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As duas Espiritualidades

Todas as pessoas, sem exceção, querem ser felizes, ou melhor: querem se livrar do sofrimento e serem felizes. A prática da Espiritualidade, seja como for a sua forma de entendê-la, tem como pano de fundo a busca da Felicidade.

Resumo

A Espiritualidade Incondicional – profunda e eterna – já está em nós, e somos uma livre expressão desta liberdade. Mas enquanto não percebermos esta plenitude, podemos eventualmente passar a buscá-la na Espiritualidade Condicionada, quando passamos a seguir uma religião ou cultos, fazermos promessas ou devoções, retiros espirituais, cantarmos louvores, participar de peregrinações, ou recitarmos mantras. Esta Espiritualidade comum tem eventualmente o poder de melhorar a mente temporariamente, termos uma vida mais alegre, termos menos problemas, mas estas serão sempre condições temporárias, e que não nos conduzem à Espiritualidade Incondicional profunda e permanente, pois esta já está presente em nós, não precisa ser conquistada ou criada e não se manifestará como resultado de algum cultivo ou atividades da Espiritualidade Condicionada.

A Espiritualidade é um tema abstrato e, portanto, muito difícil, ou mesmo impossível de expressar em palavras. Mas acredito que poderei mostrar duas facetas sobre o tema, o que poderá ajudar os leitores a entenderem um caminho mais real e profundo da Espiritualidade incondicional.

Mas antes de falarmos das Duas Espiritualidades, precisamos entender um pouco mais sobre o Ser Humano. Com isto quero dizer que a grande busca de todas as pessoas é a Felicidade. Todas, sem exceção, querem ser felizes, ou melhor ainda: querem se livrar do sofrimento e serem felizes. Então precisamos entender que a prática da Espiritualidade, seja como for a sua forma de entendê-la, tem como pano de fundo a busca da Felicidade.

Voltando à questão da busca pela Felicidade, precisamos entender que há duas Felicidades: A Felicidade Condicionada – à qual estará acoplada uma Espiritualidade Condicionada – e a Felicidade Incondicional, onde também teremos a Espiritualidade Incondicional.

Vamos agora conhecer mais de perto estas duas Felicidades e, portanto as duas Espiritualidades.

A Felicidade Condicionada e a correspondente Espiritualidade Condicionada acontecem quando buscamos a Felicidade fora de nós, como a obtenção de um bem material ou bem-estar pessoal, no alcance de uma determinada meta, na mudança de algo que nos incomoda, numa promoção profissional, num casamento ou divórcio, numa pós-graduação, buscar um mentor ou coach, fazer viagens, MBA ou mestrado, exercer atividades sociais, trabalho voluntário, e assim por diante. Aqui neste ponto precisamos incluir também a Espiritualidade comum ou Condicionada. Neste nível a Espiritualidade ainda está vinculada fortemente a uma prática religiosa ou a um culto místico. Geralmente confunde-se a religião com a Espiritualidade.

Exemplos de Espiritualidade Condicionada: o esperar uma benção divina ou uma cura, obter bem-estar pessoal – através de orações, retiros ou afirmações da fé, trilhar um caminho espiritual, fazer meditações, frequentar seitas, religiões, cultos, filosofias, seguir “gurus” ou orientadores espirituais. Podemos ainda citar como exemplos dar esmolas, ter um período sabático, pertencer a grupos de cultivo ou estudos religiosos, fazer uma viagem a Índia Mística, percorrer o Caminho de Santiago ou outras rotas de peregrinação.

A este tipo de Felicidade, chamamos de Felicidade Condicionada, ou construída, pois está vinculada a uma situação externa, a uma conquista ou expectativas futuras ou esperanças de dias melhores. Mas sempre será uma crença construída pela nossa própria mente, de que iremos alcançar algo no futuro.

Nós não podemos negar que a Felicidade Condicionada está presente em todos nós, e que não há nada de errado com ela, mas precisamos entender que quando há este vínculo da Felicidade a uma situação externa ou algo que obteremos no futuro, serão situações passageiras ou impermanentes, e que a Felicidade que sentimos por um tempo poderá nos causar num outro momento um desgosto ou infelicidade quando a condição ou seu efeito não se fizer mais presente.

