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A Nova Economia do Valor na Era da IA

Na era da IA, a economia do valor está mudando as regras do mercado. Cobrar por horas já não explica o valor entregue. Descubra como resultados, transparência e provas concretas redefinem a confiança dos clientes e a diferenciação das marcas.

Economia do Valor na Era da IA: Por Que o Esforço Não Basta?

A Nova Economia do Valor na Era da IA

Você já parou para pensar em como a tecnologia está, de fato, transformando silenciosamente a métrica do nosso trabalho?

Durante décadas, fomos educados dentro de um paradigma centrado no esforço. Medíamos o valor de uma consultoria, de uma análise jurídica ou de um projeto de marketing pelo número de horas dedicadas, pela espessura dos relatórios entregues ou pelo suor derramado em reuniões intermináveis.

Acontece que esse tabuleiro mudou de forma drástica. Quando um sistema de Inteligência Artificial consegue analisar milhares de contratos em minutos — tarefa que antes consumia semanas de equipes inteiras —, a variável “tempo” perde quase todo o seu sentido na equação de valor. Se o software entrega o rascunho de uma estratégia em dez segundos, cobrar por hora torna-se um contrassenso. Mas isso significa que o nosso trabalho perdeu o valor? Absolutamente não. Significa apenas que fomos forçados a migrar da “economia do esforço” para a “economia do resultado e da transparência”.

Para que você possa compreender este novo momento da gestão e do mercado, este artigo analisa as provocações trazidas pelo painel Transparent Marketing – Transparent Marketing – How to earn the trust of a skeptical consumer and machine (com Daniel Burstein, Flint McGlaughlin e Andy Crestodina) e pelo estudo The New Economics (and Philosophy) of Value in the AI Era (ambos produzidos pelo MECLABS Institute – www.meclabs.com). O objetivo desta postagem é conectar estes conceitos com a nossa prática diária de liderança e comunicação corporativa.


O Paradoxo do Chaveiro: O Que Realmente Molda a Percepção de Valor?

O relatório do MECLABS Institute ilustra essa transição com uma parábola provocativa citada originalmente por Michael Norton: a história do chaveiro iniciante. Quando começou na profissão, o chaveiro era inexperiente. Levava mais de uma hora para abrir uma porta emperrada, suava diante do cliente, usava as ferramentas erradas e demonstrava um esforço brutal. Ao final do serviço, cobrava US$ 200. Os clientes pagavam aliviados e gratos pela dedicação visualizada. Tempos depois, tendo atingido a maestria técnica, o mesmo chaveiro chegava com tranquilidade, sacava a ferramenta exata e abria a fechadura em poucos segundos. Ele pedia os mesmos US$ 200. A reação do cliente? Indignação. “Como assim? Isso levou só alguns segundos! Você não fez quase nada!”

Esse paradoxo revela uma falha estrutural na mente humana, pois confundimos com frequência a métrica de esforço com a entrega real de utilidade. Como destacou a professora Rita Gunther McGrath, em artigo para o The Wall Street Journal, a inteligência artificial elevou o piso da eficiência operacional. Se a IA padronizou a velocidade e a execução básica, o nosso papel como líderes, consultores e estrategistas é elevar o teto, que é a capacidade de gerar resultados concretos e construir diagnósticos confiáveis.


O Cliente Cético e a Máquina Exigente

Se a entrega operacional se tornou instantânea, onde reside a nova fronteira da diferenciação? A resposta está na transparência radical. No webinar Transparent Marketing, Daniel Burstein relembrou uma lição valiosa de quinze anos atrás. Marcus Sheridan, ao gerir uma empresa de piscinas nos Estados Unidos, conquistou o topo das buscas do Google quando decidiu fazer algo que a concorrência temia. Ele publicou abertamente os preços e passou então a responder diretamente às dúvidas mais desconfortáveis dos clientes. Anos depois, no universo SaaS (Software como Serviço), a história se repetiu, pois empresas que tornaram seus preços explícitos e também criaram seções transparentes de perguntas e respostas viram suas conversões dispararem.

