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Entre o Autoritarismo e a Leniência: A Liderança Pendular dos Novos Líderes e o Efeito da Mentoria Comportamental

Descubra por que a liderança pendular faz novos líderes oscilarem entre autoritarismo e leniência e como a mentoria comportamental ajuda a construir autoridade legítima, firmeza equilibrada e maturidade para sustentar decisões sem perder humanidade.

Entre o Autoritarismo e a Leniência: A Liderança Pendular dos Novos Líderes e o Efeito da Mentoria Comportamental

Entre o Autoritarismo e a Leniência:
A Liderança Pendular dos Novos Líderes e o Efeito da Mentoria Comportamental

Olá!

Outro dia, em uma sessão de mentoria, um jovem gestor me disse algo que ficou ecoando:

“Eu não quero ser aquele chefe que eu tive.”

A frase parecia madura. Consciente. Quase libertadora.

Mas, minutos depois, enquanto ele descrevia sua rotina, ficou evidente que estava vivendo exatamente o oposto — e igualmente problemático. Evitava confrontos, assumia tarefas da equipe, deixava erros passarem para “não gerar clima ruim”. Estava exausto.

Não queria ser autoritário.

Mas também não estava conseguindo liderar. E ali apareceu um fenômeno que tenho observado com frequência crescente: a liderança pendular. A liderança pendular é aquela que oscila entre dois extremos. De um lado, o excesso e do outro, a lacuna.

No excesso, o novo líder, inseguro quanto ao próprio papel, passa então a reproduzir modelos antigos de autoridade. Endurece o tom. Controla demais. Centraliza decisões. Cobra sem construir compromisso. Parafraseando Paulo Freire, quando não elaboramos a experiência, tendemos a reproduzir aquilo que um dia nos oprimia.

O oprimido vira opressor

No ambiente corporativo, isso acontece com mais frequência do que gostaríamos de admitir.

Já na lacuna, ocorre o movimento contrário. O novo líder evita tensão. Prefere ser aceito a ser respeitado. Suaviza feedbacks. Assume tarefas que deveriam ser delegadas. Compensa a equipe em vez de desenvolvê-la. Resultado? Equipes confortáveis demais. Líderes sobrecarregados. Performance mediana.

Entre o autoritarismo e a leniência, o pêndulo balança. E o problema não é geracional, é identitário. Promovemos excelentes executores a posições de liderança, mas raramente preparamos sua identidade para exercer autoridade. A nova geração cresceu valorizando pertencimento, diálogo bem como validação emocional. Tudo isso é positivo. Mas liderança exige algo adicional: a capacidade de sustentar decisões que nem sempre agradam. Ser líder é, muitas vezes, ser “aturado”.

Porque liderar significa levar pessoas a fazer tanto o que gostam quanto o que não gostam — com o mesmo padrão de qualidade.


E isso gera desconforto

Sem maturidade comportamental, o cérebro busca atalhos: Ou endurece para provar força, ou suaviza para preservar vínculo. Nenhum dos dois constrói autoridade legítima. Diante desse cenário, muitas organizações respondem com treinamentos:

  • Programas de liderança;
  • Workshops;
  • Leituras recomendadas;
  • MBA’s.

Tudo isso ajuda, mas não resolve. Porque o problema da liderança pendular não é técnico. É interno.

Treinamentos ensinam ferramentas, mas não desmontam crenças. Não alteram a relação pessoal do líder com poder, conflito, aceitação e rejeição. Não ensinam a sustentar desconforto sem perder humanidade. E é por isso que, nos últimos dez anos, tenho observado uma mudança importante nas organizações mais maduras: a migração do treinamento genérico para a mentoria executiva com viés comportamental.


A mentoria comportamental é diferente:

  • Ela não começa perguntando “qual ferramenta você usa para dar feedback?”;
  • Ela começa perguntando “o que você sente quando precisa dar um feedback difícil?”.

Não é uma aula, é um processo individualizado.

Um mentor experiente, com domínio de inteligência comportamental e modelagem de comportamento, acompanha o novo líder na construção de sua identidade de autoridade como forma de um trabalho  cirúrgico.

No excesso, remove durezas desnecessárias. Na lacuna, fortalece posicionamento. E, em ambos, desmonta crenças limitantes.

Muitos líderes descobrem, por exemplo, que associavam firmeza a agressividade. Ou que acreditavam que ser respeitado significava ser temido. Ou que confronto inevitavelmente levaria à rejeição.

Essas crenças, invisíveis, sustentam o pêndulo e quando trabalhadas, algo muda, pois, o líder deixa de reagir por medo e passa a agir por intenção e, a autoridade deixa de ser imitação e passa a ser coerência. A diferença é perceptível.

Líderes que passam por mentoria comportamental tornam-se mais previsíveis. E previsibilidade gera segurança.

  • São firmes sem serem duros;
  • São acessíveis sem serem permissivos;
  • Cobram sem humilhar;
  • Ouvem sem perder direção.

Equipes amadurecem junto e conflito deixa de ser ameaça e vira assim instrumento de crescimento com o líder deixando de ser o gargalo da operação. Vivemos uma era acelerada. Conhecimento pronto para uso. Fórmulas rápidas. Frameworks replicáveis. Mas maturidade continua exigindo tempo e reflexão.


Não existe aplicativo que instale autoridade legítima

Ela se constrói, e muitas vezes, se constrói com ajuda. Entre o autoritarismo e a leniência existe, de fato, um ponto de equilíbrio que não é meio-termo. É integração consciente de firmeza e humanidade. Esse ponto raramente nasce sozinho. Ele nasce quando alguém ajuda o novo líder a olhar para si — não para se explicar, mas para se ajustar. Porque, no fim, liderança não é sobre ser amado nem temido.

É sobre ser consistente, e consistência é comportamento repetido com intenção.

Pense nisso!


Gostou do artigo?

Quer saber como evitar a liderança pendular bem como desenvolver autoridade legítima sem oscilar entre autoritarismo e leniência? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Até a próxima!

Edson Carli
https://inteligenciacomportamental.com

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Edson Carli Author
Edson Carli é especialista em comportamento humano, com extensa formação em diferentes áreas que abrangem ciências econômicas, marketing, finanças internacionais, antropologia e teologia. Com mais de quarenta anos de vida profissional, atuou como diretor executivo em grandes empresas do Brasil e do mundo, como IBM, KPMG e Grupo Cemex. Desde 2003 está à frente do Grupo Domo Participações onde comanda diferentes negócios nas áreas de consultoria, mídia e educação. Edson ainda atua como conselheiro na gestão de capital humano para diferentes fundos de investimentos em suas investidas. Autor de sete livros, sendo dois deles best sellers internacionais: “Autogestão de Carreira – Você no comando da sua vida”, “Coaching de Carreira – Criando o melhor profissional que se pode ser”, “CARMA – Career And Relationship Management”, “Nut’s Camp – Profissão, caminhos e outras escolhas”, “Inteligência comportamental – A nova fronteira da inteligência emocional”, “Gestão de mudanças aplicada a projetos” (principal literatura sobre o tema nos MBAs do Brasil) e “Shé-Su – Para não esquecer”. Atual CEO da Academia Brasileira de Inteligência comportamental e membro do conselho de administração do Grupo DOMOPAR. No mundo acadêmico coordenou programas de pós-graduação na Universidade Mackenzie, desenvolveu metodologias de behaviorismo junto ao MIT e atuou como professor convidado nas pós-graduações da PUC-RS, FGV, Descomplica e SENAC. Atual patrono do programa de desenvolvimento de carreiras da UNG.
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