Conduzir uma Conversa Também é uma Competência de Liderança
Toda estratégia, toda decisão importante, toda mudança de rumo em uma empresa começam do mesmo jeito: uma conversa.
E ainda assim, é curioso como investimos tanto em processo, em ferramenta, em dashboard — e tão pouco em pensar sobre como conduzimos as conversas que sustentam tudo isso.
Li recentemente um artigo da Harvard Business Review, “How the Best Leaders Shape Conversations”, que colocou nome em algo que eu já percebia na prática, mas nunca tinha visto tão bem descrito: conversational stewardship — a capacidade de cuidar, de forma intencional, da qualidade do diálogo em equipe.
Não é sobre técnica de facilitação nem sobre fazer mais reuniões.
É sobre clareza. E clareza, nesse caso, se sustenta em três pilares:
- O primeiro é objetivo. Por que estamos aqui, e o que devemos levar dessa conversa? Parece óbvio, mas raramente está explícito antes de uma discussão importante. Quantas reuniões você já saiu sem saber, ao certo, se aquilo que foi dito virou decisão ou só ficou no ar?
- O segundo é papel. Quem facilita, quem decide, quem está ali para contribuir e quem está ali só para entender o contexto. Quando ninguém assume essas responsabilidades, elas simplesmente não acontecem — e a conversa se perde em meio a vozes que não sabem para onde ir.
- O terceiro, e talvez o mais difícil de nomear, é o que os autores chamam de alma da conversa. É a segurança que as pessoas sentem — ou não sentem — para dizer o que realmente pensam. Toda conversa fortalece ou desgasta essa segurança. E as decisões mais caras que já vi dentro de empresas não nasceram de más ideias, mas de verdades que nunca foram ditas.
O artigo traz um caso que ficou comigo
O presidente de uma empresa com mais de 150 anos de história, diante da decisão de aceitar ou não uma oferta de aquisição, escolheu ficar praticamente calado durante boa parte da discussão. De propósito. Para ouvir todas as perspectivas antes de influenciar qualquer posição. E deixou claro, desde o início, que a decisão só sairia com o acordo de todos.
Não foi ao acaso. Foi, de fato, escolha.
E talvez aqui esteja o ponto que mais vale carregar: liderar bem uma conversa não é uma habilidade natural que algumas pessoas têm e outras não, mas sim uma prática. Se aprende, se treina, se cuida — como qualquer outra competência de liderança.
A pergunta que fica não é quantas reuniões você tem por semana, mas “como está a qualidade das conversas que você conduz?”
Porque talvez o próximo passo não seja ter mais reuniões.
Seja ter mais intenção em cada conversa que já temos.
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Quer saber mais sobre como conduzir uma conversa com mais clareza, segurança e intenção para fortalecer sua liderança e melhorar a qualidade das decisões? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Aline Gomes
alinegomes@alimonada.com.br
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