

Você vive para sentir ou para contar? Entenda como o "eu que experiencia" e o "eu que se lembra" moldam sua felicidade e suas escolhas. Descubra como as redes sociais podem transformar experiências em vitrines e afastar você do bem-estar real.

Eu que Experiencia vs. Eu que se Lembra: Como Ser Feliz?

Estamos Vivendo Bem ou Apenas Construindo uma Boa História?

Na palestra The Riddle of Experience vs. Memory, apresentada em 2010, o psicólogo e economista comportamental Daniel Kahneman subiu ao palco do TED – California. Ali, expôs uma das verdades mais incômodas sobre a condição humana: estamos profundamente confusos sobre o que significa a felicidade. Esta postagem é diretamente inspirada naquela célebre apresentação, que já ultrapassou sete milhões de visualizações. Laureado com o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas em 2002, Daniel Kahneman (1934–2024) foi um dos maiores pioneiros na desmontagem do mito do Homo economicus racional. Suas pesquisas demonstraram como nossos vieses cognitivos moldam silenciosamente nossas escolhas, julgamentos e nossa busca pelo bem-estar.

O “eu que experiencia” vs. o “eu que conta histórias”

O tema central que guia essa reflexão de Kahneman é como a dicotomia entre o “eu que experiencia” e o “eu que se lembra”. Ela se transformou — e foi hipertrofiada — em plena era das redes sociais e da economia da atenção, exigindo de todos nós uma nova maturidade na gestão de nossas vidas e carreiras. Para compreender a profundidade dessa dualidade, é preciso visualizar como nossa mente processa a realidade em duas instâncias paralelas, porém frequentemente desalinhadas.

  • O “eu que experiencia” (experiencing self) é aquele que sente cada segundo do cotidiano, tais como o aborrecimento de uma segunda-feira chuvosa, o aroma do café fresco, a frustração de uma reunião improdutiva ou o prazer de um abraço. Ele não guarda histórico duradouro, pois ele apenas absorve o impacto emocional do agora.
  • Em contrapartida, o “eu que conta histórias” (remembering self), também conhecido como “eu que se lembra”, opera como editor implacável. Ele ignora a vastidão do tempo transcorrido e reduz horas, dias ou anos a vinhetas dramáticas, momentos de pico e desfechos marcantes.

O “eu que se lembra” é o contador de histórias

Enquanto o primeiro sofre ou desfruta de um momento específico em tempo real, o segundo decide o que vale a pena guardar e repetir, moldando nossas aspirações futuras com base em memórias que muitas vezes romantizam o passado ou distorcem o sofrimento real. O “eu que experiencia” vive no presente contínuo. Ele avalia a vida conforme a intensidade dos estímulos, segundo a segundo: “Dói agora?”, “Isso me dá prazer agora?”. O presente psicológico dura apenas poucos segundos, o que significa que acumulamos centenas de milhões de momentos ao longo de uma existência, a grande maioria dos quais se perde irremediavelmente na esteira do tempo.

Por outro lado, o “eu que se lembra” é o contador de histórias. Ele não guarda todos os segundos vividos, mas seleciona marcos, picos dramáticos e, sobretudo, o final das experiências. É o que a literatura científica consolida como a regra do pico-fim (peak-end rule). A memória de uma viagem de férias de duas semanas não pesa o dobro de uma viagem de uma semana se, eventualmente, os dias adicionais não trouxerem novas narrativas ou picos emocionais marcantes.

Vivemos imersos na cultura da documentação para o algoritmo

O grande paradoxo apontado por Kahneman reside no fato de que o “eu que se lembra” é quem toma as decisões. Nós não escolhemos entre experiências; escolhemos entre memórias de experiências. E, quando pensamos no futuro, não planejamos vivências reais, mas sim memórias antecipadas.

Pouco mais de dez anos, desde o alerta inicial de Kahneman, a tecnologia introduziu uma nova camada de distorção nessa engrenagem cognitiva. Se então ele exemplificava o peso da memória com a viagem à Antártica cujas fotos mal eram vistas, hoje vivemos imersos na cultura da documentação para o algoritmo.

As redes sociais funcionam como um suporte do “eu que se lembra”. Antes mesmo que um momento seja plenamente absorvido pelo “eu que experiencia” — seja um jantar, um pôr do sol ou um evento corporativo —, a mente já calcula como ele será narrado, fotografado e validado publicamente. O “filtro de Instagram” ou a postagem no LinkedIn tornaram-se ferramentas sofisticadas da “ilusão de foco”, termo cunhado por Kahneman para descrever nossa tendência a superestimar o impacto de um único fator sobre o bem-estar global.

O dinheiro não garante felicidade, mas atende às necessidades básicas

A complexidade da felicidade também encontra respaldo empírico sólido na interface entre renda e bem-estar. No estudo de Kahneman e Deaton publicado em 2010, rendas mais altas estavam associadas a uma melhor avaliação geral da vida. Já o bem-estar emocional diário parecia apresentar ganhos menores depois de determinado patamar. Pesquisas posteriores, contudo, sugerem que essa relação é mais complexa e pode variar de acordo com as circunstâncias e as necessidades de cada pessoa.

Ou seja, o dinheiro não garante felicidade, mas a falta de recursos para atender às necessidades básicas pode comprometer profundamente o bem-estar. Essa constatação dialoga diretamente com as análises de Richard Layard (2008), em que defendeu a necessidade de políticas públicas focadas na maximização do bem-estar social em detrimento do crescimento cego do Produto Interno Bruto (PIB).

A corrida incessante pelo “sempre mais” — seja em termos financeiros, de produtividade ou de conquistas profissionais — muitas vezes sacrifica aquele “eu que experiencia” por conta do “eu que se lembra” que está ansioso por status.

Alinhamento intencional para o bem-estar cotidiano

Como bem pontuou Ed Diener (2000) em seus estudos fundamentais sobre o bem-estar subjetivo, a satisfação com a vida e o balanço emocional positivo exigem um alinhamento intencional entre o que almejamos e aquilo que efetivamente contribui para nosso bem-estar cotidiano. Não se trata de abandonar a ambição, mas de reconhecer, amparado pela sabedoria secular resgatada por Jonathan Haidt (2020), que o equilíbrio reside na harmonia entre as nossas aspirações externas em relação à qualidade dos momentos que de fato vivenciamos.

Para diminuir o domínio do “eu que se lembra”, precisamos adotar ferramentas metodológicas que nos reconectem com o presente. O método de reconstrução diária, conhecido como Day Reconstruction Method — DRM, desenvolvido por Kahneman e seus colaboradores, busca reconstruir os episódios de um dia e identificar como as pessoas se sentem durante diferentes atividades.

De forma similar, Daniel Gilbert (2008) nos alerta sobre os erros de projeção na previsão afetiva (affective forecasting), mostrando como nossa imaginação falha ao tentar adivinhar o que nos fará felizes amanhã.

A verdadeira sabedoria não está em acumular troféus para a memória

Frequentemente, subestimamos a capacidade de adaptação humana e superestimamos o valor de conquistas isoladas. Portanto, liderar a si mesmo na era contemporânea exige desatar os nós da ilusão de foco. Significa perguntar menos “como isso ficará na minha história” e indagar mais “como este momento está sendo vivido pelo meu ‘eu que experiencia'”. A verdadeira sabedoria não está em acumular troféus para a memória, mas em cultivar uma existência onde os momentos cotidianos tenham tanto valor quanto as grandes narrativas.

Atualmente, compreender a mecânica desses dois “eus” deixou de ser um mero exercício acadêmico de economia comportamental. Trata-se de uma competência essencial de sobrevivência mental e, até mesmo, de liderança consciente. Vivemos em um cenário corporativo e social hiperconectado, com cobranças constantes por desempenho e conquistas. Nesse contexto, o “eu que conta histórias” encontrou nas plataformas digitais o palco perfeito para eternizar ilusões de sucesso.

No entanto, essa vitrine implacável frequentemente esconde o desgaste profundo do “eu que experiencia”, cansado pelo ritmo frenético e pela busca incessante de validação externa.

O custo emocional do cotidiano na era digital

Aplicar o legado de Kahneman hoje significa resgatar a lucidez para auditar nossas escolhas diárias. É perceber que otimizar a carreira ou o estilo de vida apenas para alimentar narrativas atraentes nas redes sociais pode nos afastar do bem-estar genuíno. A verdadeira maturidade na era digital reside em alinhar o planejamento futuro às necessidades reais do nosso presente. E garantir que o custo emocional do cotidiano não seja sacrificado pela busca incessante de memórias fabricadas para agradar aos outros.

Eu sou Mario Divo e você me encontra pelas mídias sociais ou em www.mariodivo.com.br.


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Quer saber mais sobre como dar espaço ao eu que experiencia e fazer escolhas que valorizem a vida real, em vez de apenas construir boas histórias para contar? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Até nossa próxima postagem!

Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DIENER, Ed et al. Subjective well-being: The science of happiness and a proposal for a national index. American Psychologist, v. 55, n. 1, p. 34-43, 2000.

GILBERT, Daniel. A felicidade por um triz. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2008.

HAIDT, Jonathan. A hipótese da felicidade: encontrando verdade moderna na sabedoria antiga. São Paulo: Editora Record, 2020.

KAHNEMAN, Daniel. Rápido e devagar: duas formas de pensar. Tradução de Cássio de Arantes Leite. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

KAHNEMAN, Daniel; DEATON, Angus. High income improves evaluation of life but not emotional well-being. Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), v. 107, n. 38, p. 16489-16493, 2010.

KAHNEMAN, Daniel; KRUEGER, Alan B. Developments in the measurement of subjective well-being. Journal of Economic Perspectives, v. 20, n. 1, p. 3-24, 2006.

