
E se a Vida Parasse Você Hoje? A Importância de Pausar, Rever Prioridades e Cuidar de Si
Recentemente, a vida me parou sem avisar, sem perguntar se era um bom momento, sem esperar que meus planos estivessem concluídos ou que minha agenda tivesse espaço para o inesperado. De repente, precisei mudar tudo, rever compromissos, reorganizar minha rotina e enfrentar um momento diferente daquele que eu havia imaginado.
E foi justamente aí que comecei a enxergar algumas situações com mais clareza. Em um primeiro momento, olhei para tudo aquilo que a pausa estava interrompendo. Depois, comecei a perceber o que ela estava me mostrando, e essa mudança de olhar fez toda a diferença. Porque a vida nem sempre acontece como planejamos. Mas, mesmo diante do inesperado, ainda podemos escolher como queremos atravessar e quem queremos ser depois disso.
Vivemos fazendo planos: planejamos o amanhã, a próxima semana, projetos, a carreira, as viagens e os sonhos. Criamos metas, compromissos e prazos e, sem perceber, começamos a viver como se o futuro estivesse garantido, até que alguma coisa acontece e muda tudo. Foi o que vivi recentemente. Precisei aceitar que algumas coisas poderiam esperar, que determinados planos teriam de mudar e que nem tudo dependia da minha vontade.
Naquele momento, mais importante do que continuar fazendo era compreender como eu queria continuar vivendo. Foi quando algumas perguntas começaram a ocupar o lugar das certezas: o que realmente importa para mim agora? Os objetivos que eu perseguia continuam fazendo sentido? Onde estou colocando meu tempo, minha energia e minha presença? Quais prioridades precisam mudar? Talvez não tenhamos respostas imediatas para essas perguntas. Eu também não tive, mas começar a fazê-las já muda alguma coisa dentro de nós.
A pausa pode revelar o que a pressa esconde.
Vivemos em uma sociedade que valoriza estar em movimento, produzir, realizar, entregar, avançar e conquistar. Somos reconhecidos pelo quanto fazemos e, muitas vezes, esquecemos de perguntar como estamos.
A agenda cheia tornou-se quase um símbolo de importância. Mas será que tudo o que ocupa nosso tempo merece, de fato, ocupar a nossa vida? Minha pausa me fez pensar muito sobre isso. Percebi que algumas urgências não eram tão urgentes, que determinados compromissos poderiam esperar e que alguns objetivos poderiam ser revistos. Também percebi que existem coisas essenciais que não deveriam precisar disputar espaço, como a nossa saúde, as pessoas que amamos, nossos afetos, sonhos, presença, nós mesmas.
Talvez uma das grandes contradições do nosso tempo seja esta: estamos tão ocupadas construindo a vida que desejamos que, às vezes, nos esquecemos de viver a vida que já temos. E aqui quero falar especialmente com as mulheres.
Quantas vezes continuamos mesmo quando estamos cansadas?
Cuidamos da família, dos filhos, dos pais, do trabalho, da casa, dos projetos, das equipes e das pessoas ao nosso redor. Acolhemos, resolvemos, organizamos, antecipamos as necessidades e quase sempre encontramos espaço para mais uma responsabilidade. Mas nem sempre encontramos espaço para nós mesmas. Aprendemos que precisamos dar conta. Que precisamos ser fortes. Que podemos continuar.
E talvez por isso seja difícil reconhecer quando precisamos diminuir o ritmo. Minha experiência recente me trouxe uma pergunta que considero importante compartilhar: por que tantas de nós precisamos chegar ao limite para nos colocarmos como prioridade? Não deveríamos precisar de uma interrupção para perceber que também precisamos de cuidado.
Não deveríamos sentir culpa por desacelerar, nem acreditar que escolher a nós mesmas significa deixar de cuidar de quem amamos. Talvez uma das formas mais importantes do protagonismo feminino seja justamente aprender a reconhecer que eu também importo e que meu tempo, minha saúde, meus sonhos, minha presença e a vida que desejo viver importam. E talvez precisemos deixar de perguntar apenas “Quem precisa de mim?” para começar a perguntar também “Do que eu preciso neste momento da minha vida?” Essa não é uma pergunta egoísta. É uma pergunta necessária.
Não romantizo as pausas.
Nem toda interrupção traz imediatamente uma resposta, nem toda dificuldade vem acompanhada de um aprendizado evidente. Há momentos difíceis, marcados por medo, incertezas e situações que gostaríamos de não enfrentar. Por isso, não acredito que precisemos agradecer por tudo aquilo que nos acontece, mas acredito profundamente na nossa capacidade de decidir o que faremos com aquilo que nos acontece.
