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A Mudança Não Acontece no Compartilhar de Informações, mas na Conversa Compartilhada do Significado

Entenda por que mudanças sustentáveis não nascem apenas da informação, mas de conversas que constroem significado, segurança psicológica e participação, fortalecendo relações e transformando a mudança em competência organizacional real.

Mudança: Como Conversas Compartilham Significado

A Mudança Não Acontece no Compartilhar de Informações, Mas na Conversa Compartilhada do Significado

Vivemos uma contradição curiosa dentro das organizações.

Nunca tivemos tanto acesso a metodologias, ferramentas de gestão, inteligência artificial, indicadores e planejamento. Ainda assim, continuamos ouvindo a mesma frase depois de grandes transformações: “As pessoas resistiram à mudança.”

Depois de conduzir mais um encontro dos Diálogos da Mudança – Conversas que transformam, saí com a sensação de que talvez estejamos fazendo a pergunta errada.

Talvez a questão não seja por que as pessoas resistem.

Talvez devêssemos perguntar: quanto espaço elas tiveram para compreender, ressignificar e participar da construção dessa mudança?

Durante o encontro, antes de qualquer discussão sobre processos ou estratégias, propusemos um exercício individual. Perguntamos o que cada participante precisava enxergar, compreender ou ressignificar diante das mudanças que estava vivendo.

As respostas chamaram a atenção pela convergência. As pessoas não pediram menos mudanças. Pediram mais compreensão. Queriam entender melhor os processos, enxergar a estratégia da liderança, perceber como as transformações afetariam seu trabalho, compreender melhor seus clientes, seu papel e o propósito das decisões.

Em seguida, perguntamos o que aquela mudança despertava emocionalmente.

Vieram palavras como medo, ansiedade, insegurança, curiosidade, necessidade de validação e receio de errar. Mas também surgiram entusiasmo, vontade de aprender e desejo de contribuir.

Na terceira reflexão, perguntamos o que dependia delas para agir diante daquele cenário.

E então aconteceu algo interessante.

As respostas deixaram de falar apenas sobre o ambiente e passaram a falar sobre responsabilidade: desenvolver novas competências, organizar melhor o trabalho, buscar conhecimento, comunicar-se com mais clareza, praticar a escuta, exercer empatia e assumir uma postura mais ativa diante da mudança.

Foi impossível não perceber uma transformação acontecendo diante dos nossos olhos. Nada havia mudado no contexto externo daquelas pessoas. O que mudou foi a qualidade da conversa.

Essa experiência reforçou algo que diferentes pesquisadores vêm demonstrando há décadas: mudanças sustentáveis não nascem da transmissão de informações, mas da construção compartilhada de significado.

Edgar Schein, uma das maiores referências em cultura organizacional, defendia que as organizações mudam quando substituem a lógica de convencer pela disposição genuína de compreender. Para ele, líderes transformam culturas quando aprendem a fazer perguntas capazes de revelar a realidade vivida pelas pessoas, e não apenas comunicar respostas previamente definidas.

Peter Senge também já afirmava que organizações aprendem quando desenvolvem a capacidade de pensar juntas. Essa ideia foi aprofundada por William Isaacs, pesquisador do MIT, ao mostrar que diálogo não é simplesmente conversar, mas criar um espaço em que novos significados possam emergir. O diálogo suspende certezas, amplia perspectivas e permite que uma inteligência coletiva apareça, algo impossível quando cada pessoa permanece presa apenas às próprias convicções.

Muito antes deles, o físico David Bohm já descrevia o diálogo como um fluxo compartilhado de significados entre as pessoas. Essa imagem continua extremamente atual. Quando o significado circula, a mudança deixa de ser uma determinação externa e passa a ser uma construção coletiva.

Esse talvez seja o ponto que mais falta às organizações.

Ainda investimos muito tempo aperfeiçoando processos e pouco tempo aperfeiçoando conversas.

A síntese construída durante nosso encontro tornou isso evidente. Os participantes reconheceram que a necessidade de mudar já é compreendida. O desafio está em construir um sentido compartilhado para essa mudança. Perceberam também que o maior ponto de tensão continua sendo as relações. Há intenção de apoiar, mas esse apoio nem sempre se transforma em pertencimento. Existe estrutura, planejamento e capacidade técnica, porém ainda falta integrar essas capacidades humanas à prática cotidiana.

Amy Edmondson chama isso de segurança psicológica. Pessoas só conseguem contribuir verdadeiramente quando sentem que podem expor dúvidas, medos e ideias sem receio de julgamento. Foi exatamente isso que vimos acontecer. Ao criar um ambiente seguro para o diálogo, os sentimentos deixaram de ser obstáculos invisíveis e passaram a ser informações valiosas para compreender o processo de mudança.

Otto Scharmer acrescenta que não transformamos organizações apenas pela qualidade das respostas, mas pela qualidade da presença e da escuta que conseguimos construir. Quando escutamos profundamente, novos futuros tornam-se possíveis porque deixamos de reagir apenas ao presente e começamos a cocriar aquilo que ainda pode existir.

Talvez seja por isso que Margaret Wheatley tenha escrito uma das frases mais conhecidas sobre liderança:

“As pessoas apoiam aquilo que ajudam a criar.”

Essa afirmação resume muito do que vivenciamos naquele encontro.

Ao final, a principal conclusão não dizia respeito a ferramentas, metodologias ou indicadores. Ela dizia respeito às pessoas.

Percebemos que não falta capacidade técnica para conduzir mudanças. O que ainda precisa amadurecer é nossa capacidade de construir sentido, fortalecer relações, integrar métodos e desenvolver competências humanas para que a mudança deixe de ser um projeto e se torne uma competência organizacional.

Talvez seja esse o maior desafio da liderança contemporânea.

Menos comunicação unilateral. Mais conversas que produzem compreensão. Menos respostas prontas. Mais perguntas que despertam consciência.

Porque a verdadeira transformação não acontece quando alguém anuncia uma mudança. Ela começa quando as pessoas encontram espaço para compreendê-la, dar-lhe significado e decidir, juntas, qual futuro desejam construir.


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Quer saber mais sobre como transformar a mudança em uma construção compartilhada, capaz de gerar compreensão, pertencimento e participação? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Kátia Soares
Fundadora da Agentes da Mudança, escritora, palestrante, educadora, mentoring, executive coaching, especializada em cultura e mudança organizacional, Advisory e Conselheira Consultiva empresarial
https://www.agentesdamudanca.com.br

Confira também: Tempo, Presença e a Competência da Mudança na Era da Aceleração

Palavras-chave: mudança, organizações, significado, diálogo, conversas, construção compartilhada de significado, processo de mudança, segurança psicológica, liderança contemporânea, competência organizacional, mudança organizacional, transformar mudança em competência organizacional
Kátia Soares é fundadora da Agentes da Mudança, Escritora, Consultora especializada em Gestão de Mudança, Mentoring, Executive Coaching e Conselheira Consultiva. É Criadora da Jornada de Formação – Líderes Agentes da Mudança. Autora dos livros “A Transição na Gestão de Mudança” e “Cultura da Mudança ou Mudança de Cultura”. Com mais de vinte anos de experiência em consultoria organizacional com foco em marketing, mudança estratégica/cultural e coaching para grupos e executivos. Como consultora atuou por cinco anos na Ernst & Young Consulting. Estruturou no Brasil a prática de change management. Tem liderado há mais de quinze anos projetos de transformação organizacional em empresas nacionais e multinacionais, sendo especialista em gestão de mudança, planejamento estratégico e comunicação empresarial.
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