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Quando a Boa Intenção Não se Transforma em Ação: O Que a CNV e a Psicanálise Têm em Comum?

Descubra por que a boa intenção nem sempre se transforma em ação e como CNV e psicanálise ajudam a compreender padrões automáticos, conflitos internos e caminhos mais conscientes para melhorar a comunicação no dia a dia.

Quando a Boa Intenção Não se Transforma em Ação: O Que a CNV e a Psicanálise Têm em Comum?

Quando a Boa Intenção Não se Transforma em Ação: O Que a CNV e a Psicanálise Têm em Comum?

Todos nós já nos prometemos: “Vou melhorar minha comunicação.”

No entanto, na hora H, acabamos caindo nos mesmos padrões: ironia, defesa, silêncio ou explosão. A distância entre intenção e ação é o espaço onde a psicanálise e a Comunicação Não Violenta podem dialogar profundamente.

A abordagem da CNV, criada pelo psicólogo Marshall Rosenberg, nos oferece um caminho claro para transformar o desejo em prática. Ela se baseia em quatro elementos importantes, que não são passos a seguir, mas uma forma de transformação: observar sem julgar, ou seja, evitar juízos de valor, interpretar, criticar, analisar, interrogar ou competir pelo sofrimento; considerar e nomear sentimentos, lembrando que sentimentos são diferentes daquilo que está atrelado a julgamentos; identificar necessidades, sem confundi-las com estratégias; e formular pedidos claros.

Um exemplo é quando eu digo: “Eu acho que fulano fez de propósito”. Isso é uma avaliação do que eu acho que o outro esteja me fazendo, e não uma verdade, pois está na minha cabeça. Identificar necessidades também exige cuidado: não posso confundi-las com estratégias, pois uma coisa é o que é importante para mim, um valor; outra é como eu quero atender a essa necessidade.

Quando confundo esses dois, o conflito emerge na certa. Não se trata apenas de “ser mais gentil”, mas de ancorar nossas ações na consciência de nós mesmos e do outro, evitando as respostas automáticas que nos levam a repetir comportamentos.

Por outro lado, a psicanálise nos lembra que não somos totalmente senhores da nossa casa interna, ou seja, há um inconsciente que se manifesta, influenciando nossas ações e palavras. Os atos falhos revelam como interesses conscientes podem ser ofuscados por conflitos não reconhecidos, gerando comportamentos que vão contra o que realmente queremos.


Ambas as abordagens buscam a “melhora da comunicação” interna e externa como um processo de subjetivação.


A CNV oferece uma ação no aqui e agora; a psicanálise nos ajuda a entender o porquê de, mesmo com estrutura, ainda tropeçarmos nos mesmos lugares, repetindo cenas e nos sabotando ao pedir, ouvir ou dizer “não”.

Melhorar não significa se tornar alguém “zen” da noite para o dia. É suportar o desconforto de olhar para o que nos atravessa, acolher nossos afetos e, a partir disso, arriscar uma nova forma de agir: menos reativa, mais responsável ou, como costumo dizer, mais autorresponsável.

Cada vez que escolho observar em vez de julgar, nomear em vez de atacar, pedir em vez de exigir, estou promovendo um pequeno deslocamento subjetivo, um ato que aponta para uma ética diferente nas relações.

Não se trata de “mudar tudo”, mas de escolher uma cena do cotidiano e perguntar: o que eu sinto, do que eu preciso e qual é o pedido possível aqui?

É nesse gesto mínimo, repetido uma, duas, três e mais vezes, sustentado e analisado, que a ação começa a se alinhar com o desejo de, de fato, melhorar.

Toda mudança não acontece da noite para o dia. Você precisa de muitas vezes para aprender algo novo. Da mesma forma, observamos isso na CNV.

Nesse sentido, vale trazer o Neurocoaching, que nos mostra a jornada da aprendizagem. Ao aprender algo novo, reconhecer seus próprios passos ajuda a reduzir emoções intensas e facilita o processo de mudança e aquisição de hábitos.

Para contextualizar, abaixo será abordado cada passo e, em seguida, uma imagem.


Incompetência inconsciente

Este é o estágio de desconhecimento e paz. Nós literalmente não sabemos aquilo que não sabemos e, portanto, não nos sentimos afetados por isso.

