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2026 em apenas 9 dias: Democracia, Geopolítica e o Fim do Tempo de Adaptação

Os primeiros dias de 2026 revelam um mundo sem tempo para adaptação. Democracia tensionada, economia frágil e disputas geopolíticas expõem a urgência de escolhas coletivas em uma ordem global cada vez mais instável.

2026 em apenas 9 Dias: Democracia, Geopolítica e o Fim do Tempo de Adaptação

2026 em apenas 9 dias: Democracia, Geopolítica e o Fim do Tempo de Adaptação

“Não pergunte o que teu país pode fazer por você; pergunte o que você pode fazer por teu país” (John F. Kennedy[1]) 

O ano de 2026 mal começou e já deixou claro que a história, desta vez, não concederá períodos de adaptação. Entre o primeiro dia de janeiro e este momento, a sensação é menos a de atravessar uma semana e mais a de ter completado um ciclo inteiro de aceleração — política, econômica, simbólica. Em tempo: este texto é escrito por volta das 14h do dia 9 de janeiro de 2026.

No Brasil, os primeiros dias do ano se abriram sob decisões concentradas e disputas institucionais que voltaram a tensionar os limites da democracia representativa. Não é apenas o conteúdo das escolhas que inquieta, mas o método: a percepção de que regras, ritos e consensos passaram a ser interpretados conforme a urgência do momento.

A economia, por sua vez, permanece frágil. O país carrega os efeitos de um ciclo recente de fuga de capitais, convive com incertezas fiscais e observa, com apreensão, os reflexos de um cenário externo cada vez menos previsível sobre o agronegócio e as cadeias produtivas.

Mais do que decisões de governo, vive-se um teste coletivo: até onde vai a tolerância institucional — e social — diante de pressões que desafiam o pacto democrático? A democracia, vale lembrar, não se sustenta apenas em votos e discursos; depende também de previsibilidade, segurança jurídica e estabilidade material. Sem isso, a política deixa de ser mediação e passa a ser risco.

No continente americano, os sinais de ruptura também se acumularam. Movimentos extraterritoriais, disputas abertas em torno da Venezuela e reações populares divergentes reacenderam debates antigos sobre soberania, legalidade e intervenção. As fronteiras ideológicas tornaram-se mais porosas, e as alianças, mais voláteis. A América Latina, mais uma vez, percebe que sua margem de neutralidade encolheu.

No tabuleiro global, o clima foi ainda mais áspero. O recrudescimento das tensões no Oriente Médio recolocou o Irã no centro de um jogo perigoso, onde ameaças, demonstrações de força e instabilidade energética se alimentam mutuamente, dentro e fora do país. A diplomacia segue presente, mas frequentemente abafada pelo ruído das armas e pelo impacto imediato nos mercados, nos preços e na sensação difusa de insegurança.

No Indo-Pacífico, a China intensificou exercícios militares em áreas sensíveis, oficialmente classificados como rotineiros, mas carregados de significado estratégico. O recado é silencioso e inequívoco: o século XXI não será organizado em torno de um único polo de poder. O mar, a tecnologia e as rotas comerciais tornaram-se tão decisivos quanto territórios.

Em contraste — ou talvez como resposta — antigos projetos de integração avançaram. Mercosul e União Europeia sinalizaram novos passos em direção a um acordo comercial após décadas de negociação, enquanto o BRICS ampliado inicia 2026 sob a presidência da Índia, reforçando a transição para uma ordem internacional mais fragmentada e multipolar. O globalismo, tal como concebido nas últimas décadas, não desaparece — mas perde sua promessa de harmonia automática.

Eventos culturais e esportivos, dos preparativos para a Copa do Mundo de 2026 a encontros globais aparentemente banais, seguem acontecendo.

À primeira vista, parecem irrelevantes diante das tensões geopolíticas. Mas talvez revelem algo essencial: mesmo em tempos de incerteza estrutural, persiste a busca humana por pertencimento, normalidade e sentido.

Esses fatos, embora dispersos, compõem um mesmo desenho. A política internacional deixou de ser pano de fundo e passou a invadir o cotidiano. Decisões tomadas a milhares de quilômetros afetam o humor social, o custo de vida e a percepção de futuro. Nota-se também uma mudança coletiva: mais ceticismo, menos paciência com discursos vazios, maior urgência diante da fome, do desemprego e da incoerência entre palavras e ações.

Talvez a principal lição destes primeiros nove dias seja simples e incômoda: sociedades não são espectadoras passivas da história. Elas escolhem, pressionam, legitimam ou rejeitam caminhos, engajadas no mundo digital reunidas no mundo real. O ponto central, portanto, não está apenas nos líderes ou nos conflitos, mas na capacidade coletiva de distinguir o essencial do acessório — e de decidir se o futuro será conduzido pelo medo ou pela responsabilidade compartilhada.

Em apenas alguns dias, 2026 já se apresentou como um tempo histórico que não pede licença. Ele avança, independentemente de nossa disposição. Assumamos ou não o protagonismo, ele cobra. E continuará cobrando.


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Quer saber mais sobre como a geopolítica em 2026 impacta diretamente nossas escolhas, a democracia e o futuro coletivo? Então entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.

Sandra Moraes
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Notas:

[1] Em seu discurso de posse em 20 de janeiro de 1961, Kennedy, desafiou os norte-americanos a contribuir de algum modo para o benefício comum.


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Sandra Moraes é Jornalista, Publicitária, Relações Públicas, frequentou por mais de 8 anos classes de estudos em Filosofia e Sociologia na USP.É professora no MBA da FIA – USP. Atuou como Executiva no mercado financeiro (Visa International (EUA); Banco Icatu; Fininvest; Unibanco; Itaú e Banco Francês e Brasileiro), por mais de 25 anos. Líder inovadora desenvolveu grandes projetos para o Varejo de moda no país (lojas Marisa – Credi 21), ampliando a sua larga experiência com equipes multidisciplinares, multiculturais, altamente competitivos, inovadores e de alta volatilidade.
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