LAYARD, Richard. Felicidade: lições de uma nova ciência. São Paulo: Editora Manole, 2008.

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Setembro: Mês de Contemplação da Primavera — Um Convite à Renovação e ao Florescimento

A contemplação da primavera começa antes das flores: é preciso acolher a chuva, os desafios e a beleza de cada etapa. Descubra como setembro inspira renovação, presença e florescimento na vida pessoal e profissional, sem pressa de chegar.

Setembro: Mês de Contemplação da Primavera — Um Convite à Renovação e ao Florescimento

Setembro: Mês de Contemplação da Primavera
Um Convite à Renovação e ao Florescimento

O mês de setembro é o mês de transição, o fim do inverno e o início de uma nova estação, um novo ciclo. Ele chega com aquela energia de cores, flores e perfumes: a primavera.

Antes do florescimento, vêm as chuvas e todas as suas consequências. O vento passa e deixa muita coisa no chão.

Assim é também o nosso tempo: carregado de pressa, de compromissos, de urgências. Mas, se olharmos com atenção, veremos que entre os restos deixados pelo vento, sempre há espaço para o florescer. Setembro nos convida a contemplar não apenas o que é belo e colorido, mas também o que resiste, o que renasce depois da tempestade.

Na correria dos dias, contemplar é um ato de coragem. É parar por alguns instantes para sentir o perfume das flores, ouvir o canto dos pássaros, perceber que o tempo não é apenas aquilo que nos escapa, mas também aquilo que nos oferece presença.

Quando foi a última vez que você contemplou não apenas o espetáculo final de uma flor, mas todo o processo de seu crescimento, da folhagem ao botão e, finalmente, à flor: o “produto final”?

A contemplação é algo que esquecemos ou deixamos de fazer devido a correria. E por quê?

Escrevo esta coluna debaixo de chuva, ouvindo notícias não tão agradáveis sobre seus efeitos: transtornos no trânsito e outras situações pouco contemplativas.

Mas a água, a chuva, são necessárias. O barulho da chuva embala o sono. A mesma chuva que penetra na terra e prepara o solo para o florescer. Assim também são os momentos difíceis: eles limpam, reorganizam e criam espaço para o novo.

Setembro nos lembra que contemplar não é apenas admirar o resultado, mas reconhecer o processo. É aceitar que o vento derruba, que a chuva molha, que o tempo corre. E, ainda assim, há beleza em cada etapa.

Na vida profissional e pessoal, contemplar é enxergar valor no caminho, não apenas na chegada. É perceber que cada desafio é parte da preparação para o florescimento.

Que este setembro seja um lembrete: mesmo quando o vento derruba, a primavera sempre encontra um jeito de florescer. E vale um convite: desacelere, contemple e permita que a primavera aconteça dentro de cada um de nós!

“Setembre-se”!


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Simone Mitsue
https://www.linkedin.com/in/simone-mitsue

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Palavras-chave: contemplação da primavera, primavera, setembro, florescimento, renovação, contemplar é um ato de coragem, reconhecer o processo, vida profissional e pessoal, preparação para o florescimento, um convite à renovação e ao florescimento
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Você Quer Mudar de Vida, Mas Está Disposto a Carregar as Caixas?

Você quer mudar de vida, mas está disposto a carregar as caixas da mudança financeira? Descubra como rever hábitos, organizar investimentos e patrimônio, pedir ajuda especializada e construir uma vida financeira com liberdade.

Vida Financeira: Você Está Disposto a Carregar as Caixas?

Você Quer Mudar de Vida, Mas Está Disposto a Carregar as Caixas?

Olá,

Como vocês está?

Recentemente, vivi uma mudança importante: mudei de apartamento.

E, olhando agora para a casa tomando forma, percebo que essa experiência tem muito mais relação com a vida financeira do que eu poderia imaginar.

A mudança foi para melhor. Fui para um apartamento maior, com mais infraestrutura e mais qualidade de vida, sem que isso representasse um aumento equivalente nas minhas despesas mensais. Minha filha ganhou mais conforto, eu ganhei mais espaço e hoje tenho uma casa onde posso receber amigos, criar novas memórias e viver de uma maneira que combina mais com o momento atual da minha vida.

Olhando apenas para o resultado, parece uma decisão óbvia, mas existe uma parte que ninguém vê quando olha a casa pronta.

O caminho até ela.


Antes da casa nova, vieram as caixas

Mudar exigiu esforço físico. Carregar coisas, separar objetos, abrir caixas, fechar caixas e, além disso, decidir o que ficava e o que precisava ir embora.

Também houve perdas, algumas coisas quebraram durante o processo e outras simplesmente deixaram de fazer sentido na casa nova.

Talvez essa tenha sido uma das partes mais simbólicas da experiência: perceber que nem tudo aquilo que coube em uma fase da nossa vida precisa necessariamente ser levado para a próxima.

Também precisei reconhecer que não conseguiria fazer tudo sozinha, por isso contratei profissionais para a mudança e para a organização da casa. Foi necessário pensar onde cada coisa ficaria, usar organizadores, colmeias, gavetas e criar uma lógica para aquele novo espaço.

Ou seja: não bastava mudar de endereço.

Era preciso organizar uma nova forma de viver.

E foi exatamente nesse momento que pensei em quantas pessoas desejam uma transformação financeira, mas querem chegar à casa organizada sem passar pelas caixas.

Querem o resultado, mas evitam o processo.


Na vida financeira também existem caixas que precisam ser abertas

Mudar financeiramente pode significar rever investimentos, organizar dívidas, criar reservas, estruturar a aposentadoria, pensar na sucessão patrimonial, contratar proteção, diversificar investimentos e, sem dúvida, questionar hábitos construídos durante décadas.

E isso pode gerar desconforto porque organizar dinheiro não é apenas organizar números.

Dinheiro carrega comportamento, histórias, medos, crenças, relações familiares, sensação de segurança e certamente lembranças.

Por isso, algumas pessoas permanecem durante anos em uma situação financeira que já não atende às suas necessidades.

Não necessariamente porque não exista uma alternativa melhor, mas porque mudar dá trabalho.

É como permanecer em um apartamento que ficou pequeno simplesmente porque não queremos enfrentar as caixas da mudança.


Existe um preço entre o lugar onde estamos e o lugar onde queremos chegar

Na mudança de apartamento, precisei investir dinheiro para contratar profissionais que sabiam fazer determinadas coisas melhor do que eu.

Na vida financeira acontece o mesmo.

Existe um momento em que tentar resolver tudo sozinho pode deixar de ser economia e passar a ser limitação.

Um bom profissional não elimina todas as decisões difíceis. Ele ajuda a organizar as caixas.

Ajuda a identificar o que deve permanecer, o que precisa ser substituído, o que já não faz sentido e onde cada parte do patrimônio deve, de fato, estar para cumprir determinada função.

É parecido com organizar uma casa.

Não colocamos documentos importantes junto com utensílios de cozinha. Não guardamos aquilo que usamos diariamente no fundo do armário. E não ocupamos espaços valiosos com objetos que não têm mais utilidade.

Por que, então, tantas vezes fazemos exatamente isso com o dinheiro?

Mantemos investimentos antigos apenas porque sempre estiveram ali. Misturamos reserva de emergência com recursos de longo prazo. Concentramos patrimônio sem perceber o risco. Adiamos decisões sucessórias. Deixamos dinheiro parado por medo de tomar uma decisão.

A desorganização financeira também ocupa espaço.


O desconforto de hoje pode financiar a tranquilidade de amanhã

Existe uma característica interessante em praticamente toda transformação: o esforço costuma aparecer antes da recompensa.

Primeiro vieram as caixas, o cansaço, as decisões e a bagunça.

Depois veio a casa organizada.

Nas finanças acontece algo semelhante.

Primeiro pode vir a necessidade de rever hábitos, conversar sobre assuntos desconfortáveis, reorganizar investimentos, abrir mão de determinadas escolhas e aceitar orientação profissional.

A recompensa aparece depois: mais clareza, segurança, liberdade de escolha e um patrimônio mais coerente com a vida que queremos construir.

Talvez uma das maiores armadilhas comportamentais seja escolher o conforto imediato e, sem perceber, pagar por ele com a limitação futura.

Às vezes, não mudar também tem um preço.


Cinco passos para começar sua própria “mudança financeira”

1. Abra as caixas

Faça um diagnóstico real da sua vida financeira. Quanto você possui? Onde está investido? Quanto custa sua vida? Quais são suas dívidas, proteções, reservas e objetivos?

Não é possível organizar aquilo que preferimos não olhar.

2. Decida o que não precisa acompanhar você

Assim como existem objetos que pertencem à casa antiga, existem comportamentos financeiros que pertencem a versões anteriores de nós mesmos.

Investimentos inadequados, gastos automáticos, concentração excessiva, decisões tomadas por medo ou simplesmente hábitos que nunca foram questionados.

Nem tudo precisa seguir para o próximo ciclo.

3. Dê uma função para cada “gaveta” do patrimônio

Liquidez, proteção, renda, crescimento, aposentadoria, sucessão e projetos de vida possuem objetivos diferentes.

Quando cada recurso tem uma função, o patrimônio deixa de ser apenas um conjunto de investimentos e começa a se transformar em planejamento.

4. Aceite ajuda especializada

Eu poderia ter tentado organizar cada caixa sozinha. Talvez economizasse algum dinheiro, mas provavelmente gastaria muito mais tempo, energia e cometeria mais erros.

Na vida financeira, contratar bons profissionais também significa reconhecer o valor do conhecimento, da experiência e do olhar externo.

