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Os Mitos e as Verdades da Inclusão de Pessoas com Deficiência (parte I) – Dificuldade para encontrar pessoas com deficiência

Quando o tema sobre inclusão de pessoas com deficiência vem à tona, algumas questões são frequentemente levantadas pelas empresas para justificar as dificuldades para cumprir a Lei de Cotas.

Quando o tema sobre inclusão de pessoas com deficiência vem à tona, algumas questões são frequentemente levantadas pelas empresas para justificar as dificuldades para cumprir a Lei de Cotas. As principais que tenho ouvido são:

  • Dificuldade para encontrar pessoas com deficiência;
  • A alta rotatividade;
  • Baixa qualificação;
  • Menor produtividade e resultados em comparação a uma pessoa sem deficiência;
  • Falta e custo da acessibilidade nas instalações.

Este artigo será apresentado em 5 partes e pretende gerar reflexão se estes pontos são mitos ou verdades. Para começar vamos refletir sobre o ponto número 1, ou seja, a dificuldade para encontrar pessoas com deficiência no mercado.

Segundo o IBGE, o Censo de 2010 demonstrou que o Brasil tem uma população de 190 milhões de habitantes e destes 23,9% (45 milhões) com alguma deficiência, 60% em idade economicamente ativa, ou seja, teoricamente 27 milhões de pessoas com deficiência em condições de trabalho.

De acordo com pesquisa da UNICAMP, 6 milhões de pessoas têm perfil para compor a Lei de Cotas que, se cumprida integralmente, empregaria 1 milhão de pessoas com deficiência, porém, o Brasil cumpre apenas 27% da cota, ou seja, temos 5 milhões e 700 mil pessoas com deficiência disponíveis para uma recolocação dentro dos quesitos da Lei de Cotas. Além disso, anualmente, 10 mil pessoas adquirem alguma deficiência.

Então porque é tão difícil encontrá-las? A questão não é onde encontrá-las, mas quem as empresas buscam e as estratégias que utilizam para recrutar pessoas com deficiência que prejudicam o processo.

Em boa parte das organizações a prioridade é contratar pessoas com deficiência de menor severidade restringindo o recrutamento a um pequeno grupo.

Aliado a este perfil acumula-se a preferência por pessoas entre 18 e 40 anos da mesma forma que ocorre com as pessoas sem deficiência. Fato comprovado também pelos dados do IBGE ao analisarmos a tabela de “pessoas com deficiência entre 15 e 64 anos, sem ocupação, e por grupos de idade” onde a maior incidência de pessoas sem ocupação está entre 40 e 64 anos.

Outro erro é a divulgação de vagas exclusivas para pessoas com deficiência. Quando a empresa se utiliza desta estratégia fica nítido que não tem um programa de inclusão estruturado, pois, possivelmente “elegeu” alguns cargos específicos para contratar pessoas com deficiência.

A empresa verdadeiramente inclusiva não necessita criar vagas exclusivas, pois já mapeou todos os seus cargos e identificou que ajustes deve fazer para que uma pessoa com deficiência possa trabalhar e está pronta para recebê-la em qualquer cargo que sua qualificação permita, isto significa que todas suas funções e, consequentemente, vagas são inclusivas.

Para que isto ocorra é necessário fazer um mapeamento dos cargos e identificar que tipo de tecnologias assistivas serão necessárias para cada deficiência, mas não me aprofundarei neste tema, pois falarei mais no artigo referente a acessibilidade.

A comunicação da vaga também deve ser acessível. Por exemplo, não adianta fazer uma arte linda em figura e divulgar na Internet uma vaga para cegos. Por mais que o email chegue até o destinatário ele não conseguirá acessá-lo, pois, softwares de voz não leem figura. Neste caso, priorize mensagens de texto.

Estes são detalhes que poderão ajudá-lo a ter resultados mais efetivos na contratação de pessoas com deficiência, mas ainda há mais estratégias a aprender que abordaremos nos próximos artigos. Esteja atento!

Pós-Graduado em Tecnologia Assistiva pela FMABC/ ITS/ Fundação Don Carlo Gnocchi. Pós-graduado em Psicologia Organizacional pela UMESP e Graduado em Psicologia pela UNIMARCO. Extensão em Gestão de Diversidade pela PUC. Credenciado em Holomentoring, Coaching e Advice pelo Instituto Holos. Formação em Coaching Profissional pela Crescimentum. Formação em Facilitação Digital pela Crescimentum, Formação em RH e Mindset Ágil pela Crescimentum. Formado como analista DISC. Vivência de 30 anos na área de RH em empresas como Di Cicco., Laboratório Delboni Auriemo, Wal Mart, Compugraf, Mestra Segurança do Trabalho. Presidente e Fundador do Instituto Bússola Jovem (2016 a 2025), projeto social com foco em jovens em situação de vulnerabilidade social que tem por missão transformar vidas através da Educação, Empregabilidade, Orientação de Carreira e Saúde Mental. Atualmente é Diretor da TRAINING PEOPLE, empresa especializada em Implantação de Programas de Diversidade, Equidade e Inclusão que atua em 3 frentes: Processos, Ambiente e Pessoas por meio de projetos de consultorias especializadas, palestras, treinamentos e jogos corporativos. Professor do MBA de “Inteligência Artificial Aplicada a Gestão de Pessoas e Negócios” da Anhanguera Educacional, disciplinas de Diversidade e Inclusão e Segurança Psicológica. Professor do MBA da FIAP de Gestão Estratégica de Negócios da disciplina de Diversidade, Equidade e Inclusão. Coordenador do MBA Executivo de Diversidade Estratégica e Cultura Inclusiva na Anhanguera Educacional. Colunista da plataforma de desenvolvimento Cloud Coaching. Coautor dos livros: Segredos do sucesso: da teoria ao topo. Gestão Humanizada de Pessoas. O Matuto Corporativo. Coordenador e coautor dos livros Diversidade em suas dimensões – Volume I, II e III.
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