
Pertencimento: A Necessidade que é o Fio que Une Vida e Legado
Você sabia que a necessidade mais importante na vida é se sentir pertencente?
O que pode acontecer se não nos sentimentos pertencentes? Pode se tornas difícil sobreviver!
O pertencimento é a necessidade mais fundamental buscada por cada um de nós. Ele vai além da simples sobrevivência, pois, sem sentir que fazemos parte de algo, até mesmo viver se torna um desafio.
Mais do que apenas estar fisicamente presente, pertencer significa sentir-se aceito, valorizado e incluído em um grupo, comunidade ou família. Essa sensação de pertencimento nos dá segurança emocional e validação, permitindo que sejamos autênticos e vulneráveis.
Quando ela falta, surgem sentimentos de isolamento, inadequação e até dificuldades em manter o próprio bem-estar. Por isso, cultivar relações onde o respeito, a empatia e o reconhecimento prevalecem é essencial para nossa saúde mental e nossa capacidade de prosperar.
A sensação de pertencer é um dos fios invisíveis que sustentam a vida em sociedade. Desde o momento em que somos gerados, buscamos de uma forma instintiva e inconsciente fazer parte de algum lugar onde sejamos acolhidos e depois que nascemos ser aceitos sem precisar esconder nossas partes.
Pertencer é sentir-se visto, validado e incluído em algo maior seja uma família, um grupo, uma equipe ou uma comunidade.
Sob a ótica da Comunicação Não Violenta (CNV), o senso de pertencimento se conecta diretamente com duas necessidades humanas fundamentais: Reconhecimento e Conexão.
Marshall Rosenberg nos diz que todos os comportamentos humanos são formas de atender a necessidades universais. Quando a pessoa se sente excluída, ignorada ou fora de sintonia com o grupo, algo muito básico nela é ferido. Ou seja, seu senso de valor e segurança existencial.
A CNV nos convida a olhar além dos comportamentos e perceber a emoção e a necessidade de que se expressam ali. Por exemplo:
- Quando a pessoa insiste em participar de todas as conversas, pode não ser apenas “carência”, mas sim que esteja expressando uma necessidade genuína de ser incluída;
- Quando a pessoa se afasta em silêncio, pode não estar sendo “fria”, talvez esteja buscando proteger-se de uma dor anterior de não se sentir parte, ou seja, ambas nos levam a experiências dolorosas, inconscientes, na qual é expressa pelos mecanismos de defesa.
Se tivermos empatia, olhar além dos julgamentos, reconhecer isso muda a perspectiva.
Passamos a nos relacionar não pelo julgamento, mas pela empatia. Falamos e escutamos com o desejo de compreender o que está vivo no outro e em nós, e é essa escuta que cria pontes de pertencimento real.
Bert Hellinger, das Constelações Familiares, traz a importância da necessidade de pertencimento como a base das chamadas “Ordens do Amor”, leis sistêmicas que regem o fluxo harmonioso nos sistemas familiares. Podemos ampliar para o contexto organizacional.
As constelações nos dizem que a lei do pertencimento é quando todos os membros do sistema família tem igual direito de pertencer, independentemente de ações, destinos ou julgamentos, incluindo vivos, mortos, abortados ou natimortos, ou seja, todos tem um lugar e quando se exclui alguém cria uma tensão inconsciente no sistema, e esta busca restaurar o equilíbrio: gerações posteriores podem repetir padrões ou sofrer bloqueios para “compensar” a ausência. De alguma forma podemos encontrar aí as crenças familiares que muitas vezes repetimos sem nem mesmo saber o porquê.
O pertencimento cria segurança, como um “estar em casa”, essencial para o bem-estar e a sobrevivência social.
Olhando à luz da Comunicação Não Violenta (CNV), pertencimento está alinhado à necessidade de conexão e reconhecimento, ou seja, a escuta empática restaura vínculos excluídos, promove a autenticidade e ressignifica os julgamentos.
Tanto a constelação quanto a CNV veem a exclusão como uma ferida básica, na CNV pela observação, sentimentos e necessidades; enquanto a constelação pela dinâmica do sistêmica.
Pertencer, então, não é apenas estar junto, mas ser parte a partir da autenticidade.
Significa poder dizer “eu existo aqui, do meu jeito” e ser visto com respeito. A CNV nos ajuda a cultivar esse tipo de presença: uma em que o diálogo substitui a defesa, e o vínculo nasce da vulnerabilidade compartilhada.
Em um mundo fragmentado por tantas formas de exclusão, talvez o maior gesto revolucionário seja esse: comunicar-se para pertencer, e pertencer comunicando-se com consciência.
Quando reconhecemos que todos tem um lugar, isso é libertador, podendo utilizar “Eu te vejo e te incluo”, mitigando as repetições, na vida, muitas vezes dolorosas e que acreditamos não ter fim.
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como desenvolver o senso de pertencimento para fortalecer seus vínculos, seu bem-estar emocional e o legado que você constrói nas suas relações? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Um grande abraço e até o próximo artigo!
Wania Moraes Troyano
Especialista em Resiliência Científica e Neurociências
http://www.waniamoraes.com.br/
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