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Reforma Tributária: Uma Transformação que Vai Muito Além dos Impostos

A Reforma Tributária vai além de impostos, sistemas e processos. Entenda por que cultura, liderança, colaboração e Gestão da Mudança são essenciais para preparar a organização, promover adoção e sustentar a transformação.

Reforma Tributária: Cultura e Gestão da Mudança nas Empresas

Reforma Tributária: Uma Transformação que Vai Muito Além dos Impostos

A Reforma Tributária está mobilizando as empresas brasileiras em torno de uma das transformações mais relevantes dos últimos anos.

Legislação, processos, sistemas, dados, parametrizações, testes, cadastros, contratos, formação de preços e faturamento fazem parte de uma agenda extensa e complexa. Naturalmente, grande parte da atenção das organizações está concentrada em garantir que tudo esteja tecnicamente preparado.

Mas existe uma dimensão igualmente importante: a capacidade da organização de mudar.

A Reforma Tributária não é apenas uma mudança fiscal ou tecnológica. Ela atravessa processos, áreas, responsabilidades, decisões e formas de trabalhar. E, quando uma transformação alcança tantas partes de uma organização ao mesmo tempo, ela inevitavelmente encontra a cultura.


A Reforma acontece dentro da cultura que já existe

Toda empresa possui uma forma própria de fazer as coisas.

Existem maneiras estabelecidas de tomar decisões, compartilhar informações, resolver problemas, lidar com conflitos, assumir responsabilidades e trabalhar entre áreas. Isso é cultura.

E uma transformação da dimensão da Reforma Tributária não acontece fora dessa realidade. Pelo contrário: ela tende a tornar ainda mais visíveis características culturais que já estavam presentes na organização.

  • Se existe colaboração, ela poderá acelerar a transformação.
  • Se existem silos, eles poderão dificultar a integração.
  • Se existe protagonismo, as pessoas tenderão a assumir responsabilidade pela mudança.
  • Se predomina a lógica de “eu fiz a minha parte”, a transformação poderá sofrer justamente nas interfaces entre as áreas.

Por isso, não basta desenhar novos processos se continuarmos reproduzindo os mesmos comportamentos que já dificultavam o funcionamento da organização.


Uma mudança que atravessa toda a empresa

A Reforma Tributária não pertence exclusivamente ao Tributário, ao Fiscal ou à Tecnologia.

Ela alcança Comercial, Compras, Supply, Financeiro, Jurídico, Controladoria, Tecnologia e diversas outras áreas.

Isso significa que a mudança acontece nas conexões.

Uma decisão tomada em uma área pode produzir impactos em várias outras. Uma informação incorreta pode percorrer toda a cadeia. Um processo que não esteja devidamente compreendido pode gerar consequências operacionais importantes.

Nesse contexto, colaboração deixa de ser apenas um valor desejável e passa a ser uma condição para o sucesso da transformação. É justamente por isso que a cultura precisa fazer parte da agenda da Reforma Tributária.


Gestão da Mudança não pode entrar apenas no final

Em projetos dessa natureza, ainda existe uma tendência de concentrar primeiro todos os esforços na solução técnica e deixar a Gestão da Mudança para o momento da comunicação e do treinamento. Esse é um risco.

Gestão da Mudança não é simplesmente comunicar o que será alterado ou preparar treinamentos antes da implantação.

Ela precisa acompanhar a transformação desde o seu desenvolvimento, ajudando a organização a compreender impactos, preparar lideranças, mobilizar stakeholders, fortalecer relações entre áreas, trabalhar resistências, desenvolver novos comportamentos e criar condições para a adoção.

A transformação técnica e a transformação humana precisam caminhar juntas.

Enquanto processos, sistemas e regras são preparados, a organização também precisa construir entendimento, confiança, comprometimento e capacidade para operar de uma nova maneira.


Trabalhar cultura significa trabalhar comportamento

Cultura pode parecer um conceito abstrato até que seja traduzida para a rotina.

Ela aparece na forma como uma liderança reage quando alguém aponta um risco; na disposição de uma área para ajudar outra a resolver um problema; na velocidade com que uma decisão é tomada; na maneira como responsabilidades são assumidas; na abertura para aprender um novo processo; e na capacidade de abandonar práticas que funcionaram durante anos, mas que deixam de fazer sentido diante da nova realidade.