Pedir ajuda não significa abrir mão das decisões. Significa ter melhores elementos para tomá-las.

5. Não julgue a mudança pela bagunça do meio do caminho

Essa talvez seja a dica mais importante.

Durante uma mudança, existe um momento em que a casa antiga já foi desmontada e a nova ainda não está pronta.

É desconfortável.

Financeiramente também existem períodos de transição.

O fato de algo estar sendo reorganizado não significa que a decisão esteja errada. Algumas transformações precisam de tempo até que os benefícios apareçam.


Qual é a casa financeira em que você quer morar?

Hoje, quando olho para minha nova casa, vejo muito mais do que um apartamento maior.

Vejo espaço.

Espaço para minha filha, para os amigos, para novos encontros e para uma nova fase da vida.

Mas também vejo todas as caixas que precisei carregar para chegar até aqui.

Talvez essa seja uma boa pergunta para levarmos para a nossa vida financeira:

Você está permanecendo onde está porque esse lugar ainda faz sentido ou simplesmente porque não quer enfrentar o trabalho da mudança?

Nem toda mudança será confortável.

Algumas exigirão esforço, outras exigirão desapego. Algumas terão custos e muitas precisarão da ajuda de pessoas especializadas.

Mas existe uma diferença enorme entre pagar o preço de uma transformação e continuar pagando, silenciosamente, o preço da estagnação.

Na vida e nas finanças, talvez amadurecer seja justamente compreender isso: não precisamos levar tudo conosco para o próximo ciclo. Precisamos levar aquilo que ajuda a construir a vida que queremos encontrar quando todas as caixas finalmente estiverem abertas.


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Quer saber mais sobre como estar disposto a mudar de vida começando pela sua vida financeira, mesmo que isso signifique enfrentar as caixas que você vem adiando? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Com carinho,

Carol Guimarães
https://www.instagram.com/carol_investimentos/

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A Era da Responsabilidade: Os Desafios de uma Humanidade que Transforma o Planeta

Na era da responsabilidade, a humanidade tem poder para transformar o planeta, mas será que amadurecemos na mesma velocidade? Descubra por que tecnologia, ética, complexidade e escolhas conscientes exigem maturidade humana no século XXI.

Era da Responsabilidade: Nosso Poder Exige Maturidade

A Era da Responsabilidade: Os Desafios de uma Humanidade que Transforma o Planeta

“Aja de modo que os efeitos da tua ação sejam compatíveis com a permanência de uma autêntica vida humana sobre a terra.” (Hans Jonas – Filósofo alemão 1903-1993 – “O Princípio da Responsabilidade”)

A Terra nunca foi um organismo imóvel. Muito antes do surgimento da espécie humana, continentes uniram-se e se separaram, oceanos avançaram e recuaram, montanhas ergueram-se para depois serem consumidas pelo tempo, glaciações alternaram-se com períodos de aquecimento e cinco grandes extinções remodelaram profundamente a vida. A mudança nunca foi um acidente da história do planeta; sempre foi sua condição natural.

A novidade não está na Terra. A novidade somos nós.

Pela primeira vez na história geológica conhecida, uma única espécie adquiriu capacidade para alterar, simultaneamente, ecossistemas, atmosfera, oceanos, ciclos econômicos, fluxos globais de informação e até os próprios mecanismos da evolução biológica.

Vivemos um paradoxo sem precedentes: a humanidade tornou-se suficientemente poderosa para influenciar processos planetários e, ao mesmo tempo, continua insuficientemente madura para compreender todas as consequências desse poder.

Talvez seja esse o verdadeiro retrato do século XXI.

Costuma-se afirmar que atravessamos uma época de mudanças. A história sempre foi feita de mudanças. O que torna o presente singular é a convergência de diversas transições que interagem entre si, produzindo efeitos que nenhuma delas seria capaz de gerar sozinha.

A Terra continua obedecendo aos seus próprios ciclos. A humanidade continua atravessando suas transformações econômicas, tecnológicas, culturais e políticas. Durante muito tempo esses movimentos seguiram ritmos relativamente independentes. Agora eles se cruzam de maneira inédita. É nesse ponto que nasce a complexidade do nosso tempo.

Complexidade não é a soma dos problemas. É a interação entre eles.

O planeta abriga mais de oito bilhões de habitantes, todos dependentes de água, energia, alimentos, estabilidade institucional e infraestrutura para viver. Ao mesmo tempo, eventos climáticos extremos afetam safras e disponibilidade hídrica; conflitos armados comprometem cadeias logísticas e mercados de energia; a reorganização geopolítica redefine alianças; novas tecnologias transformam profissões em velocidade crescente; a inteligência artificial altera a própria produção do conhecimento; a perda acelerada de biodiversidade reduz a resiliência dos ecossistemas.

Sempre que cinco ou seis sistemas fundamentais entram simultaneamente em transição, aumenta exponencialmente a imprevisibilidade das suas interações.

Não porque cada sistema seja necessariamente imprevisível. Mas porque suas combinações passam a ser.

Existe, porém, outro elemento raramente observado: As transições não acontecem na mesma velocidade.

  • A geologia opera em milhares ou milhões de anos;
  • O clima reorganiza padrões ao longo de décadas;
  • A demografia transforma sociedades em gerações;
  • A economia reage em ciclos cada vez mais curtos;
  • A tecnologia evolui em meses;
  • A inteligência artificial aprende em semanas;
  • Os mercados financeiros mudam em segundos.

O cérebro humano, entretanto, continua essencialmente o mesmo que permitiu aos nossos ancestrais sobreviverem há milhares de anos. Esse descompasso talvez seja a maior vulnerabilidade da civilização contemporânea. Nossa capacidade de transformar o mundo cresce exponencialmente. Nossa capacidade ética, institucional e psicológica de compreender as consequências dessas transformações evolui muito mais lentamente.

Quanto maior o poder de intervenção de uma civilização, maior deveria ser sua capacidade de antecipar consequências não intencionais. Toda evolução tecnológica que não seja acompanhada por evolução ética produz instabilidade.

Essa afirmação vale para a inteligência artificial, para a biotecnologia, para os sistemas energéticos, para os mercados financeiros, para as redes digitais e para os instrumentos de guerra. A tecnologia amplia capacidades, mas somente a maturidade define a direção em que elas serão utilizadas.

Há, contudo, uma dimensão ainda mais profunda.

Continuamos tentando interpretar um mundo complexo por meio de uma lógica linear. Procuramos uma causa única para fenômenos que possuem múltiplas origens. Buscamos um culpado quando enfrentamos sistemas que interagem continuamente. Esperamos soluções simples para problemas cuja natureza é, precisamente, a interdependência. Essa limitação alimenta duas ilusões igualmente perigosas:

  • A primeira é acreditar que seremos capazes de controlar todos os processos;
  • A segunda é concluir que já não existe nada a fazer.

Entre a arrogância do controle absoluto e a resignação da impotência encontra-se o único espaço onde a inteligência humana pode realmente atuar: o da responsabilidade. Também aqui surge outro paradoxo do nosso tempo.

Nunca produzimos tanto conhecimento científico. Nunca dispusemos de tantos dados, modelos computacionais e instrumentos de previsão. E, paradoxalmente, nunca estivemos tão expostos a narrativas que transformam a incerteza em medo permanente.

O alarmismo não fortalece a capacidade de adaptação. Ele a enfraquece.

O medo contínuo desgasta o discernimento, reduz a qualidade das decisões e induz sociedades inteiras à paralisia justamente quando agir se torna indispensável.

A verdadeira resiliência não consiste em negar os riscos nem em amplificá-los. Consiste em desenvolver serenidade suficiente para distinguir aquilo que está fora do nosso controle daquilo que depende diretamente, de fato, das nossas escolhas.

Talvez a grande transição do nosso tempo não seja apenas climática, tecnológica, econômica ou então geopolítica. Todas essas mudanças são reais e merecem atenção. Mas talvez a era da responsabilidade seja, acima de tudo, a passagem de uma humanidade acostumada a expandir seu poder para outra obrigada a amadurecer na mesma proporção.

A Terra continuará sua longa trajetória, como continuou após impactos de asteroides, reorganizações geológicas e extinções em massa. A questão decisiva, portanto, não é se o planeta sobreviverá. A questão é que tipo de humanidade sobreviverá à Terra que continua mudando.

Se compreendermos que toda grande transição exige também uma evolução da consciência, talvez este período venha a ser lembrado não como a época em que a humanidade enfrentou sua maior crise, mas como o momento em que finalmente descobriu que maturidade não significa controlar o planeta, e sim aprender a ocupar, com inteligência e humildade, o lugar que lhe cabe dentro dele.


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Sandra Moraes
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Confira também: Liberdade: A Ilusão da Escolha na Era da Tecnologia

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Onde os Futuros Líderes Aprenderão a Liderar?

Entenda por que a formação de líderes precisa ir além de cursos e competências. Veja como experiências reais, julgamento, maturidade e inteligência artificial estão redesenhando o desenvolvimento dos futuros líderes nas organizações.

Formação de Líderes: Onde os Futuros Líderes Aprenderão?

Onde os Futuros Líderes Aprenderão a Liderar?

A tecnologia muda o trabalho. Quem redesenha a formação dos líderes?

Enquanto boa parte das discussões sobre transformação organizacional se concentra em inteligência artificial, automação, produtividade e estruturas mais enxutas, uma questão merece atenção: onde, exatamente, os futuros líderes aprenderão a liderar? Ao redesenharmos o trabalho, reduzirmos níveis hierárquicos e transferirmos parte das atividades para a tecnologia, podemos estar diminuindo também alguns dos espaços em que as pessoas aprendiam, progressivamente, a assumir responsabilidades maiores.

