
O retorno das histórias: o que fenômenos como Michael Jackson e O Diabo Veste Prada revelam sobre o branding atual
Há movimentos de mercado que não se anunciam com grandes manchetes, mas que podem ser percebidos nitidamente por quem observa com atenção o comportamento das pessoas.
Nos últimos meses, dois fenômenos chamaram atenção. De um lado, a retomada do interesse massivo pela trajetória de Michael Jackson. De outro, o retorno de uma das narrativas mais emblemáticas da cultura contemporânea com O Diabo Veste Prada.
Ambos movimentaram o público, geraram filas, reacenderam conversas e, principalmente, despertaram algo que há algum tempo parecia diluído no excesso de informação: o interesse genuíno por boas histórias.
Para cientistas dos fenômenos sociais, não se trata apenas de entretenimento, mas de um sinal.
Durante anos, o mercado se acostumou a operar sob a lógica da velocidade. Conteúdos curtos, tendências passageiras e uma busca quase incessante por atenção imediata. Funcionou por um tempo. Mas, como acontece com todo excesso, o próprio público começou a demonstrar cansaço.
Estudos recentes ajudam a sustentar essa percepção. Levantamentos globais publicados em 2026 por PwC e Deloitte indicam que o consumidor se tornou mais seletivo, valorizando marcas que demonstram consistência ao longo do tempo e um posicionamento firme; íntegro, ao mesmo tempo em que reduz sua tolerância a comunicações superficiais ou excessivamente promocionais.
O que esses movimentos indicam é uma mudança mais profunda. As pessoas continuam conectadas, continuam consumindo, mas passaram a selecionar com mais exigência aquilo que realmente merece seu tempo.
E, nesse novo contexto, histórias voltam a ter valor.
A trajetória de Michael Jackson não é revisitada apenas por sua genialidade artística, mas pela complexidade de sua construção como marca, sua autenticidade, as fases que atravessou e pela capacidade de permanecer relevante ao longo das décadas. Da mesma forma, o universo apresentado em O Diabo Veste Prada vai além da moda. Ele traduz poder, identidade, ambição e escolhas. Elementos que permanecem atuais, independentemente do tempo.
Esses exemplos ajudam a compreender uma transformação importante para o ambiente de negócios.
Durante muito tempo, comunicar foi suficiente. Depois, tornou-se necessário se posicionar. Agora, um novo nível de exigência começa a se consolidar: o de construir narrativas cada vez mais consistentes.
Não se trata de produzir mais conteúdo, mas de produzir significado.
Em mercados cada vez mais competitivos, especialmente na área da saúde e do bem-estar, observa-se um movimento semelhante. Profissionais tecnicamente preparados, clínicas bem estruturadas e presença digital ativa já não garantem, por si só, crescimento sustentável.
O que começa a diferenciar, portanto, é a capacidade de estabelecer uma conexão mais profunda com o público. E essa conexão não se constrói apenas com informação, com capacidade técnica e inovação. O mercado está apontando para histórias que possam ser replicadas, que inspirem e tragam a essência das marcas a longo prazo.
O paciente de hoje não busca apenas um serviço. Ele busca segurança, identificação e confiança. E esses elementos são fortalecidos quando existe uma narrativa clara por trás da marca.
Outro ponto relevante é o tempo. Tanto Michael Jackson quanto O Diabo Veste Prada não se tornaram referências de forma imediata. As narrativas que tem gerado conexão apontam para uma jornada construída ao longo de anos e que se adaptaram a diferentes contextos e, ainda assim, preservando seu verdadeiro caráter.
Esse aspecto traz uma reflexão importante para líderes e profissionais. Em um cenário que valoriza resultados rápidos, há uma tendência de subestimar o poder da tradicionalidade ao longo do tempo. No entanto, as marcas que realmente permanecem e marcam diferentes gerações, são aquelas que conseguem sustentar suas bases, independentemente das oscilações do mercado.
Ao observar esses movimentos, torna-se possível compreender que o mercado não está necessariamente mais difícil. O mercado tem reagido com cada vez mais exigência e consciência.
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Quer saber mais sobre como as marcas podem construir narrativas consistentes e relevantes em um mercado cada vez mais seletivo e exigente? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em falar sobre este tema.
Um grande abraço,
Queila Fonini
Fundadora e CEO da Aviah Soluções Empresariais
https://www.aviah.com.br

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