Por isso, trabalhar cultura durante uma transformação não significa criar uma campanha sobre novos comportamentos.

Significa identificar quais comportamentos a mudança exige, quais comportamentos atuais podem dificultá-la e quais precisam ser fortalecidos ao longo da jornada.

E as lideranças têm um papel determinante nesse processo. São elas que, por suas decisões e atitudes, mostram o que realmente importa, reforçam comportamentos e ajudam as pessoas a compreender que a Reforma não é responsabilidade de uma área específica, mas uma transformação da organização.


Implementar não significa adotar

Talvez um dos pontos mais importantes da Gestão da Mudança seja justamente essa distinção.

Uma empresa pode cumprir o cronograma. Pode realizar os testes, pode colocar o sistema em produção, pode executar seu go-live. Mas, ainda assim, não ter completado a mudança.

Porque implementação técnica e adoção organizacional são coisas diferentes.

A mudança se consolida quando as pessoas conseguem trabalhar dentro da nova realidade, quando os novos processos são incorporados à rotina e quando os comportamentos necessários começam a fazer parte da maneira como a organização funciona.

Na metodologia da Agentes da Mudança, trabalhamos essa jornada em cinco movimentos: Contato, Entendimento, Crença, Implementação/Compromisso e Sustentação.

Essa lógica parte de um princípio simples: conhecer uma mudança não significa necessariamente compreendê-la; compreender não significa acreditar; acreditar não garante capacidade de executar; e executar uma vez não significa sustentar um novo comportamento.

Por isso, a Gestão da Mudança precisa continuar olhando para a organização mesmo depois da implantação.


A Reforma Tributária também pode deixar um legado

Existe uma oportunidade importante escondida dentro de toda essa complexidade.

As empresas precisarão rever processos, responsabilidades, tecnologias e, sem dúvida, suas formas de trabalhar. Mas poderão aproveitar esse movimento para fortalecer também sua capacidade de transformação.

Organizações mais integradas. Lideranças mais preparadas para conduzir mudanças. Áreas com maior responsabilidade pelo todo. Mais colaboração. Mais protagonismo. E mais capacidade de adaptação.

A Reforma Tributária passará. Outras grandes transformações virão.

E talvez um dos maiores legados desse processo não seja apenas uma empresa adequada à nova legislação, mas uma organização culturalmente mais preparada para mudar.

A legislação determina uma nova realidade, a tecnologia ajuda a viabilizá-la e os processos organizam sua execução. A Gestão da Mudança prepara a organização para atravessá-la e a cultura pode acelerar ou dificultar todo esse caminho.

Por isso, diante de uma transformação dessa magnitude, talvez exista uma pergunta que realmente valha a pena fazer:

Além de preparar nossos sistemas para a Reforma Tributária, estamos preparando nossa organização para mudar?


Gostou do artigo?

Quer saber mais sobre como transformar a Reforma Tributária em uma oportunidade para fortalecer a cultura organizacional e a Gestão da Mudança na sua organização? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Kátia Soares
Fundadora da Agentes da Mudança, escritora, palestrante, educadora, mentoring, executive coaching, especializada em cultura e mudança organizacional, Advisory e Conselheira Consultiva empresarial
https://www.agentesdamudanca.com.br

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Kátia Soares é fundadora da Agentes da Mudança, Escritora, Consultora especializada em Gestão de Mudança, Mentoring, Executive Coaching e Conselheira Consultiva. É Criadora da Jornada de Formação – Líderes Agentes da Mudança. Autora dos livros “A Transição na Gestão de Mudança” e “Cultura da Mudança ou Mudança de Cultura”. Com mais de vinte anos de experiência em consultoria organizacional com foco em marketing, mudança estratégica/cultural e coaching para grupos e executivos. Como consultora atuou por cinco anos na Ernst & Young Consulting. Estruturou no Brasil a prática de change management. Tem liderado há mais de quinze anos projetos de transformação organizacional em empresas nacionais e multinacionais, sendo especialista em gestão de mudança, planejamento estratégico e comunicação empresarial.
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