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O Rei Leão, o Futuro de Uma Nação e a Bandeira Hasteada

Enquanto Simba vivia seu Hakuna Matata, o reino se deteriorava. E se O Rei Leão revelasse o que acontece quando abrimos mão da consciência cidadã, deixamos de questionar e aceitamos versões prontas e esquecemos que nossa voz também faz parte da história?

Consciência Cidadã: O Que o Rei Leão Nos Ensina? - O Rei Leão, o Futuro de Uma Nação e a Bandeira Hasteada

O Rei Leão, o Futuro de Uma Nação e a Bandeira Hasteada
Essa metáfora diz muito mais sobre você do que sobre a história de um filhote que precisou voltar para casa.

Querido leitor,

E se essa história falasse muito mais sobre o momento em que vivemos do que imaginamos?

Assisti a O Rei Leão em três momentos muito diferentes da minha vida: primeiro com meu filho mais velho, depois com minha filha e, mais recentemente, com minha neta.

O filme sempre foi o mesmo, mas eu não.

Durante muito tempo acompanhei os personagens, suas dores, seus conflitos e suas escolhas. Hoje, presto atenção à riqueza de detalhes contida no enredo, sobretudo no que diz respeito à consciência.

Por isso, se assistir novamente depois de ler este artigo, não olhe apenas para os personagens e para o reino.

Olhe para a vida ao seu redor.

Enquanto Simba estava longe

No início da história, a Terra do Reino é abundante. Mufasa apresenta ao pequeno Simba o território que um dia estará sob sua responsabilidade, mas o filhote ainda não compreende a dimensão daquilo.

Scar deseja o trono, provoca a morte de Mufasa e manipula Simba para que acredite ser culpado. O jovem leão não questiona a versão que recebeu e foge para longe de sua terra, de sua história e de si mesmo.

Enquanto Simba cresce distante, Scar assume o poder junto com as hienas. A terra, antes abundante, seca, o alimento se torna escasso e aquilo que um dia teve vida vai sendo sucateado.

O nome continua o mesmo. O território continua o mesmo. Mas já não é o mesmo lugar.

É aqui que a ficção se aproxima da vida real.

Coisas importantes nem sempre nos são tiradas de uma vez. Nós vamos deixando de ocupá-las quando paramos de fazer perguntas, de questionar, de acompanhar o que está acontecendo e de olhar, de fato, com atenção para aquilo que um dia consideramos importante.

A ausência se torna hábito até que olhamos novamente e quase não reconhecemos o lugar.

Uma das formas mais silenciosas de perder um território é acreditar que alguém sempre estará cuidando dele.


Não procure Scar ainda

Se você terminar este artigo apenas escolhendo quem é Scar, então você perdeu a parte mais importante da história.

O que me inquieta não é apenas a existência de Scar e das hienas. Em qualquer sociedade existirão pessoas dispostas a mentir, manipular, roubar, abusar do poder ou colocá-lo a serviço dos próprios interesses.

O que me inquieta é quando tudo isso, mesmo causando espanto e indignação, nos mantém paralisados, assistindo a novos capítulos.

Quando o absurdo vira rotina, o escárnio se transforma em mais uma notícia do dia, a mentira encontra quem a justifique, o roubo ganha explicações convenientes e a indignação dura até a próxima manchete, alguma coisa já aconteceu com o reino.

O risco para uma nação cresce quando seus cidadãos se acostumam, quando instituições parecem intocáveis, quando toleramos dos nossos aquilo que jamais aceitaríamos dos outros e quando o medo de ser confundido com “o outro lado” se torna maior do que a coragem de defender um princípio.

Por isso, não quero lhe dizer quem é Scar.

Quero lhe propor algo mais difícil: observe os atos.

Quando admiramos alguém, encontramos justificativas para seus comportamentos. Quando rejeitamos alguém, podemos condenar aquilo que aceitaríamos se viesse de quem está do nosso lado.

Mas um princípio não deveria mudar de acordo com quem o viola.

Eu aceitaria esse mesmo comportamento se ele viesse de alguém de quem discordo?

Para mim, maturidade política, social e humana passa pela capacidade de responder a essa pergunta antes de consultar de que lado está quem praticou o ato.

Quando um povo aprende a observar atos em vez de personagens, fica muito mais difícil conduzi-lo pela aparência.