Não se trata de defender a antiga escada hierárquica — ela nunca foi perfeita, não formou bons líderes por definição e tampouco ofereceu as mesmas oportunidades a todos. Ainda assim, havia algo importante naquele percurso: uma sequência de experiências. Antes de assumir posições maiores, alguém liderava um projeto, precisava influenciar sem autoridade formal, administrar prioridades concorrentes, enfrentar conflitos, sustentar decisões difíceis e começar a responder pelas consequências das próprias escolhas.

Os dados ajudam a dimensionar essa transformação. O Global Human Capital Trends 2025, da Deloitte, registrou que, no final de 2024, empregadores norte-americanos anunciavam 42% menos posições de média gerência do que na primavera de 2022, e que 73% das organizações reconheciam a necessidade de reinventar o papel do gestor, enquanto apenas 7% consideravam estar avançando significativamente nessa direção.

Esses números não provam que estruturas mais enxutas produzirão líderes menos preparados, mas justificam uma pergunta importante:

Se alguns degraus diminuírem, onde acontecerão as experiências que preparavam alguém para responsabilidades maiores?

O desafio, portanto, não é reconstruir a velha escada, e sim criar caminhos melhores.

Cursos, mentoring, coaching, academias corporativas e assessments continuam tendo seu papel: ampliam repertório, favorecem autoconhecimento e ajudam a interpretar situações complexas. Mas ganham muito mais potência quando conectados a experiências reais, e não quando tentam substituí-las.

Há uma parte da liderança que começa a ganhar consistência quando alguém precisa decidir sem ter todas as respostas, lidar com um erro que trouxe consequências, sustentar uma posição diante de interesses divergentes ou conduzir uma conversa que preferiria evitar. É nesse território que conhecimento começa a se transformar em julgamento e que a maturidade começa a ser construída.

Queremos profissionais capazes de discordar sem romper relações, assumir erros sem procurar culpados e sustentar decisões mesmo diante da incerteza, mas existe um paradoxo:

Muitas vezes queremos líderes maduros enquanto protegemos as pessoas justamente das situações que ajudam a construir essa maturidade.

Isso não significa defender o erro pelo erro nem jogar alguém na fogueira. Desenvolvimento exige desafios reais, mas também limites, contexto, acompanhamento e oportunidade de refletir sobre o que aconteceu.

A inteligência artificial introduz um efeito menos discutido nessa equação. Ela pode retirar da agenda dos gestores parte do trabalho administrativo e analítico, mas pode retirar também dos profissionais mais jovens tarefas que funcionavam como aprendizado — a Deloitte identificou que 28% dos profissionais em início de carreira pesquisados percebiam menos oportunidades de aprendizagem no trabalho em decorrência da IA.

Preparar uma análise, estruturar uma apresentação ou acompanhar uma discussão executiva nunca foi apenas executar uma tarefa. Nessas situações, aprendia-se também a selecionar informações, construir argumentos, observar como decisões eram tomadas e compreender suas consequências. Se parte dessas etapas passa a ser realizada pela tecnologia, surge uma pergunta pouco explorada: Quais experiências ocuparão esse lugar?

É aí que líderes e RH precisam ampliar a maneira como pensam desenvolvimento. Em vez de perguntar apenas quais competências alguém precisa desenvolver ou de quais programas deveria participar, há outra questão igualmente importante: Que experiências essa pessoa precisa viver antes de assumir uma responsabilidade maior?

Um projeto transversal pode exercitar influência sem autoridade formal, uma responsabilidade temporária pode colocar alguém diante de decisões que antes pertenciam ao gestor, a participação em um fórum mais sênior pode ampliar visão de negócio e capacidade de argumentação, e uma missão fora da área habitual pode exigir respostas diante de ambiguidade e interesses diferentes. Não precisamos reconstruir uma escada para produzir essas experiências — podemos desenhá-las.

Isso também exige atenção a quem terá acesso a elas.

Se há menos degraus formais, aumenta a responsabilidade de líderes e RH na escolha de quem receberá projetos relevantes, exposição e oportunidades de decisão. Sem critérios claros, as melhores oportunidades podem continuar chegando sempre às mesmas pessoas.

Há ainda um ponto que merecemos tratar sem ingenuidade: mesmo que a IA libere parte do tempo do gestor, nada garante que esse tempo será, de fato, usado para desenvolver pessoas. A régua de produtividade pode simplesmente subir, e novas entregas, reuniões e urgências podem ocupar rapidamente qualquer capacidade recuperada.

Afinal, o problema do desenvolvimento nunca foi apenas falta de tempo — gestores dedicam atenção àquilo que a organização cobra, mede e reconhece.

Por isso, a pergunta mais importante sobre a IA não é apenas quanto tempo ela poderá devolver ao líder, mas o que líderes e organizações escolherão fazer com a capacidade que a tecnologia eventualmente liberar.

Se parte dela for utilizada para oferecer contexto, discutir decisões, entregar responsabilidades mais desafiadoras e ajudar alguém a aprender com o que viveu, a tecnologia poderá contribuir para recuperar espaço para uma responsabilidade antiga da liderança: preparar outras pessoas para assumir desafios maiores. Caso contrário, teremos aumentado eficiência sem necessariamente ampliar nossa capacidade de formar líderes.

Os futuros líderes não precisam aprender nos mesmos degraus em que as gerações anteriores aprenderam. Podemos criar caminhos melhores, mais diversos e menos dependentes de cargos formais. Mas isso não acontecerá sozinho: se o trabalho está sendo redesenhado, o desenvolvimento também precisa ser.

E a pergunta mais exigente para líderes e RH passa a ser esta: que experiências estamos colocando hoje no caminho das pessoas para que aprendam a decidir, assumir consequências e desenvolver julgamento antes que uma posição de liderança exija tudo isso delas?

Porque potencial identificado sem experiência vivida continua sendo apenas uma promessa de liderança.


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Até a próxima!

Wilson R. Lourenço
https://www.compassconsult.com.br

Confira também: Quem Ainda Quer Ser Líder?

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Responsabilidade na Inteligência Artificial: Nem Apocalipse, Nem Jardim do Éden

Entenda como usar a inteligência artificial com responsabilidade, consciência e critérios claros nas decisões. Veja como a liderança pode equilibrar riscos e oportunidades, proteger o julgamento humano e ajudar a moldar o futuro da IA.

Responsabilidade na Inteligência Artificial: Quem Decide?

Responsabilidade na Inteligência Artificial: Nem Apocalipse, Nem Jardim do Éden

Quanto mais capazes se tornam as ferramentas de inteligência artificial, mais importante fica uma pergunta para quem lidera: capazes para quê?

O título de um documentário americano me ajudou a encontrar uma palavra para o momento que estamos vivendo: apocaloptimismo. Não é paixão pelo apocalipse. Também não é a crença ingênua de que a tecnologia nos levará a um Jardim do Éden. É a disposição de olhar para as duas possibilidades ao mesmo tempo, reconhecer os riscos reais da inteligência artificial e, ainda assim, enxergar o que ela pode ampliar, transformar e melhorar. Nem pânico. Nem euforia. O caminho é consciência, responsabilidade e participação.

A conversa sobre IA costuma oscilar entre dois extremos. Por um lado, ouvimos que ela vai acabar com os empregos e tornar o ser humano irrelevante. Por outro lado, aparece a promessa de uma tecnologia capaz de resolver quase tudo e eliminar as limitações das organizações. Nos dois casos, existe um risco semelhante: falar da tecnologia como se ela fosse a protagonista absoluta da história. Mas quem define onde ela será usada? Quem estabelece os limites? Quem responde quando uma decisão automatizada prejudica alguém? É aí que entra a liderança.

A inteligência artificial pode escrever, programar, pesquisar, criar e analisar grandes volumes de informação. Mas capacidade não é sinônimo de autonomia, confiabilidade ou sabedoria. Uma ferramenta pode responder muito bem à pergunta “como fazer?” e continuar sem condições de responder, sozinha, às perguntas mais importantes: devemos de fato fazer? Para quê? Quem será beneficiado? Quem poderá ser prejudicado? O que não queremos delegar? Essas perguntas não desaparecem porque uma tecnologia consegue executar uma tarefa. Quanto maior a capacidade da ferramenta, mais importante se torna então decidir onde essa capacidade deve parar.

Para o gestor, isso muda o foco da conversa.

Não basta perguntar qual ferramenta a empresa deve adotar. É preciso perguntar que tipo de organização essa adoção está criando. Estamos usando IA para ampliar o julgamento das pessoas ou para eliminar qualquer espaço de julgamento? Liberando tempo para atividades mais humanas ou apenas acelerando uma cultura de excesso? Tornando as decisões mais transparentes ou apenas escondendo decisões humanas atrás de uma interface automática? A escolha de uma tecnologia também é uma escolha sobre a maneira como queremos trabalhar.

Se a IA produzir ganhos de produtividade, precisaremos decidir como esses ganhos serão distribuídos. Se reduzir custos, precisaremos discutir o que faremos com o tempo e as pessoas liberados por ela. A tecnologia pode ampliar a capacidade. Mas a decisão sobre o que fazer com essa capacidade continua sendo nossa.

O futuro da IA não será definido apenas pelos modelos mais avançados, mas também pelas escolhas cotidianas de quem contrata, implementa, regula e lidera. O apocaloptimismo nos obriga a permanecer atentos às duas coisas: ao potencial e ao perigo. A pergunta decisiva não é apenas até onde a inteligência artificial conseguirá chegar — mas que futuro estamos construindo com ela e quem está assumindo a responsabilidade por essa construção.


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Até a próxima!

