
O Algoritmo da Demissão do Figital
Chega uma notificação no celular. Não é meta, reunião nem follow-up. É o chamado do RH.
Em instantes, 5 anos de vida, de história e de trocas se desfazem. O motivo? A rede social pessoal do colaborador.
Isso é um fato, não é história de IA. Também não é sobre se é certo ou errado, mas sobre uma realidade que estamos vivendo nos dias atuais.
O termo original em inglês (phygital) foi cunhado em 2007 por Chris Weil, então presidente e CEO da agência de marketing Momentum Worldwide. Significa a fusão das palavras “físico” e “digital” e define a integração completa e sem barreiras entre o mundo físico (offline) e o mundo virtual (online).
No mês passado, postei no meu LinkedIn o vídeo de uma funcionária de uma empresa do setor de crédito cooperativo que foi desligada devido às suas postagens no Instagram pessoal. Situações assim estão se tornando mais comuns e corriqueiras do que se possa imaginar.
Durante muito tempo, acreditamos que existiam dois “eus”: o profissional, que entra pela catraca, e o pessoal, que volta para casa.
O figital implodiu essa lógica.
Hoje, o que publicamos, curtimos e comentamos atravessa paredes, horários e setores. O feed mistura tudo: família, amigos, colegas, líderes, clientes.
Isso não é opinião, é fato. Liberdade de expressão existe; consequência também.
A discussão sempre cai nesse ponto:
- “Mas era o perfil pessoal dela.”
- “Mas era fora do expediente.”
- “Mas era opinião.”
Tudo isso é verdade. Ao mesmo tempo, existe outra verdade coexistindo: empresas operam por reputação, risco e alinhamento, não por código penal.
Quando o digital se torna extensão da marca, o que o colaborador publica passa a ter impacto direto. Não porque ele “errou”, mas porque o sistema inteiro mudou.
Há várias formas de conduzir essa questão, e demitir é apenas uma delas.
Eu, por exemplo, teria conduzido a situação pelo uso do recurso e da exposição, de forma a tornar exponencial meu negócio. Esse sou eu agindo e pensando, não o CNPJ em que ela estava.
Veja: não se trata de dizer que a empresa estava errada ou que a colaboradora estava certa, mas de reconhecer que há talento ali. E talento, quando bem orientado, vira ativo, gera lucro, cria reputação e deixa de ser passivo.
Acredito que muitos casos como esse poderiam ser tratados com:
- conversa estruturada;
- educação digital;
- ajuste de tom;
- clareza de fronteiras;
- uso estratégico da voz;
e não com desligamento imediato.
Claro: há setores que não permitem isso, áreas em que o risco é maior e funções em que o impacto é direto. Assim como há outras, inúmeras outras, em que orientar vale mais do que punir.
Precisamos reconhecer que estamos vivendo um momento em que:
- o digital amplifica tudo;
- o profissional se mistura ao pessoal;
- o algoritmo não entende contexto;
- e o mercado ainda não sabe lidar com isso sem extremos.
Essa demissão deixa cicatrizes na pessoa que sai, na equipe que fica e na cultura que observa.
Ao mesmo tempo, ela nos obriga a encarar perguntas que não dá mais para adiar: como se posicionar nos tempos atuais? Como construir uma marca sólida, idônea e ética, que converse com a sociedade e com as marcas?
“As redes sociais deram o direito à palavra a uma legião de imbecis” – Umberto Eco
Ampliando a colocação do autor, antigamente, o imbecil tinha voz apenas no bar após algumas taças de vinho, sem prejudicar a coletividade, pois era silenciado logo em seguida.
No cenário atual, as pessoas não se dividem mais entre “estar na internet” ou “estar fora dela”. Elas habitam os dois espaços simultaneamente.
Como você está usando sua rede social? Se posicionando e agregando valor? Só na dancinha? Ou, pior, como mero espectador passivo e submisso?
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como usar as redes sociais para fortalecer sua carreira sem transformar sua presença digital em um risco profissional? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Luciano Steffen
Mentor de Carreira e LinkedIn
#eutirovocedoestadofrozen
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