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2020: o ano em que o mundo virou de ponta cabeça por causa de um vírus

Que ano! O ano em que o mundo virou de ponta cabeça por causa de um vírus. A pergunta do 1º trimestre é: vamos sobreviver a esta pandemia?

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Que ano! O ano em que o mundo virou de ponta cabeça por causa de um vírus. A pergunta do 1º trimestre é: Vamos sobreviver a esta pandemia?

Enquanto a atual instabilidade na saúde e na economia mundial são gerenciadas, é fundamental pensarmos nos efeitos de longo prazo.

Assim como a crise mundial de 2008, que começou com a falência do grupo Lehman Brothers, ou como a queda das torres gêmeas, a pandemia do Covid-19 é um evento que afeta o mundo inteiro, cujas consequências ainda só podemos imaginar. Ninguém tem absoluta certeza do que vai acontecer.

A única certeza é a mudança que isso tudo trouxe. O corona interrompeu vidas, empresas, empregos e bagunçou a economia inteira mundial.

Mais de um quarto dos 7 bilhões de pessoas no mundo passaram mais de um mês confinadas em suas casas, após as imposições de quarentenas e estados de emergência dos governos na intenção de conter as contaminações.

Muitas fronteiras foram bloqueadas, voos cancelados e escolas fechadas. Tais medidas, extremamente necessárias, acabam por causar um colapso econômico mundial total.

Mas não podemos ser ingênuos e achar que só a economia será afetada. Não voltaremos a viver como antes em curto prazo, do contrário, o nosso comportamento será afetado de inúmeras maneiras.

Temos é que adaptar a nossa vida econômica, social, cultural e laboral. Portanto, a máxima de que: passará melhor por esta pandemia o empreendedor que se reinventar e apostar na inovação, também serve para todos nós no âmbito pessoal.

Quanto mais rápido aceitarmos isso tudo como uma nova era, e mudarmos completamente nossos hábitos, mais seguros ficaremos. Sim! Vamos sobreviver à pandemia!

Esta nova era veio de forma disruptiva, impactando a sociedade como um todo, e por todos os lados. Há os impactos óbvios e diretos, causados pelo Covid-19, como hospitais superlotados, e falta de respiradores; impactos da recessão econômica, como desemprego em massa e provável aumento da fome no mundo; e também há o impacto indireto, que é o aumento da habilidade de rápida adaptação nas empresas, ou seja, quem não for resiliente, fechará as portas.

Tivemos que mudar a forma que trabalhamos, que entramos e saímos de casa, que comemos, que fazemos compras, que nos exercitamos e que nos socializamos.

Continuamos tentando levar uma vida normal, mas agora com novos protocolos baseados na redução do contato interpessoal, e novos procedimentos de higiene, especialmente nos aeroportos e em viagens.

Na prática, o que acontece é que o trabalho remoto será cada vez mais normalizado, o e-commerce e o delivery serão cada vez mais utilizados, o comércio nacional e local será cada vez mais estimulado (por exemplo, a cada dia surge uma nova campanha nas redes sociais, como: compre do pequeno, ou apoie o comércio local) e os cuidados com a saúde física e mental terão cada vez mais atenção.

Neste sentido, gostaria de chamar a atenção para alguns tópicos, tendências da nova era pós-2020:

1. Home-office: 

As empresas tentarão sobreviver à crise gerada pela pandemia, mas muitas não conseguirão sustentar os custos de se ter um espaço físico: aluguel, limpeza, etc. A tendência é que micro e pequenas empresas reduzam suas estruturas físicas, e invistam em hardware e softwares para implementar o sistema de home office.

Portanto, indo na contramão da crise econômica mundial, o mercado de teleconferência será um dos que crescerá a partir de 2020. Além disso, presenciaremos um grande aumento de novos “youtubers”.