Exemplo: Imagine uma pessoa que nunca ouviu falar sobre a CNV (Comunicação Não Violenta). Ela segue sua vida, lidando com conflitos e conversas do jeito que aprendeu, sem nem saber que existe uma abordagem diferente para se comunicar. Como ela não tem conhecimento dessa possibilidade, não sente necessidade de mudança e não percebe que poderia agir de outra forma. Só quando toma contato com o conceito, começa a notar o que antes era invisível para ela.


Incompetência consciente

Esse estágio tende a envolver algum grau de desconforto, vergonha, medo e incerteza. De repente, nos tornamos conscientes daquilo que não sabemos.

Exemplo: Dando sequência ao exemplo anterior, imagine que a pessoa ouviu falar sobre a CNV em uma conversa ou em um curso. Ela começa a perceber que, em situações de conflito, costuma reagir de forma defensiva ou agressiva. Além disso, percebe que não sabe como agir de outra maneira. Essa tomada de consciência pode gerar desconforto, pois ela nota que suas respostas não contribuem para um diálogo mais saudável. Sente-se insegura e até envergonhada por não dominar essa nova abordagem. É nesse momento que surge a vontade de aprender, mas também o medo de errar e a dúvida sobre como colocar a CNV em prática no dia a dia.


Competência consciente

Nesse estágio, passamos a agir de maneira mais competente, reconhecendo cada passo que damos. Estamos atentos ao processo, o que nos traz entusiasmo pelas novas possibilidades, mas ainda exigimos esforço e concentração para aplicar o conhecimento adquirido.

Exemplo: Dando continuidade ao caso anterior, imagine que a pessoa decidiu praticar a CNV. Ela começa a identificar e expressar seus sentimentos e necessidades durante uma conversa difícil, usando a forma aprendida. Apesar de sentir-se motivada por estar aplicando algo novo, precisa refletir e lembrar-se de como fazer para não cair nos antigos padrões. O progresso é evidente, mas requer atenção constante para manter o novo comportamento.


Competência inconsciente

Nesse estágio, a nova aprendizagem está integrada em nós e não estamos mais conscientes sobre o novo hábito ou habilidade. Ele passa a ser uma parte natural de nossa vida diária. Aquilo que aprendemos está tão incorporado em nossa rotina que realizamos a nova habilidade ou hábito automaticamente, sem precisar pensar a respeito. O comportamento aprendido se torna algo espontâneo e natural, fazendo parte de nossa vida sem esforço consciente.

Exemplo: Imagine alguém que praticou a CNV (Comunicação Não Violenta) por tanto tempo que, ao lidar com um conflito, já expressa seus sentimentos e necessidades de forma empática, sem precisar se lembrar dos passos. Ela naturalmente escuta o outro com atenção e responde de maneira respeitosa, pois a abordagem se tornou parte de sua essência. O novo modo de se comunicar está introjetado e acontece sem esforço, como se sempre tivesse feito parte da sua vida.

Quando a Boa Intenção Não se Transforma em Ação: O Que a CNV e a Psicanálise Têm em Comum?
Imagem criada pelo Gemini.

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Quer saber mais sobre como CNV e psicanálise podem ajudar a transformar boa intenção em ação real na sua comunicação? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Um grande abraço e até o próximo artigo!

Wania Moraes Troyano
Especialista em Resiliência Científica e Neurociências
http://www.waniamoraes.com.br/

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Wania Moraes Troyano possui MBA em Gestão de Negócios e Coaching, Pós-Graduada em Dinâmicas dos Grupos Administradora de Empresas e Pedagoga, com mais de 30 anos com sólida carreira corporativa em empresas multinacionais e em cargos de gestão e assessoria executiva. Foco em Desenvolvimento Humano, especialista em CNV-Comunicação Não Violenta, Coach em Resiliência, Profissional, Vida e Executivo, Neurocoaching, mentora e supervisora para líderes e coaches, com mais de 1000 horas em processos de Coaching. Facilitadora de Grupos. Especialista nos assessments de Estilos de Liderança e Resiliência. Palestrante e Facilitadora de Grupos. Facilitadora em Barras de Access – Expansão da Consciência. Co-autora do livro Coaching Aceleração de Resultados, Capítulo Quantos Antes Melhor! Programa Mulheres Poderosas, na alltv.com.br, todas as terças-feiras, 15h00 às 16h00. Voluntária em programas de Jovens Aprendizes.
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