Leila Navarro
Palestrante internacional, escritora e estudiosa do comportamento humano e das transformações provocadas pela tecnologia na sociedade. Especialista em Inovação Humana e Desenvolvimento do Novo Humano nas Organizações. Autora de 17 livros traduzidos para diversos idiomas, astronauta análoga certificada e referência latino-americana em presença, comportamento e futuro do trabalho.
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Confira também: O Medo na Liderança: Por Que a Dúvida Pode Tornar Decisões Mais Responsáveis

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Conectando Saberes: O Pensamento Polímata na Gestão Moderna

Descubra como o pensamento polímata conecta saberes, amplia perspectivas e fortalece criatividade, flexibilidade cognitiva, humildade intelectual e decisões mais maduras para transformar a gestão, a liderança, o coaching e as relações.

Pensamento Polímata: Conectando Saberes na Gestão Moderna

Conectando Saberes: O Pensamento Polímata na Gestão Moderna

Quando ouvida pela primeira vez, a palavra polímata costuma ser imediatamente associada a figuras históricas grandiosas, a exemplo de Leonardo da Vinci, um mestre que transitava com naturalidade entre a pintura, a engenharia, a anatomia e a arquitetura. No entanto, ser polímata no mundo contemporâneo não exige um cérebro sobre-humano, uma mente intocável ou o domínio absoluto de todos os campos do saber.

Em seu sentido mais prático e transformador, a pessoa polímata é aquela que cultiva curiosidade contínua em diferentes áreas e desenvolve a rara competência de estabelecer pontes de relacionamento entre elas. Pode ser um executivo de tecnologia que estuda música nas horas vagas, uma gestora que utiliza conceitos de psicologia nas reuniões de alinhamento estratégico, ou um líder que aplica lições de história para navegar por crises organizacionais.

A ciência, aliás, nos mostra que não existe um “perfil psicológico rígido” para a polimatia. As atitudes frequentemente vinculadas a ela, como flexibilidade cognitiva, criatividade e paixão pelo aprendizado, sempre aparecem em intensidades e combinações muito diversas. Longe de ser um rótulo estático, a polimatia é uma postura de vida ou, se quisermos pensar de outra forma, ela é um processo ativo e prático, não apenas uma teoria abstrata.


Mais do que acumular informações: a arte de conectar saberes

Uma pessoa verdadeiramente polímata não é uma enciclopédia ambulante ou alguém focado em acumular dados aleatórios. O aspecto mais valioso do pensamento polímata reside na capacidade de construir pontes entre universos que parecem, à primeira vista, desconectados. Em uma investigação sobre interesses artísticos, científicos e profissionais, Root-Bernstein, Bernstein e Garnier (2004) observaram correlações interessantes entre o aprimoramento da criatividade científica e outras atividades práticas fora da ocupação principal, tais como música, artes manuais e hobbies diversos.

Embora essa pesquisa ressalte que ter hábitos variados não garanta sucesso imediato, ela sugere que a vivência em múltiplos domínios enriquece o repertório mental e oferece novas perspectivas para a solução de problemas complexos. Quem estuda música refina sua sensibilidade para ritmo e estrutura; quem se dedica ao desenho apura o olhar observador; quem lê história desenvolve sensibilidade para padrões de mudança social. Quando integrados, esses saberes expandem a maturidade na tomada de decisões e na condução de projetos.


A força do raciocínio analógico

Então, como fazer para conectar áreas aparentemente distantes? Uma das ferramentas mais poderosas para essa integração é o raciocínio analógico. Ele ocorre quando conseguimos enxergar uma estrutura comum por trás de fenômenos visivelmente opostos. Como demonstram Gentner, Holyoak e Kokinov (2001), as analogias desempenham papel crucial na aprendizagem, na resolução de problemas e na formulação de novas hipóteses.

Um líder pode, por exemplo, comparar a operação de uma equipe executiva à dinâmica de uma orquestra sinfônica. O ponto central dessa comparação não é a quantidade de integrantes, mas a sincronia, a distribuição de funções e a necessidade da escuta atenta. Contudo, a transferência analógica exige rigor analítico, pois uma analogia mal construída pode induzir a conclusões equivocadas. A criatividade do pensamento polímata não consiste em misturar ideias de forma indiscriminada, mas em testar criticamente se a conexão idealizada realmente se sustenta na prática.


Flexibilidade cognitiva sem renunciar ao pensamento crítico

Outra característica indispensável ao ecossistema polímata é a flexibilidade cognitiva, especialmente a capacidade de mudar de perspectiva ou estratégia quando as circunstâncias se alteram. De acordo com Ionescu (2012), essa flexibilidade permite que o indivíduo não permaneça prisioneiro de uma única forma de interpretar a realidade. Pessoas com interesses amplos muitas vezes correm o risco de serem rotuladas como indecisas ou dispersas.

Contudo, em uma gestão madura, rever uma posição à luz do conhecimento é sinal de aprendizado contínuo, e não de fraqueza. Em um cenário corporativo volátil, flexibilidade significa reconsiderar uma postura diante de novos dados, testar caminhos inéditos e reconhecer que conflitos interpessoais possuem múltiplas camadas. Vale destacar que ser cognitivamente flexível não significa aceitar qualquer ideia nem abandonar convicções éticas. Pelo contrário, trata-se de evoluir o pensamento sem perder a capacidade de avaliar a qualidade e a veracidade das evidências.


Humildade intelectual e a sensibilidade do convívio

Existe um paradoxo fascinante no aprendizado: quanto mais expandimos nosso horizonte intelectual, mais tomamos consciência da imensidão daquilo que desconhecemos. A humildade intelectual é o antídoto para a arrogância do saber. Leary et al. (2017) definem a humildade intelectual como a competência de reconhecer os limites do próprio conhecimento, aceitar a incerteza e evitar tratar convicções pessoais como verdades absolutas.

Trata-se de uma postura que favorece o diálogo, reduz a necessidade de demonstração de poder e constrói relacionamentos fundamentados na escuta genuína. Profissionais com grande amplitude cultural enfrentam o desafio contínuo de comunicar-se com empatia. De nada adianta acumular saberes se eles servirem para afastar ou intimidar pessoas. Compartilhar conhecimentos de forma acolhedora, ouvir antes de explicar e respeitar o ritmo do interlocutor são atitudes que convertem erudição em impacto humano positivo.


Complexidade integrativa em tempos de respostas simplistas

Para lidar com os desafios do século XXI, precisamos desenvolver o que Suedfeld, Tetlock e Streufert (1992) conceituam como complexidade integrativa, que é a capacidade de reconhecer múltiplos ângulos de um mesmo problema, considerar perspectivas divergentes e integrá-las em análises abrangentes e sustentáveis. Pensar com complexidade integrativa não é complicar o simples, mas evitar armadilhas e explicações simplistas.

O desempenho de um colaborador, a decisão de investimento em um projeto ou o direcionamento de uma carreira não dependem de um único fator isolado, mas da interação entre variáveis econômicas, emocionais, éticas e sociais. Portanto, ser polímata não é buscar aplausos no palco, mas cultivar o gosto pelo saber nos bastidores da vida. É a professora que conecta tecnologia e teatro para encantar seus alunos, a profissional da saúde que alia biologia, ética e comunicação para acolher pacientes ou o gestor que une análise de dados e sensibilidade humana para liderar equipes.


A polimatia como prática diária de aprendizado

Concluindo, a pergunta mais produtiva que podemos fazer a nós mesmos não é “eu sou ou não sou um polímata?”, mas sim perguntar: que conhecimentos diferentes posso aproximar hoje para compreender melhor o mundo, tomar decisões mais éticas e me conectar de forma mais verdadeira com as pessoas ao meu redor?

Se você é coach, mentor, consultor, gestor ou líder, encorajo você a olhar para o seu repertório pessoal com novos olhos e a apoiar seus liderados e clientes no desenvolvimento dessa rica pluralidade de visões. Eu sou Mario Divo e você pode me encontrar pelas mídias sociais ou pelo site www.mariodivo.com.br.

Até nossa próxima postagem! Acesse o meu canal do youtube (@mariodivo.oficial) e conheça alguns dos textos aqui publicados em versão de vídeo.


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Até nossa próxima postagem!

Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br

Confira também: Ileísmo: A Antiga Técnica para Poder Pensar de Forma Mais Sábia


Referências Bibliográficas

GENTNER, Dedre; HOLYOAK, Keith J.; KOKINOV, Boicho N. (org.). The analogical mind: perspectives from cognitive science. Cambridge, MA: MIT Press, 2001.

IONESCU, Theodora. Exploring the nature of cognitive flexibility. New Ideas in Psychology, v. 30, n. 2, 2012.

LEARY, Mark R. et al. Cognitive and interpersonal features of intellectual humility. Personality and Social Psychology Bulletin, v. 43, n. 6, 2017.

ROOT-BERNSTEIN, Robert; ROOT-BERNSTEIN, Michele; GARNIER, Helen. Arts, crafts and sciences: an investigation of the relationship between avocations, scientific creativity and career success. Creativity Research Journal, 2004.

SUEDFELD, Peter; TETLOCK, Philip E.; STREUFERT, Siegfried. Conceptual/integrative complexity. In: SMITH, Craig P. (org.). Motivation and personality: handbook of thematic content analysis. Cambridge: Cambridge University Press, 1992.

Palavras-chave: pensamento polímata, polimatia, flexibilidade cognitiva, humildade intelectual, complexidade integrativa, raciocínio analógico, criatividade interdisciplinar, liderança, gestão moderna, pensamento polímata na gestão moderna, pensamento polímata na liderança, raciocínio analógico na gestão, flexibilidade cognitiva e pensamento crítico, conectar diferentes áreas do conhecimento, criatividade interdisciplinar na gestão
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Resiliência

Faça de cada limão, uma limonada! Resiliência é a capacidade de se resistir flexivelmente às adversidades e dificuldades, utilizando-as para o desenvolvimento pessoal, profissional e social.