Muito já se fala da quantidade enorme de lives que estão sendo feitas diariamente nas redes sociais. Até mesmo cantores famosos entraram na onda das lives. Hoje em dia temos streamings por Instagram e Facebook para todos os públicos e gostos, de pessoas famosas e não famosas, e também dos que enxergam este período como a oportunidade que faltava para se tornarem os novos famosos na internet.

2. Solidão, ansiedade, depressão:

Se já dizíamos que o mal do século era a ansiedade, agora provavelmente entraremos no ano da depressão. Infelizmente muitas pessoas estão se sentindo solitárias durante o período de quarentena e isolamento social. Muitos vivem sozinhos, ou fazem parte do chamado grupo de risco e precisam mesmo evitar contato com outras pessoas para não correrem o risco de contaminação.

Outras pessoas perderam seus trabalhos, ou estão passando dificuldade em estar 24h com seus filhos, ou ainda, estão enfrentando uma crise conjugal. E tem gente que está passando por tudo isso ao mesmo tempo! Nem todo mundo tem uma boa estrutura emocional para aguentar firme. Além disso, muitas pessoas estão adquirindo transtornos obsessivos compulsivos por limpeza, higiene e normas para sair e entrar em casa por exemplo.

Portanto, haverá um aumento da demanda por atendimento psicológico ou coaching online. Até mesmo a demanda de adoção de animais domésticos ou também chamados animais de companhia aumentará (o que pode causar um problema futuro de abandono desses mesmos animais, mas isso é tema para outra ocasião).

Além disso, os mercados de cursos on-line, jogos on-line e streaming de audiovisual são outros que não sofrerão tanto com a crise, podendo esperar um significativo crescimento, apesar de um iminente aumento de concorrentes.

3. Novos procedimentos de higiene:

Com a alta taxa de contaminação do Covid-19, tanto os consumidores, quanto as organizações estão mais alertas quanto ao tema “higiene”. Novos protocolos surgiram (como por exemplo, aferição da temperatura de funcionários, para detectar febre) e se passou a prestar mais atenção aos procedimentos de manipulação de produtos, principalmente alimentos. O impacto que isso pode causar na economia, na verdade, são até positivos.

Novos produtos surgem no mercado, como máscaras, óculos e luvas em suas inúmeras variações de materiais, formas e tamanhos, e também produtos de higiene. Isso pode repercutir positivamente aos microempreendedores como uma boa opção de reinvenção imediata dos seus negócios: produção e venda (ou revenda) desses novos produtos.

Além disso, grandes empresas tendem a investir na inovação das embalagens dos seus produtos, sempre aliando os novos conceitos de higiene ao marketing.

4. Mudanças nos procedimentos para viagens:

O setor de turismo e viagens foi sem dúvida nenhuma um dos que mais sofreu impacto na sua indústria. Viajar, atualmente, passa a sensação de “risco” para as pessoas. Entrar em um avião agora, oferece não apenas o risco de queda, mas o risco de contaminação por um vírus letal. E isso ninguém quer. Portanto, qual será o futuro para este mercado?

O turismo local vai aumentar. Assim como viagens para o interior, ou viagens curtas, que se pode fazer com o próprio carro. Claro que sempre haverá os aventureiros, que não dispensam uma viagem internacional por nada neste mundo, mas a densa maioria vai optar por evitar viagens aéreas por um tempo. Viagens a trabalho, sempre que possível, serão substituídas por trabalho remoto.

Outro impacto previsto, é que viagens internacionais provavelmente serão mais longas, pois agora temos que adicionar o período de quarentena e observação pós-aeroporto. Hotéis e albergues terão normas de higiene reforçadas, o que, obviamente, será ratificado nas futuras campanhas de marketing.

5. Aumento de conflitos em geral:

As pessoas estão todas à flor da pele. Sendo assim, não é apenas o mercado de desenvolvimento pessoal e inteligência emocional (psicologia e coaching) que crescerá, mas também a procura por advogados. Muitas organizações, assim como pessoas, estão operando no “modo sobrevivência”. Isso faz com que muitos acordos, contratos e regulamentações tenham que ser alterados, até mesmo como consequência da implementação de home office e de novos protocolos de higiene.

