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O Que Muda Quando um Líder Muda a Forma de Pensar?

Entenda como pensamentos influenciam escolhas, comportamentos, relações e cultura. Descubra por que a liderança consciente começa quando o líder revisita certezas, amplia a consciência e escolhe novas formas de agir.

Liderança Consciente: O Que Muda Quando o Líder Muda?

O Que Muda Quando um Líder Muda a Forma de Pensar?

Tenho pensado sobre quanto da realidade que construímos começa na maneira como aprendemos a interpretar a vida. Pensamentos ganham força quando os repetimos, influenciam nossas escolhas e, aos poucos, passam a participar da maneira como nos relacionamos, decidimos e lideramos.

Quando falo em Reconexão Essencial®, parto desse lugar. Interessa-me aquilo que existe de genuíno em cada pessoa e que continua capaz de escolher, mesmo depois de anos repetindo determinadas formas de pensar, sentir e agir.

Reconectar-se com a própria essência significa também assumir escolhas, inclusive aquelas que, em determinado momento, julgamos ruins. O tempo possui uma inteligência interessante: algumas decisões que pareciam equivocadas tornam-se fundamentais quando compreendemos o que aprendemos com elas; outras, defendidas durante anos como certas, perdem o sentido quando nossa consciência muda.

Talvez amadurecer tenha muito a ver com isso: reconhecer quem fomos e compreender quem estamos nos tornando.

Ninguém assume uma grande responsabilidade de liderança de um dia para o outro. Antes do momento visível da conquista existe uma história composta por decisões, relações, negativas, conflitos, dúvidas, erros, acertos e situações em que foi necessário sustentar uma escolha mesmo sem, de fato, possuir todas as respostas.

Muito antes de uma posição ganhar relevância, já existia alguém aprendendo a influenciar pessoas e sendo influenciado por elas.

Por isso, quando observo um líder, interessa-me compreender a história que o trouxe até ali. Quais pensamentos ajudaram a avançar? Quais continuam sendo repetidos porque um dia foram importantes? E quais se transformaram em fronteiras que hoje podem ser ultrapassadas?

Podemos ampliar responsabilidades, conquistar espaços e continuar respondendo à vida a partir de pensamentos criados por uma versão anterior de nós mesmos.

Quando penso em desenvolvimento humano, meu olhar se volta para aquilo que fomos acumulando ao longo da existência e que continua participando de nossas escolhas. Experiências, afetos, perdas, conquistas, recusas, medos e expectativas ajudam a formar a maneira como interpretamos aquilo que acontece conosco.

Há uma história dentro de cada decisão que tomamos.

Por isso, compreendo a essência como algo que vamos reconhecendo à medida que adquirimos consciência sobre aquilo que pensamos, sentimos, escolhemos e repetimos.

Minha história participa de quem sou, mas minha consciência participa de quem posso me tornar.

Talvez uma das maiores possibilidades humanas esteja justamente em perceber que posso observar um pensamento antes de transformá-lo automaticamente em verdade.

Posso questionar uma certeza antiga, olhar novamente para uma experiência e assim descobrir outro significado. Posso perceber que determinada reação deixou de representar aquilo que desejo construir e então escolher outra resposta.

O conhecido possui uma enorme capacidade de se apresentar como verdade.

Quando experimentamos outras maneiras de pensar, sentir e agir, criamos assim possibilidades que antes estavam fora do nosso repertório. Uma escolha diferente produz outra experiência. Essa experiência oferece novas informações sobre nós mesmos e aquilo que parecia distante começa então a encontrar espaço na realidade.

É assim que compreendo a transformação: um pensamento percebido de outra maneira pode modificar uma escolha e, quando essa escolha ganha coerência em nossas ações, amplia aquilo que acreditávamos ser possível.

A pessoa que dizia “eu sou assim” talvez descubra que, durante muito tempo, estava apenas dizendo: “foi assim que aprendi a ser”.

Existe uma enorme diferença entre essas duas afirmações.

Nas organizações, uma equipe também revela muito sobre a liderança que experimenta. Ela observa como o líder recebe uma discordância, lida com o erro, distribui confiança, exerce poder, escuta e se posiciona quando a realidade segue por um caminho diferente daquele que havia imaginado.

Os hábitos de uma equipe podem carregar sinais importantes sobre a liderança existente naquele ambiente.

Estudar liderança a partir de conceitos oferece conhecimento. Observar os efeitos que nossa presença produz nas pessoas acrescenta outra dimensão: exige que o líder se inclua naquilo que está tentando compreender.

Ser quem se é exige coragem. Desafiar a própria maneira de ser exige ainda mais.

Para mim, liderança consciente passa por essa disposição de revisitar certezas e perceber quais delas ainda fazem sentido diante da pessoa, da equipe e da realidade que existem hoje.

Vivemos cercados por novas tecnologias, novas formas de trabalhar e novas maneiras de organizar negócios e relações. Ainda assim, podemos responder ao novo utilizando pensamentos antigos.

Desejamos inovação e precisamos abrir espaço para novas formas de pensar. Buscamos confiança enquanto revemos controles. Falamos de autonomia enquanto aprendemos a acolher escolhas diferentes das nossas.

É diante do imponderável que descobrimos quanto daquilo que chamávamos de certeza estava ligado à necessidade de manter o mundo conhecido.

Isso também acontece dentro das empresas.