“O problema não é o problema.
O problema é sua atitude com relação ao problema.”
(Kelly Young)

Hoje, a tristeza me visitou. Tocou a campainha, subiu as escadas, bateu à porta e entrou. Não ofereci resistência. Houve um tempo em que eu fazia o impossível para evitá-la adentrar os meus domínios. E quando isso acontecia, discutíamos demoradamente. Era uma experiência desgastante. Aprendi que o melhor a fazer é deixá-la seguir seu curso. Agora, sequer dialogamos. Ela entra, senta-se na sala de estar, sirvo-lhe uma bebida qualquer, apresento-lhe a televisão e a esqueço! Quando me dou por conta, o recinto está vazio. Ela partiu, sem arroubos e sem deixar rastros. Cumpriu sua missão sem afetar minha vida.

Hoje, a doença também me visitou. Mas esta tem outros métodos. E outros propósitos. Chegou sem pedir licença, invadindo o ambiente. Instalou-se em minha garganta e foi ter com minhas amígdalas. A prescrição é sempre a mesma: Amoxicilina e Paracetamol. Faço uso destes medicamentos e sinto-me absolutamente prostrado! Acho que é por isso que os chamam de antibióticos. Porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida…

Hoje, problemas do passado também me visitaram. Não vieram pelo telefone porque palavras pronunciadas ativam as emoções apenas no momento e, depois, perdem-se difusas, levadas pela brisa. Vieram pelo correio, impressos em papel e letras de baixa qualidade, anunciando sua perenidade, sua condição de fantasmas eternos até que sejam exorcizados.

Diante deste quadro, não há como deixar de sentir-se apequenado nestes momentos. O mundo ao redor parece conspirar contra o bem, a estabilidade e o equilíbrio que tanto se persegue. O desânimo comparece estampado em ombros arqueados e olhos sem brilho, que pedem para derramar lágrimas de alívio. Então, choro. E o faço porque Maurice Druon ensinou-me, através de seu inocente Tistu, que se você não chora, as lágrimas endurecem no peito e o coração fica duro.

Limão e limonada

As ciências humanas estão sempre tomando emprestado das exatas, termos e conceitos. A última novidade vem da física e atende pelo nome de resiliência. Significa resistência ao choque ou a propriedade pela qual a energia potencial armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo.

Em humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo isso através de um dito popular, é fazer de cada limão, ou seja, de cada contrariedade que a vida nos apresenta, uma limonada saborosa, refrescante e agradável.

Aprendi que pouco adianta brigar com problemas. É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E com rapidez, de maneira certa ou errada. Problemas são como bebês, só crescem se alimentados. Muitos se resolvem por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma inadequada, eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você os anula com correção. A felicidade, pontuou Michael Jansen, não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados.

Aprendi a combater as doenças. As do corpo e as da mente. Percebê-las, identificá-las, respeitá-las e aniquilá-las. Muitas decorrem menos do que nos falta e mais do mau uso que fazemos do que temos. E a velocidade é tudo neste combate. Agir rápido é a palavra de ordem. Melhor do que ser preventivo é ser preditivo.

Aprendi a aceitar a tristeza. Não o ano todo, mas apenas um dia, à luz dos ensinamentos de Victor Hugo. O poeta dizia que “tristeza não tem fim, felicidade, sim”. Porém, discordo. Penso que os dois são finitos. E cíclicos. O segredo é contemplar as pequenas alegrias em vez de aguardar a grande felicidade. Uma alegria destrói cem tristezas…

Modismo ou não, tornei-me resiliente. A palavra em si pode cair no ostracismo, mas terá servido para ilustrar minha atitude cultivada ao longo dos anos diante das dificuldades impostas ou autoimpostas que enfrentei pelo caminho, transformando desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculos em oportunidades, tristeza em alegria.

Nós apreciamos o calor porque já sentimos o frio. Admiramos a luz porque já estivemos no escuro. Contemplamos a saúde porque já fomos enfermos. Podemos, pois, experimentar a felicidade porque já conhecemos a tristeza.

Olhe para o céu, agora! Se é dia, o sol brilha e aquece. Se é noite, a lua ilumina e abraça. E assim será novamente amanhã. E assim é feita a vida.

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O sucesso de uma mulher está em ser mulher!

Seu sucesso na vida pessoal e/ou profissional, sua felicidade, sua prosperidade e bem-estar na vida só depende de uma pessoa. Sabe quem é? Você mesma! Feliz Dia Internacional da Mulher!

Nesta semana que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, gostaria de dizer para todas as Mulheres uma coisa muito importante:

Seu sucesso na vida pessoal e/ou profissional, sua felicidade, sua prosperidade e bem-estar na vida só depende de uma pessoa. Sabe quem é? Você mesma.

E falo mais. Seu sucesso será mais fácil e forte se você Mulher lembrar em ser você mesma. Ou seja, Ser a Mulher que você sempre foi e será.

Esta última afirmação já falei muitas vezes para minhas clientes de Coaching Holístico que buscam Sucesso em algum ponto da vida pessoal e profissional.

Para quem ainda não sabe o que é Coaching, vou explicar agora. Entre muitas definições as que mais eu gosto são:

  • Orientar uma pessoa a fazer a travessia entre um ponto ao outro até alcançar sua meta pessoal e/ou profissional com sucesso;
  • Coaching é uma assessoria e processo que geram motivação pessoal e profissional, e que tem como objetivo potencializar o nível de resultados positivos nas diversas áreas da vida de um cliente para alcançar uma meta ou objetivo com sucesso.

E o que é Coaching Holístico? Coaching Holístico – Processo para Seu Sucesso na Vida e Concretização das suas Metas. O cliente vai se conhecer melhor, olhar para si, sua vida e descobrir seu potencial adormecido. Vai melhorar sua autoestima e ter mais autoconfiança. Tem Dificuldade em vencer? Pelo Coaching Holístico iremos desbloquear o que atrapalha e mudar Padrões Mentais para Vencer.

Este é o ponto chave do inicio do Sucesso de qualquer pessoa: Padrões Mentais. Quem acredita que é um fracasso, que não vai vencer na vida ou que não merece ter sucesso nas metas ou sonhos, tenha certeza que nada vai mesmo ocorrer de bom na vida. O Sucesso vai passar bem longe destas pessoas.

Agora imagine uma mulher que desde pequena é “esmagada” pela família e sociedade a sufocar sua força, a matar sua arte e beleza, para não acreditar em si e nas suas qualidades e habilidades para realizar.

Já atendi moças que acreditam que não merecem um amor porque alguém falou que ela é feia ou amor só faz mal. Como vão amar se não têm uma boa energia sobre o amor? Como amar se sua autoestima foi chutada? Só vai amar se mudar, acreditar que pode e merece amar. E que ela é uma super mulher.

O mesmo ocorre com a realização de outras metas pessoais e profissionais. Se uma pessoa foi condicionada a sempre pensar que é inferior, incapaz ou que não merece ser feliz ou prosperar, com certeza vai sofrer para conseguir. Imagine uma mulher que no geral é mais sufocada.

Ainda bem que tem solução. É um pouco demorado, varia de pessoa para pessoa, mas tem que trabalhar, treinar e movimentar-se para mudar padrões e condicionamento mental e energético.

Mas, é possível e já vi milagres.

Qual é o primeiro passo? Acreditar em Você. Acreditar na pessoa poderosa que há dentro de você.

Acreditar na Mulher que há dentro de você.

Sucesso e Feliz Dia da Mulher!

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Não concretizou uma meta? É preciso agora ter coragem para fazer mudanças drásticas!

Mudança requer determinação. Mudanças drásticas requerem também coragem, pois haverá muita resistência das pessoas que já estão na zona de conforto ou que não aceitam que está tudo errado na vida.

A Copa do Mundo acabou. A seleção alemã com sua organização, futebol bonito e muita técnica, merecidamente, levou o caneco. É tetracampeã.

E a nossa Seleção Canarinho? Que papelão! Desde o início da Copa, nos quatro cantos deste Brasil, todos falavam que era forte candidata a ser hexacampeã. E por que todos acreditavam nisto? Porque jogava em casa, tinha apoio da torcida brasileira, a mídia falava que era a melhor seleção, tinha uma comissão técnica com dois técnicos que venceram Copas Mundiais (Parreira em 1994 e Felipão em 2002) e o clima ajudava.

Mas o que vimos foi um total fiasco e uma humilhante goleada histórica por 7×1 para os alemães na semifinal da Copa.

Enfim, perdemos a Copa e ficamos em quarto lugar após perder para a Holanda na disputa pelo terceiro lugar. E agora? Como diz o poema de Carlos Drummond de Andrade:

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?

(Carlos Drummond de Andrade)

E agora, Seleção Brasileira? Agora é hora de mudanças. E mudanças drásticas e profundas na filosofia e na organização.

A CBF terá que ter coragem de assumir sua culpa no fracasso e incompetência administrativa na condução da Seleção Canarinho na Copa. A CBF e o novo técnico terão que ter coragem de fazer mudanças drásticas na nova Seleção Brasileira daqui para frente. Podem e devem seguir o ótimo exemplo que viveu a seleção alemã no final dos anos 90. Após fiascos seguidos, a Confederação Alemã de Futebol chegou à conclusão de que era hora de mudar tudo. Mudanças drásticas foram implantadas. Bancaram com coragem um técnico permanente nos últimos 10 anos que, com um grupo de jogadores com uma nova cabeça, união e humildade, deram um Show na Copa do Brasil e levaram o Caneco.

