
Falar ao Ouvido ou Falar ao Coração? Como a Comunicação Consciente Gera Conexão e Resultados
Há uma pergunta bastante popular que nos faz refletir sobre atitudes e comportamentos relacionados à comunicação: O que você prefere, ter razão ou ser feliz?
Por meio da nossa comunicação, trocarmos nossas ideias, ensinamos, aprendemos, argumentamos, pedimos, negociamos, vendemos, lideramos, fazemos apresentações, criamos conexões, fazemos amizades, influenciamos e somos influenciados.
Você já pensou que temos vários tipos de linguagens e cada uma delas pode gerar diferentes respostas, de acordo com o conteúdo da nossa fala e, principalmente, pela maneira como falamos?
Podemos falar para o ouvido e/ou para o coração, como se fossem dois idiomas diferentes, com a mesma intenção e, claro, gerando respostas e resultados diferentes.
As Duas Linguagens: Ouvido e Coração
A distinção entre as duas linguagens “ouvido e coração” é, na verdade, uma metáfora que aborda diferentes níveis de compreensão humana. Não se trata de uma classificação linguística formal, mas sim de uma ideia poética ou filosófica sobre a forma como as mensagens são recebidas e processadas.
Cabe aqui uma explicação: “A comunicação não é o que falamos, mas é o que chega”, ou seja, é o que é percebido e decodificado pelo interlocutor.
A linguagem para o ouvido
A linguagem para o ouvido refere-se à comunicação em seu sentido mais literal, superficial ou técnico. É a linguagem que se baseia na lógica, na informação factual e na gramática, compondo-se de:
- Foco: Ouve-se com o aparelho auditivo, processa-se a informação racionalmente e literalmente.
- Características: Clareza, objetividade, uso de palavras e estruturas reconhecíveis (linguagem verbal). É a comunicação que busca informar, instruir ou persuadir por meio de argumentos lógicos.
- Exemplo: Um manual de instruções, uma notícia objetiva, uma aula expositiva e dados estatísticos.
A linguagem para o coração
Por outro lado, a linguagem para o coração refere-se à comunicação em um nível mais profundo, empático e emocional. É a linguagem que transcende as palavras literais e se conecta com os sentimentos, intenções e a humanidade do outro, contendo os seguintes itens:
- Foco: Escuta-se com compaixão e ternura, prestando atenção não apenas ao que é dito, mas como é dito e o que está por trás das palavras, acentuando-se a empatia e genuíno interesse em conexão.
- Características: Subjetividade, sensibilidade, uso de figuras de linguagem, metáforas e acentuado uso da comunicação não verbal e a capacidade de “ler nas entrelinhas”, buscando a conexão, o acolhimento e a partilha de experiências.
- Exemplo: Uma conversa de apoio entre amigos, um poema, um discurso inspirador, a comunicação não-violenta, que visa entender as necessidades e a empatia, além das palavras.
Apesar do fascínio da comunicação humana em toda a sua complexidade e beleza, acontece porque acontece nessas duas dimensões, porém complementares, e não raro percebemos comunicadores, educadores e líderes, focando demais em um lado e se esquecendo do outro, gerando falhas de conexão, mal-entendidos.
A comunicação eficaz nasce do equilíbrio entre os dois mundos.
Falar ao ouvido significa atuar no território da razão.
É a comunicação estruturada, lógica, organizada. É quando usamos argumentos sólidos, dados, informações claras, gramática correta e encadeamento racional das ideias. O discurso do planejamento, da precisão e da objetividade.
No ambiente corporativo, esse modo de comunicação é indispensável, afinal, decisões precisam ser fundamentadas, processos exigem clareza e equipes necessitam alinhamento e definição de metas e planejamento organizado.
Lembro-me de um gerente que treinamos. Ele era brilhante tecnicamente: conhecia números, processos e indicadores como poucos. Quando apresentava um relatório, impressionava pela riqueza de detalhes, números, estatísticas e, ainda assim, não tinha bom relacionamento com sua equipe, argumentando que poucas pessoas o entendiam.
