
90% dos Profissionais São Demitidos por Questões Comportamentais: O Que Está por Trás Desse Número?
Competência técnica, experiência e uma boa formação são fundamentais para uma carreira. Mas não garantem, sozinhas, a permanência ou o crescimento de um profissional dentro de uma empresa.
Um levantamento da Page Personnel, realizado com 1.400 executivos de Recursos Humanos, apontou que 90% dos desligamentos estavam relacionados a questões comportamentais.
Uma pesquisa mais recente confirma a importância do tema. O 6º Observatório de Carreiras e Mercado da PUCPR revelou que 50% das demissões ocorridas em 2024 tiveram como causa questões comportamentais.
O Guia Salarial 2026 da Michael Page reforça esse cenário: 88% dos clientes consultados apontaram relacionamento interpessoal e inteligência emocional como competências de alta demanda. Resiliência, tolerância ao estresse e adaptabilidade aparecem com 83%.
Mas, afinal, o que significa uma demissão por comportamento?
Dificuldade de relacionamento, comunicação inadequada, arrogância, resistência a mudanças, falta de colaboração, incapacidade de receber feedback, conflitos frequentes, dificuldade de ouvir, pouca adaptabilidade e problemas para trabalhar em equipe estão entre as situações que podem comprometer uma carreira.
Há, porém, um aspecto pouco discutido: muitas pessoas são desligadas sem saber exatamente o motivo. Recebem explicações genéricas como “você não se adaptou” ou “seu perfil não está adequado”. E seguem para o próximo emprego sem compreender o que aconteceu e, portanto, sem saber o que precisam mudar.
Outras empresas fazem diferente. Identificam o problema e dão um feedback antes de chegar ao desligamento. Isso já é um avanço. Mas dizer “você precisa melhorar sua comunicação”, “precisa aprender a ouvir” ou “precisa desenvolver sua liderança” ainda deixa uma pergunta: como?
Comportamentos construídos durante anos dificilmente são modificados apenas porque alguém apontou que precisam mudar. É necessário reconhecer padrões, perceber o impacto que causam e desenvolver novas maneiras de agir.
Nesse tipo de situação, considero o coaching uma ferramenta especialmente adequada, porque trabalha objetivos, comportamentos e ação. A empresa pode oferecer esse suporte ou, quando não deseja custeá-lo, ao menos indicar ao profissional caminhos para seu desenvolvimento.
Existe ainda outra possibilidade que não podemos ignorar: às vezes, a pessoa está na empresa errada.
Cada organização tem sua cultura, seus valores e sua forma de trabalhar. Determinada característica pode ser inadequada para uma empresa e perfeitamente compatível com outra. Nem toda dificuldade de adaptação significa um comportamento que precisa ser, de fato, corrigido. Pode existir uma incompatibilidade entre o perfil do profissional e o ambiente no qual está inserido.
Por isso, a reflexão precisa acontecer dos dois lados. A empresa deve comunicar o que espera, dar feedbacks claros e oferecer oportunidades de desenvolvimento. O profissional precisa estar disposto a olhar para si, receber feedback e mudar aquilo que efetivamente esteja prejudicando sua trajetória.
Competência abre portas. Mas comportamento, autoconhecimento e a capacidade de reconhecer o ambiente no qual podemos dar o nosso melhor têm um peso enorme na construção de uma carreira.
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Quer saber mais sobre como identificar e transformar comportamentos que podem levar a uma demissão? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Sandra Rosenfeld
https://www.sandrarosenfeld.com
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