Um líder que acredita que as pessoas precisam ser constantemente controladas tende a criar estruturas que confirmem essa percepção. Quanto maior o controle, menor pode se tornar o espaço para autonomia. Diante de pessoas cada vez mais dependentes de suas decisões, esse líder acaba encontrando exatamente a realidade que esperava encontrar.

O pensamento encontrou evidências para provar a si mesmo.

Quando percebemos esse ciclo, ganhamos a possibilidade de criar outro movimento. Uma pergunta diferente pode produzir outra conversa. Outra conversa pode revelar uma capacidade ainda pouco percebida. A confiança experimentada pode gerar responsabilidade e transformar a percepção inicial.

É por isso que acredito que mudar um pensamento pode participar da transformação de uma vida e, quando falamos de liderança, alcançar também a vida de outras pessoas.

Pensamentos influenciam escolhas. Escolhas sustentam comportamentos. Comportamentos interferem nas relações. E relações ajudam a construir a cultura que experimentamos todos os dias dentro das organizações.

Uma mudança que começa em uma pessoa pode, portanto, alcançar muito além dela.

Foi dessa compreensão que nasceu o Ecossistema Reconexão Essencial®.

Ao longo de minha trajetória acompanhando líderes, executivos, equipes e organizações, fui percebendo um movimento recorrente: algo precisava ser percebido, explorado, transformado e integrado à vida.

Dessa observação surgiram quatro movimentos: Despertar, Explorar, Transformar e Integrar.

Eles se relacionam e acompanham o próprio ritmo da experiência humana. Podemos despertar para algo que acreditávamos já ter integrado, transformar um comportamento e, diante de uma nova circunstância, descobrir outra dimensão que merece ser explorada.

Foi justamente essa dinâmica que me levou à ideia de ecossistema.

Aquilo que acontece dentro de uma pessoa alcança suas relações. As relações influenciam os ambientes. Os ambientes participam da cultura. A cultura interfere nas escolhas das pessoas e nos resultados que uma organização consegue produzir.

O líder influencia o sistema e o sistema também modifica o líder.

Reconectar-se com a própria essência significa, para mim, recuperar autoria sobre aquilo que ainda pode ser construído. Significa reconhecer a história, ampliar possibilidades, perceber pensamentos e escolher quais deles ainda merecem ser alimentados; assumir escolhas, aprender com elas e escolher novamente.

Acredito em líderes capazes de olhar para resultados e enxergar as pessoas que os tornam possíveis. Acredito em organizações nas quais consciência, prosperidade e realização possam ocupar a mesma conversa. E acredito na responsabilidade que cada pessoa possui sobre a realidade que ajuda a construir.

Talvez seja justamente aí que a transformação de uma liderança comece: na capacidade de perceber aquilo que pensamos antes que nossos pensamentos decidam, silenciosamente, a maneira como continuaremos agindo.

E deixo uma pergunta que também faço a mim mesma: Que parte da sua liderança pertence à consciência que você possui hoje e que parte ainda responde à pessoa que você precisou ser no passado?

Reconexão Essencial® — consciência que se transforma em escolha e ganha expressão na vida e na liderança.


Gostou do artigo? 

Quer saber mais sobre como desenvolver uma liderança consciente, reconhecer quais pensamentos ainda orientam suas escolhas e transformar aqueles que já não representam quem você é hoje? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Até o próximo artigo.

Cristiane Maziero
Escritora, autora do livro Alma de Líder e criadora do Ecossistema Reconexão Essencial®. Atua há mais de duas décadas com desenvolvimento humano, liderança e cultura organizacional, acompanhando líderes, executivos, equipes e organizações.
Instagram: @inspiradora_de_lideres
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Confira também: Quando a Cultura Adoece, a Saúde Mental Pede Socorro: Por Que Ampliar a Consciência é o Próximo Passo das Organizações

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Cristiane Maziero é fundadora da Allure Desenvolvimento Humano, com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento humano. Possui formação em Gestão estratégica de recursos humanos, MBA pela USP e pós-graduação em Psicologia pela Associação Luso Brasileira de Transpessoal. Também é pós-graduada em gestão estratégica de Recursos Humanos pelo Instituto Nacional de Pós-graduação, Campinas e em Sociedade Brasileira de dinâmica dos Grupos pela SBDG. Cristiane tem especializações em diversas áreas, como Coaching Ontológico, Coaching Evolutivo, Coaching Game e Punctum pela Points of you (Instituição Israelense), Neurocoaching (Fellipelli), Jogo Purpose Mining Game, entre outras. Além disso, possui certificação internacional no método de Richard Barret e é membro do Instituto Capitalismo Consciente e Art of Hosting. Ao longo de sua carreira, Cristiane atuou como mentora, coach e consultora em empresas renomadas como Grupo Pão de Açúcar, J&J, Vale S/A, Zurich Seguros, Reclame Aqui, Theraskin, Walmart e Reed Exhibition Alcântara Machado. Fundou a Allure Desenvolvimento Humano em 2005, onde atua na gestão da cultura organizacional, coaching, mentoring e capacitação de líderes e equipes. Com experiência em desenvolvimento humano, Cristiane tem apoiado empresas a alcançarem resultados positivos e a desenvolverem uma cultura de alta performance. Suas habilidades em mentoring, coaching e capacitação a tornam reconhecida no mercado e uma profissional altamente valorizada por suas habilidades em liderança e gestão de equipes.
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