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A Coragem de Ser Gentil: A Forma Mais Madura de Assertividade

Descubra por que gentileza não é fraqueza, mas uma forma madura de assertividade. Um convite para escutar melhor, discordar sem destruir e preservar relações mesmo diante de conflitos e divergências.

A Coragem de Ser Gentil: A Forma Mais Madura de Assertividade

A Coragem de Ser Gentil: A Forma Mais Madura de Assertividade

Escutar e ser gentil não é concordar. É usar cuidado e atenção para preservar a qualidade da relação mesmo quando há divergência.

Durante muito tempo, confundimos gentileza com fraqueza.

Chamamos de “gentil” a pessoa que não incomoda, que não confronta, que aceita, que cede, que sorri quando deveria se impor. Como se a gentileza fosse uma forma de abnegação. Como se as pessoas realmente fortes fossem as duras, as rápidas, as assertivas, as que vencem discussões, ocupam espaço e impõem sua visão sem pedir licença.

Para mim, talvez essa seja uma das confusões mais perigosas do nosso tempo.

Ser gentil não é fazer o que o outro quer. Não é concordar com tudo. Não é evitar conflitos. E não é virar refém da aprovação alheia.

Ser gentil é conseguir dizer “não” sem humilhar. É discordar sem destruir, escutar sem se apagar, acolher a experiência do outro sem necessariamente concordar. É oferecer ao outro uma coisa cada vez mais rara: a sensação de que ele não precisa lutar para existir na sua frente.

E isso requer coragem, energia e presença.

Porque o fácil, muitas vezes, é ser o vilão da história do outro: despejar opinião antes de escutar, discordar antes de compreender que o outro sempre tem boas razões para achar que tem razão, reduzir uma pessoa ao seu erro, à sua fala mal colocada, ao seu excesso, à sua posição política, ao seu momento mais infeliz. É entrar na relação armado de certezas e impor sua visão como se isso fosse coragem. É confundir convicção com verdade absoluta.

Como sugere John Berger, escritor e pensador britânico, talvez coragem seja manter a ternura em um mundo áspero. Gentileza é um ato de liberdade: um ato gratuito, escolhido, que requer atenção e cuidado. Ela não é performance de bondade. É disciplina de relação.

E talvez por isso ela seja tão difícil.

Nossa programação natural de sobrevivência nos treinou para detectar ameaças e perceber o negativo com eficiência: o erro, o risco, a incoerência, a crítica, a intenção escondida. Foi assim que sobrevivemos até aqui. Ao mesmo tempo, essa tendência natural nos torna especialistas em perigo e analfabetos em beleza.

Percebemos rápido o que falta, o falso, o errado. Demoramos a reconhecer o que é positivo, belo, justo ou verdadeiro.

Deixamos passar o gesto discreto, a intenção boa, a tentativa sincera de aproximação do outro.

É por isso que reconhecer o positivo não é ingenuidade. É treino. Assim como um diário de gratidão não é romantização da vida ou ingenuidade, é sim um exercício de reeducação da atenção. Não para negar o sofrimento, e sim para não deixar que ele colonize todo o campo da percepção.

A Escutatória entra exatamente aqui.

Escutar não é ficar calado esperando a sua vez de falar. Escutar é oferecer ao outro uma hospitalidade temporária. É criar, por alguns instantes, um espaço onde ele possa se ouvir melhor porque você não o interrompeu com sua pressa de resolver, corrigir ou julgar. E essa hospitalidade não exige concordância.

Circula por aí um ditado popular: “Você quer ser feliz ou ter razão?” Como se fosse preciso escolher. Como se a felicidade relacional exigisse abdicar da verdade, ou como se sustentar uma posição implicasse necessariamente perder o vínculo. É uma falsa oposição. Dá para ser feliz sem dar razão. Porque é feliz quem percebeu que podem coexistir vários pontos de vista sem cair no confronto.

Laurence Devillairs, filósofa francesa, tem defendido a reabilitação da gentileza como uma força moral, não como ingenuidade. A gentileza não finge que o mal não existe; apenas se recusa a concluir que endurecer é a única resposta possível.

A pessoa gentil muitas vezes é vista como alguém “fofo”, “leve”, “boa demais”, quase inapta para o mundo real. Quando, na verdade, gentileza cria segurança. Segurança cria presença. Presença cria inteligência coletiva.

Há uma coragem profunda em continuar oferecendo cuidado quando o mundo premia a indiferença. Sobretudo quando a violência, as guerras e os conflitos se alastram.

Em francês, existe uma palavra usada no mundo corporativo para a qual ainda não encontrei tradução perfeita em português: bienveillance. Talvez por acharmos que “gentil” é uma palavra carimbada, talvez por falta de palavras alternativas, temos certo pudor em falar de gentileza para lideranças.

Da próxima vez que sentir vontade de rebater, experimente trocar a sua reação automática por curiosidade. Inspire. E, em vez de responder, pergunte: “Me diga mais?” ou “O que houve?”

Escutar o que não queremos ouvir exige coragem.

Agora, quando não levamos para o pessoal, descobrimos que uma escuta simples, quando é genuína, interesse genuíno pode dissolver conflitos antes mesmo que uma resposta esteja pronta.

E talvez a Escutatória seja um de seus caminhos práticos: uma forma de transformar presença em cuidado, atenção em generosidade — a arte de não aumentar desnecessariamente a violência do mundo.

Não se trata de ser bonzinho. Trata-se de exercitar a escuta para reconhecer o justo, o belo e o verdadeiro quando aparecem — mesmo pequenos, mesmo discretos, mesmo vindos de alguém com quem discordamos.

Porque, no fim, a gentileza não é o contrário da assertividade.

Talvez seja a sua forma mais madura.


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Quer saber mais sobre como a coragem de ser gentil pode tornar sua assertividade mais madura, humana e eficaz? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em ajudar.

Thomas BRIEU
https://www.linkedin.com/in/thomas-brieu/
https://www.instagram.com/thomasbrieu_/
Autor do livro “Escutatória” – Link: https://www.h1editora.com/produto/escutatoria-150183
Coautor do livro “Escute Expresse e Fale” – https://encurtador.com.br/31Vwa

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Thomas Brieu Author
Thomas Brieu desenvolveu um método inovador que repensa a comunicação pelo prisma de quem escuta. Socioeconomista, possui mestrado em agronomia na França e outro pela USP sobre energias e biocombustíveis. Atualmente é CEO da DO IT, onde compartilha seus conhecimentos por meio de palestras, workshops e treinamentos. É autor do livro “Escutatória” e co-autor do livro “Escute, Expresse e Fale” com seus colegas Mílton Young, Leny Kyrillos e Antonio Sacavém.
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