
Como Ser Líder em Tempos Difíceis: Pense como um Astronauta
Talvez estejamos treinando líderes para um mundo que já não existe.
A pergunta mais feita quando estou diante de líderes é: “Como ser líder em tempos difíceis?” E minha resposta tem sido sempre a mesma: pense como um astronauta.
Planejamento estratégico, metas, indicadores, processos, dados, inteligência artificial. Tudo isso é necessário. O problema é que o cenário muda enquanto você decide. Uma tecnologia aparece, um concorrente muda o jogo, uma pessoa-chave sai, o cliente muda de comportamento — e aquilo que parecia certo pela manhã, sem dúvida alguma, precisa ser revisto à tarde. E o líder continua tendo que liderar.
Por isso me faço uma pergunta: estamos treinando líderes para cumprir o plano ou para continuarem lúcidos quando o plano deixa de funcionar?
Sou fascinada por exploração espacial e essa curiosidade me levou a me tornar astronauta análoga. Missões análogas acontecem aqui na Terra e reproduzem condições e desafios da exploração espacial. A NASA utiliza esse tipo de missão para testar tecnologias, procedimentos e fatores humanos antes de missões reais. E uma coisa me chamou atenção: astronauta simula. Ele não simula porque sabe o que vai acontecer. Simula justamente porque não sabe. Treina comunicação, convivência, tomada de decisão e resposta a emergências. A NASA trabalha com as chamadas Expeditionary Skills — competências relacionadas à comunicação, autocuidado, trabalho em grupo e a capacidade de liderar e também de saber seguir.
A pergunta foi inevitável: por que treinamos astronautas para o inesperado e ainda treinamos tantos líderes apenas para o previsto?
Recentemente, a Starship da SpaceX realizou seu 14º voo com uma missão ambiciosa: dez horas de voo, seis voltas ao redor da Terra e 26 satélites para colocar em órbita. Durante a subida, um dos motores desligou antes do previsto. A missão foi reduzida para três horas, mas os 26 satélites foram colocados em órbita. Uma imagem plasticamente perfeita de um resultado plenamente imperfeito. E a pergunta que ficou: diante daquilo que não aconteceu como planejado, o que ainda é possível?
Não estou falando de viver tenso esperando uma tragédia. Estou falando de prontidão. Prontidão é estar presente o suficiente para perceber que algo mudou e preparado o suficiente para responder sem perder a capacidade de pensar. O líder de hoje precisa aprender a distinguir sinal de ruído, perceber mudanças, rever prioridades e certamente decidir mesmo quando ainda não dispõe de todas as respostas. Não é abandonar o planejamento, mas, sim, parar de acreditar que a realidade tem obrigação de respeitá-lo.
Há ainda outro conceito da exploração espacial que me fascina: o Overview Effect — a mudança de perspectiva relatada por astronautas ao observarem a Terra do espaço.
Vista de fora, ela aparece como um sistema interconectado. Para a liderança, isso representa a capacidade de alternar entre o detalhe e a visão do todo. Quem está mais próximo vê detalhes que quem está mais distante talvez não veja. Mas quem se afasta enxerga relações que quem está muito perto talvez ainda não consiga perceber. Liderar exige os dois movimentos. Às vezes, o problema de um líder não é falta de informação, mas o excesso de proximidade.
O astronauta não treina para eliminar o imprevisto. Treina para estar preparado quando ele aparecer. Talvez esteja na hora de fazermos algo parecido com quem tem a responsabilidade de liderar pessoas e organizações num mundo em transformação permanente.
Tripulante, qual é a sua missão na Terra?
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Quer saber mais sobre como ser líder em tempos difíceis bem como desenvolver a prontidão de um astronauta para enfrentar o inesperado? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até a próxima!
Leila Navarro
Palestrante internacional, escritora e estudiosa do comportamento humano e das transformações provocadas pela tecnologia na sociedade. Especialista em Inovação Humana e Desenvolvimento do Novo Humano nas Organizações. Autora de 17 livros traduzidos para diversos idiomas, astronauta análoga certificada e referência latino-americana em presença, comportamento e futuro do trabalho.
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