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Você Quer Ser NOLT? Longevidade, Identidade e os Dilemas do Novo Idoso 60+

Você sabe o que é NOLT? Descubra como a longevidade está redefinindo a vida dos 60+ e impondo novos dilemas ao envelhecimento. Entenda identidade, propósito e liberdade de escolha diante das pressões de performance do novo idoso.

Você Quer Ser NOLT? Longevidade, Identidade e os Dilemas do Novo Idoso 60+

Você Quer Ser NOLT? Longevidade, Identidade e os Dilemas do Novo Idoso 60+

E o novo ano de 2026 trouxe mais uma terminologia para aprendermos: trata-se do termo NOLT (New Older Living Trend). Para quem não está familiarizado, é o novo idoso de sessenta mais que não se sente tão idoso assim. A terminologia surge em meio ao cenário da longevidade conquistada com os avanços da medicina e à tendência humana de não querer envelhecer.

No entanto, muito mais que uma nova classificação, precisamos entender o que significa socialmente e emocionalmente a ideia de não envelhecer ou pelo menos não tão rápido assim e de permanecer ativo.


A pergunta é: o que significa exatamente permanecer ativo? Estamos falando fisicamente, mentalmente? Onde fica o desejo e a vida que gostaríamos de ter?


Um rótulo, um diagnóstico, uma categoria não são suficientes para enquadrar este novo viver. Não sabíamos que íamos chegar tão longe, que a pirâmide etária iria se inverter com mais velhos do que novos. Não tínhamos ideia de ter cinco gerações no mercado de trabalho, então simplesmente não sabemos o que é este novo envelhecer.

Segundo a explicação do novo termo, trata-se de gente madura que vive com autonomia, curiosidade e vontade de continuar em movimento. Será que todos os sessenta mais têm essa curiosidade e vontade de aprender? O que tenho ouvido é muito mais um cansaço de tanta informação, uma exaustão de tendências e uma cansativa rotina de cuidados médicos, com o corpo e com a mente que nem dá espaço para escolhas.

Outro dia perguntei a alguém que acabara de se aposentar o que ele fazia agora.

E a resposta foi: Vou a médicos! Uma sucessão de consultas e exames preventivos que nada tem a ver com o prazer de envelhecer e usufruir ou conquistar coisas pelas quais ansiou tanto tempo. Veja bem, é uma conquista poder ir a médicos preventivamente. No entanto, essa não pode ser a sua proposta de usar este tempo de vida extra.

Lidar com a ideia de que é preciso se manter ativo, atualizado e curioso é extenuante. Isso pode se traduzir em expectativa e cobrança. Trata-se dos “inimigos do fim”: uma finitude com a qual é preciso lidar. A perda dos pais, dos amigos, o fim da carreira, os filhos que vão embora e as possíveis doenças. Tudo isso faz parte das questões dessa maturidade longeva, na qual se exige uma nova performance.

Academias e ambulatórios estão lotados de NOLTs que não sabem muito bem o que fazer com este tempo extra da longevidade. Já não têm uma função profissional e se perdem achando “cool” saber usar aplicativos. Esse é o NOLT bem-sucedido que se apresenta por aí. Os demais são desencaixados, como se todos pudessem pertencer à mesma categoria, sem a devida complexidade e diversidade do ser humano.


Assim, passa a ser esperado que esse idoso “novo” tenha a fila preferencial, mas também seja superatuante. Não seria isso um etarismo? Dizendo que quem está nessa classificação deve se comportar de determinada maneira?


Pode parecer interessante observar esse fenômeno e até dar nome a ele. No entanto, temos que permitir a reflexão sobre a condição humana e as emoções que nela estão incluídas. Quem é essa pessoa que agora tem sessenta anos? O que ela fez da sua trajetória? Para o que se preparou? NOLT significa romper com a ideia de velho, como se isso fosse possível!

