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COTAS: Necessidade ou Privilégio

Uma discussão que sempre vem à tona são as cotas. Algumas pessoas afirmam que cotas significam privilégios a determinados grupos sociais.

Uma discussão que sempre vem à tona são as cotas. Algumas pessoas afirmam que cotas significam privilégios a determinados grupos sociais.

A Constituição federal prevê no seu artigo 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.

Baseado neste parágrafo poderíamos facilmente analisar que se todos são iguais perante a lei deveriam ter as mesmas condições e que cota seria um privilégio, porém, como Nelson Nery Junior cita em seu livro Princípios do processo civil na constituição federal, o princípio da igualdade pressupõe que as pessoas colocadas em situações diferentes sejam tratadas de forma desigual: “Dar tratamento isonômico às partes significa tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na exata medida de suas desigualdades”.

Tal análise é reforçada por citações mais recentes como Alexandre de Moraes cita em seu livro Direito Constitucional. 33ª ed. revista e atualizada a EC de 95 de 15 de dezembro de 2016. São Paulo: Ed Atlas.

“…. o tratamento desigual dos casos desiguais, na medida em que se desigualam é exigência tradicional do próprio conceito de justiça.”

Outro questionamento a ser feito é se tais diferenças existem e qual o tamanho delas: O IBGE registrou no último Censo (2010) que a população de negros e pardos representa 55% da população.

De acordo com o estudo divulgado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pelo Instituto Ethos em 2016, os negros correspondem a apenas 4,7% dos cargos executivos das 500 maiores companhias brasileiras.

A participação deles diminui de forma brusca à medida que o nível hierárquico aumenta. Negros e negras correspondem a 57,5% dos aprendizes, 28,8% dos estagiários, 58,2% dos trainees, 35,7% do quadro funcional, 25,9% da supervisão, 6,3% da gerência, 4,7% do quadro executivo e 4,9% do conselho de administração.

Em relação às mulheres, embora já alcancem nível de formação superior ao dos homens, ainda são minoria no comando das empresas e na política. Em 2016, 37,8% dos cargos gerenciais no país eram ocupados por elas. Fonte: IBGE

Sobre a comunidade LGBTi+ um estudo britânico do Instituto of Labor Economics (IZA) feito com quase 650 mil adultos revelou que lésbicas e gays ainda encontram muita dificuldade para ter o seu esforço reconhecido em seu local de trabalho, e cargos de chefia como gerência e direção ainda são um ponto distante quando se trata de promoções e crescimento na carreira.

De qualquer forma há o outro lado da moeda. Empresas que se conscientizaram e vêm desenvolvendo trabalhos fantásticos. É o caso da GE que tem um grupo focado em recrutar, engajar, reter e desenvolver os talentos de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros. Oferece benefícios iguais para casais hétero e homossexuais. E se esforça para levar seus conceitos a outros membros da cadeia de valor, incluindo fornecedores e clientes.

Seria diferente se a maioria das empresas tivesse este tipo de atitude, mas, enquanto houver mais barreiras atitudinais a vencer, a solução mais rápida para a inclusão social são as cotas. O tempo urge e não podemos esperar.

Um ponto que é preciso esclarecer: cotas não significam que a parte beneficiada seja incapaz, mas, a necessidade de equalizar sua participação na sociedade que justamente por estar tão distante necessita de ajustes que naturalmente seria quase que impossível alcançar num curto período de tempo. Cota não é algo para ser eterno, mas temporário até que a equidade se estabeleça.

Pensando nas gerações futuras, o trabalho a ser feito é garantir que homens, mulheres, brancos e negros, classes sociais distintas tenham menos evasão escolar, educação de qualidade para que sejam igualmente competitivos no mercado de trabalho, mas não podemos esperar anos para a equidade ocorrer, então, enquanto isso não acontece a conclusão é que cota é uma necessidade e não um privilégio.

Pós-Graduado em Tecnologia Assistiva pela FMABC/ ITS/ Fundação Don Carlo Gnocchi. Pós-graduado em Psicologia Organizacional pela UMESP e Graduado em Psicologia pela UNIMARCO. Extensão em Gestão de Diversidade pela PUC. Credenciado em Holomentoring, Coaching e Advice pelo Instituto Holos. Formação em Coaching Profissional pela Crescimentum. Formação em Facilitação Digital pela Crescimentum, Formação em RH e Mindset Ágil pela Crescimentum. Formado como analista DISC. Vivência de 30 anos na área de RH em empresas como Di Cicco., Laboratório Delboni Auriemo, Wal Mart, Compugraf, Mestra Segurança do Trabalho. Presidente e Fundador do Instituto Bússola Jovem (2016 a 2025), projeto social com foco em jovens em situação de vulnerabilidade social que tem por missão transformar vidas através da Educação, Empregabilidade, Orientação de Carreira e Saúde Mental. Atualmente é Diretor da TRAINING PEOPLE, empresa especializada em Implantação de Programas de Diversidade, Equidade e Inclusão que atua em 3 frentes: Processos, Ambiente e Pessoas por meio de projetos de consultorias especializadas, palestras, treinamentos e jogos corporativos. Professor do MBA de “Inteligência Artificial Aplicada a Gestão de Pessoas e Negócios” da Anhanguera Educacional, disciplinas de Diversidade e Inclusão e Segurança Psicológica. Professor do MBA da FIAP de Gestão Estratégica de Negócios da disciplina de Diversidade, Equidade e Inclusão. Coordenador do MBA Executivo de Diversidade Estratégica e Cultura Inclusiva na Anhanguera Educacional. Colunista da plataforma de desenvolvimento Cloud Coaching. Coautor dos livros: Segredos do sucesso: da teoria ao topo. Gestão Humanizada de Pessoas. O Matuto Corporativo. Coordenador e coautor dos livros Diversidade em suas dimensões – Volume I, II e III.
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