
Marcas, Eleições e o Tabuleiro da Reputação Corporativa
Prezados leitores, sejam muito bem-vindos a mais uma reflexão sobre gestão, reputação corporativa e desenvolvimento humano na plataforma Cloud Coaching. Esta postagem está sendo publicada logo após o primeiro turno das eleições majoritárias e proporcionais no Brasil, em 2026. O conteúdo é uma referência para o que aconteceu até agora no tabuleiro das marcas, bem como o que pode acontecer até o segundo turno.
Nesse ambiente, decisões de comunicação que antes poderiam parecer exclusivamente mercadológicas, agora têm potencial de serem interpretadas também sob a ótica social e política. Recentemente, matéria divulgada pela publicação Meio & Mensagem, intitulada “Marcas e eleições: preocupações, proteção e resultados” (clique aqui para ler a matéria completa), trouxe à tona um alerta para lideranças, gestores e profissionais de branding. A publicação afirma que a reputação de uma determinada marca não é ativo estático, e sim um espaço vulnerável. Ou seja, cada palavra, omissão ou associação estratégica pode influenciar a percepção e o grau de confiança de consumidores, colaboradores, investidores e demais stakeholders.
Quando olhamos para essa dinâmica com foco na gestão estratégica e no comportamento institucional, percebemos que proteger a marca em tempos de turbulência eleitoral exige mais do que reatividade de marketing, passando a exigir uma governança rigorosa, clareza de propósito, critérios de decisão e maturidade para lidar com pressões internas e externas. Esse é o desafio para se manter coerência com o histórico associado a cada marca.
O artigo da Meio & Mensagem evidencia que a correlação entre posicionamento institucional e o clima político-social exige das empresas uma preparação preventiva inteligente. Não se trata de silenciar a marca, mas de ancorar sua presença em valores inegociáveis, de forma que o burburinho social não contamine e nem seja contaminado pelas ações alinhadas à marca, sejam elas institucionais ou com fins mercadológicos.
Essa necessidade de coerência também aparece no estudo da Interbrand com o título Brands as Acts of Leadership (em versão livre – Marcas como atos de liderança), o qual nos ensina que as marcas líderes deixaram de ser meros rótulos comerciais para se tornarem verdadeiros atos de liderança. O consumidor e os stakeholders atuais exigem coerência absoluta entre o discurso corporativo e a prática diária. Quando a governança falha a confiança desmorona, e recuperar esse capital intangível exigirá muito investimento.
Muitas organizações entram em crise justamente por caírem em armadilhas cognitivas e comportamentais. Em sua obra clássica Blind Spots: Why we fail to do what’s right and what to do about It (em versão livre: Pontos Cegos: Porque falhamos em fazer o que é certo e o que fazer a respeito disso), Max Bazerman e Ann Tenbrunsel demonstram como líderes bem-intencionados, por vezes, toleram desvios éticos ou negligenciam sinais de alerta devido a vieses inconscientes. No calor de cenários complexos, como em momentos eleitorais e de alta polarização social, esses “pontos cegos” tornam-se potencial estopim para crises reputacionais devastadoras.
A isso se soma a forma como nosso cérebro processa o estresse e a incerteza. Como aponta Daniel Kahneman em Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar, sob pressão tendemos a recorrer mais rapidamente a atalhos mentais, o que pode reduzir a qualidade da análise e favorecer decisões impulsivas. Para evitar que iniciativas corporativas sejam tomadas no calor do momento, as lideranças precisam desenvolver a capacidade de desacelerar o pensamento e adotar filtros racionais de segurança. Vale lembrar que há sempre viva a expectativa de rapidamente lançar uma ação ou campanha tentando aproveitar oportunidades que parecem ser interessantes. E, como sabemos, a pressa pode ser inimiga da perfeição quando se trata de surfar a onda de um momento eleitoral.
Além dos aspectos cognitivos, as organizações operam em um tabuleiro onde o poder e a influência exercem forças gravitacionais invisíveis. Robert Greene, em As 48 leis do poder, lembra que dominar o contexto e compreender as correntes subterrâneas que movimentam a opinião pública é uma competência vital para qualquer estrategista em gestão de marcas. Embora sua obra adote perspectiva pragmática e, por vezes, controversa sobre o poder, Greene contribui para lembrar que marcas não atuam em um ambiente neutro. E ignorar o impacto que fatores externos podem ter sobre a imagem da empresa, em época eleitoral, é renunciar ao controle do próprio destino institucional e reputacional.
Por fim, toda essa pressão de um ambiente polarizado da eleição recai sobre os ombros dos executivos e equipes, gerando o que Alice Boyes analisa em The healthy mind toolkit (em versão livre: O kit de ferramentas para a mente saudável). Em sua reflexão, a autora comenta como a sobrecarga mental e a ansiedade corporativa prejudicam a clareza de raciocínio. Cuidar da saúde mental e da flexibilidade psicológica das lideranças não é luxo, mas requisito essencial para manter a lucidez de gestão, incluindo a de marcas, quando o ambiente externo está em ebulição, como é o caso de um contexto eleitoral.
Proteger marcas e resultados de campanhas, principalmente em momentos de grande volatilidade, isso exige transformar preocupação e cuidados em governança ativa. A mensagem central que fica para gestores, executivos, profissionais de marketing e de branding é clara: antecipe cenários, audite seus valores, estabeleça critérios e construa as iniciativas sempre com lastro na integridade e na transparência, bem como alinhadas aos propósitos da marca. Cuidado com a impulsividade quanto a uma potencial oportunidade a ser transformada em ação de comunicação.
Se você é coach, mentor, consultor ou conselheiro de negócios, ajude seus clientes a olharem os projetos de marketing e gestão de marcas com atenção e cuidados especiais nesta época de embates eleitorais e agitação social. Prepare as lideranças e os gestores para que a expectativa de ganhos e de sucesso em cada iniciativa, nos períodos de turbulência eleitoral especialmente, não seja a semente da crise a se enfrentar amanhã.
Eu sou Mario Divo e você me encontra pelas mídias sociais ou em www.mariodivo.com.br.
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Quer saber mais sobre como proteger a reputação corporativa da sua marca em períodos eleitorais? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Até nossa próxima postagem!
Mario Divo
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Referências (ABNT) BAZERMAN, Max H.; TENBRUNSEL, Ann E. Blind Spots: Why We Fail to Do What's Right and What to Do about It. Princeton: Princeton University Press, 2011. BOYES, Alice. The Healthy Mind Toolkit: Simple Strategies for Getting Out of Your Own Way. New York: Perigee, 2018. GREENE, Robert. As 48 leis do poder. Tradução de Talita M. Rodrigues. Rio de Janeiro: Rocco, 2000. INTERBRAND. Brands as Acts of Leadership. Global Brand Study, 2022. KAHNEMAN, Daniel. Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012. MEIO & MENSAGEM. Marcas e eleições: preocupações, proteção e resultados. Disponível em: https://www.meioemensagem.com.br/marketing/marcas-e-eleicoes-preocupacoes-protecao-e-resultados. Acesso em: 29 set. 2026.
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