Obviamente, não são apenas as empresas que sofrem mudanças, mas pessoas físicas também. Em alguns países, o período de quarentena quase duplicou o número de pedidos de divórcios. Foi noticiado também que o consumo de bebidas alcoólicas aumentou significativamente em alguns países. Pesquisas apontam que uma das consequências, infelizmente, é o aumento de violência doméstica, fator também relacionado ao confinamento.

E não são apenas conjugais os conflitos, mas também entre vizinhos e nas ruas. Em algumas cidades dos Estados Unidos, por exemplo, um dos produtos mais procurados, além de papel higiênico, foram as armas de fogo. Portanto, o advogado que conseguir migrar sua atuação para o universo online, sairá na frente.

6. Desemprego em massa:

Sim, uma baita crise é iminente. Como provavelmente nunca vimos antes no último século. Muitos serão forçados a repensar suas carreiras e suas vidas profissionais, principalmente suas expectativas salariais. Outros lutarão num mar cheio de concorrentes para manter seus postos de trabalho. Portanto, o desenvolvimento profissional e a autoliderança nunca foram tão necessárias.

Você provavelmente já leu algum artigo ou viu algum vídeo sobre as habilidades dos profissionais do futuro. Elas agora serão completamente remodeladas. Para início de conversa, quem não souber lidar com os softwares de trabalho remoto e/ou educação à distância, ficará para trás. E, como acontece em toda crise, o empreendedorismo vai aumentar. Muitos verão na atividade independente uma luz no fim do túnel para os sustentos de suas famílias. Assim, aos poucos, a economia vai recuperando o seu fôlego, e os países vão ressurgindo do fundo do poço.

7. Delivery ou entrega em casa:

Quantos varejistas e comerciantes se viram forçados a fechar suas portas por causa da pandemia? Incontáveis! E quantos desses faliram? Todos aqueles que não investiram em delivery.

Então quer dizer que o varejo como conhecemos vai morrer, Paula? 

Não, claro que não! Não vai morrer, vai evoluir… não apenas para sobreviver à pandemia, mas porque é preciso. O que podemos esperar são mais investimentos em soluções de entrega de produtos, como por exemplo, pontos de entrega em cada bairro, e mais serviços de motoboy como o UberEats ou Rappy. A famosa imagem que temos do futuro do delivery: entrega por drones ou robôs, ainda não será uma realidade na maioria dos países.

8. Restrições das relações interpessoais:

Enquanto não houver vacina, as pessoas vão continuar evitando o contato excessivo com os idosos e grupos de risco, e provavelmente continuarão a ter mais cuidado com multidões, e estar em grandes agrupamentos de pessoas, principalmente ao sair em locais fechados, como shoppings, supermercados e transporte público.

Uma mudança interessante é que, o uso de máscara, que já era comum no mundo oriental, se tornará comum no mundo ocidental. Continuaremos a ver pessoas de máscaras nos transportes públicos, nos aeroportos, aviões e até mesmo dentro das empresas.

Outro impacto social, são reuniões comemorativas, como festas de aniversário. Muitas pessoas adotarão um comportamento mais antissocial, mesmo após sobreviver à pandemia, ficando mais em casa, cumprimentando os outros de longe e usando álcool gel nas mãos com frequência. Portanto, enquanto estar online se torna cada vez mais comum, algumas atividades do nossos dia a dia “off-line” serão reinventadas.