Mudança requer determinação. Mudanças drásticas requerem também muita coragem, pois haverá muita resistência das pessoas que já estão na zona de conforto ou que não aceitam que está tudo errado na vida ou no jogo.

Quer ver um exemplo recente? A entrevista da Comissão Técnica da Seleção Canarinho após o vexame de 7×1. Para Felipão e Parreira, nada estava errado na preparação da Seleção Brasileira. O problema foi um apagão geral do time todo que o levou a tomar 4 gols em 6 minutos.

Pois é Felipão, não houve problema algum no seu trabalho. Foi só um apagão que custou um vexame histórico e 200 milhões de brasileiros frustrados.

Como dizem, “o pior cego é o que não quer ver”. Ou “errar é humano, persistir no erro é ser Felipão”, teimoso e arrogante. Não assume os erros e afunda a emoção de milhares de pessoas.

Mas a Copa acabou e a CBF já começou as mudanças. Adeus comissão técnica fracassada. Vida e esperanças novas.

Espero que agora façam mais. Que tenham a coragem de fazer mudanças drásticas em tudo ligado a futebol.

E você? Está com coragem de fazer mudanças drásticas na sua vida pessoal ou profissional?

Ou vai ficar chorando e dando desculpas para que sua vida seja um fracasso ou cheia de frustrações?

Chega de Síndrome de Felipão, né?

Seu lema hoje: “Mudanças já e com coragem para ser feliz”.

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Saia do lugar! Você não é uma árvore…

Quando buscamos algo melhor, criamos a mudança, pois desejamos que coisas melhores ocorram. Mas há também aquela mudança que você não deseja. Tudo estava bem do jeito que estava, por que mudar agora?

Frequentemente as mudanças acontecem na vida da gente. Em algumas vezes, estamos preparados para elas, em outras elas representam uma grande surpresa. Por vezes, desejamos a mudança, vislumbrando uma nova oportunidade em nossa vida. Acontece também de não as desejarmos, pois estamos felizes com as coisas do jeito que estão. Mas as mudanças acontecem, quer queiramos ou não…

Quando buscamos algo melhor, costumo dizer que estamos criando a mudança, pois estamos não só indo atrás dela, como desejamos que coisas melhores ocorram. Nesta hora, dizemos que a mudança é positiva e bem-vinda.

Mas existe também aquela mudança que você não deseja. Tudo estava bem do jeito que estava, por que mudar agora? Nesta hora criamos resistências, não aceitamos a oportunidade que a vida nos dá para novos desafios. Reclamamos e amaldiçoamos pelo que nos acontece.

Pessoas proativas são as que criam as mudanças, vislumbram novas oportunidades, desejam sempre mais, porque sabem que estão em constante crescimento e aprendizado. Pessoas acomodadas se comportam como árvores, não saem dos seus lugares, esperam que tudo ocorra como desejam ou que tudo se mantenha exatamente como está.

Se você se identificou com o segundo tipo, aqui vai uma reflexão: você não é uma árvore… você não nasceu com raízes que lhe impossibilitam de mudar de lugar. Você também pode dizer que não nasceu com asas, que te possibilitariam voar, mas eu diria que você nasceu com algo melhor do que asas: inteligência e criatividade. Faça por merecer a inteligência que tem e saiba reconhecer quando é hora de mudar.

Nosso mundo é dinâmico, nada é estático. Já dizia Heráclito: “Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio”. Claro! O rio não é o mesmo… nós também não somos! Creio que hoje somos melhores que ontem, piores do que amanhã. E assim prossegue o rio da vida, propiciando mudanças para que tenhamos – todos os dias – novas oportunidades, novos olhares, novos aromas, novas experiências. Saia do lugar! Você não é uma árvore…

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Sem Comprometimento não há avanços na vida e nem sucesso!

Qual é o seu grau de comprometimento em realizar algo? Um dos maiores problemas de uma pessoa é a falta de comprometimento. É mais fácil dar desculpas do que tentar cumprir o que se comprometeu.

Responda rápido a minha pergunta:

– De zero a 100% qual é o seu grau de comprometimento em ler este artigo até o final?

Estranha a pergunta? Para quem é Coach ou faz sessões de Coaching esta pergunta é corriqueira. Toda vez que atendo um cliente de Coaching Holístico e definimos uma meta ou tarefa, sempre fecho a sessão com esta pergunta:

– Qual é o seu grau de comprometimento em realizar esta tarefa ou meta?

Em geral o cliente responde 100%. Só que nem sempre isto ocorre. Nem sempre o cliente se compromete 100% em executar a tarefa ou meta.

Um dos maiores problemas de uma pessoa que faz Coaching é a falta de comprometimento. É mais fácil dar desculpas do que tentar cumprir o que se comprometeu.

E falta de comprometimento não é só no Coaching que ocorre. No dia a dia de qualquer empresa os funcionários nunca cumprem o que prometem e se comprometem. É uma total falta de responsabilidade, profissionalismo e até de caráter da pessoa.

Sua atitude vai prejudicar a empresa, seus colegas de trabalho e a si mesmo. Aí perde o emprego e reclama.

E o que falar de pessoas no nosso dia a dia que prometem algo para alguém ou para si mesmo e não cumprem. Cadê o comprometimento, gente?

Falta de comprometimento na via profissional e pessoal é um péssimo hábito. Quem não tem comprometimento leva a “vida na flauta” ou “seja o que Deus quiser”.

O cliente senta na minha frente na sessão de Coaching, fala que quer ter sucesso na vida, jura 100% de comprometimento e falta na sessão seguinte dizendo que tem outro compromisso importante.

Compromisso importante? E os 100% de comprometimento que ele “juramentou” com ele próprio em alcançar sucesso? Não é mais importante?

Parece que não. Estas pessoas que não cumprem o que falam, acham que estão enganando seu Coach, seu chefe ou sua própria vida.

Na verdade esta pessoa que não cumpre nem 1% do que se compromete, está enganado a si próprio. Está perdendo seu tempo e não o meu.

Você que não cumpre o que promete ou se compromete, fica aqui um recado para refletir:

Não cumpre o que promete, não avança, não vence e não conquista.

Para ajudar, significado de Comprometimento:

“Esta é uma atitude que poderíamos definir como algo de cunho moral, afinal, literalmente, remete ao cumprimento de um tratado, um pacto firmado.

Significa “honrar a palavra empenhada”. O comprometimento está vinculado ao clima organizacional, à cultura e aos valores da empresa. As pessoas estão dispostas a lutar por aquilo em que acreditam, seja no plano profissional ou pessoal. E lutam pela verdade!

Há uma relação íntima entre esta competência e a capacidade de estabelecer e cumprir metas. E esta relação está presente na própria palavra.

É por ai. Boa semana!

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O Poder do Bom Dia e Obrigado

Você já parou para pensar a força que estas duas palavras possuem? Bom Dia e Obrigado. Quem não gostaria de ouvir este simples gesto ou num momento que está desmotivado um obrigado por um trabalho realizado?

Você já parou para pensar a força que estas duas palavras possuem? Bom Dia e Obrigado.

Palavras simples, óbvias, porém em muitos momentos esquecidas pelo corre-corre da falta de tempo, pelo mau humor que nos atinge, pelo status que faz acreditar que não se faz necessário ou pelo simples hábito de não se utilizar no vocabulário.

Certa vez ouvi em um treinamento de liderança: como você gostaria de ser liderado? E para minha surpresa: com um bom dia e um muito obrigado. E comecei a pensar.

Será que somente na gestão gostaríamos de ouvir estas palavras?

Quem não gostaria de ouvir pela manhã este simples gesto ou num momento que está desmotivado um obrigado por um trabalho realizado?

A palavra bom dia abre portas, pode ser o início de uma conversa difícil; quebrar o gelo num momento de nervoso, despertar o sorriso nos mais contagiantes, demonstrar respeito ao próximo e principalmente celebrar a oportunidade de um novo dia, cheio de desafios, atividades a serem desenvolvidas, pessoas a conhecer, negociações a vencer. Oferece uma palavra positiva para você e para quem ouve, transmitindo pensamentos positivos.

Pode parecer longe demais, mas e se nós realmente ao dizermos esta simples palavra, buscássemos ter o nosso Bom dia?

Onde você conhecendo seus valores, desejos e objetivos gera uma atitude consciente para que consiga o resultado esperado. Que possa vencer o medo, a desmotivação, a baixa estima e quebrar barreiras, obstáculos na comunicação, relacionamentos e descubra caminhos efetivos de atingir o sucesso e por que não a felicidade tão sonhada?

Pense nisso e se permita a realmente ter um bom dia.

A palavra obrigado tem significados interessantes segundo o dicionário: ser obrigado a fazer, obrigar por lei, ser grato, reagir a algo correspondido.

Palavra igualmente simples, mas difícil de ser dita por aqueles que justamente se sentem na obrigação de fazê-lo, mas nobre e cheia de ternura, gratidão e reconhecimento por quem diz e recebe.

Um feedback por algo, dar-lhe a vez, agradecer um trabalho, um presente, uma parceria ou um simples objeto que foi entregue, uma porta aberta. O poder do obrigado nos renova as energias, aumenta a motivação, estima, trabalho em equipe e comprometimento.

O obrigado é um gesto de reconhecimento, retorno positivo que se está no caminho certo, de um trabalho bem feito, de um apoio sincero, de uma ajuda para alguém que precisa carregar sua mala, segurar o elevador ou passar simplesmente o sal.

Reforça comportamentos; gera sinergia e cumplicidade.

Que possamos falar obrigada sem a obrigação social, mas dar ao outro o direito de gentileza e valor por um gesto, atitude ou trabalho.

