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A terceira (ou a quarta?) geração do Coaching!

Coaches, preparem-se bem para não enfrentarem a obsolescência. Conheça a competência do Coaching 4.0.

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Os leitores que me acompanham, há tempos, sabem que gosto de pesquisar e de trabalhar na fronteira do conhecimento em Coaching, Mentoria e Aconselhamento. Foi daí que, há cerca de um ano, decidi explorar os conceitos, impactos e projeções futuras que hoje existem sobre o chamado mundo VUCA (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo), trazendo para este espaço parte daquilo que julgo relevante e interessante de ser divulgado. Hoje, farei uma reflexão (ou seria especulação?!) a partir de publicações de Reinhard Stelter, pesquisador da Universidade de Copenhagen-Dinamarca.

Reinhard escreveu um livro com o título “Um guia para a terceira geração do Coaching”. Derivando do livro, avançou com o tema publicando o artigo de título (versão livre) “A terceira geração de Coaching – na busca de diálogos orientados por colaboração e valores” na International Coaching Psychology Review (Vol. 9 No. 1 March 2014). Antes de continuar com esta postagem, devo afirmar que, nessa época, ele já antecipou o que hoje se pode chamar de Coaching 4.0, baseado no mundo VUCA e na imensa inserção tecnológica com a qual convivemos na vida profissional e pessoal.

Por curiosidade, vamos conhecer como ele estruturou esse conceito a partir dos capítulos do livro:

No primeiro capítulo do livro, Reinhard trabalha com as origens e o desenvolvimento do Coaching, querendo assim fornecer uma base que tenha a evidência teórica necessária à sua prática. Para isso, desenvolveu alguns temas afins a essa visão histórica para, a seguir, apresentar o conceito do Coaching de terceira geração em uma perspectiva social, tanto para as organizações como na sociedade, em geral. No segundo capítulo, o autor comenta ideias gerais sobre o Coaching como forma de diálogo especial, dando foco para as qualidades relacionais e cocriativas como sendo os principais ingredientes do diálogo. A parte principal do capítulo vem associada às várias linhas de abordagem que podem ser empregadas no que ele chamou de “Coaching de terceira geração”.

No terceiro capítulo, Reinhard desenvolveu os elementos centrais do Coaching de terceira geração. Comentou quanto ao formato correspondente às principais mudanças e desafios relacionados ao desenvolvimento e ao aprendizado que estamos enfrentando como sociedade hipercomplexa. Considera a intervenção tanto em perspectiva existencial-experiencial quanto como perspectiva relacional, pela qual o coach é apresentado como pessoa autorreflexiva e ouvinte generosa. O quarto capítulo listou estudos de caso para comprovar o efeito potencial positivo do Coaching de terceira geração ao ser uma prática colaborativa, combinando diferentes abordagens de pesquisa e estudo e, portanto, diferentes tipos de efeitos. No quinto capítulo, Reinhard estabeleceu que, para o desenvolvimento do profissional de Coaching, é crucial haver contato próximo e integrado entre pesquisa e prática (minha nota – base de todo meu trabalho aqui no blog Cloud Coaching).

O sexto capítulo oferece um exemplo adicional de pesquisa-prática, com quatro estudos de caso, a partir das narrativas de profissionais experientes na prática, e que agregam extensa formação e de pesquisa. Na conclusão do livro, Reinhard convida o leitor a entender o Coaching de terceira geração de forma ampliada, explorando bastante a capacidade mútua do diálogo, algo em linha com a reflexão, compartilhamento e a aplicação do que se fala (e ouve) na perspectiva da própria vida.

Para Reinhard, resumidamente, o Coaching de terceira geração revela um novo universo para o âmbito da pesquisa social atual, com novas teorias e discursos sobre liderança, pois aborda toda ação em perspectiva social ampliada, ou seja, explora profundamente o diálogo considerando as diferentes nuances de uma sociedade hipercomplexa e ambígua. Hoje, o conhecimento precisa ser moldado e aplicado em contextos e situações específicas, pois tanto em nossas vidas pessoais quanto em outras situações do cotidiano, temos que aprender a negociar. O Coaching pode nos ajudar a gerar novos conhecimentos e a gerenciar essa transformação social, nossa e dos outros, facilitando assim reflexões e perspectivas, bem como empoderamento e apoio na autoformação.

