
Ai, Que Dó Que Dá!
Como Vencer o Medo de Falar em Público com o Método F.A.L.A.R.
Quantas vezes, ao longo da vida, diante de uma situação difícil, alguém se sai mal, toma um tombo, passa por uma situação complicada ou pega uma doença? Lá, dentro de você, ao lamentar aquela situação, surgem a piedade e a compaixão, sentimentos intensos que geram um desejo genuíno de aliviar o sofrimento da outra pessoa. Você sente pena e intimamente diz: “Ai, que dó que dá!”
São várias as situações do dia a dia nas quais podemos identificar esse sentimento. Por exemplo, ao ver um animal abandonado na chuva, uma criança chorando pela perda de um brinquedo ou em tantas outras situações em que você já disse ou pensou isso.
Quero, com essa reflexão, trazer o assunto para o nosso contexto da comunicação e expressão. E quantas pessoas, por falta dessa habilidade, perdem a oportunidade de desenvolvimento e posicionamento em todas as esferas da vida.
Por exemplo, que dó que dá ver gente talentosa, competente, tecnicamente brilhante, perdendo espaços e ficando para trás em promoções por terem medo de falar em público. Esse medo impede essas pessoas de subir a um palco ou falar para muitas pessoas. E, quando resolvem falar, mostram muitas limitações relativas ao uso da voz, aos gestos e à expressão corporal. Suas falas são prolixas, lineares e sem vida ou incorretas na gramática e carregadas de vícios de linguagem.
Que dó que dá quando nos deparamos com pessoas que acreditam que, para ser um bom comunicador, é necessário ter um dom especial. Elas ainda não perceberam ou aprenderam que essa habilidade é fruto de competência e esforço.
Dá mais dó ainda saber que tudo isso poderia ser evitado, pois há técnicas para resolver esse problema.
Se você se vê nessa situação e diz a si mesmo que lamenta sua dificuldade ou sofrimento cada vez que precisa falar em público, compartilho uma reflexão. De forma sucinta, apresento o nosso método, que poderá funcionar como um farol que alumia o seu caminho.
Pretendo, nesse artigo, compartilhar um dos meus principais recursos que tenho utilizado no desenvolvimento dessa habilidade com meus alunos e mentorados.
Trata-se do Método F.A.L.A.R. que ajuda as pessoas que desejam transpor essa ponte do lado “Ai, que dó que dá!” para o outro lado “Oh, que prazer que dá!”
O método F.A.L.A.R. não foi criado, mas foi descoberto. Isso porque era a forma intuitiva que sempre desenvolvi em meus treinamentos e mentorias. Faço um convite para você imaginá-la e aplicá-la a um desafio que deseja solucionar.
A estrutura baseia-se na palavra FALAR e funciona como um acrônimo “F.A.L.A.R.” que significa:
- [ F ] – Finalidade: também podendo ser chamada de sonho, desejo, expectativa ou desafio.
- [ A ] – Análise: a fase na qual se levantam as forças e limitações relativas ao problema, tendo-se uma clara noção da realidade.
- [ L ] – Lapidação: significa colocar em ação o plano estabelecido na fase anterior, com exercícios, dinâmicas, aprendizados técnicos e práticas para gerar novos comportamentos.
- [ A ] – Avaliação: o momento de se mensurar o resultado do esforço empreendido, no qual se define o que foi aprendido e, eventualmente, o que ainda falta desenvolver.
- [ R ] – Resultado: a fase da celebração pela conquista e manutenção do novo estágio de evolução.
Para melhor explicar, vou utilizar um problema recorrente em nossos treinamentos: o medo de falar em público. Para isso, vou tratar do assunto com muita simplicidade, como um recurso didático-pedagógico. Não vou entrar na profundidade ou complexidade que o problema possa ter em seu bojo.
FINALIDADE
A FINALIDADE poderia ter um enunciado simples, de preferência com objetividade e clareza sobre o que se pretende. Por exemplo:
“A minha finalidade é falar com calma, segurança e naturalidade em qualquer contexto, quer seja para um pequeno ou grande grupo de pessoas. Quero dominar minha ansiedade e eliminar manifestações do meu corpo, como tremedeira, gagueira, sudorese e taquicardia. Assim, poderei mostrar, efetivamente, o meu potencial.”