Bom dia e obrigado. Que possam ser um oxigênio. Não tem o hábito? Dê o primeiro passo. Diga para você mesmo, pois este é o maior sentido para despertar para o outro.

Diga a você mesmo o quanto acredita em si e é capaz de buscar seus sonhos e metas; o quanto é grato por sua vida, carreira, família.

Que estas palavras não sejam apenas etiquetas profissionais mas façam parte de seu cotidiano para que ao despertar de um novo dia você tenha bons momentos e possa ser grato pelas conquistas feitas por você e pelos outros.

Pense nisso.

Te desejo um bom dia e obrigada.

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Procrastinando? Então continue!

Sabe aquilo que você já sabe que tem que fazer e não faz? É uma decisão que não toma, um trabalho que não termina, um projeto que não entrega, uma conversa que nunca rola por que você não toma a iniciativa.

É aquela coisa que você já sabe que tem que fazer e não faz. É uma decisão que não toma, um trabalho que não termina, um projeto que não entrega, uma conversa que não rola nunca por que você não toma a iniciativa.

Aí você procura por ajuda, porque sabe que tem alguma coisa errada com isso. Sabe que não é o seu normal, mesmo que nem consiga ver isso com clareza. Você provavelmente dá um Google, pega um livro, conversa com alguém ou mesmo tira um tarô para ver o que dizem e invariavelmente você recebe o mesmo veredicto: “pare de procrastinar para ter sucesso, para conseguir o que você quer. Assuma as rédeas da sua vida, você tem condições, basta querer.”

E aí é que podemos perder uma chance de ouro, a de nos conhecermos melhor e efetivamente dar o salto [quântico] rumo a nós mesmos. Explico: quando vejo, na prática do Coaching, que as pessoas estão procrastinando, eu não falo para elas “superarem” esse problema. Ao contrário, eu sugiro que a gente acolha, pare e olhe para isso que está acontecendo. Vamos entender o que essa lentidão momentânea e consciente tem a dizer, que notícias ela traz desse momento da vida daquela pessoa.

Geralmente a procrastinação é um sintoma. É a ponta do iceberg. Ele traz muitas coisas consigo, que vão além da superfície. O que eu mais vejo na minha prática profissional tem a ver com medo, autossabotagem, insegurança, baixa autoestima, angústia, bloqueio criativo, falta de sentido ou de tesão, incapacidade de assumir o que se quer, entre outras coisas. Cada um desses tópicos merece um texto, ou melhor, um livro em si, então não vamos nos aprofundar agora, certo?

O que eu quero é sugerir que você pare e reflita a respeito do que faz você procrastinar. E busque entender o que esse sintoma está querendo te dizer. Essa é uma maneira muito potente de ir mais fundo e se ouvir, buscar sua verdade e aceitá-la. Acolher o seu momento é a melhor forma de sair dele, como já falei no texto sobre o limbo.

Proponho uma atividade para lhe ajudar nessa reflexão.

Separe um tempo para você, de preferência sozinho e sem interrupções, de aproximadamente 30 a 50 minutos. Procure estar num lugar confortável e, se possível, feche os olhos, respirando profundamente umas 3 vezes ou até conseguir deixar os pensamentos mais quietos, as preocupações de lado…

Então, com o auxílio de papel e caneta ou outro meio que você escolher, comece a atividade:

1º passo: Responda em quais situações específicas da minha vida estou procrastinando agora?

Escreva de maneira sucinta e precisa, como por exemplo: não terminei o projeto X. Não comecei a fazer ginástica. Estou usando muito tempo para fazer tarefa Y. Não estou conseguindo terminar tal coisa. Estou adiando a conversa com fulano.

2º passo: Depois olhe para essas situações que você escreveu e as leia com compaixão. Procure simplesmente aceitá-las, contemplá-las, sem julgá-las. Sei que é difícil não julgar, mas ao menos tente.

Ao observar essas situações, procure apenas abrir espaço para que elas mesmas te digam coisas.

3º passo: Se for o caso, pergunte-se: o que essa situação quer me dizer? O que há aqui, além da superfície? O que eu estou deixando de fazer de verdade? O que está por trás dessa procrastinação que eu não estou querendo ou podendo ver?

4º passo: Veja quais fichas caem, se caem, o que surge. Aceite o que veio, agradeça e só. Guarde tudo e retome sua vida. Se for dormir, boa noite. Se for voltar ao trabalho, bom trabalho. NÃO mexa mais no exercício.

5º passo: Após alguns dias (de 3 a 5 dias), volte ao que você anotou. Novamente observe as situações de procrastinação. Veja se algumas delas você já pode mexer e realizar. Anote as ações que têm que ser feitas.

6º passo: Faça.

Como sempre, quero saber o que surgiu para você, ao ler esse texto. Caíram fichas? Nada rolou? Tá valendo. Compartilhe aqui.

E você já sabe. Qualquer coisa, estou por aqui.

Com amor e com alma,

Karinna

PS: Se você acha que este artigo pode beneficiar alguém, por favor, encaminhe agora para essa pessoa.

PS2: Eu, claro, adoraria que você espalhasse meu artigo por aí, nas suas redes. Assim mais gente curte e compartilha com quem precisa.

Obrigada!

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Você sabe o que é Inteligência Espiritual?

A maior parte das pessoas já ouviu falar sobre a Inteligência Emocional. E sobre Inteligência Espiritual? Será que a Inteligência Emocional se confunde com a Inteligência Espiritual? O que você pensa a respeito?

Eu tenho a mais absoluta certeza de que a grande parte dos leitores já ouviu falar sobre a Inteligência Emocional. Aliás, provavelmente, haverá até especialistas e professores na disciplina cuja fundamentação teórica nos remete a Charles Darwin. O que a maioria também sabe está no fato de que a popularização do assunto surgiu quando, há vinte anos, Daniel Goleman publicou um best-seller a respeito. Mas será que a inteligência emocional se confunde com a Inteligência Espiritual? E você, o que pensa a respeito?

Para começo de conversa, deve-se lembrar que o conceito de “inteligência” é algo sobre o que não há unanimidade. A depender da corrente de estudos, esse conceito (que na linguagem dos estudiosos chama-se constructo) terá diferentes interpretações e o pesquisador deve indicar qual a ênfase e abordagem mais adequada ao seu objetivo de momento. Neste nosso caso, vamos nos vincular ao conceito etimológico de que a “inteligência” é a capacidade de identificar as opções, processá-las e decidir por aquela mais conveniente em um dado problema ou situação.  Agora, vou tirar o foco da mera conceituação de “inteligência” para tratar do tema ampliado: Inteligência Espiritual.

O estudo da importância da espiritualidade tem crescido bastante, a ponto de haver profissionais da área de saúde que indicam haver alta relação entre a prática espiritual com a saúde mental das pessoas. E aqui surge a necessidade de se fazer outra distinção, pois espiritualidade não é o mesmo que religiosidade. Esta última diz respeito à prática da relação da pessoa com Deus, em que há um sistema de rituais ou simbolismos presentes. A espiritualidade, porém, volta-se à dimensão pessoal que diz respeito à própria existência, uma relação com a consciência sem que haja necessariamente rituais ou símbolos. Ou seja, a espiritualidade diz respeito a atitudes, sentimentos e pensamentos superiores que levam ao crescimento (amadurecimento) do ser humano. A prática da religião pode apoiar a espiritualidade, mas esta vai além.

Voltando ao tema central, vamos nos basear nos estudos e propostas da física e filósofa americana Danah Zohar, ligada a importantes centros de pensamento, nos EUA e Europa. Tendo como linha de pesquisa a física quântica, sobre Inteligência Espiritual ela relata ser algo essencial para promover a cooperação entre as pessoas, tanto na família como em sociedade. Indo além, ela entende que é a Inteligência Espiritual que ajudará as pessoas a alcançarem soluções positivas para o planeta, além de criar um melhor encontro individual nessa caminhada, ao descobrir melhor a si mesmo e aos seus valores. O alto quociente espiritual faz a pessoa ter a vida mais criativa, promissora e com sentido, com identificação do propósito pessoal.

Em seu livro Inteligência Espiritual (Editora: Viva Livros; 2012), escrito com Ian Marshall, Danah comenta que a inteligência emocional faz a pessoa ter capacidade de julgar em que situação se encontra e como deve se comportar, adequadamente, nos limites dessa situação. A Inteligência Espiritual estimula a pessoa a se perguntar se ela deseja estar nessa situação em particular e como é a melhor forma de trabalhar com os limites da situação. Em seu livro ela comenta de dez atributos típicos que mostram quando a pessoa tem um elevado quociente de Inteligência Espiritual.

As características comuns de quem tem alta Inteligência Espiritual são assim resumidas: (1) Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo; (2) São idealistas e levadas por valores pessoais; (3) Têm capacidade de encarar e se apropriar positivamente da adversidade; (4) São holísticas, no sentido de que conseguem ter visão abrangente sobre cada situação (analisam as partes e entendem o todo); (5) Respeitam a diversidade (em todas as nuances de diferenças entre pessoas, sem preconceitos); (6) Preservam sua independência e arbítrio; (7) Perguntam sempre “por quê?”, como forma de se questionarem quanto aos próprios dogmas e crenças limitantes; (8) Têm capacidade de colocar as situações e os fatos em um contexto ampliado; (9) São espontâneas e verdadeiras, e; (10) Têm compaixão, conseguindo se colocar no lugar das pessoas que estão com dores ou problemas, viabilizando ajudá-las.

E então, como está o seu grau de Inteligência Espiritual? Agora, fica o convite à sua reflexão e … Boa sorte!

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