A nossa capacidade de ser feliz

Hoje em dia nos deparamos com a necessidade de mostrar que somos felizes e atendemos às expectativas sociais, registramos nas redes nossas selfies com largos sorrisos à espera de cliques e likes. Será isso mesmo?

Nos dias de hoje nos deparamos com a necessidade de mostrar que somos felizes e, para isso, atendemos às expectativas sociais, registramos nas redes os momentos, com as nossas selfies, acompanhados ou sozinhos, mas com largos sorrisos.

O número de cliques ou likes, mostram o quanto os outros gostam de nós, o quanto se preocupam com a nossa pessoa. Será isso mesmo?

A verdade é que as redes vieram para criar um novo circuito de emoções em nossas vidas, sejam elas positivas de aceitação, negativas de críticas, ou movimentar os negócios e até mesmo derrubá-los. É um contexto sistêmico que nos conecta com tudo e todos.

Antes mesmo das redes ocuparem esse espaço em nossas vidas surgiu o Prozac em 1988, que com seu efeito químico, tornou milhares de pessoas felizes.

Dizem que outra fonte para ser feliz é ter dinheiro, sugere que se pode comprar a felicidade, mas aquela condicionada que é efêmera, ou seja, tem um efeito correlativo, mas não causativo, pois passa. “Quando eu tiver… serei feliz” “Agora que tenho ainda existe um vazio”

Mas de onde vem a verdadeira felicidade? Essa é uma pergunta que reverbera e muitos cientistas se debruçam sobre estudos que já nos permitem dizer que a verdadeira felicidade vem do nosso cérebro, que é a fonte diária onde se processam as nossas emoções.

Nós seres humanos, somos uma mistura genética, biológica, química e de emoções. Emoções estas percebidas a partir dos nossos sentidos que são registradas em nosso cérebro.

A ciência moderna reconhece que o cérebro é a fonte mais importante nas sensações prazerosas e pode ser programado pelos estímulos sensoriais, como controle motor e de emoções.

O ser humano nasce pronto para de desenvolver, o que se faz em etapas, o cérebro vai adquirindo mais funções através dos processos neuroquímicos e da aprendizagem.

O bebê cresce observando e repetindo as atitudes dos adultos à sua volta.

Veja o exemplo da alfabetização, não é natural, nós só aprendemos a ler e escrever através da exposição e do treino, em qualquer idioma ou idade (ao redor do mundo, muitas pessoas só são alfabetizadas na idade adulta).

Os neurocientistas através de estudos de neuroplasticidade do cérebro acreditam que:

  • Ao longo da vida podemos reativar circuitos há muito tempo adormecidos, como por exemplo andar de bicicleta, mesmo depois de deixarmos a atividade por um período;
  • Criar novos percursos e criar novas sinapses, para maximizar novas habilidades quando precisamos aprender algo novo;
  • Pode religar novos circuitos quando existem danos, antes regiões usadas para um propósito podem ser redirecionadas para outros, como no caso de vítimas de derrames por exemplo, que precisam reaprender a falar ou andar;
  • Pode tranquilizar circuitos e conexões anômalas, algumas partes que exercem controle sobre outras para acalmá-las, no caso de transtornos de humor por exemplo.

O fato é que o nosso cérebro vem sendo cada vez mais desvendado pela ciência, e o que se percebe é que somos seres imperfeitos, mas que temos todas a possibilidade de exercitarmos nosso cérebro para funções cada vez mais importantes para uma vida mais feliz.

O treino do nosso cérebro, pode ocorrer em vários momentos da nossa vida, com a celebração das metas e objetivos alcançados, com o sentimento de gratidão, com a generosidade e até mesmo tomar consciência de pensamentos negativos interrompendo-os e buscando outros positivos, ou sensorialmente mais agradáveis.

A prática da meditação plena é uma ferramenta importante, muitos são os efeitos positivos que trazem para o nosso cérebro e organismo como um todo.

Este tema é muito complexo, mas o fato é que os estudos apontam que podemos ser mais felizes se soubermos lidar com as adversidades da vida e, principalmente, se destinarmos um tempo para lidar com as emoções que chegam ao nosso cérebro.

A citação do poeta romano Juvenal, derivada da Sátira X, em latim traz esta expressão “mens sana in corpore sano” ou “mente são em um corpo são”, podemos criar e recriar o nosso céu ou o nosso inferno para nossa saúde e felicidade.

Desta forma, utilize os recursos que seu cérebro dispõe para ser mais feliz, e atinja seu propósito de vida, desenvolvendo mais e melhor suas habilidades e capacidades.

Natalia Marques Antunes
Psicóloga, Coach e Palestrante

Natalia Marques é Psicóloga Clínica, Coach e Palestrante. Formada em Psicologia pela FMU (1981) e em Coaching/ Mentoring Life & Self-Instituto Holos, possui pós-graduação em Recursos Humanos pela FECAP. Tem curso de Meditação Chan do Templo Zu Lai em Cotia. Como Psicóloga Clínica realiza atendimento Psicoterápico de base Psicanalítica, trabalha os sintomas de Estresse, Ansiedade, Depressão, Fobias, Síndrome do Pânico, Síndrome de Burnout, Conflitos Pessoais e Profissionais. É Coach de Desenvolvimento Pessoal, ajuda pessoas a atingirem seus objetivos e metas pessoais e profissionais, para se tornarem mais felizes. Especialista em Saúde Organizacional e Ocupacional, atua ainda como palestrante em temas de saúde, resiliência, trabalho, carreira e pós carreira. Associada da ABRH, ISMA Brasil e SOBRARE. É coautora no livro “Planejamento Estratégico para a Vida”, onde trata o tema da “Resiliência”.
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