
Como Usar a Gratidão Como Alavanca para Bem-Estar, Abundância e Saúde Emocional
O ano começa depois do Carnaval? A verdade é que o fim das férias e das festas traz à tona a realidade das contas, dos compromissos e preocupações do dia a dia. Porém, será que este é o caminho? Ou devemos trabalhar a aceitação com a gratidão daquilo que é?
Vamos falar um pouco sobre isso e entender a prática tão poderosa da gratidão, recomendada pela psicologia, pelas religiões, pelos médicos e pelos gurus! Sobre o que todos estão falando e o que sabemos hoje sobre os benefícios da gratidão?
A Psicologia Positiva, desenvolvida por Martin Seligman, que se dedica ao estudo dos aspectos positivos das emoções, do propósito e do bem-estar, traz a gratidão como uma das práticas de maior impacto para a saúde emocional, pois amplia as emoções positivas, reduz sintomas de depressão e incrementa a satisfação com a vida.
A gratidão é a principal chave para a abundância. É uma forma de retirar o foco da escassez, da falta, do medo e daquilo que não parece certo. Ser grato não se trata de um gesto, e sim de uma frequência para o seu sistema nervoso. É a vibração de reconhecer que aquilo que aconteceu aconteceu como devia. Como prática simples, podemos nos perguntar: O que deu certo hoje?
A ideia é justamente manter a conexão com aquilo que dá certo, e o simples hábito de escrever todas as noites três coisas boas e por que elas aconteceram já modifica a nossa frequência cerebral e, em três semanas, mudará a percepção de felicidade.
Veremos que não se trata de uma fórmula mágica. Isso acontece porque a gratidão reduz o viés negativo natural do cérebro, pois temos uma tendência evolutiva a focar no que está errado, um viés de negatividade. Agradecer é como uma academia cerebral, onde treinamos o músculo emocional, aprendemos a criar um ciclo positivo no cérebro e, com o reforço do comportamento, isso se torna mais natural.
A gratidão é eficaz quando é específica e consciente, ou seja, deve ter intenção e se manifestar de forma concreta, refletindo realmente o sentimento. Por isso, parar para agradecer, não fazer mecanicamente e escrever sobre o que se é grato são formas de registrar essa emoção. É importante que o registro seja específico: “Obrigada por ter ouvido”, “Obrigada por ter vindo”, ao invés de simplesmente “Obrigada” ou “Obrigada por tudo”.
Trata-se ainda de uma forma de fortalecer relacionamentos: cria vínculos afetivos, melhora a qualidade dos relacionamentos e cria proximidade. A gratidão ativa redes neurais ligadas à sociabilidade e à empatia, permite a generosidade e comportamentos mais altruístas, fortalecendo a experiência de conexão. Entre muitos benefícios está ainda o desenvolvimento da resiliência e a possibilidade de lidar melhor com adversidades e se recuperar das frustrações, mantendo a esperança.
Já vimos como a prática da gratidão não é apenas emocional — ela provoca mudanças mensuráveis no cérebro.
Atualmente, a neurociência comprova como, por meio da gratidão, é ativado o sistema de recompensa. Ou seja, o cérebro ativa áreas como o córtex pré-frontal medial e o estriado ventral, regiões associadas ao prazer e à recompensa, provocando a liberação de dopamina, neurotransmissor ligado à motivação, à sensação de bem-estar e à regulação emocional.
A atividade cerebral não para aí, pois promove também a liberação de serotonina, neurotransmissor relacionado ao humor estável e à sensação de contentamento, o que reduz a ansiedade, os pensamentos repetitivos e pode regular sintomas de depressão. A atuação se dá ainda na amígdala cerebral, que é responsável por detectar ameaças e, através disso, podemos reduzir sintomas de medo, estresse e preocupação, além da redução do cortisol, hormônio responsável pelo estresse.
O cérebro começa a sair do modo sobrevivência, fator animal, e entrar no modo conexão, fator social. Com repetição, o cérebro literalmente se reorganiza e enfraquece padrões automáticos de negatividade, fortalecendo vias neurais associadas a emoções positivas. O cérebro interpreta a gratidão como uma experiência de conexão e uma prática neural repetida que molda a arquitetura neural e promove neuroplasticidade.
É importante não confundir isso com pensamento positivo e otimismo, pois esses comportamentos envolvem processos cerebrais diferentes.
Enquanto a gratidão está ligada ao passado, a reconhecer algo que deu certo, o otimismo está ligado à expectativa de algo positivo que ainda irá acontecer. Essa diferença temporal muda os circuitos ativados no cérebro, ou seja, gratidão é o cérebro dizendo: “Isso foi bom e teve valor”, o que consolida significado, enquanto o otimismo se refere a “Vai dar certo”, projetando a possibilidade.
Incrivelmente, a ciência moderna e tudo o que sabemos hoje sobre o nosso sistema nervoso e cerebral dialogam com ensinamentos que algumas práticas religiosas difundem há muito tempo. Sendo assim, práticas espirituais são comprovadamente eficazes na prática da gratidão. De certa forma, gratidão passou a ser uma palavra comum e banalizada, inclusive como forma de agradecimento social no lugar de “obrigada”.