Precisamos ter cuidado para não entrarmos em negação, mas sim escrever uma história que faça sentido hoje. Uma história que inove com as possibilidades que o mundo apresenta para essa longevidade conquistada. Sem que isso se traduza apenas em parecer jovem, mas que tenha identidade e propósito, em vez de tédio e frustração.


Para que esse novo se instale, a cultura precisa se redefinir, a sociedade precisa se acomodar e, principalmente, teremos que construir a autoconsciência e o desejo para essa nova etapa.

Já que ninguém imaginava estar por aqui tanto tempo, há a questão financeira: custos, moradia, saúde. Será que estão preparados para tal? E o que fizeram e quem sustentaram durante tanto tempo, provendo sobrevivência, trabalho, família e cuidado? Foram responsabilidades que tomaram conta da vida toda. Será que terão a liberdade de escolher o que fazer agora ou simplesmente terão que continuar em tarefas intermináveis para serem atuantes e curiosos?

Assim como adolescentes, essa nova faixa etária reúne milhões de individualidades sociais, culturais e de gênero. Não se aplica de forma linear ou idêntica. Não é um conceito único, nem essencialmente bom. Pode, inclusive, tratar-se de uma fuga diante da dura realidade de envelhecer, adoecer e passar por lutos e frustrações. Enfrentar tudo isso de forma digna, com possibilidades reais de escolha, essa sim é uma luta social que faz sentido para o envelhecimento.

Mais do que uma nova terminologia, trata-se de reconhecer a mudança do envelhecimento e as suas possibilidades de construção. É aproveitar essa etapa com a bagagem do passado e as oportunidades do futuro. Mas sem pressa, sem tarefa, sem performance.

Quero envelhecer sendo curioso e com capacidade de aprender, mas principalmente quero ter a dignidade de poder escolher como e o que fazer.


Gostou do artigo?

Quer saber mais sobre o que é NOLT e como construir uma longevidade com identidade, propósito e liberdade de escolha — sem cair na armadilha da performance eterna? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em falar a respeito.

Mônica Barg
https://www.monicabarg.com.br

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Mônica Barg Author
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Mônica Barg é uma profissional experiente, atuando como Coach, Mentora e Psicanalista. Ela é caracterizada por sua curiosidade incessante, sua acolhida calorosa, sua produtividade incansável e seu espírito empreendedor. Sua busca constante é pela melhor informação e conteúdo, seja relacionado a temas ou indivíduos. Tem uma crença profunda no potencial individual de cada pessoa e adota abordagens inovadoras para se conectar com a essência única de cada indivíduo, buscando a evolução e a entrega do melhor em desenvolvimento humano. Com uma carreira de mais de 30 anos, acumulou experiência executiva em diversas áreas, incluindo atendimento ao cliente, desenvolvimento de novos negócios e gestão comercial. Possui um amplo conhecimento dos processos e estruturas corporativas, bem como uma compreensão profunda da cultura organizacional. Além disso, tem uma extensa experiência de mais de 1500 horas em atendimentos individuais para orientação e desenvolvimento de pessoas, bem como orientação para o desenvolvimento e implementação de ações empreendedoras e processos organizacionais. Sua abordagem é caracterizada por uma visão sistêmica, combinada com uma profunda percepção do indivíduo, o que lhe permite traduzir em estratégias de atuação tanto em nível individual quanto empresarial. Possui uma formação sólida, sendo Mentora certificada pela FGV-RJ e Escola de Mentores, Mestranda em Gestão do Conhecimento pela FUNIBER, com Pós-Graduação em Psicologia Positiva e Coaching pela UCAM-RJ, bem como certificações em Coaching pela SBP e Crescimentum. Ela é Psicanalista certificada pela SBPI-SP, com Pós-graduação em Administração e Psicanálise do Século XXI, ambos pela FAAP. Adicionalmente, Monica possui certificações em Coaching Evolutivo, Coaching de Liderança e Formação em Psicanálise pela AEDP em Nova York. Sua formação acadêmica inclui uma graduação em Arquitetura pela UFRJ.
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