Essa talvez seja uma das maiores expressões de protagonismo: não controlar todos os capítulos da nossa história, mas continuar participando da escrita mesmo quando a vida muda o roteiro. Foi isso que comecei a compreender novamente. Eu não poderia mudar o fato de que precisava parar. Mas poderia decidir como viveria aquela pausa. Poderia apenas esperar que tudo passasse para voltar exatamente à vida de antes ou poderia aproveitar aquele momento para me perguntar: Eu quero voltar exatamente para a vida de antes?
Essa pergunta foi poderosa para mim. Talvez a questão não seja voltar, mas seguir diferente. Quando alguma coisa interrompe nossa trajetória, nosso primeiro desejo costuma ser voltar à normalidade. Hoje, penso diferente: talvez algumas experiências não aconteçam para que voltemos iguais, mas nos convidem a seguir de outra maneira. Foi assim que encontrei a oportunidade de rever meus objetivos, encontrar novos sentidos e reorganizar minhas prioridades.
Percebi que algumas coisas ainda são importantes para mim, outras nem tanto, e algumas prioridades que estavam sendo adiadas precisam, definitivamente, ocupar outro lugar na minha vida. Não porque deixei de ter sonhos. Muito pelo contrário: talvez eu esteja aprendendo a escolher com ainda mais consciência quais sonhos merecem o meu tempo.
Precisamos esperar a vida nos parar?
Essa talvez seja a pergunta que mais tenho feito desde então. E ela me leva a outras reflexões:
- Será que precisamos esperar uma interrupção para rever a maneira como estamos vivendo?
- Por que esperar o esgotamento para cuidar de nós?
- Por que esperar uma perda para dizer “eu te amo”?
- Por que esperar uma ruptura para rever nossas escolhas?
- Por que deixar um sonho sempre para depois?
- Por que continuar vivendo no automático quando alguma coisa dentro de nós já está pedindo mudança?
Talvez possamos aprender a criar pequenas pausas antes que a vida crie grandes interrupções. Podemos pausar para escutar, olhar ao redor, agradecer, rever escolhas, reorganizar prioridades e estar verdadeiramente presentes. E, de tempos em tempos, fazer uma pergunta simples, mas profundamente necessária: A vida que estou construindo tem espaço para aquilo que realmente importa para mim?
A vida me parou, mas também me fez refletir.
Ainda existem mudanças, adaptações e aprendizados, mas algo dentro de mim já não é exatamente igual. Não quero simplesmente retomar tudo de onde parei. Quero seguir levando comigo aquilo que essa pausa me fez enxergar: estar mais presente, valorizar ainda mais as pessoas que amo, cuidar de mim sem culpa, escolher melhor onde coloco meu tempo e minha energia, rever objetivos quando eles já não fizerem sentido e continuar sonhando, realizando e construindo, mas sem esquecer de viver.
A vida não é medida apenas por tudo aquilo que conseguimos realizar. Talvez ela seja medida pela presença que tivemos enquanto realizávamos. Não sei se voltarei a ser exatamente a mulher que era antes dessa pausa e talvez eu nem queira, mas quero seguir mais consciente, grata, inteira e, sobretudo, mais atenta ao que realmente importa.
Finalizo com uma pergunta para você — e especialmente para nós, mulheres, que tantas vezes cuidamos de tudo e de todos antes de cuidar de nós mesmas: Se a vida parasse você hoje, o que ela faria você enxergar que a pressa ainda não permitiu perceber? Talvez não seja preciso esperar que ela nos pare. Talvez possamos começar a nos escutar agora.
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Quer saber mais sobre como transformar as pausas da vida em oportunidades para rever prioridades, cuidar de si e construir uma vida mais consciente e alinhada ao que realmente importa? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Edna Vasselo Goldoni
https://www.institutoivg.com.br
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Pausa necessária
Pensando em devolver à sociedade um pouco do que havia conquistado, criou o projeto “Semeando Pérolas”, uma ação social que realizava em comunidades carentes, hospitais e empresas, empoderando mulheres e valorizando suas histórias. Em pouco tempo, foi convidada pela ONU para representar o Brasil no Congresso Mundial ONU Mulheres.
Nasce o Instituto
Em 2017, nasceu o IVG – Instituto Vasselo Goldoni com o objetivo de trabalhar o protagonismo feminino. Desde então, sua missão tem sido mostrar para as mulheres, o quanto elas são capazes de conquistar tudo o que quiserem.
Com grande força realizadora e muito senso de responsabilidade, segue à frente do IVG, trabalhando pelo empoderamento feminino, desenvolvimento e capacitação de mulheres, através de programas de mentoria, entre outras atividades diversas que ocorrem em paralelo com o mesmo foco: protagonismo feminino | empoderamento feminino | a força da mulher | liderança feminina | carreira de sucesso |
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