9. A relação: vida profissional x vida pessoal:

Para muitos de nós, trabalho significa propósito de vida. Principalmente no mercado de empreendedorismo, é mais comum ver pessoas trabalhando de forma engajada com o que gostam, se entregando de corpo e alma, sem conseguir separar suas vidas pessoais das profissionais. Mas para o trabalhador comum, isso não acontece. O trabalho é completamente independente da sua vida pessoal. Com a pandemia isso mudou para muitas pessoas. Ser forçado a ficar em casa, e ter que trabalhar on-line, fazendo vídeocalls, mudou a nossa relação laboral, e também a nossa relação com os colegas de trabalho.

Apenas, agora, muitos puderam se conhecer de forma diferente e mais profunda: fazendo as reuniões em vídeo das suas próprias casas, podemos conhecer como nossos colegas vivem e com quem vivem, até porque, muitos são constantemente interrompidos pelos filhos, mães, pais ou cônjuges.

Além disso, a preocupação diária com o “look” profissional, para muitos foi substituída pelo confortável pijama. Em situações normais, a forma de nos vestir tem a ver com a imagem que queremos passar. O elemento “fashion” tem muito a ver com como comunicamos nossa identidade ao mundo.

Mas num mundo com menos interações interpessoais presenciais, a forma como nos vestimos ganha menos importância. Ora, se o máximo de interação que eu terei com outras pessoas, será uma reunião em vídeo, onde só apareço da cintura pra cima, não sinto necessidade de me arrumar por completo. Se eu decido vestir uma calça social ou calças de pijama, ninguém notará a diferença.

10. O desejo da imunidade alta x o pânico de multidões:

Como último tópico, eu quero trazer a atenção a um mercado que vai disparar, e outro que terá que se modificar muito para se adaptar. Os laboratórios de vitaminas, e todo o mercado de saúde (remédios, suplementos, vitaminas, alimentos orgânicos, chás milagrosos, etc) terá um crescimento significativo.

As pessoas estão cada vez mais atentas ao tema “imunidade”; deveriam estar também atentas à qualidade dos produtos que consomem. Faz-se necessário que a fiscalização em laboratórios de vitaminas e suplementos aumente proporcionalmente ao crescimento deste mercado.

Por outro lado, mesmo com a imunidade em dia, muitas pessoas vão desenvolver a agorafobia, o pânico de estar em multidões. Portanto, os empreendedores do ramo de festas, eventos, cruzeiros, cerimônias, teatros, cinemas, restaurantes e até mesmo academias, devem estar antenados às mudanças da sociedade para manter seus negócios.

Foi noticiado, por exemplo, que cinemas na China fecharam logo após um curto período de reabertura, por medidas de segurança, para evitar qualquer risco de novas contaminações.

Muitos restaurantes na Europa estão adotando proteções de acrílico (as mesmas utilizadas nas caixas dos supermercados e farmácias) para proteger e separar os seus clientes nas mesas, de forma segura. Principalmente para os restaurantes pequenos e apertados, como as famosas tascas portuguesas, é uma forma de garantir a reabertura, e uma medida de segurança para a clientela, após a quarentena.

Novamente, fica como reflexão: quem não se adapta, morre. Não é o maior que sobrevive, nem o mais forte. É quem melhor e mais rapidamente consegue se adaptar às mudanças e necessidades da nova era.

E você caro leitor? Quais mudanças e adaptações precisa adotar para sobreviver à pandemia e ao ano de 2020?

Sim! Vamos sobreviver à pandemia!

Um forte abraço, boas realizações e boa sorte!

Paula Quaiser
http://www.paulaquaiser.com

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Paula Quaiser é graduada e pós-graduada em Marketing. Master Coach e Canvas, certificada nacional e internacionalmente. Idealizadora do método Canvas Coaching. Eterna viajante e nômade digital. Palestrante internacional, em mais de 10 cidades pelo mundo. Indicada ao prêmio Bid-Star Awards 2018 (Genebra, Suíça) em qualidade de inovação. Coautora dos livros: “Business Model Teams” e “O Fator-E: O empreendedorismo como forma de transformar pessoas e empresas”.
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