Nesse caso, o problema não era o que ele dizia, mas sim, como dizia e sua relação era agressiva com sua equipe. Ele falava para a mente e não para o coração.
Bastaram alguns poucos recursos e técnicas, tais como desenvolver sua expressividade, trabalhar metáforas, usar o nome das pessoas e mostrar vulnerabilidade e amabilidade, paciência e amor ao próximo para que, como consequência, o comportamento de sua equipe mudasse radicalmente.
Falar ao coração é outra linguagem, é entrar no território da emoção.
Aqui, palavras tornam-se imagens, sentimentos, afeto. É o domínio da sensibilidade, da empatia e da linguagem poética que habita (creio que a maioria) dos seres humanos. É quando a fala não é apenas compreendida, mas sentida, pois, carrega histórias internas, expectativas, feridas e sonhos, acessadas por meio das emoções.
Recordo-me de uma jovem que treinava comunicação para entrevistas de emprego. Ela tinha conteúdo, mas dizia tudo de forma lógica e robotizada.
Eu perguntei:
Por que você quer esse trabalho?
E ela respondeu:
Porque preciso crescer na carreira.
Mas sua voz estava fria, distante. Então insisti:
E o que esse crescimento realmente representa para você?
Ela respirou fundo, os olhos marejaram e disse:
Meu pai sempre acreditou em mim. Quero deixa-lo feliz porque esse trabalho irá honrar o esforço que ele teve comigo e sua crença em minha capacidade.
Nesse caso, a comunicação deixou de ser mecânica e virou humana. A emoção não apenas deu força à mensagem, mas abriu uma ponte entre quem ela era e quem queria se tornar. Falar ao coração tem o poder de criar conexão e autenticidade.
Mas, cuidado: emoção sem clareza vira confusão. É preciso sentir, mas também saber se organizar.
Os melhores comunicadores são os que sabem quando falar ao ouvido e quando falar ao coração.
Há momentos que exigem objetividade, tais como apresentar resultados, orientar uma tarefa, definir metas, esclarecer um processo. Mas há momentos em que a razão não basta, por isso é imprescindível falar ao coração para: inspirar equipes, motivar mudanças, acolher alguém em sofrimento.
A excelência da comunicação nasce exatamente na habilidade de equilibrar as duas dimensões. É como na música: não funciona apenas com técnica, nem apenas com emoção, precisa de ritmo, melodia, harmonia e alma.
Alguns impactos desse equilíbrio:
Na liderança:
- Líderes que falam só ao ouvido são percebidos como frios.
- Líderes que falam só ao coração, como ingênuos.
- O líder completo une clareza, objetividade, assertividade e humanidade.
Nas relações pessoais:
- Casais brigam porque um quer fatos e o outro quer sentimentos.
- A solução? Reconhecer que ambos são necessários (e estão certos).
Na oratória:
- Grandes oradores estruturam bem, mas encantam pela emoção.
Nos conflitos:
- Ouvir com a razão evita exageros.
- Responder com o coração evita feridas.
A comunicação efetiva passa pelos dois caminhos:
Se você deseja comunicar com impacto, lembre-se: nenhuma mensagem é completa se toca apenas um dos lados do ser humano. Falar ao ouvido esclarece, falar ao coração conecta.
É quando a comunicação consegue fazer as duas coisas, clarear e conectar, ela se torna inesquecível e imbatível; transforma relações, decisões, resultados e destinos.
No final, a comunicação consciente é muito mais do que transmitir palavras. É construir pontes. Pontes que começam no ouvido, atravessam a razão, passam pelo coração e saem pela boca, proporcionando uma efetiva transformação humana.
Gostou do artigo?
Quer saber mais sobre como a comunicação consciente pode transformar suas relações e seus resultados? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Reinaldo Passadori
Especialista em Comunicação e Oratória
https://www.passadori.com.br/
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