O coaching de terceira geração enfoca o coach e o coachee colaborando na narrativa. Ele difere bastante do Coaching de primeira geração, em que o foco está em ajudar o coachee a atingir um objetivo específico, bem como do Coaching de segunda geração, pelo qual o coach assume que o coachee sabe reconhecer implicitamente os melhores caminhos de solução para desafios particulares. O Coaching de terceira geração tem a agenda menos orientada para os objetivos, e muda o foco para ser mais profundo e sustentável em valores e identidade com o trabalho. O coach e o coachee criam a narrativa juntos, pois geram o significado do diálogo, onde ambas as partes estão em uma jornada e onde as novas histórias gradualmente tomam forma conjunta.

Continuando, o Coaching de terceira geração integra a dimensão experiencial com o relacional e o discursivo. Reinhard não esconde a ambição de ver a expressão “Coaching de terceira geração” como uma espécie de manifesto – não pelo sentido normativo, mas como um convite para reconsiderar o objetivo principal do Coaching na sociedade atual. A isso que Reinhard defende eu acrescento: ele já previa criar um novo escopo para o Coaching, vendo a transformação VUCA do mundo, mas ainda sem utilizar esta expressão. E para essa nova projeção das atividades de Coaching, Reinhard fez considerações importantes, principalmente na expansão de sua aplicação.

Os desenvolvimentos sociais descritos por Reinhard remetem à seguinte pergunta-chave: Como o coach (ou um líder inspirado pelo Coaching) pode ajudar melhor o coachee (ou cliente) a transitar por este mundo? Em resposta, o autor sugere que uma das principais competências do Coaching é fortalecer a capacidade de coachee para a autorreflexão, aprendendo assim a enfrentar e abraçar a hipercomplexidade à sua volta. Além disso, a focalização no significado pessoal e social – um processo que inclui vários contextos de vida do coachee – servirá para expandir seus horizontes.

E completando as premissas de Reinhard, no Coaching de terceira geração haverá uma perspectiva colaborativa que pode moldar o diálogo coach-coachee em torno dos propósitos de: (1) fortalecer um senso de coerência na autoidentidade do coachee (cliente); (2) integrar passado, presente e futuro em um todo bem coerente. O Coaching de terceira geração promoverá sempre o foco em valor, com oportunidades para a construção de significado e do exercício de uma narrativa colaborativa.

Quero finalizar esta postagem fazendo uma especulação. Hoje ainda encontramos cursos de formação em Coaching afirmando que o sucesso da ação será mostrado pelo alcance dos objetivos iniciais do cliente (o que Reinhard chamou de Coaching de primeira geração). Ou, flexibilizando um pouco, o coach assume postura menos rígida em torno de objetivos iniciais e permite que o coachee reavalie os caminhos e buscas (o que Reinhard chamou de Coaching de segunda geração). Porém, são bem poucos os cursos que trabalham com visão holística, gerando ou oferecendo metodologia que, para além do Coaching de terceira geração, alinhe as pessoas com as diferentes dimensões da Natureza, seja ela humana ou não, e das tecnologias que nos cercam e criam dependências.

Como bem explica o amigo Marcos Wunderlich em seus cursos de formação, neste mundo atual é necessário que o coach esteja capacitado a servir e ajudar as pessoas, sempre com uma postura prestadia. Com isso, contribuirá para que as pessoas criem a cosmovisão, ou seja, o entendimento integrado e coerente sobre si mesmo, bem como a sua integração com as organizações sociais e econômicas. Cosmovisão que dará sentido à vida, individual ou coletivamente, alinhando crenças e filosofias em relação ao contexto em que vive. De minha parte, chamo essa competência de Coaching 4.0, com aviso aos coaches: preparem-se bem para não enfrentarem a obsolescência.

Mario Divo Author
Mario Divo tem extensa experiência profissional, tendo chegado a quase meio século de atividade ininterrupta, em 2020. É PhD e MSc pela Fundação Getulio Vargas, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem formação como Master Coach, Mentor e Adviser pela Sociedade Brasileira de Coaching e pelo Instituto Holos. Consultor credenciado para aplicação do diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool), Professor e Palestrante. CEO e Coordenador Executivo das plataformas de negócios MENTALFUT® e Dimensões de Sucesso®, acumulando com o comando da sua empresa MDM Assessoria em Negócios. Foi Diretor Executivo do Automóvel Clube Brasileiro e Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras. Liderou a Comunicação Institucional e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Foi Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e, também, Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior em 126 países e territórios, voltada ao desenvolvimento das potencialidades das jovens lideranças em todo o mundo.
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