Quando Nala encontra Simba

Nala conhecia a realidade que Simba não estava vendo. Quando o encontra, não lhe entrega força. Mostra o que estava acontecendo no reino e interrompe o seu Hakuna Matata.

Todos nós precisamos, em algum momento, de algo que faça o mesmo.

Pode ser um vídeo que quase não abrimos, um artigo que contraria nossas certezas, uma conversa incômoda, uma notícia que nos leva a pesquisar além da manchete ou, por exemplo, um documento que decidimos ler por inteiro em vez de aceitar a interpretação de alguém.

Não precisa nos dizer em que acreditar. Precisa nos fazer olhar.

Foi isso que aconteceu com Simba.

Ele havia crescido acreditando numa versão muito menor de si mesmo. Quando finalmente compreende o que aconteceu durante sua ausência, recorda-se de quem é e percebe que sua responsabilidade sobre aquele território não havia desaparecido apenas porque estava longe.

Simba havia esquecido que era rei. Nós também podemos esquecer que, numa democracia, o cidadão não é figurante.

Nossa Constituição não diz que parte do poder emana do povo.

Diz: “Todo o poder emana do povo.”

E estabelece que Legislativo, Executivo e Judiciário são Poderes independentes e harmônicos entre si.

O povo não deveria assistir à própria história como quem assiste a um filme.


O território da consciência

Existe um território sobre o qual nenhuma autoridade deveria exercer mais poder do que nós mesmos: a nossa mente.

As informações que consumimos e repetimos, as pessoas às quais entregamos autoridade, nossas crenças e também nossas certezas constroem a paisagem a partir da qual interpretamos o mundo.

Consciência exige discernimento.

Há um verso do nosso Hino Nacional que, para mim, ganha, sem dúvida, outra dimensão diante de tudo isso:

“Verás que um filho teu não foge à luta.”

Não fugir à luta não significa viver em confronto. Significa não fugir da responsabilidade, das perguntas difíceis, do dever de acompanhar aquilo que é feito em nosso nome e, principalmente, do exercício de pensar.

Uma nação não se sustenta apenas por suas leis, instituições, bandeiras e símbolos. Sustenta-se também pela consciência de seu povo e pela compreensão de que aquilo que pertence a todos exige cuidado de todos.

Quando Simba retorna, encontra uma terra que quase não reconhece.

Nala o fez olhar. Rafiki o fez recordar. Mas nenhum deles poderia voltar por Simba.

Essa parte cabia a ele.

Há momentos em que ninguém poderá ocupar o nosso lugar por nós.

Querido leitor, não escrevo para lhe dizer em que acreditar, quem defender ou quem condenar. Não quero escolher os personagens por você.

Quero lhe lembrar de algo que considero muito mais importante: a sua voz também faz parte do território que você veio cuidar.

Não entregue a ninguém o direito de fazê-la desaparecer.

Recorde-se de quem você é.

E, quando chegar a hora de se posicionar, não tenha medo de ouvir o seu próprio rugido.


Se esta reflexão fez sentido para você, então convido você a continuar essa jornada comigo pelo Instagram: @shirleybrandaooficial.


Gostou do artigo?

Quer saber mais sobre como fortalecer sua consciência cidadã, desenvolver autonomia de pensamento, bem como exercer sua cidadania com mais responsabilidade? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Com carinho,

Shirley Brandão
37 anos trabalhando para o desenvolvimento humano
https://shirleybrandao.com.br/
@shirleybrandaooficial

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Shirley Brandão é mentora de prosperidade integral, terapeuta e escritora. Com mais de 36 anos de experiência no desenvolvimento humano, une ciência, espiritualidade e sabedoria ancestral em uma abordagem prática e transformadora. Criadora da Jornada da Prosperidade Integral, método licenciado que já formou terapeutas em todo o Brasil, Shirley é também uma das duas únicas teacher mentor do método internacional Heal Your Life no país. Atua especialmente com mentorias para terapeutas que desejam colocar ou expandir sua luz no mundo, ajudando-os a transformar conhecimento em impacto real. Autora do livro O Caminho de Shanti – O Perdão Muda Tudo (Editora Hércules, 2019), conduz palestras, vivências, retiros e mentorias que combinam profundidade, leveza e ação concreta. Sua missão é inspirar pessoas a viverem uma vida íntegra, onde propósito, abundância e paz interior caminham juntos.
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