
I.A. e o Desenvolvimento de Pessoas
Para profissionais autônomos que trabalham com o desenvolvimento de pessoas e têm a dimensão humana como o centro de suas atividades profissionais, recursos de inteligência artificial podem, sem exagero, ser facas de dois gumes, elevando ou diminuindo o valor de quem as usa.
Alguns, entusiasmados por esses recursos, podem depositar neles a salvação do seu presente e a blindagem de seu futuro. Esquecem que, se alguém deve salvar e blindar alguém, é a própria pessoa.
O que mais pode trazer segurança, diferenciação e longevidade profissional não são aplicativos de I.A., mas a singularidade de cada um. É a voz interior, aquela que somente cada pessoa pode ouvir, que torna cada um de nós único. Nossa segurança será resultado do nosso alinhamento ao chamado que vem de dentro, não de algo ou alguém fora de nós.
É verdade, recursos de I.A. podem levar uma pessoa com zero ou pouco conhecimento ou experiência em determinada área para outro patamar. Esse avanço já pode colocar esse profissional no jogo, com sinais de quem está nele há bastante tempo. Para clientes que sabem menos que o próprio profissional, obviamente.
É importante refletir a respeito dos riscos de quando alguém coloca como o seu pilar de diferenciação, sustentação e segurança o uso de “coisas” ou símbolos, independentemente do que sejam, como, onde e com que frequência são utilizados.
Concordo que é cada dia mais perigoso um profissional de desenvolvimento de pessoas não usar recursos de inteligência artificial. Entre algumas aplicações, estão o ganho de tempo, a eficiência e a maior velocidade na criação e no aperfeiçoamento de seus produtos ou soluções.
Para quem não sabe nada, é inseguro, está sempre procurando uma muleta para se apoiar ou não tem um grande compromisso com a qualidade das informações, a I.A. pode ser uma poderosíssima alavanca. Do nada ao palco como num passe de mágica, muito rápido. Chega a ser assustador. Mas, nesse contexto, o profissional continuará por mais tempo, com uma carreira vulnerável e frágil, se continuar fundamentando sua carreira exclusivamente nesses recursos, em vez das próprias pernas e pensamentos.
Por outro lado, se você tem confiança em si mesmo, domina o que faz, consegue criar vínculos pessoais sólidos e de qualidade, faz conexões e análises que nenhum outro profissional consegue, e, em paralelo, usa a I.A. como uma importante aliada, então, provavelmente, você está caminhando a passos largos, firmes e seguros, na construção de uma longeva e bem-sucedida trajetória profissional.
A I.A. pode contribuir com uma enorme velocidade e grande volume de informações. Mas, se você não tomar cuidado, ela pode silenciosamente corroer a sua criatividade, autonomia, confiança em si e capacidade de fazer associações incomparáveis. Pode apagar em você aquilo que realmente o valoriza, sua singularidade — que o faz único e incomum —, assim como sua autenticidade — que o torna verdadeiro e genuíno.
Voltando um pouco no tempo, ao início dos anos 1990, chegou ao mercado o conjunto de softwares Microsoft Office. No início, principalmente o PowerPoint era um enorme diferencial para treinadores, consultores, palestrantes e outros profissionais de desenvolvimento de pessoas. Depois de um tempo, virou obrigação saber usá-lo. Gradativamente foi deixando de ser o diferencial profissional que foi um dia. Hoje, apresentações, palestras e treinamentos podem inclusive perder valor, quando os slides são mal utilizados, com conteúdo raso ou em excesso, redundantes, ou chamam mais a atenção do que quem os apresenta.
Guardadas as devidas proporções, a I.A. está seguindo o mesmo caminho. Começou como uma novidade interessante, com coisas curiosas e engraçadas (como um dia foi o PowerPoint). Aos poucos, será um recurso tão obrigatório e comum para profissionais de desenvolvimento de pessoas quanto esse software se tornou para fazer apresentações.
Mas, com um importante alerta:
A I.A. como um meio para valorizar e engrandecer você, bem como potencializar o que só você, de posse e uso da sua singularidade e autenticidade, pode fazer, como nenhuma outra pessoa. Lembre-se: você vem primeiro.
Gostou do artigo?
Quer saber como usar a inteligência artificial no desenvolvimento de pessoas ou no seu próprio desenvolvimento, sem abrir mão do que torna cada um único? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Um grande abraço,
Alexandre Ribas
https://www.sbrc.com.br
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