ANÁLISE
Como ANÁLISE, um retrato da realidade, poderia ser:
- Características positivas: Sou uma pessoa culta, com formação em Administração, participo de reuniões. Na minha igreja, junto aos meus pares, fico mais à vontade. Tenho gramática correta, gosto de ler e tenho bom repertório intelectual. Minha voz é clara, tenho boa dicção e, além disso, sei contar boas histórias.
- Pontos negativos: Toda vez que vou falar em público na empresa, em reuniões ou na escola, sinto tremedeira e uma grande ansiedade. Eu me sinto vulnerável, como se todos estivessem me avaliando e julgando. Por isso, fujo de situações de exposição e percebo que perco oportunidades de crescimento por esse problema.
A partir desse momento, elaboramos um plano de ação, definindo os exercícios e as orientações que ensinaremos ao aluno (ou mentorado) para que ele os pratique e mude suas atitudes e comportamentos.
LAPIDAÇÃO
Na fase da LAPIDAÇÃO, é hora de aprender e colocar o plano definido em ação, da seguinte forma:
- Reforço da autoestima, ajudando o aluno a se conhecer melhor, reconhecer e valorizar suas habilidades já existentes e identificar os pontos que precisa melhorar, ajudando-o a ter clareza e consciência do seu propósito de vida, de seus valores pessoais, de suas crenças e de seus compromissos consigo mesmo.
- Técnicas de oratória, para aprender a usar tecnicamente a voz, a expressão corporal, os gestos, o olhar e a postura, sabendo como dar vida à fala e expressar emoções, tornando sua fala clara e encantadora. Além disso, o aluno recebe orientações quanto ao planejamento e à roteirização de uma apresentação e aprende como começar, desenvolver e concluir uma exposição, utilizando metáforas e exemplos para torná-la mais interessante.
- Prática com gravações em vídeo e respectivos feedbacks, despertando o prazer de saber que está fazendo um bom trabalho e ganhando cada vez mais segurança para falar com naturalidade e desenvoltura.
- Colocar tudo isso em ação, ousar falar em situações diversas no contexto profissional, social e familiar, ganhando com isso, ao longo do tempo, a calma e segurança pretendida.
AVALIAÇÃO
Na fase da AVALIAÇÃO, chega o momento de mensurar os resultados e perceber a evolução alcançada. Por meio das gravações, análises e feedbacks, o aluno pode observar seu desenvolvimento no domínio da fala, na postura, na naturalidade e na segurança ao se comunicar. Essa reflexão ajuda a reconhecer o quanto já evoluiu e o que ainda precisa desenvolver.
RESULTADO
O resultado é o ápice do processo. Ao concluir o Método F.A.L.A.R., o participante não apenas supera o medo de falar em público e passa a falar melhor: ele se comunica com propósito, clareza e emoção. Está preparado para inspirar pessoas, transmitir conhecimentos e gerar o impacto positivo desejado.
Por fim, é hora de celebrar a conquista e perpetuar esse novo padrão. Para isso, procure novas situações e exercite continuamente, transformando aquele medo ou ansiedade em prazer em servir às outras pessoas com sua fala. Isso pode acontecer liderando, vendendo, negociando, fazendo apresentações, dando aulas, proferindo palestras ou simplesmente se relacionando com outras pessoas.
Meu sincero desejo é que você nunca mais pense ou ouça alguém dizendo para você:
“Ai, que dó que dá! Ver uma pessoa com tanto potencial mostrando apenas uma pequena parcela da sua capacidade.”
Pelo contrário, desejo que você seja admirado e reconhecido por sua força e seu poder. Que você deixe claros seu posicionamento, sua capacidade e sua segurança toda vez que abrir a boca para falar. Que seja devidamente respeitado e reconhecido, saiba aproveitar as oportunidades que a vida lhe oferece, cumpra seu propósito e deixe o melhor legado que puder.
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como vencer o medo de falar em público e transformar a insegurança em confiança para revelar todo o seu potencial? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Reinaldo Passadori
CEO da Passadori Comunicação, Professor de Oratória, Escritor, Mentor e formador de Palestrantes
https://www.passadori.com.br/
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