
Homens e Equidade de Gênero: Desconstruindo Vieses, Construindo Ambientes Seguros
A equidade de gênero é um tema que, por muito tempo, foi tratado como uma pauta exclusiva das mulheres. No entanto, essa visão é, sem dúvida, limitada e pouco eficaz. A construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e equitativa exige a participação ativa dos homens — não como protagonistas que ocupam o centro do debate, mas como aliados conscientes, corresponsáveis e engajados na transformação social.
Pesquisa da Boston Consulting Group indica que as ações sobre equidade de gênero nas organizações têm 96% de sucesso quando homens estão ativamente envolvidos, versus 30% nas empresas em que o envolvimento não acontece.
Falar sobre o papel do homem na equidade de gênero não é retirar espaço das mulheres, mas ampliar o alcance das mudanças necessárias para desconstruir desigualdades históricas que afetam toda a sociedade.
Os índices de feminicídio no Brasil atingiram patamares recordes entre 2024 e 2025, consolidando uma trajetória de aumento na violência de gênero. Uma média de cerca de quatro mulheres assassinadas por dia no país. Isso representa um aumento de 10% nos últimos 5 anos.
Quando analisamos os números, outro cenário chama a atenção: cerca de 64% das mulheres foram mortas dentro de suas próprias casas. Além disso, oito em cada dez mulheres foram, de fato, assassinadas por parceiros ou ex-companheiros. Um espaço e relacionamento que deveriam representar amor, carinho e segurança, tornam-se o principal ponto de perigo.
Importante ressaltar que o feminicídio é o ápice de outras formas de violência: física, psicológica, moral, sexual, patrimonial.
Mulheres são frequentemente interrompidas de forma recorrente e desnecessária ao estabelecer diálogos com homens ou em grupo (Manterrupting). Seu conhecimento é subestimado mesmo que ela seja especialista no assunto. É uma forma de machismo sutil que invalida a capacidade intelectual feminina, frequentemente presenciada no trabalho e na vida social (Mansplaining). Além disso, são assediadas moral e sexualmente no trabalho.
Mesmo diante de todo este contexto, algumas empresas limitam-se a homenagear as mulheres em março. E quando o fazem, presenteiam com brindes, lembrancinhas, de preferência rosa.
Não sou contra esses tipos de homenagens. O problema reside quando as empresas se lembram das mulheres somente em março e não fazem nada para garantir que se sintam seguras no ambiente profissional.
Jamais podemos tratar Diversidade como um projeto, pois projetos tem começo, meio e fim, e na sua grande maioria são pontuais. Programas são contínuos e se conectam muito mais com a proposta de Diversidade e Inclusão.
Há várias formas mais eficazes de presentear as mulheres:
Primeiro, mostrar o posicionamento da empresa em relação ao tema, com tolerância zero para qualquer situação que as diminua. A criação de comitês de afinidade pode ajudar a construir essa cultura e formar uma equipe guardiã das boas práticas.
Garantir equidade no plano de carreira e de cargos e salários, de forma a permitir que mulheres acessem os cargos mais altos da organização e conselhos. Compreender que esta falta de acesso não ocorre de forma explícita, mas, muitas vezes são os vieses inconscientes reproduzidos pelos líderes e pela alta direção que criam barreiras.
Garantir um ambiente com segurança psicológica e mapeamento dos abusos. Criar canais de denúncia com interesse genuíno em ouvi-las, que resultem em punição aos agressores, independentemente dos cargos que ocupem.
Promover palestras e workshops constantes sobre o tema, com a finalidade de empoderar as mulheres e orientá-las sobre como agir em situações constrangedoras.
E um ponto que considero nevrálgico: trazer os homens para conversas sobre masculinidades, posturas na empresa, em casa e nas relações. Gerar reflexões para que reconheçam seus vieses e comportamentos que impactam no dia a dia da mulher. E, assim, desconstruam a cultura machista reforçada ao longo de tanto tempo.
Tenho trabalhado esse tema nas organizações com um consultor (sim, um homem) para desmistificar alguns conceitos para o público masculino:
- como lidar com vulnerabilidades;
- como refletir e mudar posturas antes tidas como naturalizadas;
- substituir o sentimento de culpa por responsabilidade como forma de trazer o homem para a conversa; e
- abrir canais de aprendizado.
Estas são algumas sugestões que terão muito mais significado para as mulheres do que homenagens bonitinhas, mas vazias na sua efetividade.
Quer saber mais sobre como trabalhamos este tema?
Vamos conversar. Temos essas e outras sugestões que têm dado muito certo e nos ajudado a cumprir nosso propósito de semear a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.
Gostou do artigo?
Quer saber como fortalecer a equidade de gênero na sua organização e envolver os homens como aliados estratégicos nessa transformação para construir ambientes seguros? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Luciano Amato
http://www.trainingpeople.com.br/
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