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A saúde mental no ambiente de trabalho!

Embora continue tendo impacto na produtividade e no bem-estar econômico, há boas oportunidades para se atuar na sua conscientização, análise e tratamento

Amigos leitores, tempos atrás me criticaram por eu tratar de um tema complexo como a “Saúde Mental”, sem que eu tenha a devida formação médica para isso. Naquela oportunidade, assim como farei hoje, eu apenas fiz postagem resumindo as principais conclusões que estão cada vez mais em evidência no mundo, trazendo preocupação de todo tipo para o ambiente corporativo e para o contexto social. Desta vez, vou me basear em artigo publicado pela área de Inteligência Estratégica do World Economic Forum, em outubro último.

Segundo o Fórum Econômico Mundial e a Harvard School of Public Health, o custo global das condições de saúde mental (e as consequências afins) está projetado para sofrer um aumento incrível, saindo de US$ 2,5 trilhões, em 2010, para perto de US$ 6 trilhões, em 2030. Isso tornará o custo do tratamento de problemas da saúde mental superior ao custo do tratamento de câncer, diabetes e doenças respiratórias.

Embora as questões relacionadas à saúde mental continuem tendo sério impacto na produtividade e no bem-estar econômico, felizmente há boas oportunidades para se atuar na sua conscientização, análise e tratamento.

Os estudos apontaram para oito tendências específicas que são de estratégica importância no assunto:

Saúde mental e aprendizagem automatizada

Os avanços em tecnologia têm ajudado os cientistas a gerar forma de prever e monitorar episódios associados ao problema;

Saúde mental e genômica

Os estudos de genoma e as avançadas formas de utilização de equipamentos de imagem podem facilitar a identificação de causas para a doença;

Ciência aberta

Aqui há um claro conflito com aspectos éticos, mas a possibilidade de compartilhar dados e problemas dos pacientes pode trazer avanços para identificar causas e tratamentos;

Destigmatizar (desestimular) preconceitos

A população, em geral, precisa estar mais aberta para reconhecer a saúde mental como um problema sério, porém tratável;

Escondendo problemas de saúde mental

Está havendo uma tendência crescente à associação de fator de risco com a não-comunicação de um problema de saúde mental;

Saúde mental no trabalho

As pessoas mais susceptíveis a terem problemas de saúde mental, provavelmente, serão aquelas que mais terão impactos no ambiente de trabalho.

Monitoramento contínuo

A falta de uma ação coordenada para o monitoramento contínuo, se não revertida, deverá gerar um impacto negativo para o tratamento da saúde mental, e;

A consumerização atual

A utilização maciça de dispositivos digitais pelas pessoas deverá facilitar o acesso a informações sobre sintomas, causas e tratamento de problemas.

Os autores do estudo publicaram um diagrama em que apresentam essas oito tendências e suas correlações mais destacadas. Por exemplo, tendo-se por referência a “saúde mental no trabalho”, temos o mapa a seguir:

No Reino Unido, em 2014, quase 20% da população em idade ativa apresentava um problema de saúde mental, havendo mais de 40% dos pedidos de subsídio de doenças citando a presença de distúrbio mental ou comportamental como condição.

No entanto, relatório recente publicado em 2018, identificou uma série de potenciais intervenções de bem-estar relacionadas à saúde mental no local de trabalho, com base em padrões desenvolvidos pela inovação e pela intervenção em políticas sociais.

Por exemplo, o BeMindful (www.bemindfulonline.com – em inglês), curso on-line de quatro semanas que envolve sessões de áudio e vídeo com meditação, tem o objetivo de reduzir o estresse, a depressão e a ansiedade. Ele foi implementado por 17 organizações, para cerca de 11 mil pessoas, tendo efeitos benéficos estatisticamente significativos.

Em geral, no entanto, permanecem insuficientes as ferramentas e as práticas em vigor para a saúde mental ocupacional, bem como o grau de acesso para apoio à saúde mental no local de trabalho.

Em 2017, como contraponto a esse quadro, o Conselho da Agenda Global do Fórum Econômico Mundial em Saúde Mental publicou um conjunto de etapas para as empresas promoverem um ambiente de trabalho mais saudável. Esse modelo, entre outras coisas, inclui explorar maneiras de modificar as práticas existentes, aproveitando estudos de caso de outras empresas.

Conversar a respeito e sem preconceito com os colegas, construir parcerias internas e externas necessárias para fornecer material educativo e treinamento, e estimular uma cultura em que as pessoas não hesitem em pedir ajuda quando precisarem (sabendo para onde direcionar suas perguntas), esse é um recado claro dado para as empresas e seus dirigentes.

Deixo aqui um alerta aos coaches e mentores: quando identificarem qualquer possibilidade, junto a um cliente ou uma empresa, tente estimular o engajamento mesmo que seja em uma ação simples, baseada nas tendências aqui citadas, e que não necessariamente exigem formação médica para avançar.

O importante é lembrar que o mundo do trabalho está mudando rapidamente, sendo que uma constante na agenda global é criar empregos e políticas destinadas a garantir maior proteção aos trabalhadores e empregadores.

Essa dinâmica reforça a importância do papel dos gestores e líderes pois, na medida em que assumem desafios profissionais crescentes, eles precisam aplicar esforços para preencher lacunas em questões sociais e, como aqui foi bem enfatizado, devem ter atenção para com as oportunidades de gerar bem-estar no trabalho, evitando crises associadas à saúde mental dos colaboradores. Vamos pensar nisso?

Mario Divo Author
Mario Divo tem incrível experiência profissional, tendo chegado a meio século de atividade ininterrupta, em 2019. É PhD e MSc pela Fundação Getulio Vargas, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem formação como Master Coach, Mentor e Adviser pela Sociedade Brasileira de Coaching e pelo Instituto Holos. Consultor credenciado para aplicação do diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool), Professor e Palestrante. CEO e Coordenador Executivo da plataforma Dimensões de Sucesso, acumulando com o comando da MDM Assessoria em Negócios. Foi Diretor Executivo do Automóvel Clube Brasileiro e Clube Correspondente da FIA – Federação Internacional do Automóvel, no Brasil. Foi titular do Planejamento de Comunicação Social da Presidência da República (1997-1998) e, anteriormente, comandou a Comunicação Institucional da Petrobras. Liderou a Comunicação Institucional e a Área de Novos Negócios da Petrobras Internacional. Foi Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e, também, Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior em 126 países e territórios, voltada ao desenvolvimento das potencialidades das jovens lideranças em todo o mundo.
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