
WOLLING: O Impacto das Mulheres na Vida de Outras Mulheres
Quando falamos sobre os desafios enfrentados pelas mulheres, normalmente direcionamos nosso olhar para as desigualdades históricas, para a violência de gênero, para as dificuldades de acesso a espaços de liderança e para os preconceitos que ainda persistem em diferentes áreas da sociedade. São debates necessários e urgentes. Mas existe uma reflexão que também merece atenção: qual tem sido o papel das próprias mulheres na construção, ou no enfraquecimento, umas das outras?
Nos últimos anos, ganhou espaço o termo WOLLING, utilizado para descrever comportamentos de hostilidade, julgamento, exclusão, sabotagem ou desqualificação praticados entre mulheres. Embora a expressão seja recente, o fenômeno está longe de ser novo. Ele aparece em comentários aparentemente inofensivos, em críticas constantes, na invalidação de conquistas, na exclusão silenciosa de grupos, na disseminação de fofocas e até mesmo na dificuldade de reconhecer o mérito de outra mulher.
Muitas vezes, não há intenção declarada de machucar. Em outras, a agressão vem disfarçada de conselho, preocupação ou opinião. Ainda assim, seus efeitos podem ser profundos. Afinal, nem toda violência deixa marcas visíveis. Algumas deixam cicatrizes emocionais que acompanham uma pessoa por muitos anos.
Esse é um tema delicado porque não existe uma explicação simples. Mulheres também foram formadas em estruturas sociais que, durante séculos, limitaram seu acesso ao poder, ao reconhecimento e às oportunidades. Em ambientes onde havia pouco espaço para presença feminina, muitas aprenderam, consciente ou inconscientemente, a enxergar outras mulheres como concorrentes.
Essa lógica pode ter feito sentido em um contexto de escassez. O problema é que ela continua sendo reproduzida mesmo em uma realidade que exige cada vez mais colaboração, diversidade e construção coletiva.
Quando uma mulher desmerece a conquista de outra, reforça a ideia de que existe lugar para poucas. Quando questiona constantemente a capacidade de outra profissional sem fundamento, contribui para a manutenção de inseguranças que muitas já carregam. E quando opta pela crítica destrutiva em vez do diálogo, fortalece exatamente as barreiras que tantas lutam para derrubar.
Isso não significa ignorar divergências. Mulheres podem discordar. Podem competir por posições, defender opiniões diferentes e enxergar o mundo sob perspectivas distintas. O problema nunca foi a divergência. O problema surge quando a discordância se transforma em humilhação, exclusão ou tentativa de enfraquecimento.
Existe uma diferença enorme entre oferecer um feedback que contribui para o crescimento de alguém e fazer um comentário que apenas diminui. Existe uma diferença entre apontar um erro e atacar uma pessoa. E existe uma diferença entre defender uma posição e invalidar a trajetória de quem pensa diferente.
Talvez por isso seja tão importante refletirmos sobre os impactos desses comportamentos na saúde mental das mulheres. Ansiedade, insegurança, baixa autoestima, síndrome da impostora e esgotamento emocional são temas cada vez mais presentes em ambientes profissionais. Embora tenham múltiplas causas, muitas dessas questões são agravadas por relações marcadas por julgamentos constantes, falta de apoio e competição destrutiva.
Quantas mulheres deixaram de se candidatar a uma oportunidade porque passaram a duvidar da própria capacidade? Quantas silenciaram suas ideias por medo de serem ridicularizadas? E quantas desistiram de projetos, negócios ou posições de liderança depois de sucessivas experiências de desvalorização?
Nem sempre os maiores obstáculos são visíveis. Muitas vezes, eles se manifestam em pequenas atitudes cotidianas que, acumuladas ao longo do tempo, corroem a confiança e o senso de pertencimento.
É justamente por isso que a sororidade continua sendo um conceito tão relevante. E vale lembrar que sororidade não significa concordar com tudo, defender qualquer comportamento ou ignorar erros. Sororidade é reconhecer a humanidade da outra mulher mesmo quando existem diferenças. É entender que respeito não depende de afinidade. É escolher a ética acima da rivalidade e a construção acima da destruição.
Essa responsabilidade se torna ainda maior quando falamos de liderança.
Mulheres que ocupam posições de influência têm a oportunidade de transformar não apenas suas próprias trajetórias, mas também o caminho de quem vem depois. Uma líder que compartilha conhecimento, reconhece talentos e cria ambientes seguros deixa um legado que ultrapassa resultados e indicadores. Ela contribui para que outras mulheres acreditem que também pertencem àquele espaço.
A verdadeira liderança não se mede pela quantidade de pessoas que admiramos de longe. Ela se mede pela quantidade de pessoas que ajudamos a crescer. Afinal, ocupar um espaço é importante. Abrir espaço para outras pessoas é transformador.
Talvez o maior convite que esse debate nos faça seja o da autorreflexão. Antes de julgar outra mulher, vale a pena perguntar: estou contribuindo para o crescimento dela ou para sua diminuição? Antes de compartilhar uma crítica, é importante refletir se ela gera aprendizado ou apenas reforça julgamentos. E antes de enxergar outra mulher como ameaça, talvez seja necessário lembrar que sucesso não é um recurso limitado.
A construção de uma sociedade mais justa depende, sem dúvida, do enfrentamento das desigualdades externas. Mas também exige coragem para olhar para dentro e reconhecer comportamentos que, muitas vezes sem perceber, acabamos reproduzindo.
Porque nenhuma mulher se torna maior diminuindo outra. A verdadeira grandeza está em usar sua força para elevar quem caminha ao seu lado. E quando mulheres escolhem apoiar mulheres, o impacto vai muito além das relações individuais. Ele alcança famílias, organizações, comunidades e gerações inteiras.
No fim, a pergunta que permanece é simples: queremos ser parte do problema ou parte da transformação?
“Nenhuma mulher se torna maior diminuindo outra. A verdadeira grandeza está em usar sua força para elevar quem caminha ao seu lado.”
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Quer saber mais sobre como identificar o WOLLING e transformar relações entre mulheres em fontes de apoio, respeito e crescimento? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em falar a respeito.
Edna Vasselo Goldoni
https://www.institutoivg.com.br
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Pausa necessária
Pensando em devolver à sociedade um pouco do que havia conquistado, criou o projeto “Semeando Pérolas”, uma ação social que realizava em comunidades carentes, hospitais e empresas, empoderando mulheres e valorizando suas histórias. Em pouco tempo, foi convidada pela ONU para representar o Brasil no Congresso Mundial ONU Mulheres.
Nasce o Instituto
Em 2017, nasceu o IVG – Instituto Vasselo Goldoni com o objetivo de trabalhar o protagonismo feminino. Desde então, sua missão tem sido mostrar para as mulheres, o quanto elas são capazes de conquistar tudo o que quiserem.
Com grande força realizadora e muito senso de responsabilidade, segue à frente do IVG, trabalhando pelo empoderamento feminino, desenvolvimento e capacitação de mulheres, através de programas de mentoria, entre outras atividades diversas que ocorrem em paralelo com o mesmo foco: protagonismo feminino | empoderamento feminino | a força da mulher | liderança feminina | carreira de sucesso |
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