A grande virada atual é que não estamos mais nos comunicando apenas com humanos céticos. Estamos alimentando modelos de linguagem (LLMs) e agentes de IA que agem como intermediários rigorosos dos nossos clientes. Como assinalou Andy Crestodina, cofundador da Orbit Media, não existe mais uma fronteira rígida entre “busca tradicional” e “busca por IA”. O usuário pergunta à IA: “Qual a melhor plataforma para minha equipe de 20 pessoas com preço acessível?”

Se a sua empresa esconde informações cruciais, omite preços ou publica apenas slogans vazios, tais como “somos líderes de mercado”, o algoritmo simplesmente descartará sua solução. Por quê? Porque a máquina busca declarações defensáveis. A IA precisa ter certeza de que você é uma recomendação segura para o cliente final. Como bem destacou Flint McGlaughlin, especialista em otimização e CEO do MECLABS: “Os humanos precisam de transparência, e as máquinas também.“


A Verdade Deve “Deslumbrar Gradualmente”

Para fundamentar essa nova postura, os debatedores do encontro resgataram um poema clássico de Emily Dickinson, escrito em 1868, cujo verso inicial profetiza a essência da comunicação moderna: “Tell all the truth but tell it slant — / Success in Circuit lies” (Diga toda a verdade, mas diga indiretamente / O sucesso reside no circuito).

Na leitura de Crestodina e McGlaughlin, o exagero publicitário e os chavões de autoexaltação perderam a eficácia. O papel do gestor e do comunicador não está em impor uma alegação (somos os melhores), mas sim estimular uma conclusão positiva no interlocutor. Quando você tenta impor uma afirmação sem provas, o cliente entra em postura defensiva. Mas quando você apresenta sinais claros, dados auditáveis, avaliações reais e depoimentos fundamentados, o cliente e a máquina chegam à conclusão por conta própria. E as pessoas defendem com fervor as conclusões que elas mesmas construíram.

Isso exige que a comunicação corporativa adote três pilares estruturais:

1. Clareza em vez de Persuasão:

Não venda, diga. A clareza supera a persuasão artificial. É preciso declarar categoricamente não apenas o que sua empresa faz de melhor, mas também o que ela não faz e para quem ela não serve. Dizer a quem você não atende elimina ruídos, economiza recursos operacionais e qualifica a entrada do seu funil de negócios.

2. Credibilidade Fundamentada:

Citar avaliações de terceiros, mostrar casos reais com métricas e posicionar a prova ao lado da alegação, tudo isso faz com que tanto o cliente humano quanto os modelos de IA validem a integridade da sua marca.

3. Redução da Ansiedade e da Ambiguidade:

O ser humano vivencia a ansiedade como uma dúvida emocional e irreal. A máquina vivencia a base de dados como uma condição de incompatibilidade (quando a promessa do site não bate com os registros do domínio público). Em ambos os casos, a falta de dados claros gera, de fato, desconfiança e paralisa a decisão.


Páginas Inteligentes e os 8 “sim” da Conversão

Diante dessa mudança de comportamento, o conceito tradicional de website estático está superado. Vivemos a transição para as páginas inteligentes — ambientes otimizados simultaneamente para o leitor humano e para a leitura analítica dos agentes virtuais. Flint McGlaughlin sintetizou a jornada de engajamento do cliente em um processo sequencial de oito aceitações mentais, o que ele chama de “micro-sinais” da conversão:

  1. Sim, vou prestar atenção (captura inicial pela promessa);
  2. Sim, vou engajar (aprofundamento na leitura);
  3. Sim, eu entendo (mensagem clara, sem jargões);
  4. Sim, eu me interesso (alinhamento com a dor do cliente);
  5. Sim, eu acredito (provas e credibilidade sólida);
  6. Sim, eu quero isso agora (senso de valor e urgência);
  7. Sim, só posso obter isso de você (diferencial exclusivo de proposta de valor);
  8. Sim, vou concluir a ação (troca efetiva de dados ou investimento).