Por exemplo, podemos ter uma grande alegria, seja qual for, mas esta alegria irá se desfazer e não existirá mais da mesma forma, surgindo talvez em seu lugar a preocupação, a prisão ao passado ou infelicidades anteriores.

Uma vez que as situações se desfazem, isto nos provoca uma sensação de perda daquilo que nos fazia feliz, acabaremos novamente a criar novos planos para o futuro. Novas metas, novas buscas, novas expectativas, sempre com um esforço para concretização do plano, meta ou desejo. Poderemos gastar uma vida inteira praticando a Espiritualidade comum, sempre presos a uma esperança, sem nunca a alcançar verdadeiramente, a não ser talvez por períodos passageiros, curtos ou mesmo mais longos.

A Felicidade plena ou incondicional é o segundo tipo de Felicidade, aquela que não depende de nada externo e de nenhuma realização. É a Felicidade que está sempre presente dentro de nós, e que se manifesta apenas quando estamos conscientes e presentes no aqui-agora. É a Felicidade da Vida em si, que vem da nossa conexão com a Fonte Interior, a consciência plena e imutável.

Esta Felicidade é quase que desconhecida das pessoas, e que ela não pode ser construída ou obtida por esforços. Precisamos apenas aquietar a mente e deixar que a Felicidade plena se manifeste natural e livremente. Portanto, ela não depende de nada, nem de alguém, de ter bens, conviver com pessoas ou viver em família, nada disto é necessário para a Felicidade plena. Esta só pode se manifestar no momento presente.

Precisamos entender que estamos num eterno agora, e que podemos estar presentes no agora e perceber a profunda paz e Felicidade sempre livre dentro nós, e que se manifesta naturalmente, sem precisar ser conquistada ou construída.

Esta Felicidade livre, não construída está sempre presente dentro de nós, incondicionalmente. Não a podemos construir, pois já esta pronta. Não a podemos conquistar, pois é inconquistável através de esforços ou qualquer tipo de ação.

Então, a verdadeira e profunda Espiritualidade não dependerá de esforços ou de práticas espirituais condicionadas ou comuns. Isto é muito libertador. Dependerá apenas da conexão com o momento presente, sem passado ou futuro e sem nenhum esforço de obter algo. Nem dependerá de nossos esforços do passado, ou de conquistar algo.

Mas também digo que as práticas da Espiritualidade comum com esforços podem gerar benefícios temporários como ter menos sofrimentos e termos mais alegrias, e não devemos negligenciar, negar ou procrastiná-las.

Então, a diferença entre uma pessoa que pratica o bem e outra que pratica o mal, será apenas que a primeira terá menos sofrimentos e terá melhores condições de ser mais feliz temporariamente a partir de seus esforços, mas ambas ainda não descobriram a verdadeira liberdade imutável e eterna dentro delas mesmas.

A Espiritualidade Incondicional a nada segue, a nada adora e a nada obriga, pois ela é o reconhecimento e a vivência da presença da liberdade plena e infinita dentro de nós mesmos. É quando estamos conectados com a Fonte e percebemos sua Presença.

Em outras palavras, a Felicidade plena do coração não deve ser procurada em lugar algum. Basta reconhecê-la já pronta e plena dentro de nós mesmos. Simples e natural, sem complicação nenhuma. Experimente por você mesmo.

Marcos Wunderlich é Empresário e Presidente Executivo do Instituto Holos. Pioneiro do Coaching e Mentoring no Brasil, é referência nacional em Formação e Instrumentação de Mentores e Coaches no Brasil com abordagem holossistêmica e complexa, tem mais de 30 anos de experiência profissional. Consultor, palestrante, Master Coach e Mentor de Executivos. Mentalizador do Sistema ISOR® um conjunto instrumental científico-pedagógico de Desenvolvimento de Pessoas e Organizações com base na moderna ciência e neurociência, na milenar sabedoria humana e nas inovações da administração. Filiado ao ICF – International Coach Federation. Consultor CMC – Certified Management Consultant credenciado pelo IBCO – Instituto Brasileiro de Consultores de Organização em convênio com o ICMCI – International Council of Management Consulting Institutes. Formado e pós-graduado na área tecnológica, tem várias formações no campo da Gestão e Humanidades,
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