Muitos livros, coaches e terapeutas ensinam rituais, listas e diários, mas a gratidão funciona como uma frequência que tem que ser instalada no seu sistema nervoso para substituir a reclamação e gerar uma prática constante. Não é hábito e não é piloto automático, mas a mais alta frequência que seu sistema nervoso pode incorporar. Gratidão não é uma lista e estamos exaustos de ouvir que não somos gratos o suficiente e que isso é mais uma tarefa que falta fazer.
A ideia é que seu sistema nervoso encontre um lugar de conforto para que você possa agradecer o que já é. Se eu faço isso e reconheço todos os recursos que tenho, eu abro espaço para que meu sistema receba e não fique concentrado no que falta. Sempre algo faltará, isso é da natureza humana. Somos seres desejantes, seja de coisas materiais, mundanas ou não mensuráveis, sempre desejamos ser amados, aceitos, incluídos.
Gratidão é um leve e suave reconhecimento daquilo que já é, uma mudança de paradigma de tudo o que ouvimos hoje: a meta, o sucesso, chegar lá, consumir, conquistar. Tudo isso fica no futuro e como algo a fazer e performar.
A gratidão está na presença do hoje e é passiva, é um espaço interno, um estado de criação onde seu sistema para de dizer que você precisa de algo. É o oposto: é você sendo suficiente. O que tem, o que é, tudo é suficiente e perfeito. Sendo assim, você não agradece o que recebe, você está em estado de gratidão, você é grato. Isto é uma grande diferença: você orienta o seu sistema de que já está sendo nutrido o suficiente no momento presente, o que nos coloca num estado de receber. O seu recipiente está preparado para receber.
Como vimos, todos os benefícios já comprovados pela psicologia positiva e pela neurociência mostram que a gratidão muda o seu cérebro do sistema de defesa para um sistema de segurança. Isto não quer dizer que não haja dificuldades, mas poder agradecer até mesmo as dificuldades é o nível mais alto de gratidão.
No entanto, a ideia é dizer: Eu sou suficiente, tenho suficiente, e não focar em que tenho que ser uma pessoa diferente ou serei melhor quando tiver, encontrar ou comprar. Essa ideia faz seu sistema nervoso se contrair e ficar alerta porque há algo a fazer. Vemos pessoas que passaram por situações disruptivas e conseguiram ir a este lugar de gratidão porque repetidamente acreditaram e sabiam que, em algum lugar daquela situação, havia algo bom.
Como ensinamento fundamental, temos que a gratidão é uma parte central de como atraímos abundância e bem-estar para nossas vidas. A gratidão é um sinal para seu sistema interno de que nada está errado agora. É uma mudança do estado da falta para a apreciação e isso muda o seu estado interno e permite que coisas boas fluam até você.
É neste contexto que a gratidão é a manifestação da abundância. Você não pode manifestar a partir de uma mentalidade de falta — a verdadeira manifestação começa quando você não se sente mais incompleto ou desesperado por algo. A gratidão diz ao seu sistema nervoso que é seguro receber.
O conceito de gratidão não é por ter o que você quer — é valorizar o que você tem para que seu campo interior possa se expandir e estar aberto a mais. É o contraste da necessidade de algo com ser grato pelo que já existe. Então a gratidão não é responsiva, como quando recebemos um presente e agradecemos; a gratidão é magnética. Eu agradeço e reconheço o que tenho, recebo mais e atraio abundância.
Ser grato tem a ver com a sua referência espiritual, mas principalmente com o seu sistema nervoso estar pronto para agradecer. Trata-se de um ato de confiança e entrega — perceber que você não é o controlador. Não é sobre ego ou aquilo que você quer. Pelo contrário, é sobre a entrega e a crença de que você é um participante de um fluxo maior. Não inclui desejos futuros. Essa prática é sobre acabar com a sensação de falta, não fingir que você já tem tudo. Reconheça o desejo honestamente: “Eu quero X, e ainda não o tenho.” Sinta qualquer decepção ou saudade sem consertar. Depois, passe para a gratidão pelo que já te apoia, independentemente desse desejo. Isso mantém a gratidão limpa, não manipuladora.
Quando você é grato, para de resistir ou de agarrar e começa a receber.
Ela muda a forma como seu sistema nervoso vive a vida e te abre para mais abundância. Pense nas formas pelas quais você já está sendo apoiado: pessoas que te ajudam, dinheiro que você já recebe, seu corpo te mantém vivo. Em vez de dizer “obrigado”, pergunte internamente: Posso deixar isso entrar mais? A abundância cresce quando você pratica receber, não apenas apreciar. Isso treina seu sistema para esperar suporte, não esforço.
Em resumo, a psicologia positiva diz que a gratidão funciona melhor quando é sentida, não apenas listada. Gratidão expande sua capacidade interna de receber e responder. O objetivo é se mover do estado de ameaça ou escassez para o de segurança e escolha, para que o sistema nervoso consiga responder à vida com mais eficácia.
Não estamos usando gratidão para fingir que está tudo bem. Estamos usando para ajudar seu sistema nervoso a se estabilizar, para que você possa acessar clareza, resiliência e escolha. Por um momento, não estamos resolvendo nada. Estamos apenas percebendo o que já está funcionando. Então seu sistema para de escanear em busca de perigo.
Agora que entendemos tudo, vamos praticar?
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como a prática da gratidão pode fortalecer sua saúde emocional e ampliar sua sensação de abundância? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em falar a respeito.
Mônica Barg
https://www.monicabarg.com.br
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