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As Conversas que Nunca Aconteceram

As conversas que nunca aconteceram também deixam marcas. Entenda como palavras não ditas, pedidos de desculpas e reconhecimentos ausentes podem influenciar o presente e como transformá-los em consciência, escolhas e novas possibilidades.

As Conversas que Nunca Aconteceram: Quando o Silêncio do Passado Continua Presente em Nossas Relações

As Conversas que Nunca Aconteceram

Existem conversas que permanecem vivas na memória.

São aquelas que mudaram um caminho, encerraram um ciclo, abriram uma possibilidade ou trouxeram uma nova compreensão sobre nós mesmos.

Talvez você consiga se lembrar de algumas delas.

Uma conversa que encorajou. Outra que acolheu. Uma que ofereceu direção quando tudo parecia confuso. Ou até aquela conversa difícil que, apesar do desconforto, fortaleceu uma relação.

Hoje, porém, quero convidar você a olhar para outro tipo de conversa:

  • Aquelas que nunca aconteceram.
  • O pedido de desculpas que nunca chegou.
  • O reconhecimento que permaneceu preso na garganta.
  • O “eu tenho orgulho de você” que jamais foi dito.
  • O “eu errei”.
  • O “eu acredito em você”.
  • O “como você está… de verdade?”
  • Ou, simplesmente, alguém que perguntasse com intencionalidade: “Como posso ajudar?”

São ausências silenciosas. E, justamente por serem silenciosas, muitas vezes passam despercebidas.

Nem sempre percebemos que também somos moldados pelas palavras que nunca escutamos, pelas perguntas que nunca foram feitas e pelos diálogos que jamais encontraram espaço para existir.

Algumas dessas ausências acompanham pessoas por muitos anos.

Influenciam a maneira como enxergam a si mesmas, a forma como constroem relacionamentos, a facilidade ou a dificuldade para confiar, a coragem para se posicionar, a disponibilidade para pedir ajuda e a necessidade constante de aprovação.

Tudo isso pode fazer parte da nossa história.

Reconhecer essa influência não significa entregar ao passado a responsabilidade pelo presente. Significa compreender que nossa história deixou marcas, e que conhecer essas marcas amplia nossa liberdade de escolha.

A consciência não nos aprisiona. Ela nos devolve possibilidades.

Ao longo desta coluna, conversamos sobre a importância da autoconsciência, dos limites, da escuta e das conversas seguras. E talvez este seja um dos pontos em que todos esses temas se encontram.

Nesse ponto, existe uma pergunta que merece ser feita:

Até quando permitiremos que uma conversa que nunca aconteceu continue influenciando as conversas que vivemos hoje?

Pode ser que você tenha dificuldade para dizer “não” porque, em algum momento da vida, aprendeu que agradar era a melhor forma de ser aceito.

Talvez silencie seus incômodos porque descobriu cedo demais que expressar sentimentos podia trazer críticas, afastamentos ou punições. Talvez evite conflitos porque nunca viu um conflito ser vivido com respeito.

Essas possibilidades não definem quem você é. Elas ajudam a compreender como alguns caminhos foram sendo construídos. Compreender, porém, não significa permanecer, mas ganhar consciência para escolher.

Existe uma diferença importante entre explicar um comportamento e justificá-lo. Explicar amplia a compreensão, enquanto justificar pode interromper a transformação.

Quando entendemos de onde vêm algumas das nossas reações, deixamos de lutar contra nós mesmos.

Ao mesmo tempo, passamos a perceber que podemos escrever capítulos diferentes. A história continua e nós continuamos aprendendo.

Talvez a conversa que você esperou ter durante muitos anos nunca aconteça. Algumas pessoas podem jamais reconhecer o impacto que tiveram em sua vida, um pedido de desculpas talvez nunca seja feito e aquele abraço pode nunca chegar.

Essas ausências podem doer, mas, ainda assim, não precisam determinar os próximos capítulos da sua história.

Há uma pergunta que considero ainda mais importante:

Existe alguma conversa que você passou a vida esperando ter com alguém ou alguma pergunta que esperou ouvir e que, hoje, pode começar a fazer a si mesmo?

Talvez seja o momento de reconhecer a própria coragem, de validar a própria trajetória, de acolher a própria vulnerabilidade, de dizer a si mesmo que fez o melhor que podia com os recursos que tinha em cada etapa da vida.

Não para apagar o passado nem para romantizar a dor, mas sim para permitir que ela deixe de conduzir silenciosamente as escolhas do presente.

Gosto de pensar que a vida nos oferece uma oportunidade extraordinária.

Nem sempre podemos voltar para viver as conversas que ficaram ausentes. Podemos, entretanto, construir conversas diferentes daqui para frente, oferecer aos nossos filhos as palavras que sentimos falta de ouvir e reconhecer colegas antes que o silêncio ocupe o lugar do reconhecimento.

Podemos pedir desculpas enquanto ainda há tempo, agradecer, perguntar e escutar. Também podemos dizer “eu preciso de ajuda”, “eu me importo com você”, “eu estava errado”, “obrigada” e, sobretudo, iniciar uma conversa mais gentil conosco.

Talvez essa seja uma das maiores expressões de maturidade emocional: reconhecer que não escolhemos todas as conversas que moldaram nossa história e, ainda assim, escolher conscientemente quais conversas irão moldar o nosso futuro.

Porque o passado explica parte de quem somos. O presente nos convida a decidir quem desejamos nos tornar. E, provavelmente, a conversa mais transformadora da nossa vida não seja aquela que esperamos que venha de alguém.

Talvez seja aquela que decidimos começar, com coragem, responsabilidade e verdade, a partir de nós mesmos.


Gostou do artigo?

Quer saber mais sobre como as conversas que nunca aconteceram podem se transformar em consciência, novas escolhas e possibilidades para o futuro? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em conversar a respeito.

Até breve!

Angela Passadori
http://facebook.com/angelapassadori
https://www.linkedin.com/in/angelapassadori/

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Angela Passadori é pedagoga, psicopedagoga, coach ontológico, mentora e facilitadora de treinamentos, com mais de 20 anos de atuação no desenvolvimento humano. Atua no fortalecimento da saúde mental e psicossocial nas organizações, com foco em comunicação, segurança psicológica, liderança e culturas de cuidado. É cocriadora da mentoria em grupo Jornada de Comunicação e Autoliderança, organizadora e coautora de livros nas áreas de liderança, coaching, cultura organizacional e autoconhecimento. Certificada em Action Learning pela WIAL e especialista em Segurança Psicológica de Times, é professora universitária e sócia-diretora da Cuidando de Quem Cuida.
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