Se houver uma ruptura em qualquer uma dessas etapas, seja por falta de transparência, ausência de dados de preço ou excesso de frases genéricas, a cadeia de confiança se rompe e, dessa forma, o cliente migra para a concorrência.


Conclusão: Atitude Prática na Gestão

A inteligência artificial não veio para substituir o pensamento humano, mas para varrer o amadorismo e a falta de integridade do mercado. Ela nos força a voltar ao essencial das práticas corporativas, que é de conhecer profundamente as dores do nosso cliente, entregar resultados reais e falar a verdade sem rodeios. Se você deseja posicionar sua marca ou sua carreira nessa nova economia de valor, então comece hoje mesmo uma auditoria sincera sobre sua comunicação:

  • Você expõe com clareza a proposta de valor do seu serviço ou esconde detalhes essenciais atrás de formulários burocráticos?
  • Suas promessas estão acompanhadas de provas concretas e auditáveis?
  • Você tem a coragem de assumir o que sua solução não faz, a fim de conquistar a confiança irrestrita naquilo que ela entrega com excelência?

Ao trocar a ilusão do esforço medido em horas pela transparência focada em resultados, você irá construir uma reputação sólida, capaz de atravessar qualquer transformação tecnológica. Seja você um coach, mentor, conselheiro ou consultor, vale manter, sem dúvida, seu cliente alerta para essa nova realidade do mercado.

Eu sou Mario Divo e você pode me encontrar pelas mídias sociais ou pelo site www.mariodivo.com.br.

Até nossa próxima postagem! Acesse o meu canal do YouTube (@mariodivo.oficial) e conheça alguns dos textos aqui publicados em versão de vídeo.


Gostou do artigo?

Quer saber mais sobre como a nova economia do valor na era da IA pode transformar seus resultados bem como fortalecer a confiança dos clientes? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Até nossa próxima postagem!

Mario Divo
https://www.mariodivo.com.br

Confira também: Conectando Saberes: O Pensamento Polímata na Gestão Moderna


Referências Bibliográficas e Fontes Consultadas

BURSTEIN, Daniel; MCGLAUGHLIN, Flint; CRESTODINA, Andy. Transparent Marketing Part Two: How to Earn the Trust of a Skeptical Consumer Machine. AI Guild Session, MECLABS Institute, 2026.

MECLABS INSTITUTE. The New Economics (and Philosophy) of Value in the AI Era. Customer-First Science Series, MECLABS Institute, 2026.

MCGRATH, Rita Gunther. Say Goodbye to the Billable Hour, Thanks to AI. The Wall Street Journal, 2024.

NORTON, Michael. Customer Centricity: How to use transparency to generate customer trust. Harvard Business School Working Knowledge, citado por MECLABS Institute, 2026.

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Mario Divo Author
Mario Divo possui mais de meio século de atividade profissional ininterrupta. Tem grande experiência em ambientes acadêmicos, empresariais e até mesmo na área pública, seja no Brasil ou no exterior, estando agora dedicado à gestão avançada de negócios e de pessoas. Tem Doutorado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) com foco em Gestão de Marcas Globais e tem Mestrado, também pela FGV, com foco nas Dimensões do Sucesso em Coaching (contexto brasileiro). Formação como Master Coach, Mentor e Adviser pelo Instituto Holos. Formação em Coach Executivo e de Negócios pela SBCoaching. Consultor credenciado no diagnóstico meet® (Modular Entreprise Evaluation Tool). Credenciado pela Spectrum Assessments para avaliações de perfil em inteligência emocional e axiologia de competências. Sócio-Diretor e CEO da MDM Assessoria em Negócios, desde 2001. Mentor e colaborador da plataforma Cloud Coaching, desde seu início. Ex-Presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios, ex-Diretor da Associação Brasileira de Anunciantes e ex-Conselheiro da Câmara Brasileira do Livro. Primeiro brasileiro a ingressar no Global Hall of Fame da Aiesec International, entidade presente em 2400 instituições de ensino superior, voltada ao desenvolvimento de jovens lideranças em todo o mundo.
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